Eleições: Um novo momento político (XXII)

Atualizado em: 16/06/2012 - 00:00

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Fabio Aníbal Goiris

 

 

         Uma das decisões mais difíceis para o individuo imerso no complexo universo da política é posicionar-se perante ‘situações/conjunturas’ e, sobretudo, diante das ‘ideologias’. Esta parece ser a circunstância em que ocorreu a desistência do Deputado Estadual Plauto Miró Guimarães (DEM) à Prefeitura de Ponta Grossa.

         Por um lado, no que se refere às ‘conjunturas e situações’, o indivíduo mergulhado no âmbito político é fortemente influenciado pelo mundo do patrimonialismo e do pragmatismo que predominam na sociedade burguesa dos dias de hoje. Este indivíduo, não encontra outro espaço a não ser aderir a essa corrente do capitalismo que crassa em forma asfixiante nas sociedades modernas mais ou menos desde o Século XIX.

Não se verificou ainda força mais poderosa na política, tanto em Manhattan como em Ponta Grossa, do que o valor da infraestrutura econômica, mantida em conluio com o próprio Estado, este na sua vertente denominada de ‘Estado burguês’.

Por outro lado, a decisão de Plauto se inscreve também na tese desenvolvida pela ‘Direita Conservadora’ de que se assiste no mundo de hoje ao ‘fim das ideologias’, ou seja, se vive num universo político dominado apenas pelo interesse pragmático e imediatista das pessoas. Ao rejeitar o valor, a importância e o denodo da ideologia (especialmente da esquerda) o conservadorismo nivela as relações políticas ‘por baixo’. Por isso, quando alguém desiste de uma campanha, simplesmente se invoca a tese de que ‘não queria ser candidato mesmo’ ou ‘não era o momento para ser candidato’. Jamais se admite que foi um momento de timidez ideológica e doutrinária.

Existem candidaturas ideologicamente audaciosas como a de Péricles de Holleben Mello, um decidido candidato da esquerda a Prefeito de Ponta Grossa (embora ainda com restrições de seus cômputos administrativos anteriores). Não custa lembrar que, em tempos passados, o próprio Jocelito Canto na sua ‘timidez ideológica’ não deixou de enfrentar adversários que lhe eram estranhos com a bravura dos grandes políticos.

         Diante do exposto, soa estranha quando não melancólica a declaração do deputado Plauto Miró Guimarães: “Eu nunca escondi que tenho o sonho de administrar a cidade de Ponta Grossa. Eu disputei uma eleição em 2006 e não tive a felicidade de vencer, mas neste momento, 2012, temos uma conjuntura política em nível estadual e municipal que poderia vir a viabilizar uma nova candidatura. Porém, com muita responsabilidade, venho tomar uma decisão, depois de muita reflexão e de uma consulta aos moradores de Ponta Grossa através de uma consulta de opinião pública. Nós contratamos uma pesquisa para que eu pudesse avaliar o que os ponta-grossenses pensam sobre o Plauto Miró candidato a prefeito. E o resultado dessa pesquisa mostrou que a grande maioria da população acredita que o Plauto deve continuar com a posição que ocupa hoje na Assembleia Legislativa. Diante dessa vontade da maioria dos ponta-grossenses eu venho a tomar a posição de que vou continuar na Assembleia”.

         Como entender este processo? As categorias de deputado e prefeito não podem ser concomitantes, mas, não se excluem mutuamente. Como valorizar o resultado de uma pesquisa onde o pesquisado nem sequer tinha se declarado ainda candidato a Prefeito? Decisões como a do deputado deveriam ser tomadas não em base a ‘pesquisas e sondagens prévias’, mas, em função de circunstâncias muito mais fortes, intensas e agudas que envolvem o extraordinário universo do proselitismo e da ideologia política.

 

 

O autor é cientista político e professor da UEPG.

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