Todos sejam um

Atualizado em: 23/02/2012 - 00:00

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É inegável que algumas pessoas passam por nossas vidas e deixam marcas significantes. Ou então mudam nossos rumos de tal modo que jamais poderemos esquecê-las ou deixar de prestar-lhes qualquer forma de homenagem. Essas situações podem ocorrer individualmente ou em grupos sociais.
Há alguns anos, Ponta Grossa teve a grata felicidade de receber um homem que, de certo modo, modelou a conduta da sociedade e interferiu para sempre na mente e nas ações de diversos ponta-grossenses. Enquanto representante religioso da Igreja Católica em nossa cidade, este homem demonstrou possuir as mais importantes virtudes de um verdadeiro líder, mas não apenas em sua área, colocando-se também como exemplo de cidadania nos assuntos políticos que incidiam sobre o seu rebanho.
Enquanto bispo de nossa Diocese permaneceu por pouco tempo, tempo muito menor daquele que realmente precisávamos e queríamos, porém foram cerca de quatro anos onde ensinou, e também aprendeu, muito sobre religião, companheirismo, política, paz e justiça social.
Todavia, homens de sua estirpe não existem para pequenos voos e o destino exigiu obrigações e esforços cada vez maiores dele. Por tal razão foi ele elevado a condição de arcebispo, assumindo a Arquidiocese de Maringá, onde permaneceu por um tempo ainda menor. Logo no ano seguinte assumiu a Arquidiocese de Brasília onde permaneceu por alguns anos e desempenhou relevantes serviços ao povo da região Centro-Oeste brasileira e à própria Igreja Católica.
Em 2007, foi eleito presidente do Regional Centro-Oeste da CNBB. Ainda na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil foi membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé e vice-presidente das Edições CNBB. Em maio de 2010 esteve à frente da organização do XVI Congresso Eucarístico Nacional que aconteceu em Brasília, ano do cinquentenário da capital federal. Aos 4 de janeiro de 2011 foi nomeado pelo Papa Bento XVI como prefeito da Congregação para os Institutos da Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica no Vaticano.
Enfim, em 6 de janeiro de 2012 o Papa Bento XVI anunciou a sua criação como Cardeal. Foi então que no Consistório Ordinário Público de 2012 realizado no último dia 18 de fevereiro, Dom João Braz de Aviz, aquele que outrora foi o pastor regional do rebanho ponta-grossense, recebeu o barrete cardinalício e o título de Cardeal-diácono de Santa Helena fora da Porta Prenestina, na Basílica de São Pedro, pelas mãos de ninguém menos que o próprio Papa Bento XVI.
Não sei informar se o catarinense de Mafra e ponta-grossense de coração imaginava, ainda quando criança, alcançar tamanha responsabilidade e estar entre os próximos diretos de Sua Santidade, o Supremo Sacerdote da Igreja Católica. Mas posso dizer que os mais atentos já poderiam prever que aquele homem, com seus ensinamentos e atuações, alcançaria um número indefinido de pessoas, espalhando a outros horizontes importantes conhecimentos e conselhos.
É com alegria e satisfação que devemos receber essa notícia, pois, mesmo que por pouco período, pudemos desfrutar do conhecimento, da religiosidade e da liderança de Dom João, que hoje ocupa cargo de destaque no cenário mundial. Nada mais justo àquele que ajudou a construir a história de Ponta Grossa. Hoje nosso Bispo Dom João possui, entre outras tantas, a atribuição de eleger um Papa, se assim o destino desejar.
“Todos sejam um” é o lema adotado por Dom João Braz de Aviz para sua vida religiosa.






JULIANO JARONSKI
Advogado OAB/PR 32183
Professor Universitário
Mestre em Ciências Jurídico-Políticas pela FDUC (Portugal)
Pós Graduado em Estudos Avançados de Filosofia pela USAL (Espanha)
Especializado em Direito Público.

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