Panorama

Atualizado em: 13/09/2012 - 23:53

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Me parece claro que o debate da rede Massa, entre os candidatos a prefeito de Ponta Grossa, nesta quinta-feira, trouxe alguns avanços. Temas que estavam até agora ausentes das discussões - a origem dos tais notebooks, o custo do Bilhete Único - apareceram e foram discutidos. Isso foi positivo, muito positivo. Mas houve pontos negativos. E bastante. Péricles Mello, por exemplo, acha que "bairro" e "vila" são a mesma coisa (não são: vila é aglomerado e bairro um conjunto de vilas. Repetiu isso várias vezes, demonstrando mais sua teimosia do que coerência). Leandro, do PSOL, contribuiu muito pouco. Sem "amarras", como ele mesmo disse, tinha liberdade para explorar os mais variados temas, mas ficou restrito à agenda dos outros três. E por quê? Porque sua agenda não contempla mais, parece.

Márcio Pauliki deu um jeito de inserir, nos instantes derradeiros, seu novo apoio de peso, Jocelito Canto - e esse apoio merece comentário em separado, amanhã talvez. E bateu-se bem, defendendo o "bilhete único". Mas surpreendeu com uma proposta que, para mim, é nova: o kit que pretende distribuir às famílias de alunos da rede municipal de ensino. Pelo que entendi, trata-se de dar alimentos para as famílias dos alunos, como forma de combater a fome e a miséria também nas suas casas... Mas é isso mesmo? Mais um benefício direto, mais uma 'bolsa', mais um "adjutório"? A idéia é mesmo compensar as desigualdades sociais distribuindo comida? Não compactuo com isso, mesmo. Acho que é importante combater a fome e a miséria, mas distribuir comida não resolve o problema: ataca o sintoma, não a causa. E, pelo visto, é um outro programa sem porta de saída. Serão beneficiadas as famílias de alunos e.... continua isso para sempre?

O bilhete único me parece ferido de morte. Se representa mesmo aumento na tarifa ou implica em subsídio, não tem chance de caber na agenda pública de um governo comprometido com austeridade e que pensa em investir no desenvolvimento social. Alcança o usuário do transporte, que tem número respeitável e peso eleitoral considerável mas e daí? Beneficia uns e joga a tarifa nas alturas? Não vejo por onde.

Rangel tocou num ponto sensível, e o golpe foi sentido. Apontou que Péricles teve suas contas rejeitadas. E o desmentido sem graça do deputado do PT não surtiu efeito. Até porque Rangel está com a razão: as contas de dois anos do governo Péricles (ou seja, de metade de sua gestão) foram rejeitadas pela Câmara. As de um ano, inicialmente desaprovadas pelo Tribunal de Contas, foram posteriormente acolhidas. Mas as do outro ano não! E a Câmara não reformou nenhuma de suas deliberações a respeito dessas contas. Logo, o tema contas rejeitadas vai permanecer no tema, sim. Até porque significa - ou deve significar - um parâmetro para se avaliar o desempenho de um postulante à prefeitura.

Os demais têm seu histórico de ações e, principalmente, seus planos, projetos e disposição para trabalhar. E, no caso de Rangel, também seu desempenho como parlamentar (que pode, no caso, ser cotejado com o de Péricles, que também é deputado estadual).

Márcio Pauliki usou de uma estratégia inteligente para inserir Jocelito no seu discurso, mas não sei se essa inclusão resiste a uma análise mais pesada: Jocelito está fora do meio político (e não por vontade própria, diga-se) e isso pesa bastante. E um dos ex-prefeitos que ele mencionou levou para o túmulo a triste condição de ser um dos poucos ponta-grossenses com seus direitos políticos suspensos, também por influência de, digamos assim, problemas na avaliação de seu governo.

Há consenso, parece, com respeito às escolas em tempo integral (uns querem mais, querem que as crianças, quando não estão na escola o tempo todo, que fiquem entretidas em ações, aulas e interações outras de um dirigismo que me assusta: quando terão tempo para serem crianças?)

Também não vi desacordo com relação à ampliação de programas importantes, criados pelo governo Wosgrau, como o Feira Verde e o Mercado da Família.

E não há dissenso sobre a necessidade de se oferecer mais casas populares às famílias que estão na fila. Sem falar no amplo consenso de que a saúde é ainda o ponto fulcral de todas as campanhas. Até na do PSOL, que ignorou a segurança alimentar e o combate à miséria, mais preocupado - pareceu mesmo - com concursos públicos & por aí vai.

Muita munição, no entanto, está sendo poupada. Talvez para ser usada no último debate que conta, na RPC/TV Esplanada. Ou, vai saber, para um eventual segundo turno.

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