Subvertendo a lógica

Atualizado em: 15/02/2012 - 11:39

comentários

1. O noticiário político da semana trouxe nota do deputado Plauto Miró (DEM), anunciando ter ele conseguido investimento do Estado no colégio agrícola de Castro. Achei ótimo. Sério. Mas o Colégio Agrícola de Castro, bem ou mal, está se mantendo razoavelmente desde muito antes de eu e o deputado Plauto nascermos. O que me preocupa, nesse contexto, é o moribundo curso de Medicina Veterinária da UEPG, em Castro. Por que ninguém - ninguém! - ainda anunciou recursos, investimentos e garantias de que esse curso será mantido, melhorado, incrementado, sustentado? Castro precisa do curso de técnico agrícola? Sim. Mas a região inteira, e o Centro-Sul do Estado precisam mais ainda do curso de Medicina Veterinária. Fechar não é uma opção, para quem tem cérebro e visão de futuro.

2. Há muitas mortes por atropelamento na avenida Souza Naves. A única solução, para a maioria dos que gostam de dar opinião, é fazer um contorno rodoviário que custará várias dezenas (talvez centenas) de milhões de Reais. Pois eu repudio essa idéia - embora seja favorável ao contorno, por outras razões. Querem acabar com as mortes? Basta investir MUITO menos e instalar alambrados no canteiro central da avenida, impedindo os pedestres de arriscarem suas vidas em travessias inapropriadas. Acredito que o número de mortes vai cair, e muito, naquele trecho. Como os pedestres 'brincam' com a morte ao atravessar aquela rodovia todos os dias, nos dois sentidos, independente do horário ou da visibilidade - ou de suas condições físicas - então é hora de se tomar uma atitude firme: impedir a travessia por meios mecânicos. Quer atravessar? Usa a passarela. Simples assim.

3. O turismo em Ponta Grossa é uma indústria florescente. Pode ser, mas ainda não é 'indústria', não. Está mais para 'artesanato', e incipiente. O turismo receptivo é basicamente horrível. Uma amiga, operadora de turismo emissivo, garante: se não fossem as grandes indústrias, nem a rede hoteleira teria crescido. E ainda mais: no final da década de 90 fiz um estudo, pela Secretaria de Indústria e Comércio, que atestou que boa parte dos leitos de hotéis da cidade são ocupados não por turistas, mas por profissionais que precisam da cidade para fazer seus negócios. Restaurantes bons temos vários... Está brincando, né? Temos alguns, sim, mas poucos. E ainda estamos sujeitos à vexaminosa e constrangedora ditadura do horário, convertendo uma cidade que se pretende cosmopolita em vilarejo provinciano. Multiplicam-se as iniciativas, mas a qualidade ainda é de lascar. E o consumidor/turista/cliente, objeto, alvo e salvador de todas essas iniciativas, ainda não é ouvido, respeitado nem considerado. E, claro, nem seduzido, tentado ou atraído. Ande pelas ruas e pense bem: quem investe mais em publicidade para atrair sua clientela? Restaurantes, bares e casas noturnas ou motéis de alta rotatividade?

4. Outro mito: não temos aeroporto, estamos condenados. Não estamos, não. Em qualquer cidade grande os aeroportos ficam a muitos e muitos quilômetros de distância. E nós "temos" um, internacional, pronto e operante, a 130km, pouco mais de 80 minutos de carro. Podemos ter coisa mais próxima? Talvez. Mas não como alguns sonham. Não veremos Boeings 767 trazendo turistas de Roma pousando no Aeroporto de Ponta Grossa, não. Mas podemos perfeitamente ter jatos da Embraer ou da Bombardier trazendo para a cidade turistas do Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso, Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile... A aviação regional pode ser o filão aéreo da cidade, desatando o nó logístico do Afonso Penna, em São José dos Pinhais, e oferecendo à nossa região outras possibilidades - e muitas. Mas para isso é preciso construir um novo aeroporto? Não. Mas é preciso investir no Santana, especialmente na sua pista: para quem não sabe ela é limitada por um lado pela rodovia (e por um acidente geográfico) e por outro por uma ferrovia. Um dos dois terá que ser removido para que a pista possa ser ampliada e melhorada. Aí vem o outro processo, que é o de usar o aeroporto regional como 'hub' para o Affonso Pena, com linhas rodoviárias diretas (o que significa duplicar de uma vez o que falta da PR 151) e ampliar enormemente o cardápio turístico, negocial, de transportes e de 'civilização' de Ponta Grossa.

Às vezes, subverter a lógica dominante - e o senso comum - permitem ver opções onde antes só havia problemas.

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Comentários

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  • 15/02/2012 - 15:49 - djanuzi

    Temos que passar estas sugestões para o nosso amigo Pedro Wosgrau e para os candidatos a prefeito de Ponta Grossa.