Tecnologia nas propriedades rurais dos EUA impressiona
Atualizado em: 08/09/2011 - 16:58
| Luciana R. Brick |
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Depois de 10 dias nos Estados Unidos, o grupo de produtores, técnicos e representantes de cooperativas rurais dos Campos Gerais está de volta ao Brasil. No período em que estiverem em solo americano e passaram por cidades em Iowa, Illinois e Chicago, a equipe – em viagem técnica - visitou propriedades com lavouras, principalmente, de milho e soja, conheceu a Farm Bureau State Headquarters (Federação da Agricultura do Estado de Iowa), planta de etanol e cooperativa agrícola, fábrica de colheitadeiras da John Deere, unidade de tratamento de sementes da Syngenta, a sede da Pioneer, a 58ª Farm Progress Show e a Bolsa de Valores de Chicago, além é claro de alguns pontos turísticos como o Millennium Park (centro de arte, música, arquitetura e design de paisagem) e a Sears Tower (Willis Tower), com 110 andares e 448 metros de altura. É o prédio mais alto dos EUA desde a sua conclusão em 1974.
E como os integrantes do grupo avaliam o roteiro e o que viram naquele país, de cultura tão diferente do Brasil? Vale a pena conhecer a maior feira de agronegócio dos Estados Unidos? As tecnologias empregadas nos campos experimentais da Pioneer e da Syngenta? O dia a dia dos produtores rurais americanos? A resposta para tudo isto é sim.
Para Willem Berend Bouwman, vice-presidente da Cooperativa Castrolanda, a viagem técnica foi bastante produtiva. “Vimos um pedaço dos Estados Unidos. Andando e passeando no meio Oeste do País nós conseguimos ver como as culturas estão e percebemos que as lavouras estão sofrendo muito com a seca. Também tivemos a oportunidade de visitar os produtores rurais o que para nós foi bastante interessante porque pudemos sentir como vivem, a realidade, como fazem as operações e como trabalham nas propriedades e também a simplicidade que eles têm como pessoas”, destaca.
Ele comenta ainda sobre a visita às empresas (Pioneer, John Deere e unidade da Syngenta) e à Universidade de Illinois. “Pudemos acompanhar e ver as novas tecnologias que estão chegando e as tendências para a agricultura, principalmente, no setor de melhoramento genético. Foi bastante interessante”, diz ao comentar também sobre o aproveitamento na Farm Progress Show, maior feira do agronegócio dos Estados Unidos.
Willem observa também a união do grupo de viagem o que possibilitou a troca de ideias e informações. “Aprendemos uns com os outros. Para mim a viagem foi muito interessante, bastante produtiva”, acrescenta.
O produtor Dalnei Carlos Gomes, da Fazenda Bela Manhã, em Castro, também considera a viagem bastante positiva. “Aprendemos muito. Vimos bastante que ainda está aquém da nossa região, do nosso País, mas viemos aqui para logo chegar junto com esta tecnologia. As máquinas são enormes, fogem um pouco da nossa realidade, mas eles estão pensando também muito no Hemisfério Sul ao desenvolver as tecnologias, as máquinas. A John Deere tem fábrica também no Brasil, então muito do que tem aqui tem lá. Na agricultura estão trabalhando com lavoura de precisão e estão bem mais adiantados do que nós. A visita a Farm Progress Show foi muito interessante. Na Bolsa de Valores de Chicago conseguimos aprender bastante sobre o mercado e comodities. Fizemos um pouco de turismo, passamos por lugares muito bons, então considero que viagem foi bastante proveitosa”, avalia.
Feira traz ideia do futuro
Dirigindo a Bouwman Tecnologia em Castro, Vinícius Andre Bouwman, observa que através da viagem é possível ter noção do que está acontecendo na área agrícola e pecuária dos Estados Unidos. “Na feira (Progress Show) conseguimos ter uma ideia do que acontece fora do nosso País. Vendo o potencial do Brasil para a agricultura a gente vem aqui para poder exercer este potencial do nosso País tanto em questão de maquinário como em tecnologia e aprender sobre negócios e tendências para o futuro para conseguirmos melhorar a nossa produção no Brasil. A gente vê que o suporte que os agricultores têm nos Estados Unidos é bem diferente do nosso, mas não podemos parar”, fala.
A Bouwman importa máquinas da Holanda e vende no Brasil.
“A feira foi muito interessante. O maquinário que eles têm é outro nível do nosso, muito maiores o que facilita para eles, já que as áreas são maiores que as nossas. A tecnologia deles é muito avançada o que vai acontecer no Brasil talvez daqui a 10, 15 anos. A Farm Progress foi muito boa e a gente dá um passo à frente vendo aquilo e sabendo o que pode e não vir para o Brasil, então vale muito a pena e nós abrimos um pouco a cabeça para nova realidade que está vindo aí”, destaca o produtor de Castro, Roelof Harm Rabbers.
Para John Leonardo Petter, agricultor em Castro, “a Farm Progress tem muito tecnologia, muita máquina grande, muitas novidades, mas estamos chegando lá. Eles têm a tecnologia deles e nós temos a nossa, mas em questão de tamanho de máquinas e proporções chega até ser um absurdo de grande e nós temos o que aprender com eles e eles conosco. Eles fazem muita pesquisa acompanhando o Brasil, então nós estamos sendo bem vistos aqui. Os americanos são muito organizados. Tudo é limpo e a feira não tem nem como comparar, apesar de que a nossa bela Coopavel (em Cascavel) está prometendo fazer melhor ou igual, mas aqui o clima colaborou, está muito quente, então é uma feira muito jóia”, fala.
Na visão de Hendrikus Salomons, agricultor em Castro, a Farm Progress “é altamente qualificada, mostra bastante a parte de informatização de ponta que eles têm. O maquinário deles sempre tem algo a mais que a gente pode pensar. As máquinas deles são extremamente grandes e fáceis, mas são muito grandes para a nossa realidade no Brasil”, avalia.
Já, o produtor Jan Ate de Jager, também de Castro, afirma que a Farm Progress é uma exposição diferente das que ocorrem no Brasil. “Não é uma exposição complicada. É fácil de encontrar as coisas. É ampla.
Você é bem atendido. O maquinário, nós vimos, funciona com simplicidade, não existe nada de complicado. É uma feira onde você consegue enxergar muito bem para onde se vai. Mostra a tendência do futuro, em GPS, tecnologia e automatização. Temos uma visão e ideia para onde estamos indo e o que vai acontecer também no Brasil. É uma viagem puxada, mas que vale a pena”, garante Jan.
