Ser físico vale a pena?

Atualizado em: 13/06/2011 - 14:32

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Uma cena comum: uma senhora num elevador pergunta a um rapaz ao seu lado - o que você faz, meu filho? Eu sou físico, responde ele. Ah, eu adorava física no ginásio, exclama a velhinha, na física, eu gostava de fazer ginástica rítmica... Esta situação reflete um tanto da desinformação que a população em geral tem sobre o Bacharel em Física. Outro dia estávamos entregando material de divulgação sobre o curso de Física nas escolas públicas da cidade, o diretor de uma escola disse que preferia não entregar o material aos seus alunos, porque “a Física era uma profissão sem mercado de trabalho”, o que é outra grande desinformação. Na verdade, o mercado para este profissional é tão grande que praticamente não existe físicos desempregados. Pelo menos não estão desempregados aqueles que fizeram um curso minimamente razoável, ou seja, terminaram no prazo regular e não reprovaram em “trocentas” disciplinas.

Outra informação truncada é que a indústria no Brasil, ao contrário do setor industrial dos países de primeiro mundo, não emprega físicos para pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Na verdade, ela não conta com este profissional devido a sua total carência. Se a indústria brasileira dependesse de físicos, correria o risco de paralisar alas inteiras de produção. Este quadro, com certeza, deve se reverter quando tivermos massa crítica de pesquisadores suficientes para fazer jus ao investimento no setor produtivo. São muito poucos os físicos formados anualmente no Brasil para cobrir as necessidades do mercado, por esta razão, ao contrário da crença popular, este profissional é muito requisitado e ganha razoavelmente bem. Um exemplo do que escrevi nas linhas acima estava no artigo anteriormente publicado no Diário dos Campos de 15 de abril deste ano, sob o título Acidente Nuclear. O Brasil possui uma legislação rigorosa com relação à utilização de terapias e diagnósticos usando radiação ionizante, mas há pouquíssimos profissionais qualificados em Física Médica para monitorar os equipamentos das clínicas em questão.

É verdade, entretanto, que o curso não é fácil e que muitos acadêmicos gastam energia no caminho e acabam desistindo. Mas, concordem comigo, qualquer formação de qualidade deve ser trabalhosa. É como escalar uma montanha, um prazer ilimitado decorre da vitória alcançada ao chegar no cume (sem contar com a paisagem deslumbrante), mas, sem dúvida foi necessário um esforço na escalada. Por outro lado, assim como os alpinistas podem parar no meio da subida para receber uma brisa reconfortante, durante a formação de um físico, muita brisa sopra na forma de participação de projetos de pesquisa, viagens para congressos e facilidades de bolsas de Iniciação Científica e Pós-graduação. Para ser sincero, vale a pena ser físico.

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