Império das imagens

Atualizado em: 05/11/2011 - 06:00

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Considerando a complexidade que é o ser humano, muitos estudiosos focaram suas pesquisas na perspectiva do homem como ser interativo e interdependente com o meio no qual está inserido. O homem não é, pois, um ser ensimesmado em um micro-universo pessoal, sem percepção e ação do meio no qual se move. Se o fosse, estaria em um estado patológico-vegetativo, bastante exemplificado através de algumas doenças neurológicas. Daí resulta que, estando com seu aparelho sensorial saudável, em contato com o mundo, o homem tem como primeiro sintoma desta relação a apreensão que faz dos conteúdos que o circundam. A isto dá-se o nome, em Psicologia, de percepção.

Como se conhece em Semiótica, resulta que o homem é um ser puramente imagético uma vez que utiliza um mar de signos representativos dos objetos que apreende e interpreta pelas vias sensoriais. O tato, o olfato e o paladar são, também, formas de comunicação com o mundo, mas jamais comparados ao poder que a visão e a audição, a imagem e o som, podem exercer. A percepção é aqui entendida como apreensão visual e auditiva, uma vez que, para a Semiótica, estas são as duas principais fontes de aprendizado humano.

Aprofundando mais a questão, pelos meandros da Psicologia, alguns autores entendem que a fascinação pela imagem e o som ocorre devido ao fato de que são as formas mais perfeitas de reproduzirem o próprio ser humano, que num processo de auto identificação, fica como que mesmerizado. Em apoio a este argumento, Muniz Sodré entende que "A irresistível fascinação do 'ver-se' é antiquíssima. É mitológica, como atesta o paradigma lendário de Narciso (...) Os neoplatônicos dos séculos XIV e XVI chegaram mesmo a definir o verdadeiro amor com pura contemplação (...)"

Atualmente, os meios externos ao homem que atendem a esta demanda psicológica são o rádio, a televisão, o cinema e a internet. No caso da televisão, não é só mais um eletrodoméstico destinado ao entretenimento e ao conforto do ser humano. É mais do que isso. Para Vera Paternostro, a televisão "influencia atitudes, determina valores, muda comportamentos, redireciona caminhos, questiona posturas, revela avanços, denuncia atrocidades, discute, analisa, comenta, explica, informa, ensina, entretém e deseduca. E também emociona, chora, revolta, entristece e alegra (...)".

Portanto, leitor, cuide com o que assiste, pois dependendo do que for, assim será você e sua vida! 

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