Bipolaridade é maior entre os 25 e 30 anos

Atualizado em: 18/12/2011 - 06:00

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Fábio Matavelli

A estimativa é de que 1,8 a 15 milhões de brasileiros sejam portadores da doença

 

Rodrigo Covolan

Segundo o psiquiatra, a bipolaridade pode ter fatores hereditários

 

 

 

Estima-se que cerca de 1,8 a 15 milhões de brasileiros sejam portadores do transtorno bipolar, segundo dados da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB). Dados da associação indicam, ainda, que um portador que desenvolve os sintomas da doença aos 20 anos de idade, por exemplo, pode perder nove anos de vida e 14 anos de produtividade profissional, se não tratado adequadamente. De acordo com o psiquiatra Luiz Ernesto Lima de Mello, o diagnóstico da doença é clínico, realizado através de entrevista com o paciente e familiares.

O diagnóstico deve ser feito por um profissional. “Não se pode pensar, apenas, que a mudança constante de humor indica a existência de bipolaridade. É preciso buscar um especialista, para que ele efetue o diagnóstico, até porque o tratamento é feito com a utilização de medicamentos chamados de estabilizadores de humor, que podem ser associados a antidepressivos e antipsicóticos e muita orientação aos familiares”.

Para quem sofre de transtorno bipolar, o psiquiatra explica que, na fase depressiva tudo parece correr lentamente. A pessoa fica melancólica, desesperançada, pessimista, com ideias de fracasso e ruína. Ao contrário, na fase maníaca, há aceleração e otimismo exagerado, incongruente com os acontecimentos. Nessa fase, são comuns ideias de grandeza e riqueza.

“Na fase depressiva grave, existe sempre a possibilidade de suicídio, nas fases maníacas podem existir períodos de agressividade, principalmente quando os pacientes são contrariados”, detalha, ressaltando que o transtorno não tem cura.

A doença é mais comum em adultos, entre 25 e 30 anos. “E existe um componente genético que se mescla à estrutura psicológica e a fatores ambientais. As crises são chamadas de fases depressivas e fases maníacas e surgem por uma conjunção de fatores biológicos e psíquicos”. A base genética do transtorno, conforme a ABTB, é bem estabelecida: 50% dos portadores apresentam pelo menos um familiar afetado, e filhos de portadores apresentam risco aumentado de apresentar a doença, quando comparados com a população geral.

 

Risco de suicídio é maior

Ainda de acordo com dados da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar, a mortalidade dos portadores é elevada. E o suicídio é a causa mais frequente de morte, principalmente entre os jovens. Estima-se que até 50% dos portadores tentem o suicídio ao menos uma vez em suas vidas e 15% efetivamente o cometem.

A associação com a dependência de álcool e drogas é comum (41% de dependência de álcool e 12% de dependência de alguma droga ilícita). O fato agrava o curso e o prognóstico do transtorno bipolar, piora a adesão ao tratamento e aumenta em duas vezes o risco de suicídio. Mais detalhes sobre a doença podem ser obtidos no site da ABTB: www.abtb.org.br/transtorno.php

 

 

Saiba mais

São dois os tipos de transtorno bipolar. O tipo I se caracteriza pela presença de episódios de depressão e de mania, ocorre em cerca de 1% da população geral. Já o transtorno bipolar tipo II é caracterizado pela alternância de depressão e episódios mais leves de euforia. Nesse caso, a prevalência pode chegar a até 8% da população.

 

 

Confira algumas respostas

Leitor: Uma criança pode sofrer de transtorno bipolar?

Luiz Ernesto Lima de Mello: O diagnóstico de bipolaridade é feito em indivíduos com a personalidade adulta já formada.

 

Leitor: Filhos de pais bipolares têm mais chances de desenvolver o problema?

Luiz Ernesto Lima de Mello: A possibilidade de filhos de pais bipolares serem também bipolares é, estatisticamente, um pouco maior que a da população geral.

 

 

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