Diagnóstico precoce é essencial na osteoporose

Atualizado em: 04/12/2011 - 06:00

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Fábio Matavelli

Segundo Fernando Rebischke, a ingestão de medicamentos com cálcio pode ser prejudicial

 

Rodrigo Covolan
A musculação auxilia no fortalecimento muscular, ajudando a prevenir fraturas

 

 

Além de alimentação saudável e da prática de exercícios físicos, manter as consultas médicas em dia é a chave para quem deseja, com o passar dos anos, garantir qualidade de vida. O diagnóstico precoce é a chave para impedir que muitas doenças avancem e comprometam o bem estar. A osteoporose é uma das doenças que merecem atenção, pois somente gera sintomas quando está em fase bastante avançada. Alerta especial vale para os grupos de risco: fumantes, mulheres na menopausa, pessoas com baixo peso corporal, vida sedentária e nutrição deficitária, por exemplo.

“Quando a osteoporose causa sintomas, já está em estágio muito avançado, por isso o diagnóstico precoce é importante. Na osteoporose, os ossos ficam mais frágeis e podem sofrer fraturas. As fraturas, por sua vez, podem acometer ossos importantes como o fêmur, coluna e ossos do punho. São fraturas graves. Quanto mais frágil o osso, pior é o resultado do tratamento. Por isso, a importância do diagnóstico precoce”, ressalta o ortopedista, Fernando Rebischke.

A osteoporose mais comum aparece por volta dos 45 anos, no período conhecido como menopausa (mulher) e andropausa (homem). “Importante explicar que a mulher está mais suscetível à osteoporose da menopausa. Também no caso delas, existe relação com a hereditariedade: a filha de uma mulher que está na menopausa e tem osteoporose tem mais chances de apresentar a doença quando chegar à menopausa também”.

Mas além de fatores hereditários e a ‘motivação’ por outras condições físicas, a osteoporose também pode ser causada por déficits nutricionais e, até mesmo, por conta do uso de medicamentos em excesso, como os anti-inflamatórios.

Em qualquer que seja a situação, os exercícios físicos podem ajudar no tratamento e na prevenção da doença. “Recomendam-se exercícios de baixo impacto e com pesos leves. O próprio ato de caminhar, como exercício, e não como passeio, já é ótimo para prevenir e ajudar no tratamento. Musculação não está relacionada com melhora da qualidade do tecido ósseo, mas quando bem orientada e sem excesso, ajuda a ganhar força muscular, melhora a postura e o equilíbrio corporal, o que diminui a chance de quedas e fraturas”.

Como tratar?

Ainda de acordo com Fernando Rebischke, o tratamento depende da forma e do tipo da osteoporose. Na osteoporose pós-menopausa, por exemplo, o melhor tratamento é a reposição hormonal, muito recomendada pelos ginecologistas. “Existem remédios que impedem a reabsorção óssea. Outros medicamentos ajudam na formação óssea, porém, cada caso deve ser analisado individualmente. O uso de cálcio quando não necessário, e tão visto em inúmeras propagandas, pode ser prejudicial, ou não trazer benefício nenhum”.

 

Dicas preventivas

 

- Siga as recomendações de seu médico, no caso das mulheres, principalmente no período de menopausa

- Os pacientes idosos devem ser avaliados antes de sofrerem fraturas

- A população em geral - que não tem a doença, mas pode vir a ter com o passar dos anos - deve praticar exercícios físicos

- Pare de fumar

- Mantenha alimentação adequada

- Se exponha ao sol diariamente por, pelo menos, 10 minutos, evitando os horários de pico solar.

- Tenha um médico como seu amigo e ajudante na prevenção das doenças, pois a medicina preventiva é a melhor

 

Diagnóstico

O diagnóstico da doença, quando muito avançada, já é feito na visualização de radiografias apropriadas. Quando há dúvida recomenda-se a ‘densitometria óssea’, que é o ‘padrão ouro’ do diagnóstico. “Quando há possibilidade de alguma outra doença estar causando a osteoporose, recomendam-se outros exames que são analisados individualmente, como por exemplo, exames de sangue ou, até mesmo, análise do tecido ósseo coletado em biópsia”, orienta o ortopedista.

 

Confira algumas respostas

Leitor: Não posso tomar leite e nem comer ovo, pois sou alérgica. Terei osteoporose?

Fernando Rebischke: Se você for mulher já há a possibilidade de ter a forma de osteoporose da menopausa, mesmo tendo uma dieta rica em leites e derivados. Quando a pessoa é alérgica ao leite, não há motivos para preocupação, porque o cálcio é encontrado em inúmeros outros alimentos. Numa dieta adequada nós já ingerimos a quantidade básica de cálcio. Você também pode incluir na sua dieta alimentos rico em cálcio e vitamina D, como leite de soja, peixes, vegetais de folhas verdes, legumes e cereais integrais. Com relação ao ovo, não há consenso que ele seja rico em cálcio, até porque a quantidade de cálcio seria maior na casca.

 

Leitor: A doença aparece mesmo em quem tomou leite e comeu seus derivados com frequência por toda a vida? Alimentação previne osteoporose?

Fernando Rebischke: Sim, a osteoporose pode ocorrer mesmo em pessoas que tiveram uma dieta rica em leite e derivados. Na verdade, ao se tratar a osteoporose trata-se de um conjunto de doenças, pois, por vezes, as causas da perda da estrutura óssea são hormonais, e não relacionadas à dieta.  Por exemplo, na menopausa pode ocorrer osteoporose devido à deficiência hormonal, mesmo que a mulher tenha uma dieta rica em leite e derivados.

 

Leitor: Quem já tem a doença, pode fazer exercícios físicos? Quais?

Fernando Rebischke: Para quem já tem a doença, o melhor, antes de praticar exercícios físicos, é procurar o seu médico e conversar com ele. Mas, resumidamente, a pessoa com osteoporose não só pode como deve praticar exercícios, pois eles ajudam fortalecendo os ossos, os músculos esqueléticos, melhoram o equilíbrio e a postura corporal, diminuem os índices de colesterol e o peso, melhoram a circulação sanguínea e as condições respiratórias e cardíacas. Tudo isso junto melhora em muito a qualidade de vida.

 

Leitor: Para quem já tem ossos extremamente comprometidos pela doença, o que pode ser feito?

 

Fernando Rebischke: Depende do caso. Nos casos graves primeiro há necessidade de investigação, pois pode estar presente alguma condição ou doença que esteja piorando ainda mais a osteoporose.  Numa forma grave da doença podemos utilizar vários medicamentos, e até mesmo procedimentos mais invasivos, para fortalecer os ossos evitando as fraturas mais graves, principalmente nos idosos.

 

 

·        Fernando Rebischke é médico ortopedista e traumatologista, formado em ortopedia na Santa Casa de Ribeirão Preto e especialista em ortopedia oncológica pela Santa Casa de Porto Alegre

 

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