Centro de umbanda gera polêmica em Ponta Grossa

Luciana Almeida

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Publicado em: 28/06/2011 - 06:00 | Atualizado em: 02/09/2012 - 11:29

 

Há cerca de 15 dias, membros do Centro de Umbanda Caboclo Sete Flexas Exu Tiriri, em Ponta Grossa, afirmam ter sido vítimas de ameaça por homem armado com um revólver, sob a justificativa de incômodo ocasionado pelo barulho dos ‘trabalhos’, como são chamadas as reuniões no centro de umbanda. Vizinha do terreiro diz que 37 ligações para a polícia já foram feitas pedindo providência, desde que o terreiro iniciou o funcionamento no começo deste ano. O motivo é o barulho produzido durante os trabalhos que, segundo uma das moradoras da vizinhança, segue até as 4 da madrugada.

“Estamos assustados, porque no sábado retrasado um cidadão entrou no centro com arma em punho. Ele colocou a arma na minha cabeça. Havia crianças e uma pessoa com problemas psicológicos sendo atendida. Ele disse que o barulho incomodava e que, se o terreiro não saísse daqui, a coisa ficaria feia”, conta o sacerdote de umbanda, pai de santo Rafael Faria Cajé. De acordo com ele, Boletim de Ocorrência foi registrado. “Não pode haver preconceito. Queremos mostrar que as pessoas têm liberdade de escolher sua religião. Além da ameaça com arma, também estamos sendo alvo de xingamentos de alguns vizinhos”, afirma.

O sacerdote de umbanda garante que o barulho no terreiro é controlado. Os ‘trabalhos’ ocorrem somente aos sábados, a partir das 19 horas. “Por volta das 22 horas, o som é reduzido e os trabalhos seguem até por volta da meia noite”. O centro, que existe desde 2 de janeiro deste ano, conta com 30 membros. “Temos alvará de funcionamento e toda a documentação necessária para o funcionamento. Estamos fazendo tudo como manda a lei. Não incomodamos a vizinhança”, afirma.

Rafael Cajé aproveita para explicar que umbanda é uma religião, com grande influência dos escravos. “É a única religião 100% brasileira, com influência direta dos escravos. Durante os trabalhos, são fornecidos ‘passes’ a pessoas que têm problemas espirituais, visando – por exemplo – tirá-las dos vícios”.

Ele enfatiza, ainda, que no terreiro não são realizadas ações voltadas para o mal. “Não trabalhamos com a maldade, até porque acreditamos que tudo aquilo de mal que se faz, volta-se sete vezes contra você. Os trabalhos, inclusive aqueles que fazemos com alimentos, são voltados para o bem. Estamos com medo do que o preconceito está causando. Muitas pessoas deixaram de vir ao centro no último sábado, por conta desse episódio da ameaça com arma. Acredito que quando estamos incomodados com alguma coisa, uma conversa pode resolver e não a utilização de uma arma, ameaças ou xingamentos”.

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Vizinhança reclama do barulho

Uma das vizinhas do terreiro, Ana Arlinda Ribeiro Iano, conta que o barulho produzido no local é “infernal”. “Já pedimos para diminuir o barulho. Já chamamos a polícia e fizemos Boletim de Ocorrência. Não sabemos mais o que fazer. Antes era tudo quieto, agora virou um verdadeiro inferno. Esse tipo de coisa tinha que acontecer no meio do mato, não num bairro residencial”. Outros vizinhos também reclamam do barulho, mas preferem não se identificar temendo represálias.

De acordo com ela, o marido tem passado as noites de sábado dentro do caminhão. “Ele não consegue dormir por conta do barulho e vai para o caminhão. Eu estou dormindo a base de remédios e ainda tenho que colocar tampão nas orelhas. Todos da vizinhança reclamam e já não sabemos mais a quem recorrer”.

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Comentários

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  • 30/06/2011 - 09:25 - JuniorPG

    Assim como o barulho incomoda, a intolerância religiosa é crime, e na minha opinião, todos aqueles não respeitam as diferenças garantidas constitucionalmente devem estar na cadeia, pois outro termo não encontro para conceituar este tipo de pessoa, senão de CRIMINOSO. Assim como o pré- conceito manda pra cadeia, a intolerância religiosa deveria mandar também. Em escala hierárquica de lei a Constituição vem primeiro e as demais normas depois, a Liberdade de expressão e manifestação religiosa está prevista na CONSTITUIÇÃO FEDERAL, a lei do silêncio em lei ordinária como perturbação do sossego, em uma demanda jurídica ganharia a constituição. Acredito que o fato do barulho pode ser resolvido diminuindo o tom da manifestação, agora o preconceito, acho que isso já não tem cura, a única solução é a cadeia...

  • 28/06/2011 - 18:32 - Gobert

    A religiao deve ser respeitada assim como o horario de descanso e silencio. Ninguem merece ouvir batucada, com todo respeito a religiao, ate altas horas da noite sabendo que tem criancas, pessoas mais velhas e quem sabe doentes querendo descansar... Alem dos que trabalham cedo no outro dia. Quem aprovou a realizacao disso no meio da vuzinhanca fez errado...

  • 28/06/2011 - 13:59 - felipePCdoB

    Isso é perseguição! A umbanda é criminalizada pela maioria da população que desconhece os princípios e formulações da umbanda, rica culturalmente e bela esteticamente. Viva os umbandistas que mantém acesas as raízes afro-brasileiras.

  • 28/06/2011 - 11:52 - Maristela

    O que falta ao cidadão pontagrossense e brasileiro é conhecer a Constituição da Republica Federativa do Brasil e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. UMBANDA é religião. Todo cidadão tem direito ao culto de sua religião. Para isso foi emitida uma autorização ou licença, como para qualquer outra religião, que sabemos, não são nada silenciosas também. O brasileiro tem vergonha das suas origens. As instituições de ensino, na disciplina de religião,estão esquecendo, não se sabe o real motivo, de incluir UMBANDA E CANDOMBLÉ nas aulas da disciplina Religião. Assim o cidadão sai da escola sem saber respeitar as diferenças.

  • 28/06/2011 - 08:46 - lumig

    Jornalistas, publiquem a notícia completa. Em que bairro fica isso??? Não adianta só dizer que é em Ponta Grossa, mas qual região? E a propósito qualquer barulho que incomode a tranquilidade dos moradores deve ser punida. Ninguém merece ser incomodado por barulho dos outros.