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Duplo homicídio interrompe paz em Carambeí

28/07/2008 às 22:18 - Atualizado em 02/09/2012 às 23:32

A pesar de ser batizado pelos pais com um nome bíblico, Jesus de Nazaré Fernandes Soares, 29, conhecido pelo apelido de Tato, não teve piedade do irmão Rogério Fernandes Soares, 28, e da cunhada Roseni Aparecida Ferreira de Castro, 25. No final de semana ele atacou os dois, matando-os a tiros.

A tragédia aconteceu por volta das 2h30 da madrugada de domingo, na Rua das Acácias, lote três, no Jardim Bela Vista III, em Carambeí, a 15 quilômetros de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais. Soares foi preso aproximadamente duas horas depois do crime pelos policiais militares Osmar Machado e Acir Nascimento. Os soldados também aprenderam a arma do duplo assassinato – um revólver calibre 38 marca Rossi.

"Muito embora ele tenha alegado legítima defesa, essa tese já está descartada porque as vítimas não estavam armadas. Nesse caso, especificamente, o problema foi a bebida alcoólica, que inflamou uma discussão e resultou nessa tragédia", observa o delegado Marcus Vinícius Sebastião, para quem "arma de fogo e álcool são uma combinação extremamente perigosa".

De acordo com as informações levantadas pela Polícia Civil, na sexta-feira Soares já havia discutido com Rogério supostamente por questões irrelevantes. Eles montaram residências num mesmo terreno e os desentendimentos entre ambos eram constantes, especialmente quando ingeriam álcool. No sábado, à noite, os dois voltaram a brigar. Nessa ocasião, um ameaçou que mataria o outro.

"Soares sabia que o irmão escondia no forro do banheiro um revólver. Na madrugada de domingo ele pegou a arma e foi atrás de Rogério, com quem começou a bater boca. Na confusão disparou um tiro na cabeça dele. Depois disso se preocupou em capturar a cunhada. Encontrou-a escondida dentro do guarda-roupa do vizinho e a executou também com tiro na cabeça", relada Marcus Sebastião. Rogério ainda foi levado com vida para o posto de saúde, mas morreu antes de receber os cuidados médicos.

Após o cometimento dos crimes, Soares correu para dentro de um matagal e enterrou um revólver. Em seguida voltou para a casa, arrombou a porta de um caminhão de propriedade do concunhado e escondeu-se na cabine. Por volta das 4h30, os PMs Machado e Nascimento, responsáveis pelo atendido do crime, localizaram-no e conduziram-no à delegacia para prestar depoimentos. Diante da autoridade policial, ele não demonstrou arrependimento. Garantiu que, se não tivesse sido preso, se entregaria à policia nessa segunda-feira.

Jesus de Nazaré Fernandes Soares foi autuado em flagrante por duplo homicídio qualificado. Ele passou a manhã inteira de domingo prestando depoimentos. À tarde, foi encaminhado à cadeia pública da cidade de Castro. O delegado tem 10 dias para encerrar o inquérito. "O crime está esclarecido. Nos próximos dias vou tomar as declarações de outras pessoas e no início da semana que vem remeto o procedimento ao Judiciário", explica.

Há mais de seis meses Carambeí não registrava homicídios. Nos registros policiais, o assassinato mais recente aconteceu em 20 de dezembro do ano passado, na Rua Cândido de Abreu, na Vila Cristina. O lenhador Ezequiel de Jesus Silvério, 22, morreu com tiros na barriga. O delegado comenta que, especificamente nesse episódio registrado no Jardim Bela Vista III, as mortes são resultado de briga familiar. "A prevenção de um crime nessas circunstâncias é muito difícil. Mas o sinal de alerta foi disparado. Devemos intensificar as ações para a apreensão de armas de fogo", finaliza.

 

Vítimas respondiam a processos

De acordo com o delegado Marcus Sebastião, o revólver usado no duplo assassinato está com a numeração raspada. O revólver foi encaminhado nessa segunda-feira ao Instituto de Criminalística, em Ponta Grossa, para exame pericial. Roseni, segundo apurou a autoridade policial, já responde a processo pelos artigos 155 (furto), art 180 (receptação) e art 129 (lesão corporal). Rogério foi condenado pelos art 157 (roubo); art 155 (furto); art 180 (receptação); e art 288 (formação de quadrilha).

Rogério, conhecido pelo apelido de Nando, era fugitivo de uma das penitenciárias do Paraná – a polícia não sabe de qual unidade – e pela sua condição de evadido voltava para casa apenas à noite. Durante o dia ficava escondido num matagal, próximo a casa onde morava com Roseni.

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