Geral

Esgoto é o grande vilão do Rio Pitangui

Paula Schamne

14/09/2010 às 00:00 - Atualizado em 02/09/2012 às 10:40

Arroios Lageado Grande e Pilão de Pedra são responsáveis por 80% da poluição do Rio Pitangui, aponta pesquisa da UEPG

 


LANÇAMENTO
A organizadora Ana Maria Gealh apresenta hoje a obra ‘Pitangui, rio de contrastes’

O Rio Verde é o maior poluidor do Rio Pitangui. Nele deságuam os esgotos depositados irregularmente nos Arroios Pilão de Pedra e Lageado Grande, responsáveis por 80% da poluição do Rio Pitangui. Depois do Rio Verde aparece o Rio São João, como segundo maior poluidor urbano. Esta é apenas uma das informações que pode ser encontrada no livro ‘Pitangui, rio de contrastes, seus lugares, seus peixes, sua gente’, obra organizada pelos professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ana Maria Gealh, Mario Sérgio de Melo e Rosemeri Segecin Moro.
O livro - que traz todo um diagnóstico da situação do rio que abastece 100% do município de Ponta Grossa – será lançado esta noite em cerimônia no Auditório do Observatório no Campus Uvaranas às 19h30. “Quando começamos o trabalho sabíamos que a situação do Rio Pitangui não era boa. Mas não imaginávamos que era tão ruim”, começou Ana Maria. Além da poluição urbana, a pesquisadora cita também a rural e a industrial como causadoras da poluição do Rio Pitangui.
Para chegar a esta conclusão e publicá-la, um grupo levou cerca de três anos. “Foi um ano de pesquisa em campo e mais dois anos para escrever e editar o livro”, destacou a professora organizadora, lembrando que o trabalho de campo envolveu 80 pessoas de diversas entidades e empresas que se comprometeram a coletar material e verificar algas, peixes e mata ciliar.
A Universidade se envolveu no projeto após convite do Lions Club Ponta Grossa Pitangui. “Eles já tinham um trabalho de mutirão para tentar recuperar o Rio”, recorda Ana Maria, contando que por diversas vezes o grupo foi até o local retirar o lixo. “A idéia dos integrantes do Lions era devolver os peixes para o rio, pois com o acúmulo de lixo eles estavam e continuam diminuindo”, contou. Foi então que Ana Maria sugeriu o ‘Levantamento da ictiofauna do Rio Pitangui’. “Não adianta tentar repovoar o rio”, esclarece. A pesquisadora explica que ao colocar peixes de outras espécies eles irão acabar por competir e prejudicar os já existentes, e se colocar da mesma espécie, mas provenientes de outros locais, eles poderão levar ‘novas’ bactérias para o local, o que acarretará na morte dos demais. “O que tem que fazer é preservar, para que os peixes que já existem lá possam sobreviver e reproduzir”, avalia.
Como o Lions Pitangui é um Clube de Serviço, e, portanto, sem recursos para investir em pesquisa, a Syngenta financiou as pesquisas da Universidade. “Foram sete equipes em campo”, lembra Ana Maria, destacando que as pessoas engajadas no projeto já estavam agregadas no mutirão realizado pelo Lions. “E com senso de responsabilidade acerca da importância do rio para o abastecimento”, destaca, lembrando é do Pitangui que vem 100% da água que abastece Ponta Grossa. “É importante lembrar também que a água dos rios não fica estagnada. Do Pitangui a água vai para o Tibagi, que abastece outros municípios da região”, aponta.
Etapas
Após a coleta in loco, os pesquisadores, juntamente com o Lions Pitangui, realizaram uma exposição fotográfica mostrando a realidade do Pitangui. “Queremos deixar todo o nosso trabalho documentado”, ressalta a professora da UEPG. “De concreto não trouxemos nenhum benefício para o Rio, mas fizemos a nossa parte”, disse. Com a obra, os organizadores pretendem sensibilizar grupos para que possam atuar diretamente nas fontes de poluição. “Com as enchentes os rios se limpam por si só. A sujeira continua porque as fontes que lançam a poluição não cessam nunca”, justifica.

Possíveis soluções

Além de fazer o diagnóstico da situação em que se encontra o Rio Pitangui, os organizadores da obra ‘Pitangui, rio de contrastes, seus lugares, seus peixes, sua gente’ apontam algumas alternativas para começar a solução dos problemas. “O primeiro de tudo seria a educação ambiental”, aponta a professora Ana Maria Gealh. Para ela, a água – que é um bem cada vez mais escasso – deveria ser muito mais valorizada. “Tem muitas pessoas que dão tanta importância a jóias e diamantes e não dão importância alguma para a água. A água é um bem comum e necessário, as jóias não”, avalia, destacando que com a crescente poluição, a escassez da água irá ser gradativa e, consequentemente, ela se tornará muito mais cara que as jóias, por exemplo.
Além da educação ambiental, a pesquisadora aponta o exemplo do município de Carambeí que está se preocupando com a poluição de seus rios. “Lá eles não querem parar o trabalho no diagnóstico”, conta. Para ela, se os municípios de Castro, Ponta Grossa e Carambeí se unissem pela gestão da Bacia do Pitangui, a poluição poderia começar a diminuir. “Precisa vontade política e educação ambiental”, conclui.

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