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Motoristas infratores prestam serviço voluntário em hospitais

 

Motoristas que cometeram crimes de trânsito, por dirigirem embriagados, estão recebendo uma punição diferente em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Depois da audiência na Vara Criminal, o infrator é convidado a prestar serviços voluntários às vítimas de acidentes de trânsito e participar da rotina de reabilitação e tratamento de quem passou por traumas causados pela imprudência. 

Já são 40 motoristas participantes, desde maio. Entre outras ações, eles ajudam no transporte de pacientes em cadeiras de rodas e macas, recepcionam e conversam com vítimas e familiares, com o auxílio e acompanhamento de profissionais.

O projeto Justiça e Sobriedade no Trânsito é organizado pela 2ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, em conjunto com a Defensoria Pública e Ministério Público da cidade e com apoio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Policia Militar, Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito e Conselho Comunitário de Execução Penal. 

CONSCIENTIZAR – “A intenção é conscientizar e mostrar que um ato de irresponsabilidade tem impacto gigantesco na vida de outras pessoas, destrói famílias inteiras, carreiras, sonhos”, diz o diretor-geral do Detran-PR, Marcos Traad. Neste projeto, o Detran desenvolve palestras educativas e dá apoio técnico às atividades e, depois, acompanha o histórico dos participantes para identificar se houve mudança de comportamento. 

“Os relatos de quem participou são muitos positivos e eles se dizem tocados, sensibilizados pelo contato com a vítima e com conhecimento repassado nas palestras. O interessante é que o condutor não encerra seu processo apenas pagando prestação pecuniária, mas ciente de suas responsabilidades”, conta o coordenador da ação, juiz Augusto Gluszcak Junior. 

COMO FUNCIONA: Primeiro, o condutor infrator passa pela audiência na Vara Criminal e então segue para o Conselho Comunitário de Execução Penal, onde é feito um cadastro. Se demonstrar interesse em participar, ele deve passar por uma avaliação psicossocial.

São 48 horas, sendo oito de palestras e 40 horas de atividades práticas. As palestras ministradas pelo Detran ocorrem uma vez por mês e tem duração de uma hora. 

O psicólogo do Detran, Fabiano Xisto Correia, explica que o trabalho serve para sensibilizar e motivar a mudança de comportamento. “Em nossas palestras enfatizamos que álcool e trânsito são incompatíveis. As pessoas precisam entender que muitos acidentes podem ser evitados simplesmente pelo fator humano”, destaca.

“Quando os condutores entram no hospital e se deparam com as vítimas, pacientes com fraturas expostas ou entre a vida e morte, eles começam a repensar a própria vida. É um momento de reflexão”, revela a assistente social, Jeanine Luzia Ferreira de Paula. 

MEU PAPEL – Foi o que aconteceu com Halisson Woiciekovski, de 23 anos, que participa do projeto há três semanas. “Essa experiência me fez pensar sobre meu papel no trânsito. Os jovens são complicados, sempre acham que não vai ter problema fazer tal coisa, mas tem muito acontece que não tem mais volta. Estas atividades estão me trazendo muitas coisas boas, porque me fizeram ver que não podemos cuidar só da gente, mas dos outros também”. 

Os bons resultados tornaram o Justiça e Sobriedade no Trânsito um dos destaques da última Semana Estadual de Combate as Drogas, realizada pelo Governo do Paraná, em conjunto com o Conselho Estadual de Políticas Públicas, e já existe a intenção de expandir o projeto para outras cidades do Estado.

Divulgação Motoristas infratores participam de projeto em hospitais

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