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Confrontos com Polícia geram 144 mortes no primeiro semestre

No primeiro semestre de 2017, 144 pessoas morreram em confrontos com policiais no Paraná. Os dados fazem parte de levantamento realizado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público do Paraná que tem entre suas funções o controle da atividade policial. Os números incluem confrontos com a Polícia Militar (138 casos), a Polícia Civil (dois) e as Guardas Municipais (quatro).

Houve mortes em confrontos com policiais em 43 municípios paranaenses. Grande parte dos casos (61, ou 44,2%) ocorreu na Região Metropolitana de Curitiba. Foram 31 na capital, 11 em São José dos Pinhais, quatro em Araucária, quatro em Piraquara, três em Colombo, duas mortes em Almirante Tamandaré, duas em Pinhais e duas em Quatro Barras, além de um óbito em Campina Grande do Sul e outro em Fazenda Rio Grande.

Outras cidades com maior número de casos são Londrina (14), Foz do Iguaçu (dez) e Umuarama (oito). Douradina, São Miguel do Iguaçu e Terra Boa tiveram quatro mortes em confrontos. Houve três casos em Cascavel e Guaratuba e dois casos em Maringá e Sarandi. Com uma única morte, aparecem Alto Paraná, Arapongas, Bandeirantes, Barbosa Ferraz, Bom Sucesso, Campina do Simão, Campo Mourão, Carambeí, Farol, Guarapuava, Ibiporã, Itambaracá, Ivaiporã, Ivaí, Nova Prata do Iguaçu, Ortigueira, Ouro Verde do Oeste, Piraí do Sul, Ponta Grossa, Rio Bonito do Iguaçu, Santa Tereza do Itaipu, Santa Tereza do Oeste e Ventania.

 

Acompanhamento

O coordenador estadual do Gaeco, procurador de Justiça Leonir Batisti, explica que todos os casos são acompanhados pelo MPPR. Segundo ele, em sua maioria, as mortes efetivamente resultam de confrontos. As situações em que há indícios de execução geram procedimentos investigatórios que podem levar à responsabilização dos policiais. Quando é constatado crime doloso, os agentes são levados a júri popular. “Fazemos chegar ao comando das corporações, especialmente da Polícia Militar, a necessidade de que os policiais sejam permanentemente orientados quanto à necessidade de seguir estritamente esses protocolos. A polícia deve ser firme, mas cidadã”, sustenta Batisti.

 

Cor e faixa etária

Em relação à cor dos mortos em confronto, permanece a desproporção entre brancos e negros, já identificada em períodos anteriores. Do total de mortes, 48,6% foram de negros, que, entretanto, constituem, conforme dados do IBGE, 28,5% da população paranaense. Quanto às idades dos mortos, no primeiro semestre de 2017, foram 16 vítimas entre 13 e 17 anos (11,1%), 87 entre 18 e 29 (60,4%), 39 entre 30 e 59 (27,1%), uma com 60 ou mais (0,7%) e uma com idade ignorada (0,7%). A grande maioria (71,5%), portanto, constituída de pessoas com menos de 30 anos.

 

Ponta Grossa

Embora o relatório do Gaeco aponte apenas uma morte em confronto com a Polícia em Ponta Grossa,convém ressaltar que situações de confronto continuam ocorrendo. Somente neste mês, pelo menos outras quatro pessoas foram atingidas por disparos de arma de fogo durante a ação da Polícia Militar. Três eram suspeitas de praticar assalto, das quais duas foram hospitalizadas e uma entrou em óbito. Outro era foragido da Justiça, atingido por tiro na perna ao sacar arma contra policiais. Segundo o tenente-coronel Edmauro de Oliveira Assunção, comandante do 1° Batalhão de Polícia Militar (1º BPM), isso comprova que a PM trabalha para preservar a vida, não para matar. “Não existem casos de confronto onde a polícia chega atirando. A população pode confiar no trabalho da PM”, diz. “Quando a PM se depara com situações de flagrantes, agimos dentro das técnicas e respeitamos a dignidade humana. Quando o policial dá ordem de parada e o suspeito atira para se livrar da penalidade, este policial acaba se defendendo”, explica.

Arquivo DC
Em Ponta Grossa, segunda morte em confronto coma Polícia ocorreu neste mês

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