Coronavírus: União de concorrentes para a vida do sistema de saúde

Por Jacó Carlos Diel

É verdade que a COVID-19 mudou rotinas; alterou costumes; separou famílias; suspendeu aulas; interrompeu por completo o transporte de passageiros; fechou o comércio; impediu aglomerações de pessoas; proibiu o uso de praias; parou o mundo inteiro. Minúsculo e invisível, o coronavírus, na sua apresentação, já foi capaz de imobilizar o planeta. Protagonista do que poderá ser a maior guerra, agora bacteriológica (podendo avançar para outros meios), mais letal, tanto para as pessoas quanto para a economia. É tão desastroso que não se tem hoje quem possa afirmar no quê e quanto poderá impactar de negativo essa pandemia. Sem falar na quantidade de vidas que poderão ser perdidas em todo o planeta.

O desconhecimento do coronavírus, causador da COVID-19, e, a falta de vacinas e medicamentos certeiros e eficazes, só faz o temor crescer e se multiplicar: será que o remédio aplicado, o distanciamento social (horizontal) como está colocado (leia-se a parada e o fechamento de quase tudo), não é mais danoso, sinistro e letal do que a própria doença?

O invisível vírus, já nos primeiros dias da sua apresentação, foi capaz de deixar governantes do mundo inteiro, atordoados, sem saber como e o que fazer, para o seu enfrentamento. Daí, resultando graves conflitos internos, nas muitas nações do planeta. É a guerra dos Pareceres; das Instruções; dos Decretos e contra Decretos; das Liminares; para chegar nos julgados das instâncias superiores.

Por um lado, os que tem o dever legal e constitucional de defender a sociedade, as pessoas, sobretudo, os menos favorecidos e de outro lado, como em todos os lugares, os oportunistas de plantão (para tirar proveito próprio ou de grupos – quando não, para interesses espúrios e até homicidas). São os do quanto pior, melhor. Mas melhor pra eles, com projetos inconfessáveis, de retorno ao “toma lá, dá cá” e outras práticas como dilapidação de empresas e do erário. É deplorável o que os esses ‘inumanos’ são capazes de fazer com os seus semelhantes. Práticas inadmissíveis para os animais, que se respeitam e ainda são capazes de criar a prole de outras espécies. Respeitar e criar, são verbos, praticamente inexistentes no dicionário dos ‘inumanos’. Já para os animais, esses verbos têm força de lei pétrea, sem arranjos e conchavos. Mas haverá de chegar o dia em que esses últimos nos servirão de exemplos a serem seguidos.

Como em toda tragédia tem alguma coisa aproveitável, pela primeira vez concorrentes da vida nacional se dão as mãos em favor da vida do sistema de saúde pátrio. O objetivo, enfrentar o inimigo comum: o coronavírus. Estão nessa preocupação, bancos; redes de lojas; atacados; empresas de saúde; frigoríficos; mineradoras; usinas de álcool e; muitas outras. Algo louvável e impensável em tempos de “paz”.

Resta pedir, se preciso for, implorar ao Criador Supremo, para que os ‘inimigos de tudo e de todos’, (que ao menos contemplem o código pétreo da selva) ou se espelhem nesses últimos e também se ‘convertam’ e, se não conseguirem fazer o mesmo, que deixem os que querem e precisam fazer o seu papel, fazê-lo. Um serviço imensurável à nação, seria não atrapalhar, deixar de problematizar e distorcer os fatos, não perseguir quem tem o dever constitucional de desempenhar e trabalhar em favor da população.

 

 

* O autor é Filósofo, bacharel em Direito e Jornalista