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Aplausos para 2020

 

 

Mauricio Chizini Barreto

Cada final de ano buscamos refletir sobre o que passamos e fazer planos para o novo ano que se aproxima. Sendo assim percebemos que, nos 365 dias de oportunidades, talvez tenhamos deixado passar muitas coisas que poderiam nos levar a um término de ano mais satisfatório e gratificante. Choramos crises financeiras, políticas catastróficas, momentos de pesar e tristeza; talvez por outro lado tenhamos muito o que comemorar. Esse ano de 2019, foi recheado de fatos que premiaram a oportunidade e puniram o oportunismo, deixaram claro que cabe apenas a cada um de nós construir nossa história neste mundo. Muitas vezes pensamos que é nosso papel mudar um caminho perverso e desumano, que toma conta de nosso planeta, porém esquecemos que essa mudança precisa começar em nossos próprios atos. Uma humanidade alicerçada na simples e corriqueira busca por poder, onde o subjugar ao próximo parece ser algo comum e normal, brigamos por futilidades e não damos a mínima importância pelas necessidades do próximo. Sim! Terminamos mais um ano onde caminhamos juntos para o abismo, para a desconstrução de tudo que norteia um futuro prospero para nossa civilização. Assistimos valores humanos sendo abandonados em detrimento a algo superficial e fútil. Fazemos uma reflexão sobre tudo o que assistimos acontecer, brigas pífias por espaço dentro de uma política de construção do inútil. Enfim, estamos chegando ao final de mais um ano, reflitamos o que fizemos até agora e o que podemos fazer, nos próximos 365 dias, para tornar a vida de todos um pouco melhor. No ano de 2020, iremos trazer à tona a tradicional discussão sobre os problemas locais, vindo a ser agraciados por seres que trazem a solução futura, a mágica do fazer, que muitas vezes ao obterem êxito tomam-se falácias que veem a piorar uma situação já calamitosa. O Futuro! Nosso futuro, precisa trazer algo que de novo tenha também a serenidade e a responsabilidade encrustada em vertentes de pensamento, que não sejam apenas frutos de mentes vazias e ambiciosas, e sim de pessoas que tenham no coração a real definição de política e democracia voltando seus olhos para a população, principalmente aquela que realmente necessitam de um auxílio público para viver de forma digna. Que 2020 nos traga bons e prósperos momentos e que ao final possamos comemorar a construção de um mundo cada vez melhor!

O autor é servidor público municipal, Cidade de Tibagi-Pr

Exportações de Aço e Alumínio aos EUA estão de fato muito ameaçadas?

João Marcos Andrade

 

Para constatação de tal consideração basta buscarmos num passado recente a oscilação do real brasileiro frente ao dólar americano e, assim, perceber que a flutuação cambial tem sido provocada em grande parte por uma questão originada em uma relação conturbada entre as duas maiores potências econômicas mundiais atuais — justamente a da nação que o Sr. Trump preside, e a da China, outra superpotência.

Além da competição entre americanos e chineses, existem questões domésticas brasileiras que influenciam nesse quadro. Vale citar a demora na aprovação da reforma da previdência e a mudança de entendimento de leis por parte do Supremo Tribunal Federal brasileiro. Tudo isso, gera, de fato, desconforto e certa insegurança jurídica nos investidores, principalmente estrangeiros, que não sentem confiança em investir no país contribuindo para a oscilação da moeda. Esse anúncio do presidente Trump também demonstra um interesse político em agradar seu eleitorado, pois a medida de sobretaxa ao aço e alumínio nas importações dos E UA agrada muito o setor industrial estadunidense e protege de certa forma o produto nacional.

O fato é que os EUA são o principal mercado para as exportações do aço brasileiro e os impactos da sobretaxação podem de fato fazer com que o produto não mantenha as volumosas quantias exportadas nos últimos períodos. Isso traria reflexo imediato já no primeiro trimestre 2020 na balança comercial, que pode apresentar aumento no déficit cambial, motivado obviamente pela redução das vendas do aço e do alumínio aos americanos, diminuindo assim o superávit da balança comercial brasileira.

Com isso, para ser revertido economicamente é razoável afirmar que o tempo de recuperação é sempre maior que o tempo gasto com a fase de prejuízos, perdas e reorganizações dos negócios, pois a saída nestes casos sempre é desenvolver novas frentes de negócios, o que demanda investimento de recursos, novas tecnologias e o principal e mais valioso fator: tempo.

Para uma certa dose de alívio, é já fato que na tarde de 2 de dezembro deste ano, mesma data da declaração do Mr. Trump sobre a taxação do aço e do alumínio brasileiro e argentino, curiosamente a moeda americana se desvalorizava 0,64% frente ao real por aqui.

Isso tudo também obviamente em consonância com a repercussão no Brasil, inclusive com afirmação do presidente Jair Bolsonaro que consultaria seu ministro da economia, Paulo Guedes, e conforme o teor da conversa poderia manter contato com o presidente Donald Trump para uma reavaliação da situação como um todo.

A tendência é de que realmente seja revista, ao menos pela boa relação que há entre os dois presidentes — o que pode ser um certo conforto para empresários do setor, gerando uma motivação para que mantenham o foco nos contratos já firmados e os que ainda estão por vir.

O autor é professor do curso superior de Global Trading do Centro Universitário Internacional Uninter

Os desafios e impactos da Lei Geral de Proteção de Dados

 

Altair Olivo Santin*

A Lei Geral de Proteção da Dados (LGPD), lei nº 13.709/2018, estabelece diretrizes para proteger dados pessoais dos consumidores. Entre os principais aspectos é exigido que empresas tenham o consentimento do consumidor para utilizar dados compartilhados, sendo assegurado o direito de revogação deste consentimento. Além disso, é garantido também o direito ao conhecimento: seja da quantidade de dados armazenados pela empresa, entidade ou governo, ou ainda se eles foram compartilhados com terceiros.

A LGPD também determina que empresas reportem à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) incidentes de segurança que possam colocar em risco dados dos consumidores, além de uma série de outras regulamentações exigindo conformidades e especificando sanções administrativas – incluindo multas.

O fato é que muitas empresas, entidades e o próprio governo não estão preparadas para a mudança cultural que a nova legislação exigirá: atualmente os dados podem estar espalhados por vários sistemas, podem estar em poder de parceiros ou ainda sendo tratados para várias finalidades distintas dentro da mesma organização. Por isso, a partir da LGPD, há alguns aspectos importantes que precisam ser:

(i) é preciso indicar explicitamente um Data Privacy Officer (encarregado pelo tratamento de dados pessoais);

(ii) é preciso ter um inventário, uma política de retenção e backup de dados dos cidadãos e consumidores;

(iii) é necessária uma revisão ou ajustes de contratos com terceiros e a redação de um código de conduta para funcionários e terceiros para proteger a privacidade dos consumidores;

(iv) é preciso fazer gestão de consentimentos, definir políticas e emitir avisos de privacidade;

(v) é necessário ter um time de respostas a incidentes com dados ou violações de privacidade;

(vi) é preciso ter ferramentas para gerenciamento de conformidade com a LGPD;

Para as empresas, incluindo o governo, claramente se observa que a LGPD implicará em um processo lento, custoso e contínuo, envolvendo mais aspectos de gestão de processos e pessoas do que a compra de pacotes de software de cibersegurança para proteção de informações pessoais – mas é preciso considerar que o mercado carece de profissionais qualificados nas áreas de segurança e privacidade.

Já para a sociedade o processo de implementação da LGPD é repleto de desafios: se em um primeiro momento passaremos pela adaptação, que envolve novas práticas e tecnologias a serem implementadas para respeitar os direitos de privacidade do cidadão consumidor, há também questões referentes à fiscalização da lei, ainda cercada por dúvidas e questões em aberto para toda a população.

O autor é cientista, doutor na área de cibersegurança e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

 

Novembro azul para conscientizar

Thais Regina Mezzomo

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum nos homens, com 68.220 novos casos em 2018, 15.391 mortes no ano de 2017, e custos médios de R$ 12.501,55 por paciente. Diante desse panorama, não há dúvidas sobre a importância e necessidade de um mês de alerta para essa condição.

Aproveitando as celebrações do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, realizadas no dia 17 de novembro, foi criado o movimento Novembro Azul, na Austrália em 2003. No Brasil, as ações de conscientização iniciaram mais tarde, mas também objetivam dissipar o preconceito masculino de ir ao médico e, quando necessário, realizar o exame de toque.

Diagnosticar precocemente a doença aumenta as chances do tratamento efetivo. Mas, adicionado a isso, há a necessidade de se conhecer os fatores de risco, os quais envolvem questões genéticas, epigenéticas e ambientais. Entre esses fatores, apenas o fator genético é inerte. Os fatores ambientais, como estilo de vida, uso de medicamentos, fumo, álcool, além da alimentação, podem modular positiva ou negativamente os fatores epigenéticos.

Muitos estudos que avaliaram padrões alimentares relataram risco aumentado de câncer de próstata, especialmente o tipo agressivo, na presença de hábitos alimentares ditos "ocidentalizados". Outros estudos mostraram que a alimentação pobre em micronutrientes contribui com até 75% de mortes relacionadas ao câncer.

Por outro lado, há evidências de que os constituintes da dieta mediterrânea estão inversamente associados ao risco de câncer em geral, incluindo o de próstata. Os países costeiros do sul da Europa apresentam menores taxas de incidência e mortalidade por câncer de próstata em comparação a outros países europeus. Homens gregos que migraram para a Austrália e mantiveram sua dieta mediterrânea tradicional nativa têm risco menor de desenvolver câncer de próstata do que os nascidos na Austrália ou outros imigrantes que adotaram hábitos alimentares "ocidentais".

As principais características da dieta mediterrânea incluem tipicamente a alta ingestão de vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor, couve e rabanete), frutas, legumes, cereais e o consumo moderado a alto de peixes e azeite de oliva. Esses alimentos são naturalmente ricos em micronutrientes, compostos bioativos e fitoquímicos que apresentam diversas funções benéficas à saúde, principalmente propriedades antioxidantes que podem impedir ou atrasar o desenvolvimento, a progressão e/ou a recorrência do câncer de próstata.

Vitaminas, minerais, carotenoides, flavonoides e polifenois são abundantes nos vegetais e frutas e têm sido extensivamente estudados com relação às suas propriedades quimiopreventivas para o câncer de próstata. As principais funções dos componentes dietéticos residem na sua forma natural e crua, exceto para o caso dos carotenoides. O licopeno é um carotenoide encontrado nos vegetais e frutas vermelhos que tem sua biodisponibilidade aumentada quando da presença de gorduras e de aquecimento. Portanto, o molho de tomate apresenta maior teor desse componente do que a sua forma in natura. Para os demais alimentos, o cozimento, além de gerar subprodutos e alterar a estrutura e a digestibilidade, pode causar perdas consideráveis ​​em micronutrientes essenciais.

São exemplos de alimentos considerados quimiopreventivos a maçã, romã, melancia, goiaba, tomate e seus derivados industrializados (molho, extrato), brócolis, couve-flor, couve, nabo, rabanete, gengibre, açafrão-da-terra, pimenta, chá verde, uva e vinho tinto.

Sugere-se que consumir uma alimentação saudável rica em frutas e legumes pode reduzir o risco de risco de câncer de próstata em 75%. Portanto, modular positivamente os fatores epigenéticos e ambientais, com destaque ao consumo alimentar, pode minimizar a chance de desenvolver câncer. Cuide-se!

A autora é coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário Internacional Uninter.

 

Em defesa do Paraná

A máquina pública não pode se imaginar como um fim em si mesmo. Ou seja: é uma estrutura para servir a sociedade e não para se servir de quem a sustenta. O Paraná tem 11,3 milhões de habitantes e todos, sem distinção, merecem cuidados.

O Estado tem que olhar para o mais rico empresário e para o mais humilde trabalhador. Este olhar deve permitir que quem pode empreender tenha segurança em investir para gerar renda e empregos. Ao mesmo tempo, é imperioso oferecer suporte necessário àqueles que precisam da atenção mais básica, seja de saúde, educação ou segurança.

Não ser o fim em si mesmo significa dizer que aquilo que o Estado arrecada não pode ser gasto apenas para custear seu funcionamento e seus funcionários. Assim como se faz com o orçamento doméstico, é preciso organizar as finanças públicas com respeito ao dinheiro arrecadado, de modo que não haja desperdícios e privilégios.

A reforma da previdência no serviço público é um ajuste mais que necessário. O projeto já chega com certo atraso, mas ainda a tempo de enquadrar a máquina estatal à realidade, estancando o perverso aumento da sangria de recursos em benefício de poucos e detrimento de muitos.

As lideranças políticas não podem sucumbir ao corporativismo desmedido de parcelas do funcionalismo que gritam contra a reforma. Isso não significa deixar de valorizar o servidor público, mas adotar o limite possível.

A valorização de quem atua no setor público não pode se restringir à remuneração percebida na ativa ou na aposentadoria. Melhorar o ambiente de trabalho – seja numa escola ou hospital, seja no suporte ao trabalho de rua das polícias – também é uma forma de valorizar e proteger o servidor.

E isso só pode ocorrer se houver capacidade de investimento por parte do Estado, que hoje compromete mais da metade do que arrecada com a folha de ativos e inativos.

A reforma da previdência estadual proposta pelo governo precisa ser apoiada por todos. Hoje, há um rombo de R$ 6,3 bilhões por ano no sistema de aposentadoria da estrutura pública. O valor é bancado pelos impostos pagos pela sociedade paranaense, e só tende a crescer se nada for feito.

O momento é de defender o Paraná. Não podemos cair na vala da insolvência financeira que afeta diversos estados brasileiros. O equilíbrio das contas públicas está diretamente ligado à confiança dos investidores, como demonstram os índices econômicos deste ano.

Vários setores da economia paranaense estão no topo do ranking nacional. É o que acontece com a produção industrial, a maior do País, e a criação de 60 mil novos postos de trabalho. O último dado do Produto Interno Bruto (PIB) mostra que o Paraná cresceu o dobro do Brasil.

A população não deve ficar como mera espectadora deste debate e, assim como as lideranças estaduais, não pode se acanhar na defesa da reforma previdenciária do setor público estadual.

O momento é de pensar no Paraná que queremos hoje e amanhã.

Isso depende das nossas atitudes.

 

Transcrição do editorial do jornal Folha de Londrina de 25/11/2019

Menos simpatia e mais empatia: a ascensão das mulheres em cargos de liderança

Melina Alves

 

As mulheres caminham a largos passos rumo ao desenvolvimento de um ambiente de trabalho que favoreça a competência, a colaboração, a especialização e a transparência, valores que se tornam cada vez mais fundamentais para a sobrevivência da liderança no trabalho. Um recente estudo da OIT – Organização Internacional do Trabalho mostrou que a presença feminina em cargos executivos é um dos fatores que contribui para maior desempenho e lucratividade das empresas, já que de 75% das que optaram por mulheres no comando, cerca de 5% a 20% tiveram um aumento considerável nos lucros.

Mas, mesmo sensíveis à diversidade e tão ou mais capacitadas que os homens, a resistência à liderança feminina infelizmente ainda é um obstáculo na maior parte das empresas. Os números ratificam a afirmação de que a competência feminina é amplamente ignorada. Segundo dados do IBGE, os homens ainda ocupam 58,9% dos cargos executivos dentro das corporações e, quando tais posições são das mulheres, a remuneração recebida é aproximadamente 20% menor.

O curioso –e preocupante- é que essa discriminação também vem do público feminino. Não é raro encontrarmos mulheres que endossam tal discurso, atacando profissionais e executivas por serem mães, por exemplo. Cuidar da família e criar os filhos é considerado uma responsabilidade quase que exclusiva materna e incompatível com o mercado de trabalho. Ascender no organograma empresarial, ocupando cargos de liderança, é também visto por muitas mulheres como um abandono às responsabilidades domésticas e familiares.

É preciso derrubar esse arquétipo patriarcal de que a mulher é cuidadora e o viés inconsciente de que o homem nasceu para liderar. As empresas precisam promover a colaboração, a integração entre as pessoas e ter a liderança exercida pela competência e não mais pelo gênero. Há um imenso potencial criativo que está à margem do mercado ou é mal aproveitado nas empresas.

  • passada a hora de sermos agentes ativos dessa transformação, abrindo espaço para quem realmente quer fazer a diferença. Só compreendendo as nuances da atualidade nos livraremos do preconceito e nos tornaremos capazes de desenvolver um mercado amplamente competitivo e uma nação que cresce por inteiro e de forma consistente. Pessoas com olhares distintos trazem soluções plurais. O tempo da simpatia passou. É hora de sermos empáticos.

 

A autora é CEO e fundadora da DUXcoworkers, especialista em usabilidade e arquitetura da informação e está entre as 40 mulheres líderes de UX mais lembradas do país

Liderança: o eterno desafio

José Pio Martins

A definição mais divulgada de liderança diz que liderar é a capacidade de influenciar e convencer pessoas. Eu gosto da seguinte definição: “Liderança é a capacidade de influenciar e convencer pessoas, levá-las a acreditar na causa e despertar nelas a vontade de agir em favor de objetivos comuns, sobretudo quando elas são livres para seguir outro caminho.” Em resumo, liderança é o jeito de dirigir pessoas. Independentemente da definição, o líder é alguém que tem certos atributos úteis para atingir fins por meio de pessoas.

O líder é reconhecido segundo sua capacidade real de ter estratégia, deixar claro qual é o propósito, escolher as pessoas certas, comunicar-se com eficiência, dar orientações claras, apoiar o trabalho de seus liderados, valorizar os colaboradores, dividir resultados etc. Um dos atributos fundamentais do líder é o princípio da justiça, o que implica saber ouvir, analisar com isenção e, apenas depois, julgar e decidir.

O que resta claro é que os atributos do líder são úteis em todos os campos da vida: na família, no trabalho, nas atividades sociais e na interação com seres humanos em geral. Na política e na direção das nações, a capacidade de liderar é decisiva para o destino dos povos. Aprender e incorporar os princípios e atributos da liderança é útil não só para o trabalho, para a carreira ou para ganhar dinheiro. É útil, também, para o autodesenvolvimento, o autoconhecimento e a conquista de uma vida bem-sucedida.

O mundo nos oferece exemplos de bons líderes e de maus líderes. O bom líder detém os atributos relativos à liderança e, ademais, tem uma boa causa, uma causa nobre. O mau líder até pode demonstrar os atributos instrumentais da liderança, mas os usa para uma causa ruim, negativa. É grande o número de líderes que usaram sua capacidade de convencer, influenciar e liderar multidões direcionada para uma causa destrutiva.

Alguns exemplos interessantes são Hitler, Stalin, Mussolini, na política, Al Capone, Lucky Luciano, Pablo Escobar, no mundo crime, que demonstraram enorme capacidade de conduzir pessoas e levá-las a realizar coisas. Mas suas causas eram ruins, produtoras do mal. Mesmo assim, ainda hoje eles têm defensores e admiradores, a despeito do rastro de destruição que deixaram atrás de suas ações.

Sempre surge a clássica pergunta: liderança pode ser aprendida? Há atributos da liderança que são inatos, ou seja, já vêm com a pessoa em sua estrutura genética e de personalidade. Mas há atributos que podem ser aprendidos, treinados e melhorados. O filósofo Ortega y Gasset dizia que “a vida nos é dada, mas não nos é dada pronta”, ou seja, o ser humano se faz e se constrói em sua própria existência.

Hoje, há escassez de líderes. A cada eleição vemos chegarem ao poder pessoas sem brilho intelectual, de poucos conhecimentos e até mesmo sem os atributos da liderança. E isso só ocorre porque, muitas vezes, os homens e mulheres do bem não vão para a vida pública. Infelizmente, a política tem afugentado os melhores cérebros, em parte pelo que ela se tornou: uma espécie de valhacouto (abrigo) para incompetentes e corruptos.

Vale dizer que seria injusto não reconhecer que há pessoas brilhantes e honestas atuando na política. Mas, sejamos francos, o número de pessoas desonestas e de parcos conhecimentos em cargos relevantes é bastante grande. É bem verdade que parte dessa realidade se deve ao fato de que a política, sobretudo em cargos eletivos, não é o regime dos melhores, mas o regime dos mais numerosos. Ganha quem tem mais votos, não quem é mais honesto e mais capaz. A técnica de conquistar votos tem sua lógica própria.

Os atributos da liderança são úteis não apenas para uso na atividade profissional, na política ou para ganhar dinheiro; são úteis também como um meio para melhorar a si mesmo e fazer o bem aos outros e à sociedade. É algo que vale desenvolver, estudar e aprender. O Brasil e o mundo precisam de mais líderes, sem os quais o progresso fica difícil.

 

O autor é economista, é reitor da Universidade Positivo.

 

Pedido de socorro que vem dos mares

Janaína Bumbeer

Um novo desastre ambiental coloca o Brasil mais uma vez em sinal de alerta. As manchas de óleo que chegam às praias mostram que a vítima da vez é uma das principais fontes de renda e de alimento dos brasileiros: o oceano. São inegáveis os prejuízos ambientais, sociais e econômicos inestimáveis para toda a população. Diante do problema sem precedentes, sem exitar, brasileiros deixaram suas atividades cotidianas para depois. Salvar o mar tornou-se a ação prioritária do dia. Essa é a realidade das últimas semanas.

Pescadores madrugam para soar o sinal de alerta de que o óleo se aproxima. Marisqueiros resgatam animais. Surfistas aposentaram temporariamente as pranchas para procurar ondas com manchas pretas. Professores e estudantes trouxeram a sala de aula para a areia e passaram a aprender na prática a importância dos recursos naturais e o protagonismo do ser humano na preservação ou destruição do meio ambiente. Turismólogos deixaram de apenas apresentar belas paisagens e também arregaçaram as mangas para salvá-las.

O trabalho de cada voluntário e cada profissional deve ser reconhecido e valorizado. São pessoas que estão fazendo a diferença para a minha vida e para a sua. Estão socorrendo o habitat das algas marinhas, responsáveis pela produção de 54% do oxigênio do mundo. O oceano é o principal regulador do clima, viabilizando a vida no planeta. Além disso, é do oceano que vêm aproximadamente 19% do Produto Interno Bruto do País, a partir de atividades como pesca, lazer, turismo e transporte.

O cenário atual soma milhares de toneladas de óleo já recolhidas, representando uma parcela pequena da quantidade de manchas ainda presentes em centenas de praias no Nordeste brasileiro – tanto na água, quanto na areia. O número de animais afetados e mortos aumenta e o total vai deixar de contabilizar todos aqueles que não foram trazidos pelo mar até a costa. Além disso, o rastro que manchou o litoral nordestino também atingiu mangues e corais, demandando um processo de limpeza mais complexo e pouco acessível. Pesquisadores estimam que, apesar de visualmente “limpo”, o ambiente marinho carregará substâncias químicas por décadas, com prejuízos para os ecossistemas e para a cadeia alimentar, afetando inclusive peixes e frutos do mar que servimos à mesa.

Ou seja, somos todos impactados! Mesmo vivendo a quilômetros das praias do Nordeste, dependemos do mesmo oceano e compartilhamos a mesma nação. Portanto, também devemos agir e cuidar dos nossos recursos. Precisamos nos informar a partir de fontes confiáveis, apoiar as ações dos profissionais e voluntários e exercer o papel de cidadãos, cobrando ações rápidas e efetivas.

Há dois meses, o evento Conexão Oceano, realizado no Rio de Janeiro, trouxe à tona o debate sobre o passado, o presente e o futuro da biodiversidade marinha, dos serviços ecossistêmicos e dos mares. O oceano conecta continentes e está presente – direta e indiretamente – na vida de toda a população global. O tema é tão relevante que levou as Nações Unidas a declararem o período de 2021 a 2030 como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável.

Reverter o quadro que lamentavelmente vemos hoje no Brasil e considerar os impactos desse cenário são pautas urgentes. É hora de deixar as atividades rotineiras de lado, ouvir o pedido de socorro e fazer a nossa parte para salvar recursos tão preciosos que não conseguimos viver sem.

A autora é bióloga, doutora em Ecologia e Conservação com foco em ambientes marinhos e analista de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

Planos de Saúde: Um mercado de troca

Ricardo Cotter

 

Todos sabemos que os planos de saúde representam um custo cada vez mais alto no orçamento de famílias e empresas. Mesmo assim, é comum que anualmente quando se dá o aniversário dos planos contratados ou quando um beneficiário completa uma idade que gera a sua mudança de faixa etária e valor, os usuários dos planos aceitem os aumentos muitas vezes por entender que o trabalho que terá na busca por um novo plano, não vai se justificar.

O corretor de plano de saúde, tem como uma das principais funções dentro da venda, buscar alternativas que justifiquem esta troca, o que não gera nenhum esforço adicional de trabalho ao cliente, além do envio da documentação necessária, já que todo o trabalho de avaliação e possibilidades é feito cuidadosamente pelo corretor após uma análise do perfil da massa familiar ou empresarial.

Às vezes, além de uma boa redução apenas com a troca de operadora, a análise do perfil da massa, pode mostrar que planos com Coparticipação também passam a ser boas opções. Desta forma, muitas vezes, o trabalho do especialista na área, que é o corretor do plano de saúde, consegue gerar economias que passam dos 40% e sem perdas relevantes de rede.

Outra coisa que preocupa muito o cliente, é a falta de apoio após a concretização da venda e ai, pode-se detectar um outro diferencial oferecido por corretores especializados atentos a este mercado de troca, e que mantém contato permanente com o cliente visando sempre que aos cumprimento dos 12 meses de contrato, tenha-se sempre a oportunidade de voltar a analisar sua utilização para uma nova troca e, isso só é possível, se o profissional realizar um bom trabalho de pós venda.

Além de todas estas informações, muitos outros fatores podem contribuir para uma boa avaliação, buscando sempre as melhores opções, dentro da melhor relação custo x benefício para o cliente. Para isso, é preciso que o profissional esteja sempre preocupado com inovações e atualizações dentro da área, fazendo cursos, se informando sempre sobre novas opções no mercado, melhores e mais baratas, que possam contribuir com a melhoria do mercado consumidor desse tipo de produto.

 

O autor é formado em gestão empresarial pela Universidade Anhembi/Morumbi e consultor em Planos de Saúde na Brandsaude

 

A MP do Contribuinte Legal e a oportunidade em negociar as dívidas com a União

Andrezza Rodrigues Locatelli

 

O presidente da República Jair Bolsonaro assinou no último dia 16 de outubro a MP nº 899/19, a chamada "MP do Contribuinte Legal". Os contribuintes devedores têm a possibilidade de negociação de débitos tributários federais inscritos na dívida ativa ou em discussão no contencioso judicial ou administrativo tributário, conforme dispõe o artigo 171 do Código Tributário Nacional (CTN), que, até então, não havia sido ainda regulamentado.

O governo afirma que a MP irá auxiliar, nos casos de cobrança da dívida ativa, a regularizar em torno de 1,9 milhão de devedores, cujos débitos junto à União superam R$ 1,4 trilhão. Assim, a medida não pode contrariar decisão judicial definitiva e não autoriza a restituição de valores que já foram pagos ou compensados.

No caso das transações no contencioso, ainda poderiam ser encerradas milhares de processos que envolvem valores superiores a R$ 600 bilhões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), além de R$ 40 bilhões garantidos por seguro e caução. Os beneficiados são devedores com dívidas nas esferas administrativa ou judicial e relacionadas a controvérsias consideradas relevantes e disseminadas.

Com essas determinações, a “MP do Contribuinte Legal” surge com a possibilidade de que, além da proposta individual ou da adesão, o devedor também tenha a iniciativa de propor a transação na cobrança desses débitos. Porém, é expressa ao determinar que a concessão de descontos ficará a critério exclusivo da autoridade fazendária sobre débitos classificados como irrecuperáveis ou de difícil recuperação.

Importante lembrar que a Medida Provisória veda a possibilidade de redução do montante principal do débito, limitando a redução dos juros e multa em até 50% do valor total dos créditos a serem transacionados ou em até 70% para as pessoas naturais, as microempresas ou as empresas de pequeno porte.

Ainda, em termos amigáveis, a MP prevê prazo para dar quitação de até sete anos para os casos gerais, além de dispor sobre a possibilidade de diferimento do prazo de pagamento.

No geral, uma vez ocorrida a transação, para o devedor implicará na extinção dos litígios administrativo ou judicial que discutam os débitos objetos da transação. Por outro lado, para a União, é certo que não haverá transação acerca de temas que não contrariarem jurisprudência favorável à Fazenda Nacional, o que demonstra a intenção em levantar caixa e, consequentemente, diminuir o estoque passivo da União.

O Congresso possui o prazo de sessenta dias para aprovar e transformar a medida em lei, prorrogáveis pelo mesmo período, de modo que as opções de negociação não percam a sua validade.

Ainda será necessário aguardar a regulamentação da Medida Provisória pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para que os devedores fiquem cientes do formato e dos requisitos necessários para a proposta ou adesão de transação, bem como das situações específicas das quais essa "nova" modalidade de extinção do crédito tributário seja aplicável. Vale acompanhar e verificar os eventuais benefícios para pessoas físicas e empresas em optar pela transação.

 

A autora é advogada especialista em Direito Tributário do escritório Meirelles Milaré Advogados