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Paraná continua investindo

Estamos mantendo e retomando a capacidade de investimento do Estado, priorizando áreas essenciais como educação, saúde, segurança e infraestrutura e, ao mesmo tempo, fazendo o esforço necessário para reunir condições de investir, o mais rapidamente possível, em todos os setores.

Não tenho dúvida de que conseguiremos cumprir este objetivo, apesar da difícil situação que todo País atravessa em função da política econômica equivocada do governo federal.

Nossa economia apresenta vigor próprio, mesmo com os erros cometidos pela administração federal. Basta citar o exemplo de nossa produção industrial, que teve um crescimento de 2,4% de janeiro para fevereiro deste ano, enquanto na média nacional houve recuo de 0,9%, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

É claro que este resultado tem a ver com o processo de industrialização alavancado pelo programa Paraná Competitivo, que criamos em 2011. Além disso, ele gera fortes benefícios aos demais setores da economia paranaense, notadamente comércio e serviços.

Os mais de R$ 35 bilhões investidos na instalação e ampliação de empresas nos últimos quatro anos repercutem em toda a economia paranaense, com criação de empregos, formação e consolidação de novas cadeias produtivas e o fortalecimento do comércio.

Um exemplo desse cenário é a empresa sueca Leax que anunciou esta semana um investimento de R$ 80 milhões na ampliação da fábrica de peças automotivas em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Além disso, um grupo chinês já tem visita agendada para darmos mais uma boa notícia para os paranaenses.

No entanto, as dificuldades persistem e só um programa, com o maior sucesso que possa ter, não basta para mantermos um nível saudável de crescimento.

Diante da realidade que vivemos, tivemos que fazer um ajuste fiscal, com equiparação de alíquotas de ICMS às praticadas em outros Estados. Fizemos isso para recompor a plena capacidade de investimento, determinando, porém, que não houvesse reajuste nas alíquotas para os alimentos da cesta básica e os medicamentos.

Ao mesmo tempo, reduzimos gastos de custeio e enxugamos a máquina pública, como fizemos desde o primeiro dia de nossa gestão. Conseguimos extinguir cinco secretarias e suas estruturas, eliminar mil cargos comissionados (levantamento do IBGE mostrou que o Paraná tem o menor número de cargos comissionados do Brasil em relação ao número de servidores), agindo, enfim, sempre em benefício dos milhões de habitantes de nosso Estado.

Nesses primeiros meses de nossa segunda gestão, mantivemos os investimentos em áreas fundamentais. Para se ter uma ideia, nos primeiros 100 dias de 2015, contratamos mais de 5 mil professores, embora tivéssemos muitas dificuldades em fluxo de caixa. Conseguimos avançar também em segurança e saúde, basta ver os números.

Agora, com o fluxo de caixa melhorando, poderemos acelerar investimentos em infraestrutura e em todos os setores nos municípios. Vamos ampliar o ritmo de investimentos e ações governamentais em relação ao primeiro período de governo.

 

Beto Richa é governador do Paraná

Os riscos do Projeto da Terceirização

Aliel Machado

Na semana passada foi votado na Câmara Federal o Projeto de Lei 4330/04, de autoria do ex-deputado Sandro Mabel, que regulamenta as terceirizações no mercado de trabalho. A inclusão da matéria causou muita discussão no Plenário também fora do Congresso. Centrais sindicais como a Central Única dos Trabalhadores - CUT e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB, defensoras dos direitos dos trabalhadores protestaram. Mas mesmo sob protesto, o projeto acabou aprovado pela maioria dos deputados e seguiu esta semana para a votação dos destaques.

Ao contrário do que dizem os favoráveis à universalização da terceirização, não se trata de dar mais segurança aos cerca de 12 milhões de trabalhadores terceirizados existentes no país. Eles certamente merecem respeito, atenção e garantias trabalhistas, assim como os demais. Trata-se na verdade de um retrocesso nos direitos conquistados à duras penas, ainda durante o Governo Getúlio Vargas na década de 1940, com a implantação da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, anunciada pelo presidente para milhares de brasileiros na tribuna de honra do Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro.

Hoje, 72 anos depois daquele momento histórico, voltaremos a estaca zero. Basta perguntar a um trabalhador terceirizado se ele acha justo receber menos, possuir menos direitos que os contratados e ainda desenvolver mais tarefas que os demais. Ou então, a um funcionário contratado de forma direta se ele preferiria ser terceirizado para executar a mesma função, ganhando menos por isso, só porque parte do seu salário ficaria com a empresa que o contratou.

Há hoje no país mais de 35 milhões de trabalhadores diretos. Mas com a aprovação do PL 4330, as empresas poderão terceirizar qualquer atividade no seu segmento, inclusive a atividade principal. Por exemplo, um banco que até então pode terceirizar a segurança e a limpeza, poderá a partir de agora contratar também bancários terceirizados. E eles chegam a ganhar 1/3 de um bancário contratado. Isso sem falar nas demais profissões que serão atingidas. Essa possibilidade coloca em xeque a qualidade do emprego formal desses trabalhadores, justamente num momento em que o país precisa investir mais em mão de obra para voltar a crescer. É uma questão de opção pelo desenvolvimento.

Não sou contra o Projeto apenas por questões ideológicas. Como deputado eleito para representar toda a população, também irei analisar e votar projetos que favoreçam os empresários. No entanto, na minha avaliação, eles não podem trazer prejuízos aos trabalhadores. O que não é o caso.

Só para complementar a reflexão, um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que trabalhadores terceirizados trabalham mais e ganham menos que os funcionários contratados. O salário chega a ser 27% menor e trabalha-se em média 3 horas a mais por semana. Além disso, a rotatividade nas empresas terceirizadas é bem maior. A média de permanência dos terceirizados no emprego é de 2,6 anos, já a do trabalhador direto é de 5,8 anos. Uma rotatividade que é de 44,9% nas terceirizadas e de 22% entre os diretamente contratados. Outro fato relevante a ser destacado é o número de acidentes de trabalho. O DIEESE apurou que, a cada 10 acidentes de trabalho, 8 ocorrem em empresas terceirizadas. Com isso, o país deve ter ainda mais gastos com o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), por conta dos custos com o seguro desemprego.

Como vemos, ainda é preciso avançar muito nas conquistas dos trabalhadores terceirizados, adotando o princípio de isonomia, com maiores garantias e remuneração adequada. Porém, isso não se dará com a aprovação de uma lei que coloca todos os demais trabalhadores em risco.

A legislação trabalhista merece e necessita de análises profundas para atender a demanda atual do mercado de trabalho e também das empresas. Mas não será com a desvalorização do trabalhador, a precarização do trabalho, que conseguiremos atingir um nível desejável de desenvolvimento para o país e de qualidade de vida para a sociedade.

 

​*O autor é deputado pelo PCdoB e membro da Comissão da Educação e da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras.​

Cinco passos para evitar as dívidas

Dora Ramos

 

Qual a maior preocupação da população, o consumo excessivo e a aquisição de bens supérfluos ou as dívidas feitas em longo prazo para obtê-los? Sabemos que ainda há muitos que gastam mais do que ganham e essa prática tem se agravado.

Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em março, 37,5% da população (54,7 milhões de pessoas) estava negativada – com o nome inscrito no SPC. Neste mês, houve aumento de 3,76% de consumidores inadimplentes na comparação do mesmo período de 2014. Para fugir dessa realidade, mesmo em tempos de crise, confira cinco dicas que o ajudarão a conter o orçamento neste ano e a ter mais tranquilidade na hora de realizar seus desejos:

1 - Compre à vista, não parcele

No momento da compra, sempre é oferecida a forma de pagamento com o cartão de crédito, mas fuja dele. Prefira quitar suas despesas à vista, pois, além de estar criando uma dívida a prazo, ao utilizar o crédito você corre o risco de se enrolar e cair nos juros e taxas que estão cada vez mais abusivos.

2 - Coloque todas as despesas na ponta do lápis

O ideal é fazer uma relação de gastos contendo qual a despesa, o valor, a data e o grau de necessidade (utilize o nível de 1 a 5, por exemplo, sendo o 1 aquilo que pode ser descartado e o 5, o mais necessário). Recomendo que as despesas sejam relacionadas a cada semana, para que, no final do mês, você tenha um relatório completo e visualize facilmente o que poderia ter poupado ou qual será a sobra de dinheiro para o próximo mês.

3 - Não abuse das compras, adquira somente o necessário

Acredito que todos já tenham ouvido a famosa frase: Você gasta mais do que pode. É exatamente isso que grande parte da população faz, o que resulta num mar de dívidas em que se tampa e destampa buracos no orçamento constantemente. Se você se identificou com essa situação, tome cuidado, pois é bem possível que já esteja no vermelho há algum tempo.
Para mudar esse cenário, compre com consciência. Analise o que realmente está precisando e evite tristezas na hora da conferência da conta corrente.

4 - Pense no futuro, poupe

Ainda é pequeno o número de brasileiros que possuem algum tipo de poupança ou formas de investimento de longo prazo. A baixa taxa de rendimento e os baixos salários são sempre citados como os maiores motivos de quem não consegue poupar, mas também há fatores comportamentais envolvidos nessa questão. Sendo assim, mude sua forma de pensar e veja a poupança como algo que pode se transformar na semente de um grande investimento, o que, dependendo do seu empenho e administração, pode resultar em lucro e sucesso.

5 - Invista corretamente e veja sua economia crescer

Uma vez que tenha investido corretamente, seu dinheiro pode crescer de forma inesperada. As correções, taxa de juros e ganho de capital mostrarão mais tarde o quanto vale a pena o esforço de poupar e abrir mão de alguns gastos nos dias de hoje. O investimento bem-sucedido é sinônimo de mais dinheiro em suas economias e uma vida mais tranquila.

 

*A autora é educadora financeira e especialista em contabilidade e controladoria.

Crise, recessão e falta de confiança

José Ricardo Noronha

 

Este ano de 2015 tem tudo para ser um dos mais desafiadores para a vida de quem vende.  Presidentes, diretores e profissionais de empresas de diversos portes e segmentos têm compartilhado comigo suas preocupações sobre o que precisa ser feito para vender mais, com menos recursos e melhor que os concorrentes (a chamada Estratégia dos 3 Ms).

Não me atrevo a dizer que tenho todas as respostas, mas muito humildemente procuro trazer minha contribuição que aqui compartilho com vocês. São 3 grandes pilares que se fazem ainda mais essenciais em períodos como os que agora vivemos:

1) Atendimento ainda é um diferencial competitivo importante: por mais incrível que possa parecer, ainda são poucas as empresas e profissionais que oferecem um atendimento espetacular aos seus clientes e respectivos mercados-alvo. O resultado disso: clientes cada vez mais exigentes têm sido cada vez menos fiéis e leais às marcas, muito em virtude da pouca atenção e carinho que lhes é dado.

Sim, em momentos mais duros como os que agora vivemos, ações simples e que infelizmente têm sido tão negligenciadas são ainda mais fundamentais. Entre elas cito a cordialidade, o cuidado extremo com os detalhes, a preocupação legítima em entender o que o cliente realmente precisa e a real prontidão em ajudar e servir.

Minha dica de ouro: teste você mesmo como anda o atendimento ao cliente da sua empresa. Se os serviços que vocês têm oferecido forem ruins, tenha a certeza de que 2015 será ainda mais desafiador. Lembre-se sempre que a missão das grandes empresas e dos grandes profissionais é transformar seus clientes em fãs. E isso só acontece quando se tem um atendimento espetacular, surpreendente e 100% focado em gerar experiências inesquecíveis e memoráveis a todos os seus clientes.

2) Treinamento será ainda mais fundamental agora: vender em tempos de economia mais robusta e de confiança do empresariado em alta não é tarefa das mais difíceis. Duro mesmo é vender em tempos mais desafiadores, como neste singular ano de 2015. E para vender mais e melhor, se faz necessário incrementar o repertório de técnicas, habilidades, conhecimentos, comportamentos e atitudes de vendas dos seus profissionais e dos seus líderes. Isso porque, se eles continuarem fazendo as coisas que sempre fizeram, será quase impossível incrementar as vendas em relação aos anos anteriores.

Não custa lembrar um dos mais preciosos ensinamentos do gênio Albert Einstein: "Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Especialmente em tempos de crise, invista vigorosamente no treinamento e na capacitação dos seus profissionais.

3) Em tempos de desconfiança, saiba vender confiança: tenho feito palestras e cursos no Brasil todo e, por onde passo, sempre pergunto quem hoje confia nas mais importantes autoridades políticas do nosso País. O feedback instantâneo é assustador: em média, menos de 5% das pessoas acreditam nos nossos políticos. E é aqui que eu quero lhe convidar para uma importante reflexão: se a economia vai mal, muito em virtude de uma crise institucional e de confiança, o que precisamos fazer para vender mais e melhor?

A resposta pode soar um tanto quanto simplória, mas é bastante contundente: saiba vender confiança! Aliás, vale lembrar o excelente best-seller A Velocidade da Confiança, de Stephen M.R. Covey, publicado no Brasil pela Editora Elsevier. A obra diz que quão maior é a confiança nos relacionamentos, maior é a velocidade com que as coisas acontecem (ou seja, ciclos de vendas mais curtos) e menor é o custo (menor CAC – Custo de Aquisição de Cliente). E, ainda, quão menor é a confiança, menor é a velocidade e maior o custo.

Venda confiança, aumente a velocidade com que as coisas acontecem e reduza o custo de aquisição de clientes. Ao fazer isso, você já terá um diferencial competitivo muito difícil de ser batido.

O autor é vendedor, palestrante, professor, escritor e consultor.

A desinformação venceu a razão

Murillo José Digiácomo

A aprovação da tramitação da Proposta de Emenda Constitucional sobre a redução da maioridade penal pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados já era esperada, em especial diante do verdadeiro clima de comoção criado em torno do tema por alguns veículos de comunicação que insistem em desinformar a população acerca da verdade por trás da responsabilização de adolescentes envolvidos com a prática de infrações penais.

Parte-se de premissas absolutamente equivocadas (a começar pela suposta falta de meios idôneos já previstos em lei para coibir tais condutas e dar a seus autores uma resposta adequada e proporcional à sua gravidade), usa-se de argumentos falaciosos (como a questão do discernimento, superada desde o Código Penal do Império) e, por vezes, mentirosos, para se chegar à conclusão de que a solução mágica para o problema da violência no Brasil seria a redução da maioridade penal.

Nenhum dos argumentos em favor da redução da maioridade penal, assim como a promessa que esta seria a panaceia para todos os males que acometem a sociedade brasileira, resiste a uma análise crítica acerca de sua razoabilidade.

Culpar a lei vigente (notadamente o Estatuto da Criança e do Adolescente) pelo verdadeiro caos na segurança pública em que o país se encontra chega a ser pueril, e somente quem não conhece quer o Sistema Socioeducativo, quer o Sistema Penal brasileiro pode ter a ilusão de que encaminhar adolescentes para este último terá algum efeito positivo sobre os índices de violência, especialmente a médio e longo prazos.

Muito pelo contrário. O ingresso precoce (e se pretende cada vez mais precoce) de adolescentes no Sistema Penal (que se encontra comprovadamente falido e em boa parte dominado por organizações criminosas), com índices de reincidência que beiram (e em alguns casos superam) os 70%, seguramente apenas irá agravá-los, isto se houver vagas suficientes para recebê-los, considerando que, segundo dados de 2012, havia um déficit de 237 mil vagas no Sistema Prisional, alem de 437 mil mandados de prisão expedidos e não cumpridos (isso somente em relação a adultos penalmente imputáveis)[1].

A redução da maioridade penal, se aprovada, fecharia essa última janela de oportunidade para reversão da espiral de violência e intolerância na qual o Brasil se encontra (e que a Lei Penal comprovadamente não é – e nunca será – capaz de reverter), com gravíssimas consequências para as gerações futuras.

Não é, enfim, com a pretendida alteração de uma das cláusulas pétreas da Constituição Federal (o que, por sinal, é juridicamente inadmissível) que o problema da violência no Brasil será resolvido, mas sim, justamente, pelo efetivo e integral cumprimento do que já está posto no ordenamento jurídico brasileiro, com a implementação de políticas públicas que, de fato, priorizem a criança e o adolescente nas ações do Poder Público, num viés eminentemente preventivo que é justamente a antítese do que se apregoa.

Esse é, sem dúvida, um caminho mais longo e difícil, mas também é o único capaz de dar as respostas sérias e idôneas que a sociedade brasileira precisa e tem o direito de receber por parte do Poder Público.

Ainda há esperança de que, se a matéria for analisada e tratada como deve ser, de forma serena, refletida e responsável para com a sociedade brasileira por parte do Congresso Nacional, essa e as demais propostas de redução da maioridade penal sejam rejeitadas. E que o movimento seguinte seja voltado à cobrança do efetivo e integral cumprimento da lei e da Constituição Federal, a começar pela recém editada Lei do Sinase, que institui um novo modelo para o atendimento de adolescentes autores de infração penal em todo o Brasil e que ainda se encontra em fase incipiente de implementação.

A sociedade brasileira (em alguns casos, mesmo sem se dar conta) perdeu uma importante batalha, mas ainda há tempo de vencer a guerra contra a desinformação e a iniquidade.

Quem viver, verá.

 

A redução da maioridade penal, se aprovada, fecharia essa última janela de oportunidade para reversão da espiral de violência

 

O autor é procurador de Justiça, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Criança e do Adolescente do Ministério Público do Paraná

 

 

E se fossem os holandeses?

Matheus M. Cruz

 

Não sou estudioso das linguagens, mas me recordo bem de quando ainda estava no ensino fundamental e surgiu uma discussão, que foi amplamente divulgada nos meios midiáticos, na qual não se deveria mais dizer que os alunos estavam escrevendo ou falando errado, que, no máximo era inadequado e que deveria se respeitar ao máximo as variantes linguísticas das quais o nosso país está repleto. Não venho aqui debater sobre a língua portuguesa em si e seus desdobramentos regionais, mas sobre como ela tem sido usada por políticos e marqueteiros em prol de um projeto de poder.

Li um texto essa semana que falava um pouco sobre como os conceitos de determinadas palavras estão sendo modificados pela facção política que detém o poder. O texto trazia uma crítica simples ao fato de minorias não levarem mais em conta os padrões numéricos, como considerar as mulheres como tais, pertencer a uma raça não é mais relacionado à cor da pele ou a ascendência genealógica, tudo parece se resumir as posições partidárias, nem mesmo as suas convicções ideológicas.

Não me surpreende a dificuldade de admitir, de dialogar, a falta de sensibilidade e até mesmo o pedantismo dos partidos que beberam na fonte do tão idolatrado Marx, que assim o era, mas confesso que a maneira com que deturpam até mesmo as teorias marxianas isso sim me surpreende. Marx pregava a Revolução Comunista para libertar a classe trabalhadora, maioria, do julgo e exploração dos capitalistas, minoria, a própria teoria está baseada nesse dualismo e na injustiça de muitos nada terem e poucos terem tudo, simplificando. Sei que a sociedade atual tem uma formatação bem diferente, mas vejo muitos ditos marxistas tentando colocar a formatação atual às suas doutrinas, não percebendo o anacronismo eminente.

Sinto que seja um pouco simplista demais observar a dinâmica atual sob a égide dualista que banhou a Guerra Fria em que antagoniza classes sociais e modelos de governo, e suas respectivas propostas, entre direita e esquerda, como está nos dias atuais, entre os coxinhas e os petralhas. Não creio que esse maniqueísmo poderá dar a solução para os problemas sociais, políticos e econômicos que o Estado brasileiro enfrenta.

Nossos problemas sociais não estão baseados simplesmente nas lutas de classes, a problemática vai além e não, o problema não é só o capitalismo que destrói a vida das pessoas e as levam até a miséria. É necessário que haja um debate adulto e baste desse facciosismo que em nada auxilia os rumos do Brasil. É preciso que tanto governo como oposição reconsiderem e admitam seus erros e saibam dialogar, até porque sem diálogo não há democracia. É necessário que se deixe essa política de marketing simplesmente, de sensacionalismo e discuta-se com seriedade os problemas nacionais e abandone-se essa estratégia de se manter no poder, ou conquista-lo, às custas de ideologização de conceitos e massificação de informações infundadas e rasas que iludem a sociedade de que estão informadas e prontas para opinarem, quando na verdade estão sendo simplesmente manipuladas.

Que se parem com essa vitimização, que chega a ser cultural aqui no Brasil, e se discuta com seriedade a sociedade em que vivemos, do contrário, continuaremos nessa inércia de modificações efetivas que transformem de fato o estado do Brasil e viveremos na eterna nostalgia por algo que não aconteceu, como no caso dos pernambucanos, Ah! se tivéssemos sido colonizados pelos holandeses....

 

O autor é acadêmico de Licenciatura em História

De costas para o povo

Roberto Busato

Fui surpreendido nesta semana com a notícia veiculada pela mídia estadual, de que a Defensoria Pública foi fechada para atendimento ao público em diversas cidades do interior do Paraná. Ponta Grossa entre elas. A motivação da atitude, segundo informou nesta reportagem uma Defensora Pública, deu-se pela interrupção do atendimento da vigilância 24 horas na sede do órgão, agregado ao fato de que há falta de funcionários para secretaria e para atendimento de copa (café, entre outros).

A notícia recebeu minha pronta indignação e também das pessoas com quem eu tenho relacionamento, pois, com tal atitude, os advogados que integram a classe dos Defensores Públicos, deixaram de lado sua nobre e tão buscada, por todos neste Estado, (principalmente pelos advogados, liderados pela OAB-PR), a sua função pública, equiparando-se as más práticas que imperam nas repartições Estatais de todo o país, tornaram-se os barnabés da vez.

Isso desprende da busca que o povo mais humilde e sem condições de pagamento de honorários a um advogado privado, tem a uma defesa técnica com primor, próprio dos anseios de uma verdadeira República, que tem o dever de minorar as diferenças entre sua população. Esta busca foi trabalho de gerações. O Paraná foi um dos últimos Estados a instalarem uma Defensoria Pública neste Brasil e seu custo é enorme.

O absurdo é que os Defensores Públicos do Paraná promoveram uma farra com o dinheiro público, com aumentos sem qualquer propósito de seus vencimentos e pretendem ser equiparados, em termos de subsídios com os vencimentos de Magistrados e Membros do Ministério Público. Para tanto, deveriam dar o bom exemplo, principalmente deixando de se furtar de atender ao cidadão carente, como estão fazendo. Devem deixar de ser barnabés e mostrar que exercem uma nobre função, como Juízes e Membros do Ministério Público.

O impedimento de trabalhar, por falta de serviço de segurança, copa e de secretaria é um insulto à população paranaense, destinatária do serviço da Defensoria, que é quem paga os salários dos Defensores, diga-se de passagem, muito mais elevados que a média dos vencimentos dos advogados privados.

Se todos os serviços públicos parassem o atendimento, mesmo que parcial, por falta de algum pagamento do Estado a terceirizados, teríamos um caos imperado no Estado, pois se sabe que o Governo Estadual é inadimplente com enorme soma de seus fornecedores. Mesmo assim os serviços públicos funcionam à custa de muito sacrifício.

Lembro aos Defensores que o Governo Estadual, só da obrigação deste ano, de repassar o chamado duodécimo ao Poder Judiciário, está em inadimplência de aproximadamente 200 milhões de reais. E o serviço judiciário está funcionando, com buracos gigantescos, por exemplo, nos cargos funcionais. A atitude tomada pela Defensoria Pública agride, ofende e indigna o povo do Paraná. Nos faz pensar que não valeu a grande luta de anos e anos pela implantação do Órgão. Além disso, esta atitude demonstra apenas que a Defensoria Pública está de costas para o povo.

 

O autor é presidente do Conselho dos Colégios e Ordens de Advogados do Mercosul (COADEM), presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil entre 2004-2007.


Não podemos nos calar

Marcio Pauliki

 

Quando decidi entrar para a vida pública assumi o compromisso de contribuir para a geração de emprego e renda. Minha meta trabalhar pelo crescimento da economia, para diminuir a burocracia nas contratações e na abertura de empresas. Precisamos de mais vagas de trabalho para que as pessoas tenham mais oportunidades. Nesta semana, obtivemos uma vitória importante. O Governo Estadual voltou atrás e suspendeu o reajuste do ICMS de alguns itens, como remédios, biodiesel e maquinários. O objetivo é manter a competitividade das indústrias paranaenses e garantir que não haverá aumento da carga tributária do setor produtivo.

Ainda teremos alguns ajustes a serem feitos ao longo das próximas semanas para que o aumento da alíquota de 12% para 18% para cerca de cem mil produtos, aprovado em 2014, não prejudique a economia no Paraná. Nos próximos dias, vou me reunir com empresários e entidades de diversos setores para reivindicar que o Governo volte atrás nesse reajuste. Tenho a plena convicção de que o Executivo terá a sensibilidade de nos ajudar a buscar alternativas que preservem o poder de compra dos paranaenses. Entidades empresariais paranaense que se reúnem no chamado ‘G 7’ divulgaram um estudo demonstrando que não era preciso mexer na alíquota e que o imposto inflacionário é capaz de resolver os problemas financeiros do estado.

Um aumento de 12% para 18% é uma carga muito pesada. As empresas não têm como absorver a alta do imposto e são obrigadas a repassar para o consumidor. A margem de lucro de um supermercado, por exemplo, não chega a 2%. Se não repassar, ele quebra. O mais preocupante são os alimentos, itens de primeira necessidade.

O reajuste pode reduzir o poder de compra da população em cerca de R$ 800 milhões em um ano. De acordo com a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), os produtos devem ficar 7,32% mais caros. Isso não é aceitável para o cidadão.

Importante lembrar que a Nota Fiscal Paranaense, aprovada há poucos dias na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), é outro grande benefício que conquistamos para os paranaenses. Aqueles que exigirem a nota fiscal receberão o reembolso de até 30% do ICMS presente em produtos e serviços. Quem solicitar a nota e informar o número do CPF ou CNPJ, poderá utilizar esse dinheiro para pagar o IPVA ou solicitar um depósito em conta-corrente ou poupança. O projeto de lei nº 135/15 que dispõe sobre a criação do ‘Programa de estimulo à cidadania fiscal do estado do Paraná’ é de autoria do poder executivo e tem como objetivo aumentar a arrecadação sem elevar os impostos e combater a sonegação fiscal.

Sou presidente da Comissão de Indústria e Comércio e lá tivemos um intenso trabalho propondo emendas e ouvindo entidades ligadas ao setor produtivo. Uma das emendas que propus tinha como objetivo proporcionar que 30% do ICMS presente na conta de luz, telefone e gás retornasse ao contribuinte. São itens que compõem o dia a dia das pessoas e seria interessante se os cidadãos também pudessem ter esse retorno. A iniciativa não foi aprovada pelo Plenário, mas continuarei lutando.

O meu trabalho agora é permitir que fundações, institutos e demais entidades ligadas à assistência social possam receber os recursos provenientes de notas fiscais não identificadas com um CPF ou CNPJ. Fiz a solicitação diretamente ao diretor geral da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), George Tormin, que se comprometeu a fazer a regulamentação da medida. Além disso, vou continuar batalhando para que mais itens possam ser contemplados e reembolsar 30% do ICMS para cidadãos e empresários. Já consegui a aprovação para quem comprar produtos que não estejam incluídos na Nota Fiscal Paranaense concorram à premiações em dinheiro.

Confio na sensibilidade do Governo do Estado em buscar alternativas que aumentem a arrecadação, combatam a sonegação fiscal e melhorem o fluxo de caixa do Governo, sem a necessidade de elevar os impostos, pesando ainda mais para cidadãos e empresários. É possível traçar estratégias que tragam crescimento econômico aliado ao desenvolvimento social, beneficiando a todos.

 

O autor é deputado estadual

Exige-se experiência prévia...

Wanda Camargo

Um das maiores frustrações dos jovens que procuram o primeiro emprego é a condição imposta por muitas empresas de que já tenham exercido a função a que se candidatam, ou alguma semelhante. Isso depõe contra as próprias empresas, como se pretendessem que seus contratados já tivessem sido treinados pelo concorrente, já tivessem cometido os erros naturais do aprendizado em outro lugar, e chegassem preparados para desempenhar como autênticos campeões.

Boas corporações não agem dessa forma, entendem que ao lado da formação acadêmica, parte da qualificação de trabalhadores para suas necessidades será realizada por elas mesmas, assumindo o risco e a responsabilidade de ensinar, apresentando possibilidades de treinamento e estágios em vários níveis.

Ao colocar o aluno em situações reais de trabalho, o contato com os valores éticos, o modo de inserção na cultura específica de sua futura profissão, o exercício efetivo, esclarecem-no na prática do dia a dia, e se esta é efetivamente sua vocação. Desta forma, o estágio costuma validar, ou não, a escolha feita, pois permite comparar realidade e expectativas, já que todo trabalho tem impactos sociais, positivos ou negativos. Analisar o contexto da área pretendida reafirma o compromisso de seus próprios interesses frente às demandas da sociedade, uma carreira não deve representar apenas um meio de obtenção de sucesso, dinheiro e prestígio; aspectos como criatividade e inovação são fundamentais, pois acrescidos do prazer no exercício de alguma atividade representam qualidade de vida e, de forma geral, saúde física e emocional.

A graduação, qualquer que seja ela, representa um primeiro passo, mas depois deste muitos outros virão. Realizar um estágio é uma importante ferramenta para a obtenção da experiência exigida ao sair da faculdade.

Nas questões de aprendizagem, sabe-se que quando uma escola admite um aluno, ensina bem mais que o contido em sua grade curricular; ensina também uma forma de resolver problemas, uma maneira de relacionar-se com o mundo, uma regra de convivência com os demais. Ao lado da formalidade das disciplinas, a informalidade, tanto do relacionamento interpessoal como do exemplo de condução dos problemas diários, instrui bem mais que imaginamos num primeiro momento. Muitas normas comportamentais e cognitivas são ensinadas pela tradição institucional, e o mesmo acontece nas empresas, onde o desempenho depende não apenas da própria formação do trabalhador, mas também da estrutura organizacional, que correlaciona características pessoais com a pertinência das tarefas que realizam.

Organizações que se pretendem razoavelmente competitivas num mercado globalizado, hoje estão preocupadas não apenas com procedimentos operacionais, mas também com um novo plano de alcance de metas, seletividade no uso de seus recursos, com estratégias comportamentais e de autorregulação, auxílio mútuo, controle emocional e quanto a falhas de concentração, e grande consideração quanto às questões motivacionais.

Adequar um jovem estudante ao espaço corporativo demanda certo tempo e experiência - bons líderes são necessários para a empreitada - e estes não lamentam se aquele jovem promissor for capturado para outro emprego após todo o investimento feito nele; isso sinaliza que a seleção e o preparo foram eficazes, e talvez alguma coisa deva ser repensada.

Segundo Peter Senge, as organizações prontas para aprender são as que estão prontas para o sucesso, e melhores ainda são aquelas que estão prontas também para ensinar.

 

A autora é assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil.

A graduação, qualquer que seja ela, representa um primeiro passo, mas depois deste muitos outros virão

Histórias de tempos idos

Antonio Vianna

Como sabemos, as histórias no Estado do Paraná são sempre surrealistas.

Vou contar para vocês a história de um governante do Estado, que em tempos idos foi vítima de sua própria esperteza. Tal governante acabou envolvido em teias de corrupção e de malfeitos éticos e morais que se avizinhavam perigosamente de sua sala de estar.

Quando esse líder político foi à assembleia para falar dos acontecimentos, a impressão que tive, ao ouvi-lo, foi a de que se referia a uma outra realidade, a outra época, a outro Estado, por todos desconhecidos.

Ele falava e eu mal acreditava no que ouvia, especialmente pela maneira desinibida com que afirmava coisas que não faziam qualquer sentido com a realidade que o povo paranaense vivia, com o que diariamente informava a imprensa, com o que sabiam os áulicos ao seu redor e afirmavam os promotores de justiça, estes sim, taxados de loucos.

A única explicação para tal atitude surrealista só pode ser uma firme disposição de aparentar desconhecimento da realidade, de enganar abertamente a opinião pública e de desrespeitar o eleitor, o cidadão, o direito e a democracia. Parecia irreal o discurso de austeridade, de que nunca havia sido pego em malfeitos, quando todos sabiam que acobertava funcionários, no escalão mais alto, que tinham relações incestuosas, do ponto de vista do erário e até com a sogra.

Sucede que, àquela altura de suas aparições públicas, ele ainda não havia atingido o ápice de seu descompromisso com a verdade dos fatos.

Parece-me que o atingiu quando lhe perguntaram se, como governante, tinha alguma relação com um primo distante que fora preso por uma questiúncula qualquer, num pequeno contrato de prestação de serviços para o Estado. Foi taxativo, nada sabia das concorrências fraudadas e de propinas, inclusive, era apenas um parente distante sem qualquer relação de familiaridade ou de proximidade. Dizia-se que naquela época, no Estado do Paraná, a Assembleia era mero balcão de negócios que reproduzia as sinecuras e prebendas distribuídas pelo governante, e tendo essa sempre sólida maioria, reagia a todos os disparates, de maneira a fazer sobreviver às investigações todo político que cumpria com sua parte.

Ele sorriu ironicamente e garantiu que, no seu governo e na sua história política, nunca havia sido acusado da prática de corrupção, mesmo porque a tal corrupção sistêmica, apontada pelos envolvidos no caso nunca acontecera.

Conta-se, na época, que havia se tornado um cínico acabado, aprendiz de outro sujeito que governara o país por quase uma década e que nunca sabia de nada, mais que isso, sempre se sentira traído, mantendo as aparências de uma imaculada moralidade e beatitude, que caem bem aos Santos de Pau-Oco.

Conta-se que à época dos fatos, o tal governante abandonou todos os comparsas à própria sorte, tal qual o seu guru, que era inclusive de partido de oposição, numa demonstração acabada, de como a geleia geral da política brasileira já não fazia qualquer distinção entre situação, oposição ou muito pelo contrário.

Ficamos perplexos pelo que afirmava o tal governante, porque sabíamos que o tal parente distante despachava de um hotel, sobre assuntos de governo, e recebia e filtrava a agenda daquele em seu próprio gabinete.

Conta-se que à época, a população foi à rua e conseguiu com sua pressão travar malfeitos e que ao final e ao cabo, o político teve de renunciar ao seu mandato, exilando-se numa república latino-americana, até que a febre por honestidade e por republicanismo na coisa pública passasse e ele pudesse, tal qual um Collor, retornar aos domínios da política.

O autor é historiador.