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Liderança: o eterno desafio

José Pio Martins

A definição mais divulgada de liderança diz que liderar é a capacidade de influenciar e convencer pessoas. Eu gosto da seguinte definição: “Liderança é a capacidade de influenciar e convencer pessoas, levá-las a acreditar na causa e despertar nelas a vontade de agir em favor de objetivos comuns, sobretudo quando elas são livres para seguir outro caminho.” Em resumo, liderança é o jeito de dirigir pessoas. Independentemente da definição, o líder é alguém que tem certos atributos úteis para atingir fins por meio de pessoas.

O líder é reconhecido segundo sua capacidade real de ter estratégia, deixar claro qual é o propósito, escolher as pessoas certas, comunicar-se com eficiência, dar orientações claras, apoiar o trabalho de seus liderados, valorizar os colaboradores, dividir resultados etc. Um dos atributos fundamentais do líder é o princípio da justiça, o que implica saber ouvir, analisar com isenção e, apenas depois, julgar e decidir.

O que resta claro é que os atributos do líder são úteis em todos os campos da vida: na família, no trabalho, nas atividades sociais e na interação com seres humanos em geral. Na política e na direção das nações, a capacidade de liderar é decisiva para o destino dos povos. Aprender e incorporar os princípios e atributos da liderança é útil não só para o trabalho, para a carreira ou para ganhar dinheiro. É útil, também, para o autodesenvolvimento, o autoconhecimento e a conquista de uma vida bem-sucedida.

O mundo nos oferece exemplos de bons líderes e de maus líderes. O bom líder detém os atributos relativos à liderança e, ademais, tem uma boa causa, uma causa nobre. O mau líder até pode demonstrar os atributos instrumentais da liderança, mas os usa para uma causa ruim, negativa. É grande o número de líderes que usaram sua capacidade de convencer, influenciar e liderar multidões direcionada para uma causa destrutiva.

Alguns exemplos interessantes são Hitler, Stalin, Mussolini, na política, Al Capone, Lucky Luciano, Pablo Escobar, no mundo crime, que demonstraram enorme capacidade de conduzir pessoas e levá-las a realizar coisas. Mas suas causas eram ruins, produtoras do mal. Mesmo assim, ainda hoje eles têm defensores e admiradores, a despeito do rastro de destruição que deixaram atrás de suas ações.

Sempre surge a clássica pergunta: liderança pode ser aprendida? Há atributos da liderança que são inatos, ou seja, já vêm com a pessoa em sua estrutura genética e de personalidade. Mas há atributos que podem ser aprendidos, treinados e melhorados. O filósofo Ortega y Gasset dizia que “a vida nos é dada, mas não nos é dada pronta”, ou seja, o ser humano se faz e se constrói em sua própria existência.

Hoje, há escassez de líderes. A cada eleição vemos chegarem ao poder pessoas sem brilho intelectual, de poucos conhecimentos e até mesmo sem os atributos da liderança. E isso só ocorre porque, muitas vezes, os homens e mulheres do bem não vão para a vida pública. Infelizmente, a política tem afugentado os melhores cérebros, em parte pelo que ela se tornou: uma espécie de valhacouto (abrigo) para incompetentes e corruptos.

Vale dizer que seria injusto não reconhecer que há pessoas brilhantes e honestas atuando na política. Mas, sejamos francos, o número de pessoas desonestas e de parcos conhecimentos em cargos relevantes é bastante grande. É bem verdade que parte dessa realidade se deve ao fato de que a política, sobretudo em cargos eletivos, não é o regime dos melhores, mas o regime dos mais numerosos. Ganha quem tem mais votos, não quem é mais honesto e mais capaz. A técnica de conquistar votos tem sua lógica própria.

Os atributos da liderança são úteis não apenas para uso na atividade profissional, na política ou para ganhar dinheiro; são úteis também como um meio para melhorar a si mesmo e fazer o bem aos outros e à sociedade. É algo que vale desenvolver, estudar e aprender. O Brasil e o mundo precisam de mais líderes, sem os quais o progresso fica difícil.

 

O autor é economista, é reitor da Universidade Positivo.

 

Pedido de socorro que vem dos mares

Janaína Bumbeer

Um novo desastre ambiental coloca o Brasil mais uma vez em sinal de alerta. As manchas de óleo que chegam às praias mostram que a vítima da vez é uma das principais fontes de renda e de alimento dos brasileiros: o oceano. São inegáveis os prejuízos ambientais, sociais e econômicos inestimáveis para toda a população. Diante do problema sem precedentes, sem exitar, brasileiros deixaram suas atividades cotidianas para depois. Salvar o mar tornou-se a ação prioritária do dia. Essa é a realidade das últimas semanas.

Pescadores madrugam para soar o sinal de alerta de que o óleo se aproxima. Marisqueiros resgatam animais. Surfistas aposentaram temporariamente as pranchas para procurar ondas com manchas pretas. Professores e estudantes trouxeram a sala de aula para a areia e passaram a aprender na prática a importância dos recursos naturais e o protagonismo do ser humano na preservação ou destruição do meio ambiente. Turismólogos deixaram de apenas apresentar belas paisagens e também arregaçaram as mangas para salvá-las.

O trabalho de cada voluntário e cada profissional deve ser reconhecido e valorizado. São pessoas que estão fazendo a diferença para a minha vida e para a sua. Estão socorrendo o habitat das algas marinhas, responsáveis pela produção de 54% do oxigênio do mundo. O oceano é o principal regulador do clima, viabilizando a vida no planeta. Além disso, é do oceano que vêm aproximadamente 19% do Produto Interno Bruto do País, a partir de atividades como pesca, lazer, turismo e transporte.

O cenário atual soma milhares de toneladas de óleo já recolhidas, representando uma parcela pequena da quantidade de manchas ainda presentes em centenas de praias no Nordeste brasileiro – tanto na água, quanto na areia. O número de animais afetados e mortos aumenta e o total vai deixar de contabilizar todos aqueles que não foram trazidos pelo mar até a costa. Além disso, o rastro que manchou o litoral nordestino também atingiu mangues e corais, demandando um processo de limpeza mais complexo e pouco acessível. Pesquisadores estimam que, apesar de visualmente “limpo”, o ambiente marinho carregará substâncias químicas por décadas, com prejuízos para os ecossistemas e para a cadeia alimentar, afetando inclusive peixes e frutos do mar que servimos à mesa.

Ou seja, somos todos impactados! Mesmo vivendo a quilômetros das praias do Nordeste, dependemos do mesmo oceano e compartilhamos a mesma nação. Portanto, também devemos agir e cuidar dos nossos recursos. Precisamos nos informar a partir de fontes confiáveis, apoiar as ações dos profissionais e voluntários e exercer o papel de cidadãos, cobrando ações rápidas e efetivas.

Há dois meses, o evento Conexão Oceano, realizado no Rio de Janeiro, trouxe à tona o debate sobre o passado, o presente e o futuro da biodiversidade marinha, dos serviços ecossistêmicos e dos mares. O oceano conecta continentes e está presente – direta e indiretamente – na vida de toda a população global. O tema é tão relevante que levou as Nações Unidas a declararem o período de 2021 a 2030 como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável.

Reverter o quadro que lamentavelmente vemos hoje no Brasil e considerar os impactos desse cenário são pautas urgentes. É hora de deixar as atividades rotineiras de lado, ouvir o pedido de socorro e fazer a nossa parte para salvar recursos tão preciosos que não conseguimos viver sem.

A autora é bióloga, doutora em Ecologia e Conservação com foco em ambientes marinhos e analista de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

Planos de Saúde: Um mercado de troca

Ricardo Cotter

 

Todos sabemos que os planos de saúde representam um custo cada vez mais alto no orçamento de famílias e empresas. Mesmo assim, é comum que anualmente quando se dá o aniversário dos planos contratados ou quando um beneficiário completa uma idade que gera a sua mudança de faixa etária e valor, os usuários dos planos aceitem os aumentos muitas vezes por entender que o trabalho que terá na busca por um novo plano, não vai se justificar.

O corretor de plano de saúde, tem como uma das principais funções dentro da venda, buscar alternativas que justifiquem esta troca, o que não gera nenhum esforço adicional de trabalho ao cliente, além do envio da documentação necessária, já que todo o trabalho de avaliação e possibilidades é feito cuidadosamente pelo corretor após uma análise do perfil da massa familiar ou empresarial.

Às vezes, além de uma boa redução apenas com a troca de operadora, a análise do perfil da massa, pode mostrar que planos com Coparticipação também passam a ser boas opções. Desta forma, muitas vezes, o trabalho do especialista na área, que é o corretor do plano de saúde, consegue gerar economias que passam dos 40% e sem perdas relevantes de rede.

Outra coisa que preocupa muito o cliente, é a falta de apoio após a concretização da venda e ai, pode-se detectar um outro diferencial oferecido por corretores especializados atentos a este mercado de troca, e que mantém contato permanente com o cliente visando sempre que aos cumprimento dos 12 meses de contrato, tenha-se sempre a oportunidade de voltar a analisar sua utilização para uma nova troca e, isso só é possível, se o profissional realizar um bom trabalho de pós venda.

Além de todas estas informações, muitos outros fatores podem contribuir para uma boa avaliação, buscando sempre as melhores opções, dentro da melhor relação custo x benefício para o cliente. Para isso, é preciso que o profissional esteja sempre preocupado com inovações e atualizações dentro da área, fazendo cursos, se informando sempre sobre novas opções no mercado, melhores e mais baratas, que possam contribuir com a melhoria do mercado consumidor desse tipo de produto.

 

O autor é formado em gestão empresarial pela Universidade Anhembi/Morumbi e consultor em Planos de Saúde na Brandsaude

 

A MP do Contribuinte Legal e a oportunidade em negociar as dívidas com a União

Andrezza Rodrigues Locatelli

 

O presidente da República Jair Bolsonaro assinou no último dia 16 de outubro a MP nº 899/19, a chamada "MP do Contribuinte Legal". Os contribuintes devedores têm a possibilidade de negociação de débitos tributários federais inscritos na dívida ativa ou em discussão no contencioso judicial ou administrativo tributário, conforme dispõe o artigo 171 do Código Tributário Nacional (CTN), que, até então, não havia sido ainda regulamentado.

O governo afirma que a MP irá auxiliar, nos casos de cobrança da dívida ativa, a regularizar em torno de 1,9 milhão de devedores, cujos débitos junto à União superam R$ 1,4 trilhão. Assim, a medida não pode contrariar decisão judicial definitiva e não autoriza a restituição de valores que já foram pagos ou compensados.

No caso das transações no contencioso, ainda poderiam ser encerradas milhares de processos que envolvem valores superiores a R$ 600 bilhões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), além de R$ 40 bilhões garantidos por seguro e caução. Os beneficiados são devedores com dívidas nas esferas administrativa ou judicial e relacionadas a controvérsias consideradas relevantes e disseminadas.

Com essas determinações, a “MP do Contribuinte Legal” surge com a possibilidade de que, além da proposta individual ou da adesão, o devedor também tenha a iniciativa de propor a transação na cobrança desses débitos. Porém, é expressa ao determinar que a concessão de descontos ficará a critério exclusivo da autoridade fazendária sobre débitos classificados como irrecuperáveis ou de difícil recuperação.

Importante lembrar que a Medida Provisória veda a possibilidade de redução do montante principal do débito, limitando a redução dos juros e multa em até 50% do valor total dos créditos a serem transacionados ou em até 70% para as pessoas naturais, as microempresas ou as empresas de pequeno porte.

Ainda, em termos amigáveis, a MP prevê prazo para dar quitação de até sete anos para os casos gerais, além de dispor sobre a possibilidade de diferimento do prazo de pagamento.

No geral, uma vez ocorrida a transação, para o devedor implicará na extinção dos litígios administrativo ou judicial que discutam os débitos objetos da transação. Por outro lado, para a União, é certo que não haverá transação acerca de temas que não contrariarem jurisprudência favorável à Fazenda Nacional, o que demonstra a intenção em levantar caixa e, consequentemente, diminuir o estoque passivo da União.

O Congresso possui o prazo de sessenta dias para aprovar e transformar a medida em lei, prorrogáveis pelo mesmo período, de modo que as opções de negociação não percam a sua validade.

Ainda será necessário aguardar a regulamentação da Medida Provisória pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para que os devedores fiquem cientes do formato e dos requisitos necessários para a proposta ou adesão de transação, bem como das situações específicas das quais essa "nova" modalidade de extinção do crédito tributário seja aplicável. Vale acompanhar e verificar os eventuais benefícios para pessoas físicas e empresas em optar pela transação.

 

A autora é advogada especialista em Direito Tributário do escritório Meirelles Milaré Advogados

 

Entenda por que a boa e velha poupança também pode ser uma boa opção de investimento

 

Lais Horstmann de Souza

Nos últimos anos têm se popularizado cada vez mais opções de produtos financeiros, especialmente investimentos que prometem altas taxas de rentabilidade. Mas, muitas vezes, a realidade é um pouco diferente daquilo que é oferecido ou compreendido pelas pessoas. Isso porque junto a uma boa rentabilidade, é comum haver taxas de administração, incidência de impostos, baixa liquidez e outras características que devem ser sempre questionadas para que se avalie se o serviço atende realmente à necessidade e não haja surpresas no futuro.

Um dos investimentos mais simples e seguros até hoje é a poupança. Suas regras são definidas pelo Banco Central, sendo que somente instituições autorizadas e fiscalizadas pelo órgão podem oferecer o produto. A caderneta de poupança oferece remuneração garantida. Fora, ainda, que não há incidência de tributação para pessoa física e jurídica sem fins lucrativos.

Além dessas características, sobre os valores aplicados em poupança não há taxa de administração, que gera o mesmo efeito dos impostos de redução da remuneração bruta oferecida no produto. Considerando isso, a modalidade pode, atualmente, bater outros investimentos. É sempre fundamental levar em consideração todos os fatores que influenciam na escolha do investimento mais adequado. Nessa equação, o valor a ser investido e o tempo que você está disposto a esperar para o resgate também são muito importantes. No mercado há produtos, por exemplo, que só podem ser resgatados pelos clientes 45 dias após o pedido ser realizado junto ao banco e esse fator nem sempre é alertado.

Um levantamento divulgado em junho de 2019 pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) apontou que a caderneta de poupança ainda é a escolha de 65% das pessoas que economizam dinheiro. O problema é que as mesmas entidades indicam que 67% dos brasileiros não guardam nenhuma parte dos seus rendimentos mensais. A educação financeira é fundamental para a mudança desse quadro e os números indicam que o cenário pode estar melhorando. Dados do Banco Central de 2018 apontam que, no ano, o volume de depósitos chegou a R$ 2,252 trilhões, o melhor resultado para a aplicação desde 2013.

No Sicredi, instituição financeira cooperativa com mais de 4 milhões de associados e presente em 22 estados brasileiros e no Distrito Federal, a poupança é um dos focos da instituição, tendo em vista que ela incrementa e fomenta o crédito rural, modalidade muito importante para parte dos associados que são produtores rurais. No ano passado, a carteira de poupança do Sicredi teve incremento de R$ 3,7 bilhões (crescimento de 38,7% em relação a 2017), alcançando o volume total de R$ 13,3 bilhões. Atualmente, já são mais de R$ 14,9 bilhões investidos por mais de dois milhões de poupadores do Sicredi.

Considerando tudo isso, a poupança continua sendo uma boa alternativa para quem deseja começar a investir, uma vez que é um produto cujo funcionamento é simples, a rentabilidade é garantida, o dinheiro aplicado fica disponível para resgate imediato e oferece a segurança de um produto regulado pelo Banco Central. Quem investe em poupança em uma cooperativa de crédito ainda conta com o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), com cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Isso sem contar que, quando você investe na poupança com o Sicredi, está colaborando com o desenvolvimento local, pois o dinheiro aplicado volta em forma de crédito rural para a sua região e ainda pode gerar uma renda extra na hora da distribuição dos resultados da sua cooperativa.

A autora é coordenadora de Produtos de Investimento do Banco Cooperativo Sicredi

 

O Samhain no Halloween

Edna Marta Oliveira da Silva

 

Apesar de ser forte a tradição nos Estados Unidos, ela não tem suas raízes naquele país, pois foi introduzida pelos imigrantes irlandeses durante o século 19. Acredita-se que suas origens remontem a uma antiga celebração celta chamada Samhain, realizada em uma era pré-cristã, há mais ou menos 2.500 anos. O Samhain (pronuncia-se ‘souen’ e significa ‘o fim do verão’) era um festival durante o qual o povo celta celebrava o fim do período de verão e se preparava para o início do inverno no hemisfério norte — ou seja, um período difícil para a obtenção de alimentos.

Mas o Samhain não está somente relacionado às questões agrícolas. De acordo com as tradições celtas, é nessa transição entre verão e inverno que, simbolicamente, ocorre a morte do Deus-Sol para que ele renasça do ventre da Deusa-Mãe. Os celtas não somente celebravam os ciclos de verão e inverno, mas também comemoravam a regeneração da terra.

A observação da morte e renascimento da natureza fazia com que os celtas refletissem também sobre a própria mortalidade do ser humano. Assim, paralelamente à observação dos ciclos climáticos, o Samhain tornou-se um período muito espiritual para esse povo. Eles entendiam que, assim como a natureza ‘morria’ para o inverno, o homem também poderia ‘matar’ velhos comportamentos para que novos surgissem e, dessa maneira, contribuir para evolução da própria alma. Não é à toa que esse período de transição entre estações ganhou uma conotação mágica e espiritual, a ponto de os celtas acreditarem que o Samhain também seria a fase mais propícia para o contato com o mundo dos mortos. Para os celtas, os vivos poderiam convidar seus entes queridos, já falecidos, durante o Samhain para se reunirem em torno de um belo banquete. À mesa, inclusive, eram disponibilizados assentos vazios para esses ‘convidados’, ao mesmo tempo em que eram realizados certos rituais para pacificar os espíritos e facilitar a comunicação com o outro mundo. Essa era, basicamente, a tradição da antiga religião do povo celta.

Hoje, pouco temos da essência original do Samhain quando celebramos o Halloween, não é mesmo? Porém, podemos aproveitar para nos reunirmos com amigos e celebrar a vida. Portanto, feliz Dia das Bruxas para você!

A autora é mestre em Letras e professora do Centro Universitário Internacional Uninter.

 

O Prêmio Nobel: o presente e o futuro?

 

André Frota

Ao longo de mês de outubro de cada ano, as comissões de avaliação do Prêmio Nobel divulgam os resultados dos ganhadores anuais, seja do campo da economia, da literatura, da paz. Em 2019 o primeiro ministro da Etiópia Abiy Ahmed Ali foi agraciado com o Nobel da Paz como reconhecimento pelo avanço nas negociações com a Eritreia, estacionadas desde o acordo de Argel, quando se estabeleceu uma trégua armada entre ambos os países. Os esforços do atual primeiro ministro permitiram uma retomada na implementação do acordo e, por isso, os organizadores do prêmio decidiram entregá-lo.

Já o Prêmio Nobel de Economia, entregue ao trio formado por Abhijit Benerjee, Ester Duflo e Michael Kremer, gratifica os estudos desenvolvidos sobre como avaliar a eficácia das políticas públicas. Os pesquisadores inovam ao evidenciar a necessidade de se adotar uma metodologia que incorpora ferramentas de controle estatístico para melhorar a performance de políticas sociais. Em grande medida, os autores desfazem mitos e caricaturas sobre como a extrema pobreza é compreendida, tanto pela classe política, quanto pelos demais estratos da população.

Por fim, o Nobel de Literatura, dado de forma tardia à polonesa Olga Tokarczuk devido aos problemas na comissão de 2018, e ao austríaco Peter Handke, ganhador do prêmio de 2019. As obras da escritora, tais como O Primevo e Outros Tempos (1997) e A Casa Noturna, a Casa Diurna (1998), apontam para um olhar transformador, humano e, em especial, observado pelas lentes de uma mulher. Seja da escritora, seja de suas personagens, suas obras evidenciam a necessária sensibilidade, acompanhada da força transformadora e sempre em movimento dos indivíduos no tempo. Já o austríaco e ganhador de 2019 tem na dramaturgia sua principal contribuição. Roteirista de filmes como Asas do Desejo (1987), Handke tenta romper com a aparente divisão entre literatura e realidade, idealização e materialidade.

  1. conjunto, os três prêmios que aglutinam o campo das humanidades, paz, economia e literatura divulgam para o mundo um conjunto de valores que esses indivíduos simbolizam. O horizonte do diálogo, como base para a paz; o raciocínio, orientado pelas evidências, como base para eficácia de políticas sociais; a sensibilidade transformadora e a fusão entre o mundo imaginário e o mundo real, como base para um cotidiano de maior liberdade. Enfim, os ganhadores do Nobel são e representam o presente, mas inspiram o futuro.

O autor é professor dos cursos de Relações Internacionais e Ciência Política e membro do Observatório de Conjuntura do Centro Universitário Internacional Uninter.

 

Gestão de Micotoxinas: reduzindo o risco em todo o processo produtivo

 

Sarah Antunes

 

As evoluções tecnológicas do setor agrícola têm colaborado diretamente no incremento da produtividade e qualidade dos grãos, mas ainda assim podem ser encontrados problemas sérios na armazenagem e na conservação da produção, proporcionando o surgimento de fungos. Principalmente no Brasil, que possui clima subtropical, o crescimento e a sobrevivência fúngica nas fontes alimentícias são favorecidos por condições de umidade e temperatura ideais para a sua propagação, que ocorre desde os processos de maturação e colheita, até as fases de transporte e armazenamento.

Essa contaminação causa degradações que resultam em grãos ardidos, redução de níveis nutricionais, fermentação, alteração da palatabilidade, e por fim, na produção de micotoxinas, colocando em risco a segurança alimentar e, consequentemente, a saúde dos animais. De modo geral, as micotoxinas podem trazer alguns transtornos como: diminuição do consumo de ração, interferência na imunidade, danos intestinais e hepáticos, queda no desempenho reprodutivo e produtivo, bem como o aumento da mortalidade.

Por todas essas razões, as micotoxinas representam um risco quase que inevitável no sistema produtivo. Elas já estão presentes em 25% do volume total de grãos a nível mundial, gerando uma perda de aproximadamente um bilhão de dólares por ano, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Um fator indispensável de se considerar é que, no sistema de produção de aves e suínos atualmente, o investimento com a alimentação atinge 80% do custo total da produção animal. Dessa forma, torna-se de extrema importância o processo de gerenciamento de risco de micotoxinas, fazendo com que esse alimento ofertado tenha qualidade, para que possa trazer o retorno esperado na produção.

Por meio de ferramentas analíticas que nos auxiliam na detecção de qual ponto do processo esta contaminação está ocorrendo, podemos conhecer a extensão do problema e, posteriormente, determinar as corretas tomadas de decisões. Medidas profiláticas podem ser adotadas já no cultivo e no manejo dos grãos para que inviabilizem a produção fúngica, como colheita no momento certo, secagem a temperaturas adequadas e armazenamento correto. Além do crescimento fúngico que ocorre a campo e durante a armazenagem, há a etapa nas fábricas de rações. Neste caso, podemos trabalhar com um programa de controle de pontos críticos.

A partir deste processo de análise, o uso de adsorventes de micotoxinas torna-se extremamente importante para reduzir o risco e melhorar a rentabilidade do sistema de produção. Ao ser acrescentado na dieta, a tecnologia atua como agente sequestrante – evitando que o intestino dos animais absorva as substâncias. Diversas pesquisas têm demonstrado que tecnologias à base de glucanos extraídos da parede de leveduras com carboidratos funcionais oriundos das algas, são ferramentas eficientes na adsorção de micotoxinas.

O surgimento de micotoxinas pode ser inevitável, mas o controle delas já está nas mãos do produtor, que ao investir em um programa de gestão de micotoxinas de qualidade, com respaldo científico, poderá riscar as micotoxinas da sua lista de preocupações.

A autora é gerente de vendas para suinocultura da Alltech

 

MEU CUIDADO, MEU DIREITO!

MICHELE CAPUTO

                Neste ano, o mês de outubro apresenta-se para nós com uma dupla carga simbólica. É o mês do “laço rosa”, do esforço pela prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer de mama, doença que continua acometendo mulheres e atingindo milhões de famílias. Apesar dos melhores índices em nosso estado, quando comparado com o restante do país, nunca chegará o tempo de suspender essa campanha. Vide o exemplo do que acontece com o sarampo, quando um relaxamento nas ações de vacinação fez que ressurgisse uma doença que estava praticamente erradicada.

                Mas o mês de outubro também deve servir para realçar, aqui no Paraná, as iniciativas e ações voltadas a implantação e fortalecimento dos Cuidados Paliativos, simbolizados pela “borboleta azul”. Aqui e no mundo inteiro o dia 12 deste mês deve ser lembrado como o “Dia Mundial do Hospice e do Cuidado Paliativo” (World Hospice and Palliative Care Day). Para quem ainda não teve oportunidade de participar de algum ato ou movimento nesse campo, esclareço que o termo “hospice”, amplamente difundido nos países europeus, nos EUA, no Canadá e na Austrália, corresponde para nós ao conceito de “hospedaria”, como é o caso da Hospedaria do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, inaugurado em 2004 e comandado pela Dra. Dalva Matsumoto. Ou seja, unidades de atendimento especializado em cuidados paliativos.

                Esse movimento internacional, do qual proponho que a Assembleia Legislativa do Paraná faça parte por meio da aprovação de uma Lei Estadual, foi o autor do lema deste ano: “My Care, My Right!”. A intenção é chamar atenção para o direito que todas as pessoas acometidas por doenças incuráveis têm de receber o atendimento de Cuidados Paliativos adequados, dentro da politica pública de saúde, e a necessidade de priorizar o financiamento de cuidados paliativos na Cobertura Universal de Saúde.
              Em nosso país, a realidade atual nesse campo é dramática. Só em torno de 10% dos hospitais brasileiros contam com equipes de multiprofissionais especializadas em cuidados paliativos, enquanto nos países mencionados o percentual é superior a 70%! Estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas precisem de Cuidados Paliativos no mundo, sendo que 80% moram em países em desenvolvimento. Contudo, apenas 14% recebem cuidados adequados.

                Lamentavelmente, o Paraná não é exceção. Poucos, pouquíssimos são os profissionais e os serviços atuantes nesse campo e muitos paranaenses que precisam dos cuidados paliativos não o recebem. E não o recebem porque muitos profissionais de saúde ainda não sabem o que são, os cidadãos não sabem o que são e os políticos mal sabem o que são.

             Felizmente, vivemos um novo momento no Paraná e fazemos parte de um forte movimento com perspectivas de virar essa página. Graças ao espírito empreendedor e inovador de alguns profissionais, liderados pelo Dr. Roberto Bettega, desde 1994 existe o Grupo Interdisciplinar de Suporte Terapêutico Oncológico (GISTO) no Hospital Erasto Gaertner, dirigido pela Dra. Clarice Yamanouchi. No próximo dia 26, o GISTO, o Erasto Gaertner inteiro e todo o movimento dos cuidados paliativos no Paraná estará comemorando os 25 anos de funcionamento ininterrupto. Até o final do ano, deve ser inaugurado o primeiro Hospice Público do Estado, no próprio Erasto Gaertner, em Curitiba.

O GISTO do Erasto Gaertner tem servido de exemplo e de incubadora de outros serviços, como o do Hospital do Câncer de Londrina, cuja Equipe Interdisciplinar de Cuidados Paliativos oncológicos foi estruturada pelo Drº Luis Fernando Rodrigues, em 2009. Atualmente, o serviço é comandado pelo Drº Marcos Lapa, que neste ano comemora 10 anos de atendimento hospitalar, domiciliar e ambultorial.

                Dupla carga simbólica... laços cor de rosa e borboletas azuis devem continuar sendo símbolos da luta pela saúde... O Drº Erasto Gaertner, médico formado pela UFPR em 1925, deputado estadual em 1934, prefeito de Curitiba em 1951 e um dos fundadores da Liga Paranaense de Combate ao Câncer, criada em 1947, foi precursor dos cuidados paliativos, pois criou as condições para o seu desenvolvimento a partir de 1994.

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O autor foi Secretário de Saúde e é Deputado Estadual.

 

A política binária nas redes

Rubens Bueno

 

A implantação do sistema binário foi sem dúvida um marco na evolução tecnológica mundial. Possibilitou uma verdadeira revolução da informática e colocou o mundo na palma de nossa mão. Os códigos binários que transitam hoje por nossos smartphones são a base de um canal de comunicação de poder imensurável. No entanto, seu uso é capaz, ao mesmo tempo, de promover enormes avanços, mas também retrocessos.

 

Na política essa evolução tem reflexos preocupantes, principalmente nas discussões travadas pelas redes sociais. Em muitas ocasiões, temos a impressão de que o sistema binário se incrustou no pensamento dos usuários dessa tecnologia. Em grande parte, seja qual for o tema, o resultado é 0 ou 1, certo ou errado, contra ou a favor, herói ou vilão.

 

O debate está sendo deixado de lado. Ódio e intolerância se alastram. E as diferenças, tão fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e saudável, se tornaram motivos para um confronto direto, desrespeitoso, e que vai além de qualquer parâmetro mínimo de civilidade. A política se tornou batalha campal nas redes, onde vale desde a desqualificação do adversário até a propagação de mentiras e promoção de campanhas de destruição de reputações. A meta é a desconstrução.

 

E a política é a arte de se construir consensos. É assim desde o início da história da humanidade. Pouco se aprende com os iguais. As diferenças, o que o outro sabe e eu não sei, o pensamento divergente são fundamentais para a evolução humana.

 

Como se tornou uma ferramenta poderosa, o comportamento das redes por vezes se transfere para as casas legislativas e para as discussões em diversos poderes. Quem xinga mais e acua o adversário parece obter uma vitória. Pura ilusão. Trate-se de uma postura que dificulta cada vez mais a solução de problemas e afasta campos políticos que poderiam interagir, amigos que não mais se abraçam e famílias que se distanciam.

 

O pensamento binário não é bom conselheiro. Existem outras inúmeras fórmulas de relacionamento mais eficazes para a evolução não apenas da política, mas de toda a relação humana.

A tecnologia é bem-vinda, mas ainda precisamos pensar.

 

O autor é deputado federal pelo Cidadania do Paraná