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O Paraná e a retomada sustentada do crescimento

*Gilmar Mendes Lourenço

Cálculos realizados pelo Ipardes apontaram variação de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná no primeiro semestre de 2014, contra incremento de 0,5% para o Brasil. Já o indicador acumulado em 12 meses até junho deste ano apurou acréscimo de 3,6% para o estado e 1,4% para a média nacional.

Considerando que Paraná e Brasil cresciam 4,6% e 2,5%, respectivamente, em dezembro de 2013, em bases anuais, é lícito admitir a reprodução regional do cenário de desaceleração da economia do país.

Tal premissa é corroborada pela queda de 0,2% constatada no Índice Paranaense de Atividade Econômica (Ipae) nos primeiros seis meses do corrente exercício, estimada pelo Departamento de Economia da UFPR, englobando os setores primário, industrial e comercial.

De fato, a matriz de produção regional foi bastante afetada pela quebra da safra de verão, provocada pela forte estiagem que atingiu o estado entre janeiro e março de 2014, prejudicando a produtividade do milho e da soja, e pelo encolhimento da indústria, especialmente entre abril e junho, determinado pelos efeitos da ausência de uma orientação macroeconômica consistente para a nação, agudizados com a crise argentina, atingindo diretamente os ramos da metalmecânica, principalmente o de material de transporte.

No caso do agronegócio, a perda acusada no quantum, captada pelo PIB, foi compensada pela conjuntura de preços globais ainda bastante elevados para as commodities alimentares, situando-se, em agosto de 2014, 31,6% acima da média histórica, 1,3% superior a 2013 e apenas 1,3% inferior aos recordes observados em 2012.

Mas o carro-chefe da estrutura produtiva regional, entre janeiro e junho de 2014, foi o setor de serviços, exibindo expansão de 4%, contra 1,1% para o Brasil, graças à conjugação virtuosa entre os desdobramentos dos investimentos em infraestrutura em execução por parte do governo estadual – a despeito da discriminação política e financeira imposta pelo Executivo federal –; a maturação dos projetos industriais de mais de R$ 35 bilhões, atraídos pelo programa Paraná Competitivo; e a natureza ainda vigorosa do mercado de trabalho local.

No que diz respeito a esse último vetor, de acordo com o Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, o Paraná preservou o terceiro lugar na geração líquida de ocupações com carteira assinada entre os estados brasileiros, entre janeiro e julho de 2014, ficando atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais, e respondendo por 10,5% das contratações líquidas do país, sendo 77,7% das vagas produzidas no interior do estado.

O episódio retratado pelo comando, ainda que temporário, dos serviços na dinâmica econômica paranaense resulta de um planejado e articulado esforço de diversificação com dispersão geográfica, em curso por aqui, que deve passar a abrandar a incômoda dependência do estado da operação de um setor específico.

Mais que isso, mesmo sem assumir a condição de ilha de progresso em um país em crise, o Paraná, por meio das transformações plantadas em seu aparelho de negócios, nos anos recentes, encontra-se menos vulnerável aos ciclos de instabilidade no circuito nacional e mais apto a liderar a retomada sustentada do crescimento econômico brasileiro.

 

*Gilmar Mendes Lourenço, economista, é diretor-presidente do Ipardes e professor da FAE

Intercâmbio cultural aumenta as chances de sucesso profissional?

A resposta é sim! O intercâmbio cultural promove uma verdadeira transformação na vida do aluno e, consequentemente, isso representa um diferencial valioso na busca por uma colocação profissional de destaque.

Independente da formação acadêmica, ter um segundo ou terceiro idioma é fundamental para um profissional alcançar cargos de sucesso. E, por mais que se façam cursos no Brasil, a fluência da língua normalmente é conquistada com uma vivência no exterior.

Mais que o aprendizado de um idioma, o intercâmbio cultural proporciona um grande enriquecimento pessoal. Longe dos pais e dos amigos, o estudante precisa enfrentar muitos dilemas diários. O fato de se viver fora do país, em um local desconhecido, com pessoas nunca vistas, traz grandes transformações na vida de quem passa por esta experiência. Sair da zona de conforto é muito positivo, pois é preciso lidar com situações do cotidiano que se tornam complicadas quando se está imerso em outra cultura. O resultado é um grande crescimento e amadurecimento que se reflete também no âmbito profissional, tornando a pessoa mais preparada para os desafios impostos por uma empresa atualmente.

Entre os que já dominam um segundo idioma, há aqueles que optam por fazer cursos de extensão ou profissionalizantes fora do Brasil, o que se torna um diferencial em relação aos candidatos que não passaram pela mesma experiência. Ter aulas com professores estrangeiros pode ajudar o profissional a ampliar seus horizontes.

Dependendo do destino e do período de curso do aluno de intercâmbio, é possível conseguir um trabalho remunerado. As oportunidades variam muito por local, época do ano e esforço pessoal. De acordo com o nível do idioma e do grau de instrução do estudante, é possível conseguir bons empregos na própria área de atuação.

No retorno ao Brasil, certamente se encontra um cenário bem favorável. Em geral, os especialistas em recursos humanos costumam olhar com bons olhos os candidatos que viveram uma experiência no exterior. A fluência na língua e o amadurecimento promovido ganham posicionamento de destaque nos processos de recrutamento e seleção.

Se o candidato também preencher os demais requisitos solicitados pela área em questão, suas chances serão muito maiores dos que tiveram apenas experiências no Brasil. Contudo, é importante lembrar que o bom desempenho e o sucesso numa carreira não dependem apenas de um intercâmbio, e sim do comprometimento do profissional, suas habilidades técnicas e humanas. Mas o intercâmbio cultural pode ajudar - e muito!

 

Ana Luisa D'Arcadia de Siqueira é diretora de Marketing de uma franquia de intercâmbios

Responsabilidade – Montadora de veículos e provedores de internet

Victor Alexandre Bomfim Marins

O Superior Tribunal de Justiça recentemente decidiu caso em que uma consumidora ajuizou ação de indenização por danos materiais e morais, contra a concessionária e a montadora de veículos, por ter adquirido e não recebido o automóvel. Referida pretensão obteve êxito no STJ, inclusive quanto à responsabilidade solidária da concessionária e da montadora de veículos (Recurso Especial nº 1309981).

Quanto à responsabilidade solidária, dispõe o artigo 34 do Código de Defesa do Consumidor: O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos.

Assim, mesmo sem ter a montadora praticado qualquer ato direto frente ao consumidor final, responde ela objetivamente por danos causados a ele.

No referido caso, não restou dúvida que a concessionária usou a marca da montadora, com seu consentimento, para atrair clientes para o negócio. E, nesta linha de raciocínio, com a participação da montadora, a consumidora ficou confiante e segura para concretizá-lo.

Esse entendimento representa maior segurança jurídica e econômica, aos consumidores finais, que celebram negócios com concessionárias de automóveis, autorizadas pelas montadoras, e veem seus direitos lesados.

Contudo, em sentido contrário, para os menos atentos, os provedores de hospedagem de blogs na internet também seriam responsáveis pelo conteúdo das informações. Contudo, tal raciocínio não é tão simples assim. Vejamos a jurisprudência abaixo:

Civil e Consumidor. Internet. Relação de Consumo. Incidência do CDC. Provedor de hospedagem de blogs. Verificação prévia e de ofício do Conteúdo postado por usuários. Desnecessidade. Mensagem de conteúdo ofensivo. Dano moral. Risco não inerente ao negócio. Ciência da existência de conteúdo ilícito ou ofensivo. Retirada do ar em 24 horas. Dever, desde que informado ou URL pelo ofendido. Dispositivos legais analisados: arts. 5º, IV, VII e IX, e 220 da CF/88; 6º, III,,14 e17 do CDC; e 927, parágrafo único, do CC/02...2. Recurso especial em que se discute os limites da responsabilidade dos provedores de hospedagem de blogs pelo conteúdo das informações postadas por cada usuário... 6. O dano moral decorrente de mensagens com conteúdo ofensivo inseridas no site pelo usuário não constitui risco inerente à atividade dos provedores de hospedagens de blogs, de modo que não se lhes aplica a responsabilidade objetiva no art. 927, parágrafo único, do CC/02...(STJ, Terceira Turma, MIn. Nancy Andrighi, resp. 1406448/RJ).

Aqui, objetivamente, o provedor só seria responsável, se comunicado do conteúdo ilícito e/ou ofensivo e não o retirasse no prazo de 24 horas. Só após teria culpa in omittendo.

Por fim, vê-se que a questão da responsabilidade não é tão simples e varia de caso a caso.

 

Victor Alexandre Bomfim Marins é advogado

A construção de um novo oligopólio no Brasil
Por Milton Favaro Junior* Decisão futura a ser tomada pelo governo pode criar um novo oligopólio na economia brasileira, pulverizando toda e qualquer concorrência e deixando a sociedade nas mãos de um pequeno grupo de empresas multinacionais. Estamos falando do setor de pneus, um segmento que já conta com quatro processos por antidumping, válidos desde 2009, contra pneus de passeio, de carga (usados por caminhões e ônibus), motocicletas e bicicletas. Mesmo com as sobretaxas cobradas sobre os importados, essa indústria vem aplicando aumentos sucessivos de preços em seus produtos em patamares superiores à inflação. Em 2013, a média de aumentos foi de 12,7% e até agosto deste ano já foram aplicados outros 9% de reajustes nos pneus de carga, o que representa uma taxa acumulada de 22,84% - e é grande responsável pelo elevado custo do frete de mercadorias no Brasil. O alvo da indústria nacional sempre foi a China – que já conta com processos de defesa comercial -, mas agora a intenção é sobretaxar a importação oriunda de outros seis países, sendo os novos eleitos pela indústria os pneus importados da África do Sul, Rússia, Coreia do Sul, Taiwan, Japão e Tailândia. Essa sobretaxa que a indústria deseja vai afetar 20 marcas de pneus diferentes e representará um choque dos mais sérios para o equilíbrio da concorrência entre produtos, tecnologias, e, mais importante, em preços no setor, caso venha a ser aplicada. A grande questão a ser levada em consideração é se essas medidas vão melhorar as condições do mercado e se os preços dos pneus vão continuar subindo como já estão. O que preocupa é ver que o pneu de caminhão, que já tem taxa de antidumping quando é importado da China, agora terá taxa de antidumping quando é importado de mais seis países. Nós da ABIDIP estamos mostrando paulatinamente ao governo que a indústria não quer apenas se defender atrás dos processos por antidumping, mas quer dominar o mercado de importação de pneus. Os dados são claros: de 2012 a 2013, as empresas que compõem a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos aumentaram suas importações de pneus de caminhão em 62%. Neste ano, elas já são responsáveis por 55% de todas as importações de pneus de carga para o Brasil. Com as novas medidas protecionistas sobre mais seis países, a participação da indústria na importação desses pneus chegará a praticamente a 80%, fato que concretizará um oligopólio dentro da economia. Ao fazer isso, o governo estará dando para a indústria mais poder e será o responsável direto pelo fechamento de empresas importadoras, de truck centers e de revendas de pneus, além de gerar mais desemprego e reduzir o recolhimento de impostos oriundos da comercialização de pneus importados. Tudo isso será feito para defender uma indústria que, ao invés de produzir localmente, importa 55% de todos os pneus usados por caminhões e ônibus que rodam no Brasil e promove aumentos de 22,84% nos preços, sem nenhum controle governamental. *Milton Favaro Junior é diretor-executivo da Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP).
Financiamento imobiliário: governo lança novas medidas para facilitar acesso ao crédito

Por Germano Leardi Neto

O governo federal movimentou-se para tentar manter o mercado imobiliário aquecido em 2014 e nos próximos anos. No mês passado, a União apresentou novas medidas para facilitar a liberação de crédito e diminuir a inadimplência no setor.

A primeira mudança envolve a burocracia. Agora, todos os documentos do imóvel podem ficar concentrados em um único cartório. O objetivo é diminuir os gastos e acelerar o processo de aquisição do imóvel.

Há medidas mais complexas. A principal delas envolve tentar reduzir os casos comuns de inadimplência no financiamento imobiliário. Com as novas regras, os bancos terão mais facilidade na retomada dos bens em casos de falta de pagamento. Nesse sentido, bens como carros, caminhonetes, tratores, entre outros, poderão ser usados como garantia em caso de falta de pagamento. A expectativa é que, com essas novas garantias, os juros possam cair.

Outra mudança está na possibilidade de usar um imóvel já quitado como garantia para financiamento de um novo, aplicando até 3% dos recursos da poupança. Com essa medida, segundo o Ministério da Fazenda, serão gerados até 16 bilhões de reais em novas operações.

A última iniciativa do governo foi a criação do título Letra Imobiliária Garantida. Os bancos vão poder emitir esse título, que será isento de imposto de renda, para captar recursos para financiar unidades habitacionais. Como o título atende a padrões internacionais, isso pode significar que capital estrangeiro também poderá financiar o setor de imóveis no Brasil.

As mudanças nas regras do financiamento são fundamentais, pois ele tem sido a principal força por trás do bom momento do setor. Em 2013, o volume de empréstimos chegou a 109 bilhões de reais, um avanço de 32% em relação a 2012. A movimentação financiou mais de 529 mil unidades habitacionais.

No fundo, a meta é fazer com que o crédito imobiliário represente 15% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nos próximos cinco anos. Atualmente, está na casa dos 8%, representando um índice ainda muito abaixo dos Estados Unidos (80%) e do México (13%).

No entanto, para entrarem em vigor, todas as ações dependem da edição de duas medidas provisórias, de resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) e de emendas a projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional. As mudanças, portanto, vão ser colocadas em prática conforme as aprovações. E o governo garantiu que os resultados das eleições não vão interferir nessas mudanças.

As medidas são extremamente importantes para o setor. Apesar da retração da economia e da restrição ao crédito, o sonho da casa própria continua sendo unanimidade entre os brasileiros. Propostas que vão ao encontro desse objetivo são sempre muito bem vindas.

 

*Germano Leardi Neto é diretor de relações institucionais de uma franqueadora imobiliária

Vôlei Brasileiro: um exemplo no esporte

*Ronê Paiano

No último domingo a seleção brasileira de voleibol encerrou a sua participação no Campeonato Mundial da Polônia como um honroso vice-campeão mundial ao perder por  três a um para a excelente seleção da casa que jogou apoiada por cerca de 20.000 fanáticos torcedores.

Comissão técnica e jogadores merecem ter seu trabalho e empenho reconhecidos, pois a disputa este ano envolveu 21 dias de torneio e 13 jogos até se chegar a final; e principalmente porque no último jogo da fase de classificação três jogadores saíram machucados (além do levantador Bruno). O que nos fez jogar a terceira fase, a semifinal e a final com alguns jogadores, em especial o Murilo, em condições não tão favoráveis.

A superação no jogo com a Rússia e a duríssima semifinal com a França foram jogos épicos e nos deram o direito de disputar a quarta final consecutiva em Campeonatos Mundiais. É importante lembrarmos que desde 2002 o voleibol masculino esteve em todas as finais das principais competições que são os Jogos Olímpicos e Campeonato Mundial, ou seja, em sete finais disputadas quatro títulos conquistados.

Todos os títulos citados acima ocorreram sob a direção do técnico Bernardinho. Um treinador que com a sua filosofia na qual Trabalho + Talento = Resultado torna-se um grande exemplo não apenas aos profissionais da área de educação física e atletas mas também a, empresários, gestores e amantes do esporte.

As últimas derrotas que sofremos em finais trazem um elemento em comum, a alteração da equipe adversária para virar o jogo contra o Brasil. Em Londres, a equipe Russa alterou o atacante Muserskiy do meio para a saída de rede o rendimento dele melhorou, não conseguimos mais neutralizá-lo e a equipe adversária cresceu. No mundial encerrado no último domingo, a seleção polonesa trocou o levantador que alterou a distribuição de bolas, passou confiança aos atacantes e ... o resto já sabemos.

Talvez este seja um caminho para o ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, um elemento surpresa, um fato novo, um jogador que saia do banco para surpreender e decidir, como já fizemos no passado.

A permanência do voleibol brasileiro nas primeiras colocações há mais de uma década no voleibol é mais uma prova de um país que pode dar certo, que não pode depender de acasos que nos tragam um Ayrton, um Guga, um Pelé, mas sim da possibilidade do brasileiro competente que nasce da dedicação, do comprometimento, da seriedade, do objetivo comum e do trabalho em equipe.

 

*Ronê Paiano é graduado em Educação Física pela Universidade do ABC (1986) e mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1998). Tem vasta experiência na Educação Física Escolar tendo atuado como professor e coordenador da área de Educação Física e Esporte (1987 a 2005). Desde 2000 é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie ministrando aulas nos cursos de Educação Física e Pedagogia.

Por que investir numa microfranquia?

Por Henrique Mol

As microfranquias despontaram como grande oportunidade de negócios para aqueles que querem empreender e dispõem de baixo capital inicial. É uma tendência que vem em consonância ao aumento da classe C. Em 2012, o crescimento foi de 22% em relação ao ano anterior. E as grandes protagonistas nesse crescimento são as microfranquias de turismo, serviços de limpeza, manutenção do lar, beleza, estética, cuidado com idosos e aulas particulares.

Se seu perfil é empreendedor, você tem iniciativa, dinamismo e facilidade de relacionamento, a microfranquia é uma boa oportunidade de negócio para você. E, aqui, é muito importante a ordem dos fatores, pois elas alteram os resultados. O faturamento médio estimado para as microfranquias é, de fato, muito atrativo, de até R$ 30 mil, sob um suporte assegurado pela matriz, normalmente, em termos de marketing, treinamento, apoio jurídico e mais.

Mas não é conveniente minorizar o papel prospector do franqueado nessas cifras. Os melhores resultados são normalmente conquistados no próprio ciclo de relacionamento do empreendedor à frente do negócio, o famoso networking. Nesse aspecto, entra o papel ativo do franqueado em divulgar o serviço que oferece e, principalmente, ser lembrado com e-mails e nas redes sociais, por exemplo, sem se tornar inoportuno. O papel do franqueado é ainda mais patente nas microfranquias, por se tratar de um modelo de negócios que demanda pouca mão de obra e não exige, a curto prazo, o estabelecimento de um ponto comercial.

A escolha da microfranquia que melhor se enquadra ao seu perfil é também primordial. Certifique-se de que a empresa compartilha dos mesmos valores que você. Avalie a viabilidade do empreendimento na sua região e observe se os valores de capital de giro divulgados são compatíveis com o mercado. O tempo de maturação da microfranquia, que varia em média de 18 a 24 meses, até que ele possa gerar lucros, é também uma variável super importante a fim de prever o capital de giro que você terá que dispor. As feiras de negócios, a exemplo da levada a cabo pelo Sebrae em todas regiões do Brasil, são boas oportunidades de esclarecimento das dúvidas e contato direto com os idealizadores daquele produto.

O sucesso de um bom empreendimento é menos sobre o tamanho dele e mais sobre o estabelecimento de um bom plano de negócios. Por isso que as microfranquias tem se tornado uma modalidade de negócios tão promissora, com destaque às de turismo.

As microfranquias digitais do setor tem se tornado cada vez mais protagonistas de um dos modelos de negócios que mais cresce no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o crescimento em 2013 foi de 21,9%, impulsionado pela expansão de agências online. O investimento inicial para essa modalidade gira em torno de R$ 3 mil, com um faturamento que pode oscilar de R$ 5 mil a R$ 100 mil. Sem dúvida, uma opção que exige trabalho, esforço e dedicação, mas que pode gerar resultados para lá de satisfatórios.

Henrique Mol é especialista em turismo e sócio-fundador da Encontre sua Viagem, franquia de turismo.

 

Contra a corrupção, não espere ninguém agir por você. Aja você mesmo!

Os destaques das manchetes dos meios de comunicação nos últimos anos estampam, invariavelmente, casos de corrupção envolvendo todas as esferas de governo. Muitos desses escândalos se mantêm por meses nas manchetes e, depois que desaparecem, não sabemos como foram resolvidos, ou mesmo, se foram resolvidos. A repetição desses episódios acaba por gerar uma anestesia nos sentidos da opinião pública, que já não se surpreende com mais nada e, ainda, faz com que muitos achem a corrupção algo intrínseco ao governo e por isso nunca será extirpada.

Em geral, esperamos a ação da polícia, do Ministério Público, das comissões de inquérito do Congresso Nacional ou de outras instituições oficiais incumbidas da fiscalização da coisa pública. Em muitos casos, os interesses políticos ou a inércia burocrática das instituições acaba por favorecer ainda mais a corrupção. Mas, afinal o que fazer se devemos esperar sempre a iniciativa de alguma destas instituições para investigar e punir os casos de corrupção.

Atualmente, o cidadão comum possui instrumentos de controle e fiscalização da coisa pública que podem ser exercidos, pessoalmente ou por meio de organizações que zelam pela transparência e lisura da administração pública. A Lei nº 11.527/2011, conhecida como do acesso à informação ou da transparência, permite a qualquer pessoa interessada obter da administração pública informações sobre atos de governo e registros administrativos, como já previa a Constituição Federal desde 1988.

Esta lei é uma ferramenta poderosa de controle e fiscalização da sociedade sobre os atos do governo, que está à disposição do cidadão comum para que ele exerça seu direito de obter informações, inclusive para exigir das autoridades responsáveis que responsabilizem os governantes pelos atos ilícitos e abusos cometidos. Precisamos agir nós mesmos.

*Rodrigo da Rocha Loures é presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná  (Fiep)

 

A manutenção da vida depende da preservação das florestas

Malena Damasceno

Comemorado em 21 de setembro, o Dia da Árvore é uma data que nos convida para uma reflexão profunda a respeito do que estamos fazendo pelo o meio ambiente. Pois até pouco tempo, quando falávamos em desmatamento, ouvíamos apenas discussões sobre problemas como o efeito-estufa, a perda da biodiversidade e o aumento da poluição. No entanto, com o passar dos anos, percebemos que as consequências são muito mais preocupantes.

Com as derrubadas na região amazônica, a umidade relativa do ar foi reduzida, o que tornou o clima mais seco e interferiu diretamente no volume das chuvas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, de maneira nunca antes vista. Em São Paulo, por exemplo, foi registrada uma das piores secas da história, o que resultou na baixa dos reservatórios de água que abastecem a maior metrópole do País.

Isso tudo ocorre porque a Amazônia é a responsável por bombear para a atmosfera a umidade que se transforma em chuva. Para se ter uma ideia de sua importância, uma única árvore é responsável por colocar no ar mais de 1.000 litros de água por dia. Inclusive, um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e o Instituto de Física Nuclear de São Petersburgo, na Rússia, aponta que, em algumas áreas do planeta, mais de 60% do transporte de umidade é realizado por meio da ação direta da floresta.

Além disso, ao avaliarmos o nosso território florestal, notamos que o Rio Amazonas, considerado o mais volumoso do mundo, despeja no Oceano Atlântico 17 bilhões de toneladas de água por dia. Já a floresta amazônica, nesse mesmo período, consegue lançar na atmosfera 20 bilhões de toneladas de água.

Diante da gravidade do problema e da nossa dependência das árvores, uma das formas de controlar essa devastação é propagar a ideia de que florestas em pé são mais valiosas do que derrubadas. A iniciativa, que conta com o apoio de instituições públicas e privadas, ajuda a transformar as árvores em uma valiosa fonte de renda e ainda promover o desenvolvimento social.

Hoje, como o setor industrial busca cada vez mais formas de vegetalizar as suas produções, as empresas investem nas fórmulas feitas a partir de matérias-primas da natureza. Para esse processo, apostam nas parcerias com comunidades da região amazônica e, por meio de treinamentos e capacitações, ensinam que é possível extrair frutos e sementes da biodiversidade brasileira sem agredir o meio ambiente. A proposta é que projetos como esse transformem a floresta em uma perpétua fonte de renda, ajude a preservar o meio ambiente, garanta uma fonte de renda extra e ainda tenha condições de restaurar a dignidade e a visão de melhoria de futuro dos moradores dessas regiões.

No entanto, vale ressaltar que essa é apenas uma das iniciativas realizadas para combater o desmatamento. O primeiro passo é enxergar que qualquer espécie viva depende das árvores para garantir a sua sobrevivência. Respeitar o meio ambiente, é criar mecanismos que possibilitem o investimento no desenvolvimento social e na obtenção de lucros de forma consciente, é a união desses elementos que forma a base do tripé da sustentabilidade.

 

*Malena Damasceno é gerente de Biodiversidade da Beraca, empresa líder mundial no fornecimento de ingredientes provenientes da biodiversidade brasileira

Preservação de áreas verdes urbanas contribui com a qualidade de vida

Paulo Figueiredo

Quando falamos em Dia da Árvore, comemorado em 21 de setembro, costumamos lembrar das florestas. No entanto, a conservação de árvores em áreas urbanas é uma iniciativa que também merece uma atenção especial. Isso porque um estudo divulgado recentemente por pesquisadores da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, apontou que os moradores de bairros com menos de 10% de áreas arborizadas são mais propensos a sofrerem com sintomas de depressão, estresse e ansiedade.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o recomendado é que exista um mínimo de 12m² de área verde por habitante. O número está bem distante de algumas cidades brasileiras, como São Paulo. Apesar de dados divulgados pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente apontarem que a cidade possui 12,43 m² de área verde por habitante, quando consideramos apenas a mancha urbana da capital paulista, ou seja, o conjunto de ruas, residências e comércios, o município tem uma média 2,6m² por pessoa. Na contramão temos Goiânia, a capital de Goiás, que possui 94 m² de área verde por habitante. Esse é o segundo maior índice do mundo e fica atrás apenas de Edmonton, no Canadá.

Porém os espaços verdes vão muito além da beleza e bem-estar, as árvores atuam no combate à poluição, contribuindo para melhorar a qualidade do ar respirado, reduzem o calor e a incidência direta de raios solares, além de serem importantes para a retenção das águas das chuvas, reduzindo a ocorrência de enchentes.

Diante de tantos benefícios, a preservação e cuidados com esses espaços verdes se transformaram em ações extremamente importantes. Para isso temos a Silvicultura Urbana, uma atividade responsável pelo cultivo e manejo de árvores em busca do bem-estar fisiológico, social e econômico da sociedade urbana. A partir desse trabalho, os profissionais conhecem as melhores técnicas de poda, visando à preservação da vida das árvores e todo o entorno em que estão localizadas, como a fiação de rede elétrica, postes, residências.

O mercado de equipamentos também se fortaleceu para atender esse segmento e demonstra que a preocupação não é apenas com a preservação dos espaços verdes urbanos, mas também com a segurança dos profissionais do segmento. Já existem no mercado podadores, sopradores e motosserras que produzem resultados muito mais efetivos no processo de poda de galhos mortos e podas de limpeza. Pois são leves, ergonômicos e potentes, exigindo menos esforço físico na operação e ainda garantem aumento da produtividade.

A manutenção das árvores com equipamentos corretos e profissionais preparados são extremamente importantes e devem ocorrer não apenas no verão, época de chuvas fortes e quando aumentam os registros de quedas, mas durante o ano todo de maneira preventiva, seja em áreas públicas ou privadas. Temos que saber cuidar das árvores para que elas continuem cuidando de nossas paisagens e de nossa saúde.

 

Paulo Figueiredo é técnico de produtos de um grupo industrial que atua com equipamentos para o manejo de áreas verdes