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Alta taxa de desocupação em imóveis: há motivos para pânico?

Germano Leardi Neto

Recentemente, as notícias do mercado imobiliário retratam um cenário de preços estagnados, vendas em desaceleração e uma alta taxa de imóveis desocupados. Mas, calma, nem tudo está perdido e ainda há boas oportunidades no setor.

Primeiramente, o segmento de imóveis tem alta rotatividade. As pessoas se casam, separam, falecem, se mudam, vendem para rentabilizar ou compram para investir. Todos esses fatores fazem com que o mercado esteja sempre em movimento, por mais que não seja no mesmo ritmo que vimos há algum tempo.

Segundo uma pesquisa da consultoria Cushman & Wakefield, a taxa brasileira de edifícios comerciais de alto padrão vagos saltou de 13,2%, em 2012, para 18,6% no ano passado. A expectativa para 2014 é de que os números se mantenham no mesmo patamar ou até que ultrapassem 21% em 2015.

Embora, a princípio essa notícia pareça negativa, ela está diretamente relacionada com o avanço do mercado imobiliário nos últimos anos. Conforme novos prédios e imóveis comerciais foram subindo, o mercado passou a ter mais vagas disponíveis. Para se ter uma ideia, em 2013, foram entregues 1,1 milhão de metros quadrados comerciais no Brasil, número duas vezes superior aos 500 mil metros quadrados de 2011. Vivemos um boom e agora vemos as coisas se assentando.

O movimento está fortemente atrelado ao desempenho da economia. Tivemos uma explosão, um alto poder de consumo e endividamento. Hoje, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo na casa dos dois pontos percentuais, o apetite do consumidor não é mais o mesmo. Tudo absolutamente normal. Os ciclos são inerentes ao capitalismo.

Independente dos motivos, é preciso estar atento às tendências do mercado. Se a taxa de imóveis comerciais desocupados continuar em médio prazo, significa que o valor do aluguel pode cair nas renovações de contrato. É a velha lei da oferta e da procura: se o locatário tem mais opções de salas comerciais para escolher, isso significa que ele vai ter mais facilidade para negociar preços (ou buscar imóveis mais baratos).

E os números de um estudo realizado pela Colliers Internacional corroboram com esse raciocínio. Após um constante crescimento até 2012, o valor médio do metro quadrado dos escritórios A e A+ em São Paulo caiu 3% em 2013 para chegar a R$ 121,73.

Também não há nenhum motivo para pânico. Essa variação demonstra como o mercado imobiliário tem oscilações naturais. Isso significa, também, que quem está atento pode aproveitar as mudanças para tirar vantagens. Só para ter uma ideia, em 2004, a taxa de imóveis comerciais desocupados estava acima dos 20% e, sete anos depois, ficou próxima de zero. Mais uma prova de que quando se trata de imóveis e de economia, tudo pode mudar.

Germano Leardi Neto é diretor de relações institucionais de uma franqueadora imobiliária

 

Ponta Grossa é única

Governantes eleitos de qualquer nível, seja federal, estadual ou municipal, assim que tomam posse, costumam dizer que se trata do início de uma nova era nos seus respectivos domínios de ação. É comum ouvirmos frases de efeito que proclamam um novo Brasil está nascendo, ou é um novo Paraná a partir de agora. No entanto, com o passar do tempo, percebemos que aqueles que eram para ser a novidade, logo apresentam características e atos iguais aos dos seus antecessores.

Políticos costumam nos vender essa falsa ideia, na qual o que é novo deve ser bom, e o que é velho, sem dúvida é ruim. Entretanto, isso não passa de um preconceito velado, além de uma boa dose de ignorância. E infelizmente, no Brasil, esta tosca noção de valores, também nos cobra um preço muito alto em questões culturais, arquitetônicas, ambientais, econômicas e sociais. Na maioria das cidades brasileiras, em nome de uma pseudomodernidade, se destruiu um vasto e incalculável Patrimônio Histórico e Natural, para dar lugar à obras públicas absurdas (quase sempre superfaturadas), ou para a tão comum especulação imobiliária particular. Preservação da História e da natureza para muitos brasileiros, não passa de uma vã e inútil bobagem, valendo mais o lucro imediato ou duradouro, desde que traga algum benefício privado, em detrimento do bem coletivo.

Porém, neste artigo não pretendo entrar no pantanoso terreno da personalidade nacional e local, pois sei que não mudarei a postura daqueles que pensam dessa forma, seja por instinto, por herança genética ou mesmo pela desenfreada ambição do ser humano, tão valorizada nestes tempos superficiais de aparências enganosas, e de redes ditas sociais que nos tornam cada vez mais antissociáveis. Longe disto. Minha intenção é bem mais modesta, contudo, não menos importante. Para isso, retorno à introdução do texto, onde escrevia sobre a dicotomia entre o velho e o novo, mas colocando a nossa cidade no centro da análise.

Agora, fala-se muito em uma tal nova Ponta Grossa, que está surgindo em especial, devido ao novo momento político local, com inegável renovação de quadros, e principalmente ao atual e inédito desenvolvimento econômico do município, em desfavor da velha Ponta Grossa. Logo, o que se depreende disto, é que esta representa uma velhacaria ultrapassada, conservadora, elitista, retrógrada, forjada por coronéis, etc., enquanto aquela, é dinâmica, moderna, arrojada, plural e progressista.

Ocorre que se assim for, essa nova Ponta Grossa já nasce sob o signo da ingratidão para com os nossos antepassados, desde os desbravadores tropeiros até aos nossos pais ainda vivos ou mortos, afinal, não existiria a nova cidade sem a velha cidade. Ponta Grossa é uma só, onde todos nós passaremos, mas ela permanecerá, com seus defeitos e suas virtudes, com sua História feita por ricos e pobres, por brancos e negros, nativos e imigrantes, homens e mulheres, jovens e idosos, enfim. E é muito bom que assim seja. Portanto, nestes 191 anos da Princesa dos Campos Gerais, decretemos de uma vez por todas, que não existe velha nem nova Ponta Grossa. Só existe a Ponta Grossa, e ela é única, assim como cada um de nós.

Sandro Ferreira, cidadão ponta-grossensse

Como motivar as pessoas?

Segunda-feira, o despertador toca as cinco horas. Rapidamente, minha esposa se levanta. Ela precisa preparar o café da manhã e arrumar as crianças para a escola. Eu preciso me levantar para ir trabalhar. Toda vez que o despertador toca, eu fico pensando: ‘Por que preciso levantar agora? É tão cedo’. Mas, em seguida, me lembro do sorriso dos meus filhos e da satisfação da minha esposa, pois posso proporcionar a todos eles uma vida tranquila em uma casa confortável. Esse é o motivo que me faz sair de casa muito cedo, enfrentar o trânsito, ser um bom funcionário e ainda me dedicar aos estudos. Já minha esposa, levanta todos os dias com o mesmo pique, simplesmente porque nossos filhos precisam, e eles crescem cada vez mais saudáveis. Enfrentamos qualquer dificuldade para fazermos nossa família feliz.

Usei este relato fictício com o intuito de diminuir a complexidade em torno do conceito de motivação e levar ao nível mais básico. O texto acima aborda os principais fatores que compõe a motivação: motivo e ação. O motivo são os propósitos que nos levam a fazer algo por nós. Isso quer dizer que todas as pessoas têm dentro de si motivos para fazer algo e, colocam isso em ação para chegar a um fim. Ou seja, todos nós perseguimos nossos objetivos. E não estou aqui falando de grandes objetivos, falo dos mais simples também.

Quando vamos ao campo psicológico, as coisas ficam mais complexas. Segundo a teoria de Maslow, a motivação envolve fenômenos emocionais, biológicos e sociais e é um processo responsável por iniciar, direcionar e manter comportamentos relacionados com o cumprimento de objetivos. Se voltarmos a simplificar, os fenômenos emocionais se encaixam perfeitamente nas coisas que nos dão prazer. Os biológicos, o que é necessário para a nossa sobrevivência. E os sociais, os que nos fazem viver dentro da sociedade e suas obrigações.

Então, se a motivação vem de dentro e todos a possuem, por que há pessoas desmotivadas?

Ninguém chega a lugar algum sem objetivos. E eles devem ser constantes, ou seja, concluiu um, cria-se outro. Temos que ter grandes objetivos, médios e pequenos. Devemos criar e planejar os passos para cada um deles. E o mais importante, ir atrás até conseguir. Às vezes, não temos tudo o que queremos, mas, o fato de persistir, nos faz motivados e esse é o grande ponto de tudo o que foi dito até agora.

Pessoas desmotivadas não produzem. Diferente do pessoal, no campo profissional, a motivação não é somente intrínseca, há fatores externos que influenciam diretamente na produtividade. Neste caso, o líder, precisa estar atento e identificar quais problemas geram um ambiente desmotivado dentro da empresa.

Para isso o essencial é criar um clima onde as pessoas sintam-se motivadas. Bom salário e benefícios não são suficientes. O bom líder é aquele que encoraja seus funcionários a serem mais criativos, que dá autonomia em suas ações, que traça objetivos mas com flexibilidade para alcançá-los, que foca nas possibilidades, não nos problemas.

O verdadeiro líder faz com que seus colaboradores sintam-se especiais e capazes de atingir seus objetivos profissionais e pessoais. Propiciar um ambiente de trabalho confortável e ao mesmo tempo desafiador faz com o que o colaborador se sinta reconhecido. E não há nada mais motivador para uma profissional que o reconhecimento. Faça isso!

 

Marcelo Cardoso é especialista em coaching, PNL (Programação Neuro Linguística) e fundador da Arco 7

Os cinco impactos que as fusões industriais causam no varejo

Frequentemente ocorreram fusões, aquisições e venda de marcas entre indústrias de bens de consumo de alto giro, tais como a recente venda divulgada na mídia, da Niely para a L’Oréal. Estas movimentações podem ocorrer por diversos fatores, tais como: para ganhar participação de mercado; entrar em segmentos de mercado de alto interesse; sair de categorias de baixa relevância; melhorar a valorização da empresa, entre outros.

No caso específico da compra da Niely pela L’Oréal, o presidente da subsidiária brasileira, declarou que a Niely tem alta penetração na crescente classe média brasileira, e isso irá complementar de forma positiva a linha de produtos da marca francesa voltada para esse público.

Obviamente que tais movimentos geram impacto direto nos canais de distribuição dos produtos em questão, o que sempre traz efeitos ao varejo. E como tudo na vida, alguns positivos e outros negativos. Vamos falar um pouco sobre cinco impactos.

Concentração de marcas em poucos fornecedores - para o varejo pode ser perigoso, uma vez que a indústria ganha poder de negociação com um portfólio maior. No entanto, de outro lado, pode vir a facilitar a gestão do sortimento bem como com relação a questões logísticas.

Mudanças estratégicas de gestão das categorias e/ou marcas - pode gerar instabilidade na execução dos planos junto ao varejo quando uma marca atravessa fases de transição constantes. De outro lado, pode também ser positiva uma mudança de estratégia de marcas, quando no caso o desempenho vem apresentando queda.

Revisão e renegociação de contratos de fornecimento - sempre que há fusões e aquisições, as indústrias buscam entender e renegociar contratos de fornecimento, que por ventura possam existir com o varejo. Claro que isso pode impactar diretamente o resultado do varejo, uma vez que durante o período de negociação ao menos, e muitas vezes após também, pode-se alterar o modelo de atuação das marcas.

Reestruturação na equipe de vendas, que tende o varejo - este é outro tópico, que nem sempre tem a importância devida, mas sempre que há uma alteração organizacional, também ocorre um período de curva de aprendizado no tratamento e no relacionamento entre vendedor x comprador, o que certamente repercute no resultado das categorias e/ou marcas. Pode demorar mais ou menos para se ajustar, mas sempre ocorre uma fase de adaptação.

Serviço prestado ao cliente do varejo, ou shopper - o que pode ocorrer neste caso é quando um varejista utiliza de determinado produto e/ou marca para atender necessidades específicas de seu público alvo, e após alguma movimentação da indústria, deixa de contar com tal produto e/ou marca. Certamente o varejista terá que refazer suas análises e redefinir sortimento, para manter a qualidade de atendimento ao seu shopper.

Como podem ver, um simples movimento de aquisição na indústria, pode trazer muitos impactos ao varejo. Portanto, é importante estar sempre muito atento ao mercado, e preferencialmente estar preparado para quando ocorrer uma movimentação de impacto a seu negócio.

 

Marcelo Murin é administrador de empresas com especialização em marketing e sócio-fundador da Officina di Trade

O alto preço pago pelo ‘coitadismo’

Giovanni Luigi Schiavon

A exclusão do Grêmio da Copa do Brasil por atos racistas da torcida contra o goleiro Aranha, do Santos, abre um precedente absurdo para o futebol brasileiro. Prova o quanto o STJD é manipulável pelo clamor popular e o quanto nós estamos errados quando tentamos corrigir os problemas do nosso país. Iludido é aquele que acha que o futebol brasileiro há de ser uma maravilha de primeiro mundo quando se vive em um país com mente de quinto. E ignorante é aquele que acha que profissionais e torcedores de um clube devam ser punidos por um ato de negligência de um grupo de indivíduos que se dizem torcedores.

Ademais, exacerbada foi a decisão tomada pelo STJD na quarta-feira passada contra a instituição Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, principalmente quando se trata de um Clube que investe pesado todos os anos em campanhas contra o racismo, um Clube que possui um hino idolatrado por toda sua torcida composto por Lupicínio Rodrigues (compositor negro) e uma estrela dourada no píncaro de seu brasão a qual homenageia um de seus maiores atletas: Everaldo, lateral esquerdo, gaúcho e também negro. Se, mesmo diante tais veracidades e simbologias, a população e, por consequência, a Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva insistem em rotular de racista o Clube em questão e puni-lo por isso, creio que a humanidade esteja perdendo seu senso de lógica e compaixão. Eu, enquanto gremista fanático, intolerante a qualquer injúria racista e ainda descrente com um resultado classificatório ao Grêmio na Copa, não contesto tal decisão apenas no campo desportivo, todavia penso que, mesmo a tantas políticas e movimentos de cunho igualitário e abolitivo no que diz respeito à segregação de qualquer grupo de indivíduos que o país vem formando, creio que, paralelamente, um retrocesso descuidado no âmbito da liberdade de expressão também esteja sendo causado. Pois a interpretação equivocada por outrem de qualquer ato que, por um azar, acentuado perante um terceiro venha a se familiarizar com a problemática (lê-se problemática no sentido de um conjunto de problemas relativos a um assunto) que aquele detém ou esteja inserido, poderá causar sérios danos ao indivíduo erroneamente interpretado.

Portanto, essa flagelação dos princípios humanos somada à velha lei do ‘tirar proveito’ estão, por conta dessas políticas e fomento irresponsável ao ‘coitadismo’ por parte do Estado, cimentando uma rechaça a nível macro no que tange a liberdade de expressão do indivíduo e, consequentemente, sucateando e pondo em xeque perante uma grande parcela da população os órgãos competentes às leituras e penalizações desses problemas. Infelizmente estamos trilhando, assim, rumo à inoperância de discussões e debates relativos aos temas da ‘’modernidade’’, pois nunca se sabe quando um ‘’espertinho AI-5’’ de plantão estará por perto para nos causar algum transtorno, ou ainda, quando, imerso a esse grupo de debate, estiver mais um daqueles idiotas bancando os tão numerosos e populares ‘teóricos anarquistas tupiniquins’.

Giovanni Luigi Schiavon
Acadêmico de Engenharia Civil – UEPG

Angus, um divisor de águas na pecuária brasileira

 

* Valdomiro Poliselli Júnior

Há muitos anos, o Brasil luta para melhorar o padrão da carne produzida no campo, com suas mais de 200 milhões de cabeças, onde predomina a genética zebuína. Especialmente nas últimas três décadas, os pecuaristas realizaram inúmeras experiências no cruzamento industrial, utilizando várias raças e tentando melhorar o rendimento e a qualidade. O Angus, já enraizada no Rio Grande do Sul, prospera, avançando no Centro-Oeste e demais regiões de pecuária, embalada pela multiplicação da IATF (Inseminação Artificial por Tempo Fixo) e pelo programa de certificação desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, que envolve bonificação aos produtores.

O mercado de cruza Angus desabrochou, alastrando-se por todos os Estados da Federação. Juntos, o Angus e o Red Angus bateram recorde em vendas de sêmen em 2013, com mais de 3,5 milhões de doses, mérito que deve se repetir neste ano. Esse aumento, que é recorrente, deve-se pela qualidade de sua carne. Quem já experimentou um corte Angus sabe exatamente do que estou me referindo. Até raças sintéticas, adaptadas ou mesmo a japonesa Wagyu usam o Angus para incrementar essa característica.

Casamento perfeito com o zebuíno brasileiro, resultando numa verdadeira explosão em ganhos de heterose. A resposta logo aparece no bolso do produtor. Os preços são diferenciados, por exemplo, para os bezerros e bezerras deste cruzamento, chegando a R$ 400. Considerando que um reprodutor Angus PO, bem adaptado para o serviço a campo, produza, em média, 30 filhos por ano, significa que o incremento no final do ciclo será de nada menos que R$ 12 mil por ano por reprodutor,  rentabilidade jamais vista na pecuária nacional. E se ele entregar um produto terminados em confinamento, com carcaça padronizada e acabamento de gordura acima de seis milímetros, aos 20 meses de idade, vai lucrar ainda mais. Hoje, uma fêmea de 16 arrobas alcança preço de boi gordo, sem contar a bonificação de 10% que recebe pela carcaça diferenciada.

Todos os dias, em todas as direções, pecuaristas modernos se rendem a raça,  utilizando-a como ferramenta para maximizar os ganhos em rendimento, qualidade e remuneração. Atualmente, toda a carne que provém dessa extraordinária raça é direcionada ao mercado interno. Quando tivermos volumes suficientes para exportar, trabalhando mercados de melhor remuneração, imaginem a rentabilidade que poderemos alcançar.

Possuímos o maior rebanho comercial do mundo e mais de 80 milhões de fêmeas zebuínas em idade reprodutiva, prontas para receber essa genética da raça com os maiores índices de avaliações e mensurações em número e qualidade de carne em todo globo terrestre.

 

* Valdomiro Poliselli Júnior, titular da VPJ Pecuária, Jaguariúna (SP)

Inteligência em vendas – A arte de gerar o inusitado

Desusado, desconhecido, estranho, novo, extraordinário, especial, raro, incógnito, misterioso, essas são algumas definições que encontrei para a palavra inusitado cuja origem é da palavra latina inusitatu.

Em tempos onde todos tentam ser diferentes, o que acaba tornando quase todos iguais, existe uma crença, quase uma obsessão pela diferença, por agregar valor, por acompanhar mudanças acreditando cegamente que se tudo for feito certinho com algo a mais, o tão sonhado e indefinido sucesso será alcançado.

Creio que devemos buscar o algo a mais, aperfeiçoar talentos, mas na verdade, o diferente, o inusitado está em fazer tudo aquilo que todo mundo sabe, porém com mais persistência, eficácia, paixão, talento, foco e não abrindo mão de técnicas de gestão.

Não existem receitas para o sucesso, existem dicas, exemplos, conceitos, causos. Porque, na verdade, cada um de nós vai ter de criar o seu próprio sucesso, seja ele do tamanho de seus sonhos, sua ambição, ou algo que traga a sensação de autorrealização.

Olhando atentamente, percebo que pessoas consideradas talentosas têm o hábito de sempre fazer uso de dois ingredientes que fazem a grande diferença no resultado final nos jogos da vida. Vamos a eles:

Conhecimento e uso de técnicas de gestão. Técnicas de gestão existem para serem usadas, testadas e aperfeiçoadas na sua realidade. É impressionante e chega a ser triste a incrível quantidade de pessoas que não planejam suas vidas e carreiras, não conseguem sequer escrever seus objetivos em uma simples folha de papel. Podem fazer uso do Network, mas não o fazem, ainda confundem Marketing com Propaganda e Publicidade ou insistem em acreditar que mudar o nome do departamento de Recursos Humanos para Talentos Humanos significa atrair e reter talentos. Entenda que para tudo existe ou pode ser criada uma técnica, um modelo, portanto faça uso do benchmarking, técnicas de qualidade, finanças, marketing, entre tantas outras. Pode ter certeza que não é o nome do setor de RH que vai motivar os profissionais de sua empresa, mas sim a capacidade que sua empresa tem de treinar, desenvolver, reconhecer, motivar, cultivar relações e respeitar a todos que nela trabalham.

Capacidade de criar o inusitado. Aí vem o tempero pessoal, ou seja, a capacidade que cada um tem de surpreender, de agregar valor, de conseguir usar os seus talentos a seu favor e de sua equipe. O inusitado tem a ver com o novo, com o diferente, ser único, e por que não ser a melhor alternativa para aquela circunstância ou momento? Para isso é preciso estar com a autoconfiança e a autoestima equilibradas, aceitar e conhecer sua personalidade e dons e autopercepção afiada para saber o que, quando e como mudar. Mudar é fácil, difícil é saber a hora certa de mudar. Creio que a diferença está nas relações que cultivamos, em aceitar e ponderar a diversidade, em criar desafios, em apostar na superação de seu potencial. Técnica podemos aprender, mas um ser humano temos que desenvolver.

É justamente na capacidade de utilizar técnicas e de gerar o inusitado no cotidiano que aprendemos que podemos criar o inesperado, algo positivo, porque o que todos esperam da gente já sabemos de cor e salteado.

 

Paulo Araújo é especialista em Inteligência em Vendas e Motivação de Talentos

 

Ponta Grossa e suas 191 contradições

Emerson Pugsley

Mais um aniversário de nosso município chegando. Todos preparando-se para os momentos comemorativos. É hora de relembrar o hino da cidade, visualizar a bandeira de cor azul, tão bonita e de beleza ímpar, hasteada nos mastros dos prédios públicos.

Todos em direção para a Avenida Vicente Machado, pois teremos o tradicional desfile, envolvendo as diferentes instituições públicas e privadas. Desde as criancinhas até os mais idosos, o envolvimento é total. Alguns inclusive, veteranos de guerra que aqui residem. As diferentes bandas e fanfarras dando o tom para a festa.

São 191 anos de um povo lutador, o qual muitas vezes grita, não fica conformado. Pena que seus gritos são abafados, esquecidos.

Dos grandes edifícios em construção, das exposições as quais enfeitam o centro da cidade, dos parques fantasmas, dos acidentes de trânsito constantes, das estatísticas preocupantes. Nos destacamos como mau pagadores do IPVA, na criminalidade, na penitenciária modelo, nas noitadas quentes literalmente, onde jovens matam jovens, onde a luz caminha ao lado das trevas.

Lembramos agora, de todas aquelas pessoas, anônimos e famosos, os quais aqui passaram e construíram esta cidade. Se hoje temos ruas, alguém chegou antes para abri-las em meio ao pó e pedras. Se temos construções e indústrias, alguém precisou suar a camisa para colocá-las em pé nos seus alicerces.

Também dos nossos eternos problemas, como a questão do lixo e do terro descontrolado do Botuquara, da tão discutida e controversa festa do chope escuro, da Avenida München e suas facadas e tiroteios. Isto, sem falar nos pobres e frágeis bebês, os quais muitas vezes morrem, sem atendimento de qualidade. É a saúde municipal, caminhando direto para o Pronto Socorro.

Estamos na vitrine mundial, com os nossos banheiros transparentes, monumentos esquisitos e outros não compreensíveis. Ainda não conseguimos dar uma utilidade para a Arena Igreja. Com suas falhas estruturais, a mesma é mais um elefantinho branco apenas.

Também nos destacamos na área da habitação. Quantos novos condomínios sendo instalados, alguns de muito luxo e beleza. Outros bem simples. E ainda, daqueles moradores de ruas, os quais têm como cobertor nas noites frias, apenas um pedaço de papelão e um cachorro pulguento.

Terra do frio e do calor, das secas e das chuvas intensas, do rio e das cachoeiras, da abundância e da escassez de recursos. Do menino do’ pé grande’, o qual nos emociona até hoje, pois nunca tinha utilizado um calçado.

Do pré até as universidades e novas faculdades, das escolas públicas e particulares e dos cursos técnicos. É a profissionalização de um povo lutador, buscando os meios pela sobrevivência cotidiana.

São 191 anos de vida. Teremos muitos anos pela frente, para que com fé e esperança, possamos trilhar o caminho da igualdade social e do respeito a população que aqui reside. Parabéns Ponta Grossa!

 

 

Emerson Pugsley, cidadão ponta-grossense

A crise existencial das emissoras educativas

Ser rádio educativa nunca foi tão difícil no Brasil. De um lado, pressionadas pela política do governo de multiplicar e fortalecer as rádios comunitárias, o número já passa de cinco mil e aumenta mês a mês, com habilitações que parecem não ter fim. De outro, existe a pressão legal e financeira das emissoras comerciais, o que deve ficar ainda mais complexo depois da migração das AMs para o espectro FM. Somem-se a isto as limitações de uma legislação ultrapassada e pouco eficaz, que limita a sustentabilidade e é muito subjetiva em relação ao que uma programação educativa deve ter.

A realidade é complexa e atinge todas as quase 200 concessões educativas de rádio em operação no Brasil. Situação que, historicamente, faz com que muitas rádios captem recursos atuando como uma emissora comercial, o que não é permitido por lei. Outras tantas precisam ser subsidiadas em sua totalidade por mantenedoras, organizações que normalmente têm outras prioridades de investimento.

Apesar de todas as dificuldades, acredito que é dever dos dirigentes de emissoras educativas buscarem alternativas que garantam o cumprimento do papel legal, cultural e social. E aí, vejo dois caminhos. Um deles é participar das discussões pela modernização da legislação.

Já estão tramitando em Brasília projetos de lei para permitir que emissoras educativas superem as dificuldades atuais de sustentabilidade financeira. Resultado das discussões de uma subcomissão criada na Câmara dos Deputados e que teve os trabalhos concluídos no primeiro semestre deste ano. Mas é preciso ir além e colocar na pauta discussões para que tenhamos critérios mais concretos em relação à programação das educativas.

Outro caminho é buscar iniciativas para integrar programação diferenciada e sustentabilidade financeira, algo que, para muitas pessoas do meio, ainda parece impossível. E isso passa pelas leis de incentivo à cultura, principalmente a Lei Federal 8.313/91, conhecida como Lei Rouanet.

Depois de muito estudo e dedicação, conseguimos fazer com que a emissora educativa Lumen FM se tornasse a primeira rádio do Brasil com programação inserida na Lei Rouanet. O benefício é duplo. A aprovação do Ministério da Cultura mostra que o caminho de programação que escolhemos atende os preceitos do que uma concessão educativa deve ser nos tempos atuais, além de proporcionar uma forma de captação diferenciada, totalmente alinhada com a legislação vigente.

Para escolher este segundo caminho, é preciso coragem e competência de optar por uma programação que valorize a cultura e que tenha repercussão na audiência. Caso contrário, a captação de recursos se torna ainda mais complicada.

Posso garantir que acertar a mão abre imediatamente um grande leque de possibilidades, pois o rádio brasileiro carece de boas propostas e iniciativas. Basta juntar os resultados de pesquisas com a sensibilidade profissional para ver que o público quer coisas diferentes e que agreguem valor para a vida.  Por isso, acredito que este espaço pode e deve ser preenchido pelas concessões educativas, não só por razão de ser, mas também pelas oportunidades que estão cada vez mais evidentes.

Rulian B. Maftum, jornalista

Onde estaremos em 2025?

 

 

Por Coriolano Xavier

Onde estaremos em 2025? Deparei-me outro dia com essa pergunta. Gente boa do Brasil e do exterior tenta responder a essa indagação. Mas o fato é que todos nós deveríamos fazer sempre essa pergunta a nós mesmos, olhando para um futuro mais distante.

O agronegócio, por exemplo, vive um momento de rica inquietação em tecnologia, perfil de consumo alimentar, demografia dos mercados e organização dos sistemas de produção de alimentos. O setor está se transformando em todo o mundo e merece reflexões sobre onde tudo isso vai dar e que rumos teremos pela frente para seguir.

O Instituto para o Futuro, por exemplo, já fez algumas apostas sobre tendências disruptivas do agronegócio, alinhando primeiro um eixo estratégico de transformação estrutural: a reorganização dos sistemas de produção agropecuária de modelos baseados em recursos intensivos para alternativas de baixo impacto na ambiência.

Sob esse guarda-chuva, por exemplo, despontam estudos para agricultura sem solo e com baixo uso de água – tanto em ambientes internos, como externos. Ou então projetos já desenvolvendo protótipos de robô que utilizam a teoria de games para automatizar tarefas complexas de cultivo. E, ainda, a incorporação de áreas antes desertificadas e recuperadas pela combinação de produção animal e projetos preservacionistas.

Surgem também novos alimentos, não tradicionais, como um substituto vegetal de ovos, mais barato, sustentável e em teste na produção industrial de maioneses. Sem contar substitutos para a carne de aves, que já mereceram inclusive a atenção de um jornal peso pesado como o New York Times.

No âmbito dos hábitos alimentares, fala-se na perda de espaço do alimento rápido para uma experiência mais consciente de alimentação. A bordo dessa mudança teríamos, inclusive, novidades como o uso de sensores para monitoramento da velocidade das refeições -- e um aumento geral da habilidade de cozinhar, até com o emprego de câmeras para feed back instantâneo para melhor aprendizado das pessoas.

Sem falar de programas inteligentes para gerenciamento do estoque nas geladeiras e recomendação de refeições. Ou então da possibilidade de alimentação líquida, inodora e com os nutrientes para manter um organismo em funcionamento – como a bebida Soylent, que em 2013 recebeu investimentos de 1,3 milhões de dólares para produção em escala.

Nos próximos 10 a 15 anos, provavelmente o Brasil ainda vai ter seu maior protagonismo no agronegócio. Essa crença já está inclusive instalada na cabeça da população, conforme revelam pesquisas de opinião recentes em grandes capitais do país.

Para o agronegócio, portanto, não tem como não estar pelo menos sintonizado com essas ‘fantasias de futuro’, como muitas vezes são chamadas. Afinal, um dia também se chamou a revolução verde e a biotecnologia de fantasias.

 

O autor é membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM