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Os desafios da empresa familiar no século 21

Daniel Schnaider

A empresa familiar apresenta vantagens em relação às concorrentes, pois é capaz de implementar um modelo de gestão mais flexível e traz propostas de negócio mais  atrativas. Uma recente pesquisa da PwC sobre empresas familiares, que ouviu  mais de duas mil organizações pelo mundo, concluiu que a visão de longo prazo e a contribuição para a estabilidade econômica resumem as principais características das empresas familiares do século 21. Em contrapartida, sofrem uma desvantagem em outros quesitos: na atração de investimentos, nos processos de tomada de decisão e na retenção de talentos. Esses entraves ocorrem justamente devido a um modelo de gerenciamento menos pragmático do que se percebe em grandes empresas ou em multinacionais.

Muitas empresas familiares cometem o erro de manter a informalidade nos processos, o que impele a aproximação de novos recursos. Os investidores não estão dispostos a assumir o risco e apostar em empresas que não são capazes de passar credibilidade ou de demonstrar que o investimento é seguro e promissor. Existem muitas empresas com potencial de mercado que não alavancam o crescimento porque não têm um projeto específico, nem mesmo uma documentação clara e formal sobre sua operação.

Os processos de tomada de decisão em empresas familiares constituem outro ponto frágil, uma vez que há uma maior vulnerabilidade a falhas de comunicação e à imprevisibilidade dos líderes por trás desse tipo de negócio. É perfeitamente conveniente para um gestor da empresa familiar comunicar uma decisão e mudar de opinião no dia seguinte, sem sofrer sanções por isso. Este é um cenário que não descreve a flexibilidade citada anteriormente. Do contrário, passa a imagem de um negócio pouco sólido e volátil, o que afeta na credibilidade da empresa. Em contrapartida, em uma empresa cujos acionistas estão de fora do processo operacional, há uma responsabilidade maior sobre as decisões tomadas e uma preocupação mais incisiva sobre a maneira como essas medidas são comunicadas.

As empresas familiares ainda enfrentam o desafio de manter um quadro de funcionários eficiente. A dificuldade de encontrar pessoas qualificadas é um problema muito sério no mercado brasileiro. De um lado, há  uma defasagem estrutural na educação, que não prepara adequadamente os estudantes para atuar no mercado de trabalho. De outro, há um problema cultural em que impera a falta de proatividade e de ambição para crescer e se aperfeiçoar técnica e profissionalmente. As empresas familiares sofrem um agravante, já que as multinacionais investem pesado em Recursos Humanos, pois reconhecem a dificuldade de se reconhecer talentos atualmente. Apresentam planos de carreira estruturados, inúmeros benefícios e status profissional (por meio de enriquecimento de currículo ou de networking). Como consequência, os melhores profissionais procuram as empresas mais renomadas. Em contraste, na empresa familiar, a evolução profissional se dá de maneira subjetiva, dependente da confiança que os donos têm no funcionário. Trata-se de um cenário de incerteza que não faz frente aos modelos de reconhecimento de resultados aplicados pelas grandes empresas. Os funcionários mais qualificados, consequentemente, tendem a almejar cargos em companhias mais conhecidas.

Em resumo, as empresas familiares deveriam ter uma estruturação e  documentação clara dos processos operacionais, de modo a evitar a informalidade e passar uma postura de profissionalismo. Os funcionários deveriam ser avaliados e valorizados de forma clara de objetiva. As empresas familiares não deveriam ser apenas fábricas de talentos que  migram para as grandes corporações. Existem inúmeras possibilidades de uma longa carreira de sucesso dentro da empresa familiar. É preciso explicitar  as vantagens de um ambiente em que não impera uma forte rigidez típica da grande empresa, mas que nem por isso é menos séria ou profissional.

O autor é economista e consultor de negócios.

Casa própria com dignidade

Dino Schrutt

Em tempos de mundo globalizado, está cada vez mais em voga a busca pela excelência nos serviços. O cidadão deixou de ficar sujeito à mera liberalidade do gestor público quanto ao formato dos programas sociais em nosso país, havendo sempre uma voz ecoando tanto na busca de novas oportunidades, quanto na melhora daquilo que já existe.

Na habitação por interesse social não é diferente. Programas que há pouco tempo cumpriam com o mínimo necessário, deram vez a uma estrutura evoluída, capaz não só resgatar o cidadão fisicamente da precariedade habitacional, como, principalmente, devolvê-lo à sua dignidade moral.

Pensando nisso, dentre as etapas mais dinâmicas do processo de acesso às oportunidades de moradia, o Trabalho Técnico Social (TTS) vem se destacando com vital importância.

Planejamento, engenharia, urbanismo, habitação, educação, saúde e todas as demais áreas confluentes dentro do rol previsto no programa habitacional são perfeitamente capazes de demonstrar a excelência de um belo projeto, mas, um Trabalho Técnico Social(TTS) projetado e desempenhado com qualidade, é capaz de formar uma comunidade harmônica e digna.

Todo agente político preocupado com uma gestão pública proba e realizadora espera, como resultado da soma dos esforços das suas áreas técnicas, uma capacidade de desenvolvimento que torne sua comunidade pujante. Dessa forma, em todos aqueles exemplos de resultado, existe lá no âmago do seu desenvolvimento um Trabalho Técnico Social de qualidade.

Sendo assim, considerando as questões mais comuns de cada comunidade, o bom desenvolvimento dos profissionais do meio vem sempre balizado por um projeto de qualidade e capacidade de execução garantida pelo Estado, fatores já consagrados pelo Programa Minha Casa Minha Vida.

A exemplo disso, o próprio programa parametrizou o Trabalho Técnico Social em quatro eixos:

- mobilização, organização e fortalecimento social;

- educação ambiental e patrimonial;

- acompanhamento e gestão social da intervenção;

- desenvolvimento socioeconômico;

Todos os eixos merecem especial destaque para que as políticas públicas em nosso país tenham resultado positivo. E mais, para analisarmos números em índices de desenvolvimento social de uma região, é elementar a verificação do índice de contratação de unidades habitacionais para o público baixa renda por habitante, tal informação se confirma, de tal sorte que, o Programa Minha Casa Minha Vida mantém percentual do valor global de cada empreendimento, direcionado como subsídio da execução do Trabalho Técnico Social (TTS).

Essa equação nos faz concluir que o crescimento do investimento do Programa Minha Casa Minha Vida no Trabalho Técnico Social (TTS) ilustra uma realidade que todo agente político busca: a capacidade de encontrarmos vida harmônica em uma sociedade com dignidade.

O autor é presidente da Companhia de Habitação de Ponta Grossa (Prolar).

Meus 50 anos de UEPG

Carlos Roberto Berger

Com 17 anos entrei no curso de Odontologia da Faculdade Estadual de Farmácia e Odontologia de Ponta Grossa que iniciou sua história em 16 de novembro de 1952.  A Faculdade que, juntamente com outras já existentes, formaria, em 1970, a Universidade Estadual de Ponta Grossa. Do início como estudante, jornada iniciada em março de 1965, até hoje permaneço vinculado às suas atividades. Era um mundo novo, um sonho.

O menino que perdeu os pais aos seis anos, agora, estava na universidade. Nela encontrou professores dedicados que se redobravam para ensinar os procedimentos clínicos. Era uma época em que os professores tinham apenas o curso de graduação. Nem pensar em ser especialista, mestre ou doutor. Com medalha de ouro existente na época, cheguei à graduação em 1968. No ano seguinte, veio a recompensa: fui contratado como professor do curso.

Aposentei-me em 2002. Mas permaneci na instituição como Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Culturais e, posteriormente, como chefe do Escritório para Assuntos Internacionais. Hoje estou como professor convidado do Programa de Pós Graduação em Odontologia. Orgulho-me de em março de 2015 completar 50 anos de UEPG. Trajetória ininterrupta que imagino ser inédita na instituição.

Num olhar em retrospectiva, reencontro-me com os tempos acadêmicos que registro como inesquecíveis. Mas assinalo a trajetória de professor como especialmente fantástica. Foi como professor que integralizei os conhecimentos na área de Endodontia, disciplina que ministrei no Curso de Odontologia. O professor Osmário Pimentel dos Santos, então diretor da Faculdade, surge como a figura mais emblemática daqueles tempos para mim. Foi ele que me convidou, na época, para ser professor – ministrar Microbiologia.

As lembranças vividas no curso trazem de volta muitos professores que me impressionaram na odontologia. Inicialmente eram professores apenas graduados, mas que com forte experiência clínica formaram odontólogos de qualidade para o mercado de trabalho. Entre esses professores, Flávio Ribeiro dos Santos foi o primeiro a obter o doutorado. Sei que não vou conseguir nomear todos, mas nos nomes citados presto reverência aos professores que com determinação construíram a história do curso na UEPG.

Da época que trago como recordação, destacam-se Herberto Gevert, Galbas Augusto Knechtel, Caetano dos Santos Marochi, Emigdio Enrique Orellana Jimenez, Reynaldo Quadros Adams, Ricardo Chwist, Vitoldo Celinski. São exemplos do que há de mais importante para um professor de Odontologia: vivência clínica em consultório particular. Visualizo nesse caminho Valdir Silva Capote, amigo inesquecível!

Convivi também com Mário Braga Ramos, ex-deputado federal e ex Secretário de Educação. Professor da nossa disciplina – o titular. Carlos Antonio Pellissari e Antonio Edgar Kroling foram por 20 anos colegas de disciplina. Tiveram que ser pacientes e tolerantes comigo. O que determinou bom e duradouro relacionamento que ainda persiste. Naquela época, o curso de Odontologia já tinha áurea de grande da UEPG. As avaliações do MEC, hoje, confirmam essa posição do curso.

Num salto no tempo entramos em 1976, quando passa por nossa disciplina João Carlos Gomes nome importante da odontologia da UEPG. Faz história na instituição como aluno, professor e reitor por três vezes. Atualmente está como Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. A atuação dinâmica e ética de João Carlos eleva o nome do curso e da instituição. Ser humano diferenciado e elevado.  Está onde está por mérito. É meu amigo e meu irmão!

Tornei-me especialista, mestre e doutor em Endodontia pela Unicamp (Universidade de Campinas) - o único na área em Ponta Grossa até hoje. Nesse período tive a oportunidade de escrever cinco livros e ser co-autor de outros cinco. O tempo passou e, atualmente, o curso conta com professores da mais alta qualificação. Ter mestrado e doutorado nos tempos atuais é condição sine qua non para a entrada de novos professores na UEPG.

Mas, infelizmente, entendo que por si só essa exigência não é das melhores. Isso porque permite a entrada de professor que se graduou, fez pós-graduação com zero hora de clínica e, por conseguinte, sem experiência na prática profissional. Esta é a condição que se espera de um grande professor. A experiência clínica precisa ser mais valorizada em prol da melhor formação do aluno.

Nas marcas de uma memória, pontuo que estar vinculado à história da UEPG (por 50 anos ininterruptos) é um privilégio. Não há como deixar de rever momentos que se encontram com o presente sem dizer: sinto-me feliz e honrado de ter chegado até aqui. O que mais me gratifica é ver que a nossa universidade segue com firmeza em seu esforço de desenvolvimento. É a resposta de qualidade à sua missão social de oferecer ensino, pesquisa e extensão compromissada com os anseios da sociedade.

Fazer uma universidade de excelência significa valorizar a qualidade de vida das pessoas. Agradeço e posiciono minhas recordações como reverência à UEPG.

O autor é professor aposentado e docente da pós graduação em Odontologia da UEPG.

O Brasil é o nosso país

Sandro Ferreira

O momento presente do Brasil e do mundo oferece várias temáticas polêmicas, desde as atrocidades cometidas pelo ‘Estado Islâmico’ até o desastre anunciado deste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, que compreensivelmente, predominam a pauta da mídia impressa, digital e televisiva. Entretanto, um movimento periférico que ocorre nos estados do Sul do país, não pode passar despercebido nem ser ignorado, sob o risco de tomar proporções indevidas, descabidas e imerecidas.

Trata-se da intenção, ainda que marginal, porém perceptível a olho nu, de separação dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul do restante do país. Intitulado O Sul é o meu país, o movimento tem espalhado adesivos, panfletos e argumentos a favor daquilo, que há poucos anos atrás era um anseio defendido apenas por poucos indivíduos, dados como insanos, e que nunca foram levados a sério pela grande maioria dos sulistas, nem pelo restante dos brasileiros.

Particularmente tenho orgulho da região Sul, mas não nutro a ilusão pretensiosa e irracional de nos considerar superiores em relação aos nordestinos. Sei que existem brasileiros do Nordeste mais qualificados, éticos e valorosos que muitos sulistas e vice versa. Portanto, são incabíveis conceitos peçonhentos e rasteiros, que estigmatizam uma região inteira, castigada por secas anuais, sertões indomáveis e aristocracias inescrupulosas. Da mesma forma inaceitável é a acusação injusta contra sulistas por parte de coronéis do cangaço (e de alguns notórios retirantes), que no intuito de perpetuar seu poder, acusam culpados ocultos ao flagrante atraso econômico, educacional e social sob os seus domínios.

A irresponsabilidade do ex-presidente Lula e da atual presidente da República na última eleição presidencial de 2014, que instigaram abertamente o conflito de classes do Brasil, acabou por aflorar um sentimento negativo entre os brasileiros de diferentes regiões, que vieram a se digladiar nas redes sociais, através de preconceitos descabidos e racistas. E a História nos prova aonde isso acaba.

A Alemanha pós Segunda Guerra Mundial foi dividida por um muro infame, que veio a ruir em 1989, junto ao desmonte do comunismo na antiga União Soviética, trazendo um custo bilionário ao país no seu processo de reunificação, apesar do sucesso espetacular da reunião nacional. As Coreias do Norte e do Sul ainda estão divididas, tendo o Sul capitalista e próspero, e o Norte comunista e miserável, este sendo governado há décadas por uma dinastia de ditadores cruéis, assassinos e vitalícios.

Ou seja, o Brasil tem problemas de Norte a Sul, mas também tem potencialidades extraordinárias em todos os seus estados. Ao invés de dividir, precisamos somar forças, pois só quando tivermos todo nosso potencial, humano e territorial, qualificado e ativo, nós poderemos dizer em alto e bom som: sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor.

O autor é cidadão brasileiro.

O Estado do Paraná é suis generis em vários aspectos

Recentemente, depois de uma polêmica que assolou o país sobre a propriedade, a moralidade e a validade da concessão de auxílio moradia a juízes e procuradores, o Tribunal de Contas do Estado – TCE resolveu estender a sinecura, o privilégio, para conselheiros, auditores e ministério público de contas.

Curioso é observar que não há lei que autorize o pagamento de tal prebenda, e que para além de imoral, ela é antirrepublicana, na medida em que fere os deveres de lealdade, de moralidade e de eficiência da máquina administrativa.

O auxílio moradia tem um conteúdo próprio, já definido pelo Supremo Tribunal Federal, como verba indenizatória. Ora, verbas indenizatórias não são vantagens pessoais que possam ser estendidas de forma acrítica a todos os servidores de carreira que tenham uma função relevante no Estado.

Por resolução, o presidente do TCE resolveu conferir aos seus apadrinhados tal verba indenizatória, estendendo a vantagem. E, para evitar o descontentamento de auditores, que têm direito apenas às prerrogativas de função, mas não às vantagens dos conselheiros, também a esses, já que seriam os responsáveis por defender a lei, defender o povo e declarar ilegal o pagamento.

O número da resolução do TCE é sugestivo, como tudo no Estado do Paraná, tem o número 51, uma boa ideia, não fosse um momento difícil para o país e para o Estado, que têm tungado o cidadão, o trabalhador, para arcar com os prejuízos dos desmandos e da corrupção que assolou o país nos últimos 12 anos, como vemos agora no fundo de pensão dos Correios.

O que mais deixa consternado o cidadão é que nenhuma das instituições que se colocam, por força de lei, para a proteção do Estado, da Cidadania e da Ordem Institucional, tenham se manifestado ou tomado qualquer providência para sustar tal ofensa à probidade administrativa.

Estamos diante de uma república muito pouco republicana, de uma ordem jurídica desamparada das instituições que deveriam dar-lhe consistência e concretude, estamos diante da descrença, do desfazimento, do desmanche do Estado como estrutura capaz de proteger o cidadão do arbítrio e da violência.

O presidente do TCE, ao ordenar despesas sem amparo em lei que permita, ao estender vantagem para o ministério público de contas, que só poderia ser concedido pelo chefe do Ministério Público, e ao conceder tal prebenda aos auditores de forma completamente impensável num ordenamento jurídico sério e respeitável, ofende todas as regras de probidade administrativa.

Se o fez é porque se acredita imune à fiscalização, imune à lei, imune à Constituição, diante do que nos resta apenas esperar que tal situação possa ser corrigida por uma força para além do sistema político. Mas qual força? A jurisdição tem se mostrado incompetente para garantir ao cidadão o cumprimento dos princípios constitucionais.

Talvez Lula esteja certo, será necessário sair o exército de Stédile à rua para que os homens e mulheres de bem se coloquem também na rua, aos milhares, para derrubar o sistema corrupto e ineficiente vigente, numa luta fratricida pela reinstauração da República, ou melhor, pelo estabelecimento desta, que desapareceu em 1889.

O TCE deveria mudar a sua sigla para TFCE, o que tornaria mais consequente sua atuação, já que explicaria a forma de escolha de seus conselheiros e por fim, justificaria porque apenas as contas de políticos de oposição não são aprovadas. Mas quem auditará e fiscalizará as contas do TFCE?

Laércio Lopes de Araujo, médico

O diálogo como instrumento de paz e conciliação

Péricles de Holleben Mello

Nesta quarta-feira, 25, estamos realizando uma grande audiência pública sobre Justiça Restaurativa e Cultura da Paz, no Plenarinho da Assembleia Legislativa, em Curitiba, a partir das 9 horas, com a presença do desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, Roberto Portugal Bacellar. Será uma oportunidade para que todos conheçam iniciativas que fazem parte de um movimento transformador com potencial de provocar um verdadeiro salto civilizatório.

Nos últimos anos, ações importantes que levam em conta essas práticas podem ser encontradas em todo Brasil, de um modo geral, e de forma particularmente forte em Ponta Grossa e nos Campos Gerais. Ao envolver escolas, comunidades e representantes do poder Judiciário, ONGs, instituições de ensino superior e sociedade civil organizada, a Justiça Restaurativa e a Cultura da Paz está ajudando a resolver dramas históricos como a falta de segurança e problemas nas áreas de Educação, Saúde, Cultura, Assistência Social, entre outras.

Isso acontece porque há um encontro entre objetivos, como a prevenção e resolução de conflitos pelo diálogo, diminuição do encarceramento, entendimento inter-religioso, estímulo à tolerância, campanhas contra o uso de drogas, promoção da saúde e superação da violência em uma sociedade cada vez mais diversa, de culturas, tradições e costumes distintos.

Um exemplo é o Conselho Parlamentar da Cultura da Paz da Assembleia Legislativa do Paraná (Conpaz), fundado em 2012 e do qual sou secretário, que deu início à Semana da Cultura da Paz (quando são homenageadas pessoas que desenvolvem ações importantes nessa área), promoveu audiências públicas, atos inter-religiosos, caminhadas pela paz, encontros comunitários e ações de promoção à Cultura da Paz em jogos de futebol em estádios.

Já em Ponta Grossa, com o apoio do Conpaz, uma ação do Conselho de Segurança do Oeste (Conseg) começou a desenvolver um programa em 10 vilas, capacitando líderes comunitários para agir como mediadores de conflitos. Esse projeto, que ocorria de maneira informal desde então, foi abraçado pelo Judiciário em julho de 2014, quando o Tribunal de Justiça inaugurou o Centro Judiciário de Solução de Conflitos (Cejusc), incluindo o modelo de Justiça Restaurativa na Comarca, um trabalho exemplar das juízas Laryssa Muniz, Jurema Carolina Gomes e Heloísa da Silva.

Desse modo, as demandas recebidas pelo Conseg são encaminhadas ao Cejusc, que também desenvolve a formação e treinamento de servidores, conciliadores e mediadores, além de acompanhamento estatístico das ações, nos moldes da Resolução 125 de novembro de 2010 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Atividades semelhantes são realizadas em algumas cidades dos Campos Gerais pelo projeto Infância Mundo Melhor, que investe na capacitação e aprimoramento de educadores que incentivam práticas inovadoras como a educação para a paz e pedagogia da convivência na busca de um ambiente de conciliação que ultrapasse as fronteiras das escolas e contagie as comunidades. Esse trabalho recebe apoio do Núcleo de Estudos e Formação de Professores em Educação para a Paz e Convivências da Universidade Estadual de Ponta Grossa (NEP/UEPG), coordenado pelo professor Nei Sales Filho.

Um mundo mais fraterno, com mais esperança e entendimento entre diferentes religiões, culturas e interesses pode ser alcançado com iniciativas de Justiça Restaurativa e Cultura da Paz. Por isso a importância de que essas ações sejam ampliadas, que recursos sejam direcionados pelos três poderes em seus respectivos orçamentos e que a sociedade cobre de seus representantes o suporte necessário para tal.

Além disso, superar a violência exige de nós, individualmente, compromisso e envolvimento; só assim poderemos construir um tempo de paz, harmonia e justiça social.

O autor é deputado estadual, presidente da Comissão de Cultura e ex-prefeito de Ponta Grossa.

Quantos pesos e quantas medidas na mesma balança?

Helcio Kovaleski

No último dia 17, o vereador Pietro Arnaud (PTB), vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta Grossa, autor do Projeto de Lei 23/2015, que trata da modernização do transporte coletivo urbano na cidade, postou a seguinte mensagem em seu perfil na rede social Facebook: De acordo com a lei e o contrato do transporte público, a VCG recebe 5% de lucro sobre o valor da despesa sobre o custo final da tarifa. Com a tarifa atual de R$ 2,85 o faturamento da concessionária é de aproximadamente R$ 325 mil mensais. Havendo redução nos custos da planilha com pessoal como prevê o projeto, esse lucro também será proporcionalmente menor. Utilizando o exemplo anterior, se imaginássemos que 100% dos trocadores não estivessem mais nos ônibus a tarifa baixaria para R$ 2,46 o faturamento da VCG seria de R$ 276 mil mensais. Ou seja, não sou eu quem está querendo manter ou aumentar os benefícios da VCG...Pense nisso!.

O que o vereador propõe nesse texto é a demissão de 100% dos trocadores da Viação Campos Gerais (VCG), não é? Porque, para se chegar a uma diminuição de R$ 49 mil (diferença entre R$ 325 mil e R$ 276 mil) no lucro da empresa (os tais 5%), terá de haver demissão, não? É isso? Mas e aquele eufemismo chamado agentes de bordo, em forma de substitutivo, proposto outro dia pelo próprio Pietro e pelos vereadores Luiz Bertoldo (PRB) e Romualdo Camargo (PSDC)? Os trocadores, nesse novo formato, continuarão trabalhando, então, segundo o que ele propõe no texto postado no Facebook? Mas, se isso acontecer, não haverá essa diminuição do lucro da empresa, porque não haverá demissão, certo? Porém, se eles forem mantidos na empresa, esta contabilizará prejuízo em dobro, porque terá de arcar com os custos trabalhistas desses agentes de bordo sem tirar nada do valor arrecadado com as passagens (que será menor em R$ 49 mil)? É isso? Se for, então não será possível diminuir o preço da passagem de ônibus, não é? A VCG aceitará de bom grado essa diminuição em seu lucro mensal? Isso está combinado com a empresa?

Há pelo menos 30 anos, acompanha-se com muita apreensão a intensificação do processo de desenvolvimento, principalmente tecnológico, como vistas à maior produção das empresas e, consequentemente, mais lucro. É um processo inevitável, mas que também tem seu (alto) preço. O maior deles é social, porque, no lugar de muita gente trabalhando, a tendência é um chip, um programa de computador, ou uma tecla de enter, fazer a mesma coisa, e o desemprego (às vezes, em massa) torna-se inevitável. Ou as pessoas, depois de demitidas, adaptam-se a outros tipos de trabalho, ou se aposentam, ou entram em depressão. Ao mesmo tempo, percebe-se que isso faz parte do jogo, geralmente perverso, mas é promovido, na imensa maioria das vezes, pelas próprias empresas em um contexto de modernização.

Diante desse cenário, é compreensível que alguma mudança deva acontecer no transporte coletivo urbano ponta-grossense. É de conhecimento até mesmo do mundo geológico do Parque Vila Velha (apud Mino Carta) que o setor carece de amplas melhorias e da extirpação de alguns vícios crônicos, ocasionados em grande parte pela manutenção do monopólio na concessão desse serviço.

Mas, pergunto: justamente pelos altos custos sociais e trabalhistas que esse processo pode acarretar, haja vista que, se a proposta é a de não demitir os atuais trocadores, uma vez que serão transformados em agentes de bordo, a aprovação desse projeto também não estancaria a possibilidade de novas contratações? Isso não é bom, correto? Logo, não seria o caso de deixar para que a própria VCG puxasse isso – já que é a ela que isso toca, em primeiro lugar?

Meu caro Pietro. Você, como vereador, não acha mais justo lutar pela manutenção de postos de trabalho – mesmo que o seu projeto tenha a intenção benéfica de diminuir o preço da passagem a toda a população e, de resto, modernizar o sistema? É claro que isso é importante, não há dúvida, mas ao custo de fechar uma oportunidade de novos postos de trabalho? Quantos pesos e quantas medidas estão nessa balança?

Por fim: não é um contrassenso um projeto desse ser proposto por alguém filiado a um partido que leva a palavra trabalhista no nome?

O autor é jornalista.

Água e desenvolvimento sustentável

Wanda Camargo

Nosso país sempre teve políticas econômicas e industriais baseadas na abundante fonte de recursos naturais, diversidade da fauna e flora, recursos hídricos e minerais na extensa dimensão territorial (capital natural), assim como grande disponibilidade de mão de obra (capital intelectual e social).

Acreditávamos que, com a possível exceção de algumas zonas áridas no nordeste, teríamos água para tudo e para sempre. O crescimento populacional e a concentração da população em áreas urbanas, o desmatamento, industrialização, consumismo, poluição, somados às mudanças climáticas, desfizeram nossa ilusão. Como exemplo, no Brasil o consumo per capita é de 187 litros por dia, e apenas para a produção de 1 quilo de carne bovina são necessários 15 mil litros de água, aproximadamente 3.5 mil litros para 1 quilo de carne de frango.  Uma calça jeans demanda 15 mil, uma camiseta 3,5 mil e um quilo de milho consome para sua produção 900 litros de água.

Desde o ano passado temos recebido notícias alarmantes do sudeste. Os reservatórios de água, principalmente os que abastecem a região metropolitana de São Paulo, atingiram cotas abaixo dos níveis de segurança, e os mesmos supostos gestores que fingiram ignorar a realidade por mais de um ano ainda hesitam em reconhecer a seriedade da situação. Com as chuvas de verão houve algum alívio, mas não o suficiente para justificar declarações ufanistas e irresponsáveis, existe ainda o risco de racionamento de água ou, como preferem dizer alguns: rodízio. Racionamento, ainda que não seja do agrado de ninguém, é um recurso extremo quando água, alimentos, energia, se tornam escassos demais e a distribuição contida permite algum controle sobre a demanda, induzindo os consumidores a economizar, com sacrifício e também benefício de todos.

Nós brasileiros temos o privilégio de contar com um grande potencial hídrico (12% da água potável do mundo), mas sua exploração demanda conhecimento, tecnologia, energia e preservação das matas ciliares em torno dos rios, já que estes estão assoreados e poluídos.

Uma parte da região sul de nosso país está sobre uma das maiores reservas mundiais de água subterrânea, o chamado Sistema Aquífero Guarani, que se espalha em mais de um milhão de quilômetros quadrados, com potencial em volume d’água para suprir o mundo inteiro por muitos anos. Mas nem tudo é simples, grande parte dessa água encontra-se em profundidades que chegam a mais de mil metros, demandando técnicas de exploração assemelhadas às utilizadas para petróleo; em vários locais a água não é própria para consumo por apresentar excesso de sais minerais, necessitando de tratamento caro demais; e o aquífero não é homogêneo, tem descontinuidades.

Como a disponibilidade hídrica mundial de água com fácil acesso - lagos e rios - representa apenas 0,3% do total do volume de água existente no planeta, vivemos a escassez de água doce para consumo, indústrias e irrigação, e já se travam guerras pelo seu controle; as próximas décadas serão marcadas pela necessidade cada vez maior de uso racional, reuso, busca de novas fontes.

Um empreendimento é dito sustentável se gerar mais recursos do que os que forem aplicados nele, e se mantiver essa condição ao longo do tempo, sem impactar negativamente aspectos sociais, ambientais, econômicos e culturais.  Para o desenvolvimento sustentável é indispensável a preservação ambiental de rios, diminuindo o prejuízo econômico da escassez de água, e repensar a cultura do desperdício.

A preocupação, tanto no plano pessoal quanto empresarial, da pegada hídrica, ou seja, o volume total de água doce utilizado para produzir os bens e serviços consumidos, poderá reduzir lavagens de carro, calçadas e outras práticas domésticas. Empresas que não se preocupem apenas com o imediatismo de custo e benefício poderiam adotar boas praticas de reuso da água, dirigentes governamentais tornarem-se mais eficazes na proteção das bacias hidrográficas, e na adoção de medidas pragmáticas de contenção de consumo.

Melhorar a forma de usar a água envolve algo muito mais sério que um lucro ou conforto imediato, é a garantia do desenvolvimento com perspectivas melhores para as próximas gerações.

A autora é educadora.

Como vender mais em tempo de crises

José Ricardo Noronha

Este ano de 2015 tem tudo para ser um dos mais desafiadores para a vida de quem vende.  Presidentes, diretores e profissionais de empresas de diversos portes e segmentos têm compartilhado comigo suas preocupações sobre o que precisa ser feito para vender mais, com menos recursos e melhor que os concorrentes (a chamada Estratégia dos 3 Ms).

Não me atrevo a dizer que tenho todas as respostas, mas muito humildemente procuro trazer minha contribuição que aqui compartilho com vocês. São 3 grandes pilares que se fazem ainda mais essenciais em períodos como os que agora vivemos:

1) Atendimento ainda é um diferencial competitivo importante: por mais incrível que possa parecer, ainda são poucas as empresas e profissionais que oferecem um atendimento espetacular aos seus clientes e respectivos mercados-alvo. O resultado disso: clientes cada vez mais exigentes têm sido cada vez menos fiéis e leais às marcas, muito em virtude da pouca atenção e carinho que lhes é dado.

Sim, em momentos mais duros como os que agora vivemos, ações simples e que infelizmente têm sido tão negligenciadas são ainda mais fundamentais. Entre elas cito a cordialidade, o cuidado extremo com os detalhes, a preocupação legítima em entender o que o cliente realmente precisa e a real prontidão em ajudar e servir.

Minha dica de ouro: teste você mesmo como anda o atendimento ao cliente da sua empresa. Se os serviços que vocês têm oferecido forem ruins, tenha a certeza de que 2015 será ainda mais desafiador. Lembre-se sempre que a missão das grandes empresas e dos grandes profissionais é transformar seus clientes em fãs. E isso só acontece quando se tem um atendimento espetacular, surpreendente e 100% focado em gerar experiências inesquecíveis e memoráveis a todos os seus clientes.

2) Treinamento será ainda mais fundamental agora: vender em tempos de economia mais robusta e de confiança do empresariado em alta não é tarefa das mais difíceis. Duro mesmo é vender em tempos mais desafiadores, como neste singular ano de 2015. E para vender mais e melhor, se faz necessário incrementar o repertório de técnicas, habilidades, conhecimentos, comportamentos e atitudes de vendas dos seus profissionais e dos seus líderes. Isso porque, se eles continuarem fazendo as coisas que sempre fizeram, será quase impossível incrementar as vendas em relação aos anos anteriores.

Não custa lembrar um dos mais preciosos ensinamentos do gênio Albert Einstein: "Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Especialmente em tempos de crise, invista vigorosamente no treinamento e na capacitação dos seus profissionais.

3) Em tempos de desconfiança, saiba vender confiança: tenho feito palestras e cursos no Brasil todo e, por onde passo, sempre pergunto quem hoje confia nas mais importantes autoridades políticas do nosso País. O feedback instantâneo é assustador: em média, menos de 5% das pessoas acreditam nos nossos políticos. E é aqui que eu quero lhe convidar para uma importante reflexão: se a economia vai mal, muito em virtude de uma crise institucional e de confiança, o que precisamos fazer para vender mais e melhor?

A resposta pode soar um tanto quanto simplória, mas é bastante contundente: saiba vender confiança! Aliás, vale lembrar o excelente best-seller A Velocidade da Confiança, de Stephen M.R. Covey, publicado no Brasil pela Editora Elsevier. A obra diz que quão maior é a confiança nos relacionamentos, maior é a velocidade com que as coisas acontecem (ou seja, ciclos de vendas mais curtos) e menor é o custo (menor CAC – Custo de Aquisição de Cliente). E, ainda, quão menor é a confiança, menor é a velocidade e maior o custo.

Venda confiança, aumente a velocidade com que as coisas acontecem e reduza o custo de aquisição de clientes. Ao fazer isso, você já terá um diferencial competitivo muito difícil de ser batido.

José Ricardo Noronha é vendedor, palestrante, professor, escritor e consultor.

Comprar telefones cancelados pode ser vantajoso

Wesley Carvalho

Empresas fecham e novas são abertas todos os dias, os números telefônicos de empresas extintas podem trazer diversas oportunidades para seu negócio. Imagine alguém que trabalhou por anos com a gravação de festas e casamentos e em dado momento esse empreendedor muda de cidade. Os números telefônicos da empresa são cancelados, que tal contratar esses telefones para sua empresa?

Quando alguém assistir ao casamento, procurar em um catálogo telefônico antigo ou olhar na embalagem do filme, ali está o telefone do antigo empreendedor. Um número já está divulgado pode trazer clientes para sua empresa.

Perceba que essa estratégia é aplicável aos mais variados nichos de mercado, de distribuidora de doces a rádio táxi. O cliente, às vezes, visita uma cidade e guarda na carteira o cartão do taxista, quanto volta, liga para o número, a ligação pode cair em um número inexistente ou na sua empresa.

Visitar uma biblioteca ou até mesmo a nossa Casa da Memória, que possui diversos catálogos antigos, ligar para alguns números e selecionar alguns inexistentes pode ser o primeiro passo para trazer grandes oportunidades de negócio para sua empresa.

Após selecionar os números, entre em contato com a operadora responsável pelo número escolhido, peça a instalação de uma nova linha, após concluído o processo [que geralmente tem altos custos], peça a mudança do telefone para o número escolhido. Às vezes, o número desejado não está disponível, por isso é necessário selecionar previamente vários números, precavendo-se de uma possível indisponibilidade.

As operadoras que atuam em Ponta Grossa, geralmente, cobram uma taxa de troca de número que varia entre R$ 75 e R$ 150. A mudança costuma ocorrer entre 24 e 48 horas. Existem também operadoras cuja mudança de número não é cobrada, mas isso é exceção.

Após ter o número desejado em sua titularidade, é possível realizar a portabilidade numérica, algo muito vantajoso em alguns casos, pois existem operadoras que possuem planos isentos de franquia, que só tarifam as ligações realizadas, geralmente essas operadoras não cobram ligações locais para números da mesma base.

Sendo este o caso é possível a ativação do serviço siga-me, das linhas compradas para as linhas da sua empresa, quando alguém ligar para o número da empresa extinta, a ligação é transferida para o telefone da sua empresa. Mas atenção, o serviço de siga-me não é disponibilizado por todas as operadoras, o serviço e a transferência de ligações pode ser cobrada, consulte sua operadora.

Também é importante nunca mentir ao cliente, quando ele te ligar diga que não é a empresa procurada mais presta o mesmo serviço, lembre-se que mentir ao consumidor é considerado crime no Brasil. Guardar as faturas de instalação do fixo, o protocolo da ordem de serviço para alteração do número de telefone é essencial para se precaver no caso alguém acionar judicialmente sua empresa, pensando acionar a empresa extinta.

O procedimento todo, desde a instalação a troca de número e uma possível portabilidade, apesar de um tanto complexo, tende a ser supervantajoso. Um acompanhamento de alguém que entenda como realizar todos esses tramites é muito bem-vindo e evita possíveis problemas durante o decorrer do processo.

Realizar uma vasta pesquisa é vital, analise desde a divulgação dada pelo antigo dono do número de interesse, até mesmo o real motivo do fechamento da empresa do qual se quer comprar o número telefônico, evitando assim possíveis dores de cabeça como telefonemas de empresas de cobrança ou de ex-clientes insatisfeitos.

Wesley Carvalho é jornalista.