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Seis verdades em economia

Por José Pio Martins*

Mais que uma ilusão, é ingenuidade pensar que os governantes podem fazer com a economia o que bem entenderem sem pagar alto preço. É que as teorias econômicas, por não terem a precisão das ciências naturais, abrem espaço para os governantes tentarem inventar medidas esquisitas e disfuncionais, sobretudo nos países da América do Sul. Não raro, elas desorganizam o sistema e produzem atraso.

A tragédia socialista que vem destruindo a Venezuela, onde até o papel higiênico está sendo racionado, é mais um exemplo dos desaires cometidos por governantes que não se conformam com o fracasso econômico e moral do comunismo. A disposição para confrontar esse animal chamado capitalismo – que tem defeitos, mas é o melhor sistema para criar riqueza – é um demônio que insiste em povoar a cabeça de governantes ávidos de inventar seu próprio mundo.

A economia é uma ciência social e, por isso, não tem a precisão das ciências da natureza. Como diz Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, a natureza humana não influencia a forma como as partículas subatômicas interagem umas com as outras; entretanto, a propensão humana ao medo e à euforia podem definir os rumos da economia e das finanças. Apesar disso, a economia contém certas verdades inescapáveis.

1. A melhoria do bem-estar médio só é possível se o produto crescer mais que a população. O produto é um bolo destinado a certo número de bocas. Se tanto o bolo quanto as bocas crescem à mesma taxa, na média nada muda. Nenhuma política social é capaz de alterar esse fato.

2. O aumento do produto acima do crescimento da população somente é possível pelo aumento da produtividade/hora do trabalho. Ou seja, o produto por hora de trabalho humano tem de crescer, e isso pode ocorrer caso o trabalhador tenha melhores máquinas e melhores equipamentos à sua disposição. Para isso, o estoque de bens de capital tem de aumentar, isto é, mais investimento.

3. O governo não dá para a sociedade nada que antes dela não tenha tirado. Tudo que o governo oferta em serviços públicos, infraestrutura e benefícios sociais é retirado da sociedade por meio dos impostos. Somente os ingênuos acham que as bolsas e as benesses caem do céu ou nascem da bondade dos governantes.

4. Se gastar mais do que arrecada, o governo é obrigado a fazer mais dívida pública e/ou emitir moeda. Em toda eleição, os candidatos fazem duas coisas invariavelmente: xingam os banqueiros e gritam contra os juros da dívida pública. O que essa gente não entende é que só há juros a pagar porque o governo se endivida, e o faz porque gasta mais do que arrecada. É simples demais, mas os demagogos desconhecem isso.

5. Emitir moeda acima do crescimento do produto causa inflação. Essa é uma das verdades mais óbvias em economia. Mas muitos homens de governo se recusam a aceitá-la, como se pudessem imprimir dinheiro impunemente.

6. Não ajudarás o assalariado se arruinares aquele que o paga. Essa frase de Abraham Lincoln é óbvia, mas é agredida o tempo todo. Não existe emprego sem empregador. Apesar disso, o empresário é maltratado pelo Estado. O empresário não é anjo e também precisa ser regulado pela lei. Mas a regulação não pode ir até o ponto de matar o espírito de iniciativa e ímpeto empreendedor.

Embora simples e óbvias, essas verdades são agredidas por leis e normas que acabam por prejudicar aqueles a quem dizem defender.

* O autor é economista e reitor da Universidade Positivo.

O governo não dá para a sociedade nada que antes dela não tenha tirado

O direito do consumidor nas compras pela internet

Por Amanda G. S. Spósito, Kauana Maria V. da Silva, Mirian Cristina Ribas

Somos mais de 105 milhões de brasileiros conectados à internet; segundo pesquisa realizada pelo Ibope no ano passado; atingimos, com isso, a quinta colocação entre os países mais conectados do mundo. Tal conectividade tem apresentado considerável movimentação no mercado consumista. Muito embora apenas 20% dos internautas brasileiros realizem compras pela internet, somente no ano de 2012, cerca de R$ 22,5 bilhões foram gastos em compras efetivadas pela rede.

Ocorre que, diante da frequente e cada vez mais comum prática de aquisição de produtos à distância, verifica-se também que o número de violações aos direitos do consumidor tem aumentado proporcionalmente. Isto por que nem sempre o que recebemos em casa após a compra é o que foi anunciado no site. Entra em cena, então, o Direito de desistência. A Lei n° 8.078, de 11 de setembro de 1990, que dispõe sobre a proteção do consumidor (conhecida como Código de Defesa do Consumidor - CDC), assegura em seu artigo 49º que o consumidor tem o direito de desistir da compra sempre que a contratação se der fora do estabelecimento comercial.

Cabe destacar que não é exigível a constatação de qualquer defeito no bem ou serviço adquirido, bastando o consumidor simplesmente não ficar satisfeito com o produto adquirido. O mesmo pode ocorrer para as compras realizadas via telefone, ou em catálogos de produtos de beleza vendidos no domicílio.  É recomendável que o consumidor não abuse de seu direito, no sentido de abrir com cuidado e testar o produto de forma a que este continue intacto, sem nenhuma sujeira, mancha ou risco.

Decidindo por exercer o seu direito de arrependimento, após o recebimento do produto ou assinatura do contrato, o consumidor terá o prazo de desistência de até 7 (sete) dias úteis, sendo que todos os valores deverão ser ressarcidos, bem como, corrigidos monetariamente. Para tanto, deverá o consumidor formalizar a decisão de desistência, por meio de carta (com Aviso de Recebimento), por telefone (com anotação do número do Protocolo, assim como o nome do funcionário que atendeu).

O Código de Defesa do Consumidor determina ainda que todo produto ofertado deverá portar informações sobre suas características, qualidade/quantidade, preço, validade, entre outros, tudo de forma clara, correta e precisa. Em caso de não cumprimento da legislação por via consensual, convém ao consumidor procurar um advogado (a) de sua confiança e buscar seu direito junto ao Poder Judiciário.

As autoras são respectivamente, advogada, bacharel e acadêmica de Direito.

O turismo subdesenvolvido do Brasil

Por Sandro Ferreira

Comumente alguns que não têm conhecimento do que é o turismo, o define como uma indústria sem chaminés, reproduzindo um clichê simplista que reduz substancialmente seu entendimento estratégico, seja para uma cidade, estado, ou país, afinal, um dos mais expressivos movimentos humanos da história, que se tornou uma das maiores atividades econômicas do planeta já há algumas décadas, também é muito mais do que uma indústria sem chaminés, pois o turismo demanda de várias outras indústrias, todas elas com grandes chaminés, além de milhões de pessoas, milhares de aeronaves, trens, automóveis, ônibus, navios, eventos, agências, meios de hospedagem, entre tantos outros fatores que envolvem este complexo setor.

Pela perspectiva da indústria sem chaminés, vende-se a ideia de que o turismo só embute vantagens à localidade que o desenvolve, porém, em muitos casos, com mais frequência onde se desencadeia o turismo de massa, as consequências acabam sendo mais danosas do que vantajosas, ao menos à maioria da população local, trazendo consigo forte majoração dos preços no comércio e nos serviços, superlotação de equipamentos e espaços públicos já subdimensionados e muita poluição sonora, visual e ambiental, além de outros pontos negativos do desenvolvimento turístico sem planejamento. Devido a isso, o turismo moderno tratado científica e economicamente pelos governos responsáveis, é pautado na sustentabilidade socioambiental e econômica, com apoio de investimentos e profissionais do setor privado.

Entretanto no Brasil, historicamente o turismo tem sido interpretado e praticado de forma amadora, precária e descoordenada, tanto por entes públicos quanto privados, que a despeito da evidente potencialidade nacional, continuam sem conseguir deslanchar o turismo receptivo, que apresenta números pífios diante das possibilidades e principalmente quando comparado aos de outras nações, inclusive várias menores em extensão, população e atrativos. Mesmo tendo a maior biodiversidade de fauna e a floresta mais extraordinária do planeta, praias e ilhas paradisíacas, cânions de tirar o fôlego, rios, cachoeiras, cavernas, grandes centros culturais, agrícolas e industriais, povo hospitaleiro, clima agradável, democracia, enfim, o país continua com um fluxo de turistas acanhado e há muitos anos estagnado. Nem a Copa do Mundo 2014 (com maquiagem dos números oficiais ainda frustrantes), conseguiu aumentar significativamente o número de visitantes.

Se na natureza e hospitalidade somos imbatíveis, ainda deixamos a desejar na qualidade dos serviços turísticos, aonde com raras exceções, se oferece a prestação de um serviço mínimo pelo preço máximo, às vezes não havendo nem como se buscar um concorrente de melhor qualidade, pois a prática da maioria é o nivelamento por baixo. E o viajante ainda tem de agradecer! Somados a violência urbana e a cultura imediatista, que deseja faturar na alta temporada o lucro do ano inteiro, emperram o progresso do setor no país, ou seja, no Brasil, ao invés de se explorar o turismo, só se explora o turista. Assim como a saúde, educação, infraestrutura, segurança-pública, justiça e a política, o nosso turismo também permanece subdesenvolvido.

O autor é Turismólogo pela UEPG e cidadão brasileiro.

o turismo moderno tratado científica e economicamente pelos governos responsáveis

O desenvolvimentismo contra as minorias

*Valdenor Júnior

A PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 215, que pretendia mudar o regime de demarcação de terras indígenas que as tornaria dependentes de aprovação dos políticos no Congresso Nacional, foi arquivada na Câmara dos Deputados.

Infelizmente, isso não significa que a posse indígena esteja protegida do governo no Brasil. Basta ver como o governo federal tem tratado a resistência do povo indígena mundurucu, no Pará, à construção da hidrelétrica São Luiz do Tapajós, no rio Tapajós, que provocará um alagamento de mais 700 mil km² nas terras onde vivem e que é a primeira usina de um total de cinco.

Apesar da previsão constitucional de que o governo brasileiro deve reconhecer a posse dos indígenas de suas terras e recursos naturais, essa comunidade nunca teve suas terras demarcadas e, agora, corre o risco de perdê-las em nome do interesse nacional. Assim, os índios mundurucu da comunidade indígena afetada Sawré Muybu foram forçados à ação direta e autodemarcaram suas terras.

Paralelamente, foi determinado na justiça que a não-demarcação das terras dessa comunidade é ilegal e que a Fundação Nacional do Índio deve completá-lo. Um documentário produzido por Nayana Fernandez conta a história de resistência dos mundurucus.

A crônica desses indígenas é uma história constante de inúmeras etnias minoritárias ao redor do globo: projetos de desenvolvimento dos governos centrais repetidamente expulsam comunidades das terras que habitavam tradicionalmente, sem consulta nem compensação satisfatórias.

Como se pode aceitar que comunidades inteiras sejam deslocadas das terras de seus ancestrais, muitas delas tidas como sagradas, e de todo um modo de vida, por uma decisão de uma suposta autoridade que afirma que isso vai ser bom para o desenvolvimento nacional? Como pode ser justo um sistema onde direitos são permanentemente negados (ou lentamente reconhecidos) às minorias enquanto há muita eficiência para planejar empreendimentos do interesse de políticos e grandes corporações?

Não é de hoje que o desenvolvimentismo brasileiro pretende alcançar o progresso e o desenvolvimento, conforme definidos pelos políticos e burocratas em Brasília às custas dos direitos de minorias à posse de suas terras e recursos naturais. Uma região brasileira convenientemente suscetível para os desmandos desenvolvimentistas é a Amazônia, dado o potencial energético de seus rios, para a construção de hidrelétricas para fornecer energia subsidiada para o complexo industrial do Sul e do Sudeste.

Por trás do discurso do desenvolvimento nacional, temos o favorecimento de algumas regiões do país em detrimento das outras e de algumas partes da sociedade em detrimento de outras, conforme a estratégia formulada centralmente pelo governo federal.

A abstração da nação é uma retórica que camufla o tratamento desigual às diferentes regiões, o que é mais fácil de ocultar no caso amazônico, com sua baixa densidade demográfica e menor população comparativamente às outras regiões, o que significa menor peso político em uma democracia majoritária. A Amazônia está para o Brasil como a Sibéria está para a Rússia, eternamente subordinada e distante do desenvolvimento brasileiro.

A liberdade das minorias — e de toda população amazônica — jamais estará segura enquanto esse tipo de ideologia desenvolvimentista continuar a dar as cartas em Brasília.

 

*Valdenor Júnior é advogado e escritor do Centro por uma Sociedade Sem Estado

Guaricana: o que o novo parque nacional representa para o Paraná?

*Emerson Oliveira

Envolto aos últimos dias de campanha eleitoral para o segundo turno da eleição presidencial, por meio de Decreto Presidencial, foi criado no Paraná o Parque Nacional de Guaricana. Com aproximadamente 44 mil hectares, o mais novo parque nacional paranaense possui extensão semelhante a Curitiba, ultrapassando a área da capital em cerca de cinco mil hectares e sendo o segundo maior exclusivo do Paraná.

A nova unidade de conservação do estado abrange trechos de Mata Atlântica preservada da Serra do Mar em Guaratuba, Morretes e São José dos Pinhais, além de outras áreas da Região Metropolitana de Curitiba e da Planície Litorânea do Paraná. A cerca de 30 km do centro da capital, a localização de Guaricana é estratégica em função da facilidade de acesso para o uso público (turismo e pesquisa) controlado da área - um dos objetivos principais de um Parque Nacional - além da preservação da riquíssima biodiversidade local, uma vez que se encontra no maior fragmento contínuo preservado de Mata Atlântica do Brasil.

Devido às características da área, há ocorrência de diversas espécies endêmicas, ou seja, que só ocorrem em áreas específicas.  Muitas delas já estão ameaçadas, em virtude da quase completa destruição da Mata Atlântica, bioma que possui apenas cerca de 8% de cobertura original. Estudos também identificaram 155 espécies da flora na Serra da Igreja, no interior do parque, o que o classifica como uma das regiões com maior riqueza entre as áreas alto-montanas estudadas até então no Paraná. O próprio nome Guaricana faz referência a espécies de pequenas palmeiras que ocorrem no parque e que já são consideradas como criticamente ameaçadas em outros estados, como o Rio Grande do Sul.

Em relação ao potencial de ecoturismo do local, destaca-se a provável ocorrência de vestígios do antigo Caminho Histórico do Arraial, que acompanhava o rio homônimo em parte da área do Parque Nacional e servia de ligação aos primeiros viajantes que se deslocavam do litoral paranaense para a região de Curitiba. Também merecem destaque os rios, que com suas cachoeiras e corredeiras seguem seus cursos entre as dezenas de serras, escarpas e vales do parque. A beleza é tamanha que a área já é utilizada para trekking e apreciação das quedas d’água locais, bem como para montanhismo e rapel. Agora, essas práticas deverão ser regularizadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Em tempos de crise no abastecimento de água, vale ressaltar que Guaricana também exercerá papel fundamental para garantir, a longo prazo, o suprimento hídrico de Curitiba e dos municípios do litoral. Também há potencial de geração hidrelétrica em alguns trechos, além desses cursos d’água garantirem a manutenção dos estuários que fornecem recursos pesqueiros e suportam parte significativa da economia regional.

É evidente toda a relevância e importância da criação dessa unidade de conservação, desde geração de conhecimento, fomento ao turismo até garantia de qualidade de vida para a população. Com esse importante passo para a proteção do patrimônio natural dos paranaenses, é necessário cumprimentar a todos os envolvidos na criação do Parque.

Com exemplar processo democrático envolvido em sua criação, unindo por mais de seis anos diversos setores da sociedade em importantes discussões, a criação de Guaricana proporciona às demais nações do planeta um exemplo de civilidade e de preocupação com a manutenção da vida: desta e das futuras gerações.

 

* Emerson Antonio de Oliveira é doutor em Conservação da Natureza e coordenador de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

 

A escolha de uma escola para os filhos

* Wanda Camargo

As famílias, quando escolhem a escola em que seus filhos farão o estudo fundamental, e principalmente o médio, deparam-se com uma série de questões importantes que é essencial resolver. Inicialmente surgem os aspectos logísticos: distância da escola a casa, os meios possíveis de transporte entre uma e outra e os horários de entrada e saída, que são determinantes, em tempos de congestionamento de trânsito, insegurança pública e até mesmo de dificuldade de algum adulto acompanhar as crianças.

A seguir considera-se a existência de vagas nas escolas escolhidas, a viabilidade orçamentária da família em caso de ensino privado, as exigências de uniformes, equipamentos, materiais de estudo, os cursos complementares que costumam ser optativos, mas que podem se tornar obrigatórios pela vontade do estudante se a maioria de seus colegas os fizerem. A infraestrutura física do estabelecimento pode ser facilmente avaliada, escolas bem equipadas para a prática de esportes, com biblioteca de bom acervo e confortável, laboratórios adequados a cada disciplina, boa área de lazer e, principalmente, corpo funcional qualificado – e isso não engloba apenas professores – podem ter vantagens para a aprendizagem. No entanto esses diferenciais impactam diretamente as mensalidades, o que deve ser avaliado criteriosamente face à possibilidade financeira e ao retorno real que se pode esperar de tudo o que é ofertado.

Um dos fatores que dificulta a avaliação é o fato do serviço educacional prestado por uma instituição de ensino ser intangível, não pode ser testado com antecedência, exceto pelas possíveis referências de algum outro familiar ou amigo mais chegado que tenha, ou tenha tido, um filho neste local, e mesmo assim sabemos que crianças ou jovens são diferentes entre si, e a boa escola para um pode não o ser para outro. É bem conhecido de alguns pais o fato de que a escola que foi excelente para um dos irmãos pode não se adequar para o outro, caso as personalidades de ambos difiram muito, o que pode perfeitamente acontecer numa mesma casa, com praticamente os mesmos condicionantes familiares.

Fato é que os serviços educacionais são produzidos durante seu consumo, professores mais dedicados e empenhados, que adotam boas metodologias, atingirão certamente os objetivos de ensino com a maior parte de seus alunos, mas não com absolutamente todos, além do docente existe o discente, e este tem seu próprio tempo de aprendizagem, suas dificuldades e preferências. A turma específica em que se insere este jovem poderá influir, pois algumas são mais vivazes, mais irrequietas, enquanto outras na mesma faixa etária podem ser mais tranquilas.

Esta variação também pode ser agravada pela própria discrepância na forma como o aluno ingressa na escola, pois enquanto alguns chegam com formação anterior mais adequada, outros podem sentir dificuldade de adaptação por insuficiência de base, separar estes dois condicionantes não é simples para os familiares, até pelo próprio envolvimento pessoal dos pais na organização dos conhecimentos prévios da criança.

Também as escolas públicas apresentam imensa variedade na eficiência e qualidade de ensino, que depende em parte da infraestrutura, mas principalmente da adesão do corpo docente ao projeto educativo, o que de forma geral deve-se à dedicação de seus dirigentes.

Certamente pais atentos podem fazer a diferença na educação de nossas crianças e jovens.

 

Wanda Camargo é professora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil

Intercâmbio pode ser mais fácil do que você imagin

* Rejane Dal Molin

É mais comum do que se imagina jovens que sonham em estudar nos Estados Unidos. Muitos se imaginam em lugares cartões-postais do país: Nova York, Califórnia ou Texas, lugares culturalmente ricos e que dizem muito sobre o american way of life.

De fato, o intercâmbio é uma grande experiência, lembrada por toda a vida, tanto pessoal como profissional, de quem estuda lá fora. Mais do que um momento de descobertas, a formação nas escolas americanas é excelente, pois o modelo de ensino é diferenciado. Para citar um exemplo claro, na maioria das instituições de ensino as turmas são reduzidas, entre 10 e 20 alunos, e o acompanhamento dos professores é bastante individualizado.

Há tempos que o sonho de estudar fora está próximo da realidade. Além do programa Ciência Sem Fronteiras, que têm facilitado o acesso a Graduações Sanduíche, as agências de intercâmbio se tornaram mais acessíveis para a população brasileira. Existem cursos de inglês de curta duração (4 semanas, em sua maioria) por cerca US$3,5 mil  em grandes universidades, graduações inteiras por algo em torno dos US$7 mil até US$ 50 mil anuais. Com isso, desde 2010 o mercado de intercâmbios gira mais de R$1,5 bilhões e atinge mais de 200 mil estudantes anualmente.

Os maiores objetivos de quem procura um intercâmbio é aprender a cultura e a língua (60%) e fazer uma graduação (22%), há também aqueles que procuram cursos de férias (11%). Em todos os casos, os estudantes compartilham a mesma vontade de voltarem mais capacitados.

As universidades mais desejadas pelos alunos brasileiros, em geral, são Harvard, Yale e MIT, por serem mais conhecidas e referências em algumas áreas do conhecimento. No entanto, existem várias outras instituições como University of Iowa, Pennsylvania, Columbia, que também oferecem grandes programas.

Primeiramente, ao cogitar um intercâmbio, o aluno deve estabelecer seus objetivos, e considerar as especialidades que algumas instituições possuem (algumas são referências em Física Quântica, outras em Matemática Aplicada etc), levar em consideração quais são as possibilidades de aprendizado, estágio e de vida acadêmica daquela universidade.

Em segundo, atentar-se para suas habilidades em inglês. Universidades de referência exigem níveis muito avançados de inglês dos alunos estrangeiros. Uma alta pontuação nos testes de proficiência, como TOEFL, IELTS e Michigan, são exigidos. Mesmo universidades menores usam os testes de proficiência como base para aceitar um aluno de outro país. Então, é fundamental que o inglês esteja em dia.

O CCBEU aprova mais de 90% dos seus alunos no teste de proficiência de Michigan e tem em sua grade de cursos um plano específico para o teste. Saber inglês é a parte mais fundamental nesse processo de entrada na universidade, portanto, é o item no qual o aluno deve dar maior atenção. É um ponto tão relevante quando se procura uma formação fora que segundo o relatório do British Council, de 2008, mesmo em países cujo idioma oficial não é o inglês, 53% dos cursos internacionais são ministrados na língua inglesa.

Em terceiro, procurar orientação acerca dos trâmites burocráticos. Passaportes, contato com a universidade, visto de estudante nos EUA, termos de compromisso, toda a papelada que envolve o intercâmbio pode ser confusa ao aluno ou responsável. O Education USA pode guiar o aluno por esse trabalhoso labirinto.

 

* Rejane Dal Molin é orientadora educacional de Estudos nos Estados Unidos, do CCBEU Goiânia

Férias combinam com brincadeiras em família

*Helio Ricardo Werniski Wolff

Brincar é fundamental para o desenvolvimento das crianças. É por meio das brincadeiras que elas elaboram sentimentos, desenvolvem estratégias para enfrentar problemas, constroem sua autonomia e aprimoram seu relacionamento com o outro. As brincadeiras que exigem atividade física também trazem como benefício o desenvolvimento das diferentes habilidades corporais.

Nas férias escolares, brincar ganha ainda mais um sentido: o reforço aos vínculos afetivos, pois é uma excelente oportunidade para brincar em família, especialmente para aquelas crianças que frequentam a escola em período integral ou que têm uma agenda lotada com atividades extracurriculares ao longo do ano letivo.

Para os dias de calor, as brincadeiras ao ar livre são as ideais. Guerra de bexiga com água, banho de mangueira no quintal,  pular elástico, pular corda e esqui-papelão são algumas atividades que andam esquecidas, mas fazem o maior sucesso entre as crianças. Já para os dias em que não é possível explorar áreas abertas, os jogos de tabuleiro são uma excelente alternativa para entreter e divertir. Eles proporcionam concentração, autonomia, desenvolvimento da coordenação motora fina e ativam muitas áreas do cérebro. E ainda há os livros, que permitem a exploração do imaginário, trazendo inúmeros benefícios para a criança.

Outra grande vantagem de propor às crianças brincadeiras em conjunto com outros membros da família é tirá-las da frente dos computadores, tablets e vídeo games. Febre entre as crianças e jovens, a exposição exagerada a essas formas de entretenimento prejudica o desenvolvimento emocional e a socialização, pois tendem a acentuar a timidez e os comportamentos individualistas. Em doses homeopáticas, no entanto, podem ser permitidos, pois proporcionam diferentes estímulos visuais, auditivos e motores estimulando diferentes áreas cerebrais.

Um aspecto divertido nas férias é explorar novos espaços com as crianças, já que curiosidade é uma característica bastante acentuada nelas. Praças e parques ainda não explorados pela família proporcionam desafios corporais como caminhadas e brincadeiras ao ar livre, gasto calórico, uma vida mais saudável e ainda permitem que a criança amplie o seu conhecimento sobre a cidade.

Para aquelas famílias que não conseguem desfrutar das férias conjuntamente, a dica é matricular as crianças em colônias de férias, acampamentos de clubes e outras iniciativas do gênero, desde que sejam promovidas por organizações que os pais tenham referências, para garantir a segurança das crianças.

Criatividade é a palavra-chave para que as férias sejam animadas e enriquecedoras para todos. E, principalmente, é uma oportunidade para estreitar os laços de afeto familiar, fundamentais para o desenvolvimento saudável de todas as crianças.

 

*Helio Ricardo Werniski Wolff é professor especialista de Educação Física do Colégio Marista Santa Maria, da Rede de Colégios do Grupo Marista

Como lidar com a redução no boom imobiliário?

*Germano Leardi Neto

Construções de prédios a todo vapor e os imóveis, mesmo os antigos, registrando um aumento de preços constantes. Para se ter uma ideia, o mercado imobiliário brasileiro avançou 190% nos últimos quatro anos e o seu faturamento ultrapassou R$ 90 bilhões, um recorde no setor.

Ocorre que esse cenário está mudando. Se você pensar em um gráfico, parece que o mercado imobiliário no país está saindo de um crescimento vertiginoso para uma estabilização. Não tem jeito, é a lógica do mercado. Os dados de 2014 dão conta que as construtoras diminuíram o ritmo nos lançamentos. De acordo com o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), até setembro, a venda de novas unidades caiu 44% em relação ao mesmo período de 2013.

Em resumo, parece que o mercado imobiliário está saindo da fase de boom para entrar em uma de estabilização. Vale lembrar que essa mudança não significa que o mercado vai perder dinheiro, ao contrário. São nessas horas que o bom profissional aparece. Ele se adapta e continua ganhando dinheiro como sempre ganhou.

Por conta do boom imobiliário, o mercado assistiu à entrada de profissionais de ocasião, caindo de paraquedas no mercado só para tirar uma casquinha do momento de alta. Agora, com essa paralisação, os aventureiros acabam saindo do mercado e a situação para quem é profissional melhora muito. Por isso, o corretor precisa estar sempre fazendo cursos e se qualificando cada vez mais. Em outras palavras, ainda dá para organizar a carreira, traçar metas e se dar bem no mercado imobiliário.

Além de ser uma reação natural do mercado após um crescimento fora da curva, a redução do boom imobiliário pode ser reflexo de um ano atípico. A Copa do Mundo e as incertezas do futuro da economia por conta das eleições também ajudam a explicar esse recuo nas construções. Para 2015, o mercado deve se normalizar e os preços se estabilizarem. Aos poucos, a especulação perde espaço.

As pessoas ainda precisam morar, vender e comprar, isto é, o mercado nunca para. Ainda mais quando, segundo dados do IBGE, 11,5 milhões de brasileiros vivem em condições precárias.

O ritmo menor das obras e os preços mais próximos de uma estabilização não muda isso. Os vendedores vão precisar mais do trabalho das imobiliárias para comercializar seus imóveis. Por outro lado, os compradores vão exigir mais do corretor antes de fechar um negócio. Portanto, se qualifique bastante para ganhar a confiança dos concorridos clientes.

Nesse cenário de redução do boom, uma marca conhecida e de confiança é fundamental. Apostar numa franquia imobiliária pode ser o melhor caminho. Isso porque você adquire todo o know-how de quem mais entende do assunto. Vale a pena estudar essa opção.

 

*Germano Leardi Neto é diretor de relações institucionais de uma franqueadora imobiliária

O alvará, a prefeitura e o bombeiro

Passados quase dois anos do incêndio da Boate Kiss, de Santa Maria (RS) – onde 242 pessoas morreram e 680 ficaram feridas – continuamos vivendo o grave impasse da inconformidade das edificações. Sob o impacto da tragédia soubemos que a maioria das prefeituras, câmaras de vereadores, teatros, museus, escolas e diferentes repartições públicas federais, estaduais e municipais funcionam em instalações que não atendem aos requisitos legais de segurança. Assim ocorre até em prédios da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Os implicados no sinistro da boate foram presos, outros estão processados, e o Brasil inteiro continua sentado sobre a imensa bomba da insegurança que, vez ou outra, se manifesta através de fatos pontuais, como o incêndio no Memorial da América Latina (São Paulo), que enfrentava dificuldades para regularização de seus alvarás de funcionamento.

Ao mesmo tempo em que negligenciam com os prédios sob sua responsabilidade, administradores públicos fazem grandes exigências aos empreendedores da iniciativa privada e, pior que isso, aplicam-lhes multas e suspensões de atividades, chegando a inviabilizar os negócios. Em muitos casos, falta clareza sobre as exigências e, para dificultar, ainda existem vários órgãos indevidamente envolvidos no processo de licenciamento. O Corpo de Bombeiros, por exemplo, é colocado equivocadamente nesse circuito. Seus integrantes, treinados e pagos pelo Estado para combater incêndios e socorrer emergências, são desviados para a função burocrática de prevenção. Como não têm pessoal em número suficiente para atender a demanda, formam-se filas, os alvarás ficam pendentes e os estabelecimentos sujeitos a multas e sanções.

É preciso eliminar a burocracia. A responsabilidade pela emissão do alvará de funcionamento ou regularidade das instalações é da prefeitura de cada cidade, que arrecada para prestar esse serviço. Logo, a própria prefeitura tem de fazer as exigências de segurança e fiscalizar seu cumprimento. Já que arrecada pelo serviço, deve ter o pessoal técnico capacitado a desempenhá-lo. Transferir essa responsabilidade para os bombeiros é uma lastimável distorção administrativa. Pior ainda é que, quando ocorrem sinistros, como no caso de Santa Maria, os bombeiros que, a rigor, não teriam de executar essa tarefa, são processados e podem ser presos e até perder o emprego. Se ficar todo o processo com a prefeitura, sem o concurso de terceiros, não haverá motivos para o atraso e, em caso de falhas o omissões, será mais fácil identificar os responsáveis e puni-los na justa medida.

A falta de regras claras e de responsabilização de quem tem a obrigação legal de expedir os alvarás, coloca o pais inteiro em permanente risco, além de penalizar injustamente os empreendedores, que ficam sujeitos às deficiências do sistema, perseguições, à corrupção e, em caso de acidente, além das multas, ainda corre o risco de ir preso por trabalhar sem alvará. Isso não pode continuar...

 

*Dirceu Cardoso Gonçalves é tenente e dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo (Aspomil)