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Vida financeira: cigarra ou formiga?

*Tatiana Schuchovsky Reichmann

Entre o prazer imediato e o planejamento a longo prazo, em geral, nós brasileiros preferimos o primeiro. Historicamente, nos acostumamos a ser a cigarra e não a formiga da fábula que mostra os prós e os contras de quem se organiza para o inverno e de quem prefere curtir o verão sem pensar no futuro próximo.

Esse comportamento pode ser explicado pela inflação altíssima das décadas de 1980 e 1990, que nos ensinaram a consumir tudo o quanto antes, para que o dinheiro não perdesse valor diante dos aumentos vertiginosos de preço. Fazemos isso até hoje, quando assinamos contratos de financiamento de imóveis para pegar as chaves na hora. O que não vemos é que, com os juros e taxas inclusas no contrato, seria possível pagar pelo menos duas vezes o valor original do imóvel, se não mais.

Mas, a boa notícia é que a época da inflação galopante passou e agora precisamos também olhar com mais carinho para os hábitos da formiga e esquecer a farra da cigarra. Isso significa poupar e planejar mais, e, acima de tudo, olhar para o futuro um pouco mais distante. Um bom exemplo disso são os consórcios, que têm ganhado a preferência dos consumidores, indicando que a educação financeira está cada vez mais presente na hora de optar por uma modalidade de compra. De janeiro até setembro de 2017, cerca de 1,75 milhão de brasileiros escolheram o planejamento com taxas mais em conta em detrimento do imediatismo de possuir o bem a qualquer custo, segundo a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (ABAC).

Esses dados demonstram que a disciplina e o hábito de poupar com foco em um objetivo têm atraído mais adeptos. No consórcio, não há juros e incidência de impostos, e o hábito de guardar um pouco a cada mês para atingir um objetivo proposto, grande lição que vale a pena passar adiante, é reforçada mensalmente.

Fica aqui a reflexão da antiga fábula de La Fontaine. Vale a pena curtir o aqui e agora, sem pensar no inverno que sempre chega? Ou vale o esforço para aproveitar muitas estações com tranquilidade?

 

*Tatiana Schuchovsky Reichmann é diretora-superintendente da Ademilar Consórcio de Investimento Imobiliário

 

A medida do descenso

Emerson Luís Alberti*

O cenário político brasileiro é de reformas. Em pouco mais de um ano de governo, o presidente Michel Temer já enviou ao parlamento 83 propostas, entre elas as reformas do ensino médio, da Previdência e a trabalhista, além da PEC que limita os gastos públicos. Segundo levantamento do Centro de Documentação e Pesquisa da Câmara, deste total, mais da metade das propostas (54) é de medidas provisórias, que tramitam em regime de urgência.

No meio de tantas propostas, com o Projeto Crescer, anteriormente denominado de “Ponte para o Futuro” e divulgado ainda durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, Temer visava fomentar o investimento privado em áreas estratégicas do país, tendo como contrapartida as privatizações no setor elétrico, concessões de infraestrutura e leilões para exploração de recursos naturais – em especial aqueles ligados ao petróleo do pré-sal. Com isso, almejava-se arrecadar R$ 24 bilhões só em 2017, o que representava cerca de 15% de todo o déficit primário para 2017 e 2018, somado em R$ 159 bilhões. Mas, embora os leilões do petróleo tenham sido marcados pelo “euforismo” por parte do governo, do total de 287 blocos postos à venda, apenas 37 (13%) foram arrematados e muitos receberam proposta única, o que gerou uma renda de R$ 3,84 bilhões (pouco mais de 2,4% do déficit primário).

Em paralelo aos leilões, o governo editou a Medida Provisória 795/2017, que instituiu um regime tributário especial para as atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos. Essa medida de descenso isenta as empresas produtoras de petróleo de pagar impostos que, segundo especialistas, podem variar de R$ 300 bilhões a R$ 1 trilhão em um período de 25 anos – o equivalente a R$ 12 bilhões por ano, na melhor das hipóteses.

Baseado nesse sofismo matemático equacionado pelo governo, fica evidente que o cobertor ficou curto. Além de perdermos as receitas dos impostos devido à benevolência do governo, aumentaremos a sujeira em nossa matriz energética com mais de 75 bilhões de toneladas de CO 2que, se librados na atmosfera, acabariam com a chance do mundo de limitar o aquecimento global a 1,5 ºC – sem considerar que o Brasil já ocupa a 7.ª posição no ranking dos países mais poluidores do mundo.

A benevolência fiscal não atinge, por exemplo, o segmento das energias renováveis. Se quisermos cumprir as metas estabelecidas no Acordo de Paris, de reduzir 30% das emissões até 2020, o governo precisa rever as políticas para o setor de energia. Não serão apenas os leilões de novos empreendimentos hídricos, eólicos, biomassa ou solares que compensariam a benevolente MP 795/2017. Seria, no mínimo, coerente estendê-la também às energias limpas.

Por fim, vem o impacto no consumidor, pois alguém tem de pagar pela benevolência! Pagaremos uma conta multidimensional sem precedentes neste país: educação, saúde e segurança, entre outros. A conta de energia, que continua uma das mais caras do mundo, mesmo com a nossa matriz energética sendo a mais limpa do planeta, continuará alta. Prova disso é o Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico (CMSE) decidir manter a operação de térmicas mais caras, apesar de uma melhora na expectativa de chuvas – a usina hidrelétrica de Itaipu abriu suas comportas para escoar o excedente de água em seus reservatórios.

 

O autor é doutor e mestre em Engenharia e Ciências dos Materiais, é professor do curso de Engenharia de Energia da Universidade Positivo (UP)

O mundo tenebroso dentro das escolas

Acir da Cruz Camargo

Sempre existiram campanhas contra o ensino e a escola pública, em nossos dias, furtivamente. Numa região se multiplicam escolas privadas, em todos níveis e não se inaugura nova sala ou colégio público. Há facilitação burocrática e fiscal para negócios educacionais. Na origem deste mal está o reavivamento de forças retrógradas, gestadas na época colonial, que embasaram grandes guerras e nas entranhas a concepção de escola e educação que não os ameace no controle cultural, que não transforme as pessoas e a sociedade. Essa corrente vem aplicando golpes de Estado, até na forma parlamentar e se vale de aparelhos ideológicos constituídos de analfabetos funcionais, despreparados intelectuais, estranhos à escola, nunca compraram um livro sobre filosofia da educação pela beleza da capa, políticos, religiosos, empresários e burocratas estúpidos no Poder público. A patológica fobia que lhes acomete é que a escola pública ofereça um conteúdo que derrube a sonolência da juventude e os destitua do parasitório estatus em que se encontram no Estado, nos púlpitos e no reino do mercado. Receberam do divino a missão de não permitir que a Escola proporcionar a estudantes e professores a descoberta de si e do outro. Isso derrubaria a hierarquia social que acreditam eterna. Como aquilo que dizem publicamente não corresponde à feito em privado, não estão dispostos a pagar o preço pela queda da máscara. São cúmplices os inconsequentes que entram no coro pelo barulho. O professor, em nossos dias, tende a ser refém de forças estranhas à esfera educacional, aos patrulhadores ideológicos da docência na tentativa de reduzir o ensino a mera listagem factual sem reflexão. Somos uma geração escolar onde professor e aluno estão ameaçados de pensar. É preciso mantê-los na caverna. A prática parecia superada desde 1970. Intimidar, fazer com que trabalhe acuado, evangelizando conforme o catecismo das classes conservadoras, ensinando, o que elas permitem, mesmo as evidências científicas apontem outras direções. Disso resulta onda de perseguição a professores, autoritarismo nas escolas e confusão entre colegas. Diretores e pedagogos optam por proteger seus cargos e imagem em detrimento da finalidade da educação que é pensar criticamente, não participando no processo educacional científico, na construção do aspecto humano e social dos alunos. Pressionam e ameaçam, velhos métodos de ensinar e avaliação. Tais práticas vergonhosas são encampadas por licenciados ou pedagogos. Há professores resistindo com convicção e entusiasmo os pitacos e assédios do aparelho administrativo da escola, do elemento subserviente e destituído de consciência. Qual a origem do perfil alienado e covarde que entra para a sala de aula, sem entender que espaço é aquele, embriagado de conteúdos específicos, vazio de sua identidade, da dignidade profissional, do valor antropológico dos alunos? Passaram pelos bancos doentios da instituição, que prometeu formá-los professores, as perniciosas licenciaturas ocupadas, indevidamente pelo bacharelismo. A maioria dos mestres e doutores de tais licenciaturas, vieram de carreira acadêmica direta, não se graduaram como professores, fizeram bacharelado onde estes suportes teóricos da prática professoral são obrigatoriamente dispensados e jamais lhes passou pela cabeça entrar numa sala de aula da escola básica. Ensinar o que? E os nossos alunos iludidos caem nesse conto, faltando-lhes oportunidade, arriscam-se como professores. Dá no que dá.

 

O autor é historiador

DESCASO DOS GOVERNANTES PARA COM O MEIO AMBIENTE

 

Ricardo Johansen

O ambiente em que vivemos também é conhecido como Meio Ambiente. Esse meio ambiente é defendido com unhas e dentes pelos ambientalistas, e com o mesmo denodo pelos governantes por meio de propaganda massiva na imprensa, rádio e jornais. Diariamente ouve-se na mídia as ações patrocinadas pelos governantes do momento. As ONG’s dos ambientalistas brasileiros, que defendem o congelamento da situação ambiental do país, que sobrevivem com recebimento de recursos para manutenção, fornecidos pelas entidades internacionais, difundem conceitos no seio da sociedade, que a nossa população é degradadora ambiental, que está interferindo, degradando a boa qualidade de vida dos seus concidadãos. Essa degradação ambiental é provocada no ar, nas águas e pelos resíduos sólidos gerados pela sociedade.

É interessante e devemos avaliar o quadro geral, para avaliarmos esses conceitos divulgados. O governo federal, na ânsia de ficar de bem com os ambientalistas nacionais e estrangeiros, vem desde há muito tempo, e com mais intensidade nas últimas décadas do século XX e nos últimos 20 anos, criando o que se conhece como Unidades de Conservação e hoje, essas unidades compreendem um quantum de 16% do território nacional. Já as terras indígenas compreendem uma área de 13,0 %, enquanto que as áreas agrícolas, reflorestadas e pastagens compreendem um território de 9,0 %, equivalente a 76.054.313,0 hectares, é nesse território que o homem rural retira todo o sustento e os alimentos que seguem para a mesa da sociedade brasileira urbana. Esses dados foram divulgados por entidades como a NASA em parceria com Embrapa, neste ano de 2017, após longo trabalho a nível mundial comparando país por país.

As áreas que são posse e em produção pelos homens do campo, cumprem a legislação pacificada no Código Florestal, disponibilizando para a sociedade brasileira uma extensão superior a 20% das áreas de suas propriedades exploradas, mantendo em áreas de Reserva Legal – ARL, e Áreas de Proteção Permanente – APP.        

Por outro lado, onde está o descaso dos governantes federais para com o meio ambiente? A nível federal, na Unidade de Conservação Chapada dos Veadeiros, localizada em Goiás, está num incêndio florestal, queimou por mais de mês uma área de 66.000,0 hectares, equivalente a 30% de toda a unidade. Esse é o crime federal. Criam a unidade, colocam alguns colaboradores para pagar salário. Não fornecem condições, e quando muito, como medida de contingenciamento para controle de incêndio, indicam “rezar e pedir a DEUS chuva”. Na nossa região, as espécies exóticas invasoras, alojadas na Unidade de Conservação, muito bem protegidas, estão gerando danos aos monumentos geológicos, e prejuízos incalculáveis aos produtores rurais lindeiros na área, e os funcionários após 10 anos ainda estão estudando o caso e pesquisando para apresentar uma solução, para evitar o dano provocado anualmente.

Quanto ao descaso provocado ao meio ambiente pelo governo estadual, está na ausência de prevenção a qualidade das águas dos rios das bacias hidrográficas estaduais. No ano de 2007, no IX ENCONTRO NACIONAL DE COMITES DE BACIAS HIDROGRÁFICAS, os representantes estaduais orgulhavam-se de afirmar e divulgar em folders a qualidade das águas dos rios do Paraná, que naquela época, com baixo nível de industrialização e já com apresentação de contaminantes de esgoto urbano, as águas eram enquadradas como Classe II. No atual governo, o descaso foi confirmado, foi aprovado em agosto de 2017, o novo enquadramento como Classe IV para os rios das bacias hidrográficas paranaenses, que podem possuir teores equiparados ao escorrimento de esgoto a céu aberto, isso aliado aos danos provocados por incêndios florestais anuais nas unidades de conservação.

Agora, quanto ao descaso provocado ao meio ambiente pelo governo municipal, está na ausência de ações e medidas de contenção e prevenção ao desenvolvimento imobiliário. A nível municipal, a ausência das medidas, sempre com o acolhimento dos nobres vereadores. Alinhamento de arroios, que provoca elevado dano ambiental em razão da retirada das curvas que retém a velocidade de escorrimento e provocam cheias mais abaixo. Da ausência total de planejamento na micro drenagem urbana, que influi diretamente nas moradias instaladas nas áreas de risco. Da permissão de aterramento a margem dos arroios, interferindo nas APP das várzeas, provocando estreitamento do canal com aumento da velocidade de escorrimento, e dano mais abaixo. Permissão de construção de obras de alvenaria em áreas de APP. E assim segue a caravana, e o munícipe quando interfere nas APP, quando queima um lote para limpeza, quando fiscalizados, são autuados como determina a lei. Dessa maneira a lei tem que ser cumprida, pois fora dela é o caos, que os governantes estão patrocinando.

O autor é representante da entidade NATUS CAMPOS GERAIS SUSTENTAVEL.

Feliz 2018, Brasil!

Que 2018 seja um ano de paz, de tolerância, de compreensão, de liberdade, de verdade, de justiça, de amor. Aliás, não por acaso justo ao fim do ano comemoramos o aniversário do profeta da religião mais difundida no planeta, que, assim como os profetas de outras religiões, vieram nos ensinar estes valores emancipadores e humanísticos.

Que saibamos ter temperança e serenidade para que de nosso ser emane a paz. Que as divergências que vão pelo mundo, muitas vezes incentivadas por aqueles que querem delas aproveitar-se para estender seu domínio, não nos contagiem. Que nós brasileiros recuperemos a alegria, a amizade, a criatividade artística, a hospitalidade, que já foram marcas de nosso povo. E que recuperemos também aquela capacidade de convivência pacífica com o diferente, outra marca de nosso povo, herdada de uma mistura de raças sem igual no mundo. Ainda que tenhamos tido sempre muito a progredir em termos da verdadeira solidariedade.

Que sejamos capazes de substituir a reação instintiva pela reflexão, compreensão e sabedoria. Que nossos posicionamentos e nossas escolhas emanem da nossa capacidade de refletir e de decidir com base em valores que nos são próprios, e não na manipulação interesseira de estímulos e de reações estranhas que nos são imputados via um massacrante condicionamento midiático.

Que logremos escapar desse consenso construído que nos imputa falsas convicções e conflitos descabidos. Que alcancemos a capacidade de nos libertarmos como pessoas. Que passemos a ter idéias e valores próprios, sobre nós mesmos, sobre nossa pátria, sobre nosso devir. E assim que nosso riquíssimo país deixe de ser a eterna colônia, o eterno país do futuro, e alcance o status de grande nação do presente.

Que renasçam em nós os sonhos de felicidade e de dignidade, de soberania, de justiça para todos, são somente para uma casta seleta de presunçosos eleitos. Que nos preocupemos mais com o bem estar coletivo, e menos com os humores do volúvel mercado. E que, nesta era de informação, sejamos capazes de discernir o joio do trigo. Pois a informação é muito diversa, ora nos esclarece e nos ajuda a crescer, ora usa nossas reações instintivas, impensadas, para despertar em nós tudo aquilo que é contrário ao progresso humano, em favor da submissão àqueles que têm a pretensão de dominar o mundo.

Que tenhamos o discernimento para aprender com a boa informação, que nos faz seres humanos mais humanos. Que tenhamos firmeza para superar os atavismos históricos de nossa peculiar sociedade, e que ela definitivamente passe a ser inclusiva. E, neste ano de 2018, sobretudo que saibamos distinguir oportunistas de estadistas.

Fim de ano é a reafirmação dos valores cristãos, é a esperança do novo no ano que começa. Que nos renovemos junto com o calendário, que nos recriemos, que despertemos.

Que 2018 seja um ano de revelação, de emancipação.

Que 2018 seja um ano feliz.

 

Mário Sérgio de Melo

Geólogo, Professor do Departamento de Geociências da UEPG

ADVOCACIA EMPRESARIAL PREVENTIVA

* José Eli Salamacha

 

Empresário moderno, seja no Brasil ou no restante do mundo, é aquele que enxerga na advocacia preventiva uma ferramenta necessária na vida da empresa, pois por meio da percepção, do controle e do acompanhamento dos riscos cíveis, trabalhistas, tributários, societários e ambientais, a prática empresarial se torna mais segura. 

 

No entanto, a grande maioria dos empresários no Brasil, em especial os ligados às empresas de pequeno e médio porte, ainda se encontram desprovidos de assistência jurídica preventiva, não dando a devida importância à prevenção de litígios, somente buscando apoio da área jurídica quando a demanda já se instaurou judicialmente.

 

Podemos citar exemplos de benefícios da advocacia preventiva nas mais diversas áreas do direito.

 

Na área cível, por exemplo, um contrato bem elaborado permite que se mantenha equilíbrio entre os contratantes, especificando as obrigações e também prevendo os direitos, seja contrato de que natureza for, como o de locação, a compra e venda de imóveis, a compra e venda de mercadorias, ou mesmo de prestações de serviços para construção civil, reforma, jardinagem, vigilância, monitoramento eletrônico, telefonia, etc.  Um bom contrato, portanto, evita formação de passivos e reduz a quantidade de discussões judiciais geradas ao longo da existência da empresa.

 

Já na área trabalhista, a atuação preventiva é ainda mais importante, pois orientações jurídicas repassadas para a empresa e seus funcionários, evitam ações trabalhistas e multas, tanto do Ministério do Trabalho como do Ministério Público do Trabalho, diminuindo muito o custo das obrigações trabalhistas do seu negócio.

 

Na área tributária, por sua vez, a advocacia preventiva tem dado resultados ainda mais surpreendentes, chegando ao ponto de que algumas empresas deixam de ter prejuízo em suas atividades empresariais a partir do momento que realizam um planejamento tributário e o implantam, obtendo com isso uma importante redução legal de tributos. Em tempos de crise econômica, algumas atividades cuja margem de lucro é baixa, acabam indo à falência justamente por não ter um planejamento tributário adequado.

 

Para melhor compreensão do que estamos afirmando, podemos comparar a advocacia preventiva com a medicina preventiva, que nada mais é que o zelo com a saúde para poder evitar o surgimento de doenças, além de proporcionar uma vida muito mais saudável e evitando-se enormes gastos com tratamentos médicos. A prevenção na área jurídica também é assim! Uma empresa que tenha uma boa assessoria jurídica de forma preventiva, evitará muitos prejuízos e despesas desnecessárias com demandas judiciais.

 

Empresas de pequeno, médio ou grande porte têm mais chance de crescer com segurança se utilizarem uma assessoria jurídica preventiva de qualidade, realizada por profissionais especializados e qualificados em cada área do direito, e com isso estarão muito à frente de seus concorrentes, pois seus administradores podem tomar decisões mais acertadas para trilhar o melhor caminho para a execução dos seus planos de negócios.

 

* O Autor é Mestre em Direito Econômico e Social pela PUC/PR, Professor em Curso de Pós-Graduação na Disciplina de Direito Empresarial, Membro do IBDP – Instituto Brasileiro de Direito Processual e sócio do escritório Salamacha & Advogados Associados.

 

 

Os primeiros 30 dias da reforma trabalhista e seus impactos nas organizações

Ana Paula Neves

 

Passado um mês após a promulgação da Reforma Trabalhista, definida pela lei 13.467/2017 e já alterada ela tão comentada Medida Provisória 808/2017 – com o intuito de modificar alguns aspectos do texto original que não ficaram completamente definidos no documento, até então, aprovado – pelo presidente da República, o mercado e, principalmente, as corporações já tiveram a oportunidade de aplicar algumas das peculiaridades agora reguladas pela CLT, principalmente a modalidade de trabalho intermitente.

  1. de estarem presentes em esferas de discussão em níveis profissionais, governamentais e de entidades representativas, as opiniões sobre as medidas adotadas no texto vigente da CLT ainda circundam certa obscuridade pelo ainda não esclarecimento das novas regras, o que se agrava pelas brechas existentes na legislação que foram regulamentadas, mas, ainda faltam critérios absolutos que garantam a sua validade jurídica. Alguns críticos das novas regras resguardam a opinião de que o regime desestabiliza a atividade remunerada e vulnerabiliza o trabalhador. Enquanto isso, o governo defende que o novo texto viabiliza novas contratações, principalmente a de trabalhadores, até então, informais, preservando-lhes os direitos garantidos pela CLT, como férias e décimo terceiro proporcionais. Muitas empresas e, ainda, trabalhadores estão com um “pé atrás” e, cautelosamente, avaliam a aplicabilidade principalmente do trabalho intermitente, onde os trabalhadores são recrutados de acordo com a demanda do negócio e remunerados de acordo com a carga de trabalho realizada.

Por um lado, vemos exemplos de corporações apostando em contratações por meio da modalidade de contrato intermitente para períodos de aumento na procura de bens e serviços. A temporada da Black Friday foi um exemplo, dentro desses trinta primeiros dias, onde grandes varejistas recrutaram trabalhadores temporários já aplicando modelos de contrato e registro em carteira de acordo com essa “nem tão nova” modalidade, mas agora validada pelo texto da reforma trabalhista. Na visão dos executivos e líderes das empresas, o balanço dessa primeira experiência é positivo, pois permitiu que mais funcionários pudessem ser recrutados para uma data específica, substituindo os contratos temporários. A perspectiva é que essa prática seja mantida para o Natal e outras datas comemorativas, caso não haja novas alterações na lei aprovada.

Segundo dados do IBGE cerca de 25% da população brasileira cumpre jornada de trabalho menor do que 40 horas semanais, sendo que 75% desse grupo atua no setor informal, o que não ajuda na arrecadação de impostos. Vê-se, assim, no mercado, um movimento de formalização da mão de obra sazonal. As promessas da equipe econômica de Temer influenciam o mercado, juntamente com a ainda tímida recuperação do mercado de trabalho, em sua maior parte por conta do trabalho informal, movimento que faz com que pequenos e médios empresários, principalmente, comecem a avaliar a possibilidade de regularização desses trabalhadores informais.

Em minha opinião, ainda há um longo caminho para que as organizações apliquem as medidas estipuladas pelo texto da reforma trabalhista e um ainda maior para que possamos começar a enxergar os impactos econômicos e sociais dessas medidas, entretanto, o sentimento que tenho quando converso sobre o com líderes corporativos e organizacionais é que a flexibilização das leis trabalhistas e as novas possibilidades por ela reguladas podem abrir novas portas para uma maior produtividade e competitividade no cenário macroeconômico brasileiro.

A autora é Diretora de Corporações & Governo da Thomson Reuters

Na pressão contra a reforma da previdência

Os trabalhadores brasileiros conseguiram uma importante vitória sobre o governo federal com relação à proposta de reforma da previdência. Ao não conseguir os votos necessários para aprovar mais essa retirada de direitos da população, Temer adiou para 19 de fevereiro sua próxima tentativa.

Essa vitória, no entanto, não veio à toa. Apesar de uma certa letargia no que diz respeito à grande maioria da população, os sindicatos que apoiam a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Técnicos e Professores da UEPG (Sintespo) entre eles, lutaram muito e pressionaram os deputados de todas as maneiras para que se posicionassem contra a reforma e a favor do trabalhador.

Foram greves de fome, pressão aos deputados nos aeroportos, paralisações, protestos, seminários, palestras e outros eventos em todo território brasileiro, com a finalidade de explicar para todos o grande retrocesso que significa a reforma. Além disso, a CUT elaborou o site “Na pressão”, que pode ser acessado nesse endereço https://napressao.org.br/, onde os internautas enviam mensagens de WhatsApp e e-mails para os parlamentares exigindo a rejeição da proposta.

Pesa a favor dos trabalhadores o fato de 2018 ser ano de eleições. Os deputados, mesmo os que apoiam o governo, não estão interessados em manchar para sempre suas biografias aprovando, na prática, o fim da possibilidade de aposentadoria para a maioria das pessoas, principalmente a parcela mais pobre do povo.

E não há dúvida de que os sindicatos, como o Sintespo, farão ampla divulgação dos nomes dos parlamentares que votarem a favor da reforma, caso ela realmente venha a ser colocada para apreciação em plenário. Também não há dúvida que se isso vier a acontecer, a reeleição de muitos deles estará seriamente ameaçada.

Por outro lado, ainda há muita desinformação sobre essa reforma e é importante que todos saibam como vão perder com essa medida. Inicialmente, a idade mínima para se aposentar vai para 65 anos para homens e 62 anos para mulheres. Mesmo com a regra de transição, a grande maioria da população que já faz planos para se aposentar, vai ter de esperar mais alguns anos para isso.

Os servidores públicos precisarão de uma contribuição mínima de 25 anos para conseguir o benefício parcial e 40 anos para ter a aposentadoria integral. Hoje, os servidores públicos podem receber até o valor integral de seu salário. Se aprovada a PEC, todos receberão apenas o teto do INSS, que atualmente é de 5.531.

Fica clara também a ilegitimidade da reforma quando o governo, por medo de perder apoio de alguns setores estratégicos, os poupa das consequências drásticas da reforma. É o caso específico dos militares, que não serão atingidos. Eles representam um terço dos servidores públicos e são responsáveis por 44,8% do rombo de 72,5 bilhões de reais da previdência da União, segundo levantamento do Jornal O Globo.

Por esses motivos, entendemos que não há possibilidade alguma dos sindicatos apoiarem tamanho retrocesso. Nossa proposta continua a mesma, se botar pra votar, o Brasil vai parar.

O autor é Presidente do Sindicato dos Técnicos e Professores da UEPG (Sintespo)

O NATAL, O TEMPO E AS CRIANÇAS

Luiz Carlos Amorim


Natal chegando, mais uma vez, e eu percebo que, apesar de saber o que ele significa, sinto que o tempo, passando inexoravelmente, me mostra que minha idade vai avançando e eu vou mudando com ela. Vejo que aquela ansiedade para que o Natal chegasse já não é a mesma da minha infância, da minha juventude, do tempo em que minhas filhotas eram pequenas. Hoje elas estão adultas e a casa está vazia.

O Natal já não é mais tão alegre como outrora. Essa época de reunir a família e os amigos, de nos aproximarmos mais, de comemorarmos juntos a vinda de um Menino que traz sempre, todo ano, um punhado de fé e de esperança pra gente, acaba ficando um pouco triste, quando a gente já perdeu tantas pessoas queridas.

Não estamos sozinhos, é claro, e agradecemos a Deus por termos ao nosso lado muitas pessoas que amamos e poder abraçá-los na noite de Natal é uma bênção. Mas é inevitável lembrar de tantas outras almas abençoadas que não estão mais aqui e que fazem falta, muita falta. Almas que levaram um pedacinho do coração da gente. Então é preciso lembrar do Menino do qual estamos comemorando o nascimento, para não esquecer que nossos entes queridos deixaram, também, um pedacinho do coração deles para cobrir aquele pedacinho do nosso que levaram. Que eles estão, portanto, acolhidos num cantinho do coração e é com o coração que devemos abraçá-los. Coração que ficará mais leve, para dar as boas vindas ao Menino que está chegando para ocupar o seu lugar, se deixarmos.

De maneira que, para espantar a tristeza, para fortalecer a chama do Natal, preciso de crianças, mais do que em outras épocas do ano. Crianças são insubstituíveis no Natal, como se fossem a representação viva do Menino que renasce a cada ano. Podem ser netos, sobrinhos, afilhados, podem ser apenas crianças, simplesmente. Pode ser até nosso animalzinho de estimação, não raro o bebê da casa, por que não? Porque com criança o Natal é mais Natal.

O autor é escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 37 anos de literatura neste ano de 2017. Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras.

Síndrome de Burnout: do entusiasmo ao esgotamento profissional

Thais Rabanea

Na década de 70, o psicólogo Herbert J. Freudenberger foi um dos primeiros a observar alterações significativas de humor, atitude, motivação e personalidade associadas à exaustão profissional, culminando na formulação do conceito clínico para o burnout (ou esgotamento), descrito como um “estado de exaustão física e mental causado pela vida profissional”.

A síndrome de burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, constitui uma síndrome psicológica decorrente da tensão emocional crônica, vivida pelos profissionais, sobretudo, cujo trabalho envolve o relacionamento intenso e frequente com pessoas que necessitam de cuidado e/ou assistência. Sendo um transtorno de alta prevalência entre profissionais da área de saúde. Atualmente, a síndrome está registrada no Grupo V da CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde).

O termo “esgotamento” é formado pela raiz originária do latim “gota” (gutta), que significa líquido a escorrer, acrescida do sufixo da mesma origem “mento” (mentus), que confere um sentido de uma ação sofrida no passado acompanhada de uma mudança de estado. A palavra esgotamento parece nos remeter ao clássico provérbio português: “a última gota d’água faz transbordar o copo”.

Situações novas, desafiadoras ou ameaçadoras provocam uma resposta adaptativa de nosso organismo, a qual chamamos de estresse. Embora o estresse se configure como um mecanismo normal imprescindível para a manutenção da vida, ele pode se tornar patológico quando atinge o nível de exaustão, comprometendo substancialmente a saúde global.

Ambientes de trabalho tóxicos, caracterizados por carga excessiva de trabalho, remuneração inadequada, alta complexidade e hostilidade interpessoal, podem resultar em falência adaptativa e provocar o esgotamento. Aprender sobre o desgaste profissional e suas consequências potencialmente graves, bem como aumentar o conhecimento sobre como preveni-lo e tratá-lo são cruciais.

A síndrome de burnout é multidimensional e abrange três dimensões essenciais: exaustão emocional que se caracteriza pela sensação de estar no limite, falta de energia, fadiga e incapacidade de se recuperar de um dia para o outro; despersonalização que abrange atitudes de descrença, distância, frieza e indiferença em relação ao trabalho e aos colegas de trabalho; diminuição da realização pessoal, que implica em uma perda de sentido e entusiasmo pela atividade laboral.

É interessante observar que os profissionais que desenvolvem a síndrome de burnout são justamente aqueles que mais se dedicam e mais se identificam com os ideais e da profissão que exercem. Porém, tornam-se, ao longo do tempo, frustrados, desmotivados, descomprometidos e exauridos emocionalmente.

A humanização dos ambientes de trabalho, o resgate do sentido atrelado ao exercício da profissão e a moderação das expectativas são fatores que precisam ser reconsiderados em casos de esgotamento profissional.

Caso apresente ou observe em algum colega sintomas como dificuldade de concentração, cansaço excessivo, falta de energia, desânimo, alterações de sono e/ou apetite, apatia, isolamento, irritabilidade, dores de cabeça e adoecimento frequente, procure ou oriente a procura de um médico psiquiatra e um psicólogo.

A autora é mestre em Psicologia Médica e doutoranda em ciências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).