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Palavras para Tempos de Carnaval

O Brasil é o país do Carnaval – imagino que você já ouviu esta expressão. O mês de fevereiro traz consigo esta tradicional festividade, demarcada pelo samba, desfiles, fantasias e outros símbolos característicos. Esta pode ser considerada também uma festividade de excessos: fantasias rebuscadas, carros alegóricos, coreografias meticulosamente construídas e ensaiadas, representando – quer se goste ou não – uma imagem e uma expressão cultural consolidada no país. Mas nesse contexto de excessos, nem todos podem ser considerados levianamente, por exemplo: o consumo de bebidas alcóolicas também é exaltado, e associado à imprudência e à violência, pode acarretar incontornáveis consequências, independente da classe social - desde acidentes automobilísticos a estupros. Em se tratando destes últimos, lamentavelmente, há até mesmo “músicas” exaltando a alcoolização de mulheres, tornando-as mais vulneráveis à violência sexual, e nesse contexto, não há vítima mais vulnerável que crianças e adolescentes. Diante desse quadro, é tão mais fácil apontar o erro; difícil mesmo é tomar uma atitude – e é precisamente aqui que reside não só a possiblidade de mudança, mas nosso papel enquanto sociedade. O consumo de álcool na adolescência pode ocasionar severos prejuízos de caráter social e cognitivo, e é considerado crime por parte de quem o facilita. Não nos enganemos: a permissividade que assumimos para nós próprios acaba por se estender ao outro, de modo que um ato individual, a princípio inofensivo, representa a conivência com o mesmo ato quando praticado pelo outro. Assim, cuidemo-nos, sobretudo, de nós próprios, nossas escolhas e ações – não será mais honesto e responsável cuidar das nossas opções? E não custa repetir: se beber, não dirija (em tempos de Uber, qual a sua desculpa?); não incentive o consumo de álcool na juventude – esta prática pode acarretar consequências muito além do que o jovem, a família e a sociedade tem consciência; denuncie a violência contra a mulher, o jovem e a criança. A liberdade da carnavalização não pode ser dissociada da responsabilidade, na mesma medida que o prazer pessoal não pode jamais advir da vitimização do próximo.

 

Marcos Vinícius Barszcz é Psicólogo, Professor Universitário e Vice-Presidente do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente de Ponta Grossa.