Blog do Canabarro
LIMITES E CAPACIDADES

Um limite é uma barreira que se apresenta em nosso caminho. Pode existir de fato, como uma barreira física, mas também pode existir somente na nossa cabeça, que cria grandes e instransponíveis muros mentais. Capacidade é o que te permite ir além, é aquilo que te habilita, que lhe dá condições de evoluir, de aprender e de ser melhor que você mesmo, todos os dias de sua vida. O uso das capacidades nos dá ainda mais capacidade. Já o não enfrentamento dos limites, nos torna ainda mais limitados. E uma pessoa limitada – sozinha – não consegue progredir, não consegue se superar, e com o tempo vai se tornando incapacitada. Limites e capacidades são duas coisas inversamente proporcionais, ou seja, quando os limites reais ou imaginários crescem, as capacidades reais diminuem. A não capacidade é um peso, uma amarra, uma âncora que prende os pés e as mãos de um indivíduo, que ao enfrentar um desafio (um limite) acredita que não é capaz de vencê-lo e desiste, muitas vezes sem nem sequer tentar. E a desistência é uma sentença, é a derrota final. É diferente de um fracasso, porque para fracassar é preciso persistir até o final da missão, e mesmo quando não dá certo, resta o aprendizado, ou seja, não se perde tudo. Já a desistência não nos dá nem o bônus do aprendizado que nos faz acertar na próxima tentativa. Quem desiste não aprende, não consegue transformar a derrota em vitória e nem limite em capacidade.

DE ONDE VÊM OS LIMITES

Vou contar aqui novamente uma história que vivi em 2007 na APADEVI, que trabalha com deficiências visuais. Junto com alguns estudantes de Ensino Médio que participavam de um projeto de empreendedorismo fomos até a PADEVI de Ponta Grossa para ensinar aos deficientes visuais a produção e comercialização de bijuterias. Constituímos um grupo de 18 pessoas, sendo quatorze 100% cegos e quatro com resíduos de visão. Vendo aquele pessoal tateando as peças que iriam compor as bijuterias, sussurrei para uma outra voluntária que estava comigo “SERÁ QUE ELES VÃO CONSEGUIR”? Prontamente ouvi uma resposta de uma das integrantes do grupo “PROFESSOR, DEIXE QUE EU RESPONDO SE CONSIGO, PORQUE VOCÊ NÃO É CEGO”. Conto sempre isso porque para mim foi um despertar, pois se eu olhar meus alunos, meus colegas de trabalho, meus filhos, familiares, amigos, pelo olhar de minhas capacidades, posso ser eu o responsável pela colocação dos limites na vida de deles. Se eu enxergo, não posso dizer do que um cego é capaz. Qual é a capacidade de cada um? Do que ele é capaz? Até onde ele pode ir? Como explorar seu potencial e não elevar seus limites? Como aumentar as capacidades de uma pessoa?

QUAL É A MINHA MEDIDA?

As perguntas acima deveriam ser feitas todos os dias por professores, diretores e coordenadores de escola, presidentes, gerentes, chefes e supervisores de empresas, ou seja, todos que trabalham coordenando pessoas e que, por consequência, têm a medida do seu desempenho pautada no desempenho de sua equipe. Quanto mais eu desenvolver as capacidades da minha equipe, mais resultado eu vou gerar. No dia 21 de março “comemora-se” o Dia Internacional da Síndrome de Down e, infelizmente, muitas pessoas afetadas pela síndrome de Down ou outras síndromes ou deficiências, já são recebidos na sociedade, no mercado de trabalho ou nas escolas etiquetados com uma grande e reluzente etiqueta escrito “INCAPAZ”. Se nossos olhos só enxergarem a incapacidade, por que razão vamos gastar energia, tempo e dinheiro pensando em maneiras diferentes que auxiliem as pessoas – não só as com deficiência – a transpor seus limites, quebrar suas barreiras e conquistar o mundo a que ela tem direito? Se os consideramos incapazes, por que ficar procurando o caminho de como eles aprendem e como eles se superam? Se recebemos um aluno ou funcionário pensando que ele é incapaz, vamos criar um ambiente tão hostil que ele será mesmo incapaz, porque além de lutar contra os limites que a genética ou a vida lhe impuseram, terão que lutar também contra a nossa incapacidade de enxergá-los como pessoas ilimitadas, realizadoras e capazes. E para que isso se torne realidade, basta que nós quebremos nossos limites mentais em relação às capacidades dos outros. Faça disso a sua prática diária pensando que todo dia você tem a missão de auxiliar alguém a se superar.

UM TRABALHO QUE NÃO RECEBE MUITOS ELOGIOS

 

Sempre ouvi dizer que a mãe é o centro da casa, que a família gira em torno da mãe e que quando a mãe, por alguma razão falta, a família se desestrutura. Confesso que sempre achei um pouco exagerado, tipo aquelas frases que toda mãe fala: “se vocês não me derem valor, eu vou sumir e quero ver o que vai ser de vocês”. A minha falava isso sempre que ficava brava, ou seja, falava isso muitas vezes, afinal criar oito filhos sozinha deve ter sido algo bastante estressante. Lembro de uma vez em que ela perdeu o ônibus ao sair do trabalho e resolveu vir a pé para casa (de a pé, como se diz em Ponta Grossa), demorando muito mais tempo do que o normal. Eu tinha uns dez anos e até hoje quando penso nesse dia ainda sinto um aperto no coração porque achei que tinha chegado a hora da promessa se concretizar. Saí correndo pela casa desvirando todos os chinelos para que ela não morresse e, milagrosamente, ela apareceu. Ufa! Que alívio. A minha mãe nunca ficou sabendo, mas eu salvei a sua vida desvirando os chinelos, e também passei a acreditar nas promessas, afinal, não queria que ela sumisse.

SÓ VEMOS O QUE ESTÁ NA SUPERFÍCIE

O trabalho da mãe é uma atividade inglória, porque de modo geral nós, filhos, somos rebeldes, preguiçosos e meio “porquinhos”, principalmente quando crianças. Os pequenos não querem comer, nem tomar banho, não se comportam em lugares públicos como shopping, escolas e igrejas e, via de regra é a mãe que está lá, trazendo o pimpolho para a realidade. E quando o pai aparece se comportam como anjinhos, deixando a sensação de impotência na pobre mãe. Lembro de uma cunhada minha falando que os filhos dela não obedeciam, mas que era só um olhar do pai que ficavam bem “pianinhos”. Deve ser frustrante. Há uns cinco anos participei de um projeto junto com um grupo de psicólogos, psiquiatras e psicanalistas onde descobri que o trabalho da mãe é muito mais profundo do que sequer imaginamos e que o pai, por mais presente ou participativo que seja, será sempre um coadjuvante na formação física, mental, social e psicológica de seus filhos. Isso cria uma conexão tão forte que durante toda nossa vida gravitamos ao redor da mãe, tanto por conta de nossas forças quanto pelas nossas fraquezas, ambas desenvolvidas com a ajuda direta da mãe. Somos quem somos por ação direta das mães. Nossos filhos serão, no futuro, o que as mães sedimentarem neles as bases de seu caráter. Estão sempre conosco em todos os momentos e quase nunca nos julgam pelos nossos erros. Acompanhei alguns juris populares no fórum da cidade e sempre estavam lá a mãe do acusado e a mãe da vítima. E o pior de tudo é que normalmente as mães só têm seu valor reconhecido quando não estão mais por perto. Formam pessoas e não recebem muitos elogios com seu trabalho.

 9 MESES

Faz 9 meses que minha mãe faleceu. É o mesmo período de tempo que ela levou para ser minha mãe. Nesses meses sem a Dona Ani entendi perfeitamente a expressão “a mãe é o centro da casa”, porque a casa (família), sem ela, se desarticulou. Todos os irmãos se esforçavam para estar com ela nem que fosse uma vez por ano. Agora não temos mais essa razão, esse amálgama, que unia os filhos ao redor da mesa do almoço, e no máximo conseguimos reunir um ou outro de vez em quando. A casa em que ela morava não foi mais visitada. Meus filhos perderam uma grande referência de paz e tranquilidade. Por isso quando algum amigo meu perde a mãe fico pensando em tudo o que ele vai perder, todos os sorrisos, os encontros, as discussões, os abraços e principalmente a sensação de que alguém está cuidando da gente. Olho para minha esposa, que tem se desdobrado para fazer seu papel de mãe para uma geração autossuficiente e independente e penso o quanto ela é e será importante para o futuro das crianças. Por isso se você ainda tem sua mãe por perto, aproveite e se reúna em volta dela, independente da sua história e do passado, afinal, nenhum desentendimento é maior do que a possibilidade de estar vivo, que ela lhe proporcionou.

ESQUIZOFRENIA DIGITAL

 

Quando eu era adolescente um dos desenhos animados que eu e meus amigos gostávamos era A CAVERNA DO DRAGÃO. Em uma explicação simples, um grupo de jovens perdera-se no interior de uma caverna e não conseguia sair de maneira nenhuma. Sempre às voltas com aventuras, enigmas e dois “mentores”: o Mestre dos Magos (teoricamente do bem) e o Vingador (teoricamente do mal), esses jovens viviam em um universo paralelo, longe das amarras da realidade, onde suas fraquezas e seus limites eram colocados sempre à prova e quase sempre sua estada nesse universo virtual era estendida cada vez mais. Alguns anos depois, séries de TV, como LOST e agora séries do Netflix, exploraram e exploram esse mesmo conceito. As redes sociais e a conectividade estão produzindo um efeito semelhante, proporcionando a fuga da realidade e a circulação em ambientes onde nossas fraquezas não são expostas, onde o indivíduo não precisa olhar para si mesmo e para as coisas das quais não gosta em sua personalidade, atitude e aparência. Muitos se utilizam das redes sociais para renegar a própria história, expondo uma vida fake e menosprezando suas origens. As fotos são sempre na melhor luz, sempre com o melhor sorriso, as viagens e tudo o mais sem os estresses e contratempos da vida real. Tudo parecendo sempre perfeito e irretocável.

O VERDADEIRO EU

A sensação de controlar um espaço onde cada um constrói a imagem que bem entende, o comportamento e a comunicação da maneira que desejaria que fosse de verdade pode levar a uma contraposição entre o eu virtual e o eu real. No final das contas, quem é você verdadeiramente? O indivíduo bem resolvido das redes sociais, ou o homem comum da vida real? A esquizofrenia é um transtorno mental que significa a divisão ou cisão das funções mentais, podendo provocar confusão mental, paranoia, delírios e alucinações. A excessiva exposição ao mundo virtual pode provocar um efeito semelhante ao da esquizofrenia, ocorrendo uma cisão da personalidade da pessoa, fazendo com que um único indivíduo apresente dois comportamentos, duas histórias, duas vidas, uma na vida real e outra na virtual, correndo um sério risco de perder sua verdadeira identidade, diminuindo sua capacidade de interação social, pois a coragem, ambição e tudo o mais que são expostos nas redes sociais não eliminam as fraquezas reais de personalidade e caráter de ninguém.

A MODERNA CARVERNA DO DRAGÃO

Um dia desses pegando um transporte por aplicativo, ao final da viagem fui provocado a avaliar o motorista, atribuindo a ele uma “nota” de 1 a 5 estrelinhas. Lembrei do meu tempo de escola, quando no Ensino Fundamental (Primário para os mais velhinhos) como eu ia para casa cheio de orgulho porque a professora colocara uma estrelinha no meu caderno. Imaginem como eu ficaria se ela colocasse 5!?! Descobri que o motorista também atribui estrelinhas para mim, como passageiro, e fiquei imaginando o que eu deveria fazer para merecer 5 estrelinhas: sentar comportado, colocar o cinto de segurança, oferecer balas e água para o motorista, perguntar se a música estava boa? Sei lá, mas isso mostra o quanto as mídias sociais afetam a vida de todas as pessoas. São elas a nova Caverna do Dragão, onde cada um contorna ou ignora suas fraquezas, numa corrida desenfreada atrás de estrelinhas e curtidas, transitando no meio dos followers ou seguidores (teoricamente do bem) e os haters ou inimigos (teoricamente do mal), que são o Mestre dos Magos e o Vingador modernos. E você ainda sabe quem você é?

50 ANOS

 

Dos meus 6 aos 11 anos de idade era hábito passar as férias de julho na casa do meu avô, pai da minha mãe. Ele era agricultor em Piraí do Sul, morava numa casa grande com a Tia Elísia que sempre foi solteira e “cuidava” do vovô.  A casa tinha uma sala enorme de chão batido. Tenho lembranças bastante frescas na minha memória desses períodos que passava lá, e uma das coisas que meu avô me ensinou foi saber quando vai ter geada sentindo o cheiro da atmosfera na noite anterior. Não serve para muita coisa, mas algumas pessoas se impressionam com essa minha habilidade. Mas a lembrança mais viva que tenho era da rotina do meu avô, um senhor com mais de 90 anos. Ele sempre madrugava. Lá pelas 5h da manhã, comia um prato enorme de virado de feijão com ovos e linguiça, tomava café preto extremamente forte, um prato de leite recém ordenhado com farinha de milho, colocava um dedinho de rapé em cada narina, montava em seu cavalo branco e saía para a lida. Passava o dia no campo trabalhando e voltava ao escurecer. Logo após ele iam chegando o tios, primos e agregados que também haviam trabalhado o dia todo na lida do campo. Amarravam seus cavalos na cerca em frente à casa e se juntavam ao meu avô, sentados em bancos forrados com peles de ovelha curtidas, na sala de chão batido. Um deles fazia um fogo de chão no meio da sala, o que afastava o frio do inverno e iam todos se reunindo, passando de mão em mão uma cuia de chimarrão bem quente. A presença das crianças (que eles chamavam de “piruás”) era proibida.

LAVA-PÉS

Ao redor daquela fogueira iam conversando sobre os acontecimentos do dia e os planos para o futuro, enquanto a tia Elísia fazia o jantar no fogão a lenha. Em um determinado momento da conversa meu avô escolhia um dos netos pequenos para que este lavasse os seus pés. Quando chegava perto desse horário era a oportunidade que eu tinha de me juntar aos adultos e ouvir suas histórias, então eu sempre ficava por perto para ser escolhido para a nobre missão e ter permissão para entrar na roda. Era uma cerimônia bastante rebuscada. Preparar a água, que devia ser quente na temperatura certa. Colocar um pelego no chão e uma gamela de madeira em cima. Despejar água quente em seu interior. Tirar as botas e as meias dos pés do meu avô, lavar um pé e depois o outro e secar os dois, e para finalizar, dar a ele o calçado para usar em casa. Todo esse processo levava em torno de 40 minutos. Tempo suficiente para aprender muita coisa, principalmente a humildade de, sem reclamar ou me sentir explorado, lavar os pés do mais velho da casa, em sinal de respeito. Dessa época para cá se passaram 40 anos e eu cheguei ao meio século de vida. Lembro claramente de quando minha mãe completou 50 anos e eu pensava: meu Deus como minha está velha.

A IDADE NÃO É O PROBLEMA

Desde que completei 50 anos tenho vivido um conflito interno, pois tenho consciência que estou caminhando fisicamente para a 3ª idade, mas internamente meu espírito continua jovem. Os pensamentos, planos, projetos e atitudes, que são coisas que vêm de dentro, não enxergam a idade que tenho externamente. O corpo acaba não mais acompanhando o pensamento. Vendo o desenho animado do Pequeno Príncipe (isso mesmo), em um dado momento é dito que crescer não é o problema, o problema é esquecer que foi criança, e isso é o que te envelhece. Isso me trouxe um grande alento, pois tenho em minha memória fatos quentinhos e gostosos de quando eu era criança. Lembro como se fosse hoje dos amigos da escola, dos jogos da inspetoria, dos colegas de trabalho (comecei com 11 anos), dos times de futebol da Rua Tomazina, dos carrinhos de rolimã e das festas de garagem da adolescência. Lembrar da infância e da juventude, sem saudosismo, mas com carinho, nos refresca a alma e nos amolece o coração. Olhe para a sua história e o seu passado sem muitos filtros ou autocrítica, afinal somos o que somos por conta de tudo que vivemos, fizemos, aprendemos e ensinamos durante a nossa caminhada.  

COMBATER O BOM COMBATE

Recentemente recebemos a notícia do falecimento de uma criança. Dois anos e oito meses. Lutando para sobreviver desde o nascimento. Acabou desenvolvendo leucemia e lutou bravamente, até o fim. Perdeu peso, perdeu os cabelos, perdeu a vitalidade, mas não perdeu o sorriso e a pureza. Muitos, assim como eu e minha esposa, acompanhavam a sua batalha, entrando e saindo de hospitais, sessões de quimioterapia e outras histórias difíceis de ouvir e conhecer sem sentir um nó na garganta. Como pode uma criatura tão pequena, tão frágil, ser tão forte? O fato é que a notícia nos quebrou ao meio e me trouxe uma reflexão. Quantas vezes passamos os dias sem dar importância aos bons momentos que a vida nos proporciona? Reclamamos de quase tudo e, além de reclamar, somos bons companheiros de reclamação. Note que quando alguém começa a falar de coisas boas, de bons acontecimentos ou de boas notícias, as pessoas se afastam. E muitas vezes saem falando mal do alvissareiro, falando que ele estava “se achando”, ou no linguajar pontagrossense, que ele “estava se metidando”. Mas quando alguém começa a reclamar, sai de baixo, que começa a juntar gente, todos apoiando e comungando da reclamação. E sempre tem aquele que tem mais reclamações para acrescentar ao fato reclamado.

SÓ RECLAMA QUEM ESTÁ DE BARRIGA CHEIA

Do meu ponto de vista esse é um dos mais corretos ditados populares, pois nunca vi quem está de barriga vazia reclamar de um prato de comida, seja qual for o seu conteúdo. Com fome até pão com banana vira um banquete. Lembro do tempo em que eu era criança e a mãe só podia fazer mingau de alho para comermos, pois não tinha mais nada na despensa. DETESTO ALHO! Mas comia mesmo assim pois de barriga vazia até alho serve. De barriga cheia, até hoje reclamo quando encontro alho na comida. E essa análise vale para qualquer situação e para qualquer condição. Reclamamos sempre daquilo que está disponível, como se o indisponível, o inalcançável, fosse mais importante que tudo. E acabamos por menosprezar o que possuímos, o que somos e o que vivemos. Parece que perdemos a habilidade de agradecer pelos dons que Deus nos presenteou. Agradecer pela vida, pela saúde, pelos filhos, pelo trabalho, pela vida corrida e pelas oportunidades. Devemos agradecer também pelas dificuldades, pois elas têm um papel importante na história de nossas vidas. As dificuldades, grandes ou pequenas, nos fazem enxergar melhor as coisas simples e boas que a vida nos traz, e também nos fortalecem e nos tornam mais resistentes. Afinal, a cada queda, a cada ferida, a cada osso quebrado, a cada frustração, ficamos mais fortes e maduros, e passamos a ver a vida com olhos melhores e mais realistas.

VIVER A CADA MOMENTO

Vivemos como pássaros cegos, voando às escuras, sem certeza do destino. Mas quando a morte se apresenta em nossas vidas, somos puxados de forma abrupta para a realidade. Nossos pés se prendem ao chão, como se pesassem 1 tonelada cada um. E nesse momento, nenhuma reclamação faz sentido, nenhum malquerer, nada... Fica na nossa cabeça somente uma pergunta – “E se eu...?”. Por isso, vamos viver e celebrar a vida que vivemos, não se espelhando na vida do outro, porque assim, de corpo e alma dentro da própria vida, cada dia terá significado, cor, sabor e valor. De maneira que todos os questionamentos da hora derradeira sejam substituídos pela sensação de que aquela história que está se acabando foi escrita por todas as páginas possíveis. Sempre falo nas minhas aulas que devemos viver de maneira que, quando olharmos para trás, tenhamos aquela sensação de que devoramos a vida da mesma forma com que mordemos a fruta que mais gostamos, com a boca cheia, com sumo escorrendo pelos cantos dos lábios e com a sensação de que não poderia ser melhor.

FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2019 PARA TODOS. Retornarei com as colunas inéditas a partir da segunda quinzena de janeiro. Fiquem com Deus.

 

SUA ORIGEM NÃO DEFINE SEU DESTINO

Até onde você pode chegar na sua vida? Que portas você será capaz de abrir e que montanhas será capaz de escalar? A vida é um oceano de oportunidades e nenhuma dessas oportunidades tem dono, ou seja, podem ser de qualquer um. Qualquer pessoa que esteja com a mente e o coração preparados, pode abraçar as melhores oportunidades e construir uma história de vida inspiradora. Sempre que conheço pessoas que chegaram em posições de destaque e de aparente sucesso profissional ou pessoal eu as questiono sobre como eram sua infância e adolescência. Invariavelmente essa pergunta cria uma certa surpresa, mas sempre as respostas são bastante interessantes. Em 100% das vezes que pude perguntar para as pessoas sobre o tempo em que eram jovens alguns pontos apareceram em comum:

a) eram crianças e adolescentes normais, ou seja, brincavam, aprontavam, namoravam;

b) todos estudavam e viam na escola a chance de uma vida melhor;

c) muitos começaram a trabalhar muito jovens, mas continuaram na escola;

d) a maioria tem histórias de vida difíceis, ou famílias com vida simples;

e) todos eram e são muito otimistas e acreditavam no futuro.

O PASSADO ATRAPALHANDO O FUTURO

Precisamos entender que é o nosso passado que determina como agimos no presente. E se olharmos as coisas pelo ângulo errado, o passado pode ser o grande destruidor de sonhos, bloqueando nossas iniciativas, destruindo nossa autoconfiança e nos fazendo acreditar que as coisas boas são só para os outros, não são para nós. Olhar para trás tem que ser um exercício de reflexão, de auto avaliação, de impulsionamento. É a hora de ver as dificuldades da vida e analisar: eu venci, passei por elas com alguns ferimentos, mas sobrevivi e estou aqui, vivo e com a oportunidade de escrever um futuro diferente. E todas as marcas, mágoas, sofrimentos, complexos e frustrações devem servir para nos deixar resistentes e confiantes, com a “pele grossa” para enfrentar o que vem, para encarar a vida de frente, para aproveitar cada brisa suave, cada janela para o céu, sabendo que não será fácil e que derrotas virão, mas nunca serei derrotado por mim mesmo.

OLHAR PARA FRENTE

Não temos o hábito de provocar nossos jovens para planejarem sua vida futura. Nem em casa, nem na escola, nem em lugar nenhum. A velha pergunta “ o que você vai ser quando crescer?” pode ser a faísca para mudar o rumo de uma criança, de um adolescente. Promover o debate, a reflexão e o planejamento, auxiliando a juventude a estabelecer uma visão de futuro, desenvolvendo a sua capacidade de sonhar e de fazer projetos. A ausência dessa conversa criou uma legião de adolescentes que vivem um dia de cada vez, como se não houvesse amanhã, deixando que a vida os levem, sem rumo. Viver uma vida sem sonhos é o mesmo que viver sem um propósito. As grandes conquistas não são fáceis, por isso são para poucos. Aqueles que tiverem coragem de quebrar a corrente do passado, de quebrar o comportamento a que está acostumado com os amigos e a família, poderá abrir um caminho novo, uma trilha nova, pisando lugares que ninguém antes conquistou. E a cada passo em direção ao sonho, em direção ao futuro, o medo vai aparecer, vai dificultar a respiração, vai trazer de volta a vontade de desistir e se acomodar porque viver, sendo o protagonista da história, é para poucos. Olhar para o passado pelo ângulo das vitórias e do aprendizado das derrotas é a propulsão que precisamos para tornar o futuro mais próximo e mais possível e você poderá ser aquilo que desejar e estiver preparado para conquistar.

 

E SE EU APERTAR UMA TECLA E APAGAR TUDO?

 

Normalmente a pergunta do título é feita diante de um computador, por alguém que nasceu antes de 1980 e é seguida por uma resposta do tipo “Oh tio, isso não dá nada. Deixa que eu te mostro”, dada por alguém que estava com o nariz enfiado no celular e que nasceu após 1998. Lembro que eu estava com a família na praia no final de 2015 e conversávamos com um senhor idoso no hall do prédio. O Benjamin (nascido em 2014), brincava pelo chão e Rebeca (nascida em 2015) estava no meu colo. Não enxergando a hora marcada no visor, o senhor virou a tela para mim, para que eu lesse a hora (mas também não enxerguei nada, hahaha) e a Rebeca colocou o dedinho indicador no celular e fez o movimento de deslizar para mudar a tela. Detalhe: eu não sabia que ela sabia fazer isso. E até agora não sei onde ela aprendeu. O fato é que a relação dos jovens com a tecnologia é tão normal e descomplicada que parece que já nasceram sabendo usar equipamentos eletrônicos. O fato é que o avanço tecnológico experimentado nos últimos 25 anos tem sido acompanhado paralelamente por uma profunda mudança de costumes e comportamento, principalmente da parte dos mais jovens. As relações são aprofundadas primeiro no ambiente virtual, para somente em um segundo momento serem trazidas para o plano real. Hoje em dia falam das gerações usando letras, para diferenciar os diferentes comportamentos.

QUE GERAÇÃO É ESSA?

Costumo brincar que eu e meus amigos da mesma faixa etária constituímos a GERAÇÃO V – de Velhos. Afinal crescemos brincando na rua, jogando queimada, conversando nas calçadas, no pátio da escola, nos grupos de jovens ou através do 145 – Disque Amizade, no telefone de discar. Quem lembra como fazia para quebrar a segurança do cadeado do telefone e ligar para o 145? (Lembrou? Você é da Geração V). De maneira breve a Geração X (1961-1980) é a última geração que viveu o auge da adolescência sem internet. Foi a que mais discutiu como mudar o mundo e buscou viver com intensidade, com aprimoramento pessoal e leu muito autoajuda.  A Geração Y (1980 a 1997) nasceu e cresceu com o comportamento moldado pela tecnologia e que ama divulgar sua vida nas redes sociais. Ser relevante é vivenciar experiências exclusivas e ser interessante. A geração Z (1998-2009) é a geração que abraça a diversidade absorvida na internet e lidera a mudança ao agir no mundo por meio de ações práticas. Usam da internet e das tecnologias digitais para se tornarem mais inteligentes, seguros e maduros, mesmo muito novos. Nascidos a partir de 2009 são geração Alpha, que é a geração dos conectados e autossuficientes que não verão mais a tecnologia como algo separado da vida humana. Tudo será tecnologia digital e tudo estará conectado com o resto do mundo. Isso explica o conhecimento inato da Rebeca.

O NOVO CONFLITO DE GERAÇÕES

Em qualquer casa onde tenha um jovem das Gerações Z ou Alpha uma discussão comum gira em torno de que eles deveriam tirar os olhos da tela do celular e olhar o mundo ao redor, falar com as pessoas, prestar atenção no que acontece à sua volta. Esse novo conflito só tende a se aprofundar, pois os velhos estão ficando mais velhos e as gerações estão ficando mais novas. O gap só tende a aumentar. E desconectar um jovem da internet pode ser desconectá-lo da sua realidade e transformá-lo em um jovem idoso e fora do seu tempo. Quem sabe nós, Geração V, devemos deixar a nossa juventude e nossos hábitos no passado e tentar compreender a nova juventude e seus novos hábitos.

O QUE VOU SER QUANDO CRESCER?

Trabalho e estudo são duas atividades que ocupam uma parcela importante de nossa vida. Durante a juventude, frequentar a escola é no que mais se dispende tempo. Pode-se dizer que é a profissão do jovem, mas a escola ainda é um ambiente mais tranquilo e controlado. Costumo dizer que a escola é o único lugar na sociedade moderna em que uma pessoa progride alcançando um desempenho só de 60% e com frequência de 75%. Nenhuma outra atividade aceita esses números. Já o trabalho é tão poderoso na nossa definição de pessoa que, muitas vezes, nossa profissão é mais conhecida que a nós mesmos e a empresa na qual trabalhamos passa a ser nosso sobrenome. Eu por exemplo, tem muito mais pessoas que sabem que sou professor do que pessoas que sabem meu nome e também sou chamado de Professor Canabarro da UTFPR. A profissão é o palco onde o mundo da escola e o mundo do trabalho se encontram. Você só terá uma profissão se alcançar e concluir uma faculdade. Seu diploma lhe dará o direito de ocupar um lugar nobre no mercado de trabalho e a profissão será sempre sua propriedade. Não estudar e abandonar a escola é abrir mão de um universo de possibilidades e abraçar um futuro de poucas oportunidades e baixa renda. Quantos jovens estão, neste momento, pensando em abandonar a escola e decidindo se o seu futuro será de oportunidades ou será de dificuldades. Oportunidades e dificuldades são os dois lados da mesma moeda, ou seja, de permanecer estudando ou abandonar tudo e tentar a sorte no mundo do trabalho.

MERCADO FUTURO

O problema é que a tecnologia, que é tão importante para os jovens, está promovendo uma grande mudança na forma de trabalho e no perfil dos futuros profissionais (futuro próximo, diga-se de passagem). O uso da internet, da automação e da inteligência artificial no processo produtivo está criando uma demanda crescente por profissionais com alta escolaridade, muita qualificação profissional e grande capacidade de solucionar problemas. Ou seja, aquele que abandonar a escola, está se colocando fora desse universo, e terá que se contentar com o que sobrar. Tenho percebido que muitos jovens hoje em dia não projetam sua vida no futuro. Não imaginam como estará o mundo e o mercado de trabalho daqui há 10 anos e quais serão as oportunidades e a condição de vida no futuro. Vivem o dia de hoje como se não houvesse amanhã. Mas haverá. E com o tempo vem a idade, e com a idade vêm as responsabilidades. E para fazer frente às responsabilidades vem a necessidade de conseguir um trabalho. E o tipo de trabalho vai influenciar toda a vida futura do indivíduo, porque o salário será decisivo para quase tudo: para o tipo de alimentação, de moradia, de férias, de escola, de segurança. Pensar em todas essas coisas que a vida adulta exige e estar preparado somente para disputar empregos que pagam salário mínimo, deixa o futuro meio nebuloso.

ATUALIZE-SE

Lembro quando eu era adolescente e tinha um amigo que fazia o curso de torneiro mecânico no SENAI. Para nós, seus amigos da vila, ele seria a pessoa mais bem-sucedida de todos nós. O problema é que o mundo mudou e a profissão de torneiro mecânico praticamente saiu de moda. Hoje o torneiro é antes de tudo um grande conhecedor de softwares de projetos de peças. O torno foi substituído pelas centrais de usinagem que obedecem aos comandos de um computador. E aquele meu amigo não acompanhou a mudança e foi expulso do mercado. Com mudanças tão drásticas e relativamente rápidas no mercado, escolher a profissão e definir o que vai ser quando crescer não é mais algo tão simples. Mas uma coisa é certa e não vai mudar tão cedo: a necessidade de estarmos atualizados e sempre aprendendo, sempre estudando e sempre nos reinventando. Ser um profissional novo a cada época e sempre conectado com o seu tempo, para não se tornar obsoleto e passar a compor os números de pessoas que não conseguem, em nenhum tipo de trabalho, se colocar no mercado.

 

A CRIANÇA ESTÁ MORRENDO

Uma bala perdida... uma criança ao portão... e o fim de uma promessa. Sim, uma criança é uma promessa. É um universo inteiro de possibilidades. Filho de traficantes, ou de trabalhadores, ou de milionários, a criança é a chance de redenção de todos. Por isso, a morte de uma criança é sempre uma tragédia, não importa em que circunstâncias. Não importa se é pobre ou rico, se estava doente, se tinha alguma síndrome, se tinha saúde plena. É SEMPRE UMA TRAGÉDIA. Por vezes fico olhando meus filhos pequenos brincando pela casa e imaginando como podem ter tanta alegria e energia, tanta vontade de descobrir coisas e tanta capacidade de fazer bagunça. A casa com criança é barulhenta, bagunçada e feliz. A casa sem criança é organizada e triste. Meu avô (que faleceu com 111 anos!!) me disse certa vez: “Nelsinho, onde tem juventude, não tem quietude.” E é a mais pura verdade. Criança é vida. Criança é alegria. Criança é a renovação da aliança e do amor de Deus pela humanidade. É a renovação da própria humanidade. Não existe tempo para envelhecer quando se tem crianças por perto. Elas simplesmente nos arrastam com a sua juventude e nossas dores e preguiças trazidas pela idade são obrigadas a desaparecer.

TEMPO DE ESCOLA

Eu fui feliz nas escolas por onde estudei. No General Ozório tinha dias que a supervisora (Dona Fátima) me obrigava a ir embora, porque enquanto eu podia, e ninguém via, eu ficava por lá. Na biblioteca, na quadra, no Centro Cívico, na fila da merenda... De família muito pobre, eu estava sempre com o estômago roncando e a fila da merenda era o melhor lugar para passar o recreio. Faltar aulas só se fosse em caso de extrema doença. Quando criança/adolescente eu era muito magro, canelas finas (lembro de uma namoradinha da 7ª série, super romântica, que falou assim “tua perna é seca, né?” Kkkk), cabelo comprido porque era moda. Se bem me lembro, eu devia ser bonito como um escovão. Andava sempre com o Marquinhos que era ouriçado, magrelo e baixinho, com a Kelly que tocava violão como ninguém e eu tinha amigos gordos, brancos, negros, meninos, meninas, altos, baixos. Algumas amizades que cultivo até hoje mas que a pressa e as necessidades da vida não permitem que nos encontremos sempre. Era um tempo em que dava para ser criança, onde a preocupação era tirar notas azuis e comer salada.

MORTE COMPORTAMENTAL

A morte física de uma criança é difícil de compreender e quase impossível de aceitar. Mas um outro tipo de morte está atingindo um grande número de jovens: é a chegada cada vez mais precoce do “não ser mais criança”. Muitas coisas estão sendo antecipadas na vida dos pequenos, coisas que estão matando a infância. Temas que não deveriam sequer passar perto deles estão cada vez mais comuns e frequentes. Drogas, álcool, sexualidade, dinheiro, namoro, violência, desamor, desrespeito aos pais, desinteresse pela escola... coisas destrutivas que estão sendo colocadas na vida dos jovens em lugar de temas mais estruturantes que preservassem a sua inocência e a sua ingenuidade e auxiliassem a construção de um homem e uma mulher mentalmente desenvolvidos, psicologicamente fortalecidos e socialmente conscientes. Vejo que eu e meus amigos da mesma faixa etária trazemos para a vida adulta muito do que éramos e fazíamos quando criança/adolescentes. Mais da metade do que somos vem dessa fase da vida, por isso manter viva a infância, manter viva a criança existente na memória e no coração de cada um nos permitirá sermos adultos melhores e com mais saúde mental. Afinal é o coração de uma criança que permite a entrada no reino de Deus.

(PS.: um abraço para os alunos da Escola Monteiro Lobato. Muito obrigado por me acompanharem).

 

NÃO DÁ MAIS PARA SUPORTAR

O processo eleitoral para Presidente da República está sendo o pior acontecimento da história recente do país. O Brasil está com as vísceras de fora. Com todos os ossos quebrados e expostos. A tal unidade nacional está sangrando e parece condenada. Nunca presenciei um processo tão destrutivo como o que está acontecendo atualmente. As pessoas estão empunhando suas bandeiras e defendendo seu escolhido das piores maneiras possíveis. E neste caso não tem nenhum lado que possa ser chamado de vítima. Os dois candidatos e todos das suas equipes estão fazendo um trabalho muito intenso de promoção da agressividade e do enfrentamento. Um lado com o olhar carregado de ódio, grita que o outro lado promove o discurso do ódio. E assim o ódio vai imperando e promovendo a quebra de laços de amizade, xingamentos em redes sociais, brigas, palavras de baixo calão, entre outras coisas. Parece que as pessoas perderam o chão e esqueceram que, se o Brasil der errado, dá errado para todo mundo. No dia 27 de outubro ocorrerá o segundo turno das eleições, e no dia 28 de outubro, uma segunda-feira, aqueles que tem emprego terão que ir trabalhar. Os que estudam irão para sua escola. E vencedores e derrotados se encontrarão. E como será esse encontro?

POR QUE UM SEGUNDO TURNO TÃO LONGO?

Vi o resultado de uma pesquisa eleitoral (nota: desde que me lembro de votar em alguma eleição, nunca fui “pesquisado”) que dava os números referentes ás respostas para a seguinte pergunta: EM QUAL CANDIDATO VOCÊ VOTARIA, COM CERTEZA, INDEPENDENTE DO QUE ELE FIZESSE? O que deu 59% para um e 31% para outro.

Nesse cenário, o resultado da eleição já está definido, pois a pergunta é bastante clara. Nesta eleição, em particular, em função dos recentes acontecimentos políticos, e em função da rejeição do governo do Partido dos Trabalhadores – que não significa necessariamente rejeição ao candidato do PT – acredito que os votos para o segundo turno foram definidos no minuto seguinte à divulgação do resultado do primeiro turno.

Quem NÃO VOTA de jeito nenhum em Haddad votará no Bolsonaro.

Quem NÃO VOTA de jeito nenhum no Bolsonaro votará no Haddad.

E não vejo muita gente cruzando a linha de lá para cá e de cá para lá. Independentemente do que estão falando, fazendo, verdadeiro ou falso. Assim, a campanha do segundo turno das eleições está servindo somente para aumentar a animosidade entre o povo.

O PIOR DE TUDO

Qualquer candidato que entrasse para o segundo turno no lugar de qualquer um dos dois que passaram, não acirrariam tanto os ânimos. E o pior de tudo que os dois são crias do PT. Haddad colocado como side chicken de Lula não conseguiu consistência para dar uma nova roupagem ao PT e Bolsonaro que surgiu para a mídia e cresceu com seu perfil espalhafatoso, falastrão e verborrágico, como o anti-PT, é um personagem que muitos queriam e clamavam, por falar o que muitos queriam falar. Não creio que em um processo eleitoral saudável e comum, ganharia esta projeção. Ou seja, talvez estejamos escolhendo entre o ruim e o pior.

Penso que a maioria das pessoas que eu conheço que estão se confrontando, não são nem de longe conhecidas pelos candidatos, ou seja, ganhando ou perdendo, na segunda-feira pós segundo turno, nós pessoas comuns teremos que dar seguimento à nossa vida e os dois candidatos voltarão para suas rotinas, um em Brasília, outro em casa, sem sequer saber que existimos.