Blog do Canabarro
LUGAR DE CRIANÇA É...

Tenho quase certeza que você completou a frase acima com “...é na escola!”. Porque lugar de criança é na escola mesmo, aprendendo, se desenvolvendo e crescendo como pessoa. A família pode ensinar muita coisa, mas em família uma criança é uma criança, na escola torna-se um cidadão. Cada pessoa entra na escola e, após sua jornada estudantil, torna-se um adulto com conhecimento e possibilidades. É impossível dissociar a infância da escola, o que implica em dizer que é impossível separar a imagem de uma criança da imagem de um professor. São os professores que promovem as grandes revoluções mentais em cada um de nós. É o único profissional que nos acompanha em praticamente toda nossa vida produtiva. Transformam-nos, nos ensinam, nos moldam e nos inspiram. Olhando para trás na minha trajetória estudantil (que ainda não terminou) eu vejo o quanto fui influenciado e inspirado por meus professores. Lembro com carinho da Dona Áurea, minha primeira professora, que me ensinou a ler e escrever. Um dia a encontrei quando eu fazia uma palestra no CEFET para os pais de novos alunos. Ela chorava e seus olhos brilhavam quando veio conversar comigo, feliz por me ver ali, palestrando. Quando fiquei diante dela me ocorreram dois grandes insights.

PASSADO E FUTURO

O primeiro foi ao me posicionar em frente à Dona Áurea. Senti como se fosse novamente uma criança, principalmente quando ela chegou perto de mim e me chamou de Nelsinho, que era a forma carinhosa com que me tratava na escola. Foi muito reconfortante me transportar àqueles dias na infância onde havia poucas preocupações na vida, e sentir novamente aquele olhar protetor pousando sobre mim. Ou seja, e professor é para sempre. Dona Áurea me abriu os olhos e os ouvidos da mente e expôs todos os meus potenciais. O segundo fenômeno foi o entendimento de qual é a grande realização de um professor. Seus olhos brilhando por me ver palestrando me fizeram ver o quanto ela estava feliz e realizada por saber que a sua ação, lá na minha infância, foi uma das etapas que me levaram até aquele momento. E de fato ela e outros professores, todos grandiosos dentro de suas capacidades e personalidades, ajudaram a formar em mim muito do cidadão, do profissional e do homem que sou.

ETERNO PROFESSOR

Cada mestre nos deixa uma marca que nunca se apaga e todos vão estar sempre em nossa memória. As experiências que vivi pelas escolas por onde estudei sempre são testemunhadas pela figura de um professor. Hoje em dia depois de tantos anos de sala de aula já tenho a grata satisfação de encontrar ex-alunos exercendo suas profissões e vejo nos olhos deles aquele sentimento que eu tenho diante dos meus ex-professores. Por isso hoje, 15 de outubro, dia destinado a homenagear o professor, vá até suas redes sociais e faça uma lista daqueles professores que realmente transformaram sua vida. Agradeça e enalteça o trabalho de cada um deles. Em um país onde a classe do magistério tem sido bastante maltratada, onde escolas vão sendo sucateadas, talvez a sua homenagem singela e sincera possa alimentar a chama transformadora que existe no coração de cada professor. Quanto a mim, vou fazer a minha lista e agradecer aos meus formadores e inspiradores. Se lugar de criança é na escola, a alma de uma escola é formada por seus professores. Uma escola viva depende de uma quadro de docentes criativos, vibrantes e motivados.

SOFT SKILLS

Numa tradução ao pé da letra, o título acima significa habilidades suaves ou leves, e referem-se às habilidades que uma pessoa precisa ter para estabelecer relações interpessoais de qualidade, para criar uma grande e robusta network e para, simplesmente, conseguir conviver em sociedade. Esses tipos de habilidades têm sido colocados pelos visionários do mercado como as mais importantes para os líderes do século XXI, porque são habilidade que permitem a alguém construir equipes de alto desempenho. Numa sociedade que está passando pela quarta revolução industrial, a tão falada e propalada INDÚSTRIA 4.0, aonde a tecnologia vai gradualmente substituindo a mão de obra humana, falar de habilidades de relacionamento interpessoal parece algo contraditório. Afinal a busca pela automatização, o desenvolvimento de máquinas que aprendem com erros, que corrigem suas próprias falhas, do uso da internet para tudo, parecem levar fatalmente à subutilização do ser humano no mundo do trabalho. Participei a alguns anos atrás de uma apresentação feita por uma indústria de papel da região, onde ela mostrava uma máquina que havia comprado na América do Norte, que substituiria a mão de obra de 100 operários na floresta. Na ocasião questionei o que seria feito desse pessoal e obtive como resposta um significativo silêncio de uns 30s aproximadamente.

QUEM RESTARÁ NO MERCADO?

Eu não sabia, mas estava presenciando os primeiros passos disso que estamos todos assistindo atualmente da desumanização e da robotização do trabalho. Observem agências bancárias (talvez o exemplo mais forte) e a atividade industrial, como gradativamente vão reduzindo a participação de pessoas na sua linha de operações. Considerando essa realidade, por que então se torna imprescindível a contratação de pessoal com grandes habilidades relacionais? Existem muitos fatores que apontam para essa necessidade. De forma bastante objetiva vou abordar alguns deles, que entendo como fundamentais. O primeiro fator está relacionado à questão do aumento da demanda por bens de consumo em todo o planeta. A produção agrícola e a industrial precisam desenvolver novas maneiras de suprir a demanda. O segundo fator está na composição das famílias modernas, que já faz algum tempo vem reduzindo cada vez mais o número de filhos, sendo muito comum famílias com filho único ou sem filhos. A ausência de irmãos e, consequentemente, de primos, diminui a necessidade da convivência e das disputas que esta impõe, afetando o desenvolvimento de habilidades comportamentais na fase da infância.

PARADOXO

O terceiro fator, talvez o mais decisivo de todos, é a portabilidade da tecnologia que abriu um universo de possibilidades de entretenimento, diversão, aprendizagem e tudo o mais na palma da mão, o que acaba por restringir cada vez mais as relações reais e presenciais. As conexões atualmente são feitas de maneira virtual, o que impede o desenvolvimento das habilidades relacionais construídas no dia a dia, nas interações sociais presenciais. Paradoxalmente a tecnologia que nos apresenta a um universo de possibilidades é a mesma que restringe de forma considerável o nosso universo pessoal de relacionamentos. Somados esses elementos, muitos jovens com pouca empatia, baixa capacidade de comunicação, pouca inteligência emocional, sem resistências ás frustrações e sem saber dar vazão aos seus sentimentos, têm entrado no mercado, e precisam de lideranças firmes e empoderadas que consigam tirar de cada um deles o melhor humano que podem ser.

 

REFORÇO POSITIVO

Nelson Canabarro

Sempre falo nas minhas aulas na universidade algumas frases que são bastante usadas no mundo corporativo. Frases do tipo: - Manda quem pode, obedece quem tem juízo. - Quer bem feito, faça você mesmo. - Você é pago para fazer, não é pago para pensar. - Elogiar estraga.

Notem que todas elas servem de reforço negativo, ou seja, mostram o lado ruim das relações e do ambiente de trabalho. São frases usadas em contextos de conflito, de enfrentamento e de desacordo. Considero todas muito danosas para o dia a dia de qualquer corporação mas a última, principalmente, mostra o quanto alguns gestores estão equivocados no exercício da liderança. O elogio é uma ferramenta poderosa para promover o engajamento da equipe e de qualquer pessoa, na família, na escola, na faculdade, na ONG. O elogio bem colocado serve como combustível para que uma pessoa passe a fazer o seu melhor, para que mude de comportamento e deixe de ser um causador de problemas para ser um solucionador de problemas. O elogio será sempre construtivo quando aplicado de forma pública, nas situações onde o indivíduo fez algo que estava além de suas responsabilidades, ou seja, fez mais do que se esperava dele. Não elogiar quem está se superando, quem está se doando, pode funcionar como desestimulante, fazendo com  que a pessoa se sinta desvalorizada e desprestigiada e se faça a seguinte pergunta: “de que vale tanta dedicação se ninguém dá valor?”

LADO NEGATIVO

De maneira geral nós somos rápidos em destacar as coisas negativas que acontecem e raramente reconhecemos as positivas. A rotina diária é repleta de exemplos, sempre gastando energia com quem não está fazendo sua parte, e ignorando quem faz mais do que precisa. As coordenações pedagógicas das escolas, por exemplo, gastam um tempo enorme para tratar os casos de alunos que tiram notas ruins ou “aprontam” nas aulas. Conversam com o estudante, fazem reuniões com os pais e, em alguns casos, até elaboram estratégias de ensino diferente para eles. Enquanto isso o estudante que cumpre todas as suas obrigações e, além disso, tiram notas altas (que não é obrigação), seguem sendo solenemente ignorados. Por que não chamar seus pais e dar a esses jovens um reforço positivo, que sirva de estímulo para que continuem se destacando e fazendo mais do que precisa ser feito? Simplesmente porque faz parte de nossa cultura olhar somente aquilo que dá errado, como se dar certo fosse a obrigação, não sendo digna de ser destacada.

AUTOCONFIANÇA

De forma direta, um elogio colocado de forma cirúrgica, ou seja, na hora e na medida certas, em público e reconhecendo o trabalho feito além do esperado, aumenta a autoconfiança e a auto-estima de qualquer pessoa. Perceber que um trabalho bem feito foi reconhecido tem mais impacto na motivação do que um aumento de salário ou de mesada, estimula o indivíduo a continuar procurando formas de fazer mais e mais. Além disso, outras pessoas da equipe seriam “contaminadas” pelo bom exemplo, até chegar o momento onde a cultura do local seja a de fazer mais e melhor. Pessoas motivadas, autoconfiantes e com auto-estima elevada suportam melhor os reveses que lhes são impostos, deixando-as mais resistentes e resilientes. Se gastássemos com quem desempenha bem seu papel, a mesma energia e tempo que gastamos com quem desempenha mal, com certeza criaríamos uma nova realidade, dentro de um ambiente saudável, livre dos medos, do estresse desnecessário, da pressão por resultados e dos conflitos da convivência.

MULHER FEIA

 

Vivenciamos alguns dias atrás uma discussão esdrúxula sobre a beleza das primeiras damas da França e do Brasil. Infelizmente envolvendo duas figuras importantes do cenário político brasileiro: o Presidente da República e o Ministro da Economia, que perderam seu precioso e caríssimo tempo (regiamente pagos com dinheiro dos impostos dos cidadãos) com ironias e avaliações a respeito da beleza da esposa do presidente da França. Fora todos os elementos relacionados à falta de educação, à falta de respeito e à falta de sensibilidade demonstrados pelos dois brucutus, uma pergunta não quer calar, desde que essa história, que causa muita vergonha alheia, ganhou a mídia: O QUE IMPORTA ISSO PARA O MOMENTO ATUAL DO BRASIL? Esses dois não têm nada mais importante para fazer ou discutir? Quem sabe algo sobre os milhões de desempregados no Brasil, do crescimento miserável do PIB, da ineficiência da máquina pública, das doenças de base que estão voltando? Não seriam assuntos mais relevantes? Reconstruir o Brasil depois dos governos desastrosos do PT deveria ser trabalho suficiente para mantê-los ocupados, mas parece que não. Se os dados apresentados sobre as queimadas não são verdadeiros, não é só responder com a verdade? Em que momento a esposa do presidente francês se pronunciou para merecer ser desrespeitada? Parece aquelas brigas de saída de escola, quando um garoto fala uma coisa e, sem argumentos, o outro xinga a mãe do adversário.

BELEZA NÃO SE PÕE À MESA

Da beleza podem-se dizer duas verdades: a primeira é que ela é passageira e acaba, e a segunda é que a beleza está nos olhos de quem vê. O que é belo para mim, não é belo para outros. Na inconsequência da juventude a beleza física é algo levado muito em consideração, porém quando mais tarde, para alguns, chega a maturidade da vida adulta, a beleza muda de significado. A experiência e a sabedoria vão nos transformando e nos dando outras formas de ver as pessoas e avaliar o quão bonitas elas são. A grandeza de alguém deixa de ser medida em centímetros e passa a ser medida de acordo com as suas atitudes, seus feitos e a sua história. Pessoas fortes, realizadoras e ao mesmo tempo humildes e respeitadoras, tornam-se grandiosas e belas aos olhos do mundo. Fico imaginando o que ganha o presidente com esse tipo de comentário. Julgar que um homem só é bem sucedido se tiver ao seu lado uma mulher bonita é passar a régua da mediocridade em todo tipo de relacionamento, que muitas vezes são construídos em cima de histórias de superação e sofrimento, que carregam em si toda a beleza da humanidade.

RESPEITO NÃO TEM NACIONALIDADE

Ao ofender a primeira dama da França, nosso presidente, em quem eu votei, e seu ministro, ofenderam a todas as mulheres. Mulheres que carregam a beleza da luta pelos seus direitos. Mulheres que abriram mão de si mesmas para cuidar e defender sua família, que deixaram para trás a vaidade para dar à luz os filhos. E ainda recebi mensagens de celular comparando as duas primeiras damas, como se o fato de a esposa do nosso presidente ser mais jovem desse ao nosso país algum tipo de vantagem em relação à França, aos olhos do resto do mundo. Passamos por 13 anos de farra do governo e também descobrindo nossas feridas, com a operação Lava Jato. O nosso país merecia uma gestão que fosse da conciliação, da reorganização, da tranquilidade e da valorização do brasileiro. Precisamos ser uma nação só e gastar tempo com baboseiras não ajuda muito no trabalho grandioso de reconstrução pelo que precisamos e devemos passar.

O PODER DE UM SÓ

Em junho de 1989, pouco mais de 30 anos atrás, acontecia na China um movimento de oposição ao governo comunista, pedindo reforma política e mais liberdade e direitos civis. O povo nas ruas mostrou sua força coletiva, mas o governo comunista, que supostamente é o governo da classe trabalhadora, esmagou a multidão com mãos de ferro. Milhares de mortos foi o saldo da manifestação. Porém, de tudo o que aconteceu naqueles dias, uma imagem se tornou o símbolo da força de um ser humano. Um homem magricelo, segurando uma sacola em cada mão, como se estivesse vindo de um supermercado, parado em frente a uma coluna de mais de uma dezena de tanques de guerra que se deslocavam pela Praça da Paz Celestial (?!?), em Pequim, para reprimir o povo. Oferecendo a própria vida como um mártir, segurou no peito a marcha destruidora dos tanques, com seus canhões e seu poder. Um único homem, comum, sem super-poderes, sem armadura, sem armas na mão, protagonizou uma cena histórica. Nunca viu esse vídeo? Então acesse https://youtu.be/OvA-blNvSgY.

OBRA MAIOR QUE O HOMEM

Quantas vezes na vida nos deparamos com desafios gigantes, aparentemente intransponíveis? E quantas vezes olhamos para uma grande obra e pensamos “como foi que eu consegui fazer isso?” Não existe uma resposta, simplesmente mostra que somos capazes de coisas impressionantes, mas mostra também que uma boa parte  das pessoas suprime essa capacidade ao longo da vida por conta de uma outra necessidade que temos: a necessidade de sermos aaceitos. Por isso acabam  se aproximando dos grupos dominantes na escola, no trabalho, na sociedade, e correm o risco de se submeterem e acabam matando a centelha realizadora que existe em cada um de nós.  Estar com as outras pessoas, conviver com elas é essencial. Submeter-se a elas é opcional. Abraçar a submissão implica em abrir mão do protagonismo. Implica em ser coadjuvante em quase tudo na vida. E o mundo precisa de protagonistas.

INICIATIVA

A coragem de puxar a corda de uma multidão, de mobilizar as pessoas em torno de uma causa, de lutar pela mudança da condição de uma comunidade, de ir contra o que está estabelecido, de ser mais altruísta e menos egosta, de fazer a diferença no mundo não é uma tarefa fácil. Requer coragem e perseverança porque iniciar um processo como protagonista implica em assumir responsabilidades por atos, mas principalmente, por pessoas. A maioria das pessoas que sofrem alguma becessidade não tem o poder da iniciativa, nem mesmo são ouvidas em suas demandas. Por essa razão o mundo precisa de protagonistas que assumam as dores dos mais fracos e promovam as mudanças. Quantos anônimos da praça da paz o mundo ainda precisa produzir para se tornar um lugar com oportunidades para todos? Assim a iniciativa, a coragem e o engajamento se cada indivíduo, em torno de cada causa, grande ou pequena, global ou local, criará uma rede de indivíduos empoderados, que mostrarão coletivamente o poder de um só individuo.

 

Muito se fala hoje em dia de programação neurolinguística (PNL) ou neurociência, que o poder da mente e das atitudes podem influenciar negativa ou positivamente nossa vida e os acontecimentos que nos cercam. Acredito muito nisso. Um exemplo que sempre uso em aula: quando você termina um relacionamento de longa data, por motivos difíceis de aceitar, a última coisa que você quer é encontrar a tal pessoa no seu dia. Acorda pela manhã pensando: “tomara que eu não encontre com essa pessoa.” Pensa nisso tantas vezes enquanto se dirige para o trabalho ou para a faculdade, repete várias vezes, e a primeira pessoa que você enxerga é justamente aquela que você não gostaria de ver “nem pintado de ouro”. A razão é bastante simples de entender: a força com que mentalizou foi tanta que preparou seus cinco sentidos mais sua intuição para prestar atenção na presença daquela pessoa. Porque a ausência é, antes, a não presença. Nosso cérebro tem dificuldades em aceitar a palavra não, e conforme a maneira como falamos, ele entende exatamente o oposto. Ao pedir para não ver a pessoa é quase a mesma coisa que pedir para ver. Estamos pedindo da forma errada. Estamos pedindo o que não queremos, enquanto deveríamos aprender a pedir o que queremos.

 

PEDINDO MAL

Ao invés de pedir para não ver tal pessoa, deveríamos pedir para encontrar somente pessoas que nos ajudem a sermos melhores e progredir. No lugar de pedir para não tirar notas baixas numa prova, pedir para alcançar o resultado esperado. Assim como não devemos levantar pela manhã reclamando da vida, porque isso nos prepara desde cedo para um dia cheio de frustrações. Todo dia é uma nova oportunidade de fazer a grande transformação na nossa vida, de ser uma nova pessoa e começar a escrever uma nova história. Naturalmente é preciso acreditar com todas as suas forças que são coisas possíveis e preparar a mente e o espírito para isso. Porque dessa maneira você vai tomar as medidas corretas para que a coisa aconteça. Vai dar os passos na direção certa. Se a crença for grande, se a orientação do cérebro for positiva, se a energia e a dedicação forem as maiores possíveis, as conquistas começarão a aparecer. E até mesmo as coisas que não saírem conforme o planejado não serão capazes de te colocar no chão. Você está prestes a vencer seus próprios limites.

 

E O TÍTULO DA COLUNA?

Sempre que leio, estudo ou falo sobre PNL percebo o quanto esses conceitos se aproximam da ideia de fé. A fé é acreditar no que não se vê, no que não é palpável, no que não é mensurável. É acreditar no que está por vir, na conversão, numa terra onde escorre leite e mel. E é preciso acreditar nisso com toda a sua alma porque a ideia de salvação eterna que a fé nos traz dá mais sentido à nossa existência. Uma das propostas da PNL é levar a pessoa a acreditar num futuro diferente, melhor e possível. É quebrar o ciclo das frustrações, do ostracismo e da coadjuvância, e criar um novo ciclo de realizações, existência plena e protagonismo. É dar um novo sentido à vida, sendo as suas ações, seus pensamentos e sua vontade a força propulsora dessa conversão. O pensamento positivo não faz as barreiras sumirem, nem os problemas se resolverem sozinhos, mas faz com tenhamos ânimo suficiente para enfrentar cada um deles e resiliência para levantar a cabeça após as derrotas. A vida não vai estar livre de problemas, mas nós podemos viver sem medo, podemos viver acreditando que é possível alcançar a vitória. Ou seja, é preciso ter fé.

 

AUTOCONFIANÇA

Uma noite estava chegando à universidade para lecionar e um dos alunos da turma estava carregando uma caixa de violino com o instrumento no seu interior. Quando falei com ele, fiz aquela pergunta que todos fazem para uma pessoa que carrega um violino (ou outro instrumento qualquer): “você toca violino?” Diante da resposta positiva dada pelo aluno, pedi a ele que tocasse uma ou duas músicas no início da aula. Olhando ao redor, e talvez inseguro pelo fato de estar diante de seus colegas de classe, ele deu uma série de respostas evasivas e não fez a apresentação. Insisti dizendo que não teria problema se a execução não fosse perfeita, mas ele visivelmente incomodado, reiterou a negativa. Essa atitude fala muito sobre como estava a autoconfiança daquele garoto. Depois dessa noite eu passei a prestar mais atenção em situações como essa e vi que é mais comum do que parece. Pessoas preparadas, qualificadas, experientes, mas que no momento em que são chamados a assumir responsabilidades, não conseguem por não acharem que são capazes de corresponder à altura. Há pouco tempo um conhecido meu recebeu uma proposta de promoção, mas inseguro e pouco confiante, deu a pior resposta aos seus superiores.

ZONA DE CONFORTO

Não aceitar uma proposta de promoção não é, necessariamente, a pior resposta. Ele não disse não, mas também não disse sim. Propôs que fizesse um teste na nova função mas que não contratassem outra pessoa para seu cargo atual. Caso ele não desse certo, voltaria para o cargo antigo. Por que essa foi a pior resposta? Porque demonstrou fragilidade, insegurança e pouca autoconfiança. Ao propor guardar a função atual, seus gestores entenderam que ele não estava se sentindo preparado para assumir as responsabilidades do novo cargo e que não daria o seu melhor para consolidar a nova posição, pois sabia que tinha uma condição de segurança. Além de que nas próximas possibilidades de crescimento, essa marca estará afixada nele. Ao não abrir mão da segurança, acabou abrindo mão das oportunidades. A zona de conforto é a maior assassina de carreiras que eu já conheci. O problema é que é preciso muita potência e autoconfiança para enfrentar sua zona de conforto, pelo simples fato de que é mais fácil esconder as fraquezas do que enfrentá-las. E quantas oportunidades na vida nós perdemos por medo?

QUANDO VOCÊ CRESCER

O meu conceito de sucesso profissional não tem como premissa o fator dinheiro. Obviamente que ter bons salários é ÓTIMO, mas o sucesso está mais associado, em minha opinião, com a capacidade de ser feliz com o seu trabalho. E isso é algo muito mais subjetivo do que quanto você ganha por mês. Quem nunca usou a frase “naquela empresa a gente ganhava mal mas se divertia”. Porque nessa empresa da saudosa memória, as pessoas estavam felizes em seus trabalhos. E por que trocam de emprego? Pela necessidade que todos temos de crescer, de buscar novos horizontes e desafios. Poucos são os que gostam de ficar estagnados. A maioria quer progredir. Ao não assumir responsabilidades, abre-se mão do crescimento. Trabalhar para pagar as contas e não para se realizar como indivíduo é uma boa maneira de se tornar um profissional medíocre. Quem consegue ter ânimo, motivação e alegria quando está fazendo algo de que não gosta? O sucesso cobra decisões e atitudes que muitas vezes fogem da linearidade e te levam a um lugar desconhecido e pouco frequentado. O lugar das pessoas que escolheram correr atrás de seus sonhos e nadaram contra a corrente.

PAI-19

Sou pai de três filhos. Nelson Luiz, hoje com 30 anos, Benjamin com 5 anos e Rebeca com 3 anos. Quando fui pai pela primeira vez eu era muito jovem. Não tinha maturidade, não tinha profissão e a sinceramente não tinha nem mesmo um futuro. Digo para meu filho mais velho que ele deu azar porque eu era um tanto “idiota" e muito preocupado com ganhar a vida e as dificuldades dessa empreitada  para conseguir ser um bom pai. A culpa disso não era só da minha imaturidade. Fui criado sem pai. Quando eu tinha 3 anos de idade meu pai abandonou a família. Morávamos no Rio Grande do Sul. Ele trabalhava no Mato Grosso. Ia nos visitar de vez em quando. Um belo dia nos trouxe para Ponta Grossa, alugou uma casa e comprou muita comida. Foi trabalhar e nunca mais voltou,. deixando para trás a mãe com 8 filhos e uma história. Então não tive nenhuma referência paterna e isso fez muita falta na minha relação com o Nelson Luiz. Explica, mas não justifica. Porque eu poderia ter sido melhor e feito meu melhor. Não o fiz e não há como resolver o passado.

UMA SEGUNDA OPORTUNIDADE

Quando olho meus filhos pequenos sinto que Deus me ama. Que me deu uma nova oportunidade de ser melhor. De romper os grilhões da corrente, porque meu filho mais velho também se criou sem referência de pai. Devo ter passado para ele o não aprendizado que tive. Quando Benjamin veio eu estava num momento da vida muito diferente. Já não precisava correr atrás de muitas coisas. E quando olhei para ele na maternidade, com toda a fragilidade e os estigmas da Síndrome de Down senti realmente o amor de Deus na minha vida. Percebi o tamanho da missão que eu e Danielle recebemos. Naquele momento senti que a corrente se rompeu. Que eu ganhei um coração novo e me tornei um homem novo. E depois veio a Rebeca, a irmã que o Benjamin precisava, serelepe, ágil, traquina, feliz, falante e cheia de ideias. Sempre me pergunto como pude ser merecedor de três filhos tão bons. Onde Deus estava com a cabeça ao me confiar essas três vidas. Já sou meio velhinho na idade mas tenho tentado  ser o mais jovem que eu consigo, para acompanhar meus filhos.

NÃO É FÁCIL

Ser pai não é uma tarefa fácil. Ainda há muita cobrança do pai Durão, do disciplinador e do provedor. Ao mesmo tempo em que a sociedade moderna pese exatamente o contrário. Criar sendo libertador. Conduzir sem reprimir. Aprender a educar enquanto educa. Criar um filho no mundo de hoje é como construir um avião em pleno voo. Não existem receitas nem caminhos infalíveis, mas tem uma coisa que não falha nunca: o amor. Amar os filhos e declarar seu amor por eles, sem economizar palavras e nem perder oportunidades de abraçá-los e abençoá-los,  pode ser a maneira  mais simples e sofisticada de ser pai. De influenciar positivamente. De plantar uma boa semente. E boas sementes dão bons frutos. O amor justifica os sacrifícios que temos que fazer, como as ausências em função do trabalho, as noites mal dormidas e até as mudanças de hábitos. Sempre senti falta de dizer ao meu pai que o amava. Então hoje em dia não passo vontade de dizer aos meus filhos que os amo.  Não importa que tipo de pai você foi até hoje porque o passado não se muda, se aceita.  Mas importa sim que tipo de pai você vai decidir ser a partir de hoje.

SAIR DE CASA PARA MATAR UMA ONÇA...

 

Sempre tive em mente que no mundo tem gente para tudo. Brinco em sala de aula que tudo o que você imagina de mais esquisito que possa existir ou ser feito, sempre vai ter alguém fazendo em algum lugar do planeta. Então é de se esperar todo e qualquer comportamento da humanidade, do extremamente bizarro ao extremamente convencional, o que obviamente não elimina o estranhamento dos demais. Mas algumas coisas são pontos fora da curva, são tão esquisitas que fica difícil de entender. E temos sido brindados recentemente com uma grande miríade de acontecimentos que mostram o quanto estamos piorando com o tempo. Vendo a reportagem sobre um grupo de caçadores na região amazônica composto por médicos, dentistas, servidores públicos e outros profissionais supostamente “esclarecidos e bem formados” me deixou chocado. Os cidadãos reuniam os amigos, saiam de seus trabalhos e entravam na floresta com matilhas de cães para caçar os animais. E a única justificativa usada foi a do líder do grupo dizendo “como eu não fumo e não bebo, eu faço isso...”.

ESTAMOS NO LIMITE

Parecia normal colocar a caçada no mesmo patamar do cigarro e da bebida, como se cada pessoa precisasse ter um vício qualquer para poder viver bem. Extrapolando a notícia, que por si só já é esquisita, pois os indivíduos saíam de casa deixando família e trabalho para matar animais, esse comportamento é um sintoma muito forte do momento pelo qual passamos, onde a vida não tem mais o mesmo valor. Matar por matar não é algo que acontece somente no meio da floresta, mas tem acontecido nas ruas da cidade, dentro das casas, no ambiente de trabalho. A falta de significado para a própria existência faz com que a existência do outro se torne um insulto. Não gosta da pessoa, então a elimina. Não consegue ter os bens que o outro tem, então toma de assalto e se vacilar, mata por matar, e ainda exibe o troféu. Exatamente como os caçadores e suas caças.

OUTRAS FORMAS DE MATAR

Além da morte física existem outras formas de matar alguém, por meio da opressão, da destruição dos sonhos, da desmotivação, das palavras duras, do reforça nas crenças limitantes. Morte que mata por dentro, que tira o brilho dos olhos e torna a pessoa uma carcaça vazia. A humanidade passa por uma inversão profunda de valores, onde o respeito ao próximo e à vida estão perdendo o significado. A exposição massiva à violência que temos todos os dias nos meios de comunicação está deixando mais elástico o nosso limite de aceitação para essas coisas. Tudo é normal, tudo é aceitável e tudo pode ser replicado. Um amigo meu disse que o problema dos vícios é que cada vez o limite de aceitação do corpo aumenta e o viciado precisa usar doses cada vez maiores. O alcoolismo começa com uma dose, não com uma garrafa de bebida. O tabagismo começa com um cigarro. Porém o efeito é assimilado pelo corpo e é preciso beber e fumar cada vez mais, e mais. O descaso com as pessoas e com a vida parece mesmo um vício. Se não forem tomadas medidas de contenção urgentemente, a que ponto chegará a dose necessária para satisfazer o instinto destrutivo das pessoas?

FIM DE FÉRIAS

Quando as crianças entram em férias lembro claramente do meu falecido avô materno falando um dia: “Onde tem juventude, não tem quietude.” Ele referia-se a nós, que na época éramos crianças, e ficávamos o dia todo correndo e gritando. Foram três semanas de férias, em alta rotação, cheia de dedinhos apontando para tudo, cheios de querer, de descobrir e de aprontar. Acordando às 7h da manhã, acordando não, DESPERTANDO para a vida, cheios de idéias na cabeça. E encerrando o dia lá pelas 22h, sob muita negociação e ameaças de que não poderiam brincar no dia seguinte. O Alcione (meu gato) que tem mais de 3,5kg saía de orelha baixa quando escutava a criançada. Subia no muro e ficava lá do alto observando tudo e se sentindo livre. Voltava para casa somente depois do silenciamento.

IDEIAS

E para completar o quadro, tive a brilhante ideia de levar para casa um filhote de coelho exatamente igual ao da música de Páscoa, fofinho, de pelos branquinhos, orelhas compridas e olhos vermelhos. Afinal que trabalho pode dar um coelhinho? Meus amigos, que ilusão! Primeiro porque as crianças ficam em desespero porque querem ver o animalzinho botar ovos de chocolate. Segundo porque é um bichinho bem “porquinho” e sem muito espaço mental para aprender coisas. Ao contrário do que a maioria pensa, o coelho não come cenouras como se fosse o melhor dos manjares, ele prefere ração. Além disso, não obedece a comandos, deixa seus “ovinhos de chocolate” por todo canto e não respeita nem a própria comida. Esconde-se embaixo de móveis e à noite, quando ia pegá-lo para colocar na gaiola, fazia uma correria e eu tinha que fazer uma perseguição ao coelho, que é incrivelmente rápido para seu tamanho. Onde é que eu estava com a cabeça quando o aceitei de presente?

COMPENSAÇÃO

Obviamente estou exagerando nas impressões das férias, porque na realidade é um tempo muito bom e precioso de convivência com as crianças, sem compromisso de horário, de tarefa, de uniforme e outros tantos fatores que envolvem o frequentar as aulas. Conseguimos medir melhor a evolução dos pequenos e recuperamos um pouco de nossa juventude, porque eles não sabem o que significam os conceitos de jovem/velho e nos arrastam em suas aventuras como se fôssemos da mesma idade. Um dia desses, no shopping fui “obrigado” a entrar na piscina de bolinhas com os dois. Esforcei-me bastante para parecer contrariado, porque na verdade estava achando ótimo rolar, mergulhar e afundar naquele monte de bolinhas. Tenho um pijama esverdeado (que parece uma melancia) que tive que usar durante o dia algumas vezes, porque segundo eles era a minha fantasia de Lagartixo (verde), um dos heróis de pijama que faz trio com o azul Menino-Gato (Benjamin) e a pink Corujita (Rebeca). Se você não tem filhos pequenos não vai saber do que estou falando, então é melhor acionar o Google. E assim entre a realidade do trabalho e da família e o imaginário e o lúdico das crianças, as férias acabaram e eles voltaram para a escola. E o silêncio voltou e as horas alongaram. E a casa ficou baldia, ou seja, vazia e abandonada.