Blog do Canabarro
EMPRESAS ACOLHEDORAS

 

Qual a sensação que o ambiente da sua empresa passa para o cliente quando ele entra nela pela primeira vez? Ele é acolhedor e convidativo ou frio e repulsivo? Pergunto isso porque a primeira impressão é fundamental para fechamento da primeira venda e, posteriormente, para a fidelização do cliente.

Alguns lugares têm uma grande capacidade em receber bem. Conheci algumas empresas em que eu tinha vontade de passar fazer uma visita, como a gente faz com amigos que a gente gosta muito e passa dar um oi. Normalmente nessas empresas os colaboradores estão trabalhando felizes e o ambiente é motivador.

Em compensação existem empresas que não conseguem encontrar uma forma acolhedora de receber o cliente.

SÓ APARÊNCIA

Com certeza você, leitor, já entrou em alguma loja que estava toda enfeitada com balões coloridos, serpentinas e cartazes atrativos, e o vendedor passa a te acompanhar como uma sombra. Você vira direita, ele também. Vira para esquerda, lá vai ele atrás de você. É um jeito bom de mandar a gente embora, não é mesmo? 

Outro dia fui a uma concessionária de automóveis, pois estava pensando em trocar de carro. Entrei na loja e vi lá dentro uns dez funcionários. Nenhum se levantou. Apenas uma vendedora estava empenhada em receber quem entrava. Falava com um, falava com outro e depois veio até mim, enquanto os demais não levantaram os olhos para ninguém, e quando ela encaminhava as pessoas para eles, sequer davam um sorriso para quem estava chegando.

Na saída não resisti e perguntei a ela se ali era sempre daquele jeito, meio triste, meio silencioso, meio “pra baixo”. Fiquei com a impressão que eu devia um favor para aquele pessoal porque me deixaram ver os carros que estavam lá para serem vendidos.

ERROS MAIS COMUNS

Abaixo os sete pecados mais comuns no atendimento ao cliente. Observe que todos eles estão relacionados a comportamento e atitude de quem está realizando o atendimento:

1

Apatia

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2

Demora

3

Tratamento frio

4

Insensibilidade

5

Desinformação

6

Desrespeito

7

Má vontade

 

Numa época em que a grande maioria das pessoas tem optado pela comodidade das compras pela internet, os proprietários e funcionários de lojas físicas deveriam se preocupar mais em valorizar a presença cada vez mais rara de um potencial cliente, transformando o momento em uma experiência positiva e encantadora, para que ele feche o negócio e retorne em função do acolhimento que recebeu.

AQUILO QUE NOS MOVE

 

Muito se falou da tal geração nem-nem, que quer dizer: nem trabalha e nem estuda, e seria uma forma “carinhosa” de dizer que é uma juventude, como dizia minha mãe, meio à toa, sem propósito na vida. Para entender de onde surgiu essa geração quero lembrar de uma história do meu tempo de criança em que o sábado era o dia da faxina, em que a mãe fazia uma limpeza pesada na casa. Não ficava pedra sobre pedra porque minha mãe, graças a Deus, tinha um gosto bastante refinado para limpeza. Não era qualquer coisa que passava nos seus critérios de um serviço bem feito. E eu, a Silvana e a Rosane, que são minhas irmãs mais próximas de idade, tínhamos muito trabalho a fazer. A casa era de madeira então tínhamos que passar o escovão com palha de aço no assoalho (acho que só as pessoas com mais de 35 anos vão saber do que estou falando), depois passar cera amarela (Espanhola), esperar por uma hora e então lustrar o piso, passando novamente o escovão com pano de feltro ou de lá. Isso deixava o assoalho brilhando e dava gosto andar descalço nele, ou brincar de escorregar só de meias nos pés. Mas como éramos crianças naturalmente não tínhamos o foco 100% no trabalho e acabávamos nos distraindo com alguma coisa e o trabalho ficava parado. E minha falava, nessas situações, uma frase que demorei entender o significado. Ela dizia:

PRA VOCÊ, O MUNDO QUE RODE, O MATO QUE CRESÇA E A CASA QUE CAIA

Depois, obviamente, a mãe, e suas havaianas, me faziam voltar ao trabalho porque, conforme palavras dela “a casa não se arruma sozinha”. Ouvi essa frase muitas vezes quando pequeno. Muito tempo depois perguntei o seu significado e ela me explicou que significava que eu não estava me importando com nada, que a casa podia estar uma bagunça, que tudo poderia estar em desordem que para mim tanto fazia, que eu “não mexia uma dedo para arrumar”, e que daquele jeito eu não iria a lugar nenhum na minha vida. FILOSOFIA PURA digna dos grandes pensadores da humanidade. Ela estava me ensinando a me incomodar com as coisas que não estão arrumadas, a não ficar inerte à desordem, a não ficar esperando que outros façam por mim algo que eu mesmo posso, e devo, fazer. Me ensinou que trabalhar não mata e que a minha imobilidade prejudicaria principalmente a mim mesmo, pois deixaria de ser protagonista para ficar vendo a vida passar, sendo levado pela vida. Me ensinou a lutar por aquilo que eu quero e por aquilo que eu acredito. Me ensinou a ter propósito na vida. Voltando para a geração nem-nem, talvez a grande questão esteja no fato de que os pais perderam um pouco o controle da educação dos filhos e muitos fazem somente o que desejam fazer, vivendo o momento, sem perspectivas de futuro.

VIVER SEM PROPÓSITO

E é muito fácil (e gostoso) viver sem fazer nada. A falta de propósito não nos permite olhar para o futuro e enxergar as milhares de oportunidades que estão lá, ao alcance de todos, desde que estejam preparados para ela. Conversando com alguns sobrinhos que são dessa geração que não gosta de trabalhar e de estudar, vi que eles enxergam a vida toda, passado, presente e futuro, pela métrica do que estão vivendo no momento, ou seja, medem suas possibilidades de acordo com a realidade do dia. E qual é a realidade momentânea de um jovem que não quer ir para a escola, que não trabalha? Essa perspectiva inibe sua capacidade de sonhar, de projetar o futuro e de correr atrás de seus sonhos. E para uma pessoa que perde a capacidade de sonhar, perde o senso de propósito da própria existência, viver poder se tornar algo insuportável. Talvez tenha faltado algumas obrigações domésticas na infância, talvez tenha faltado mais presença dos pais, talvez tenha faltado mais exemplos dentro de casa. Talvez... mas para que não se tornem uma geração perdida, e para que não seja passado para as próximas gerações esse comportamento nocivo, é preciso dar a essa juventude um motivo para mudar, porque senão, o mundo vai continuar rodando, a casa vai cair e o mato vai crescer, e eles não vão mexer um dedo sequer para mudar sua realidade.

 

PAGANDO NA MESMA MOEDA

 

Sou adepto de ler biografias de pessoas que promoveram grandes transformações na humanidade ou na sua realidade. Não leio de qualquer um, mas daquelas pessoas pelas quais nutro simpatia e admiração. Leio por duas razões: a primeira para conhecer os pontos do perfil dessas pessoas que as diferenciam dos outros mortais e as tornam dignas de ter suas histórias escritas em livros. O segundo ponto, e que para mim serve de conforto, é para saber quais os elementos de suas personalidades que os aproximam de nós, reles mortais, em nossas vidas de pequeno universo. É interessante pensar que Einstein, o maior gênio da história da ciência, ficou desempregado e teve que trabalhar em um escritório para pagar suas contas enquanto não chegava sua hora de brilhar. Que Galileu Galilei teve que negar suas teorias para continuar vivo dentre tantas outras personalidades que passaram por perrengues dramáticos, dignos das mais engraçadas e estereotipadas histórias suburbanas de um rincão qualquer no Brasil. Isso significa muito porque quando olhamos nossas vidas pela ótica do momento pelo qual estamos passando, pode ser que nada tenha muito sentido e nos dê a impressão de que não tem como dar certo. Que é só tristeza e sofrimento. De todos os personagens dos quais li sobre, o que mais me impressionou foi, sem dúvida, Nelson Mandela. Até tenho uma certa frustração em nunca o ter sequer visto pessoalmente.

NADANDO CONTRA CORRENTE

Nelson Mandela promoveu uma mudança profunda no rumo da história da África do Sul, e tudo porque teve uma atitude corajosa quando foi eleito presidente: tomou medidas que iam contra o anseio da maioria de seus apoiadores, que o levaram à presidência do África, pensando primeiramente na nação, e em segundo lugar, na ideologia. Para contextualizar, Mandela ficou preso por mais de 20 anos porque era um dos líderes da luta contra o regime do Apartheid, que segregava negros num país de maioria negra. O regime comandado pela minoria branca no país usava o poder econômico e militar para colocar os negros em condição de subespécie. Quando prenderam Mandela, o mundo tomou conhecimento disso e começou a declarar seu apoio a ele. Após mais de duas décadas, foi libertado, concorreu à presidência da república e foi eleito como o primeiro presidente negro do país. O que seus correligionários esperavam quando ele tomou posse? Que devolvesse aos brancos tudo na mesma moeda, com violência, segregação e humilhação. Em uma atitude corajosa enfrentou seus parceiros, aproximou-se e perdoou os brancos e deu a eles direitos iguais aos negros. Destruiu algumas alianças pessoais, mas construiu uma nação. A África é um dos cinco mais importantes países emergentes.

E EU COM ISSO

Vivemos no Brasil um momento onde a grandeza da eleição que quebrou a hegemonia trabalhista no poder poderia ser o estopim para construirmos uma nação. Seria nosso grande momento. Votei no Bolsonaro com essa esperança, de que ele tivesse coragem de quebrar a corrente. Mas não, infelizmente, ele está fazendo a balança pender da extrema esquerda para a extrema direita, deixando passar a oportunidade de aproximar os extremos. Medidas exageradas, declarações exacerbadas, fogo contra as próprias trincheiras, palavras atiradas a esmo estão aumentando a animosidade entre os lados. Lula jogou fora a chance de ser o grande herói nacional quando pensou no próprio bolso e Bolsonaro pode estar jogando fora a oportunidade de ser a costura que vai unir o país. A última “anedota” foi a postura radical do Ministro da Educação que resolveu cortar o orçamento das Universidades Federais. O mesmo orçamento que vem sofrendo cortes sistemáticos há mais de cinco anos. Cortar muitas vezes é necessário, mas é preciso um fundamento para isso, uma justificativa, porque as universidades são a esperança de deixarmos de ser somente o celeiro do mundo. Mas o corte foi feito somente na intenção de mostrar quem manda, para punir manifestações contrárias ao pensamento vigente, exatamente como ocorreu no governo de esquerda, ou seja, pagando na mesma moeda. Radicalizar nunca é bom, para lado nenhum. A própria eleição mostrou que estamos muito longe de uma unanimidade nacional e nosso presidente precisa colocar os pés no chão. Talvez devesse ler a biografia de Nelson Mandela para ter um bom exemplo.

MONGOLOIDE

 

Durante muito tempo as pessoas com síndrome de Down eram chamadas de mongoloide, porque alguém no passado achou que elas tinham traços na face que lembravam o povo mongol. Nunca foi uma forma carinhosa de chamar, na verdade era uma forma bastante rude de segregar. Lembro que era muito comum na escola o uso desse termo como uma ofensa de uma criança para outra, ou seja, o campo semântico da palavra é ruim. O que admira muito é o emprego do termo nos dias de hoje, em pleno século XXI, século da inclusão, da Lei Brasileira para a Inclusão (LBI). Em alguns casos o termo é usado por pura ignorância, ou seja, a pessoa não sabe ou não acompanha as mudanças e busca na memória o termo usado para diferenciação no seu tempo de juventude. Em outros casos o termo é empregado por pessoas que QUEREM ser e agir como ignorantes, com o intuito de ofender, de machucar, de humilhar, de tornar mais pesada a luta que já enfrentam para tentar levar uma vida normal. Recentemente soube de um médico que usou esse termo ao se referir a uma criança e, quando corrigido pela mãe, que informou a ele que o termo é errado e que o certo é criança COM SÍNDROME DE DOWN, ele deu de ombros e disse “É a mesma coisa”. Ou seja, estava sendo intencionalmente e conscientemente ignorante, somente no intuito de desumanizar o seu trabalho e menosprezar outro ser humano.

NÃO PARA POR AÍ

Aleijado, retardado, débil mental, idiota, maneta, perneta, paralítico, aberração, doido e outras tantas palavras “carinhosas” foram utilizadas tanto para se referir a pessoas com deficiência (PCDs) como também para destratar outras pessoas. Mas quantos tipos de deficiências existem? Quantas pessoas com deficiência existem? Qual a parcela da população que apresenta algum tipo de deficiência? De acordo com o IBGE, em torno de 24% da população brasileira apresenta algum tipo de deficiência, em maior ou menor grau ou complexidade, o que representa um universo de 45 milhões de brasileiros, número suficiente para eleger um presidente. É muita gente! É tanta gente que não dá para ignorar e, muito menos, para discriminar e humilhar. Se toda pessoa com deficiência fosse questionada o que ela escolheria se pudesse ter ou não a deficiência, não tenho nenhuma dúvida que a resposta seria não ter. Então não é uma escolha, é uma condição. E uma condição pouco favorável, que a coloca num elo mais frágil da corrente humana, um elo que precisa de mais suporte, mais atenção, mais cuidados e mais estímulos. E precisa de amor na mesma medida que os não PCDs. A única deficiência que não é uma condição é a deficiência de caráter, ou seja, ela pode ser revertida, com um coração novo, com a morte do homem velho e com o nascimento de um homem novo.

BENEFÍCIOS DA LEI

O primeiro benefício da promulgação da LBI – Lei Brasileira para a Inclusão foi a obrigatoriedade de matrícula dos PCDs na rede regular de ensino. Isso levou a população a ter contato com as diversas deficiências que afetam o ser humano. Não dá mais para fechar os olhos e fazer de conta que não existe, que não viu. Isso é um avanço e, para ilustrar, vou contar um fato que vivi faz uns 10 anos, quando eu e alguns estudantes estávamos indo à APADEVI, que trabalha com deficientes visuais, realizar um projeto (já contei isso aqui). Quando estávamos a uns dois quarteirões de distância, algumas pessoas passaram trôpegas diante da van que nos transportava. Eram oito no total, todos deficientes visuais, andando pela rua com suas bengalas, indo para a APADEVI. Lembro que uma das adolescentes que estavam comigo ficou em choque, porque nunca tinha visto ninguém naquelas condições. Empalideceu, tremia e suava frio, pelo simples fato de ver pessoas lutando contra os seus próprios limites, que para ela eram instransponíveis. Estamos no momento da transição, no qual as pessoas estão se “incomodando” com a nova realidade. O incômodo, o desconforto, é o primeiro passo para a mudança e, em alguns anos, teremos melhores condições para todos. Sempre tem aquele professor, médico, zelador, amigo, que se incomoda quando alguém fica para trás, e dá um jeito de fazê-lo acompanhar o grupo. Essa é a esperança.

100 DIAS

São menos de quatro meses, mas já podemos ver alguns indícios de que as coisas não sairão exatamente como o planejado. O novo governo ainda não conseguiu mostrar a que veio e, infelizmente, tem dado margem para criação de muita, mas muita, cortina de fumaça para qualquer coisa consistente para o futuro do país. Existe um certo esforço para destravar o país, aumentar a sua competitividade e reduzir o custo Brasil, o que ficou bastante evidente nos leilões de portos e aeroportos que ocorreram e tiveram grande sucesso. Mas a quantidade de factoides que surgiram ao longo desse período acaba por deixar obscurecido outras ações mais impactantes que possam ter ocorrido. Numa época em que a população é bombardeada a cada segundo por notícias falsas e verdadeiras, está ficando cada vez mais difícil saber o que é fato ou não de tudo que se fala do governo e, por outro lado, é preciso ter cuidado com tudo o que se faz e tudo o que se diz na alta cúpula. É preciso que o capitão do barco assuma o comando e coloque ordem na casa, alinhando sua equipe de governo com as suas propostas e falas de campanha, que transformaram um deputado comum em um “mito”, alçando-o à condição de presidente da república.

NÃO É MAIS UM DEPUTADO

É preciso também que o presidente e seus filhos entendam que o que eles falam ou fazem ganhou uma nova roupagem e um peso muito maior na vida da nação. O presidente não é só mais um deputado entre mais de 500. Quando deputado, falar o que desse na telha era interessante, criava fatos e dava visibilidade, e suas falas se diluíam na multidão de outros deputados que estavam também a procura de espaço. Agora ele é o único em sua posição. O país tem um só presidente e o que ele fala não se dilui, não é levado pelo vento. Pelo contrário, ressoa no mercado e produz consequências imprevisíveis. E seus filhos devem entender que o mercado e a população nãos os separam do pai. Que o que eles falam ou fazem também tem muita repercussão. Precisaria que alguém tomasse a providência de realizar um programa de coaching com os três, para que possam mudar de postura diante dos acontecimentos e fazer com que eles pensem antes de falar, ou pior, escrever em redes sociais.

EM QUE SE SUSTENTA O GOVERNO?

O governo federal tem se apoiado em basicamente três pilares. O primeiro é a popularidade do presidente e o sentimento coletivo contrário à esquerda que o elegeu. O segundo é o ministro da fazenda que demonstra efetivamente conhecimento de causa para a pasta, mas que negocia e faz política com a mesma sutileza que um touro dentro de uma loja de cristais. E o terceiro é o capital de credibilidade do Ministro Sérgio Moro, que parece estar sofrendo na nova posição que escolheu ocupar, pois está passando por uma adaptação do processo de decisão tomada de maneira individual para a decisão negociada. Não deve estar sendo fácil. Fora isso, sobram declarações esquisitas da Damares, Ministério da Educação fazendo a dança das cadeiras e um outro tanto de ministros invisíveis. É preciso definir a rota, focar nos pontos nevrálgicos como a reforma da previdência e tributária e dedicar menos tempo a palavrório e discussões vazias de redes sociais. O ponto positivo é que o governo é honesto, que demonstra vontade real e sincera de fazer as reformas, o que diga-se de passagem, já é meio caminho andado. O resto será alcançado com humildade e desejo de aprender. 

FALHA DE FORMAÇÃO

 

Quando fazia o mestrado conheci uma disciplina que fez uma transformação na minha forma de ver e de me relacionar com o mundo do trabalho. Lembro que quando a professora começou a dar as aulas dessa disciplina eu ficava pensando comigo mesmo: “por que não me ensinaram isso antes”? Foi nas aulas de EMPREENDEDORISMO que eu percebi o quanto eu poderia ter sido mais competitivo e sair mais bem preparado para o mercado se na minha formação acadêmica tivesse recebido algumas demãos de tinta do empreendedorismo. Quantas ferramentas mentais eu tive que desenvolver na base do método da tentativa, do erro e acerto, sendo que poderia ter desenvolvido meu potencial empreendedor muito mais cedo. Outra área vital na formação acadêmica é a de LIDERANÇA, afinal, quem conclui um curso superior almeja crescer na profissão que abraçou e para isso terá que ser um profissional diferenciado, que não se entrega à zona de conforto, que toma a iniciativa das ações, que é proativo, e que busca sempre o crescimento coletivo. No meu caso, que fiz Licenciatura, ou seja, estudei para ser professor, a formação de liderança deveria ser tão obrigatória quanto as disciplinas de prática pedagógica. Afinal a cada turma que um professor entra para ministrar uma aula, ele irá comandar um coletivo de estudantes, ou seja, ele estará atuando como líder de uma equipe. E se ele não souber como fazer isso? Sou muito grato à formação que tive na graduação, porém reforço que saí despreparado para o mercado e para as relações humanas no trabalho e, talvez, esse quadro ainda seja o mesmo na formação acadêmica. Muita técnica, pouca humanidade.

ENSINAR NA ESCOLA

Infelizmente a palavra empreendedorismo tem sido usada somente no viés de que um empreendedor é uma pessoa que vai abrir uma empresa, que vai ter o próprio negócio. Olhando por esse ângulo, de fato não tem muito sentido abordar esse tema de forma coletiva, porque é pouco provável que todos os alunos de uma classe venham a ser empresários. A abordagem de empreendedorismo e liderança que eu defendo é a de que a vida de cada um é o seu próprio negócio e que cada pessoa tem que estar preparada para ser o protagonista de sua vida na sociedade. Tem que se enxergar como o maior e mais importante empreendimento que deve conduzir: a sua própria história. Não formar futuros empreendedores implica em não preparar as pessoas para assumirem responsabilidades, para correrem mais riscos ou abandonarem sua zona de conforto. O espírito de liderança e de realização que todo empreendedor tem não dependem do fato de abrir ou não uma empresa em seu nome, mas sim dependem primeiramente da forma como cada um se coloca diante da vida.

O QUE SE GANHA COM ISSO?

Formar empreendedores gera ganho de capacidade de gerar mudanças, de promover transformações na realidade estabelecida e de desassossegar as pessoas na sua condição de momento. Para ser empreendedor basta ter a coragem de entender que suas capacidades vão além daquilo que você está fazendo no momento e você pode ser um médico empreendedor, um professor empreendedor, um cidadão empreendedor, bastando abraçar algumas causas, assumir a responsabilidade em projetos, propor e auxiliar a implementação de mudanças na condição de vida de outras pessoas e usar seus conhecimentos e habilidades em prol do desenvolvimento. Todo professor deveria passar por várias horas de empreendedorismo e liderança na sua formação, porque se cada professor deixar em cada um de seus alunos uma pequena marca de seu perfil empreendedor, teremos uma sociedade futura de pessoas desacomodadas e realizadoras. Primeiro empreendendo a própria história, segundo liderando a si mesmo e a sua comunidade em direção ao futuro, onde as oportunidades são construídas e oferecidas a todos.

SENTIDO PARA A VIDA

 

Lembro do tempo em que eu era criança e gostava de ficar deitado no sofá assistindo aos episódios do Sítio do Pica-Pau Amarelo, que era febre entre a criançada. Era a única coisa que nos fazia interromper o jogo de futebol no campinho de terra da Rua Tomazina. Saíamos correndo para dentro de casa para não perder nenhum minuto das aventuras de Narizinho e sua turma. Terminado o capítulo voltávamos renovados em nossas fantasias infantis e recomeçávamos o jogo de onde havíamos parado, mas com aquela sensação gostosa de que dava para fazer mágicas como os personagens da série faziam. Tive a felicidade de ter na mesma vila crianças suficientes para montar quatro times de futebol, um de cada rua, o que permitia organizar um campeonato onde cada criança pagava um pacotinho de Q-Suco (pó para refresco, para quem não conhece) para poder participar. O vencedor do campeonato ficava com todos os pacotinhos e isso era um prêmio de valor inestimável, pois carregava a mística de que pertencíamos ao melhor time da vila. A infância é um tempo único, onde o lúdico supera a realidade e as maiores preocupações estão focadas na escola, amigos, brincadeiras e diversão. Tirar notas azuis na escola e comer alguma coisa verde e algumas frutas para deixar as mães felizes e gastar muito bem cada minuto livre do dia.

O TEMPO DE CADA COISA

Mas a roupa que vestíamos na infância não serve mais na vida adulta, bem como as preocupações da vida adulta são muito diferentes e com maior profundidade que as da infância. Com o passar do tempo, as prioridades e as necessidades da vida mudam. É preciso que as maturidades emocional e intelectual acompanhem essas mudanças e o comportamento de cada pessoa seja adequado à fase da vida que estão vivendo. Roupa de criança quando criança e de adulto quando adulto. Não raro encontramos pessoas que levam a vida como se estivessem na infância, tendo atitudes típicas dos pequenos. Descontrole emocional por qualquer coisa, dificuldade de comprometer-se e de assumir responsabilidades. Sem nenhuma tolerância às frustrações e não assumem a direção da própria vida, terceirizando as obrigações pessoais e arranjando culpados para tudo o que dá errado em sua história. Corpo de adultos e emocional de crianças.

O QUE HOUVE?

Talvez a resposta para essa pergunta seja simplesmente o fato de que muita gente vive sem propósito. A falta de propósito deixa a vida sem sentido, sem significância e tudo o que se apresenta torna-se um fardo. E quem não tem sentido para a própria vida só anda empurrado. E como é difícil conviver com pessoas que só andam empurradas, sem inciativa, sem motivação, sem ânimo. O pior é que essa falta de sentido parece estar se propagando para uma grande parcela de jovens, que vivem o hoje como se não houvesse futuro, que se entregam superficialmente às coisas e não entendem muito o porquê de estudar, trabalhar, ter ambições e alargar suas perspectivas. Resgatar o brilho nos olhos e a criar uma boa perspectiva de futuro é algo que não pode mais esperar, porque se deixarmos a juventude sozinha, talvez tenhamos que lidar com algo muito mais danoso. É comum ouvirmos de pessoas mais velhas que os jovens estão perdidos, mas o que estamos fazendo para que se encontrem? Em que momentos a velha guarda se encontra com a jovem guarda, sem julgamentos e sem rótulos, para falar sobre o futuro? No final das contas perdem a sociedade, a família, mas principalmente, perde a juventude, que deixa a vida passar e vivem sem brilhar, sem ter a sensação deliciosa de fazer parte do melhor time da vida.

 

 

 

LIMITES E CAPACIDADES

Um limite é uma barreira que se apresenta em nosso caminho. Pode existir de fato, como uma barreira física, mas também pode existir somente na nossa cabeça, que cria grandes e instransponíveis muros mentais. Capacidade é o que te permite ir além, é aquilo que te habilita, que lhe dá condições de evoluir, de aprender e de ser melhor que você mesmo, todos os dias de sua vida. O uso das capacidades nos dá ainda mais capacidade. Já o não enfrentamento dos limites, nos torna ainda mais limitados. E uma pessoa limitada – sozinha – não consegue progredir, não consegue se superar, e com o tempo vai se tornando incapacitada. Limites e capacidades são duas coisas inversamente proporcionais, ou seja, quando os limites reais ou imaginários crescem, as capacidades reais diminuem. A não capacidade é um peso, uma amarra, uma âncora que prende os pés e as mãos de um indivíduo, que ao enfrentar um desafio (um limite) acredita que não é capaz de vencê-lo e desiste, muitas vezes sem nem sequer tentar. E a desistência é uma sentença, é a derrota final. É diferente de um fracasso, porque para fracassar é preciso persistir até o final da missão, e mesmo quando não dá certo, resta o aprendizado, ou seja, não se perde tudo. Já a desistência não nos dá nem o bônus do aprendizado que nos faz acertar na próxima tentativa. Quem desiste não aprende, não consegue transformar a derrota em vitória e nem limite em capacidade.

DE ONDE VÊM OS LIMITES

Vou contar aqui novamente uma história que vivi em 2007 na APADEVI, que trabalha com deficiências visuais. Junto com alguns estudantes de Ensino Médio que participavam de um projeto de empreendedorismo fomos até a PADEVI de Ponta Grossa para ensinar aos deficientes visuais a produção e comercialização de bijuterias. Constituímos um grupo de 18 pessoas, sendo quatorze 100% cegos e quatro com resíduos de visão. Vendo aquele pessoal tateando as peças que iriam compor as bijuterias, sussurrei para uma outra voluntária que estava comigo “SERÁ QUE ELES VÃO CONSEGUIR”? Prontamente ouvi uma resposta de uma das integrantes do grupo “PROFESSOR, DEIXE QUE EU RESPONDO SE CONSIGO, PORQUE VOCÊ NÃO É CEGO”. Conto sempre isso porque para mim foi um despertar, pois se eu olhar meus alunos, meus colegas de trabalho, meus filhos, familiares, amigos, pelo olhar de minhas capacidades, posso ser eu o responsável pela colocação dos limites na vida de deles. Se eu enxergo, não posso dizer do que um cego é capaz. Qual é a capacidade de cada um? Do que ele é capaz? Até onde ele pode ir? Como explorar seu potencial e não elevar seus limites? Como aumentar as capacidades de uma pessoa?

QUAL É A MINHA MEDIDA?

As perguntas acima deveriam ser feitas todos os dias por professores, diretores e coordenadores de escola, presidentes, gerentes, chefes e supervisores de empresas, ou seja, todos que trabalham coordenando pessoas e que, por consequência, têm a medida do seu desempenho pautada no desempenho de sua equipe. Quanto mais eu desenvolver as capacidades da minha equipe, mais resultado eu vou gerar. No dia 21 de março “comemora-se” o Dia Internacional da Síndrome de Down e, infelizmente, muitas pessoas afetadas pela síndrome de Down ou outras síndromes ou deficiências, já são recebidos na sociedade, no mercado de trabalho ou nas escolas etiquetados com uma grande e reluzente etiqueta escrito “INCAPAZ”. Se nossos olhos só enxergarem a incapacidade, por que razão vamos gastar energia, tempo e dinheiro pensando em maneiras diferentes que auxiliem as pessoas – não só as com deficiência – a transpor seus limites, quebrar suas barreiras e conquistar o mundo a que ela tem direito? Se os consideramos incapazes, por que ficar procurando o caminho de como eles aprendem e como eles se superam? Se recebemos um aluno ou funcionário pensando que ele é incapaz, vamos criar um ambiente tão hostil que ele será mesmo incapaz, porque além de lutar contra os limites que a genética ou a vida lhe impuseram, terão que lutar também contra a nossa incapacidade de enxergá-los como pessoas ilimitadas, realizadoras e capazes. E para que isso se torne realidade, basta que nós quebremos nossos limites mentais em relação às capacidades dos outros. Faça disso a sua prática diária pensando que todo dia você tem a missão de auxiliar alguém a se superar.

UM TRABALHO QUE NÃO RECEBE MUITOS ELOGIOS

 

Sempre ouvi dizer que a mãe é o centro da casa, que a família gira em torno da mãe e que quando a mãe, por alguma razão falta, a família se desestrutura. Confesso que sempre achei um pouco exagerado, tipo aquelas frases que toda mãe fala: “se vocês não me derem valor, eu vou sumir e quero ver o que vai ser de vocês”. A minha falava isso sempre que ficava brava, ou seja, falava isso muitas vezes, afinal criar oito filhos sozinha deve ter sido algo bastante estressante. Lembro de uma vez em que ela perdeu o ônibus ao sair do trabalho e resolveu vir a pé para casa (de a pé, como se diz em Ponta Grossa), demorando muito mais tempo do que o normal. Eu tinha uns dez anos e até hoje quando penso nesse dia ainda sinto um aperto no coração porque achei que tinha chegado a hora da promessa se concretizar. Saí correndo pela casa desvirando todos os chinelos para que ela não morresse e, milagrosamente, ela apareceu. Ufa! Que alívio. A minha mãe nunca ficou sabendo, mas eu salvei a sua vida desvirando os chinelos, e também passei a acreditar nas promessas, afinal, não queria que ela sumisse.

SÓ VEMOS O QUE ESTÁ NA SUPERFÍCIE

O trabalho da mãe é uma atividade inglória, porque de modo geral nós, filhos, somos rebeldes, preguiçosos e meio “porquinhos”, principalmente quando crianças. Os pequenos não querem comer, nem tomar banho, não se comportam em lugares públicos como shopping, escolas e igrejas e, via de regra é a mãe que está lá, trazendo o pimpolho para a realidade. E quando o pai aparece se comportam como anjinhos, deixando a sensação de impotência na pobre mãe. Lembro de uma cunhada minha falando que os filhos dela não obedeciam, mas que era só um olhar do pai que ficavam bem “pianinhos”. Deve ser frustrante. Há uns cinco anos participei de um projeto junto com um grupo de psicólogos, psiquiatras e psicanalistas onde descobri que o trabalho da mãe é muito mais profundo do que sequer imaginamos e que o pai, por mais presente ou participativo que seja, será sempre um coadjuvante na formação física, mental, social e psicológica de seus filhos. Isso cria uma conexão tão forte que durante toda nossa vida gravitamos ao redor da mãe, tanto por conta de nossas forças quanto pelas nossas fraquezas, ambas desenvolvidas com a ajuda direta da mãe. Somos quem somos por ação direta das mães. Nossos filhos serão, no futuro, o que as mães sedimentarem neles as bases de seu caráter. Estão sempre conosco em todos os momentos e quase nunca nos julgam pelos nossos erros. Acompanhei alguns juris populares no fórum da cidade e sempre estavam lá a mãe do acusado e a mãe da vítima. E o pior de tudo é que normalmente as mães só têm seu valor reconhecido quando não estão mais por perto. Formam pessoas e não recebem muitos elogios com seu trabalho.

 9 MESES

Faz 9 meses que minha mãe faleceu. É o mesmo período de tempo que ela levou para ser minha mãe. Nesses meses sem a Dona Ani entendi perfeitamente a expressão “a mãe é o centro da casa”, porque a casa (família), sem ela, se desarticulou. Todos os irmãos se esforçavam para estar com ela nem que fosse uma vez por ano. Agora não temos mais essa razão, esse amálgama, que unia os filhos ao redor da mesa do almoço, e no máximo conseguimos reunir um ou outro de vez em quando. A casa em que ela morava não foi mais visitada. Meus filhos perderam uma grande referência de paz e tranquilidade. Por isso quando algum amigo meu perde a mãe fico pensando em tudo o que ele vai perder, todos os sorrisos, os encontros, as discussões, os abraços e principalmente a sensação de que alguém está cuidando da gente. Olho para minha esposa, que tem se desdobrado para fazer seu papel de mãe para uma geração autossuficiente e independente e penso o quanto ela é e será importante para o futuro das crianças. Por isso se você ainda tem sua mãe por perto, aproveite e se reúna em volta dela, independente da sua história e do passado, afinal, nenhum desentendimento é maior do que a possibilidade de estar vivo, que ela lhe proporcionou.

ESQUIZOFRENIA DIGITAL

 

Quando eu era adolescente um dos desenhos animados que eu e meus amigos gostávamos era A CAVERNA DO DRAGÃO. Em uma explicação simples, um grupo de jovens perdera-se no interior de uma caverna e não conseguia sair de maneira nenhuma. Sempre às voltas com aventuras, enigmas e dois “mentores”: o Mestre dos Magos (teoricamente do bem) e o Vingador (teoricamente do mal), esses jovens viviam em um universo paralelo, longe das amarras da realidade, onde suas fraquezas e seus limites eram colocados sempre à prova e quase sempre sua estada nesse universo virtual era estendida cada vez mais. Alguns anos depois, séries de TV, como LOST e agora séries do Netflix, exploraram e exploram esse mesmo conceito. As redes sociais e a conectividade estão produzindo um efeito semelhante, proporcionando a fuga da realidade e a circulação em ambientes onde nossas fraquezas não são expostas, onde o indivíduo não precisa olhar para si mesmo e para as coisas das quais não gosta em sua personalidade, atitude e aparência. Muitos se utilizam das redes sociais para renegar a própria história, expondo uma vida fake e menosprezando suas origens. As fotos são sempre na melhor luz, sempre com o melhor sorriso, as viagens e tudo o mais sem os estresses e contratempos da vida real. Tudo parecendo sempre perfeito e irretocável.

O VERDADEIRO EU

A sensação de controlar um espaço onde cada um constrói a imagem que bem entende, o comportamento e a comunicação da maneira que desejaria que fosse de verdade pode levar a uma contraposição entre o eu virtual e o eu real. No final das contas, quem é você verdadeiramente? O indivíduo bem resolvido das redes sociais, ou o homem comum da vida real? A esquizofrenia é um transtorno mental que significa a divisão ou cisão das funções mentais, podendo provocar confusão mental, paranoia, delírios e alucinações. A excessiva exposição ao mundo virtual pode provocar um efeito semelhante ao da esquizofrenia, ocorrendo uma cisão da personalidade da pessoa, fazendo com que um único indivíduo apresente dois comportamentos, duas histórias, duas vidas, uma na vida real e outra na virtual, correndo um sério risco de perder sua verdadeira identidade, diminuindo sua capacidade de interação social, pois a coragem, ambição e tudo o mais que são expostos nas redes sociais não eliminam as fraquezas reais de personalidade e caráter de ninguém.

A MODERNA CARVERNA DO DRAGÃO

Um dia desses pegando um transporte por aplicativo, ao final da viagem fui provocado a avaliar o motorista, atribuindo a ele uma “nota” de 1 a 5 estrelinhas. Lembrei do meu tempo de escola, quando no Ensino Fundamental (Primário para os mais velhinhos) como eu ia para casa cheio de orgulho porque a professora colocara uma estrelinha no meu caderno. Imaginem como eu ficaria se ela colocasse 5!?! Descobri que o motorista também atribui estrelinhas para mim, como passageiro, e fiquei imaginando o que eu deveria fazer para merecer 5 estrelinhas: sentar comportado, colocar o cinto de segurança, oferecer balas e água para o motorista, perguntar se a música estava boa? Sei lá, mas isso mostra o quanto as mídias sociais afetam a vida de todas as pessoas. São elas a nova Caverna do Dragão, onde cada um contorna ou ignora suas fraquezas, numa corrida desenfreada atrás de estrelinhas e curtidas, transitando no meio dos followers ou seguidores (teoricamente do bem) e os haters ou inimigos (teoricamente do mal), que são o Mestre dos Magos e o Vingador modernos. E você ainda sabe quem você é?