Blog do Canabarro
E SE EU APERTAR UMA TECLA E APAGAR TUDO?

 

Normalmente a pergunta do título é feita diante de um computador, por alguém que nasceu antes de 1980 e é seguida por uma resposta do tipo “Oh tio, isso não dá nada. Deixa que eu te mostro”, dada por alguém que estava com o nariz enfiado no celular e que nasceu após 1998. Lembro que eu estava com a família na praia no final de 2015 e conversávamos com um senhor idoso no hall do prédio. O Benjamin (nascido em 2014), brincava pelo chão e Rebeca (nascida em 2015) estava no meu colo. Não enxergando a hora marcada no visor, o senhor virou a tela para mim, para que eu lesse a hora (mas também não enxerguei nada, hahaha) e a Rebeca colocou o dedinho indicador no celular e fez o movimento de deslizar para mudar a tela. Detalhe: eu não sabia que ela sabia fazer isso. E até agora não sei onde ela aprendeu. O fato é que a relação dos jovens com a tecnologia é tão normal e descomplicada que parece que já nasceram sabendo usar equipamentos eletrônicos. O fato é que o avanço tecnológico experimentado nos últimos 25 anos tem sido acompanhado paralelamente por uma profunda mudança de costumes e comportamento, principalmente da parte dos mais jovens. As relações são aprofundadas primeiro no ambiente virtual, para somente em um segundo momento serem trazidas para o plano real. Hoje em dia falam das gerações usando letras, para diferenciar os diferentes comportamentos.

QUE GERAÇÃO É ESSA?

Costumo brincar que eu e meus amigos da mesma faixa etária constituímos a GERAÇÃO V – de Velhos. Afinal crescemos brincando na rua, jogando queimada, conversando nas calçadas, no pátio da escola, nos grupos de jovens ou através do 145 – Disque Amizade, no telefone de discar. Quem lembra como fazia para quebrar a segurança do cadeado do telefone e ligar para o 145? (Lembrou? Você é da Geração V). De maneira breve a Geração X (1961-1980) é a última geração que viveu o auge da adolescência sem internet. Foi a que mais discutiu como mudar o mundo e buscou viver com intensidade, com aprimoramento pessoal e leu muito autoajuda.  A Geração Y (1980 a 1997) nasceu e cresceu com o comportamento moldado pela tecnologia e que ama divulgar sua vida nas redes sociais. Ser relevante é vivenciar experiências exclusivas e ser interessante. A geração Z (1998-2009) é a geração que abraça a diversidade absorvida na internet e lidera a mudança ao agir no mundo por meio de ações práticas. Usam da internet e das tecnologias digitais para se tornarem mais inteligentes, seguros e maduros, mesmo muito novos. Nascidos a partir de 2009 são geração Alpha, que é a geração dos conectados e autossuficientes que não verão mais a tecnologia como algo separado da vida humana. Tudo será tecnologia digital e tudo estará conectado com o resto do mundo. Isso explica o conhecimento inato da Rebeca.

O NOVO CONFLITO DE GERAÇÕES

Em qualquer casa onde tenha um jovem das Gerações Z ou Alpha uma discussão comum gira em torno de que eles deveriam tirar os olhos da tela do celular e olhar o mundo ao redor, falar com as pessoas, prestar atenção no que acontece à sua volta. Esse novo conflito só tende a se aprofundar, pois os velhos estão ficando mais velhos e as gerações estão ficando mais novas. O gap só tende a aumentar. E desconectar um jovem da internet pode ser desconectá-lo da sua realidade e transformá-lo em um jovem idoso e fora do seu tempo. Quem sabe nós, Geração V, devemos deixar a nossa juventude e nossos hábitos no passado e tentar compreender a nova juventude e seus novos hábitos.

O QUE VOU SER QUANDO CRESCER?

Trabalho e estudo são duas atividades que ocupam uma parcela importante de nossa vida. Durante a juventude, frequentar a escola é no que mais se dispende tempo. Pode-se dizer que é a profissão do jovem, mas a escola ainda é um ambiente mais tranquilo e controlado. Costumo dizer que a escola é o único lugar na sociedade moderna em que uma pessoa progride alcançando um desempenho só de 60% e com frequência de 75%. Nenhuma outra atividade aceita esses números. Já o trabalho é tão poderoso na nossa definição de pessoa que, muitas vezes, nossa profissão é mais conhecida que a nós mesmos e a empresa na qual trabalhamos passa a ser nosso sobrenome. Eu por exemplo, tem muito mais pessoas que sabem que sou professor do que pessoas que sabem meu nome e também sou chamado de Professor Canabarro da UTFPR. A profissão é o palco onde o mundo da escola e o mundo do trabalho se encontram. Você só terá uma profissão se alcançar e concluir uma faculdade. Seu diploma lhe dará o direito de ocupar um lugar nobre no mercado de trabalho e a profissão será sempre sua propriedade. Não estudar e abandonar a escola é abrir mão de um universo de possibilidades e abraçar um futuro de poucas oportunidades e baixa renda. Quantos jovens estão, neste momento, pensando em abandonar a escola e decidindo se o seu futuro será de oportunidades ou será de dificuldades. Oportunidades e dificuldades são os dois lados da mesma moeda, ou seja, de permanecer estudando ou abandonar tudo e tentar a sorte no mundo do trabalho.

MERCADO FUTURO

O problema é que a tecnologia, que é tão importante para os jovens, está promovendo uma grande mudança na forma de trabalho e no perfil dos futuros profissionais (futuro próximo, diga-se de passagem). O uso da internet, da automação e da inteligência artificial no processo produtivo está criando uma demanda crescente por profissionais com alta escolaridade, muita qualificação profissional e grande capacidade de solucionar problemas. Ou seja, aquele que abandonar a escola, está se colocando fora desse universo, e terá que se contentar com o que sobrar. Tenho percebido que muitos jovens hoje em dia não projetam sua vida no futuro. Não imaginam como estará o mundo e o mercado de trabalho daqui há 10 anos e quais serão as oportunidades e a condição de vida no futuro. Vivem o dia de hoje como se não houvesse amanhã. Mas haverá. E com o tempo vem a idade, e com a idade vêm as responsabilidades. E para fazer frente às responsabilidades vem a necessidade de conseguir um trabalho. E o tipo de trabalho vai influenciar toda a vida futura do indivíduo, porque o salário será decisivo para quase tudo: para o tipo de alimentação, de moradia, de férias, de escola, de segurança. Pensar em todas essas coisas que a vida adulta exige e estar preparado somente para disputar empregos que pagam salário mínimo, deixa o futuro meio nebuloso.

ATUALIZE-SE

Lembro quando eu era adolescente e tinha um amigo que fazia o curso de torneiro mecânico no SENAI. Para nós, seus amigos da vila, ele seria a pessoa mais bem-sucedida de todos nós. O problema é que o mundo mudou e a profissão de torneiro mecânico praticamente saiu de moda. Hoje o torneiro é antes de tudo um grande conhecedor de softwares de projetos de peças. O torno foi substituído pelas centrais de usinagem que obedecem aos comandos de um computador. E aquele meu amigo não acompanhou a mudança e foi expulso do mercado. Com mudanças tão drásticas e relativamente rápidas no mercado, escolher a profissão e definir o que vai ser quando crescer não é mais algo tão simples. Mas uma coisa é certa e não vai mudar tão cedo: a necessidade de estarmos atualizados e sempre aprendendo, sempre estudando e sempre nos reinventando. Ser um profissional novo a cada época e sempre conectado com o seu tempo, para não se tornar obsoleto e passar a compor os números de pessoas que não conseguem, em nenhum tipo de trabalho, se colocar no mercado.

 

A CRIANÇA ESTÁ MORRENDO

Uma bala perdida... uma criança ao portão... e o fim de uma promessa. Sim, uma criança é uma promessa. É um universo inteiro de possibilidades. Filho de traficantes, ou de trabalhadores, ou de milionários, a criança é a chance de redenção de todos. Por isso, a morte de uma criança é sempre uma tragédia, não importa em que circunstâncias. Não importa se é pobre ou rico, se estava doente, se tinha alguma síndrome, se tinha saúde plena. É SEMPRE UMA TRAGÉDIA. Por vezes fico olhando meus filhos pequenos brincando pela casa e imaginando como podem ter tanta alegria e energia, tanta vontade de descobrir coisas e tanta capacidade de fazer bagunça. A casa com criança é barulhenta, bagunçada e feliz. A casa sem criança é organizada e triste. Meu avô (que faleceu com 111 anos!!) me disse certa vez: “Nelsinho, onde tem juventude, não tem quietude.” E é a mais pura verdade. Criança é vida. Criança é alegria. Criança é a renovação da aliança e do amor de Deus pela humanidade. É a renovação da própria humanidade. Não existe tempo para envelhecer quando se tem crianças por perto. Elas simplesmente nos arrastam com a sua juventude e nossas dores e preguiças trazidas pela idade são obrigadas a desaparecer.

TEMPO DE ESCOLA

Eu fui feliz nas escolas por onde estudei. No General Ozório tinha dias que a supervisora (Dona Fátima) me obrigava a ir embora, porque enquanto eu podia, e ninguém via, eu ficava por lá. Na biblioteca, na quadra, no Centro Cívico, na fila da merenda... De família muito pobre, eu estava sempre com o estômago roncando e a fila da merenda era o melhor lugar para passar o recreio. Faltar aulas só se fosse em caso de extrema doença. Quando criança/adolescente eu era muito magro, canelas finas (lembro de uma namoradinha da 7ª série, super romântica, que falou assim “tua perna é seca, né?” Kkkk), cabelo comprido porque era moda. Se bem me lembro, eu devia ser bonito como um escovão. Andava sempre com o Marquinhos que era ouriçado, magrelo e baixinho, com a Kelly que tocava violão como ninguém e eu tinha amigos gordos, brancos, negros, meninos, meninas, altos, baixos. Algumas amizades que cultivo até hoje mas que a pressa e as necessidades da vida não permitem que nos encontremos sempre. Era um tempo em que dava para ser criança, onde a preocupação era tirar notas azuis e comer salada.

MORTE COMPORTAMENTAL

A morte física de uma criança é difícil de compreender e quase impossível de aceitar. Mas um outro tipo de morte está atingindo um grande número de jovens: é a chegada cada vez mais precoce do “não ser mais criança”. Muitas coisas estão sendo antecipadas na vida dos pequenos, coisas que estão matando a infância. Temas que não deveriam sequer passar perto deles estão cada vez mais comuns e frequentes. Drogas, álcool, sexualidade, dinheiro, namoro, violência, desamor, desrespeito aos pais, desinteresse pela escola... coisas destrutivas que estão sendo colocadas na vida dos jovens em lugar de temas mais estruturantes que preservassem a sua inocência e a sua ingenuidade e auxiliassem a construção de um homem e uma mulher mentalmente desenvolvidos, psicologicamente fortalecidos e socialmente conscientes. Vejo que eu e meus amigos da mesma faixa etária trazemos para a vida adulta muito do que éramos e fazíamos quando criança/adolescentes. Mais da metade do que somos vem dessa fase da vida, por isso manter viva a infância, manter viva a criança existente na memória e no coração de cada um nos permitirá sermos adultos melhores e com mais saúde mental. Afinal é o coração de uma criança que permite a entrada no reino de Deus.

(PS.: um abraço para os alunos da Escola Monteiro Lobato. Muito obrigado por me acompanharem).

 

NÃO DÁ MAIS PARA SUPORTAR

O processo eleitoral para Presidente da República está sendo o pior acontecimento da história recente do país. O Brasil está com as vísceras de fora. Com todos os ossos quebrados e expostos. A tal unidade nacional está sangrando e parece condenada. Nunca presenciei um processo tão destrutivo como o que está acontecendo atualmente. As pessoas estão empunhando suas bandeiras e defendendo seu escolhido das piores maneiras possíveis. E neste caso não tem nenhum lado que possa ser chamado de vítima. Os dois candidatos e todos das suas equipes estão fazendo um trabalho muito intenso de promoção da agressividade e do enfrentamento. Um lado com o olhar carregado de ódio, grita que o outro lado promove o discurso do ódio. E assim o ódio vai imperando e promovendo a quebra de laços de amizade, xingamentos em redes sociais, brigas, palavras de baixo calão, entre outras coisas. Parece que as pessoas perderam o chão e esqueceram que, se o Brasil der errado, dá errado para todo mundo. No dia 27 de outubro ocorrerá o segundo turno das eleições, e no dia 28 de outubro, uma segunda-feira, aqueles que tem emprego terão que ir trabalhar. Os que estudam irão para sua escola. E vencedores e derrotados se encontrarão. E como será esse encontro?

POR QUE UM SEGUNDO TURNO TÃO LONGO?

Vi o resultado de uma pesquisa eleitoral (nota: desde que me lembro de votar em alguma eleição, nunca fui “pesquisado”) que dava os números referentes ás respostas para a seguinte pergunta: EM QUAL CANDIDATO VOCÊ VOTARIA, COM CERTEZA, INDEPENDENTE DO QUE ELE FIZESSE? O que deu 59% para um e 31% para outro.

Nesse cenário, o resultado da eleição já está definido, pois a pergunta é bastante clara. Nesta eleição, em particular, em função dos recentes acontecimentos políticos, e em função da rejeição do governo do Partido dos Trabalhadores – que não significa necessariamente rejeição ao candidato do PT – acredito que os votos para o segundo turno foram definidos no minuto seguinte à divulgação do resultado do primeiro turno.

Quem NÃO VOTA de jeito nenhum em Haddad votará no Bolsonaro.

Quem NÃO VOTA de jeito nenhum no Bolsonaro votará no Haddad.

E não vejo muita gente cruzando a linha de lá para cá e de cá para lá. Independentemente do que estão falando, fazendo, verdadeiro ou falso. Assim, a campanha do segundo turno das eleições está servindo somente para aumentar a animosidade entre o povo.

O PIOR DE TUDO

Qualquer candidato que entrasse para o segundo turno no lugar de qualquer um dos dois que passaram, não acirrariam tanto os ânimos. E o pior de tudo que os dois são crias do PT. Haddad colocado como side chicken de Lula não conseguiu consistência para dar uma nova roupagem ao PT e Bolsonaro que surgiu para a mídia e cresceu com seu perfil espalhafatoso, falastrão e verborrágico, como o anti-PT, é um personagem que muitos queriam e clamavam, por falar o que muitos queriam falar. Não creio que em um processo eleitoral saudável e comum, ganharia esta projeção. Ou seja, talvez estejamos escolhendo entre o ruim e o pior.

Penso que a maioria das pessoas que eu conheço que estão se confrontando, não são nem de longe conhecidas pelos candidatos, ou seja, ganhando ou perdendo, na segunda-feira pós segundo turno, nós pessoas comuns teremos que dar seguimento à nossa vida e os dois candidatos voltarão para suas rotinas, um em Brasília, outro em casa, sem sequer saber que existimos.

NÃO ME SEQUESTREM, SOU PROFESSOR!

26 anos de sala de aula. Nesse tempo já encontrei todo tipo de pessoas e enfrentei todo tipo de situações. Pude atuar em escolas públicas e privadas, educação básica e ensino superior. Iniciei minha carreira oficialmente em 1992, numa classe de Ensino Médio no Colégio Estadual Manoel Antônio Gomes – CEMAG, de Reserva, uma cidade vizinha a Ponta Grossa. Ainda acadêmico da graduação em Física na UEPG, indo para o terceiro ano de um curso. Assumi 32 aulas, as quais eu ministrava em dois dias e meio. Tive que fazer alguns sacrifícios para poder iniciar a minha carreira, assim como muitos professores que atuam nas nossas escolas. Dormia em um hotel que no inverno era mais quente no corredor que dentro do quarto. Comia mal porque o salário de professor que ainda faz faculdade era a metade do salário dos graduados (conseguem imaginar o que é isso?). Porém, apesar das adversidades, foi no CEMAG que eu encontrei a minha missão no mundo. Descobri que queria ser professor o resto da vida e que aquela convivência com os estudantes e com os outros professores e funcionários da escola, para mim, era o verdadeiro paraíso. Conheci pessoas impressionantes, que fizeram grandes transformações na vida dos outros e nas próprias vidas. História com a de um garoto boia-fria que queria ser médico e conseguiu, com muita força de vontade e resiliência. Como não amar a escola?

AS APARÊNCIAS ENGANAM

Saía de Ponta Grossa 6h30min da manhã de terça, chegava no CEMAG, entrava na sala de aula e, 32 aulas depois, pegava o ônibus de volta ao meio-dia da quinta-feira. Normalmente estava exausto e ainda tinha que chegar em Ponta Grossa e ir direto para o campus da UEPG colocar os meus cadernos de aluno em ordem. Ficava até a noite, normalmente sem comer, para assistir às aulas. Semanalmente, quando voltava para casa, comecei a notar que a uma certa altura da viagem tinha sempre uma mulher dormindo embaixo de uma cobertura na entrada de uma fazenda. Olhava aquela cena e pensava comigo: “puxa vida, que mulher de sorte, poder descansar assim, tranquila, sem preocupações, enquanto eu estou aqui nesta correria”. E toda semana olhava aquela mulher dormindo, com uma pontinha de inveja. No final daquele ano ocorreu uma reunião envolvendo todos os professores da cidade (não lembro qual a razão) e lá estava aquela tal moça que eu via dormindo. Não aguentei e fui até ela, me apresentei e relatei que eu a via toda semana. Para minha sorte, ela não me deu tempo de falar do meu sentimento e contou que ela dormia ali porque saía de casa 5h da manhã para pegar um transporte escolar para dar aulas numa escola rural até às 12h e tinha que ficar ali, sem comer, até 15h quando seu pai podia busca-la e leva-la embora.

PRECARIEDADE

Me senti péssimo por estar reclamando das minhas pequenas dificuldades. Nesse dia entendi que a educação não era, e até hoje não é, exatamente uma prioridade, e que oferecer boas condições de trabalho para que o ensino tenha a qualidade necessária e que proporcione o melhor aprendizado possível é mais discurso que realidade. Se prestarmos atenção aos grandes feitos das escolas, principalmente da rede pública que é onde está a maioria da população, são feitos produzidos e conduzidos por professores abnegados que compram para si uma batalha que deveria ser primeiro do governo. Desde o início da minha carreira a educação não melhorou, mas sim piorou. Mais violência nas escolas, menos disciplinas, mais direitos e menos deveres. Professores com três turnos em sala de aula. Escolas destruídas, falta de estrutura e de infraestrutura. Inclusão de PCDs sem a devida preparação dos professores e funcionários. E ainda assim, com tudo parecendo jogar contra, lá estão os professores tentando cumprir sua missão de ensinar e desenvolver a mente dos jovens. Permanecer na escola, no Brasil, ainda é a melhor possibilidade de futuro para a juventude melhorar de vida, sair da obscuridade e da mediocridade. A escola ruim é melhor que a não escola e ainda é a tábua de salvação para as pessoas e para a nação.

NINGUÉM É INSUBSTITUÍVEL?

Provavelmente você já ouviu a frase acima como uma afirmação e não como uma pergunta. De fato todos são substituíveis. Um funcionário pode ser substituído por outro de forma rápida, afinal existe mais oferta de mão de obra no mercado do que de emprego.

Mas tem uma coisa que não pode ser substituída rapidamente, que é o talento e o conhecimento da pessoa que sai. Seja qual for o motivo da saída: aposentadoria, morte, troca de trabalho... a saída de um profissional experiente e talentoso deixa um enorme buraco na equipe, que levará um certo tempo para ser fechado.

Quando uma empresa deixa escapar seus talentos para o mercado ou para o concorrente, ela está entregando de mão beijada o recurso mais importante do seu negócio: o ser humano e sua inteligência.

FUNCIONÁRIO BOM DÁ RESULTADO!

Lembro de uma conversa que tive com um empresário sobre melhorar a qualificação de seus colaboradores e ele, de forma surpreendente, me respondeu que isso não era interessante porque uma certa vez ofereceu um curso e perdeu alguns funcionários para outros empregos.

Tinha 10 funcionários, perdeu 2. Por essa razão, hoje ele prefere ter TODA SUA EQUIPE DESQUALIFICADA a investir na formação dos que ficaram. Este é um equívoco que custa caro. Funcionários despreparados produzem mais falhas de processo, desperdício, retrabalho, são pouco comprometidos, demoram mais na execução das tarefas e, por consequência, diminuem a satisfação do cliente.

Para que o empresário possa ter uma EQUIPE QUALIFICADA E MOTIVADA, deve investir nela, oferecendo aos colaboradores apoio para participar em cursos, elevar sua escolaridade, participar de feiras e congressos do setor, para que possam abrir a mente e ampliar seus horizontes.

DESAFIE, QUALIFIQUE, RECONHEÇA E REMUNERE

Paralelamente precisa criar um programa de retenção de talentos, que reconheça os bons colaboradores e oportunize seu crescimento profissional e pessoal, baseado em metas e indicadores.

Quando um funcionário com perfil de intraempreendedor enxerga a possibilidade de crescer na própria empresa, ele não estará à procura de um emprego melhor, mas sim concentrado em encontrar formas de melhorar seu desempenho e alcançar as suas metas particulares e da empresa. Mantenha sua equipe motivada lançando desafios. Depois qualifique seu time para que possam vencer e isso acontecendo, reconheça entusiasticamente e remunere com remuneração variável ou com outros tipos de bônus. Assim a equipe estará em constante evolução, dando sempre os melhores resultados e auxiliando no crescimento de sua empresa. E não será necessário substituir ninguém.

 

HERÓIS ANÔNIMOS

Hoje conheci a Maria Victória. Uma garotinha de menos de 2 anos de idade. Gordinha, cheia de dobrinhas nos braços. Bochechas coradas, cabelos cacheados, olhos brilhantes. Essa descrição cabe quase que para qualquer criança, não é mesmo? Mas esta criança apresenta um detalhe a mais. A Maria Victória está internada há um mês com um quadro de pneumonia que vem se somar ao quadro que ele trouxe em sua carga genética: microcefalia, hidrocefalia e paralisia cerebral. Deitadinha no berço do Hospital da Criança, soro no braço, lutando dignamente para sustentar esse enorme fardo que traz consigo desde o nascimento, ainda encontrou força para ensaiar um sorriso para mim. Ao seu lado estava a mãe, com a vida parada há um mês, acompanhando sua filha nessa luta pela sobrevivência. De forma surpreendente demonstrou uma serenidade profunda diante da situação em que se encontrava. Relatou que desde o seu nascimento Maria Victória vai e volta do hospital. Sua rotina teve que se adaptar às necessidades da filha e a sua perspectiva de futuro também. Sempre me pergunto de onde sai a força, a coragem e a fé para continuar lutando em condições tão adversas. Personagens como essas duas: mãe e filha, nos mostram que é possível, que é preciso acreditar e lutar por uma vida melhor.

ADOTANDO UMA ENFERMARIA

Sou um dos associados da Associação dos Amigos do Hospital da Criança, que vem promovendo uma modernização do hospital, transformando o ambiente interno para dar mais acolhida para as crianças e mais conforto para a família nesse momento de dificuldade onde há uma criança doente. Para isso a associação tem realizado projetos para captação de recursos e também buscando doadores para apoiar a reforma do hospital que é 100% público e voltado exclusivamente para a infância. Dentre tudo o que foi feito até o momento, acredito que o maior de todos os feitos foi levar para dentro do hospital muitos dos mais ricos membros da sociedade local. Pessoas que possivelmente nunca precisarão dos serviços do hospital e que, quase com toda certeza, nunca haviam sequer pisado no seu interior. Com o lançamento do Projeto Adote um Enfermaria e com o apoio de instituições importantes como a Justiça e o Ministério Público Federal, muitos aderiram à ideia e aceitaram financiar a reforma das enfermarias. A proposta foi tirar o conceito de enfermaria e implantar o conceito de quarto de criança, confortável, colorido, aconchegante e lúdico, para apoiar a rápida recuperação dos pequenos pacientes.

FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM

Esses doadores estão praticando o mais importante dos mandamentos cristãos que é amar o próximo, fazendo o bem sem olhar a quem. Afinal eles nunca saberão quem serão as crianças beneficiadas pelo seu gesto. Poderá ser uma criança filha de uma família desajustada, de famílias destruídas pela droga, bebida e violência. De famílias que vivem abaixo da linha da miséria e que, possivelmente, aquele vai ser o local mais bonito e confortável que elas já tenham entrado em toda a sua vida. E alguns pais e mães, e crianças mais crescidas vão entender que existe uma outra possibilidade de vida, um outro jeito de viver e isso vai refletir no futuro de nossa sociedade. Investir na saúde da criança é investir no futuro, principalmente em hospitais do SUS, onde a maior massa de atendimentos é à população de baixa renda ou sem renda nenhuma. As mudanças que o mundo precisa que aconteçam pode estar sendo plantada com essa semente de participação social de pessoas que não têm interesse e nem necessidade nenhuma do bom funcionamento do Hospital da Criança.

Saiba mais. Visite o hospital. Seja um Amigo do Hospital da Criança.

A ELEIÇÃO E O ANIMAL POLÍTICO

Sempre participo das campanhas de agasalhos e alimentos que são realizadas na nossa cidade. Todo ano tem, todo ano precisa, e há uma certa felicidade quando em determinado ano são distribuídos mais alimentos e agasalhos do que no ano anterior. Essa comemoração para mim não tem sentido, pois penso que a celebração deveria ser por estar diminuindo a demanda, e não aumentando. Precisar distribuir mais comida e roupas pode significar que tem mais gente na pobreza e na miséria que nos anos anteriores. Já pensou que bacana se fizéssemos a medição ao contrário, onde o indicador seria melhor quanto mais negativo ele fosse. Um indicador de pobreza tendendo a zero?

O problema é que isso não é possível, por conta da maneira equivocada com que o país e a economia são conduzidos. A todo momento estão nos enfiando em crises e destruindo o sonho brasileiro de crescimento e desenvolvimento humanos. São 13.000.000 de desempregados no país? De forma bastante grosseira se esses 13 milhões de trabalhadores forem homens ou mulheres chefes de uma família composta por 3 pessoas serão 39 milhões de brasileiros que hoje não têm de onde tirar o sustento de suas casas.

EFEITOS DANOSOS

Significa que em torno de 15% da população brasileira, hoje, está em situação de desespero, porque a perda do emprego não significa somente não precisar mais ir trabalhar. Significa não ter dinheiro para fazer frente às necessidades básicas da casa, como pagar luz e água. Significa ir parar no SPC e no SERASA, em alguns casos perder a casa própria, perder plano de saúde e benefícios, ou seja, perder a dignidade. Por um tempo curto o Seguro Desemprego dá uma ajuda, mas depois é ter fé em Deus para que um emprego novo surja. E isso reflete nos índices de violência urbana, roubo, tráfico e crimes mais severos, e provoca o adoecimento da população, principalmente no que diz respeito à motivação X depressão. Enquanto isso assistimos aos belos discursos dos políticos candidatos que têm a receita para resolver tudo. Durante o processo eleitoral a rotina brasileira é tomada por temas como família, educação, saúde e segurança e, aparentemente, todos e cada candidato têm a solução para a vida dura do brasileiro.

POR QUE CONTINUA COMO ESTÁ?

Mas existe um universo paralelo onde gravitam os políticos, tendo como núcleos os ministérios e o orçamento público. Aparentemente o povo fica de fora desse universo, pois a realidade financeira da classe política não passa nem perto da realidade do povo. A vida de um eleito se torna tão atraente que penso que a estratégia de atuação da maioria esteja calcada na pergunta: “Como faço para nunca mais sair dessa vida?” E assim, nessa busca pela permanência no poder, acordos, esquemas e conchavos, trocas de partidos e alianças improváveis são feitas para aumentar a probabilidade de sucesso. Inimigos declarados e desafetos se unem num casamento pernicioso e peçonhento para a perpetuação da espécie. Não tem como dar certo. Para ter alguma melhora num futuro próximo precisariam ser implantadas grandes mudanças, começando por: critérios mais exigentes para candidatar-se, redução drástica no número de partidos, proibição permanente da troca de partido durante um mandato e redução do volume de dinheiro repassado em forma de benefícios aos eleitos e em forma de fundo partidário, aos partidos. Isso seria um bom começo para um saneamento no país, abrindo caminho para outras mudanças mais estruturantes na vida pública brasileira, e assim tornar o processo mais honesto e menos centralizados em quem já tem a cadeira.

SUA MÃE NÃO ESTÁ RESPONDENDO

Foi dessa forma que a enfermeira do SAMU me falou quando perguntei como estava minha mãe. Era segunda-feira e eu estava no trabalho quando me avisaram. Minha mãe passou mal na rua, desmaiou, chamaram o socorro, a enfermeira me informou que a estavam levando para o Pronto Socorro. Não parecia nada grave. Saí às pressas e quando cheguei ao hospital, a notícia inesperada: sua mãe não resistiu e faleceu. Naquele momento abriu-se um buraco sob meus pés e, instantaneamente voltei ao tempo em que era uma criança e a mãe era a única parte significante em minha vida, o único socorro, o único alento. Desabei num choro incontido. Lembrei de toda nossa história, de todas as dificuldades que ela enfrentou para criar sozinha 8 filhos, o mais velho com 13 anos. Abandonada pelo marido, sem muita escolaridade, sem experiência profissional nenhuma, arrancou forças de onde não tinha, coragem do impossível, assumiu as rédeas de nossas vidas com as duas mãos, e fez tudo o que precisava fazer para nos criar e educar. Cozinheira, diarista, doméstica, jardineira, faxineira, lavadeira, foram alguns dos tipos de trabalho que ele enfrentou sem medo e sem vacilar. Abriu mão de si mesma, de suas vaidades e de suas necessidades.  E fez isso sem plantar em nossos corações o rancor ou a mágoa pelo pai e seu abandono. Foi a primeira vez na minha vida me senti verdadeiramente desamparado, sem ninguém responsável por mim. Me senti órfão. Minha mãe morreu faz 3 meses.

RINDO DA PRÓPRIA HISTÓRIA

Aos domingos meus filhos pequenos já se preparavam sempre para ir à casa da vó. E lá eram senhores. Para cada vez que eu ou a Danielle ralhávamos com eles por causa da bagunça, minha mãe logo falava: “deixe Nelsinho. Depois eu arrumo”. Presente nos momentos mais importantes de minha vida, sempre sorrindo, sempre positiva, tinha um orgulho singelo por eu ser professor. Parecia olhar para trás e rir de tudo o que havia passado. Graças a Deus Benjamin e Rebeca tiveram um tempo precioso com a vovó e deram-lhe o amor que talvez eu não tenha conseguido demonstrar, pela correria da vida ou pela certeza inconsciente de que minha mãe jamais morreria. Vejo que muitas pessoas também têm essa convicção de que os pais nunca morrerão. Sempre pensam que dá para esperar mais um dia para a visita, que dá para ir no próximo aniversário, no próximo Natal, pois eles estarão lá, como sempre estiveram desde o nosso nascimento. Mas a vida é frágil como uma bolha de sabão, que vai sendo levada pelo vento e, à menor perturbação, se rompe e se acaba. Chega o tempo em que não há mais tempo e ficam somente as boas lembranças e os pensamentos tristes que cada um guarda em seu coração.

KAIRÓS

Kairós é uma palavra grega que significa “MOMENTO OPORTUNO”. Na Bíblia o momento oportuno é o AGORA, o momento presente, que é o único momento que nos pertence verdadeiramente, pois o passado está na Glória de Deus e o futuro não se sabe se teremos. Deixar passar o momento oportuno de estar com seus pais, de demonstrar amor para aqueles que o cercam, de se reunir em momentos festivos, pensando que haverá futuro, pode ser a escolha mais equivocada na sua vida. Ocupar-se demais é uma escolha. Usar o tempo de forma errada também é uma escolha. Encontrar desculpas para não estar com a família e amigos por causa de uma mágoa qualquer, além de ser uma escolha é uma tolice. Independentemente de sua história, de todas as rusgas do passado, acredite: nada é mais doloroso do que a sensação de impotência diante da morte daquele a quem se ama. Diante da morte, nada mais pode ser feito, nada mais pode ser restaurado, nada mais será como antes. Viva o agora, viva o kairós com intensidade e com profundidade, como se fosse a última oportunidade na vida. E viva da mesma forma cada novo momento que lhe for presenteado com seus pais, porque isso nunca mais volta.

O QUE REALMENTE IMPORTA?

Há alguns anos atrás eu era acompanhante de uma turma de alunos a uma viagem para visitar a parte histórica do litoral paranaense. 5 professores e 40 estudantes de Ensino Médio (sempre penso que a classe do magistério é a mais corajosa que existe). Foi um dia bastante agradável e tudo corria bem até que, na volta para casa fazia parte do roteiro subir pela Estrada da Graciosa. Um ônibus naquela estrada aumenta a chance de acidentes, e foi o que aconteceu. Nada grave. Só um esbarrão em outro veículo, mas tivemos que para no posto policial do alto da serra e relatar o ocorrido. Durante a burocracia do acontecimento, os estudantes ficaram aproveitando a estrutura do local e nós lá, acertando os pontos de vista. Um fato que me chamou a atenção foi que durante todo o debate ao nos dirigirmos ao policial chamando-o de “POLICIAL” ele nos corrigia para PRIMEIRO-TENENTE. Isso aconteceu umas dez vezes durante nossa permanência lá. Ao final todos já se corrigiam sozinhos: falávamos policial e já emendávamos: desculpe, primeiro-tenente. Saliente-se que todos ali, exceto ele, eram civis e essas patentes não são prontamente identificáveis para leigos. Saliente-se também que para resolver aquela situação, a patente da autoridade não fazia a menor diferença. Não acelerou nem retardou a solução do problema.

BARREIRAS

Não é raro encontrar pessoas que se apegam muito aos títulos e cargos que ocupam. Eu mesmo já fui assim. A gente se sente envaidecido e orgulhoso. Lembro que eu ia fazer palestras e mandava um currículo enorme com tudo o que fiz e estudei. Com o tempo fui percebendo que isso não tem importância, que é besteira e que se eu não tiver capacidade para realizar uma tarefa com qualidade e inspiração, nenhum título me salvará. Por vezes os títulos e cargos são usados como barreiras para frear a comunicação entre as pessoas, especialmente entre os níveis hierárquicos. Afastam ao invés de unir. O diretor sempre de portas fechadas, o político eleito que se arvora por trás do cargo público, o professor que não recebe seus alunos fora do horário das aulas, o médico que não fala claramente com seus pacientes. A patente, a titulação, o cargo, o conhecimento sendo usados para afastar as pessoas e não para aproximar.

O QUE FICA?

Graças a Deus sempre tive oportunidades de conhecer pessoas bastante graduadas e ocupantes de cargos de grande autoridade, que decidem por muita gente e cujo trabalho afeta a vida de muita gente. Talvez pelas atribulações da posição que ocupam acabam esquecendo de coisas básicas, como um simples bom dia para pessoas com cargos menores que os dele. O que é pequeno para um é grande para outro. Ser notado pelo chefe, pelo professor super titulado, pode fazer a diferença no dia de trabalho de alguém. E se tirarmos todos os nossos títulos e cargos, o que é que fica? O que é que resta? Qual é a sua essência? Quem é você? Só mais uma pessoa, como outra qualquer, e que na hora da fraqueza, da necessidade, da dificuldade, da fragilidade, vai depender exclusivamente de outras pessoas, independentemente de seu currículo. Por isso, precisamos definir o que realmente importa em nossa vida, e tomarmos as decisões que nos permitam priorizar o que importa. Aliar a necessidade com a prioridade, o equilíbrio entre o que eu TENHO que fazer e o que eu PRECISO fazer para descobrir e fortalecer a minha essência. Sem isso, seremos simplesmente uma carcaça vazia, cheia de medalhas, condecorações e diplomas circulando pelo mundo, mas que ao se trancar no quarto, sem as máscaras, não teremos nenhuma identidade e nem substância.