Blog do Canabarro
NÃO GOSTO DO MEU TRABALHO

Estava discutindo em uma aula esses dias o conceito de sucesso. Considerando que a vida tem muitas facetas, o sucesso é algo bastante difícil de definir, porque cada pessoa acaba tendo um conceito próprio de sucesso e também dimensões diferentes do que cada um classifica como sucesso. Realizei com a turma um rápido brainstorming e apareceu uma gama gigante de opções de sucesso: dinheiro, paz, sossego, realização, saúde... dentre outras coisas, que de modo geral são alcançáveis ao longo da vida. Mas existe uma dificuldade muito grande para cada um enumerar as coisas que construirão o seu sucesso pessoal. Percebi também que as ideias de sucesso estavam todas vinculadas de forma superficial aos bens materiais, à paz, sossego e outras coisas que o conforto financeiro pode proporcionar. Ter dinheiro parece ser tudo o que alguém precisa e a busca pela riqueza passou a ser o balizador da vida de muitas pessoas. O problema é que a grande maioria não vai enriquecer trabalhando e o primeiro fruto colhido será a frustração. Alguns jovens escolhem a profissão pensando somente nas possibilidades financeiras que ela proporcionará, não considerando todos os fatores que o exercício dessa profissão exigirá.

FAZER O QUE NÃO GOSTA

Mas o trabalho que cada realiza é um elemento muito importante para o sucesso individual, e acaba afetando todas as facetas das nossas vidas. Afinal vamos trabalhar 8h ou mais por dia, 22 dias por mês, durante 40 anos ou mais de nossas vidas, ou seja, começamos a trabalhar jovens e terminaremos idosos e a qualidade de vida de nossa velhice será, em muitos aspectos, consequência do exercício de nossa profissão. Escolher uma profissão somente porque ela dá grana, sem levar em consideração o amor pelo que se vai fazer, vai fatalmente produzir uma geração de idosos com problemas de saúde mental. Já podemos perceber isso hoje em dia, onde as pessoas se aposentam e caem em depressão, ou não constroem relações fortes o suficiente ao longo da vida para poder usufruir delas na velhice. Talvez por isso vejamos tantos idosos tomando antidepressivos, controladores de ansiedade, com problemas de hipertensão... afinal 40 anos fazendo algo que não gosta, convivendo com pessoas que não comungam de seus ideais e, possivelmente, não conseguindo o sucesso planejado por fazer as coisas no automático, só podem produzir pessoas velhas, cansadas e doentes.

BRILHO NOS OLHOS

Quantas vezes na sua vida você fez algo que fazia seus olhos sorrirem? Que lhe dava arrepios? Onde está o teu coração? Que atividade profissional que você faz que não lhe cansa, que lhe desafia, que lhe tira da zona de conforto? Que lhe fez trabalhar exaustivamente por dias, às vezes semanas, mas que ao final do processo você não sentia cansaço nenhum, mas sim a sensação de uma grande obra realizada, fruto do seu trabalho e sua dedicação. Pois bem, aí bate teu coração. E seguir o coração é o primeiro passo para o sucesso, afinal, quando colocamos o coração no que estamos fazendo, podemos garantir que o resultado do trabalho será esplendoroso, será com certeza o melhor. Diferente de quando fazemos algo que buscamos para acumular riqueza ou somente para pagar as contas. Ao final da aula concluímos que ter sucesso é construir uma vida feliz, mesmo entendendo que a felicidade não é um lugar aonde se chega, mas sim uma série de pequenos momentos ao longo da vida que fazem nossos olhos brilharem. Escolher a profissão com o coração e não com o bolso, fará com que os sucessos financeiro, profissional e social batam à sua porta, porque em tudo você colocará a sua marca, a sua alma, a sua verdade e seu trabalho não te dará trabalho nem sofrimento.

MAKE BRASIL GREAT AGAIN

Tenho visto esta frase estampada em alguns carros em adesivos de um certo candidato a Presidente da República e fico pensando se a pessoa que o está ostentando sabe a tradução do texto acima e, se sabe, se tem noção do significado de seu conteúdo. FAÇA O BRASIL GRANDE NOVAMENTE! Pois bem, a frase é bonita e impactante, porém é vazia e sem sentido se formos olhar para a nossa história. O Brasil é um país grande e tem tudo para ser um grande país, mas ainda não é.

Fiz um esforço para lembrar quando foi que fomos grandes verdadeiramente, no sentido e no contexto do slogan acima, de maneira consistente e sustentável, por um período de tempo suficiente para passar à população aquela sensação de que poderíamos confiar no futuro. Talvez isso tenha ocorrido em dois momentos: o primeiro durante o império de Dom Pedro II, que fez o país ter um certo conceito de nação. E o segundo nos anos posteriores ao Plano Real onde, apesar de o preço ter sido salgado, saímos da vala comum da América Latina, onde a maioria dos países é governada por malucos e “tocados” como posses de alguém. Fora isso, no meu arcabouço de cultura e história, não sei dizer mais nenhum outro período de grandeza.

PAÍS DE ALTOS E BAIXOS

 “Colonizados” por degredados, saqueados pelos portugueses, declarados independentes pelo filho do rei, democracia, ditadura civil, democracia, ditadura militar, democracia indireta, presidente eleito, presidente morto, vice assume e faz algumas besteiras, voto direto e universal, presidente eleito pelo povo, presidente deposto por corrupção, vice assume e faz mais algumas besteiras, presidente eleito e reeleito, 13 anos de governo de esquerda eleito e deposto, e que deram os frutos que vemos ainda hoje na mídia. A atuação governista nos últimos anos foi tão ruim que quase quebrou uma das maiores empresas de petróleo do mundo. (Um economista amigo meu me disse certa vez que os três melhores negócios que alguém pode ter no mundo são, em ordem: 1º um banco com as contas em ordem; 2º um banco com as contas em desordem e 3º uma empresa de petróleo e gás). De qual dos nossos grandes momentos o slogan da campanha fala?

COPIANDO OS YANKEES

O slogan é uma cópia, possivelmente não autorizada, da campanha de Donald Trump à presidência dos USA. Só o fato de copiar o texto já mostra como somos pequenos, e não ter o cuidado de o traduzir para a língua nativa, o português, para dar uma ideia de que tivemos um toque de originalidade, nos deixa ainda menores. Talvez devêssemos copiar dos EUA o sistema de cobrança e taxação de impostos, o modelo de educação, de investimento em P&D, de desenvolvimento tecnológico, de distribuição de renda e da qualidade dos serviços à população. Talvez pudéssemos copiar isso de todos os países onde as coisas funcionam, onde o IDH é alto e os indicadores da qualidade de educação, saneamento, segurança, saúde pública, renda e combate à corrupção são altos. Parece que o que se desdobra no horizonte da eleição que se aproxima é, infelizmente, mais um período de pequenez, mais um período onde vamos ter mais do mesmo: muito discurso, pouca ação. Muito governo por convicção individual e pouco planejamento. Muita explicação e empurra-empurra e pouca organização. Olhem ao redor e procurem um atalho para a grandeza, acredito que você não irá achar. E isto tudo está sendo escrito por alguém que ama o seu país. Talvez o slogan pudesse dizer, em bom português: “DEIXE O BRASIL SER GRANDE. AO MENOS UMA VEZ”.

 

O QUE VAI SER DESSA CRIANÇA?

A notícia da criança que nasceu em um acidente envolvendo um caminhão no interior de São Paulo é simplesmente impressionante, um verdadeiro milagre. Apesar de todas as condições adversas, a bebê sobreviveu e agora inicia sua corrida pela vida. O que vai ser dessa criança? Ouvi essa pergunta num momento de muito sofrimento pessoal, de muita agonia com o futuro do Benjamin, meu filho Down. Estava conversando com o padre da igreja que frequento e falando das minhas preocupações em relação ao futuro dele, trabalho, escola, relacionamentos, amizades... e de como seria depois que eu e Danielle não estivéssemos mais aqui. O Padre Mário me ouviu pacientemente, me deixou desabafar e depois segurou o rosto do Benja com as duas mãos e perguntou: “Nelson, o que vai ser desse menino? Deus já escreveu a história dele.” E me fez refletir o quanto eu estava equivocado em me preocupar com o futuro, enquanto a única coisa que eu poderia fazer estava no presente. Ele pode ser o que ele quiser, independente da síndrome, mas precisa receber na infância os estímulos e as condições que lhe permitam não ter medo de enfrentar a vida.

PROMESSA

Uma criança é uma promessa! Cada pequeno que vemos por aí pode ser aquele que vai mudar o mundo para melhor. Pode ser aquela que vai descobrir a cura para doenças até então sem cura, que vai conduzir o mundo para uma única e igual aldeia global, que vai lembrar a cada pessoa que o que distingue o ser humano de animais é o amor e o cuidado que temos um para com o outro. Nesse momento, na sua cidade, no pior barraco, do mais pobre e violento lugar, ou naquela mansão luxuosa, pode estar vivendo aquela criança que vai mudar a história da humanidade. Mas qual é essa criança? Só vamos saber no futuro, quando a promessa se concretizar e para isso é preciso investir na criança, para que cada uma e todas tenham condições de crescer e se desenvolver. Para que possam ter acesso a boas escolas para aprender a pensar por conta própria, para aprender a aprender, para aprender a criar. Precisam ter proteção contra a fome e a violência, para que não cresçam com sentimento de inferioridades ou de que não são capazes, para que não cresçam com medo de serem protagonistas.

QUEM VAI CUIDAR DO NOSSO FUTURO?

Muitas vezes não prestamos atenção nas crianças, ou as tratamos como se fossem adultos em tamanho pequeno, ou achamos que elas não têm necessidades particulares à sua idade, ou que não sabem o que estão fazendo. Mas o fato é que elas são impressionantes em sua curiosidade, sua resiliência e na demonstração de amor e de capacidade de aprender (acho que por isso é que serão as primeiras a entrar nos céus). Precisaríamos descobrir metodologias de ensino que não apagassem nas crianças essa chama que existe que as faz querer aprender tudo e descobrir tudo. Infelizmente vejo nas escolas a transformação pelas quais passam nossos jovens, saindo de um extremo de inquietude para o outro de apatia. E numa fase da vida que é a da preparação para a vida adulta onde passarão a ocupar todas as funções que fazem a sociedade funcionar. Em 30 anos todos os atores sociais de hoje terão sido substituídos e novos professores, empresários, carpinteiros, médicos, juízes, jornalistas, políticos e conduzirão a sociedade. E essas pessoas já estão por aí, são as crianças de hoje. E o que estamos fazendo para que elas cheguem à vida adulta na sua melhor forma, na plenitude de suas capacidades e, acima de tudo, com valores e princípios, para que exerçam suas funções pensando no bem coletivo e não no individual.

DES-VIOLÊNCIA

Quando eu era criança há alguns anos atrás, se por alguma razão fosse preciso sair de casa após o anoitecer, o conselho que a mãe me dava era: “Não ande muito sozinho. Se tiver alguém andando na rua, fique perto que é mais seguro.” E lá ia eu atrás da encomenda do bar do Wilson, ou daquele produto que precisava ser devolvido ou buscado com urgência. Na rua tinha medo de duas coisas: de bandido e da RONE. Bandido por questões óbvias (apesar de nunca um bandido ter apresentado crachá da função) e da RONE que era uma patrulha da polícia militar por conta de uma lenda urbana que se ela pegasse alguém de menor na rua à noite, levava não sei para onde e nunca mais devolvia. Até hoje não sei isso é verdade ou se era história que as mães falavam para não querermos brincar na rua à noite. Sei que era só aparecer uma luz girando no horizonte e a criançada procurava um lugar para se esconder. Kkkk. Quando acontecia algum assassinato virava conversa nas rodas. Hoje em dia... ninguém liga.

A nossa sensação de segurança era muito diferente do que temos hoje. Bastava estar próximo de um adulto que estava resolvido. Atualmente o conselho que damos para as crianças é: “se tiver alguém estranho na rua, FIQUE LONGE, ATRAVESSE PARA A OUTRA CALÇADA”.

O QUE ACONTECEU?

Parece que nesse curto intervalo de tempo a humanidade saiu de um extremo ao outro no que diz respeito à confiança mútua. Perdemos a noção do cuidado que devemos ter uns com os outros. Uma pessoa estranha na rua passou a ser um potencial inimigo, um ladrão, homicida, assediador, passou alguém de quem devemos fugir. Não é para menos, pois vemos os crimes multiplicarem e assistimos passivamente a violência e crueldade presentes nesses crimes atingirem patamares cada vez mais altos. Não basta mais roubar, é preciso matar, humilhar, mostrar que tem nas mãos o poder de dizer sim ou não para a vida. O que acontecia nos teatros romanos onde a vida dos gladiadores dependia somente da direção para qual o dedão da mão do povo e do imperador ali presentes apontassem. A diferença é que hoje em dia todo meliante, pivete, moleque, malandro, traficante, facínora ou simplesmente bandido, assumiu que é um imperador e decide sobre a vida dos outros. Com uma moto, com uma arma e sem um coração, comete barbaridades.

ORIGENS

Na minha modesta opinião, a aglomeração de pessoas nas grandes cidades é o começo de tudo, pois colocou muita gente diferente e desconhecida juntas. Conviver com quem você não conhece é muito difícil porque não existe nenhum vínculo emocional entre as pessoas, o que elimina o respeito e, por consequência, a confiança mútua. O caos estabelecido nas grandes cidades, o individualismo, somados às desigualdades sociais e desnível na renda dos trabalhadores parece não ter uma solução no curto prazo. A esperança é que em algum momento as pessoas lembrem de como era bom poder fazer amizades na rua, deixar a porta da casa aberta sem medo de ladrão, conversar na calçada, brincar na rua até à noite, sem que sua vida estivesse ameaçada. Lembrar de que a essência da humanidade é o cuidar um do outro, para que todos possam crescer juntos, investir na educação de qualidade, condições de trabalho e na qualidade de vida. E quem sabe organizar as grandes cidades em pequenas células, como se fossem várias cidadezinhas próximas uma da outra, onde as pessoas de cada célula pudessem se conhecer e interagir, como acontece naquelas cidadezinhas do interior, onde todos sabem o sobrenome de cada um e se ajudam mutuamente.

O GRANDE PERDEDOR

Sempre digo em sala de aula que durante a vida toda ninguém precisa de muitas oportunidades. Todos precisamos tão somente de uma única oportunidade para alcançar o sucesso, para conseguir felicidade, para brilhar, para mudar a nossa história, para sair da vida mediana, sem cor, sem sabor, sem brilho. Aquela oportunidade que lhe permitirá realizar os seus sonhos. Mas sempre digo também que o sucesso é a soma da oportunidade com o preparo para aproveitá-la. Se a oportunidade chegar e você não estiver preparado, com os cinco sentidos aguçados, com mãos e pernas prontos para agarrá-la e inteligência e emoção focadas nela, você perderá essa oportunidade e ela será apresentada para outros.

O preparo envolve três elementos fundamentais: O conhecimento, a habilidade e atitude. Conhecimento é dominar o máximo possível a base de estudos, pesquisas e informações da área que se tem interesse. Estar sempre se qualificando, estudando, conversando sobre, lendo sobre, ajuda a desenvolver de forma superlativa o pilar do conhecimento. Habilidade é saber aplicar o conhecimento adquirido para melhorar seu trabalho, sua vida, para usar o conhecimento a seu favor. Dominar técnicas, estratégias, maneiras e ferramentas. Colocar em prática o conhecimento ajuda a desenvolver o pilar da habilidade.

ATITUDE

Mas a chave para o sucesso, para sair vencedor está na atitude. Ser proativo, positivo e focado faz com que você supere todas as dificuldades que aparecerem. Cada derrota acaba sendo um degrau para alcançar o topo. Não tem todo o conhecimento? Com a atitude correta você vai busca-lo. Não domina todas as técnicas? Com a atitude correta vai praticar, errar, acertar, aprimorar, até se tornar o melhor naquilo. Sem a atitude correta, sem a coragem necessária para mudar, todo o conhecimento e todas as habilidades são inúteis. Sem contar que pessoas super qualificadas perdem grandes oportunidades por falta de atitude. A atitude está relacionada à inteligência emocional, ao autoconhecimento, ao domínio sobre si próprio e controle da impulsividade.

A questão é que a gente nem sempre sabe onde a oportunidade vai se apresentar na nossa vida, porque elas não vêm com carimbo, com crachá escrito OPORTUNIDADE. Ela pode estar em qualquer lugar, às vezes naquele trabalho rotineiro, naquela tarefa simples que você tem que fazer, naquela conversa despretensiosa com alguém na esquina, naquele trabalho voluntário, ou pode estar claramente delineada e planejada. Não importa. Precisa estar preparado.

DERROTADOS E PERDEDORES

A Copa do Mundo foi um campo fértil para mostrar a diferença existente entre derrotados e perdedores. A derrota faz parte da competição, um vencedor gera simultaneamente um derrotado. A derrota traz em si uma dose de honra e grandeza e, principalmente, muitas oportunidades de melhoria para o próximo combate. A derrota pode ter sabor de vitória, como por exemplo a seleção da Croácia, a Coréia do Sul, Cristiano Ronaldo... Já o perdedor é aquele que tinha nas mãos a grande oportunidade da consagração e, por alguma falha em um dos três pilares, perdeu, deixou escapar. E terminou como perdedor. A seleção da Alemanha e da Argentina foram as perdedoras dessa copa. Mas o grande perdedor infelizmente é brasileiro: o jogador Neymar. E ele é um dos melhores jogadores do mundo. Brilha dentro e fora do campo. É a 13ª celebridade mais bem paga do mundo (note que usei o termo celebridade e não atleta), o que mostra que nos dois campos onde atua: no de grama e no de marketing tem grande conhecimento e a habilidade nem se discute. Seu problema foi e é a atitude desenvolvida ao longo de sua história. Saiu da Copa do Mundo com a imagem arranhada, com futebol desrespeitado, subvalorizado no mercado da bola, virou motivo de piada em todos os lugares e viralizou na internet não pela sua qualidade mas sim pelas suas performances teatrais. A atitude errada, tirou de Neymar a oportunidade de fazer da copa de 18 a SUA copa do mundo. Sua atitude fez dele o GRANDE PERDEDOR DESSE MUNDIAL.

NÃO É SÓ POR CAUSA DA COPA

Tenho visto de forma recorrente nas redes sociais vários internautas fazendo publicações negativas sobre a ligação apaixonada do brasileiro com a Copa do Mundo. De modo geral têm publicado coisas sobre o fato de que a corrupção, falta de infraestrutura, educação ruim, problemas na saúde pública, falta de emprego e outras mazelas, não serão eliminadas ou melhoradas se o Brasil ganhar a copa. Concordo plenamente, mas não consigo ver qual a relação de gostar de futebol e torcer pela nossa seleção e a melhoria da qualidade de vida no país.

PARA VOCÊ QUE PUBLICA COISAS DESSA NATUREZA, quero contar um segredo: mesmo que o Brasil não participe das próximas 10 copas do mundo, ou se perder todos os jogos em todas as copas do mundo em que venha a participar, ESSES PROBLEMAS NÃO SERÃO RESOLVIDOS. Simplesmente porque esses problemas não existem porque a Copa do Mundo, ou o futebol, ou o amor pelo futebol existem. Esses problemas estão por aí porque entregamos o governo nas mãos de pessoas erradas.          

PROBLEMA CULTURAL

Eu seria o primeiro a ir para a rua protestar contra a copa se soubesse que isso traria um refresco, uma brisa, para a crise existencial pela qual nosso país passa. MAS ISSO NÃO VAI ACONTECER! Porque o problema é mais embaixo (ia escrever o buraco é mais embaixo, mas achei que não pegaria bem). O problema é a forma como nós cidadãos enxergamos a coisa pública, o patrimônio público e a classe política. Saímos de um governo e entramos em outro, e outro e outro e nenhum é capaz de estabelecer um pensamento estratégico que nos dê o conceito de nação, que nos permita olhar para os próximos 20 anos e ter uma noção de para onde estamos indo. Mas nem sequer analisamos a capacidade dos candidatos ao governo em propor o pensamento estratégico. O país faz planos para 4 anos, nada mais, e o problema é que não vamos viver somente por 4 anos, ou seja, nunca teremos um projeto de vida. É preciso olhar para o Brasil de forma estratégica e propor políticas públicas de consolidação dessa estratégia.

DUAS COPAS DO MUNDO

Política e futebol são coisas que caminham em universos paralelos e não deveriam se encontrar nem mesmo no infinito. Realizar a copa e a olimpíada no país não foi o problema. O problema foi a gestão da coisa toda, a forma como o evento foi conquistado para o país e a má intenção dos gestores do processo. Não fossem esses três fatores os eventos teriam sido de grande importância para o Brasil, pois ajudam a alavancar a imagem do país ao redor do mundo, são importantes para a movimentação e atração de turistas, que geram riquezas e empregos. Não consigo enxergar um país melhor só por pararmos de assistir aos jogos da copa. Aliás estamos próximos de realizar mais uma copa do mundo, em outubro, onde aí sim teremos condições de mudar a situação em que nos encontramos. Pior que alguns amigos meus, que ficam falando mal dos jogos da seleção, são adeptos de campanhas pelo voto branco ou nulo, ou seja, estão protestando pela coisa errada, da forma errada, do jeito errado. Quanto a mim, gosto muito de futebol, e vou assistir a todos os jogos da copa que eu puder e torcer muito para que o Brasil seja campeão. E se for, quem sabe até eu vá na avenida comemorar. E em outubro vou votar, escolher de forma séria meu voto, e incentivar os outros que conheço que votem da mesma forma. Quem sabe consigamos vencer dois campeonatos no mesmo ano?

O PROFESSOR E A RIFA

Nestes dias tem circulado pelas redes sociais um vídeo gravado em uma sala de aulas de uma escola no nordeste do país, onde estudantes do Ensino Médio organizaram uma rifa para arrecadar fundos para ajudar um professor que estava por mais de dois meses sem receber salários. De forma geral os comentários sobre o conteúdo desse vídeo tratam a situação como um ótimo exemplo e como uma ação que deveria ser replicada por todos os lugares. Como professor confesso que me senti bastante constrangido com a situação, e gostaria muito que ações dessa natureza não devessem ocorrer em lugar algum. Obviamente que, no que diz respeito à atitude dos estudantes, é uma ação louvável e mostra a preocupação destes com as condições em que seu professor está realizando seu trabalho. Mas a julgar pela reação do professor, ele também sentiu naquele momento cair sobre suas costas todo constrangimento da condição precária da profissão que ele abraçou e da qual retira seu sustento. Chegar para lecionar e encontrar sobre sua mesa uma caixinha contendo dinheiro, amealhado aqui e ali com a venda de uma rifa, com certeza não é a forma como esse profissional esperava receber seu salário.

ÔNUS E BÔNUS

Quando uma pessoa decide pela carreira do magistério já sabe de antemão que não está ingressando numa profissão que lhe permitirá, com raras exceções, enriquecer. Sabe também que irá passar boas noites e alguns finais de semana corrigindo provas e trabalhos. É consciente que terá que trabalhar três turnos para garantir uma renda um pouco melhor, abrindo mão da convivência familiar e que terá que correr de um colégio para outro para conseguir fechar sua grade da semana. Sabe que se quiser ganhar um pouco melhor na Educação Básica, terá que disputar vagas na rede privada de ensino, mas que a competição é difícil. Por outro lado, estará prestando um serviço fundamental para o desenvolvimento do país, na medida em que está formando as futuras gerações que tomarão conta da nação. Sabe que a oferta de trabalho para o magistério é alta e que dificilmente faltará emprego. E também tem a realização de ver uma criança se transformar num adulto transformador e um cidadão participativo.

 NÃO ME SEQUESTRE: SOU PROFESSOR              

Mas quando chegamos ao extremo de necessitar que os alunos se mobilizem para juntar grana para aliviar a situação do professor é porque a educação no Brasil perdeu o rumo por completo. Que tristeza! Que lástima! Que humilhante! Como ser professor imparcial desses jovens depois? O que ensinar para eles sobre o valor do magistério? Como incentivar que dali, daquela turma, saiam alunos que estudem licenciatura e sejam futuros professores? Como recuperar a autoestima e a autoconfiança para seguir pela profissão? Não conseguimos nem conscientizar os jovens para irem às ruas para que o governo faça a sua parte, que se não consegue melhorar a qualidade de ensino, faça o mínimo de pagar seus professores. Estamos protestando do jeito errado, tirando a responsabilidade do governante. E o pior é que esse governador se reelege, continua a ocupar cargos públicos com altos salários e muita mordomia. Quando vamos encontrar o ponto certo da cidadania e fazer valer as obrigações do Estado? Nunca seremos uma nação livre e independente enquanto o salário de nossos mestres for pago por “vaquinhas” feitas pela comunidade e enquanto isso continuaremos comprando tecnologia e vendendo agricultura. Comprando conhecimento e vendendo extrativismo. Enquanto um professor achar que usar uma camiseta dizendo que não deve ser sequestrado porque é professor, não podemos dizer que deixamos de ser um país de miseráveis.

 

A NATUREZA DE CADA UM

Quando eu tinha 10 anos nós morávamos em uma casa de fundo na Vila Princesa, em uma rua cheia de crianças. Nós brincávamos quase o dia todo na rua e voltávamos para dentro de casa somente na hora de tomar banho, que era uma hora sagrada. Minha mãe passava perto do campinho (que na verdade era um complexo esportivo contendo um campinho de futebol, uma quadra para jogar bolinhas de gude e uma pista de bicicross) construídos em um terreno baldio pelas crianças da rua. Nessa idade as pessoas ainda não têm muita malícia e os amigos e seus familiares eram chamados por apelidos ou por alguma característica peculiar que os identificava. Tínhamos uns amigos que eram chamados de filhos do “Seu” Cor de Rosa, porque o pai deles por alguma razão tinha a pele do rosto bem rosada. E na casa da frente no terreno onde eu morava tinha a família do “Seu” Lustroso, que era um senhor negro cuja careca reluzia à luz do Sol. Lembro também que minha mãe passava ao lado do campinho onde disputávamos partidas históricas de futebol e me chamava, muito carinhosamente, com a frase “Arizinho! Vamos tomar banho.” Poucos sabem mas meu nome do meio é Ari e esse chamado da minha mãe rendia uma semana de zoação por parte dos meus amigos. Para fugir disso e preservar minha reputação construída com muito trabalho com os amigos da rua, eu sempre tentava entrar antes da mãe passar.

HISTÓRIA ESQUISITA

O “Seu” Lustroso criava muitas galinhas soltas no quintal, coisa que era muito comum naquela época, porém houve uma história de uma galinha que me afetou bastante. Acontece que todos os dias, bem cedinho, essa galinha entrava na minha casa pela porta que a minha mãe deixava aberta para ela. Passava caminhando lentamente, fazendo uns có-có-có pelo meio do caminho, como se estivesse cumprimentando as pessoas e se dirigia para o quarto, mais precisamente para a minha cama, se aninhava bem tranquila e ficava ali, até que botava um belo de um ovo. Feita a obra, a danada da penosa saía por onde entrou e tocava sua vida, me deixando em casa com a cama toda suja, porque o ovo não sai exatamente limpo de dentro da galinha. Isso me deixava muito bravo e eu queria me livrar daquela galinha, mas toda vez que eu reclamava, a minha falava “Deixe, filho... é a natureza do bicho.” E assim foi até que um dia eu tomei uma medida drástica e a galinha nunca mais apareceu, mas isso eu conto outro dia. O fato é que a minha mãe estava certa, a galinha estava simplesmente seguindo a sua natureza, que era a de dar um ovo todos os dias, e ela havia me escolhido para presentear com sua produção.

SAIBA QUEM É VOCÊ

Hoje vejo muitas pessoas lutando contra sua natureza. Estudantes que gostam de arte, ou esporte, estudando engenharia ou medicina porque acreditam que vão ter mais sucesso financeiro. Ou jovens que amam a área de exatas mas que buscam carreiras alternativas para tentar a sorte. Gastam um tempo precioso e uma energia muito grande correndo atrás de algo que vai contra a sua natureza. A natureza de cada um pode definir o caminho mais suave que cada pessoa pode seguir na vida para encontrar o seu segredo de bem-viver. Suave não significa fácil, significa que ao trilhar pelo caminho que Deus plantou em seu coração, até mesmo os percalços, as dificuldades e os sofrimentos serão absorvidos e superados com mais facilidade, porque existe um propósito em tudo que a pessoa está fazendo. Lutar contra a própria natureza é lutar contra si mesmo, é construir uma vida sem propósito, se envolver em atividades sem vontade, realizar tarefas sem prazer. Para poder encontrar e conhecer sua própria natureza é preciso olhar para dentro de si mesmo, ter uma conversa sincera consigo mesmo, sem máscaras e sem maquiagens, para poder se conhecer, saber quem você é e poder olhar no fundo dos seus olhos no espelho e dizer que está no caminho certo.

AMOR INCONDICIONAL

Quando era criança eu tinha uma vizinha chamada Maria, mãe de um rapaz que usava muletas porque teve paralisia infantil. Dona Maria todos os dias enfrentava o marido que queria bater no filho porque o considerava imprestável. Acabava ela levando uma surra, mas não arredava pé enquanto a fúria maligna do marido não arrefecia. Na mesma época tinha uma família de seis pessoas que moravam na mesma favela que eu, cujo pai passava no boteco tomar umas cachaças todos os dias, antes de ir para casa. Normalmente deixava lá o ordenado do mês, enquanto que a mãe daquele povo todo fazia das tripas o coração para dar de comer à família.

Não pensem que sou machista, ou sexista, mas vejo que uma das mais importantes razões para o mundo estar como está é a falta da mãe dentro de casa, por perto dos filhos na infância e na adolescência, repassando valores e imprimindo caráter.

MUNDO MODERNO

A necessidade de trabalhar para ajudar na renda da casa afastou a mãe das famílias e a educação dos filhos foi terceirizada para funcionárias ou para escolas. Por melhor que seja o trabalho feito por essas pessoas ou instituições, existe um ingrediente que só a mãe pode colocar na educação do filho, que é o amor incondicional por ele. Somente ela é capaz de tirar o alimento da própria boca para alimentar suas crianças. Além disso, nunca conheci nenhuma mãe que olhasse para seu filho ainda pequeno e desejasse para ele todo o mal do mundo, ou que não se importasse com seu futuro. Para o filho sempre o melhor! E esse olhar de longo prazo que as mães têm faz com que elas eduquem e ensinem seus filhos no caminho do bem. Se não acredita nisso, experimente abraçar sua mãe naquele momento em que parece que o mundo está desabando ao seu redor e tudo parece dar errado. O abraço da mãe nos diz “calma, vai ficar tudo bem. Eu estou com você.”

Vemos muita gente sofrendo hoje em dia, por falta de cuidados, por não terem seus direitos atendidos, por falta de inclusão, de atendimento médico, por causa de vícios, prostituição, crimes, síndromes, doenças e tantos outros males do mundo moderno. E por trás de cada uma dessas pessoas que sofrem tem uma mãe lutando e correndo atrás de melhores condições para seus filhos. Não importa a idade, a dificuldade financeira, a falta de recursos, por seus filhos enfrentam até aqueles com muito mais poder que elas.

SEMPRE CONOSCO

Em 1972 aconteceu com minha mãe. Meu pai a abandonou com 7 filhos e mais tarde 8. Sabe o que ela fez? Segurou as rédeas de nossas vidas com as duas mãos e nos trouxe até aqui. Não perdeu nenhum e não deixou nenhuma para trás. E se hoje você lê essa coluna é somente porque ela foi forte.

Nos últimos tempos tenho tido o infortúnio de ser convocado para ser júri popular aqui na cidade. Infortúnio porque é um lado da humanidade que é difícil de encarar, pois como professor estou na outra extremidade da corda. Por mais famigerados que sejam os crimes ali praticados sempre tem duas figuras que não faltam aos julgamentos: a mãe da vítima e a mãe do acusado. Cada uma com sua cota de dor e sofrimento, por razões muito diferentes, mas que para a mãe de ambos, é indiferente pois trata-se do filho que ela gerou, gestou, pariu, educou, criou e apresentou ao mundo. De uma forma bastante singela dá para dizer que Deus colocou nas mães uma representação do sofrimento de Jesus Cristo, pois elas são capazes de dar sua própria vida para salvar a dos filhos amados, não importa que tipo de filho ou que tipo de ser humano seja seu filho. Por isso se você tem a felicidade que eu tenho de ter a mãe por perto, a abrace e agradeça por tudo o que ela te fez, principalmente por ter trazido você à vida.

 

JÁ TERMINEI OS ESTUDOS!

Essa é uma frase bastante comum de jovens que estão à procura do primeiro emprego quando questionados se estão estudando. Na prática ela significa que ele terminou o Ensino Fundamental, ou seja, concluiu o nono ano, ou antiga Oitava Série, ou o mais antigo Ginásio. Também significa que esse jovem escolheu, ou por necessidade ou por opção, parar de estudar e começar a trabalhar. Essa frase nos mostra alguns fatos sobre a realidade da educação brasileira e da situação da juventude do nosso país.

Em relação à educação demonstra que os jovens não conseguem estabelecer conexão entre a escolaridade e a possibilidade de melhoria de sua condição de vida no futuro, o que é muito preocupante pois deixa claro que a escola regular não tem sido eficiente em mostrar seu valor para os estudantes e nem em mantê-los na escola. Mostra também que há um claro distanciamento entre o mundo da educação e o mundo do trabalho, o que acaba levando esses jovens a abandonar a escola e a se candidatar a empregos de baixa qualidade, ou seja, que não exigem muita qualificação e conhecimento para seu exercício, mas que em contrapartida não pagam mais do que o salário mínimo e não dão perspectivas do crescimento profissional.

JUVENTUDE SEM PERSPECTIVA

A necessidade de trabalhar para apoiar a família ainda é uma realidade de muitos jovens no país e uma boa parte da população que está entrando no mercado de trabalho se vê obrigado a realizar dupla jornada. A questão que se apresente é que o trabalho, mesmo que mal remunerado, traz resultados imediatos para a mudança no padrão de vida onde um jovem começa a receber salário. Já o estudo ou a educação como um todo, irão trazer resultados somente a longo prazo. Como a necessidade é imediatista, não é preciso ser um gênio para saber qual vai ser a escolha dos jovens, principalmente dos originários das classes de menor renda, quando estes tiverem que optar por um ou por outro. Quando o emprego exige muito do físico do estudante o cansaço o empurra para fora da escola, pois em sua perspectiva é a educação que não traz resultado.

TRIPÉ DA EMPREGABILIDADE

Outro fator importante embutido nessa sentença é de que os jovens estão sem perspectivas e não estão pensando sua vida a longo prazo. Não estabelecem uma relação clara de causa e efeito em suas decisões e que o abandono precoce da escola irá afetar profundamente a abundância e o tipo de oportunidades que ele terá ao longo da vida. Em um mercado cada vez mais competitivo, abrir mão de uma ferramenta importante que é a escolarização pode ser uma sentença de morte para muitos sonhos de uma boa parcela da juventude. No moderno mundo do trabalho para aumentar a sua empregabilidade, que é a condição individual de se colocar no mercado baseia-se em três elementos:

  1. Escolaridade: quanto mais tempo de permanência de escola mais possibilidade de trabalho.
  2. Qualificações específicas: com cursos de curta duração que sejam aplicáveis no maior número de organizações possíveis, que vai aumentar o leque de opções de trabalho.
  3. Desenvolvimento comportamental: que vai permitir desenvolver habilidades relacionais que favorecerão a entrada e a permanência no emprego.

Não alertar os jovens a respeito dessas três necessidades vai acabar criando uma legião de futuros trabalhadores vivendo com condições precárias, além de que provocará um impacto muito negativo na sociedade como um todo.