Blog do Canabarro
COMBATER O BOM COMBATE

Recentemente recebemos a notícia do falecimento de uma criança. Dois anos e oito meses. Lutando para sobreviver desde o nascimento. Acabou desenvolvendo leucemia e lutou bravamente, até o fim. Perdeu peso, perdeu os cabelos, perdeu a vitalidade, mas não perdeu o sorriso e a pureza. Muitos, assim como eu e minha esposa, acompanhavam a sua batalha, entrando e saindo de hospitais, sessões de quimioterapia e outras histórias difíceis de ouvir e conhecer sem sentir um nó na garganta. Como pode uma criatura tão pequena, tão frágil, ser tão forte? O fato é que a notícia nos quebrou ao meio e me trouxe uma reflexão. Quantas vezes passamos os dias sem dar importância aos bons momentos que a vida nos proporciona? Reclamamos de quase tudo e, além de reclamar, somos bons companheiros de reclamação. Note que quando alguém começa a falar de coisas boas, de bons acontecimentos ou de boas notícias, as pessoas se afastam. E muitas vezes saem falando mal do alvissareiro, falando que ele estava “se achando”, ou no linguajar pontagrossense, que ele “estava se metidando”. Mas quando alguém começa a reclamar, sai de baixo, que começa a juntar gente, todos apoiando e comungando da reclamação. E sempre tem aquele que tem mais reclamações para acrescentar ao fato reclamado.

SÓ RECLAMA QUEM ESTÁ DE BARRIGA CHEIA

Do meu ponto de vista esse é um dos mais corretos ditados populares, pois nunca vi quem está de barriga vazia reclamar de um prato de comida, seja qual for o seu conteúdo. Com fome até pão com banana vira um banquete. Lembro do tempo em que eu era criança e a mãe só podia fazer mingau de alho para comermos, pois não tinha mais nada na despensa. DETESTO ALHO! Mas comia mesmo assim pois de barriga vazia até alho serve. De barriga cheia, até hoje reclamo quando encontro alho na comida. E essa análise vale para qualquer situação e para qualquer condição. Reclamamos sempre daquilo que está disponível, como se o indisponível, o inalcançável, fosse mais importante que tudo. E acabamos por menosprezar o que possuímos, o que somos e o que vivemos. Parece que perdemos a habilidade de agradecer pelos dons que Deus nos presenteou. Agradecer pela vida, pela saúde, pelos filhos, pelo trabalho, pela vida corrida e pelas oportunidades. Devemos agradecer também pelas dificuldades, pois elas têm um papel importante na história de nossas vidas. As dificuldades, grandes ou pequenas, nos fazem enxergar melhor as coisas simples e boas que a vida nos traz, e também nos fortalecem e nos tornam mais resistentes. Afinal, a cada queda, a cada ferida, a cada osso quebrado, a cada frustração, ficamos mais fortes e maduros, e passamos a ver a vida com olhos melhores e mais realistas.

VIVER A CADA MOMENTO

Vivemos como pássaros cegos, voando às escuras, sem certeza do destino. Mas quando a morte se apresenta em nossas vidas, somos puxados de forma abrupta para a realidade. Nossos pés se prendem ao chão, como se pesassem 1 tonelada cada um. E nesse momento, nenhuma reclamação faz sentido, nenhum malquerer, nada... Fica na nossa cabeça somente uma pergunta – “E se eu...?”. Por isso, vamos viver e celebrar a vida que vivemos, não se espelhando na vida do outro, porque assim, de corpo e alma dentro da própria vida, cada dia terá significado, cor, sabor e valor. De maneira que todos os questionamentos da hora derradeira sejam substituídos pela sensação de que aquela história que está se acabando foi escrita por todas as páginas possíveis. Sempre falo nas minhas aulas que devemos viver de maneira que, quando olharmos para trás, tenhamos aquela sensação de que devoramos a vida da mesma forma com que mordemos a fruta que mais gostamos, com a boca cheia, com sumo escorrendo pelos cantos dos lábios e com a sensação de que não poderia ser melhor.

FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2019 PARA TODOS. Retornarei com as colunas inéditas a partir da segunda quinzena de janeiro. Fiquem com Deus.