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Missão Impossível - Efeito Fallout

Missão Impossível - Efeito Fallout (Christopher McQuarrie, 2018)

Neste sexto capítulo de uma das franquias de ação mais amadas do cinema, há um diálogo um tanto quanto clichê, mas que o resume bem. Certa mulher pergunta a Luther Stickell (Ving Rhames) – o único outro personagem que participou de todos os seis filmes da série além de Ethan Hunt (Tom Cruise) – como este último estava indo. De resposta, recebe aquele típico “Ah, está o velho Ethan de sempre”. No segundo seguinte, o filme corta para o protagonista aprendendo a pilotar um helicóptero. Em pleno voo! Enquanto foge de rajadas de metralhadora, segundo antes de mergulhar o helicóptero em nuvens, sem saber o que irá encontrar depois delas.

Mas eu sei de uma coisa. E você, sua avó e qualquer pessoa que for assistir ao filme também sabe do seguinte: a missão não é realmente impossível, como o nome indica, certo? Não é spoiler algum, e sabemos o que irá acontecer. Ethan irá sobreviver no final, comprovando a possibilidade da missão. Huuum, não exatamente. Porque este é um dos pontos em que a série se destaca. Hunt não é assim tão infalível.

Já nos primeiros 10 minutos, a equipe dele perde uma carga de plutônio para um grupo terrorista. E, ao longo do filme, ele precisa de (muita!) ajuda para uma luta no banheiro, bate a moto num carro, escorrega numa subida de corda, dentre várias outras ocasiões em que Hunt se mostra minimamente humano. Inclusive na famosa cena vazada no YouTube e aproveitada no filme, na qual ele quebra (de verdade!) a perna, pulando de um prédio para o outro. Em verdade, tudo isso reforça o modo como outra personagem caracteriza a Fundação Missão Impossível: “É como Halloween, com adultos fazendo travessuras”.

Bom, não dá pra discordar muito, já que nenhuma ação é planejada com antecedência. E um dos elementos mais recorrentes da série são as máscaras de disfarce, o que me faz confessar algo: eu, simplesmente, adoro quando elas são utilizadas! Porque quase sempre servem de ferramenta em algumas das reviravoltas. E há várias no caminho, mas nunca excessivas, porque a direção é objetiva o bastante para não perder o foco diante delas. Este sexto episódio de MI, aliás, é o primeiro em que um diretor volta à franquia. McQuarrie foi o responsável pelo anterior, Nação Secreta, e novamente mostra-se competente nas cenas de ação, que têm aquele tom de verossimilhança, porque sabemos que o próprio Tom Cruise é quem está atuando na maioria delas, já que dispensa dublês.

Contudo, o filme decepciona um pouco no desenvolvimento dos personagens, um tanto estereotipados. Enquanto o herói se martiriza porque coloca aqueles à sua volta em perigo, o vilão quer matar milhões para que o sofrimento leve à cooperação internacional e, por fim, à paz. Já vimos isso algumas dezenas de vezes, senão centenas. Sem contar que Tom Cruise até pode ter um desempenho físico invejável, porém não é exatamente conhecido por seus dotes artísticos. Mas dá pra relevar tudo isso, porque, concordando com o que Luther disse lá em cima, este é o velho Ethan de sempre. E isso é ótimo!

Sua missão, caso decida aceitá-la, é ir até o cinema mais próximo e assistir Tom Cruise correndo como um doido, cenas de ação desenfreada, várias reviravoltas, máscaras de disfarce e personagens apenas razoavelmente bem desenvolvidos, mas com a garantia de uma série que entrega sempre um ótimo divertimento (à exceção do segundo episódio, de 2000, que é um lixo). Bom filme, leitor(a). Esta mensagem servirá de embrulho para peixe ou de banheiro para o cachorro nos próximos cinco segundos. 5, 4, 3...