Cultura & Vida
A Editora FTD de pé direito na literatura infantil e a obra “Lambe o dedo e vira a página”

Em 25/9/2018, o professor Giovani Marino Favero publicou neste Diário, um texto interessantíssimo intitulado: “Molhadores de dedo e o aspartame”, mostrando que a descoberta desse produto esteve associado ao costume de molhar os dedos e levar à boca para folhear os livros.

            Após a leitura do texto do professor Favero, recordei-me da primeira obra do escritor Ricardo da Cunha Lima, justamente com o título de “Lambe o dedo e vira página: para ler as histórias de um garoto traquina chamado U”, com desenhos de Angela Lago, publicado pela Editora FTD na década de 1980 e que fez enorme sucesso à época.

            A obra de Ricardo Cunha Lima, fez parte de um dos primeiros catálogos da FTD no gênero literatura infantojuvenil, numa coleção chamada “Segundas Histórias”. O autor fez uma estreia brilhante, ao mesmo tempo que seu livro conquistou o prêmio Jabuti na categoria autor revelação em 1986, tendo também, lugar na 9ª Bienal do Livro realizada em São Paulo.

            Além da coleção Segundas Histórias, o catálogo, contou com as seguintes coleções: Primeiras Histórias, Roda Pião, Acalanto, Salamê Minguê, Nossa História, Nossa Gente, Canto Jovem e Setecontos: setentacantos. A Editora FTD que já possuía uma longa trajetória no campo editorial de didáticos desde o início do século XX, buscou autores e editores para ampliação de seus títulos. Os editores da década de 1960 em diante, Irmãos Savério Ronchi, João de Deus e depois João Tissi, deste modo, proporcionaram condições para que a FTD entrasse definitivamente no campo de literatura infantil nos anos de 1980 com obras de grande destaque como o caso de Lambe o dedo e vira a página, entre outros.

Tratava-se da “estreia” da FTD de modo esplêndido no mundo da literatura infantojuvenil. Contou naquele momento com a coordenação editorial de personalidades competentíssimas como Isalino Silva de Albergaria, mais conhecido como Lino de Albergaria e Ione Nassar num primeiro momento e depois com Ceciliany Alves que ainda continua na editora, além de uma constelação de outros autores e editores.

            No catálogo daquela época é possível constatar o teor da obra de Ricardo Cunha Lima, cheio de aventuras do menino U, de Ubaldino e de seu cachorro Bu, de Bubalino. O menino e seu cãozinho, vivem histórias extraordinárias, principalmente quando U, consegue se adiantar no tempo e viver tudo mais depressa pois, tem um relógio que corre mais que as horas e os minutos.

O autor da obra nasceu em São Paulo em 1966, depois, seguiu conquistando diversos prêmios, como o Jabuti em 1985 na categoria Jannart Moutinho Ribeiro, prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), em 1988; entre outros, sendo o último em 2017 quando foi vencedor do 1º Festival + Arte + Cultura, na categoria texto, promovido pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo.

De fato, a obra “Lambe o dedo e vira página”, surpreende e emociona. Talvez o título do livro justifica-se pelo anseio do autor em querer provocar no leitor a sede de querer saber o final das traquinagens do menino U e de seu cachorro Bu, satisfeitas à medida que, lambemos o dedo e viramos a página.

A empolgação em vislumbrar as diversas aventuras do menino U e de seu cachorro Bu, desse modo, são realizadas a partir do momento em que, sem pensar na higiene, vamos mergulhando nas histórias de “Lambe o dedo e vira a página”.