Finanças & Investimentos
O amor nos tempos do coronavírus

Por Cida Borghetti

O isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus está revelando um mundo pouco conhecido: aquele que se oculta e vibra nas casas, apartamentos, quartos, escritórios, garagens, oficinas – espaços agora transformados em palco central da vida, em substituição a shoppings, teatros, cinemas, academias, parques, ruas, bares, bancos, restaurantes. E o que vemos é uma vida que, embora sempre estivesse ali, parecia não existir até agora. Ou porque fomos indiferentes a ela ou porque não sabíamos o valor que tem.

Foi necessário um choque extremo de realidade para revelar o que deveríamos saber desde sempre: que precisamos de pouco para viver bem e que gastamos muito tempo e dinheiro com coisas sem importância. 

Uma sinfonia nas sacadas, uma festa de aniversário online, o trabalho remoto, a teleducação são agora parte da rotina nova de uma vida que segue e vai aos poucos se adaptando. Mas, ao contrário de lamentar, essa mudança nos desperta a sensação de descoberta e nos emociona.

Nos emociona porque é nos momentos de crise que os valores que constituem a essência do ser humano se manifestam em sua plenitude: amizade, fraternidade, solidariedade, responsabilidade. 

De repente, desconhecidos tornam-se amigos, indiferentes se comprometem, distantes se unem e se fazem presentes. Sem pedir nada em troca, sem buscar lucro ou notoriedade, sem esperar uma medalha de reconhecimento ou um elogio de alguém poderoso – não, nada disso, o que fazemos é por prazer e por amor. 

Onde estavam estes valores, expressos nas últimas semanas como sentimentos verdadeiros e de forma eloquente? Onde estava nosso compromisso inato de sermos humanos, no sentido amplo da palavra? Por onde andava o bom selvagem (aquele ser humano puro de que falava Rousseau)? Em que cômodo se escondeu o “um por todos e todos por um”?

Em que momento perdemos de vista o dever de estender a mão ao próximo em qualquer situação? Quando foi que esquecemos que somos todos iguais? Em algum momento nossa humanidade ficou menor. 

Um inimigo invisível fez o favor de nos devolver a lucidez temporariamente perdida. Era assim antes do coronavírus: culpávamos o mundo contemporâneo, evoluído, competitivo, moderno, individualista, egoísta por essa perda temporária da noção do que devemos fazer e do que deixamos de fazer. 

E usávamos o ritmo louco dos tempos atuais para justificar nossas omissões recorrentes. Como se estivesse fora do nosso controle a escolha entre certo e errado, justo e injusto, bem e mal. Mas não está, e o que fizemos confinados nos últimos dias é revelador da nossa capacidade de discernir e de superar obstáculos aparentemente instransponíveis.

Reinventamos quase tudo em tempo recorde. Ficamos em casa e redescobrimos o prazer das coisas simples que nos pareciam banais – fazer um bolo de banana, brincar com os filhos, estudar, ler, conversar, arrumar os armários, ver um filme antigo. 

E descobrimos que no jogo de baralho ganhar e perder são possibilidades com o mesmo potencial. Se há algo que o coronavírus nos trouxe de bom – ainda que isso pareça improvável – é que podemos sempre aprender mais e melhorar o que parecia perfeito. 

Mas logo vem a dúvida: depois que esse período de reclusão passar qual será nossa atitude? Seremos mesmo pessoas melhores ou o velho e aprisionante egoísmo que nos espreita por puro deleite voltará a triunfar? 

Por sorte o isolamento social que o vírus nos impôs é apenas físico, mas não intelectual nem emocional. E este é o nosso trunfo: evoluímos intelectualmente e amadurecemos emocionalmente. É impossível sair dessa como entramos; só podemos sair maiores. Muito maiores. E melhores. 

A autora é embaixadora da Organização Mundial da Família (OMF) e ex-governadora do Paraná

Por que o conceito de meritocracia vai mudar quando as empresas voltarem ao normal?

Empatia

Antes da crise as empresas tinham um critério para medir o mérito de um profissional. Algumas pessoas eram valorizadas pelo grau de engajamento que apresentavam na cultura da empresa e outros por sua vez eram valorizados pelo grau de empatia que tinham nas relações interpessoais com os seus colegas. Já outras pessoas ainda eram valorizadas pelo quanto conheciam da empresa e o quanto conheciam do histórico de seus clientes. Tudo isso compunha uma espécie de estratégia, de política que a empresa utilizava para estabelecer critérios de meritocracia.

 

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Qualificação

Esses critérios levavam as pessoas a serem promovidas, a receber algum tipo de mérito dentro da empresa em função do seu desempenho, mas a partir do momento em que a crise chegou se percebe claramente que as empresas mudarão esse critério. Passarão a questionar os profissionais muito mais sobre o quanto eles se preocupam em estar habilitados a contribuir com a empresa, o quanto esses profissionais, de maneira individual buscaram, inclusive durante o período da crise, mais qualificação, saber mais sobre novas competências e adquirir novas habilidades para desempenhar em prol dos objetivos da empresa.

 

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Dinamismo

As empresas entenderam que no momento da crise elas devem se preocupar em manter as suas portas abertas, em serem sustentáveis. E, de outro lado, os profissionais também devem exercer a autocrítica para entender o que devem aprender, onde devem melhorar e que tipo de competência será exigida deles quando tudo voltar ao normal. Resumindo, a meritocracia vai mudar sim porque o que vai ser reconhecido como mérito pelas empresas será a capacidade dinâmica de um profissional de atingir resultados e de estar qualificado para situações novas enquanto que aquelas pessoas que aguardam que a empresa diga o que tem de ser feito fatalmente ficarão com o segundo plano. Pense nisso!

 

Luciano Salamacha

 

Comeu muito no feriado e agora?

Andreia Tokutake

 

Olá, leitores, sou Andréia Tokutake, atleta de fisiculturismo, tenho 43 anos, sou casada e mãe de 3 filhos. Agora, quinzenalmente, vou trazer muitas dicas, além de mitos e verdades do universo fitness.

Para começarmos, já quero saber: você caiu no samba nesse carnaval e comeu e bebeu como se não houvesse amanhã? Muita calma nessa hora! Ao contrário do que muitos imaginam, sair da linha de vez em quando é um hábito fundamental para uma dieta bem sucedida.

O seu corpo precisa, sim, sentir os prazeres de deliciar um sorvete incrível ou provar aquela macarronada. O único problema é o exagero. O excesso de açúcares e gorduras faz com que você se sinta inchado e lento, além de gerar sensação de culpa. Se você se acabou na comilança, veja algumas dicas que eu sigo e que dão certo.

Finja que nada aconteceu no dia seguinte! Se você realmente procura manter hábitos saudáveis, não precisa se desesperar. Respire fundo! Agora é hora de focar em seu objetivo. Por isso, quanto antes começar o processo de desintoxicação do corpo, mais rápido você voltará ao seu estágio antigo. Se a noite da jacada foi em uma sexta-feira, por exemplo, não espere até segunda para voltar. No sábado, você pode reduzir o consumo de açúcar ou colocar o corpinho em movimento.

Foque na ÁGUA! Ela purifica o cólon, favorecendo a absorção dos nutrientes dos alimentos; aumenta a produção das células no sangue e nos músculos; equilibra o sistema linfático, além de melhorar o funcionamento do intestino; ajuda na perda de peso: uma garrafinha de 500 ml de água pela manhã ajuda a acelerar o metabolismo.

Encha o prato de folhas! No almoço, capriche nas porções de folhas verdes com alguma proteína. Aposte em frutas que ajudam a desinchar, como abacaxi e melancia. Inclua temperos que aceleram o metabolismo e evite o excesso de sal, que facilita a retenção de líquido. Depois de alguns dias, o corpo volta ao ritmo normal.

Faça exercícios aeróbicos para acelerar a queima de gordura, mas não deixe de fazer musculação. Esse tipo de exercício queima calorias por mais horas no dia. Treine, pois, assim, seu corpo vai responder rápido!

Voltar à rotina imediatamente é o que vai lhe ajudar a recuperar o que perdeu e eliminar o que ganhou com a comilança. Não se torture com a consciência pesada! O truque é prestar atenção nas necessidades do seu corpo, cuidar da alimentação e comer de três em três horas. Essas regrinhas simples vão ajudar você a voltar com tudo.

Espero ter ajudado!

Um abraço e até a próxima.

Até tu, Itaú?

Não é novidade para ninguém que existe uma vertente consolidada de migração dos investimentos dos bancos para as corretoras de valores. Ciente de que o movimento é irreversível uma vez que as corretoras apresentam especialistas bem treinados e múltiplas opções de produtos melhores que os bancos de varejo, o maior banco da américa latina se rendeu e (virou a casaca) fortaleceu ainda mais esse movimento.

O Itaú Unibanco comprou grande parte das ações PN (ações preferenciais, que dão direito ao lucro da empresa e não ao controle da gestão) da XP Investimentos. O banco adquiriu 49,9% das ações da XP pela impressionante cifra de R$6,3 bilhões de reais garantindo, ainda, um aporte de R$600 milhões na empresa visando fortalecer seu crescimento. A XP Investimentos, maior corretora de valores do Brasil, detém hoje uma custódia total de R$85 bilhões de reais em investimentos e já é maior que muito banco conhecido.

Com apenas 16 anos de existência e pautada em escritórios de agentes de investimento, a XP, nascida no Rio Grande do Sul, tornou-se um gigante da indústria de distribuição de investimentos e criou o conceito de Shopping Center Financeiro, onde incorpora múltiplos produtos e emissores dentre renda fixa, previdência privada, seguros, ações, câmbio, gestão de recursos e outros.

Para quem não sabe, um agente de investimento é uma pessoa autorizada pela CVM para distribuir produtos de investimento a investidores comuns, pessoa física ou jurídica, e precisa passar por uma dura prova de certificação para exercer sua função.

Com esse movimento de adquirir o potencial de lucro ao invés de adquirir o controle da empresa, o Itaú larga na frente dos seus concorrentes. O Bradesco já havia comprado uma corretora anteriormente, mas com outro propósito. Na década passada a corretora Ágora dava os primeiros sinais de representar perigo futuro aos bancos. Crescia exponencialmente com uma proposta inovadora e um ótimo sistema de home Broker para compra e venda de ações. Na época o Bradesco arrematou-a por R$830 milhões, incorporou sua tecnologia para a Bradesco Corretora e sucateou a Ágora.

O movimento não foi suficiente. Pouco tempo depois a XP explodia em números e acumulava 70% dos agentes de investimento disponíveis nas corretoras de todo o país. Com o crescimento, houve aportes de fundos internacionais renomados como o Actis e o General Atlantic, que tem em seu quadro societário o bilionário brasileiro Carlos Alberto Sicupira. A entrada do Itaú ainda reserva novas compras de ações, podendo elevar sua participação nos lucros da XP à casa dos 75% em 4 anos e assumir o controle da empresa em 2033.

Com o fato relevante emitido pelo Itaú comprovando a compra com a garantia de que não irá interferir na independência da XP, a corretora sai fortalecida como principal casa de investimentos do país e poderá muito em breve fazer frente aos grandes bancos de investimento do país.

BB Estilo, Safra e Bradesco Premier devem sim ficar muito preocupados com a situação!

3 opiniões sobre investimentos e o futuro do país

Hoje seremos sucintos e diretos:

1.       O dólar deve cair

Sim, o Brasil está ruim, os EUA estão bem. Justamente por isso o dólar deve cair.

O desemprego nos EUA bateu recorde... está no menor nível dos últimos 10 anos! Já no Brasil, também há recorde, mas ao contrário. Isso significa que temos um potencial de crescimento latente imenso, só esperando o Congresso parar de fazer bobagem e aprovar as reformas trabalhista e previdenciária de uma vez. Quem é contra a reforma previdenciária, desculpe pela sinceridade, mas você é sem noção. Enquanto seu limite de aposentadoria é o teto do INSS, juízes, professores universitários e funcionários públicos de alto escalão se aposentam com os seus salários integrais, normalmente 5x a 8x maiores que o teto do INSS. Nas contas públicas isso faz com que 1 milhão de servidores federais custem o mesmo que 33 milhões de aposentados da iniciativa privada. Se acha que isso é bom para você (e você não é um funcionário público), parabéns!Enfim, voltando à questão, há uma grande expectativa pela retomada econômica brasileira e uma imensa população pronta para ser empregada novamente. Somado às entradas de dólares dos últimos meses e as revisões para cima do rating brasileiro, temos um potencial de recuperação econômica absurdo. Tudo isso cria o cenário perfeito para o real se valorizar perante outras moedas nos próximos anos.

2.       As reformas são boas sim!

Em uma análise superficial as reformas podem parecer sacanas, mas não são. Permitirão que haja maior liberdade para se tenha investimento estrangeiro no país, maior segurança com relação ao futuro das contas públicas (o que aumenta os investimentos de longo prazo e gera empregos fixos) e liberdade ao sofrido trabalhador brasileiro. Só falta uma boa reforma tributária e Temer poderá ganhar o prêmio de presidente mais corajoso da história do país.

3.       É Lula lá

A alma mais honesta desse país voltou a atacar. Foi à televisão, na maior cara de pau, falar que é perseguido e voltou com o papinho de golpe. Na melhor das hipóteses (para Lula), a realidade é que ele foi esperto o suficiente para se safar até o momento e Dilma tomou uma demissão por justa causa e ainda ganhou todos os direitos que a justa causa deveria retirar (manteve seus direitos políticos porque o presidente do STF, como bom juiz que é, resolveu criar leis ao invés de cumpri-las).

A reforma trabalhista é ruim?

Sexta-feira, 28/04/2017, múltiplas paralisações e greves contra a reforma trabalhista. Isso tudo é válido?Vamos analisar as alterações:

Negociação: acordos coletivos valem mais que a CLT em quesitos específicos como: organização da jornada de trabalho, intervalo do almoço e participação nos lucros. Ou seja, esses itens passam a ser negociados entre trabalhadores e empregadores de forma que todos fiquem satisfeitos. Ex: ao invés de ter 1h e 30 minutos de horário de almoço, posso preferir ter apenas 1h e sair 30 minutos mais cedo do trabalho. Caso isso seja negociado, pode ser realizado.

Jornada Parcial: A partir de agora, trabalhos de meio período podem ter contrato de até 30h semanais.

Autônomos: a contratação de autônomos e freelancers não gerará vínculo empregatício (o que sempre soou óbvio, mas não acontecia na realidade).

Banco de horas e férias: banco de horas poderá ser negociado diretamente com a empresa e férias podem ser parceladas em até 3x, tendo um período mínimo de 14 dias e os outros podendo ser de 5 dias ou mais.

Trabalho de gestantes: poderá acontecer em local de baixa ou média insalubridade desde que possua autorização médica.

Contribuição sindical e homologações: deixa de ser obrigatória, assim como a homologação de rescisão pelo sindicato.

Ajuda de custos e saída por acordos: ajuda de custo não integrará o salário, portanto não haverá incidência de INSS, FGTS e etc. Saída do trabalho via acordo permitirá recebimento de metade do aviso prévio e 80% do valor depositado no FGTS.

Esses são os principais destaques e eu lhe pergunto, o que aqui é ruim? Negociar seu próprio tempo, forma de remuneração e condições de trabalho não me parece algo negativo. Poder trocar de emprego e ainda ter acesso ao seu dinheiro também não me parece ruim. O real motivo de todas as greves e paralisações é simples: a contribuição sindical, que de contribuição não tem nada (é um imposto, pois é obrigatório), deixará de ser obrigatória e com isso os sindicatos perderão sua gorda teta governamental.

Sendo bem sincero, isso é maravilhoso para o trabalhador!Ele poderá optar por dar seu suado dinheiro para o sindicato ou não. Portanto, se o sindicato quiser dinheiro, vai ter que representar realmente o trabalhador e ajuda-lo, ao invés de só organizar greves e paralisações enquanto tenta vincular todos à CUT, PT e derivados.

Para a economia do país será bom uma vez que permitirá maior mobilidade e independência para trabalhadores e empresas, o que deve aumentar o número de empregos no médio prazo e reduzir os custos de contratação.

 

Era uma vez, a reforma da previdência...

Era uma vez, em uma economia emergente muito, muito próxima, um projeto de reforma da previdência. Nessa terra, açoitada pela corrupção e cujo povo era extorquido diariamente pelos excessos tributários, havia um grave problema nas contas públicas.

O governo já havia cobrado impostos além do limite e qualquer aumento nesse sentido geraria menor arrecadação, algo descrito por Sir. Laffer, o qual havia se apoiado nas ideias de um polímata antigo, IbnKhaldun, que definiu o conceito no ano de 1377. Basicamente esses estudiosos de tempos antigos já mostravam que a partir de determinado ponto, qualquer aumento na carga tributária geraria uma perda de produtividade que representaria uma queda de arrecadação por parte dos cofres públicos. Somada à essa questão havia uma séria recessão econômica e desemprego, impedindo o governo de arrecadar impostos suficientes para encobrir seus desmandos.

Então, um gênio das finanças, contratado para tirar a nação do poço em que se encontrava, demonstrou que um dos segredos estava na previdência social. Um modelo de aposentadoria repleto de distorções onde os funcionários públicos consumiam 40% dos recursos mesmo aportando apenas 12%; os parlamentares se aposentavam com salário 6x superior ao teto do restante da população e trabalhando apenas 8 anos e outros absurdos. Notaram que esse modelo era maléfico ao país devido ao inchaço estatal e à facilidade com que as pessoas se aposentavam sem terem contribuído o suficiente.

Decidiram por apresentar uma proposta de reforma e correção do rombo da previdência, afinal de contas, o país gastava 54% do arrecadado somente nisso, faltando dinheiro para saúde, educação e outros serviços públicos. A proposta que previa igualdade para todos e aposentadoria somente aos 65 anos de idade, foi por água abaixo.

Diante de um povo carente de educação, mas crente de que entende de finanças e planejamento, a proposta foi taxada de excessiva, retrógrada e absurda. Um dos piores argumentos era de que a expectativa de vida nessa terra era inferior aos seus pares desenvolvidos que mantinham a idade mínima de 65 anos. Mal sabiam eles que o que conta é a taxa de sobrevida e não a expectativa em si, pois em um país violento a expectativa é reduzida pelo crime. E nesse quesito, a taxa de sobrevida era apenas 1 ano menor que no Japão.

De qualquer forma, a pressão popular fez com que o governo remodelasse a proposta para que a mesma fosse aprovada e com isso, apenas postergou a necessidade de mudar o modelo em definitivo. Optou por manter alguns itens que fizeram com que a previdência se mantivesse consumindo uma grande parte da arrecadação e reduzindo o potencial de investimento público nas áreas prioritárias há muito esquecidas pelos governantes.

No geral, a proposta foi aceita e rendeu um estímulo ao país, o qual teve seu crescimento econômico retomado e assim seguiu a vida. Sobre o que veio depois?

Bem, a sequência dos fatos rendeu mais uma vez o título de sempre: Brasil, o país do futuro...

O bom momento para os investidores em imóveis?

O mercado imobiliário está em crise. Isso todo mundo sabe. No entanto, os fundos imobiliários (fundos que compram, vendem e locam imóveis comerciais, galpões logísticos e etc) listados na bolsa de valores estão voando. Somente nesse ano, os imóveis da bolsa já subiram 8,49%. A explicação é mais simples do que parece.

Com o aumento dos juros ocorridos no governo Dilma, os imóveis perderam espaço por vários motivos. Primeiro porque havia excesso de oferta, segundo porque ficou caro a aquisição, terceiro porque os juros altos favorecem investimentos em renda fixa ao invés de ações ou imóveis.

Com a saída de Dilma e expectativa de que as reformas que o Brasil tanto precisa seriam viabilizadas junto de uma expectativa no corte dos juros, criou-se o ambiente perfeito para o início do investimento em imóveis. 2016 foi ruim para o mercado imobiliário em geral, no entanto os fundos de imóveis listados na bolsa obtiveram valorização média de 32,4%. Isso é explicado pelo que viria na sequência.

Como existe excesso de oferta e pouca demanda, os aluguéis caíram, o valor dos imóveis caiu e quem havia comprado imóveis na planta entre os anos de 2012 e 2014 amargou algumas dores de cabeça. No entanto, o momento atual é o ideal para o início do investimento imobiliário. Como o tempo de maturação do investimento é longo, ter um bom produto à venda em 2020 pode ser bem interessante. Tudo é uma questão de ‘timing’.

Com a forte recessão econômica somado ao desemprego e vacância nas alturas, não poderia haver momento pior para alguns e melhor para outros. Hoje vivemos o momento certo para ir às compras (e aos aluguéis). Com a retomada econômica se desenhando, valor dos aluguéis menor e juros caindo, os imóveis começam a ficar mais atrativos. Há muita demanda reprimida devido à recessão. Como muita gente está apertada, vivemos um bom momento para negociar as melhores condições para abrir um negócio ou locar um imóvel. Ainda mais com excesso de mão de obra disponível.

Já o momento de financiar ficará para o segundo semestre desse ano ou para 2018, após o final do ciclo de corte da taxa SELIC. Uma coisa é certa: com o barateamento dos imóveis, retomada econômica e corte de juros, haverá um incremento nos dados de emprego para 2018 e 2019. Isso significa maior massa salarial, o que nos leva a crer que a demanda por imóveis se aquecerá e isso representará uma valorização dos mesmos nos anos seguintes. Como a bolsa sempre antecipa as expectativas, esse movimento já está acontecendo nos fundos imobiliários e só vai perder quem não gosta de dinheiro.

 

Um corte mais fundo

Ao longo das últimas semanas saíram os dados de inflação, consumo, balanços das empresas, serviços e o resultado final foi pior do que o esperado. Exceto pela inflação, que continua encolhendo, o consumo não apresenta sinais claros de retomada, apenas uma tímida elevação, que pode acabar sendo temporária.

Com a liberação de recursos do FGTS e a opção por não aumentar impostos (não ainda, pelo menos) o ministério da fazenda espera uma aceleração no ritmo da economia brasileira durante o segundo trimestre de 2017. Mas para isso ainda falta algo mais... temos os juros reais mais elevados do mundo mesmo com seguidos cortes da taxa Selic, portanto para abril a taxa Selic deve ser cortada em um patamar que costuma ser o dobro do normal: 1%.

A taxa Selic Meta, principal referência do país para remuneração de investimentos e empréstimos, deve sair dos atuais 12,25% para 11,25%. Isso significa menor atratividade dos títulos de renda fixa, o que favorece o investimento em perfis mais agressivos e em economia real.

Com o corte, o Copom também espera ver alguma redução nas taxas de juros praticadas por bancos, as quais continuam em patamares absurdos. Mesmo diante das quedas constantes da Selic, as taxas de juros do mercado de crédito não parecem ceder. A culpa é da inadimplência (causada pelo desemprego) e da fragilidade econômica brasileira. Nem todo mundo está convencido de que o Brasil apresentará bons números para 2017 e 2018. O motivo, como muitos problemas no momento atual, é político.

Com a redução das exportações de carne e enfraquecimento da pecuária, também há em curso o enfraquecimento das obras públicas e tentativas de ajuste microeconômicos por parte do governo federal. Além disso, ainda temos a reforma da previdência que teima em não sair do papel e no entorno de todas as questões, a corrupção generalizada que tomou conta do país. TSE pedindo cassação da chapa Dilma-Temer, deputados e senadores morrendo de medo da Lava-Jato, Cunha condenado. No longo prazo está tudo caminhando na direção certa, o problema é o agora.

O investidor estrangeiro já mandou parte do seu dinheiro para cá, quer mandar o restante. Como diria Boris Casoy, para isso é preciso passar o Brasil a limpo. Existe uma tendência de fluxo de capital para nossa economia pelo viés de retomada econômica e apreciação cambial. No entanto, com a política como está, continua difícil criar coragem de investir aqui.

 

Reforma à brasileira

Todos sabemos que o Brasil é dividido em castas. A casta superior é composta por políticos e funcionários públicos de alto escalão. São os intocáveis brasileiros: os caras que fazem o que querem, juízes que legislam, políticos com foro privilegiado, etc. No quadrante intermediário temos os empresários e funcionários públicos comuns. Os primeiros com seus benefícios tributários: empresário não ganha salário, faz distribuição de lucro, o que traz isenção fiscal uma vez que a empresa já pagou os tributos e tributos sobre as empresas são menores que o imposto de renda da pessoa física. O segundo grupo tem as benesses estatais, tais como não precisar trabalhar para receber salário e ter aposentadoria privilegiada com relação ao restante da população.

Na base da pirâmide, os oreia-seca, são os trabalhadores comuns. Aqueles que não tiveram oportunidades de estudo e/ou acabam sendo enganados por sindicatos, populismo barato e políticos safados. É para esses, os mais pobres, que sempre sobra a conta.

Temer propôs a reforma da previdência com o intuito de padronizar tudo. Apesar de bastante dura, a reforma trazia como ponto chave a padronização do funcionalismo público no mesmo regime previdenciário do trabalhador comum. Ou seja: a mesma regra para todos.

Como estamos no Brasil e a igualdade só existe na constituição (aquele papel bacana que ninguém sabe para quê serve ao certo), a igualdade perante a lei já voltou ao campo das ideias.

Para conseguir a aprovação da reforma da previdência, deputados exigiram a retirada dos servidores públicos do mesmo regime comum a todos. Com muito esforço negociou-se a saída dos funcionários estaduais e municipais, portanto os funcionários federais continuam no mesmo balaio (junto com o povo). A questão é a seguinte:

Haverá dinheiro para pagar as aposentadorias?

Estudo do economista Nelson Marconi (FGV) apontou que em 2016 a previdência de servidores públicos federais consumia R$ 105,4 bilhões, o equivalente a 43% do total de recursos da previdência, no entanto as suas contribuições representam apenas R$ 12,6 bilhões. Ao final de 2014, o TCU apontou que o déficit da previdência de 1 milhão de aposentados do setor público é maior que o dos 24 milhões de aposentados privados. Gastos com previdência já equivalem ao dobro dos gastos com saúde, educação e assistência social somados.

Com essa liberação, a reforma da previdência já começa errada, mostrando que todos são iguais, exceto alguns. E o futuro dos estados e municípios se torna sombrio diante da falta de planejamento dos mesmos. O rombo vai continuar aumentando e você que é servidor estadual e briga contra a reforma da previdência, comemore a vitória enquanto é tempo, pois nesse ritmo, infelizmente, não haverá previdência quando chegar a sua vez.