Finanças & Investimentos
E pagaremos de novo?

Vamos ao nosso assunto: A Caixa Econômica Federal. Já era sabido, comentado e notícia velha o fato de que a CEF não estava em bons lençóis (desde 2014). Com a excessiva exposição de crédito, exercendo taxas de juros e manutenção de conta muito menores que a média do mercado somados a uma gestão, digamos... um tanto suspeita quanto à capacidade empresarial e outras coisas mais do âmbito político que já conhecemos, a bomba da caixa é a bomba da vez!

                Precisando de um socorro de meros 15 BILHÕES de reais, a caixa econômica federal, que já foi sinônimo de solidez, hoje é mais que frágil: vem em um galopante desequilíbrio que ameaçará o sistema financeiro nacional se não for balanceado de forma rápida. Apesar de ter apresentado um lucro líquido de R$6,2 bilhões na última demonstração financeira (out/16 a set/17) e ainda contar com a retomada econômica como forma de auxílio externo à situação do banco (economia forte é sinônimo de inadimplência em queda), a primeira saída que o governo propôs era que a caixa poderia transformar até 15 bilhões de sua dívida com o FGTS em um empréstimo de prazo perpétuo e sem garantias. Obviamente, tal atitude foi contestada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União. Junto disso, foram afastados dirigentes suspeitos de envolvimentos em casos de corrupção (Nossa, que surpresa!).

                Na prática, o governo ainda não sabe o que fazer. Surgiu a hipótese de abrir capital da caixa na bolsa de valores, mas nessa situação de fragilidade é vender barato. No entanto, a gestão puramente governamental é obscura, corrupta e provavelmente quem pagará mais essa conta somos nós, contribuintes. Uma outra alternativa, muito inteligente na minha humilde opinião, seria a caixa econômica vender parte de sua carteira de crédito de modo a antecipar recebíveis e corrigir os problemas de alavancagem: hoje a CEF tem 712 bilhões em carteira de crédito, mas um patrimônio de “apenas” 67 bilhões, ou seja: 9% de inadimplência e a Caixa Econômica Federal vira pó. De acordo com os padrões internacionais, a CEF só poderá emprestar dinheiro se tiver mais recursos para garantir tais empréstimos (porque você acha que a liberação dos financiamentos está mais demorada que o normal?). A venda de uma parte da carteira de crédito resolve os 2 problemas de uma única vez e a vida continua bela e agradável.

                Mas nem tudo são pepinos e abacaxis na vida do banco mais popular do país: o governo, aparentemente, se antecipou e não deixou o problema virar algo dantesco como foi na Petrobrás. Acertou na mosca, dado que um banco grande em apuros igualmente grandes pode levar à bancarrota um país continental.

 

João Guilherme Penteado - Apollo Brasil Assessoria & Consultoria

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