Grupo Nanoita
Diamante e Grafite: iguais, mas bem diferentes...

 

Robson Couto da Silva

Doutor em Engenharia de Produção pela UTFPR

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Você sabia que o diamante e o grafite apresentam a mesma composição química? Ambos são formados exclusivamente por átomos de carbono. Apesar dessa semelhança, apresentam diferenças marcantes: o diamante é um material com elevado valor agregado, transparente, duro, abrasivo e isolante elétrico. Já o grafite é um material de baixo preço, opaco, macio, lubrificante e condutor de eletricidade.

Mas como dois materiais compostos pelo mesmo elemento podem apresentar propriedades tão distintas? A resposta para isso é um fenômeno denominado de alotropia, introduzido pelo químico sueco Jöns Jacob Berzelius (1779-1848). Alotropia é uma palavra grega que significa “outra maneira” e é atribuída a elementos químicos capazes de originar substâncias diferentes. Outro exemplo de alotropia é encontrado no elemento oxigênio que pode formar o gás oxigênio (O2) ou o gás ozônio (O3).

Voltando agora ao carbono, dependendo das condições geológicas na qual esses átomos foram submetidos, modificou-se a maneira como se ligaram a seus átomos vizinhos, por exemplo, em profundidades entre 120 e 200 km, a temperatura do manto terrestre supera os 1.000 oC. Nessa condição de elevada temperatura e pressão os átomos formaram uma rede tridimensional de tetraedros de carbonos unidos pelas fortes ligações covalentes em todas as direções, originando os diamantes. Após milhões de anos de atividades vulcânicas e ação da natureza os diamantes chegaram à superfície. Estudos indicam que os diamantes também foram originados pela ação de movimento das placas tectônicas e pelo impacto de meteoritos.

O grafite é uma forma mais estável a baixas temperaturas e pressões. Diferente do diamante que possui uma estrutura com elevada rigidez, o grafite é formado por diversas camadas de átomos de carbono arranjadas em um padrão hexagonal. Porém, todas essas camadas são ligadas entre si por fracas ligações químicas secundárias chamadas de Van der Waals. Com isso, uma camada pode facilmente deslizar sobre outra, rompendo as ligações. Isso ocorre quando estamos escrevendo com um lápis, em que camadas são separadas e deixadas no papel.

Essas diferenças fazem com que esses dois materiais apresentem aplicações bastante importantes na indústria: o diamante é adequado para ferramentas de corte, abrasivos e joias. O grafite é utilizado para fabricação de peças refratárias para siderurgia, lubrificantes, catodos de baterias alcalinas, escovas de motores elétricos, minas para lápis, entre outras.

Você pode estar se perguntando se é possível transformar o grafite em diamante. Sim, isso é possível, mas para tanto o grafite deve ser colocado em uma condição de temperatura e pressão que simule o interior da Terra por períodos que podem chegar a um mês. Outra técnica que permite a obtenção de um diamante sintético se chama deposição de vapor químico (chemical vapor deposition – CVD), a qual utiliza um diamante natural como semente para crescimento da nova pedra.

O valor de um diamante sintético é inferior ao de um natural, apesar de apresentarem propriedades adequadas para aplicações tecnológicas. Porém, maravilhas como as gemas Cullinan I, que possui 530,20 quilates e pertence às joias da coroa britânica, ou o Golden Jubilee com 545,67 quilates, ainda são obras exclusivas da natureza, a quem ainda temos muito a observar e aprender nos processos de inovação tecnológica.

 

Amianto: resistente, mas muito nocivo

Robson Couto da Silva

Doutor em Engenharia de Produção pela UTFPR

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Na última semana vários veículos de comunicação noticiaram a intenção de alguns políticos da voltada exploração e exportação do amianto pelo Brasil mediante a revisão de uma decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal em 2017.

Para essa discussão, cabe conhecermos mais sobre esse material para entendermos porque o interesse em suas propriedades e principalmente quais os problemas que levaram à recomendação de banimento sugerida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e já é aderida por mais de 60 países.

O amianto é um mineral de origem natural extraído de rochas que tiveram sua formação por meio de processos geológicos de metamorfismo (ação de temperatura e pressão ao longo do tempo). Sua principal forma de interesse é de um silicato de magnésio hidratado (Mg3Si2O5(OH)4) que, quando encontrado na forma fibrosa também é chamado de asbesto.

A palavra asbesto vem do grego e significa indestrutível, o que remete bem às propriedades desse material: a flexibilidade, a resistência à tração superior à de fios de aço com as mesmas dimensões, além de apresentar resistência química e térmica (até 1000 oC). Outros pontos de interesse comercial estão em sua abundância e baixo custo.

Essas características fizeram com que esse material fosse destinado para diversas aplicações como em telhas de fibrocimento (que compreendem seu maior consumo), gaxetas, embreagens, pastilhas e lonas de freio de automóveis, tecidos e revestimentos para proteção contra o fogo, entre outras.

O amianto já vem sendo utilizado pelo homem desde o início da civilização, sendo reportado seu uso em vestimentas para cremação a cerca de 5.000 anos atrás no Chipre. Cerâmicas reforçadas com amianto datadas de 2.500 a.C. foram encontradas na Finlândia. Heródoto (484-425 a.C.) documentou o uso de pavios de amianto em lamparinas na antiga Grécia.

Porém, sua utilização em grande escala somente teve início com a revolução industrial do século XIX e posteriormente também foi usado de forma ampla após as Primeira e Segunda Guerras Mundiais. A partir daí, os problemas começaram a surgir...

Com o uso constante desse material para reconstrução das cidades, um grande número de adoecimentos passou a ser detectado nos trabalhadores. Em 1955, o médico inglês Richard Doll levou ao conhecimento do mundo o grande efeito nocivo do amianto: esse material por ser constituído por fibras longas tem tendência a formar um pó com partículas finas que ficam em suspensão no ar e aderem à roupa, levando à sua inalação.

Quando a exposição é prolongada, essas fibras ficam alojadas nos pulmões e podem gerar doenças que às vezes levam mais de uma década para a sua manifestação. Destacam-se entre elas a asbestose (lesões no tecido pulmonar causadas por um ácido produzido pelo próprio organismo na tentativa de dissolver as fibras) e o mesotelioma, um câncer na pleura do pulmão, responsável pela morte do ator Steve McQueen, astro de filmes como Papillon (1973) e Inferno na Torre (1974).

Atualmente, a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC) classifica todos os tipos de asbestos como “cancerígenos para os seres humanos” e a OMS em seu critério 203 é conclusiva em afirmar que “não há níveis seguros para a exposição às suas fibras”.

A OMS também estima um número de aproximadamente 100 mil mortes/ano em função do amianto e que, além do pulmão, também existem associações com o câncer do sistema gastrointestinal, da laringe e dos rins.

Dessa forma, nenhum argumento de ordem econômica é suficiente para justificar a retomada da exploração do amianto, pois colocará em risco a vida de mineradores, operários da construção civil e de pessoas que trabalham em aterros sanitários. A exportação do mineral também é algo reprovável, visto que levaria esse risco para populações de outros países.

Com certeza já passou da hora de seres humanos serem vistos como algo mais importante que um número na conta bancária ou que a margem de lucro que se deixou de obter... Quando será que vamos aprender?

Você não acha que está ganhando demais?

 

Robson Couto da Silva

Doutor em Engenharia de Produção pela UTFPR

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No último dia 21 de abril e na semana que se seguiu muitos meios de comunicação noticiaram as declarações de Abigail Disney, cineasta e herdeira da Disney, classificando como “insano” o valor de 65,6 milhões de dólares recebidos por seu diretor executivo Robert Iger no ano de 2018.

Em diversos tuítes Abigail critica os baixos salários mínimos federais e sugere o corte pela metade dos bônus recebidos pelos executivos da empresa para aumentar os salários dos demais funcionários da companhia. Posteriormente em entrevista dada ao jornal britânico The Guardian, Abigail afirma que “ninguém nesse planeta vale esse dinheiro”.

Em relação à necessidade de se elevar os salários dos demais colaboradores não há a menor dúvida de que ela está correta, pois em uma empresa todos são importantes para que se atinjam as metas e se está lucrando muito, esse aumento salarial promove motivação. Além disso, a distribuição da renda traz maior circulação do dinheiro, aquecendo a economia pelo aumento no consumo e todos acabam sendo beneficiados. Nesse ponto sua crítica é bastante válida e coerente.

O que me parece discutível é a origem do dinheiro empregado para aumentar os salários e a afirmação que ninguém vale tanto assim. Para podermos argumentar, vamos primeiramente avaliar os números que trazem o desempenho da companhia e do executivo em questão para uma avaliação mais adequada.

Segundo o site Mercado e Eventos, em 2018 a Walt Disney Company fechou seu ano fiscal com um faturamento bruto de 59,4 bilhões de dólares e um lucro líquido de 12,5 bilhões, um crescimento de 40% em relação ao lucro do mesmo período em 2017.

Robert Iger, entre outras ações realizadas, supervisionou a aquisição da Pixar e levou a empresa a adquirir a Marvel, a Lucasfilm e a 21st Century Fox. Durante o mandato de Iger as ações da empresa subiram de 24 dólares por ação em 2005 para 135 dólares em 2019 e o valor da empresa já está avaliado em cerca de 250 bilhões de dólares. Os próximos passos preveem a entrada no mercado de streaming.

Daí surge o primeiro questionamento: Será que o aumento nos salários deve realmente vir do corte dos valores recebidos pelos executivos, como sugere Abigail?

É interessante salientar que os altos valores recebidos pelos gestores não são exclusivamente de salários, mas também por bônus do desempenho da empresa, então quanto mais existe lucro, maiores serão esses bônus e indica que melhor foi a gestão no período. Reclamar de um elevado valor que seu colaborador recebe por seu desempenho me parece incoerente, pois se o valor recebido foi exorbitante isso só aconteceu porque também os resultados foram extraordinários.

Outro ponto a ser analisado é que o valor recebido por Iger equivale a 0,11% do faturamento da empresa e cerca de 0,52% do lucro líquido recebido pelos acionistas. Então, em relação à afirmação que ninguém vale isso também tenho discordância, pois se sou um empresário e meu gestor me faz obter um lucro de bilhões de dólares, acho que ele vale sim meio por cento do que recebi.

O site australiano ABC traz outra afirmação de Abigail em que indica que se Robert distribuísse do próprio bolso um aumento de 15% aos outros funcionários da empresa, ainda assim teria 10 milhões de dólares. Mas nesse caso, então por que ela não sugere efetuar esse aumento para todos os funcionários com o dinheiro de quem vem recebendo esses dividendos, como a própria família, a partir de uma política de participação nos lucros recebidos?

Enfim, temos que abolir o conceito errôneo que se um profissional está ganhando muito, provoca o baixo salário dos demais. Pelo contrário, é o especialista que traz a inovação, o diferencial e que muitas vezes garante a criação de novos empregos. Dessa forma, cabe ao empreendedor aprender a valorizar o expert que faz com que ele tenha lucro, como abrir mão da parte de seus ganhos para motivar seus outros colaboradores quando sua empresa está consolidada.

Quanto a Robert Iger, até pode ser criticado por sua atuação com os demais funcionários ou por transformar o Incrível Hulk em um “fracote” em Vingadores: Guerra Infinita, mas nunca deve ser questionado por receber por seus resultados.

 

Laboratório de Inovação: como fazer?

 

Daiane Maria De Genaro Chiroli

Doutora em Engenharia de Produção pela UFSC

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Hoje o inventor mais famoso do mundo tem 67 anos de idade. Inspirado em um garnisé, o inventor mais famoso do mundo foi criado pelo quadrinista Carl Barks e recebeu o nome nos Estados Unidos da América de Gyro Gearloose. No Brasil ficou mais conhecido como Professor Pardal dos quadrinhos da Disney.

Suas invenções e engenhocas faziam sucesso na cidade de Patópolis, evidentemente o Prof. Pardal não vivia no mundo real, porém, para a nossa realidade, esta é a sugestão de apelido para pessoas inteligentes. Por isso, o norte-americano Dean Kamen, é considerado o verdadeiro Prof. Pardal.

Por outro lado, oriundo do século IV a.C., o Mago ou também chamado de Magi, eram assim chamadas as pessoas dotadas de muita inteligência. Atualmente entende-se como mago aquele que pratica a magia ou que utiliza do conhecimento oculto ou paranormal.

É muito fácil pensar, acreditar e justificar que uma empresa faz uso do laboratório de inovação somente quando se consegue como recurso humano um Prof. Pardal ou um Mago. Na verdade isso é um folclore dentro do campo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I).

O que se necessita para P&D&I são pessoas com competências específicas, diga-se de passagem, pessoas com muita competência específica. Cada uma no seu segmento de conhecimento.

O P&D&I nada mais é do que uma metodologia operacional instrumentalizada por pessoas dotadas de competências específicas. Para isso, a UTFPR-PG está iniciando um processo de capacitação com alguns alunos de pós-graduação para a prática do desenvolvimento de produtos inovadores.

No nosso artigo da semana anterior (23/04/2019 – Laboratórios de Inovação), instigamos o leitor para aplicar em sua empresa o Laboratório de Inovação, listando uma série de empresas de sucesso, que utilizam deste processo.

Com respeito ao artigo da semana passada, alguns questionamentos nos foram feitos, referente à forma de se ter um Laboratório de Inovação em uma empresa.

Entendemos que inicialmente a empresa precisa ter o objetivo claro do que ela quer em relação à inovação, e analisar quais são as condições para alcançar tal objetivo. Assim, enxergamos que a viabilização de um Laboratório de Inovação possa ocorrer de três formas diferentes.

A primeira maneira é que a empresa estude e crie um Laboratório de Inovação de acordo com sua necessidade. Para isso seria importante o acompanhamento de uma consultoria para que a proposta seja eficiente. Esta pode ser a proposta mais difícil de ser realizada, porém, com o tempo os resultados devem aparecer e serão única e exclusivamente da criadora.

A segunda maneira é que a empresa contrate empresas criadas para essa finalidade. Possui um custo operacional e na participação dos resultados, porém, não são abusivos e o resultado é bem mais concreto que a primeira opção.

A terceira seria a parceria com Universidades que possuam experiência dessas práticas nas suas atividades. Esta opção também tem seu custo e participação, mas conta com muita opção de recursos humanos e com laboratórios aparelhados para realização da inovação.

E agora, sua empresa não merece um Laboratório de Inovação?

Laboratórios de inovação

Sergio Mazurek Tebcherani

Doutor em Química pela UNESP

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A palavra inovação significa aquilo que é novo, a coisa nova ou a novidade. No conceito empreendedor é a exploração com sucesso das novas ideias, é a criação do ineditismo.

Esta palavra, ao mesmo tempo em que teve um forte apelo no setor comercial e empresarial, também passou a ser utilizada na linguagem cotidiana. Acredito que isto tenha ocorrido por dois fatores: o primeiro está relacionado a uma palavra fácil, conhecida e que já tem um significado popular apelativo. O segundo motivo é que esta palavra foi intensivamente divulgada como estratégia governamental voltada ao crescimento econômico.

Desta forma, a inovação passou a ser utilizada perdendo o seu real sentido empreendedor.

Exemplo desta afirmação é quando uma determinada loja fazia suas propagandas anunciando que o seu ambiente havia sido inovado. Ao conferir, percebia-se que, na verdade, haviam apenas pintado sua fachada ou algo parecido com isso.

Assim, a palavra inovação pode ter caído no discurso teórico e, para vincular com as práticas deste processo, surge o termo laboratórios de inovação.

Os laboratórios de inovação são espaços físicos destinados para acomodar, estimular os brainstormings, experimentar, desenvolver e interagir infraestruturas de empresas desde o processo de hospedagem até a conclusão do desenvolvimento tecnológico.

Brainstormings, ou também conhecido como tempestade de ideias, é um método utilizado para explorar a potencialidade criativa de um indivíduo ou de um grupo. Este método foi desenvolvido pelo publicitário norte-americano Alex Osborn e vem sendo muito utilizado com bastante sucesso.

Neste contexto, a CB Insights, que é uma plataforma de inteligência de mercado de tecnologia, analisou milhões de pontos de dados sobre capital de risco, startups, patentes, parcerias e notícias da inovação, e apresentou uma lista de empresas que fazem uso dos laboratórios de inovação.

Foram citadas somente estas empresas: Accenture, AccorHotels, Amazon, America’s Health, Insurance Plans, Anthem, AT&T, Autodesk, Avaya, Boston Consulting Group, Capital One, Cardinal Health, Caterpillar, Cisco, Citi, Coca-Cola, Comcasts, CVS, DBS Bank, Deloitte, Delta, Deutsche Bank, DuPont, Emerson, Fidelity, FIS, Ford, Georgia Pacific, Google, HP Inc., Huawei, IBM, Ikea, IPG Media, Johnson & Johnson, JP Morgan, Kohl’s, Lockheed Martin, Lowe’s, Lululemon, Marriott, McKesson, McKinsey, MetLife, Microsoft, Neiman Marcus, Nike, Nokia, O Home Inot, Oracle, Panasonic, Phillips, SAP, Sears, Sephora, Southern Company, Staples, Symantec, Target, TCS Innovation, Tesco, The New York Times, Thyssenkrupp, T-Mobile, Unilever, Verizon, Visa, Vodafone, Volkswagen, Walmart, Wells Fargo, Xerox.

Tem empresa em Ponta Grossa que já tem o seu laboratório de inovação e com ótimos resultados. Não está na hora de pensar na sua empresa?

As perovskitas

Sergio Mazurek Tebcherani

Doutor em Química pela UNESP

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As estruturas denominadas de perovskitas foram retratadas pela primeira vez em 1839 por Gustav Rouse, a partir da descoberta do mineral titanato de cálcio (CaTiO3). As perovskitas foram batizadas em homenagem ao mineralogista russo Count Lev Alexevich von Perovski. Hoje em dia, essas estruturas são muito estudadas e a estrutura pode ser generalizada pela fóormula ABC3, ondeem que, B são elementos químicos centrais de uma estrutura octaédrica envolvidos (coordenados) por íons de um elemento químico C. Na tabela periódica, A é um cátion de um metal, B é um cátion de um metal de transição e C é o oxigênio na forma de ânion.

Recordamos que cátion é um átomo que perdeu um ou mais elétrons e ânion é um átomo que ganhou um ou mais elétrons perdendo assim a neutralidade das cargas positivas e negativas que um átomo possui. Os cátions e ânions podem ser indistintamente chamados de íons.

É muito fácil identificar a partir da fórmula geral (genérica) do tipo ABC3 quem representa A, B e C na perovskita CaTiO3.

As perovskitas são matérias materiais promissorees para compor as células solares do futuro.

Agora mesmo, no dia 10 de abril deste ano, foi publicado na revista Science, um artigo muito interessante sobre essas  as células solares do futuro (acesso pelo endereço doi:10.1126/science.aax6503Disponível em: https://www.sciencemag.org/news/2019/04/marrying-two-types-solar-cells-draws-more-power-sun).

Pesquisadores criaram uma placa do tipo sanduíiche, na qualonde, em uma camada constituída de perovskita tem a função de absorver fótons azuis de alta energia na luz solar, e outra camada de silício, que absorve a luz de baixa energia. Desta forma, essas placas (células) produzem uma dose dupla de energia.

Mas construir duas células solares completas, uma em cima da outra, adiciona custos e outros desafios complexos.

O artigo publicado na Science relatou o avanço de uma maneira potencialmente mais simples e barata de criar esse conjunto de célula solar.

Até o momento entendia-se que essas placas deveriam converter a luz absorvida em corrente elétrica.

A proposta destes pesquisadores é transformar o comprimento de onda absorvido na forma de fótons azuis em fótons próximos da região do infravermelho, para que a célula de silício que está localizada abaixo da perovskita transformem esses fótons em eletricidade.

O resultado disso pode gerar um aumento na eficiência das células solares de silício em quase 20%.

A promessa de uma aplicação muito nobre para a classe das perovskita, que já dura mais de um século, será concretizada com a viabilização dessas células solares. Na verdade, as perovskitas são compostos que possuem uma estrutura cristalina constituídas constituída de elementos bastante comuns como chumbo, bromo e cloro.

"Este é um dos resultados mais empolgantes que já vi em muito tempo", diz Michael McGehee, especialista em perovskita da Universidade de Stanford, em Palo Alto, Califórnia. "O aumento na eficiência que eles estão reivindicando é muito significativo".

Para se ter ideia, os fabricantes de células solares de silício, movimentaram  US $ 30 bilhões no ano de 2016.

 

Seu trabalho é motivo de infelicidade?

 

 

GRUPO NANOITA

 

Robson Couto da Silva

Doutor em Engenharia de Produção pela UTFPR

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Você já percebeu que muitas vezes as pessoas parecem não estar inseridas na profissão que lhes traz satisfação? Não estou aqui falando unicamente da questão financeira, até mesmo porque alguns profissionais com rendas invejadas pela grande maioria parecem nunca estar realizados, prestam serviços com má qualidade e trazem consigo aquela expressão de descontentamento com suas obrigações.

É comum verificarmos isso em nós mesmos quando estamos em um emprego e sentimos aquela angústia quando chega o final do domingo e temos uma longa semana pela frente, quando no trabalho as horas parecem não passar, quando tudo que fazemos não é atrativo e se torna até mesmo desmotivador.

A explicação para isso é que desenvolvemos pouco de nossa inteligência emocional e por isso não vemos nessa profissão algo que desperte nosso interesse. O problema disso é que esse sentimento surgirá em breve, em um novo emprego, pois esse problema é na verdade comportamental.

A inteligência emocional está relacionada com a capacidade de lidarmos com nossas emoções e com as pessoas ao nosso redor, de maneira que possamos administrar nossa motivação e nossos relacionamentos. Ela vem sendo referenciada há mais de um século, porém ganhou popularidade somente em 1995, com o  jornalista científico Daniel Goleman.

Pessoas que não trabalham sua inteligência emocional não lidam bem com frustrações, apresentam dificuldade para trabalhar em equipe e não se colocam no lugar dos outros. Já uma pessoa com inteligência emocional desenvolvida apresenta autocontrole e se dedica a fazer o que deve ser feito, independentemente da atividade.

Mas, de que maneira se pode desenvolver a inteligência emocional? O primeiro passo está em se quebrar os vícios do padrão comportamental atual. A mais simples tarefa deve ser encarada como algo importante, buscando-se sempre o aprimoramento. Deve-se evitar a procrastinação, se precisa ser feito, que seja agora! Tenha em mente que seu total envolvimento em uma atividade trará satisfação e ascensão profissional, assim, maior será a chance de se atingir uma meta pessoal.

Outro fator que contribui muito para o desenvolvimento da inteligência emocional está na busca por atividades onde se tenha maiores aptidões. Todas as pessoas são inteligentes, porém em coisas diferentes.

Por exemplo, uma pessoa com perfil intelectual geralmente é desastrosa em atividades esportivas, artistas e músicos muitas vezes têm aversão à matemática, um atleta se jogaria pela janela se tivesse que passar uma tarde na frente de um computador programando dados e, tente convidar um cientista para dançar, você verá sensações que misturam fobia e total falta de coordenação motora!

Logo, faça uma análise de suas habilidades cognitivas, isso trará um grande indicativo da profissão a se escolher e consequentemente maior será a facilidade de enquadrar-se em uma função e motivar-se.

Pessoas com inteligência emocional tornam-se líderes naturais e são fadadas ao sucesso, a despeito do ramo que desejem atuar, pois se tornam pessoas equilibradas e comunicativas, mas seu grande diferencial está no engajamento, responsabilidade e respeito, o que faz com que tenham satisfação tanto no trabalho quanto nos seus relacionamentos.

Pronto para iniciar? Então, a partir de agora, dê o seu melhor!!!

Conforto em cacos

Robson Couto da Silva

Doutorando em Engenharia de Produção pela UTFPR

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O aumento da população e os avanços tecnológicos criaram uma cultura mundial de consumismo acelerado de bens e serviços. Como efeito colateral, temos a escassez de energia e um grande volume de resíduos que geralmente são descartados em aterros sem os devidos cuidados ou tratamentos. Dessa forma, a incorporação desses resíduos em novos produtos se torna uma solução cada vez mais importante e necessária para minimizar esse impacto.

Dentre os resíduos comumente descartados destacam-se as aparas e cacos de vidro que são responsáveis por graves acidentes em aterros sanitários. Para que se tenha uma ideia da dimensão desse problema, a Associação Brasileira das Indústrias de Vidro descreve que em 2008 mais de 7 milhões de toneladas desse resíduo foram descartadas e que menos de 15% foram recicladas. No cenário atual estima-se que o índice de reciclagem do setor ainda esteja na faixa dos 40%.

As principais adversidades encontradas para reúso do vidro vão desde uma ineficiente coleta seletiva até um baixo preço pago pelas aparas, desestimulando catadores e cooperativas de reciclagem. Com isso, o desenvolvimento de um produto que consiga agregar valor a esse resíduo permite muitos benefícios econômicos, ambientais e sociais.

Nesse sentido, o grupo Nanoita utilizou os resíduos de vidro como matéria-prima para desenvolvimento de espumas. O grande diferencial do produto desenvolvido está em seu processo de fabricação, no qual o único gás eliminado na atmosfera é o vapor de água. Além disso, os resíduos gerados na fabricação das espumas de vidro podem ser reaproveitados como matérias-primas para um novo processo. Outro fator importante é que um eventual descarte das espumas após sua utilização não provoca contaminação de água e solo e não promove acidentes caso venham a ser depositadas em aterros ou manuseadas. Com isso, se tem um viés de sustentabilidade onde se substitui um passivo ambiental por um produto com apelo tecnológico a partir de um processamento que visa preservar solo, água e ar.

Espumas de vidro são materiais rígidos com elevada porosidade e baixo peso que permitem uso em diversos segmentos. Dentre as possíveis aplicações destacam-se os processos de tratamento de água visando à remoção de metais pesados, corantes e compostos orgânicos. A indústria da construção civil é outro setor onde esse material apresenta grande potencial como agregado leve, para absorção sonora e para isolamento térmico.

As espumas de vidro permitem seu manuseio sem que se tenha irritação cutânea ou das vias respiratórias, preservando a saúde da pessoa que trabalha com sua instalação. Além disso, é um material incombustível, ou seja, em caso de um incêndio não libera gases tóxicos e permite maior tempo para a evacuação do local devido à sua resistência em temperaturas superiores a 400 ºC.

Quando as espumas de vidro são utilizadas como isolantes, além de melhorarem o conforto térmico de um local, também trazem o benefício da redução do consumo de energia, pois menos será gasto com aquecimento, ventilação e condicionamento a ar nos ambientes.

Com a popularização das espumas de vidro um destino adequado será dado a um passivo ambiental, o que poderá incentivar a separação seletiva e trazer mais ganhos para os recicladores, alavancando um novo setor produtivo e gerando mais empregos diretos e indiretos.

Em contrapartida, gastaremos menos energia e receberemos um ambiente com maior conforto térmico, tudo isso graças aos simples cacos de vidro.

 

 

 

O gênio solitário

 

 

GRUPO NANOITA

 

Thiago Sequinel

Doutor em Química pela UNESP

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Nascido em Londres, em 1643, Isaac Newton é considerado um dos mais notáveis cientistas de todos os tempos. Profundo conhecedor de física, mecânica, matemática e química, também mostrava conhecimento nos conceitos filosóficos, religiosos, teológicos e da alquimia.

Alguns relatos descrevem Newton como uma pessoa de personalidade tranquila e modesta, acreditando-se com isso, que ele tenha deixado de anotar e publicar muitas outras descobertas. Era também uma pessoa extremamente solitária, característica que fica mais evidenciada durante sua infância e velhice.

Nunca se casou, não nutria simpatia pelo comportamento das mulheres.

Não é muito estranho para a época que Newton, assim como outros notáveis, deixassem de se alimentar por causa de seus estudos.

Na idade próxima aos 20 anos, andava com um papel que continha uma lista de 48 transgressões pecaminosas, dentre elas, os incômodos que causava à sua mãe, os pensamentos e as palavras impuras que saíam de sua boca, o fato de bater na irmã e outros mais.

Para custear seus estudos na Universidade de Cambridge, Newton auxiliava no refeitório da Universidade e também arrumando o quarto dos alunos.

Newton foi um dos precursores do movimento intelectual e filosófico que dominou o mundo das ideias na Europa durante o século XVIII.

Em 1665, a Universidade de Cambridge parou suas atividades devido à peste bubônica que dominava a Europa. Nesse ano, Newton ficou recluso na fazenda onde morava, e sua contribuição para o desenvolvimento da ciência foi simplesmente fantástico. Descobriu o teorema binomial, o cálculo, a lei da gravitação e a natureza das cores. Aliás, com respeito à lei da gravidade, a famosa maçã não caiu na sua cabeça.

Paralelamente, elaborou o cálculo infinitesimal com Gottfried Wilhelm Leibniz. Uma polêmica sobre essa descoberta está relacionada com a autoria da ideia. A disputa só teve seu fim em 1727, com a morte de Newton. Acredita-se que ambos descobriram o cálculo infinitesimal de maneira independente e publicaram em momentos diferentes da vida.

A “alfinetada” de Newton está na frase proferida por ele: “Os segundos inventores não têm direitos”.

Quando Newton publicou o seu livro “Philosophiæ Naturalis Principia”, mais conhecido como Principia, em 1687, que continha sua lei da gravitação universal, foi deflagrada uma polêmica entre ele e Robert Hooke, uma vez que não tinha sido Newton o primeiro a documentar sobre as forças gravitacionais.

A comunidade científica vinha desenvolvendo essa ideia ao longo de anos. E durante a década de 1670, Hooke foi fundamental nesse desenvolvimento, ao observar que os planetas atraíam-se pelo Sol e quanto mais próximos estivessem deste, maior era essa força sobre os objetos.

No entanto, foi Newton o criador da rigorosa prova matemática necessária.

Em uma carta de resposta para Hooke, Newton escreveu a frase: “Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes”. Hooke tinha uma baixa estatura e era corcunda.

Se o leitor gosta desse tipo de relato fica a sugestão para assistir ao filme “O homem que viu o infinito”.

Quanto Vale?

Sergio Mazurek Tebcherani

Doutor em Química pela UNESP

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São considerados metais pesados aqueles elementos químicos que possuem uma densidade superior a 4,0 g/cm³. A densidade é obtida quando dividimos o valor da massa de uma quantidade de substância pelo volume que essa massa ocupa.

No organismo, os metais podem combinar-se com as enzimas e proteínas inibindo o funcionamento delas podendo levar até a morte, ou ainda, os metais podem aderir às paredes das células, prejudicando a passagem e, consequentemente, o transporte dos nutrientes.

Vamos identificar alguns deles:

O cádmio (Cd, d = 8,65 g/cm3) atua nos pulmões, no fígado e nos rins. Pode ser inalado pela fumaça do cigarro e ingerido por alimentos ou água contaminados quando são utilizados recipientes contendo esse metal.

O chumbo (Pb, d = 11,34 g/cm3) pode causar fraqueza e dores inicialmente nos membros inferiores, que podem se generalizar; pode causar também insônia alternada com sonolência diurna, cólicas abdominais, impotência sexual, gosto amargo na boca, orla gengival de Burton, má digestão, inapetência, diarreia e obstipação alternadas. É responsável pela doença conhecida como saturnismo que se manifesta por cefaleia, alucinações e manifestações esquizofrênicas. Pode ser inalado por via respiratória através de vapores do metal, absorvido pela pele ou via oral. As fontes mais comuns de contaminação podem ser através de tintas e alimentos contaminados por pesticidas à base do elemento e água contaminada. Já se relatam contaminações através de projéteis de arma de fogo.

O mercúrio (Hg, d = 13,595 g/cm3) pode causar falta de ar, febre e calafrios, tosse, náusea, vômito, diarreia, paladar metálico, dores de cabeça, fraqueza e visão embaçada, depressão, perda de memória, nos casos mais extremos pode desenvolver lesão pulmonar aguda, insuficiência renal aguda, cegueira, deficiência auditiva, entre outras consequências. Pode ser inalado principalmente pelo vapor do metal ou pela ingestão de peixes contaminados com os resíduos provenientes dos garimpos.

O cromo (Cr, d = 7,14 g/cm3) pode causar úlceras, inflamação nasal e câncer de pulmão. As formais mais comuns de contaminação são através dos resíduos na indústria de curtição de couros e por águas contaminadas.

Poderíamos citar muitos outros elementos químicos, como o níquel, a platina, a prata, o cobalto, o cobre, o ferro, o manganês, o zinco, o estanho e muitos outros.

Apesar da Samarco não extrair metais pesados, foram encontrados nos sedimentos do desastre de Mariana metais como o ferro, o chumbo, o arsênio e o mercúrio, possivelmente gerado pelos garimpos ilegais. O fato é que, com o rompimento da barragem, esses contaminantes foram espalhados ao longo do percurso.

Em Brumadinho, acredita-se que estejam presentes o ferro, o cromo, o chumbo e o arsênio.

Na segunda quinzena de fevereiro a Vale tinha valor de mercado de R$ 223,4 bilhões, perdendo R$ 72 bilhões em valor de mercado. No entanto, passado mais de um mês da tragédia, os papéis voltaram a subir e a empresa já teve um ganho de R$ 24 bilhões.

Para o desastre de Brumadinho, a Vale propôs indenizações por danos materiais, morais, além de planos médicos, auxílio-creche, auxílio-educação, despesas de funeral, verbas rescisórias, além de atendimento psicológico e uma doação de R$ 100 mil para famílias de trabalhadores que perderam suas vidas com o rompimento da barreira e que não será deduzida de qualquer indenização.

No caso de danos morais, que não são cumulativos, o valor proposto a cônjuge e filhos é de R$ 300 mil; para pai e mãe é de R$ 150 mil; a irmãos, R$ 75 mil.

A Vale propõe ainda pagar aos familiares 2/3 de um salário mensal do trabalhador até a data que ele completaria 75 anos.

Fora isso, qual foi o prejuízo do impacto ambiental? Das subsistências ribeirinhas? Dos animais mortos? Do custo operacional para minimizar o resultado de uma “não” fatalidade? Do tempo de recuperação natural? Quanto Vale?