Grupo Nanoita
Até quando seremos tão complacentes com nós mesmos?

 

Robson Couto da Silva

Doutorando em Engenharia de Produção pela UTFPR

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Um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde informou que em 2018 o número de mortes registradas no trânsito atingiu 1,35 milhão de pessoas. Nosso país, infelizmente, se encontra entre os cinco países recordistas nesse quesito ao lado de Índia, China, Estados Unidos e Rússia. Para se ter uma ideia da magnitude desse dado, o portal do trânsito em um de seus artigos informou que cerca de 60% dos leitos hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) e 50% das ocupações em centros cirúrgicos são utilizados por vítimas de acidentes de trânsito. Outro número que impressiona é dado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, onde o custo anual dos acidentes de trânsito em 2016 atingiu a cifra de 52 bilhões de reais.

A gravidade da situação é tão expressiva quanto os problemas que temos em segurança pública. Porém, parece que não damos tanta importância para esses números, visto que as maiores causas dos acidentes ocorrem devido ao excesso de velocidade, embriaguez e uso de celulares enquanto se dirige.

Será que nossa complacência com esse problema não vem do fato de que quase todos nós somos recorrentes em cometer esses crimes e preferimos tratá-los como “pequenas infrações” e que nossos atos nunca causarão danos a ninguém?

Acredito que já passou da hora de refletirmos sobre as consequências de nossa educação no trânsito, pois o que ocorre não está vinculado à desinformação, e sim à imprudência e irresponsabilidade.

Mas, então, não posso tomar a minha cervejinha quando saio? Ora, se você for dirigir, não pode mesmo! Sei que a maioria dos leitores torce o nariz ao ler essa última frase, porém a reeducação de nossos costumes se faz necessária e às vezes demora mais de uma geração para surtir efeito. Recordo-me que a cerca de trinta anos atrás se iniciou uma grande campanha pelo uso de cinto de segurança e em 1997 essa prática se tornou lei. Atualmente já tivemos algum êxito, visto que o uso do cinto é algo natural para os passageiros dos bancos da frente, apesar de ainda ser uma prática ignorada nos bancos traseiros. Da mesma maneira, as pessoas deverão se acostumar que aquele que vai dirigir não poderá consumir bebida alcoólica e caso o faça, que utilize outros meios de transporte. É incômodo para maioria, mas precisa se tornar um hábito.

A naturalidade com que os crimes de trânsito são tratados chega a ser tão estridente que vemos diariamente nos jornais dezenas de casos de acidentes com vítimas fatais e mesmo assim esse assunto é tratado de maneira banal, pois a grande maioria dos infratores prefere enxergar aquilo como mais uma fatalidade do que um crime. Lamentavelmente, essa mentalidade faz com que tenhamos complacência, pois como também podemos cometer tais “deslizes” é melhor tentar fingir que foi um erro que não deve mais ser cometido da próxima vez em vez de constatar que estamos assumindo o risco de causar um grave dano a outrem.

A conclusão final desse texto paira na tentativa de nos colocarmos agora não no lugar de possíveis infratores, mas sim de uma vítima de um acidente de trânsito. Como seria sua complacência se ficasse inválido ou perdesse um filho ou ente querido em virtude da irresponsabilidade de outra pessoa? Pense nisso na próxima vez que pegar a chave do carro, consumir álcool, pisar no acelerador ou utilizar celular enquanto dirige.

 

 

Chegou 2019!

Sergio Mazurek Tebcherani

Doutor em Química pela UNESP

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Quando criança observava antes dos almoços a panela tampada sobre a boca do fogão e, de repente, com a fervura do líquido, muitas vezes ele transbordava. Minha atenção era voltada à bagunça que fazia, mas, principalmente, à chama que parecia ficar “rebelde” e com uma coloração amarela intensa.

Dentre alguns efeitos que ocorriam para mim o principal era a interação sódio do sal de cozinha com o fogo. Qual a explicação para isso?

Sabemos que as radiações eletromagnéticas deslocam-se à velocidade da luz no vácuo, que é de 1.079.252.848 km/h. As radiações eletromagnéticas possuem características ondulatórias e estão relacionadas ao comprimento de onda e a frequência. Essas duas propriedades estão relacionadas, ou seja, quanto maior for o comprimento de onda menor será a sua frequência e vice-versa.

Os olhos humanos detectam as diferentes cores devido às diferentes frequências da luz desde que os comprimentos de ondas estejam compreendidos entre 400 e 700 nanômetros.

Quando um objeto é aquecido ele emite radiação com uma cor característica. Esta faixa de frequência da luz pode ser identificada pela cor.

Sobre o ponto de vista atômico, a energia não pode ser absorvida ou emitida por um elétron de maneira contínua, somente na forma de “pacote definido de energia” denominado “quantum”.

Quando um elétron, que está numa camada distante do núcleo de um átomo, recebe o quantum de energia, ele salta para uma camada mais externa, o que chamamos de estado excitado. O estado excitado de um elétron não é estável e imediatamente o elétron retorna à sua órbita estacionária liberando a mesma energia que havia recebido, porém, na forma de luz, o que chamamos de fóton.

Quando colocamos um elemento químico na chama ele absorve a energia (quantum) e, em seguida, libera na forma de fóton.

Os fótons podem ser amarelos quando o elemento for o sódio, laranja-púrpura quando for o potássio, verde-limão quando for o bário, vermelho-carmim quando for o lítio, verde quando for o cobre, vermelho/laranja quando for o cálcio e vermelho-púrpura quando for o estrôncio.

Mas, imagino que neste momento o leitor esteja se questionando: Para que tanta informação científica?

Quem ler esse artigo vai lembrar a passagem de ano novo e ficará tão animado quanto a excitação dos elétrons dos átomos no céu tornando os fogos com as diversas cores diferentes.

Lá em casa sempre é assim. Fora o tradicional Feliz Ano Novo, meus filhos também falam: olha pai, agora foi sódio, agora níquel, potássio, etc.

Como somos egoístas por natureza, reservemos esta alegria apenas para nós, uma vez que nossos animais de estimação se assustam e sofrem com o barulho causado para gerar toda essa excitação eletrônica.

Então, podemos combinar o seguinte, como somos inteligentes, nos próximos anos vamos conhecer novos conceitos científicos e, quem sabe, assistir a uma passagem de ano com projeções no céu em 3D, de filmes gerados por feixes de laser, por exemplo. Aí o barulho fica em razão de nossa alegria e dos espumantes.

O grupo Nanoita deseja um Feliz 2019 a todos!

 

 

 

Efeito Mozart

 

 

GRUPO NANOITA

 

Thiago Sequinel

Doutor em Química pela UNESP

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O físico norte-americano Gordon Shaw se notabilizou quando publicou seus estudos que relacionavam os efeitos que a música clássica poderia causar no cérebro. Sua pesquisa publicada na revista Nature, em 1993, diz respeito à observação de que estudantes universitários que aceitaram escutar uma sonata de Mozart apresentavam uma elevação temporária no quociente de inteligência, o chamado QI. Estava relacionado ao conceito da excitação cognitiva.

A popularização desse estudo se difundiu de forma rápida e a ideia foi deturpada para o conceito de que ouvir Mozart tornava as pessoas mais inteligentes. A distorção da descoberta do pesquisador deixava-o muito aborrecido. “Mozart não torna ninguém mais esperto de forma permanente”, afirmava Shaw aos jornais de Los Angeles, porém, “esta música pode funcionar como uma espécie de exercício de aquecimento para as zonas do cérebro que lidam com o pensamento abstrato”.

Os estudos foram conclusivos que o QI dos estudantes que escutavam Mozart subia em até nove pontos, mas os efeitos dissipavam-se em dez minutos.

Todavia, estes resultados não puderam ser reproduzidos por outros pesquisadores, o que causou certo descrédito à pesquisa de Shaw.

Mesmo assim, Shaw continuou seus estudos dos efeitos da música clássica sobre o cérebro. Acabou sendo um dos entusiastas e fundadores de uma entidade sem fins lucrativos denominada de Instituto para o Desenvolvimento Neuronal da Inteligência Musical, em Irvine, na Califórnia. Neste instituto foi desenvolvida uma metodologia para facilitar o aprendizado no ensino da matemática. A metodologia relaciona a informática com aulas de piano e está colocada em prática em aproximadamente 70 escolas primárias norte-americanas.

Dando continuidade à pesquisa, Shaw interpretou resultados de testes de ressonância magnética nuclear para propor que a música de Mozart estimulava melhor o cérebro do que a de Beethoven.

Como se isso tudo não bastasse, outro pesquisador, Don Campbell, aproveitou esta linha de pesquisa e propôs que bebês que são estimulados musicalmente desde o quinto mês de gestação no ventre materno são beneficiados no desenvolvimento intelectual, físico, emocional e criativo além de reforçar o vínculo entre mãe e filho. Para Campbell, este efeito continuaria a dar bons resultados durante os primeiros cinco anos de vida.

Esta ideia entra no conhecimento popular de forma muito rápida e interessante. Qual a mãe ou o pai que não acha que seus filhos são os melhores do mundo? As crianças já nascem sorrindo melhor que os outros bebês, aprendem a falar melhor, a andar melhor e por aí afora... Essa regra vale para a maioria dos pais.

De tudo o que foi dito, fica que o verdadeiro gênio foi o próprio Wolfgang Amadeus Mozart, músico e compositor austríaco, que viveu apenas 35 anos, mas tempo suficiente para que fosse considerado um dos maiores nomes da música erudita e um dos compositores mais importantes da história da música clássica.

Tão gênio que serve de inspiração para as teorias mais malucas. Tão gênio que vale conhecer sua biografia.

Um Brasil mais competitivo

 

Daiane Maria De Genaro Chiroli

Doutora em Engenharia de Produção pela UFSC

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O nosso lindo Brasil é o maior país da América do Sul e da região da América Latina, e, mesmo sendo um dos maiores países do mundo, não se destaca no contexto da industrialização. Mas se destaca como um dos países mais empreendedores do mundo, no entanto, falta inovação. Segundo o índice global de inovação (2017), ocupamos atualmente a 69ª posição. Se não houver incentivos e continuarmos nesta vertente, estaremos perdendo o mercado dia após dia, pois a produtividade em nosso país caiu, o investimento em infraestrutura tem sido cada vez menor, o preço da energia para as indústrias não é competitivo com o restante do mundo e a logística é muito ineficiente, o que tem repercutido na diminuição do dinheiro no mercado.

Como engenheira, falo diariamente aos meus alunos do desafio da produção que nós como profissionais enfrentamos, pois somos contratados pelas empresas para otimizar recursos, tornar as empresas com maior eficiência e mais eficácia, e com isso melhorar a produtividade, reduzir custos, sempre exercendo o controle sobre o processo produtivo. Temos também que traçar estratégias! Pois, para conseguir desenvolver ações de melhorias dentro das organizações, se faz necessário conhecê-las, verificar as três gerações da mesma, ou seja, passado, presente e futuro.

Conhecer o passado nos permite compreender os erros cometidos, além de nos ajudar a entender o presente com base nesses erros passados e nas ações executadas, com o intuito de projetar melhorias no futuro. Uma frase muito conhecida de Confúcio diz: “Se queres conhecer o passado, examina o presente que é o resultado; se queres conhecer o futuro, examina o presente que é a causa.”

Para ter controle sobre o processo produtivo, é necessário gerir o processo, identificar as perdas, as causas das perdas e otimizar o processo. No entanto, o único elemento agregador de valor é a otimização, pois é ela que reduz os custos e gera benefício ao empreendimento, por isso, é um fator estratégico!

E nestas estratégias para obtenção de otimização é extremamente importante inserir a tecnologia, pois o mundo está reagindo ao uso de tecnologia de ponta, que gera valor e benefícios aos clientes.

Essa tal tecnologia é transformadora! É capaz de proporcionar mudanças gigantescas nas plantas fabris. Mas nem todos estão preparados para este desafio! E aqui, entra em cena a importância das fábricas inteligentes, pois a indústria 4.0 abre oportunidades para produtividade, permitindo assim, uma perspectiva muito positiva para um cenário futuro, possibilitando maior competitividade global.

Com a digitalização e o entendimento das necessidades dos clientes, esta otimização ocorre de forma mais colaborativa, permitindo novas formas de inovar e fazer negócios.

Imaginem, com o uso de tecnologia, poder vender um produto para outro país, e não haver a necessidade de entregar fisicamente, mas sim exportar via download. Pois bem, isso é possível por meio da digitalização, permitindo fazer a produção ocorrer perto do centro consumidor, isso se chama manufatura aditiva.

Para ser mais competitivo globalmente, há necessidade de benchmark, de identificar o que os outros países estão fazendo para se destacar, e visar estabelecer os padrões mundiais para tentar fazer o Brasil que o brasileiro quer um país inovador, mais empreendedor e gerador de mais emprego e renda.

 

Os mundos que carregamos

Giovani Marino Favero

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UEPG

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Até meados do século passado os cientistas acreditavam que o ser humano tinha uma proporção entre células de microrganismos, como bactérias, fungos, vírus e outros microrganismos, dez vezes maior do que as do próprio corpo humano. Em uma ampla pesquisa de 2016 chegou-se a uma conclusão que 43% do nosso corpo é composto por células humanas e as outras 40 trilhões de células são de outros microrganismos.

O interessante é que somos dependentes desses seres que nos habitam. O processo de digestão, por exemplo, é vinculado, em parte, pelas bactérias que povoam nosso intestino. O equilíbrio entre espécies de bactérias e o convívio com outros microrganismos, como os fungos, permite que nossa pele fique sadia e possibilita uma melhor ação de defesa contra agentes indutores de doenças.

Recentemente também foi demonstrado que possuímos uma nuvem de microrganismos que nos rodeiam e ela é capaz de interagir com outras nuvens de outras pessoas.

Doenças metabólicas, autoimunes e até desordens neurológicas parecem estar envolvidas diretamente entre o equilíbrio e a característica de cada microambiente, que é parte desses trilhões de células que carregamos conosco pela vida.

Nossas atitudes em relação à higiene ou uso de medicamentos, até a maneira que nascemos, se de cesariana ou parto normal, moldará os tipos de microrganismos que formarão as colônias nos locais próprios e a interação com outros microrganismos que entraremos em contato no dia a dia.

Assim, nosso corpo carrega vários micromundos de microrganismos que sofrerão diferentes estímulos positivos ou negativos conforme a resposta do grupo de células que nos compõe em menor proporção, as humanas no caso.

O que nos diferencia desses pequenos mundos é a capacidade de pensamento, que por sinal está diretamente relacionada à nossa cabeça, ou seja, nosso mundo só existe por que pensamos, e, sabidamente, os anatomistas antigos deram o nome à primeira vértebra do pescoço de atlas, em homenagem ao titã grego que como castigo foi obrigado a carregar o mundo sobre seus ombros.

 

Flor de laboratório

Evaldo Toniolo Kubaski

Doutor em Engenharia pela Escola Politécnica da USP

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Este artigo foi elaborado com um propósito diferente dos que costumamos escrever.

Convido o leitor para fazer parte de uma pesquisa científica de ponta e extremamente moderna, como se estivesse presente em um laboratório, entendendo e acompanhando o experimento de um produto que está prestes a ser criado, repleto de ciência, de conceitos, de conhecimentos e de tecnologia.

Nossa imaginação estará voltada para um artigo científico que foi publicado na revista Advanced Materials no dia 20 de novembro deste ano, do pesquisador Arri Priimagi e de seus colaboradores.

Priimagi é o líder de uma equipe de pesquisa denominada de Smart Photonic Materials. Esta equipe foi recém-criada para trabalhar com pesquisas de interface entre a química, a física e a engenharia de materiais. Este grupo concentra pesquisadores de outros países como a Polônia e a Holanda.

O experimento que desenvolveram parte da geração de cristais líquidos ligados quimicamente em redes, similares a cadeias poliméricas, ou seja, muitos carbonos ligados quimicamente entre si, eles criaram um dispositivo rígido como se fossem lâminas de uma cartolina, porém, quase transparente como um plástico.

Esses cristais líquidos foram cortados em duas tiras estreitas e finas, sobrepostas na forma de uma cruz e presas no centro, por meio de um suporte vertical.

Como se fossem pintadas, essas tiras foram cobertas em um de seus lados com uma substância alcalina, do tipo hidróxido de sódio, ou soda cáustica, que favoreceu a quebra de algumas das ligações entre os cristais da rede permitindo que as pontas da cruz se enrolassem firmemente e se encontrassem no centro, onde as lâminas estavam presas no suporte.

O lado tratado com a substância alcalina absorveu uma umidade que foi simulada pelos autores do projeto fazendo com que as pétalas se desenrolarem.

Quando o nível de umidade reduziu, lançaram uma luz sobre a flor, e as pétalas se dobraram novamente.

Desta forma, dá para dizer que a flor desabrocha durante a noite, e se fecha quando a luz atinge suas pétalas.

Analogamente, este cristal faz a vez de um robô basculante, que na espécie animal, pode ser comparada à íris do olho abrindo no escuro e fechando com a claridade.

Este é o exemplo de uma pesquisa moderna, muito promissora, que reproduz uma “pequena parte” de um órgão complexo que o nosso organismo faz com perfeição. No nosso caso, o olho foi criado, desenvolvido e aperfeiçoado com os milhares de anos que nos antecederam. Na ciência o homem está sempre criando o que é mais de moderno.

 

 

Os ratos são inocentes

F.M.T.

Aluno de 7º Ano do Ensino Fundamental do Colégio Positivo Master

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No século 14, a Europa foi infestada pela peste bubônica, surto este conhecido como peste negra.

O estudo, publicado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Science, registra a forma e a abrangência desta epidemia.

A estimativa é que a peste negra tenha matado 25 milhões de pessoas, ou seja, mais de um terço da população da Europa, que viveram no período compreendido entre 1347 e 1351.

Stenseth e seus colaboradores simularam diferentes formas de surtos da doença em várias cidades através de três situações: a dos ratos, por transmissão aérea e através das pulgas e piolhos que vivem em seres humanos e suas roupas.

Para Stenseth e outros, das nove cidades observadas, em sete delas o modelo do piolho se encaixou melhor. Indicaram que a praga se espalhou mais rapidamente e também atingiu um maior número de pessoas. Era improvável que a praga tivesse se espalhado tão rápido através da contaminação por ratos.

Este é um estudo, mas, o que eu gosto mesmo é o ponto de vista publicado no The International Journal of Psychiatry pelo psiquiatra Dr. Walmor J. Piccinini.

Ele nos conta que Khan Janipeg foi considerado, por muitos séculos, o pai da guerra biológica.

Em 1884, o bacilo denominado de Yersinia pestis teria vindo do interior da Ásia nos alforjes dos correios de Khan. Rapidamente a doença espalhou-se nas tropas tártaras matando centenas de soldados. Com a ideia de espalhar o mau cheiro aos genoveses, Khan atirava os cadáveres com as catapultas sobre os muros da cidade sitiada. O resultado eram mortes dos dois lados dos combates. Os que conseguiram escapar acabaram sendo os agentes transmissores da doença para a Europa, contaminando Constantinopla, Sardenha, Genova e Marselha.

De todas as formas, como a medicina era pouco evoluída na época, tentava-se curar os pacientes com técnicas de sangramento, queima de ervas aromáticas e banho com água de rosas ou vinagre. Obviamente que não era eficaz.

Na verdade, essa doença era considerada obra do diabo e a praga era um castigo dividido pelos pecados cometidos, como a ganância, luxúria e blasfêmia.

Um mau que matava em poucas semanas era antecedido de febre alta, calafrios, vômitos, convulsão, caroços nas axilas e virilha acompanhados das cores esverdeadas e azuis, que era a gangrena, de tosse com pus e sangue, hemorragia em vários órgãos e diarreia.

Como se não bastasse, o terror na população era acompanhado pelos médicos da época. Na verdade, não propriamente os médicos, mas sim suas vestes que causavam o pânico, as quais foram criadas por Charles de Lorme em Paris e que logo se espalharam por toda a Europa. O traje de proteção consistia em um sobretudo de tecido pesado, que era encerado, uma máscara com olhos de vidro e um nariz em forma de cone, como um bico para segurar substâncias aromáticas e palha. Também usavam um chapéu de aba e assim o médico da peste negra estava identificado. Hoje em dia é comum na Europa a venda desses modelos de máscara para os turistas.

Atualmente, essa praga ainda é endêmica em alguns países das Américas, África e Ásia. A Organização Mundial de Saúde (OMS) registrou entre 2010 a 2015, 3.248 casos da doença no mundo com 584 óbitos. Quando não tratada a mortalidade pode chegar a até 60% dos casos.

No início o sintoma é de gripe comum, mas depois afeta os nódulos linfáticos e causa gangrena.

A higiene e a saúde coletiva são as melhores formas de prevenção.

 

A difícil missão de inventar

 

Sergio Mazurek Tebcherani

Doutor em Química pela UNESP

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Em 1948, Bernard Silver era aluno do Drexel Institute of Technology.

Silver escutou nos corredores do Instituto, um CEO de uma cadeia de supermercados solicitando a um colega seu, o desenvolvimento de uma metodologia para capturar informações dos produtos que passassem pelo caixa.

Seu colega declinou do pedido, porém Silver discutiu essa ideia com Joseph Woodland, que era professor no Drextel Institute. O desafio foi fascinante para ambos.

Primeiramente criaram padrões com uma tinta que brilhava quando exposta à luz ultravioleta. Mas o custo se mostrou impraticável e a tinta não durava por muito tempo.

Mas Woodland acreditava que o caminho a ser seguido era esse mesmo e retirou-se para o apartamento de seu avô, na Florida, para desenvolvimento do produto. Após meses de trabalho criou o código de barras linear combinando o código Morse a as bandas sonoras dos filmes.

Em 1949, Woodland iniciou o pedido de patente enquanto Silver estudava a forma final que o código deveria ter.

Em 1951, Woodland foi trabalhar na IBM na esperança de viabilizar sua patente. Estava criado um código de barras bastante rudimentar, que operava com uma lâmpada incandescente de 500 watts, um tubo fotomultiplicador de cinema e um osciloscópio, que era o leitor. O calor e a luz intensa da lâmpada utilizada jogavam contra aquela brilhante ideia.

No ano seguinte, a patente foi concedida e Woodland expôs sua criação para a IBM. A resposta foi que a tecnologia necessária para o funcionamento em larga escala era algo para viabilizar no futuro.

O retorno da IBM foi sorumbático para os inventores que tinham num total, 17 anos para explorar o comércio da patente e algum tempo já havia passado.

Mesmo assim, a IBM tentou comprar a patente por várias vezes, mas Silver e Woodland achavam pouco o valor da proposta e, em 1962, a Philco oferecia o valor que os inventores consideravam justo. Em 1971 a patente foi vendida à RCA e estava pronta para ser usada com a acessibilidade da tecnologia do laser e dos computadores.

Finalmente a patente amadureceu e as regras foram criadas. O código de barras tinha que ser claro e legível de vários ângulos e distância, as etiquetas dos códigos deveriam ser produzidas com facilidade, baixo custo, durabilidade e serem impressas aos milhões e os leitores deveriam se pagar em no máximo de dois anos e meio. Em 1973 foi homologado a partir dessas regras o standard do Código de Barras GS1.

Às 8 horas e 1 minuto do dia 26 de junho de 1974, em Ohio, EUA, um cliente americano comprou no supermercado Marsh’s uma goma de mascar Wrigley’s Juicy Fruit por meio do código de barras GS1 do produto. Assim foi registrada a primeira compra com código de barras do mundo.

No Brasil, somente em 1984 o código de barras foi implantado.

Quer ser um leitor de código de barras? Vamos lá: os três primeiros dígitos representam o país de fabricação do produto; os quatro próximos identificam a empresa; os cinco seguintes identificam o produto; e o último certifica matematicamente os doze números que o antecederam.

Mesmo que um pouco desatualizado, depois deste artigo já posso me considerar um leitor!

A inteligência do homem hoje desenvolve as fábricas inteligentes do amanhã

Daiane Maria De Genaro Chiroli

Doutora em Engenharia de Produção pela UFSC

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Na semana passada abordamos o tema: Indústria 4.0: idade da loba. Foi uma abordagem inicial sobre o pensamento de como estão as indústrias brasileiras frente a essa revolução que marca as mudanças em vários cenários econômicos de nosso país. Neste texto fizemos alguns questionamentos: (1) Será que muitas empresas estão na indústria 4.0? (2) Ou na crise da indústria 4.0? (3) Você conhece a inteligência artificial? (4) A internet das coisas? (5) O cloud computing? (6) Qual inovação você e sua empresa tem desenvolvido? (7) Você e sua empresa estão preparados para isso?

Fizemos essa série de questionamentos por saber que a indústria 4.0 representa o grande desafio para a indústria brasileira, e que pode oportunizar crescimento para o nosso país. Temos potencial para isso! E para tal, as estratégias devem ser traçadas agora para que possamos construir as indústrias do futuro.

A indústria do futuro necessita de conhecimentos. Ela precisa saber que tal inovação gera a otimização de recursos e com isso, um aumento de produtividade e competividade. Um atendimento com mais facilidade às demandas dos clientes favorece a análise de dados, permitindo com isso processos mais ágeis, flexíveis e eficientes, repercutindo na produção de bens de maior qualidade a custos reduzidos.

Assim, a indústria 4.0, também denominada por “Fábricas Inteligentes” ou objetos “Smart”, pode ser definida como uma nova abordagem industrial, que combina um grande número de tecnologias com a internet, permitindo a comunicação entre humanos, máquinas e produtos por meio de grandes redes, conhecidas por Cyber-Physical-Systems (CPS) ou sistemas ciberfísicos. Estes sistemas integram o mundo físico com o digital e o biológico, permitindo sistemas de produção mais autônomos e dinâmicos.

Nestes sistemas ciberfísicos, a inteligência artificial, por meio de programação de softwares e robôs, simula a capacidade de raciocínio do homem, facilitando a tomada de decisão e resolução de problemas, isso, conectado à internet, permite a aquisição de dados precisos e confiáveis ​​das máquinas e seus componentes.

Com a aquisição de dados, há meios de conversão que permitem gerenciar e analisar informações em nível cibernético, com capacidade de autocomparação e meios de identificar melhorias no desempenho organizacional. Tal implementação gera conhecimento, que apoia a decisão correta a ser tomada. Simples assim!

Só que não! Para implementar toda essa sistemática, é preciso saber onde e como executar tal tecnologia nas indústrias, e para tal, se faz necessário realizar uma autoavaliação. E as perguntas que fizemos anteriormente deverão ser respondidas: Qual inovação você e sua empresa tem desenvolvido? E que tecnologia de processo, produto, de sistemas de informação, e de organização há em sua empresa? Sua empresa possui maturidade tecnológica?

Para responder a estes questionamentos, busque seu próprio feedback para desenvolver seu protótipo de indústria 4.0. Como? Identifique suas demandas e as tecnologias necessárias para sua digitalização e modernização. Desenvolva parceiros tecnológicos e cobre por parte do governo incentivos para a modernização de seu parque industrial e no avanço para implementação de metodologias de alta tecnologia no âmbito brasileiro.

Indústria 4.0: idade da loba?

Daiane Maria De Genaro Chiroli

Doutora em Engenharia de Produção pela UFSC

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Homens e mulheres, ao chegarem aos 40 anos de idade, geralmente avaliam suas vidas, muitos divulgam que chegaram na idade da(o) loba(o) ou nos 4.0. Isso faz parte da revolução que ocorre com o indivíduo, pois, em cada etapa de sua vida há marcos que são extremamente importantes e descrevem o sucesso ou insucesso de suas escolhas, que fazem os indivíduos entrarem em crises que podem ser determinantes para mudanças de sua qualidade de vida.

Se fizermos uma analogia de nossas vidas com as empresas, elas também passam por marcos e crises. Marcos de crescimento e de mudanças tecnológicas. Esses acontecimentos e mudanças podem ser descritos pelas revoluções industriais, onde o desenvolvimento das indústrias e a criação da máquina a vapor fizeram com que a vida de milhões de pessoas se modificasse, pois a esfera do trabalho se transformou e aconteceram revoluções por direitos trabalhistas. Essa divisa trouxe à tona a importância da engenharia para os ambientes industriais. E com a evolução, novas tecnologias se tornaram fatos determinantes para o desenvolvimento dos países.

Dentre as tecnologias, podemos citar a automação, a propulsão de máquinas, a melhoria dos sistemas de transporte, a eletricidade, a tecnologia de informação, como sistemas integrados, entre outros que foram fundamentais para melhoria de nossas vidas.

Em tempos atuais, temos no auge midiático a tal Revolução 4.0! Será que a indústria 4.0 é a idade da loba das indústrias? Ou será apenas um novo termo da moda?
Pois é, a indústria 4.0 está chegando com tudo e fazendo com que muitas organizações olhem para si e para o mundo com um novo olhar, e acredito que este seja o olhar da mudança, o olhar do progresso!

E neste olhar para o desenvolvimento há a junção de todas as revoluções industriais e o incremento de maturidade, que é observada por homens e mulheres ao atingirem a sua chegada à idade 4.0. É um momento de derruir, onde se deixa para trás o passado, com a maturidade de fazer um novo futuro acontecer, condição que enxerga a velocidade do tempo e a necessidade de tomar decisões imediatas.

É, a velocidade com que as coisas acontecem são incríveis e causam impactos absurdos, os quais podem ser denominados por uma tal de Revolução 4.0. E como empresário, como industrial, deve-se mudar a forma de olhar o negócio, de desenvolver novas estratégias, de compreender a empresa com máquinas e não com pessoas, e de como estas podem se desenvolver em novas formas de trabalhar, em profissões inovadoras. Será que muitas empresas estão na indústria 4.0? Ou na crise da indústria 4.0?

Superar a crise é impactar o modo de fazer negócios, de como liderar. Para tal, há a necessidade de se atualizar, para poder responder às mudanças desse cenário econômico. Você conhece a inteligência artificial? A internet das coisas? O cloud computing? Qual inovação você e sua empresa têm desenvolvido? Você e sua empresa estão preparados para isso?

Se sua resposta for negativa, extraia do lobo o poder que há em si para liderar e desenvolver as habilidades necessárias para este novo cenário, que pode trazer impactos favoráveis e competitivos para toda e qualquer organização.