Grupo Nanoita
A difícil missão de inventar

 

Sergio Mazurek Tebcherani

Doutor em Química pela UNESP

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Em 1948, Bernard Silver era aluno do Drexel Institute of Technology.

Silver escutou nos corredores do Instituto, um CEO de uma cadeia de supermercados solicitando a um colega seu, o desenvolvimento de uma metodologia para capturar informações dos produtos que passassem pelo caixa.

Seu colega declinou do pedido, porém Silver discutiu essa ideia com Joseph Woodland, que era professor no Drextel Institute. O desafio foi fascinante para ambos.

Primeiramente criaram padrões com uma tinta que brilhava quando exposta à luz ultravioleta. Mas o custo se mostrou impraticável e a tinta não durava por muito tempo.

Mas Woodland acreditava que o caminho a ser seguido era esse mesmo e retirou-se para o apartamento de seu avô, na Florida, para desenvolvimento do produto. Após meses de trabalho criou o código de barras linear combinando o código Morse a as bandas sonoras dos filmes.

Em 1949, Woodland iniciou o pedido de patente enquanto Silver estudava a forma final que o código deveria ter.

Em 1951, Woodland foi trabalhar na IBM na esperança de viabilizar sua patente. Estava criado um código de barras bastante rudimentar, que operava com uma lâmpada incandescente de 500 watts, um tubo fotomultiplicador de cinema e um osciloscópio, que era o leitor. O calor e a luz intensa da lâmpada utilizada jogavam contra aquela brilhante ideia.

No ano seguinte, a patente foi concedida e Woodland expôs sua criação para a IBM. A resposta foi que a tecnologia necessária para o funcionamento em larga escala era algo para viabilizar no futuro.

O retorno da IBM foi sorumbático para os inventores que tinham num total, 17 anos para explorar o comércio da patente e algum tempo já havia passado.

Mesmo assim, a IBM tentou comprar a patente por várias vezes, mas Silver e Woodland achavam pouco o valor da proposta e, em 1962, a Philco oferecia o valor que os inventores consideravam justo. Em 1971 a patente foi vendida à RCA e estava pronta para ser usada com a acessibilidade da tecnologia do laser e dos computadores.

Finalmente a patente amadureceu e as regras foram criadas. O código de barras tinha que ser claro e legível de vários ângulos e distância, as etiquetas dos códigos deveriam ser produzidas com facilidade, baixo custo, durabilidade e serem impressas aos milhões e os leitores deveriam se pagar em no máximo de dois anos e meio. Em 1973 foi homologado a partir dessas regras o standard do Código de Barras GS1.

Às 8 horas e 1 minuto do dia 26 de junho de 1974, em Ohio, EUA, um cliente americano comprou no supermercado Marsh’s uma goma de mascar Wrigley’s Juicy Fruit por meio do código de barras GS1 do produto. Assim foi registrada a primeira compra com código de barras do mundo.

No Brasil, somente em 1984 o código de barras foi implantado.

Quer ser um leitor de código de barras? Vamos lá: os três primeiros dígitos representam o país de fabricação do produto; os quatro próximos identificam a empresa; os cinco seguintes identificam o produto; e o último certifica matematicamente os doze números que o antecederam.

Mesmo que um pouco desatualizado, depois deste artigo já posso me considerar um leitor!

A inteligência do homem hoje desenvolve as fábricas inteligentes do amanhã

Daiane Maria De Genaro Chiroli

Doutora em Engenharia de Produção pela UFSC

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Na semana passada abordamos o tema: Indústria 4.0: idade da loba. Foi uma abordagem inicial sobre o pensamento de como estão as indústrias brasileiras frente a essa revolução que marca as mudanças em vários cenários econômicos de nosso país. Neste texto fizemos alguns questionamentos: (1) Será que muitas empresas estão na indústria 4.0? (2) Ou na crise da indústria 4.0? (3) Você conhece a inteligência artificial? (4) A internet das coisas? (5) O cloud computing? (6) Qual inovação você e sua empresa tem desenvolvido? (7) Você e sua empresa estão preparados para isso?

Fizemos essa série de questionamentos por saber que a indústria 4.0 representa o grande desafio para a indústria brasileira, e que pode oportunizar crescimento para o nosso país. Temos potencial para isso! E para tal, as estratégias devem ser traçadas agora para que possamos construir as indústrias do futuro.

A indústria do futuro necessita de conhecimentos. Ela precisa saber que tal inovação gera a otimização de recursos e com isso, um aumento de produtividade e competividade. Um atendimento com mais facilidade às demandas dos clientes favorece a análise de dados, permitindo com isso processos mais ágeis, flexíveis e eficientes, repercutindo na produção de bens de maior qualidade a custos reduzidos.

Assim, a indústria 4.0, também denominada por “Fábricas Inteligentes” ou objetos “Smart”, pode ser definida como uma nova abordagem industrial, que combina um grande número de tecnologias com a internet, permitindo a comunicação entre humanos, máquinas e produtos por meio de grandes redes, conhecidas por Cyber-Physical-Systems (CPS) ou sistemas ciberfísicos. Estes sistemas integram o mundo físico com o digital e o biológico, permitindo sistemas de produção mais autônomos e dinâmicos.

Nestes sistemas ciberfísicos, a inteligência artificial, por meio de programação de softwares e robôs, simula a capacidade de raciocínio do homem, facilitando a tomada de decisão e resolução de problemas, isso, conectado à internet, permite a aquisição de dados precisos e confiáveis ​​das máquinas e seus componentes.

Com a aquisição de dados, há meios de conversão que permitem gerenciar e analisar informações em nível cibernético, com capacidade de autocomparação e meios de identificar melhorias no desempenho organizacional. Tal implementação gera conhecimento, que apoia a decisão correta a ser tomada. Simples assim!

Só que não! Para implementar toda essa sistemática, é preciso saber onde e como executar tal tecnologia nas indústrias, e para tal, se faz necessário realizar uma autoavaliação. E as perguntas que fizemos anteriormente deverão ser respondidas: Qual inovação você e sua empresa tem desenvolvido? E que tecnologia de processo, produto, de sistemas de informação, e de organização há em sua empresa? Sua empresa possui maturidade tecnológica?

Para responder a estes questionamentos, busque seu próprio feedback para desenvolver seu protótipo de indústria 4.0. Como? Identifique suas demandas e as tecnologias necessárias para sua digitalização e modernização. Desenvolva parceiros tecnológicos e cobre por parte do governo incentivos para a modernização de seu parque industrial e no avanço para implementação de metodologias de alta tecnologia no âmbito brasileiro.

Indústria 4.0: idade da loba?

Daiane Maria De Genaro Chiroli

Doutora em Engenharia de Produção pela UFSC

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Homens e mulheres, ao chegarem aos 40 anos de idade, geralmente avaliam suas vidas, muitos divulgam que chegaram na idade da(o) loba(o) ou nos 4.0. Isso faz parte da revolução que ocorre com o indivíduo, pois, em cada etapa de sua vida há marcos que são extremamente importantes e descrevem o sucesso ou insucesso de suas escolhas, que fazem os indivíduos entrarem em crises que podem ser determinantes para mudanças de sua qualidade de vida.

Se fizermos uma analogia de nossas vidas com as empresas, elas também passam por marcos e crises. Marcos de crescimento e de mudanças tecnológicas. Esses acontecimentos e mudanças podem ser descritos pelas revoluções industriais, onde o desenvolvimento das indústrias e a criação da máquina a vapor fizeram com que a vida de milhões de pessoas se modificasse, pois a esfera do trabalho se transformou e aconteceram revoluções por direitos trabalhistas. Essa divisa trouxe à tona a importância da engenharia para os ambientes industriais. E com a evolução, novas tecnologias se tornaram fatos determinantes para o desenvolvimento dos países.

Dentre as tecnologias, podemos citar a automação, a propulsão de máquinas, a melhoria dos sistemas de transporte, a eletricidade, a tecnologia de informação, como sistemas integrados, entre outros que foram fundamentais para melhoria de nossas vidas.

Em tempos atuais, temos no auge midiático a tal Revolução 4.0! Será que a indústria 4.0 é a idade da loba das indústrias? Ou será apenas um novo termo da moda?
Pois é, a indústria 4.0 está chegando com tudo e fazendo com que muitas organizações olhem para si e para o mundo com um novo olhar, e acredito que este seja o olhar da mudança, o olhar do progresso!

E neste olhar para o desenvolvimento há a junção de todas as revoluções industriais e o incremento de maturidade, que é observada por homens e mulheres ao atingirem a sua chegada à idade 4.0. É um momento de derruir, onde se deixa para trás o passado, com a maturidade de fazer um novo futuro acontecer, condição que enxerga a velocidade do tempo e a necessidade de tomar decisões imediatas.

É, a velocidade com que as coisas acontecem são incríveis e causam impactos absurdos, os quais podem ser denominados por uma tal de Revolução 4.0. E como empresário, como industrial, deve-se mudar a forma de olhar o negócio, de desenvolver novas estratégias, de compreender a empresa com máquinas e não com pessoas, e de como estas podem se desenvolver em novas formas de trabalhar, em profissões inovadoras. Será que muitas empresas estão na indústria 4.0? Ou na crise da indústria 4.0?

Superar a crise é impactar o modo de fazer negócios, de como liderar. Para tal, há a necessidade de se atualizar, para poder responder às mudanças desse cenário econômico. Você conhece a inteligência artificial? A internet das coisas? O cloud computing? Qual inovação você e sua empresa têm desenvolvido? Você e sua empresa estão preparados para isso?

Se sua resposta for negativa, extraia do lobo o poder que há em si para liderar e desenvolver as habilidades necessárias para este novo cenário, que pode trazer impactos favoráveis e competitivos para toda e qualquer organização.

 

Darwin, muito mais do que uma banda de uma música só

Giovani Marino Favero

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UEPG

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Escutando uma das minhas bandas favoritas, Blind Melon, fiquei pensando no bônus e no ônus que uma música muito difundida faz. Em 1993 a música No Rain foi por meses a mais tocada no mundo, fazendo com que o disco da banda vendesse mais de 2 milhões de cópias em pouco tempo. Essa canção é muito escutada e curtida até hoje, porém, para quem resolveu conhecer melhor o grupo musical, muita coisa boa ficou deixada para trás.

No Brasil esse fato é muito comum também; bandas como Los Hermanos, que possuem um acervo maravilhoso, mas são conhecidas apenas pela Ana Júlia. Poderia escrever aqui mais de 20 situações iguais, mas vamos à ciência.

Um dos maiores pesquisadores da Biologia, que modificou a maneira de pensar e fazer ciência, Charles Darwin, ficou conhecido principalmente pela sua melhor “canção”: A Origem das Espécies, publicado no dia 24 de novembro de 1859 com tiragem de 1.250 exemplares, em Londres, esgotando-se imediatamente.

A população em geral acredita que a vida desse importante cientista ficou restrita ao estudo da evolução, porém muitas outras pesquisas de importância ímpar foram desenvolvidas e que podem ser utilizadas como auxiliar em aulas práticas escolares até os dias de hoje.

Particularmente, gosto muito dos estudos sobre as minhocas desenvolvido por ele no livro The Formation of Vegetable Mould through the Action of Worms, with Observations on their Habits (A Formação da Camada Superficial do Solo pela Ação de Minhocas, com Observações sobre os seus Hábitos), último livro de Darwin, publicado em outubro de 1881, um ano antes de sua morte, e derivado de aproximadamente quatro décadas de estudos sobre a modificação do solo, capacidade auditiva, sensibilidade ao calor e possível cognição das minhocas.

Os relatos contam que a primeira inquietude em relação ao assunto foi quando ele constatou que em uma primavera por volta do ano de 1837 uma área plantada com grama foi coberta com areia e após dois anos a areia encontrava-se 2 cm abaixo da superfície.

Assim ele resolver investigar e focou nas minhocas. Em um de seus experimentos, que pode ser facilmente reproduzido, ele colocava camadas de diferentes tonalidades de terra, areia, e cobria com folhas e material orgânico, após um período relativamente curto, as minhocas promoviam uma mistura de todo material e a divisão nítida inicial era perdida. Utilizando esse mesmo sistema, ele testou a preferência apetitosa dos bichinhos e constatou que as minhocas preferiam cerejas selvagens e cenoura do que gordura animal. Ele testou também se ocorria alguma alteração no comportamento delas conforme o tipo e intensidade de sons, porém concluiu que apenas as vibrações derivadas poderiam modificar algo, isso após colocar seu experimento sobre a tampa de um piano em execução.

O seu texto deixa claro a importância das minhocas na mistura e fertilidade do solo, como um microarado. Outra constatação importante é a remodelação da superfície e das montanhas devido ao intenso trabalho desses seres. E, finalizando, ele estudou alguma possível atividade cognitiva delas, após observar aleatoriamente a captação de folhas pelas minhocas e levadas em direção à parte interior do solo. O seu experimento consistia no corte de mais de 300 papéis em forma de triângulo, anotando em qual porção a maioria dos eventos de carregamento do papel era realizado. Interessantemente, 60% dos papéis conduzido pelas minhocas foi pelo ápice do triângulo.

Bom, existem outras “canções” desse “artista”, se foi desperto o interesse em novas melodias sugiro pesquisar sobre o estudo das plantas carnívoras feitas por ele também.

ABRACE...

Gilberto Baroni

Professor do Departamento de Medicina e diretor técnico do Hospital Universitário da UEPG

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A origem da palavra hospital é a mesma de hospedar. Vem do latim hospitalis – casa que hospeda. Surgiram para hospedar doentes e também peregrinos, estando historicamente ligados a instituições religiosas. Na península ibérica, em particular em Portugal, surgiram as Santas Casas, que são irmandades destinadas a acolher doentes. Desde muito cedo, já no século XV, este modelo de organização foi trazido para o Brasil. Em Ponta Grossa, embora mais tardiamente, também foi constituída uma irmandade com o objetivo de atender aos doentes, sendo em 1907 iniciada a construção, e em 1912 o início do funcionamento da Santa Casa de Ponta Grossa. A construção e o custeio deste tipo de hospital era feito pela própria comunidade que, movida pela caridade ou pela necessidade de garantir um local para o próprio atendimento, arcava com os custos.

O tempo passou e a complexidade do atendimento médico-hospitalar cresceu. Foram criados os Institutos de Aposentadoria, depois fundidos no INPS e seus sucedâneos. Estes órgãos passaram a pagar pelo atendimento à saúde de seus segurados, incluindo as internações hospitalares. Com a Constituição de 1988 e a criação do SUS, todos os brasileiros passaram e ter direito ao atendimento médico-hospitalar gratuito. O que foi ótimo, sendo referência mundial em termos de conceito. No entanto, isto criou dois problemas: como custear um sistema tão abrangente, e um segundo, um afastamento do custeio das comunidades nos hospitais. Criou-se o conceito equivocado que o problema da saúde é apenas do governo. O feito perverso da estatização foi uma queda no senso de comunidade e de responsabilidade mútua.

Mas, nem todos pensam assim. Algumas comunidades apoiam fortemente seus hospitais. São reconhecidos o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, ambos em São Paulo. Os dois, embora contem com fontes de recursos variados, têm também um investimento dos seus mantenedores. Não é por acaso que são ilhas de excelência, não apenas no atendimento médico-hospitalar, mas também em pesquisa e inovação. O Einstein, por exemplo, tem extensa linha de pesquisa, com interesse no tratamento do câncer, em nanotecnologia, imunologia, entre outros. Do mesmo modo o Sírio-Libanês, que tem programas de residência médica e multiprofissional, além de programas de mestrado e doutorado.

Se eles fazem, por que nós não podemos fazer? Obviamente que ninguém vai propor uma volta no tempo. O atendimento universal dado pelo Estado é fundamental, mas é notório que o setor hospitalar precisa contar com outras fontes de renda, senão para o custeio, ao menos como fonte adicional de recursos, como, por exemplo, para pesquisas ou no atendimento complementar aos pacientes e familiares.

Vendo esta necessidade, em Ponta Grossa, um grupo de pessoas, oriundas das mais diversas áreas, criou uma nova instituição:

A ASSOCIAÇÃO ABRACE O HOSPITAL UNIVERSITÁRIO REGIONAL DOS CAMPOS GERAIS WALLACE THADEU DE MELLO E SILVA – “ABRACE O HU”.

A instituição hospitalar é capaz de aglutinar forças e representar as aspirações dos presentes junto ao Poder Público e a iniciativa privada.

A associação tem como objetivos atuar, fomentar e promover a organização e execução direta ou indireta de projetos, programas ou plano de ação e de doação de recursos físicos, humanos e financeiros, bem como de todas as ações voltadas para a saúde a ele vinculadas, voltadas em prol dos usuários, estudantes e servidores do hospital. Também se destina na captação de recursos financeiros ou intermedia a doação de materiais e outras necessidades para pacientes ou para ampliações em todas as unidades e serviços do HU. Celebra convênios ou parcerias para captar e receber recursos ou doações. Promove e apoia projetos educacionais, culturais, esportivos, assistenciais à saúde voltados para a comunidade ou o acolhimento de familiares/acompanhantes de pacientes do HU. Desenvolve atividades e projetos relacionados à promoção e saúde em geral, de modo a contribuir com a plena disponibilização e livre acesso aos meios e fontes de cultura e exercício desses direitos em prol dos usuários do HU.

Conheça esta iniciativa, abrace esta ideia e este movimento. Faça diferença na sua vida e na dos outros. Resgatemos o senso de responsabilidade e de comunidade que o mundo moderno tenta nos tirar. Vamos juntos abraçar o HU.

A guerra das correntes

Sergio Mazurek Tebcherani

Doutor em Química pela UNESP

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Na semana passada falamos de algumas peculiaridades de Nikola Tesla, porém, o que mais nos chama a atenção na trajetória deste cientista ficou reservado para este artigo.

Por volta do ano de 1880, Thomas Edison, aquele cientista conhecido como inventor da lâmpada, chamou Tesla para solucionar problemas relacionados à corrente contínua (DC) aplicada em geradores e motores. Caso Tesla chegasse à solução do problema, havia sido acordado por Edison o pagamento de 50 mil dólares pelo serviço. Corrigindo esse valor para os dias de hoje, corresponderia algo próximo a 1 milhão de dólares.

Após encontrar os resultados do problema proposto, Tesla foi cobrar os 50 mil dólares de Edison e a resposta foi a seguinte:

− Tesla, você não entende o humor americano?

Evidentemente que esses valores nunca foram pagos para Tesla, mas, nem por isso suas pesquisas foram abaladas.

Hoje, a luz elétrica faz parte de nosso cotidiano em decorrência à corrente alternada (AC) desenvolvida por Tesla, quando trabalhou na Westinghouse e criou a primeira linha de transmissão de corrente elétrica do mundo. Com isso, recebeu 1 milhão de dólares e mais 2,50 dólares de royalties por HP potência que fossem gerados.

Porém, naquela época, estratégias erradas adotadas pela Westinghouse colocou a empresa à beira da falência e para que centenas de famílias não perdessem seus empregos, Tesla rasgou o contrato, abrindo mão da fortuna que teria para receber.

Atualizando os valores, este contrato corresponderia a algo próximo a alguns trilhões de dólares.

No mesmo tempo que os problemas financeiros apareciam, Tesla recebia um ferrenho combate às suas ideias de corrente alternada feito por Thomas Edison. A campanha era que a corrente AC era ineficiente e perigosa. Na verdade, o sistema AC poderia tirar de circulação o sistema DC que era patente de Edison e era o padrão adotado nos Estados Unidos. Nesta guerra das correntes, Edison amargaria um prejuízo monstruoso caso seu sistema fosse substituído.

Uma estratégia adotada por Edison foi pagar 25 centavos de dólar para cada cachorro ou gato vivo que uma criança levasse para ele.

Em público, Edison matou eletrocutados todos os animais que havia comprado. Também provou que a corrente AC poderia matar cavalo e elefante.

A comunidade norte-americana ficou tão sensibilizada que passaram a adotar a corrente AC na execução de condenados à pena de morte.

Após toda a briga que Tesla teve com Edison, seu laboratório pegou fogo e ali muitas de suas pesquisas foram queimadas. Coincidentemente o que resistiu ao incêndio foi, por acaso, destruído por trator.

Nesta época, Tesla tinha a pretensão de implantar luz gratuita à comunidade.

Mas, não fique indignado com Thomas Edison. Guilherme Marconi, com pequenas modificações na patente de transmissão de rádio de Tesla, ficou mundialmente famoso por realizar a primeira transmissão de mensagem transatlântica da história. Isso rendeu a Marconi um prêmio Nobel que, na verdade, deveria ser de Tesla.

Assim foi uma faceta da vida de Tesla e, em 1943 viria a falecer, pobre e no ostracismo.

Algumas reflexões me fazem pensar sobre esse artigo.

A primeira é que se Tesla tivesse optado em constituir uma família, certamente seu lado financeiro e as tramas contra ele estariam melhores defendidas.

Para o leitor, qual é o nome mais conhecido: Thomas Edison ou Nikola Tesla? Muitas vezes somos assim mesmo, preferimos acreditar na lábia do malandro do que defender a sabedoria do correto – como não somos gênios, nos identificamos melhor, nos inserimos no discurso e a vida fica menos monótona!

O homem que iluminou o mundo

Sergio Mazurek Tebcherani

Doutor em Química pela UNESP

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Nascido em 1856, na região que hoje é a Croácia, Nikola Tesla estudou engenharia elétrica na Universidade de Praga até o terceiro ano e desistiu do curso após assistir às aulas.

Solteiro por convicção, afirmava que sozinho poderia aproveitar melhor suas habilidades científicas.

Tinha fluência em oito idiomas, sendo eles, o sérvio, o checo, o alemão, o húngaro, o latim, o italiano, o francês e o inglês.

Dotado de memória fotográfica exepcional, decorava livros inteiros lendo-os apenas uma única vez. Das suas habilidades não convencionais, era capaz de enxergar clarões de luz que o cegavam momentaneamente, além de ter alucinações que, para ele, eram fontes de ideias.

Porém, nada era comparado com a capacidade que tinha de ver, em seus pensamentos, o funcionamento das máquinas que idealizava, antes mesmo da elaboração dos projetos.

Exemplo disso foi o invento revolucionário do motor elétrico de corrente alternada. O projeto foi desenvolvido mentalmente, sem que fosse criado um protótipo sequer. Questinado se aquilo ia dar certo, ele respondeu: "Eu vejo funcionando". Naquela época, um motor de corrente elétrica alternada era tão fictício quanto pensar no teletransporte hoje em dia.

Havia sido diagnosticado com transtorno obsessivo compulsivo (TOC), seu sono era limitado a apenas duas horas por noite, na forma de cochilos.

Como se não bastasse, era dotado de inúmeras manias e fobias, do tipo, não tocar em cabelos, odiar pérolas e a que eu acho a melhor: associava seus atos ao número 3. Quarto de hotel? Só aqueles que o número pudesse ser divisível por 3. Era misofóbico, tinha medo patológico do contato com a sujeira, fonte de contaminação e germes. Para sua alimentação ele limpava cada utensílio utilizando 18 guardanapos, múltiplo de 3, lógico!

Porém, na contramão dessas manias, ele adorava pombos. Além de os alimentar, os levava para seus aposentos para cuidar deles.

Em um de seus primeiros empregos, como chefe dos eletricistas na National Telephone Co., criou o primeiro alto-falante do mundo.

Durante sua vida, obteve mais de 300 registros de patentes em seu nome, sendo dois desses também no Brasil.

Devido à sua genialidade, todas as suas ideias funcionavam, afinal, ele já havia testado em sua mente. Porém, para os demais, as ideias eram apenas papel e por isso não eram bem-aceitas.

Esteve envolvido e, mesmo que no anonimato, cabe a Tesla algumas descobertas que revolucionaram o mundo, são elas: a bobina de Tesla, transmissor de ampliação elétrica, a turbina de Tesla, a radiografia, o rádio, as lâmpadas de neon, o motor de indução, um barco controlado por ondas de rádio e, dentre tantas outras, a principal: a corrente alternada.

A corrente de energia AC, dominante no mundo todo, envolve uma trama sem tamanho com o famoso Thomas Edison. Algo que chega a ser desumano. Essa é uma longa história que vamos contar na próxima semana.

Molhadores de dedos e o aspartame

Giovani Marino Favero

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UEPG

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Recentemente entrei em uma loja de materiais de escritório para olhar o que havia de novo, passar um tempo sem compromisso, e me deparei com a promoção de Molhadores de Dedos ao custo de 6 reais. Pensei rapidamente em várias coisas, primeiro na burocracia e nos inúmeros profissionais, principalmente de cartórios e do sistema judiciário, que vivem ilhados em papéis diariamente. Com certeza uma espuma com água e glicerina poupariam a língua desses e de vários outros que trabalham folheando páginas e mais páginas rotineiramente.

Na minha cadeia de pensamentos constatei que nunca vi esse tipo de instrumento na casa ou no escritório de indivíduos leitores assíduos, essa é a turma do lambe-dedo mesmo. Realmente, lamber o dedo para virar as páginas é um gesto pouco higiênico, mas o pior é a abertura dos sacos de compras por empacotadores com o mesmo hábito.

No livro e filme “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco, alguns monges foram assassinados por venenos colocados nas pontas das páginas de alguns livros proibidos e o costume de lamber o dedo foi o grande impulsionador para esse efeito fulminante.

Na década de 1960, um projeto que visava a descoberta de um novo inibidor para a gastrina e, consequentemente, o tratamento de úlceras estomacais, pela empresa G.D. Searle and Company, necessitava de uma série de reações químicas. Um dos principais químicos executores do projeto era James M. Schlatter.

Durante um dos processos químicos, Schlatter aquecia um composto em um recipiente contendo metanol, quando, devido ao calor, a mistura borbulhante caiu sobre as bordas do frasco e na mão do pesquisador.

Passado algum tempo, James levou os dedos à boca para folhear um livro e sentiu um sabor extremamente doce, a substância que provocava essa sensação de doçura era o aspartame, uma substância edulcorante que dava a percepção mais de cem vezes doce do que a sacarose.

Esse costume foi o fator de acaso na geração de um produto que arrecada cerca de 2 bilhões de dólares por ano, o aspartame.

 

Pesquisa e Eleição

Gilberto Baroni

Professor do Departamento de Medicina e diretor técnico do Hospital Universitário da UEPG

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Durante o período eleitoral um assunto é trazido ao noticiário: a pesquisa. Quase diariamente o assunto é abordado na imprensa. Conceitos da estatística, como tamanho da amostra, margem de erro e intervalo de confiança, são comentados pelos apresentadores e comentaristas políticos. O tema pesquisa figura junto com os temas da economia e passa a fazer parte do dia a dia de todos os brasileiros. Passamos a discutir a confiabilidade das mesmas, se são válidas ou não, se foram feitas de modo correto, se representam verdadeiramente a opinião dos eleitores. Será que somente sobre este tipo de pesquisa é que deveríamos discutir?

Nas entrevistas com os candidatos os temas predominantes são Economia, Segurança, Saúde e Educação. Neste quesito sempre se pergunta sobre acesso e qualidade do ensino, remuneração dos professores, ensino gratuito. Nas matérias de jornais, nas entrevistas com os candidatos, nas perguntas dos eleitores, no entanto, falta um tema primordial: a Pesquisa Científica. Perguntas sobre este assunto nunca são feitas, seja pela população geral, o que é facilmente compreensível, seja pelos jornalistas, o que seria espantoso, não fosse a baixa compreensão, generalizada no Brasil, do que é a Pesquisa Científica e sua importância.

Sem a ciência e seus métodos estaríamos vivendo em condições muito próximas daquelas da Idade Média. Televisão, telefones celulares e internet, por exemplo, não surgiram do nada. A criação destas ferramentas só foi possível pela conjunção de esforços de centenas, quiçá milhares de pesquisadores.

O Brasil não será um país de futuro se não investir em pesquisa, pois o mundo de amanhã é construído em Laboratórios de Pesquisa, ligados ou não, às Universidades. Fontes de financiamento, integração de instituições, ética em pesquisa, seriam itens fundamentais a serem discutidos, não apenas por candidatos, mas por todo o país, e não somente no período eleitoral, mas de modo permanente.

A pesquisa científica tem a capacidade de transitar através dos conceitos básicos até os mais tecnológicos. Com ela, se desenvolve do básico ao mais refinado, do mais simples ao mais complexo. Pode ser desenvolvida em um único conhecimento até mesmo na multidisciplinaridade. Faz o elo entre o passado, o presente e o futuro e somente a pesquisa científica é capaz de trazer o futuro para o presente.

Pesquisa científica é a ferramenta estratégica de soberania de uma nação frente às nações que pouco investem neste quesito. Por este motivo, o investimento em pesquisa científica é o resultado de uma política inteligente, basta olhar para os “TOP 10” em investimentos: Israel, Finlândia, Coreia do Sul, Japão, Suécia, Dinamarca, Suíça, Alemanha, EUA e Áustria.

Recentemente perdemos um grande museu, morto pela falta de zelo com nosso passado. Se quisermos mesmo ser um país de futuro, temos que discutir a Pesquisa no Brasil. O que seremos se não cuidarmos do passado e não construirmos o futuro?

 

OS JETSONS

Thiago Sequinel

Doutor em Química pela UNESP

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Em 1964, a edição de “The Chemical Industry Facts” foi publicada pela “Manufacturing Chemists’ Association” e trazia uma espécie de previsões científicas para o futuro dos Estados Unidos da América.

Passaram-se 54 anos e já podemos nos considerar no futuro. Mesmo não estando nos EUA o leitor pode avaliar se as previsões se concretizaram ou não. Foram elas:

− Poderão ser geradas imagens televisivas e sua transmissão ocorrerá para o mundo todo.

− Será possível controlar o tempo e o clima no mundo.

− Aparecerão muitos alimentos sintéticos.

− As casas, em sua maioria, serão construídas de plásticos e adesivos.

− As vigas feitas de calcário, água do mar e ar serão mais fortes do que as de aço.

− As roupas serão leves e receberão tratamento para proteger do frio, calor e agentes tóxicos.

− A agricultura poderá ser feita em terras pobres.

− Serão desenvolvidas substâncias químicas para controlar a hereditariedade e o comportamento animal.

− Haverá a descoberta de medicamentos para cura e prevenção de muitas doenças comuns na infância e na velhice.

− Serão desenvolvidos produtos químicos para adicionar no solo tornando-os à prova de água e com resistência para permitir a passagem de vários tipos de transporte.

− Os alimentos poderão ser obtidos do oceano.

− Criarão tintas neutras, automotivas, de cor branca, e com pigmento sensível à luz que adquire a cor que se deseja quando exposto à radiação eletromagnética.

− As casas serão iluminadas, aquecidas ou refrigeradas por intermédio de painéis plásticos especiais.

− Haverá reproduções fiéis de esculturas com espécies de plásticos.

− Existirão plásticos bons condutores de eletricidade para muitos usos especiais.

− Os automóveis não terão motor. A potência será fornecida por cilindros abastecidos de hidrogênio e oxigênio fixados diretamente nas rodas.

− Terão analgésicos que não viciam e mais poderosos que a morfina.

− Existirão revestimentos em plástico tão oleosos para máquinas que não haverá a necessidade de lubrificá-las.

− As coberturas plásticas para as casas e quintais permitirão um controle do clima durante todo o ano.

− As cargas de canetas terão um sólido químico que, combinado com o nitrogênio presente no ar, produzirá um fluido com as propriedades da tinta.

− Existirão rádios funcionando com a energia solar e do tamanho de um relógio.

− Nos relógios existirão um circuito eletrônico e pilhas em miniaturas.

Não é de se duvidar que essas previsões tenham sido inspiradas no desenho animado “Os Jetsons” da produtora Hanna-Barbera. Porém, podem ter sido uma diretriz para o rumo da ciência.