Grupo Nanoita
ABRACE...

Gilberto Baroni

Professor do Departamento de Medicina e diretor técnico do Hospital Universitário da UEPG

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A origem da palavra hospital é a mesma de hospedar. Vem do latim hospitalis – casa que hospeda. Surgiram para hospedar doentes e também peregrinos, estando historicamente ligados a instituições religiosas. Na península ibérica, em particular em Portugal, surgiram as Santas Casas, que são irmandades destinadas a acolher doentes. Desde muito cedo, já no século XV, este modelo de organização foi trazido para o Brasil. Em Ponta Grossa, embora mais tardiamente, também foi constituída uma irmandade com o objetivo de atender aos doentes, sendo em 1907 iniciada a construção, e em 1912 o início do funcionamento da Santa Casa de Ponta Grossa. A construção e o custeio deste tipo de hospital era feito pela própria comunidade que, movida pela caridade ou pela necessidade de garantir um local para o próprio atendimento, arcava com os custos.

O tempo passou e a complexidade do atendimento médico-hospitalar cresceu. Foram criados os Institutos de Aposentadoria, depois fundidos no INPS e seus sucedâneos. Estes órgãos passaram a pagar pelo atendimento à saúde de seus segurados, incluindo as internações hospitalares. Com a Constituição de 1988 e a criação do SUS, todos os brasileiros passaram e ter direito ao atendimento médico-hospitalar gratuito. O que foi ótimo, sendo referência mundial em termos de conceito. No entanto, isto criou dois problemas: como custear um sistema tão abrangente, e um segundo, um afastamento do custeio das comunidades nos hospitais. Criou-se o conceito equivocado que o problema da saúde é apenas do governo. O feito perverso da estatização foi uma queda no senso de comunidade e de responsabilidade mútua.

Mas, nem todos pensam assim. Algumas comunidades apoiam fortemente seus hospitais. São reconhecidos o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, ambos em São Paulo. Os dois, embora contem com fontes de recursos variados, têm também um investimento dos seus mantenedores. Não é por acaso que são ilhas de excelência, não apenas no atendimento médico-hospitalar, mas também em pesquisa e inovação. O Einstein, por exemplo, tem extensa linha de pesquisa, com interesse no tratamento do câncer, em nanotecnologia, imunologia, entre outros. Do mesmo modo o Sírio-Libanês, que tem programas de residência médica e multiprofissional, além de programas de mestrado e doutorado.

Se eles fazem, por que nós não podemos fazer? Obviamente que ninguém vai propor uma volta no tempo. O atendimento universal dado pelo Estado é fundamental, mas é notório que o setor hospitalar precisa contar com outras fontes de renda, senão para o custeio, ao menos como fonte adicional de recursos, como, por exemplo, para pesquisas ou no atendimento complementar aos pacientes e familiares.

Vendo esta necessidade, em Ponta Grossa, um grupo de pessoas, oriundas das mais diversas áreas, criou uma nova instituição:

A ASSOCIAÇÃO ABRACE O HOSPITAL UNIVERSITÁRIO REGIONAL DOS CAMPOS GERAIS WALLACE THADEU DE MELLO E SILVA – “ABRACE O HU”.

A instituição hospitalar é capaz de aglutinar forças e representar as aspirações dos presentes junto ao Poder Público e a iniciativa privada.

A associação tem como objetivos atuar, fomentar e promover a organização e execução direta ou indireta de projetos, programas ou plano de ação e de doação de recursos físicos, humanos e financeiros, bem como de todas as ações voltadas para a saúde a ele vinculadas, voltadas em prol dos usuários, estudantes e servidores do hospital. Também se destina na captação de recursos financeiros ou intermedia a doação de materiais e outras necessidades para pacientes ou para ampliações em todas as unidades e serviços do HU. Celebra convênios ou parcerias para captar e receber recursos ou doações. Promove e apoia projetos educacionais, culturais, esportivos, assistenciais à saúde voltados para a comunidade ou o acolhimento de familiares/acompanhantes de pacientes do HU. Desenvolve atividades e projetos relacionados à promoção e saúde em geral, de modo a contribuir com a plena disponibilização e livre acesso aos meios e fontes de cultura e exercício desses direitos em prol dos usuários do HU.

Conheça esta iniciativa, abrace esta ideia e este movimento. Faça diferença na sua vida e na dos outros. Resgatemos o senso de responsabilidade e de comunidade que o mundo moderno tenta nos tirar. Vamos juntos abraçar o HU.