Grupo Nanoita
Chegou 2019!

Sergio Mazurek Tebcherani

Doutor em Química pela UNESP

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Quando criança observava antes dos almoços a panela tampada sobre a boca do fogão e, de repente, com a fervura do líquido, muitas vezes ele transbordava. Minha atenção era voltada à bagunça que fazia, mas, principalmente, à chama que parecia ficar “rebelde” e com uma coloração amarela intensa.

Dentre alguns efeitos que ocorriam para mim o principal era a interação sódio do sal de cozinha com o fogo. Qual a explicação para isso?

Sabemos que as radiações eletromagnéticas deslocam-se à velocidade da luz no vácuo, que é de 1.079.252.848 km/h. As radiações eletromagnéticas possuem características ondulatórias e estão relacionadas ao comprimento de onda e a frequência. Essas duas propriedades estão relacionadas, ou seja, quanto maior for o comprimento de onda menor será a sua frequência e vice-versa.

Os olhos humanos detectam as diferentes cores devido às diferentes frequências da luz desde que os comprimentos de ondas estejam compreendidos entre 400 e 700 nanômetros.

Quando um objeto é aquecido ele emite radiação com uma cor característica. Esta faixa de frequência da luz pode ser identificada pela cor.

Sobre o ponto de vista atômico, a energia não pode ser absorvida ou emitida por um elétron de maneira contínua, somente na forma de “pacote definido de energia” denominado “quantum”.

Quando um elétron, que está numa camada distante do núcleo de um átomo, recebe o quantum de energia, ele salta para uma camada mais externa, o que chamamos de estado excitado. O estado excitado de um elétron não é estável e imediatamente o elétron retorna à sua órbita estacionária liberando a mesma energia que havia recebido, porém, na forma de luz, o que chamamos de fóton.

Quando colocamos um elemento químico na chama ele absorve a energia (quantum) e, em seguida, libera na forma de fóton.

Os fótons podem ser amarelos quando o elemento for o sódio, laranja-púrpura quando for o potássio, verde-limão quando for o bário, vermelho-carmim quando for o lítio, verde quando for o cobre, vermelho/laranja quando for o cálcio e vermelho-púrpura quando for o estrôncio.

Mas, imagino que neste momento o leitor esteja se questionando: Para que tanta informação científica?

Quem ler esse artigo vai lembrar a passagem de ano novo e ficará tão animado quanto a excitação dos elétrons dos átomos no céu tornando os fogos com as diversas cores diferentes.

Lá em casa sempre é assim. Fora o tradicional Feliz Ano Novo, meus filhos também falam: olha pai, agora foi sódio, agora níquel, potássio, etc.

Como somos egoístas por natureza, reservemos esta alegria apenas para nós, uma vez que nossos animais de estimação se assustam e sofrem com o barulho causado para gerar toda essa excitação eletrônica.

Então, podemos combinar o seguinte, como somos inteligentes, nos próximos anos vamos conhecer novos conceitos científicos e, quem sabe, assistir a uma passagem de ano com projeções no céu em 3D, de filmes gerados por feixes de laser, por exemplo. Aí o barulho fica em razão de nossa alegria e dos espumantes.

O grupo Nanoita deseja um Feliz 2019 a todos!