Grupo Nanoita
Comunicação, atendimento médico virtual e o código Morse

 

Giovani Marino Favero

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UEPG

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Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou a consulta médica virtual, com algumas especificações como a necessidade de uma consulta física prévia e o retorno presencial a cada seis meses quando necessário. As plataformas utilizadas também serão distintas, sendo o Skype uma das ferramentas de possível utilização.

Em uma procura rápida na internet já podemos conferir a oferta desse tipo de serviço, aparentemente sem as regras do CFM na maioria dos casos. O uso de mídias interativas e de comunicação virtual já tem sido rotina quando há um relacionamento antigo entre paciente-médico.

A modernização da comunicação aproximou pessoas e, nesse caso, indivíduos de profissionais específicos. Essa efetividade da interação e troca de informações me lembrou a história do código Morse.

Geralmente, quando lemos sobre esse código binário, as primeiras informações são associadas a um pintor que gostava de eletromagnetismo, Samuel Finley Breese Morse. Sim, Samuel era pintor e gostava de eletromagnetismo, mas o que o motivou a buscar por mais de quarenta anos uma maneira de comunicação instantânea foi um evento traumático.

Em 1825, Morse morava com a esposa Lucretia e seus dois filhos pequenos em New Haven, nos Estados Unidos. Depois de um grande aprimoramento nas artes, passando inclusive pela Real Academia de Londres, ele era conhecido pelo seu talento na pintura. Nessa época, Morse foi convidado pelo prefeito de Nova Iorque a pintar um retrato do marquês de Lafayette, um dos heróis da revolução americana.

A viagem demorava um pouco mais de uma semana e Morse aceitou mesmo com a esposa no final da gravidez. Poucos dias após iniciar o trabalho, o pintor recebeu a visita de um mensageiro com um bilhete e quatro palavras: “Esposa mal no parto”.

Da maneira mais rápida possível, sem paradas, após seis dias de viagem, Samuel Morse retornou para casa, de imediato soube que a esposa estava morta, morreu antes do mensageiro chegar até ele.

Essa demora de comunicação, assustadora para os padrões de hoje, motivou o desenvolvimento do sistema de informação mais utilizado no final do século XIX e início do século XX. Acredito que em sua brilhante cabeça Morse sonhava com uma consulta ou uma informação instantânea.