Grupo Nanoita
O alerta vem das águas

 

Thiago Sequinel

Doutor em Química pela UNESP

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A falta de água afetará 5 bilhões de pessoas até 2050, afirma a ONU.

Essa notícia parece tratar-se de outro planeta, e não da nossa Terra. Nosso planeta possui 71% da sua superfície coberta por água, ele é azul!

Infelizmente 96,5% dessa água são salgadas e, dessa forma, imprópria para consumo. Sobram ainda 3,5% de água doce que estão distribuídas nos rios, geleiras, lagos e nos lençóis subterrâneos. Porém, a poluição e a falta de acesso inviabilizam grande parte desses 3,5%.

Para se ter ideia, no mundo, apenas 0,007% do total da água do planeta é acessível para o consumo.

O Brasil detém 11,6% de toda a água doce mundial. Desse total, 80% estão na região norte, mas que é representada por 5% da população brasileira.

Nossa dependência da água também está relacionada à produção de alimentos, vegetais e animais e até mesmo na produção industrial.

Alguns países no Oriente Médio e no norte da África têm pouco acesso à água doce e precisam dessalinizar a água salgada para produzir água própria para consumo humano.

Para isso existe uma técnica comum chamada osmose reversa, que usa uma espécie de plástico poroso, melhor falando, uma membrana semipermeável, para filtrar o sal e separar o líquido.

Outra maneira de se extrair da água salgada é evaporar e coletar a água que a torna própria para uso, porém, a salmoura resultante pode criar um desequilíbrio no ecossistema.

A Universidade de Alexandria, no Egito, utiliza membranas e evaporação para separar a água doce do sal em minutos.

Falando em membranas, cientistas da Universidade de Ghent, na Bélgica, desenvolveram um processo, chamado de destilação por membrana, para recuperar 75% de água potável a partir da urina humana e ainda conseguem reaproveitar a amônia. Comprovadamente esse processo é 100% seguro e não tem falhas.

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina criaram um dispositivo com custo inferior a R$ 1.000,00, que através da energia solar é capaz de produzir até 8 litros de água potável a partir da água barrenta ou salgada.

As notícias recentes apontam a tecnologia de Israel para retirar água da umidade do próprio ar, porém, o Brasil já é habilitado para esse desenvolvimento.

O método inovador mesmo está com os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que conseguem extrair água do ar do deserto. O aparelho desenvolvido foi testado em Tempe, no estado americano do Arizona. O sistema utiliza energia solar, estruturas metálicas e orgânicas sendo capaz de retirar água do ar mesmo com a umidade em torno de 10%. As tecnologias similares só conseguem operar com a umidade do ar superior a 50%.

Existem muitos outros estudos que poderíamos citar aqui, mas, o que dá para perceber é que temos alternativas.

O que não podemos é continuar poluindo e contaminando nossos mananciais.

O que não podemos é aceitar que nossos irmãos nordestinos continuem sendo tratados como reféns dos velhos e conhecidos “coronéis políticos” até mesmo na dependência da água que necessitam para viver.

Já afirmou a ONU, 5 bilhões de pessoas serão afetadas pela falta de água até 2050.