Meus Escritos
AS QUATRO OPERAÇÕES

          Estamos inseridos em uma sociedade, a qual está alicerçada economicamente em números. Ao ligarmos a televisão, abrirmos o jornal, logo notamos, que a economia está estampada em muitas manchetes.

         Vamos adquirir um produto e nos deparamos com termos, semelhante a taxa de juros, inflação, cartão de crédito, cheque especial e outros.

         Você já parou para pensar, o que seria do mundo, se inexistissem os números? Como o mercado sobreviveria? Como o ser humano faria?

         Em nossa vida, as quatro operações, estão sempre presentes. Algumas pessoas, preferem não arriscar, outras mais ousadas, se lançam e independente do resultado, já podem ser consideradas corajosas.

         Todos os dias, precisamos somar ou adicionar motivos de agradecimentos, por inúmeras bençãos recebidas, pelo nosso alimento físico e espiritual, trabalho que realizamos, família que temos, amizades em geral, etc...

         Em contrapartida, devemos subtrair ou diminuir, a tensão emocional, a amargura, o estresse, a falta de fé e o egoísmo.

         Como consequência, iremos conseguir dividir um pedaço da nossa solidariedade, da alegria e companheirismo com as pessoas próximas de nós. E neste item eu incluiria o pão material, o qual devemos também dividir, com os mais necessitados.

         E finalmente, após as etapas anteriores, conseguiremos multiplicar as nossas conquistas e nosso existir será preenchido de júbilo e dádivas, mostrando que somos pessoas que fazemos a diferença, neste mundo muitas vezes frio e dominado pelos números e dinheiro.

         Que tal, pensarmos as quatro operações assim?

 

A ERA DO INDIVIDUALISMO

          Vivemos tempos de transição, da moderna estrutura global, onde a comunicação, ocupa seu lugar em nossas vidas.

         Somos privilegiados, pelos inúmeros meios que temos a disposição, coisas que os nossos antepassados não tinham, e também não morreram pela ausência.

         Temos o celular sempre próximo, do mais simples ao mais moderno, mas esquecemos de conversar com as pessoas de verdade. É a busca incessante pelo virtual. Quantos homens e mulheres, ficam sentados em uma sorveteria, por exemplo, manipulando seu telefone, e esquecem completamente dos amigos e amigas ao redor.

         Depois muitos ainda reclamam da solidão e buscam auxílio médico e psicológico. Que contraditório não acham?

         Temos a internet fácil, com um mundo de possibilidades, para o lazer e estudos, mas muitos ainda, não sabem corretamente utilizá-la. Um local onde pessoas mudam rapidamente de sexo e enganam todos. E a promiscuidade com sua sofisticada maneira de “encantar” a visão.

         Crimes que deixam sequelas, agora possuem uma nomenclatura definida. Por exemplo, a pedofilia. Pessoas que tiram a inocência de crianças, para “alimentar” seus piores instintos.  Será que os pais e mães, os quais liberam o computador, desde muito cedo aos seus filhos e filhas, também não possuem, uma parcela de culpa, pela existência deste terrível crime? É para pensarmos juntos.

         Quantos meninos e meninas, os quais nascem diariamente, e como eu costumo dizer, só falta pendurar um satélite em seus pescoços, pois vivemos na era tecnológica. Não estou brincando queridos leitores.

         O tablet, por exemplo, se utilizado desde muito cedo, pode prejudicar a criança quando esta iniciar o seu processo de escrita, pois suas mãos, estarão habilitadas a somente fazer traços e riscos, na tela do moderno aparelhinho.

         Muitos dos problemas, atualmente existentes, é fruto de uma geração individualista, a qual muitas vezes deixa de dormir, comer e até ir ao banheiro, para não perder nada nas redes sociais, mandar torpedos, consultar e-mails, twittar, etc e tal.

         Esta “liberdade” que a tecnologia nos oferece, torna as coisas mais gostosas. Daí para os crimes virtuais, roubos de senhas e aliciamento para o tráfico e prostituição é um passo rápido. O cinema é especialista nesta temática.

         Depois que o pior acontece, ficamos com nossas indagações, mas tudo começa dentro das quatro paredes de nossa casa. Precisamos chamar a responsabilidade, mais próximas de nós, com toda a certeza. Uma excelente semana aos leitores!

MULHERES SOB AMEAÇA

Quero iniciar este artigo, com uma pergunta: - qual é o valor de uma vida? A resposta, pode ser demonstrada, de muitas maneiras. Para alguns, a vida é tudo e para outros um nada absoluto. É bem isso, que vocês acabaram de ler.

         No começo desta semana, em reportagem de um famoso telejornal, as preocupantes estatísticas, sobre a violência contra a mulher no Brasil. De janeiro de um certo ano 2013, até o mês de novembro, já foram registrados mais de 50.618 casos de estupros, sem falar naqueles casos, que por vergonha ou medo da vítima, não são registrados nos boletins de ocorrência da polícia.

         O que pensarmos, diante de situações assim? O ser humano, buscando caminhos da violência, deixando pessoas completamente traumatizadas, aterrorizadas e machucadas.

         Aqui na Cidade de Ponta Grossa, em menos de um mês, vários casos registrados, nas manchetes policiais, com direito a chutes na cabeça, gasolina, tiros quase mortais e outros feminicídios mais.

         Muito complicado, quando deixamos de lado, o respeito pelo próximo. Não posso compreender, o que passa na mente de homens assim. Buscar o prazer provocando a dor, é uma atitude monstruosa, não vista em nenhum comportamento animal.

         E a violência doméstica então? Namorados, noivos, companheiros e esposos com as mãos pesadas, machucando quem deveriam amar e proteger. É a Lei Maria da Penha mostrando a sua finalidade.

         Semana passada, a jovem psicóloga de Ivaí, sendo torturada, assassinada e ainda, sofrendo violência virtual, em sua honra, através de redes sociais. A que ponto chegamos, minha gente, pois ninguém é proprietário de pessoas. Relacionamentos podem sim, serem finalizados, mas nem por isso, devemos sair por aí, rompendo os laços afetivos, com cordas de sangue, ácido, facadas, entre outras mais.

         O medo em cada esquina, seja do centro ou dos bairros da cidade. Desde uma simples viagem de ônibus ou táxi, onde o destino final pode ser o estupro. Assim temos inúmeros casos. Sem falar nos casos de assédio moral e sexual.

         Mais triste, em muitos casos, é a violência que nasce no seio familiar. São as meninas e jovens violentadas pelos pais, padrastos, irmãos, avôs, etc. Uma silenciosa e maléfica atitude.

         Finalizando, ainda sonho com dias de paz e tranquilidade as mulheres. Chega de violência gratuita e débeis ou monstruosos “homens”, ou melhor, machões de privada.

A PRÁTICA DA PACIÊNCIA

           Uma palavra simples, mas com um profundo significado. Todos nós precisamos dela por um tempo indeterminado.

         Desde antes de nascermos, a nossa mãe, precisou ser paciente durante nove meses, marcados por dificuldades, cuidados, restrições e desconfortos em geral.

         Mas para que estivéssemos aqui, todo um processo prévio, de cuidados na infância, nossa educação, noites mal dormidas, obstáculos a serem superados, foram necessários.

         A paciência precisa ser plantada e irrigada para então ser aproveitada.

         Quantos de nós, queremos a felicidade, salários ótimos, bons empregos, um cônjuge ideal, uma casa boa, uma família “perfeita”, mas não somos pacientes e desejamos tudo para ontem e nos esquecemos de lutar no dia de hoje.

         Um jovem ao prestar uma prova, ao pegar o resultado final, tem duas alternativas: o êxito ou o fracasso. Lógico, isto na mentalidade dele. Pois, se estruturasse suas emoções na paciência, transformaria o êxito em muitas outras conquistas, e o fracasso, em metas a serem alcançadas, em um futuro próximo.

         Nós seres humanos, fomos preparados para subir no pódio. E ainda, o primeiro lugar, pois um segundo ou terceiro lugar, já é sinônimo de decepção e tristeza.

         Nossos dias são irrigados com fortes emoções. O trânsito caótico, a violência, o desemprego, o dinheiro escasso, as tragédias ao redor do planeta, transformam nossa vida em uma incógnita. Vivemos o presente, querendo adivinhar o futuro, como se isto fosse possível.

         Então qual é a saída em tempos difíceis? Fechar os olhos para as dificuldades e fazer de conta que não existem? Ou encará-las com paciência e espírito de luta?

         O final de ano aproxima-se, e neste momento, precisaremos demais da verdadeira paciência, pois as nossas ruas estarão congestionadas, as lojas e mercados lotados, filas intermináveis em todos os cantos, e as crianças, na maioria das vezes aos prantos, pois não entendem ainda a matemática financeira do bolso dos seus pais.

         Devemos e podemos, olhar a paciência, como um presente embrulhado e ir aos poucos, tirando tudo aquilo que atrapalha a nossa verdadeira visão. E quando vivemos em sociedade, tudo isto que eu falei, precisa ser em dobro, pois nós seres humanos que alguns chamam de “racionais”, em grande parte das vezes, agimos ao contrário, e colocamos os nossos extintos mais obscuros, para maltratar quem deveríamos amar.

         Você precisa escolher o caminho a seguir. As alternativas podem ser diversas, mas a direção correta é ter Deus em seu coração e buscar a alegria verdadeira e não somente os prazeres momentâneos deste mundo.

FINADOS UMA REFLEXÃO

Vivemos em busca constante, de sucesso, fama, bens materiais e lugares altos no pódio, mas esquecemos, de valorizar as coisas, mais simples da vida. Esta rapidamente vai passando, e cada dia vivido, é um a menos em nossa conta final. Disso ninguém poderá escapar. É a dinâmica da existência humana.

         Mais uma vez, chegamos no Dia de Finados. Uma data cinzenta, onde o sorriso abre espaço para o choro e saudade. Quantos e quantas, nos deixam diariamente. Alguns de maneira precoce, outros tantos, com sua tarefa já cumprida, aqui neste mundo, em seus longos anos vividos intensamente.    

         A vida sempre, nos reserva surpresas, mas nem todas gostamos. Quando alguém, do nosso convívio, vai embora para sempre, o coração aperta, a boca seca, as lágrimas parecem brotar, do mais profundo abismo, da solidão.

         Independente, de sua crença, todos sabemos, que em lugar algum, está a promessa, de somente dias felizes, aqui na Terra. O sofrimento é “irmão gêmeo” de cada pessoa. Ele nasce junto, e ficará conosco, ao longo da caminhada, mesmo que a distância. Em algum momento, ele mostra toda a sua intensidade.

         Lembro agora, de todos aqueles(as), que perderam recentemente, pessoas que amavam. Jamais pensavam nesta situação, da presença e ausência. Tiveram de aprender a viver com o luto diário.

         Lembro daqueles acidentados. Saíram de carro ou moto, para não retornarem mais. Assim foi, com inúmeros jovens, adultos e até adolescentes, ao longo do ano.

         No início desta semana, o jovem que levantou, para trabalhar na construção civil, e sofreu aquele gravíssimo acidente, que sepultou, cada um de seus sonhos, deixando todos os familiares e amigos, em completo desespero. Fatos que não compreendemos como seres frágeis humanos.

         Ou daquelas vidas, ceifadas pela violência urbana. Moças e rapazes com tudo pela frente e atingidos pela maldade sem limites. Também daqueles(as), que cansados(as), de seus sofrimentos terrenos, partiram para a prática do suicídio. Simplesmente sem palavras.

         E como explicar estes fatos, aos pais e familiares dos desaparecidos? Não sabem, se quem buscam estão vivos ou mortos. Não possuem, um lugar específico para homenagear a quem amam. Contradições que chocam, mutilam as emoções e fragmentam a nossa mente.

         Os cemitérios vão ficar lotados de visitantes. Muitas flores, enfeitando os túmulos. As velas derretendo sua parafina em todos os cantos. Primeiro grandes em tamanho, depois restos de cera somente.

         Quantos e quantas, se tivessem a chance, perdoavam mais, amavam mais e cuidavam mais daqueles que amam. Mas de um instante para o outro, tudo é interrompido bruscamente, semelhante a uma luz que queima para a eternidade.

         Deus conforte a todos os tristes e abatidos nesta ocasião.

        

        

A FORÇA DA FELICIDADE

         Estamos rodeados de pessoas, cada uma pensando de uma maneira específica. Cada um sonhando com algo para ser alcançado. É a dinâmica da existência. Todos buscando, alguma coisa, que lhe traga a felicidade naquele instante.

         Por este motivo, muitos correm para as filas das lotéricas, visando ganhar uma alta quantia de dinheiro. Um sonho distante e próximo ao mesmo tempo, pois é a sorte que está em jogo.

         Outros buscam uma vaga na universidade. A felicidade educacional. A chance de ter um futuro melhor, com uma profissão de sucesso. A corrida para os estudos e vestibulares transformando jovens e adultos a cada novo dia.

         Ainda existem aqueles, que pensam que a felicidade é inexistente. Não lutam pelos seus ideais de vida. Preferem o comodismo, a sombra e água fresca. Mas reclamam o tempo todo, pois estão inseridos em um mundo que consome a todo o instante, objetos, alimentos, conquistas, etc...

         Muitas pessoas não se deram conta, da valiosa presença da alegria em seus corações, do convívio direto com a paz e principalmente da presença de Deus em sua trajetória terrena.

         Quantos pais e mães, investem toda uma vida, na criação de seus amados filhos e filhas, e quando estes crescem, trazem transtornos a família inteira. Outros constroem um caminho de sucesso, mostrando o motivo principal de estarem presentes neste mundo. É a contradição presente em nossa realidade.

         Pensar no verdadeiro significado da felicidade, envolve vários sentimentos e aspectos. Por exemplo, uma pessoa repleta de bens materiais e dinheiro, a qual poderia ser “feliz”, na maioria das vezes está “infeliz”. Outra pessoa, mas simples e humilde, pode sim, sentir-se bem e “feliz”, mesmo sendo privada de algumas coisas e objetos materiais.

         Qual a diferença entre estas duas pessoas então?

         É a forma de ver as coisas e o mundo que as rodeia em sua plenitude. Não estou dizendo, que para ser feliz, precisamos morar num casebre. Isto jamais. Mas gostaria que entendessem, que mesmo aqueles que moram em mansões de luxo, possuem sérias dificuldades. É o contraste das classes sociais existentes.

         Outros defendem que a felicidade é um estado de espírito somente. Então um dia acordam sorridentes, no outro, com a cara fechada, muitas vezes com raiva de tudo e de todos. Existem ainda, aqueles que não acreditam mais na felicidade. Pensam ser algo de filmes de ficção, nada mais. Estes perderam as esperanças. Muito triste conviver com este tipo de pessoas.

         Concluindo, precisamos pensar mais em Deus, independente da religião ou da crença. Somente Nele encontraremos a verdadeira alegria e felicidade. É para mudar atitudes e viver uma nova vida.

PROBLEMA COLETIVO

 

EMERSON PUGSLEY

 

         A muito tempo, temos sentido na própria pele, um sistema de transporte deficitário, em terras locais. Os motivos são diversos, entre estes, muita falta de vontade política, de inúmeras administrações, para que tivéssemos, empresas concorrentes. A população sem alternativas, precisa fazer verdadeiros milagres e peripécias, para conseguir locomover-se diariamente. Escrevo tais preocupações, faltando poucas horas, para mais um aumento da tarifa. Tudo subindo, menos o salário da população. Até conselho municipal foi formado, mas pouco mudou, o rumo da história final.

            Todos os dias, milhares de estudantes, trabalhadores e donas de casa, precisam de ônibus, pois tudo é longe. Nos diferentes bairros e vilas, até o centro da cidade, temos grandes e médias distâncias. Entre os diferentes terminais, o vai e vem é constante.

            Dos pequenos ônibus amarelinhos, até os grandes sanfonados, a população precisa ter a paciência redobrada. Em determinados horários, conseguir um ônibus, pode ser considerado, um verdadeiro milagre. Eu mesmo, já passei por situações assim. É de cansar e ficar com muita raiva, pois quem passa, pela garagem dos ônibus, observa muitos veículos parados “descansando”, enquanto os habitantes sofrem. Sem dizer, dos motoristas apressados e despreparados, que passam reto nos pontos, sem fazer a respectiva, parada obrigatória, deixando pessoas a mercê do nada. Ontem mesmo, vi tal cena na Comendador Miró. A passageira, só faltou jogar-se na frente do coletivo. Ainda bem, que neste caso, o motorista parou, no meio da rua, para ela poder embarcar.

            Eu mesmo, sou usuário do transporte coletivo, e percebo que algo, não caminha bem. É só passar, por uma lombada ou qualquer obstáculo, que sentimos, como se algo estivesse “arrebentando”, em nosso corpo. Resta perguntar: cadê os amortecedores? Ou melhor, a troca de veículos sucateados, por novos e mais modernos? Ou mesmo, a devida e necessária manutenção?

            A Cidade de Ponta Grossa, precisa acordar, para a questão do transporte coletivo. Chega de monopólio. É necessário, reunir lideranças, dialogar com a população, e então perceber, que o município cresceu demais, nestes últimos anos, e não poderia jamais, ficar nas mãos de uma só empresa. Compreendo a dinâmica capitalista, e os interesses que existem, mas não podemos ser “escravos do sistema de monopólio”.

            Em certa reportagem, observei a reclamação, de mais uma usuária, com respeito ao ponto de ônibus. O mesmo, ficava próximo de um muro, onde um cano de água molhava os usuários. Falar em transporte, é dar condições também para aguardar com qualidade o seu ônibus. Os nossos abrigos, foram mal planejados, pois em dias de chuva, é melhor não utilizá-los, pois pouco protegem. Sem dizer, nos bairros e vilas afastados, onde ônibus é artigo de luxo, principalmente a noite e finais de semana, como estamos carecas de ouvir reclamações.

            E os nossos terminais então? A cada ano, passam por alguma reforma, mas que a meu ver, nem aparecem na prática. Até hoje, não compreendo a lógica, de fazer o usuário subir escadas no Terminal Central, para então descer novamente na plataforma de embarque. Quanta falta faz a escada rolante. Depois de todo o investimento, a mesma foi largada no tempo para enferrujar.

            Aproveitando, gostaria apenas, de deixar uma crítica construtiva, pois no último dia 15 de Setembro, Aniversário da Cidade de Ponta Grossa, a tarifa poderia, ter sido cobrada pela metade, como já vimos em outros feriados. Mas o povão, teve de se virar nos 30, para deslocar-se, ou ir até o desfile comemorativo, com o valor da passagem integral. Eu também passei pelo mesmo dilema. Uma passageira então, rapidamente falou ao trocador: “Esta empresa não é de Ponta Grossa”.

            Senhores futuros administradores municipais, esta é a melhor hora, para repensarmos o problema coletivo urbano. Ao invés de “passe livre”, construam uma cidade livre. É para refletir e mudar atitudes, com toda a certeza. O nosso bolso e compromissos agradecem. Abraço aos leitores!

UMA CIDADE DO PASSADO COM FUTURO

EMERSON PUGSLEY

 

         Mais um aniversário, de nossa querida cidade, a caminho. Todos se preparando para os momentos comemorativos. É hora de relembrar o Hino, visualizar a bandeira de cor azul, tão bonita e de beleza ímpar, hasteada nos mastros dos prédios públicos.

         Todos deslocando-se para a Avenida Vicente Machado, pois teremos o tradicional desfile, envolvendo as diferentes instituições públicas e privadas. Desde as criancinhas até os mais idosos, o envolvimento é total. Alguns poucos veteranos de guerra, que aqui residem. As diferentes bandas e fanfarras, dando o tom para a festa com aquele som único.

         De ruas estreitas a largas avenidas, da poeira e do asfalto, o desenvolvimento vai chegando a cada novo dia. Prédios despontam na paisagem, o trânsito barulhento mostrando a sua face principal. Assim temos caminhado. De notícias alegres e tristes também. Assim vamos seguindo.

         Lembramos agora, de todas aquelas pessoas, anônimos e famosos, os quais aqui passaram e construíram esta cidade. Se hoje temos ruas, alguém chegou antes para abri-las em meio ao pó e pedras. Se temos construções e indústrias, alguém precisou, suar a camisa, para colocá-las em pé nos seus alicerces.

         Conheci uma senhora idosa, a qual morou, por muitos anos aqui, sendo que não está mais entre nós. Eu pessoalmente, gostava muito de conversar com ela, pois tinha em sua mente a história viva. Cada nome de rua, escolas, políticos antigos, tinha conhecido, e lembrava fatos interessantes e engraçados, de suas “aventuras”.

         Tudo foi sepultado em um túmulo. Precisamos urgentemente, mostrar para as gerações atuais e futuras, a importância de conservar a história como ela realmente aconteceu. Por exemplo, temos muitas praças ao nosso redor. Você já pesquisou, quem foi a pessoa, a qual emprestou o nome para a mesma? Com certeza, ainda não. Não temos tempo, ou vontade própria, para este tipo de atitude.

         Moramos anos em uma rua, mas não sabemos, quem foi aquela pessoa que está afixada na placa da esquina. Isto quando existe placa.

         Terra do frio e do calor, das secas e das chuvas intensas, do rio e das cachoeiras, da abundância e da escassez de recursos, da pobreza da favela ao luxo dos condomínios fechados, das pessoas bem empregadas, e daquelas que dia a dia, frequentam as filas das agências de trabalho, da fartura das plantações de grãos e do prato completamente vazio, de pessoas que não tem o que comer.

         Do pré até as universidades e faculdades, das escolas públicas e particulares e dos cursos técnicos. É a profissionalização, de um povo lutador, buscando os meios pela sobrevivência cotidiana.

         São 196 anos de vida. Teremos muitos anos pela frente, para que possamos trilhar, o caminho da igualdade social, e do respeito a população, que aqui reside. Parabéns a Cidade de  Ponta Grossa! Rumo ao futuro com fé, coragem e persistência. Abraço aos leitores!

 

O PROBLEMA DO LIXO

         Todos os dias, caminho para pegar o ônibus, em direção ao meu trabalho. Fico assustado com a enorme quantidade de lixo, que vejo espalhado pelas calçadas e ruas de nossa cidade de Ponta Grossa. Desde papel, garrafas plásticas, vidro quebrado, cascas de frutas, copos plásticos, etc...

         Até lâmpadas queimadas, ficam encostadas em muros, aguardando alguém para quebrá-las e expôr os nossos pés ao perigo. Tudo mostra uma completa falta de educação e conscientização ambiental da população.

         Exemplo, são as caçambas de entulho de construção unicamente. Já cansei de ver sacolas de lixo, dentro das mesmas. Mas alí não é seu lugar adequado. Problema sério, que causa muitos transtornos, como a proliferação de ratos, baratas e insetos causadores de doenças.

         As ruas centrais, que poderiam ser o cartão postal, estão abandonadas a própria sorte. Lixeiras são alvo fácil de vandalismo. Até tocos de cigarro acesos costumam incendiá-las. Depois de alguns instantes, um monte de plástico retorcido.

         Também temos muito a elogiar, o programa Feira Verde, por exemplo, pois transforma o reciclável em frutas e verduras, proporcionando uma saudável alimentação para a população.

         Moro perto de uma região, onde cavalos ficam soltos nas ruas, perambulando sem rumo. Estes dias, um deles pegava uma sacola de lixo da lixeira e rasgava em plena via pública, fazendo aquela bagunça. Ele foi embora depois. O lixo não mais.

         Algo precisava ser feito. A questão do lixo é para ser trabalhada da infância até a velhice. Todos nós o produzimos a cada minuto do dia. O mundo do descartável predomina. Pouco se aproveita.

         É preciso investir na reciclagem e suas cooperativas, valorizando os catadores e suas famílias. Enquanto estes estão tomando o sol quente na cabeça, muitos ainda dormem.

         Uma cidade, ambientalmente correta, é feita por cada um de nós. De nada adianta o poder público ter lindos programas de coleta seletiva, se as pessoas costumam misturar todo o lixo e mandar para o aterro sanitário.

         Deixo o desafio aos atuais e futuros administradores do município. Pensem e invistam na questão do lixo. Ele pode não dar votos imediatos, mas dá economia, qualidade de vida e saúde e renda aos menos favorecidos. Sem falar, na novelinha interminável, do nosso Aterro “descontrolado” do Botuquara, e suas idas e vindas.

         Finalizando, pensar no meio ambiente urbano é pensar no ser humano. Excelente semana aos leitores!

 

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EMPREGO SEM CHANCE

Gostaria de refletir, sobre a questão do emprego ou sua ausência, em nossa Cidade de Ponta Grossa. Com muitas indústrias, comércio variado e forte, agricultura e pecuária, mercados enormes, e ainda percebemos gente, fora do círculo vicioso, da sobrevivência diária.

A informalidade, tem sido a alternativa, de vários pais e mães de família. Sabemos que são trabalhadores, sem qualquer cobertura previdenciária, seguros e outros direitos. Ao sairmos pelas ruas e calçadas, percebemos diferentes produtos, sendo comercializados, desde doces e salgados, brinquedos, bijuterias, cigarros, jogos e DVD pirata. Até gorros, meias e luvas, para aquecer os que sentem frio, estão disponíveis nas calçadas e bancas improvisadas. Sem falar, nas “semaninhas” de pano de prato, nos semáforos ou dos “garçons” esperando os sedentos e famintos. Dos que fazem malabarismos, ou montam pequenas orquestras, aos pedestres e motoristas. O que vale é a moedinha ou nota amassada de valor financeiro, no final da apresentação.

É a maneira, pela qual, todas estas pessoas, acharam para sobreviver, neste mundo desigual e contraditório. Todos os dias, centenas de homens e mulheres, de diferentes idades, passam pela Agência do Trabalhador, na busca incessante e desesperada, por uma vaga. Um sonho a ser realizado. Atualmente, só um pesadelo e nada mais.

 O que mais me entristece, é saber que o poder público municipal, em administrações anteriores, ao contrário, de apoiar a empregabilidade, ainda atrapalhou. Exemplo disto, são as lojinhas, em frente ao Terminal Central de Ônibus, as quais vendiam salgados e café. Construídas e destruídas, em pouco tempo de existência. Dizem os mais “estudiosos”, que deixavam feia a região. E agora, será que está muito bonita? É só olharmos a Rua Fernandes Pinheiro, logo ao lado, que veremos toda a sorte ou azar, de comércio tenebroso ambulante. Até linguiça, encontramos no meio da rua, pendurada ao lado de camisetas futebolísticas coloridas, de mel e derivados, do famoso pão caseiro ou do churrasquinho “felino”. Nada contra, pois do jeito que as coisas caminham, tudo vale a pena, se a nossa vontade não for pequena.

 E o tão falado, e divulgado Polo de Confecções? Não podemos dizer, que ficou na história, pois não entrou na pauta de realizações. Bandeira de campanhas eleitoreiras somente e nada mais. É triste, mais uma verdade. O povo ficou só na vontade, de ver aquele terreno grandioso, na beira da BR-376, servindo para trazer o sustento de gente batalhadora.

Dias atrás, lendo uma matéria a respeito, da questão do emprego a nível nacional, fiquei arrepiado, com a palavra “desesperançosos”, pois também, foi inserida em estudos, sendo aqueles trabalhadores, que estão a mais de sete anos, sem uma chance, perdendo todas as esperanças. Carteira assinada uma utopia apenas.

Penso eu, que a palavra do momento é profissionalizar. Os cursos técnicos estão espalhados, nas suas diferentes áreas de atuação. Quem tem vontade, precisa ser capacitado. Nem todos conseguem entrar na universidade, mas existem outras possibilidades. O que não podemos, é ficarmos esperando sentados. É preciso ir a luta.

Quantos sobrevivem, de pequenos artesanatos, por exemplo, mas não possuem um local adequado, para divulgar o seu trabalho. Enquanto isto, prédios públicos apodrecem e desmoronam.

Algo precisa ser feito urgentemente, pois a criminalidade, violência e outras coisas são resultantes, em parte, da falta de emprego. E não adiantará dar o peixe pronto. É melhor ensinar a população a pescar o seu próprio sustento e de sua família.

É para pensar e agir. Uma ótima semana aos leitores!

“A melhor maneira, de abrir vagas, é fechar as portas da falta de vontade política, do bom senso ausente, da inércia das instituições, e principalmente, de respeitar os seres humanos como realmente merecem e precisam.”

(Emerson Pugsley)