PENSAR SEM MEDO
Capitão Reformado – Super Herói?

De acordo com as regras eleitorais estabelecidas pelo ex-presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, na minirreforma, nos aproximamos da campanha eleitoral de 2018 sob o signo da incerteza e da imprevisibilidade.

Uma das características fundamentais de processos eleitorais marcados pelo medo, pela insegurança, pela insensatez de regras que alienam o cidadão da representação é sem dúvidas a busca de um salvador da pátria, um Sebastião redivivo, um rei que traga esperanças e que diga o que queremos ouvir e que prometa o que acreditamos nos trará ordem e prosperidade.

É curioso perceber que o capitão reformado, o mais novo super-herói nacional, personagem bizarro, é o candidato da parcela mais rica e instruída da população. Ora, se as pesquisas de amostragem nos informam isso, o que pensar da elite brasileira?

Nesta semana o capitão reformado foi rejeitado como candidato por ninguém menos que Valdemar da Costa Neto, presidente do PR. Estupefatos, ficamos sabendo que o político, de corrupta memória, negou-se a indicar o vice na chapa do PSL.

Mais que rapidamente o capitão reformado anunciou o general da reserva Augusto Heleno como seu candidato a vice-presidente, do minúsculo PRP. Surpreendentemente soubemos que o general não quer ser vice do capitão, mantendo sua candidatura para o Senado pelo Distrito Federal.

Assim, o super-herói, cujas iniciais podem ser CR (capitão reformado), acabou por ser rejeitado por um corrupto renomado e por um general da reserva no espaço de menos de uma semana.

Se o super-herói fosse assim tão poderoso e tivesse a eleição “no papo”, haveria uma fila de políticos e partidos de aluguel prontos para se venderem a qualquer preço. Mas, não é isso que vemos no mundo real. Muito pelo contrário. O CR tem encontrado dificuldades imensas para transitar pelo mundo político e convence muito pouco sobre suas chances eleitorais, principalmente porque não tem propostas, não tem consistência política e eleito, não terá capacidade para governar.

O que pensar então da elite brasileira? O que pensar daqueles que se dizem mais escolarizados e com maior renda?

Se os brasileiros que têm maior quantidade de informação podem ser seduzidos por um discurso pobre, por uma personalidade sedutora, por uma completa falta de consistência política e econômica, não há que nos surpreender que Lula da Silva, apesar de todos os malfeitos que fez ao Brasil, tenha mais de 30% das intenções de voto.

A redução da campanha eleitoral para um período muito curto, a proibição do financiamento de campanha por pessoa jurídica e a ausência de limites para o autofinanciamento marcam de maneira definitiva o próximo pleito.

O curto espaço de tempo permite que os nomes mais conhecidos tenham privilégios na memória do eleitor, o autofinanciamento sem limites permite que ricos se imponham sobre os políticos que têm em seu favor apenas a coerência e a coragem de defender ideias e direitos.

Tais circunstâncias fazem da eleição de 2018 uma loteria. Nela temos neste momento um líder carismático em primeiro lugar, uma distopia política que frauda o eleitorado com o slogan “o Brasil feliz de novo!”. Em segundo um arremedo de sebastianismo como resposta reflexa à corrupção e desmando de 13 anos de PT, representado pelo super-herói CR.

Pessoas inteligentes não são seduzidas pelo discurso fácil, nem pela enganação. Pessoas inteligentes pensam sobre o destino e o futuro de seus filhos, sobre liberdade, democracia e pluralismo político. Pessoas inteligentes se negam ao “nós contra eles”.

 

Laércio Lopes de Araujo

[email protected]

 

 

O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 28 anos, Mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.

 

 

 

 

Dia da Vergonha

É passada a hora de uma reforma constitucional que possa trazer maior estabilidade e segurança jurídica para a sociedade brasileira. É hora de repensar a forma do Estado e o sistema de governo, porque o que se apresentou na crise jurídica de 8 de julho foi estarrecedor.

Nesse dia os brasileiros descobriram que há uma coisa chamada quinto constitucional que permite que advogados e promotores, sem qualquer experiência de magistratura, alcancem os mais elevados graus da jurisdição, trazidos por compadrio, apadrinhamento, favorecimento, numa repetição das prebendas do antigo regime.

Diz a Constituição:

 

Art. 94. Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal e Territórios será composto de membros, do Ministério Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes.

 

Descobrimos assim que para Favreto alcançar a magistratura no TRF4 ele teve de ser indicado pela OAB-RS e depois, nomeado pela sua chefe durante mais de 8 anos no Governo Federal e que o indicou porque filiado por mais de 19 anos ao PT.

A constituição exige notório saber jurídico e reputação ilibada. Mas aquela instituição que deveria ser a primeira a defender o Estado de Direito, a instituição que historicamente deveria zelar pela dignidade da Advocacia e que deveria ser a primeira na defesa dos fins dos privilégios e prebendas, ajoelha-se aos poderosos de plantão, apequena-se e acaba por indicar o escolhido pela chefe inconsequente do Executivo, aparelhando o Estado.

O descrédito das instituições chega a tal ponto, que Sérgio Moro será julgado no CNJ quando presidirá este órgão de fiscalização do judiciário ninguém menos que Dias Toffoli, companheiro de Favreto na militância petista, advogado, como este do PT e tão suspeito quanto para decidir qualquer causa que envolva seus antigos representados.

Os lamentáveis fatos de 8 de julho expõe muito mais do que a desfaçatez de um sujeito que macula a toga que veste. Expõe muito mais do que a vergonhosa mercancia que se faz com as mais altas funções do Estado. Põe a nu o aparelhamento do Estado pelo Lulo-petismo e o completo desprezo pelas normas constitucionais que regem o preenchimento dos tribunais.

Mas não foi só o PT de Lula que agiu com compadrio, com imenso desprezo pela Constituição. Há que se apurar também a responsabilidade do Senado ao permitir que Dias Toffoli se tornasse ministro. Há que responsabilizar a OAB-RS por indicar um advogado sabidamente suspeito e que não preenche os requisitos mínimos para se investir de tão elevada dignidade. Há que reconhecer que as instituições estão irreparavelmente comprometidas com partidarismos e patrimonialismos vergonhosos.

O CNJ deverá manifestar-se sobre a vergonhosa atuação de um juiz incapaz. Mas, não se surpreendam senhores e senhoras do público, se comandado o Circo por Dias Toffoli, sairmos todos, passarmos todos, como os verdadeiros protagonistas. Os Palhaços.

Sim, seremos os palhaços, de nariz vermelho, olhando de soslaio, com esgar, repetindo e repetindo, que o Rei está nu e ele, exarando sentenças sobre a magnificência de sua veste e incapacidade, libertando corruptos, prendendo ladrões de galinha.

E assim, passa a trupe, festejando a dor, a infelicidade e a incerteza de um país abandonado do Direito!

 

Laércio Lopes de Araujo

[email protected]

 

 

O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 28 anos, Mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.

 

E o PT desmoralizou o Judiciário

Rogério Favreto, o PT e a OAB do Rio Grande do Sul conseguiram levar o nível de desmoralização do judiciário a algo impensável na história do Brasil. Vivemos a escandalosa demonstração de que as instituições e os poderes são incapazes de garantir segurança jurídica!

Rogério Favreto é dos quinta-colunas instalados no Judiciário como resultado do aparelhamento do Estado pelo lulo-petismo. O desembargador indicado por Dilma Rousseff que exerce a função no TRF 4 desde 11 de julho de 2011, ocupou durante todo o governo Lula cargos na Casa Civil, o feudo de José Dirceu, bem como na Secretaria de Relações Institucionais e no Ministério da Justiça.

Bastou um final de semana de recesso judiciário e a ocorrência de um plantão do advogado petista instalado no TRF4 para que espertos deputados petistas e sua banca de advocacia impetrassem novo Habeas Corpus a ser concedido pelo comprometido agente petista.

Ocorre que Rogério Favreto jamais chegaria a desembargador se duas condições não conspirassem para que o Judiciário no Brasil perdesse toda credibilidade. A primeira é a indicação de presidentes e governadores para a composição dos Tribunais Superiores ao arrepio de qualquer meritocracia. A segunda é a existência do quinto constitucional que torna parte da burocracia judiciária indicada pelo Ministério Público e pela OAB.

A responsabilidade de um petista, vinculado ao aparelhamento do Estado, estar desempenhando a função de desembargador é de Tarso Genro, o poderoso Sátrapa petista do Rio Grande do Sul e obviamente da OAB-RS, que por compadrio, por companheirismo, por patrimonialismo se sujeitou a indicar o advogado para a lista que chegou à presidente de triste memória.

Conseguido o aparelhamento do Estado, basta esperar a ocasião para pôr em descrédito as instituições. A instalação de Dias Toffoli no STF foi um dos maiores golpes no desacreditado edifício constitucional, já que ele nunca preencheu os requisitos para ser indicado ministro da mais alta corte e nunca se julgou suspeito em processos onde o mais elementar bom senso o tomaria por impedido.

Tais condições nos trazem ao dia 8 de julho de 2018. Nesse dia um desembargador sem qualquer respeito à dignidade da função que exerce, advogou em causa própria e fez o papel que o PT lhe destinou, a de vergonhoso quinta-coluna. Lula conseguiu com isso por em descrédito todo o Judiciário!

Nesse dia de tão execrável memória, um juiz em férias acaba por desautorizar uma ordem inconcebível de um desembargador comprometido. Seguem-se inúmeros vai-e-vens colocando a sociedade brasileira estupidificada diante de um bate-boca sem sentido e em desdouro da magistratura.

Obviamente que o PT não precisava ter pressa. O STF e sua trinca dourada de juízes comprometidos com a impunidade, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e o indefectível Dias Toffoli acabarão por libertar Lula mais cedo ou mais tarde. Dias Toffoli está há poucos dias de presidir a Corte para a qual, como já alertamos, não reúne os requisitos constitucionais exigíveis.

Mas, mais importante que tudo o que aconteceu no domingo é reconhecer que os fatos pintam de um surrealismo chocante a história brasileira. Vivemos momentos em que padrinhos de casamento liberam seus compadres da cadeia em nome do garantismo, em que juízes suspeitos concedem habeas corpus, em que as instituições da república se prestam ao descrédito do Estado!

A decisão teratológica de Favreto tem a marca e a cara do lulo-petismo. Pena que 30% dos brasileiros querem mais, até que não nos reste mais que o abismo!

 

Laércio Lopes de Araujo

[email protected]

 

 

O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 28 anos, Mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.

Ideias Infelizes, Abusos Intoleráveis

Durante a história pouco democrática da República o STF foi vítima de várias violações dos direitos constitucionais do Judiciário. Por várias vezes teve a sua dignidade institucional violada, momentos que expuseram crises de deslegitimação dos poderes e riscos graves à normalidade.

Os governantes são eleitos para administrar a coisa pública. São eleitos para defender a ordem institucional e para garantir a Constituição. Ora, se um candidato apresenta como proposta a violação da própria Carta e, antes de ser eleito, defende a interferência em outro Poder, está na hora de começar a perceber que há incitamento ao crime!

Floriano Peixoto, vice-presidente no exercício da presidência de 1891 a 1894 indicou 32 ministros ao STF, entre eles um médico, Barata Ribeiro e dois generais. A maioria das indicações foi rejeitada, mas apenas após o término do mandato do general.

Em 1911, o General Hermes da Fonseca simplesmente desobedeceu à decisão do STF em Habeas Corpus tendo desprezado a magistratura em flagrante desrespeito que antecipava Renan Calheiros, que em 2016 ignorou decisão que o afastava da Presidência do Senado.

Em 1931, o caudilho Getúlio Vargas aposentou ministros compulsoriamente e alterou a seu bel prazer a composição da Corte superior. Em 1965, o Regime Civil Militar simplesmente aumentou o número de ministros de 11 para 15 para alterar sua composição a favor do Golpe e depois, retornou aos 11 quando lhe foi favorável.

Hoje o STF tem uma composição muito heterogênea, sendo que pelo menos 3 ministros não preenchem os requisitos constitucionais para ocuparem uma cadeira. O caso paradigmático é o de Dias Toffoli, que não reúne os requisitos constitucionais para o preenchimento da vaga de ministro, mas...

Agora, em plena “pré-campanha” para Presidente da República o capitão reformado Bolsonaro propõe ampliar o número de ministros do STF de 11 para 21. Tal proposta além de não representar qualquer melhora na prestação da jurisdição é uma violação flagrante da ordem constitucional, na medida em que a intenção é alterar a resultante de forças nos julgamentos por meio de manobra casuística e inoportuna.

Alegou o “pré-candidato” à TV Fortaleza em entrevista:

 

“É uma maneira de você colocar dez isentos lá dentro porque, da forma como eles têm decido as questões nacionais, nós realmente não podemos sequer sonhar em mudar o destino do Brasil”.

 

O capitão reformado avança perigosamente para além de suas prerrogativas administrativas se e quando eleito para a Presidência. Não há que negar que o STF tem sub-repticiamente também avançado sobre as prerrogativas do Executivo e do Legislativo, como é o caso do Ministro Lewandowski que acabou por “canetada” proibindo o governo de privatizar estatais.

O Brasil vive um momento no qual as instituições foram duramente atacadas e vilipendiadas durante o governo lulo-petista de 13 anos, resultando na mais estupenda recessão econômica, com graves fissuras no tecido social da nação e no colapso das funções dos poderes e agora não consegue restaurar a normalidade.

O capitão reformado é apenas o sintoma. Na patética eleição que se avizinha, onde em primeiro lugar o povo coloca um presidiário, condenado em segunda instância e em segundo um arremedo de populista de direita radical sem mais ideias do que reproduzir o que de pior o povo brasileiro é capaz de pensar, resta-nos intranquilidade e incerteza, além de desesperança!

Tristes trópicos!

 

Laércio Lopes de Araujo

[email protected]

 

 

O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 28 anos, Mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.

 

 

Ranço getulista no STF

Inconformadas com o fim do imposto sindical, chamada eufemisticamente de contribuição, os sindicatos brasileiros recorreram ao STF por meio de ADI, buscando inquinar de inconstitucionalidade a parte da reforma que acaba com o espúrio tributo.

A unicidade sindical e a contribuição foram criadas durante a ditadura do Estado Novo. Nesse período governava o caudilho gaúcho Getúlio Vargas que deixou uma marca profunda e duradoura de atraso, desgoverno, inflação e desrespeito às instituições.

Adorado como o “Pai dos Pobres”, mais não fez que a reprodução da alienação política das camadas populares, consolidou leis trabalhistas existentes antes de seu advento ao poder, sendo incapaz de criar uma legislação codificada e moderna, criou uma justiça trabalhista especializada que encareceu brutalmente o empreendedorismo no Brasil e tornou o trabalhador vítima fácil do peleguismo.

Durante o governo FHC, o único a tentar romper com a herança maldita do getulismo, foi enviada Proposta de Emenda Constitucional que criaria as condições para a ratificação, pelo Brasil, da Convenção 87 da OIT que trata de liberdade e autonomia sindical.

Ora, tal legislação expõe o atraso do patrimonialismo e da dependência das entidades sindicais brasileiras dos governos de plantão. Para atender a este postulado, tramitou no Congresso a PEC 623/98, de iniciativa do Executivo, cujo objetivo consistia em:

a) fim da unicidade sindical, b) instituição de um sistema de liberdade plena, de pluralidade sindical, c) extinção da contribuição sindical, d) eliminação da substituição processual, e) possibilidade de criação de sindicato por empresa, e) limitação da representação sindical apenas aos associados, f) restrição do acesso individual do trabalhador à Justiça do Trabalho, através de conciliação prévia no âmbito da empresa, g) extinção do poder normativo da Justiça do Trabalho, e h) definição do critério de razoabilidade na definição da mensalidade social e contribuições em favor das entidades sindicais.

Passados quase 20 anos, uma reforma muito menos ambiciosa conseguiu passar no Congresso, vencida a resistência do lulo-petismo e dos cardeais da CUT. Do atraso legislativo e das relações entre empresários e trabalhadores, com os custos enormes para o desenvolvimento do país, conseguiu-se por fim romper com o corporativismo, que agora tenta resistir por meio da interferência do STF.

Fachin, que tem uma história brilhante no Direito Civil brasileiro, para tornar-se ministro do STF vestiu a camisa do PT, foi para a rua, fez campanha para Lula e Dilma e agora é a vanguarda do atraso, fazendo ameaças de dar uma liminar para desfazer a reforma trabalhista a duras penas conquistada.

Se o ranço getulista encastelado no STF efetivamente conseguir fazer o judiciário atropelar novamente o legislativo, a perspectiva pouco animadora neste cenário levaria a reviver essa herança maldita, ressuscitando o imposto sindical no Brasil.

A reforma tímida encetada em 2015 não acabou com todos os problemas que o trabalhador enfrenta com o Estado, mas já é um primeiro passo para dar fim à espoliação do trabalhador e acabar com a verba fácil que deixa os sindicatos subservientes ao governo.

Assim, o comportamento do STF novamente usurpando o Poder Legislativo e sendo o ponto de resistência ao avanço do país, como força reacionária e de perpetuação do pior do getulismo, tem que ser repudiado pela sociedade brasileira e tem que ter sua função institucional reavaliada!

 

Laércio Lopes de Araujo

[email protected]

 

 

O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 28 anos, Mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.

 

 

Pátria de Chuteiras!

E novamente os brasileiros se reúnem num ufanismo empobrecido, confundindo destino de uma nação com o patriotismo rasteiro da torcida por uma ‘seleção’ de interesses comerciais!

O Brasil não nasce como estado nação. A ideia do Estado nacional ganha consistência política com o tratado de Westfalia em 1648. Portugal, surgido no alvorecer do século XII é de fato o primeiro estado nacional que podemos chamar de moderno.

Quando surgimos como Estado no século XIX somos uma ideia exclusivamente portuguesa. Uníamos num vasto território povos muito distintos de ameríndios, descendentes de várias etnias africanas, conflitantes entre elas, ainda povos imigrantes de vários lugares da Europa, como portugueses, ingleses, franceses, holandeses, alemães, italianos e mais tarde ainda poloneses, ucranianos, gregos, espanhóis, dinamarqueses, japoneses, coreanos, chineses, libaneses, sírios e muitos outros.

É por isso que a pátria, conceito distinto de nação, precisa de tempos em tempos de elementos aglutinadores que deem algum sentido à deia de Brasil. Sim, porque não há em nosso país uma preocupação com o destino coletivo, com um objetivo de realizar o sentimento de grandeza nacional.

Com o Mercosul, o mercado brasileiro se tornou um imenso e indefeso campo para a exploração de nossas fragilidades políticas e de nossa ensandecida carga tributária.

Enquanto o Paraguai e o Uruguai crescem às custas da guerra fiscal interna entre os estados da federação no Brasil, sobram discussões sobre uma reforma tributária discutida à exaustão por todos aqueles que não só não conhecem absolutamente nada de direito tributário, como o não conhecem de política tributária.

O Brasil é hoje um grande carvalho tombado, onde os parasitas crescem e devoram as últimas forças que ainda resistem ao desmonte da estrutura.

E então vem a copa do mundo e somos bombardeados por um falso nacionalismo. Pateticamente assistimos a televisão gastar minutos preciosos para mostrar 23 milionários viajando de avião, passando bem em hotéis de luxo, aparecendo em toda e qualquer propaganda para promover bugigangas e preocupar-nos com os cabelos e seus cabeleireiros.

Pátria é um lugar que une pelo nascimento e pela fidelidade e honra, os nascidos no mesmo território e fiéis a um mesmo Senhor, a uma mesma Dinastia, a uma identidade histórica. Por isso o Rei. Temos no Brasil vários reis, Roberto Carlos, Pelé, além, é claro, dos que nos governaram.

A ideia de Pátria de Chuteiras é uma denúncia clara de nossa falta de identidade nacional. É um grupo de 11 sujeitos com a camisa de uma instituição cujos últimos três presidentes estão presos. É uma camisa que esconde o roubo da Taça Jules Rimet! A mesma camisa é ancora de propaganda comercial e de interesses escusos, é isso que nos faz uma nação?

Nação é uma comunidade histórica que se reconhece como homogênea na língua, na cultura, nos valores e na busca do destino comum! Não se divide quanto à cor, quanto à origem, quanto ao sexo! O período petista e a fragmentação da sociedade brasileira em minorias arrivistas, com grupos de pressão sem destino comum, foi um grande desserviço à ideia de nação!

A Pátria de Chuteiras é meramente falta do destino nacional, falta do amor a nossa cultura, nossa língua e nossos valores. Daí porque a desesperança e imprevisibilidade de outubro de 2018, consequência de nossa miopia e mesquinharia política!

Reacionarismos

No Brasil confundimos conservadorismo com reacionarismo.Confundimos defesa da democracia com reacionarismo. O pensamento obtuso e antidemocrático é reacionarismo. Mas, quais os reacionarismos políticos hoje vicejando no país?

O pensamento reacionário surge, como o seu próprio nome diz, de uma reação aos movimentos revolucionários que dominaram os séculos XVIII a XX. O Iluminismo desencadeia o furor revolucionário no final do XVIII na França e como resistência àquela ensandecida destruição do Estado, da Cultura, dos Valores e da própria vida humana, nasce a reação.

Um conceito superficial de reacionário entende o estreito vínculo existente com o termo "revolucionário", ambos à margem do fluxo temporal, desvalorizando o presente para invocar o passado nostálgico (reacionário) ou um devir idealizado (revolucionário).

Reacionário enxerga o ideal no passado, no que foi e não será mais, salvo se retomarmos os antigos valores. Não se confunde com a manutenção do status quo político e social diante de propostas de mudança ou de ideias voltadas para a transformação da sociedadeo que é conservadorismo.

Assim, confundidos com conservadores, que, ao contrário, valorizam o presente e admitem mudanças que respeitem a história (reformas), os valores sociais, bem como a tradição, responsabilizando-se pelo devir, os reacionários sempre foram considerados de direita, já que os revolucionários se constituíam na esquerda.

Ocorre que com a falência do ímpeto revolucionário no terceiro quartel do século XX, o pensamento reacionário passou a abranger também um reacionarismo de esquerda. Uma utopia de voltar aos bons tempos da existência da União Soviética, do comunismo de Estado, da ditadura do proletariado.

Hoje vemos saudosistas da URSS guardando em suas casas flâmulas, bandeiras, pins, discos, pequenas estátuas de líderes comunistas, imagens de Trotsky e Guevara, quando não de Lenin, Marx e Engels, numa pantomima simétrica daqueles que idealizam Mussolini, Hitler, a cruz gamada, fascio e outros sinais contrarrevolucionários.

São reacionários de esquerda os saudosistas dos regimes criminosos do século XX que liquidaram milhões de pessoas em nome de mentiras que não deram certo. A falência do “socialismo real” não é casual, mas absolutamente determinada pela sua impossibilidade lógica, já que tem como elemento construtor o humano.

Quando vemos Ciro Gomes, Manuela d’Avila e Guilherme Boulos fazendo discursos reacionários de esquerda, emulando um mundo ideal inexistente, mobilizando sem tetos e sem terras, apesar de mais de treze anos de governos irresponsáveis de esquerda, que levaram o Brasil ao caos político e à beira do caos social, perguntamo-nos, até quando, impunemente, poderão fazer a apologia do fracasso?

Assim também, quando vemos os reacionários de direita alardeando mentiras, repetindo fórmulas desgastadas e fracassos atestados, como é o caso de Jair Bolsonaro e companhia, percebemos que a sociedade brasileira foi educada longe dos valores da democracia liberal, valores estes que foram abandonados quando do golpe militar que instalou a república de bananas no Brasil em 1889.

A situação bizarra de estarmos caminhando para o precipício, divididos entre reacionarismos de esquerda e de direita, porque incapazes de reconhecer que a era das Revoluções foi um fracasso e de que a reação é uma distopia medonha é reflexo de nossa imaturidade política, de nosso desapreço pela democracia liberal, de nossa triste sina de reprodutores do erro, para ver se dá certo! Enquanto adoradores do demônio, não há como chegar ao céu! E no céu só há democratas liberais!

O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 28 anos, mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.

 

O Cérbero paranaense

O Paraná, assim como o Brasil, vive a imprevisibilidade de uma campanha política incerta, em que as alianças eleitorais se mostram estapafúrdias e completamente ilógicas, confundindo ainda mais o povo.

No momento em que os partidos políticos e as instituições do Estado se deslegitimam em função de não dar respostas satisfatórias às necessidades da população, bem como, incapazes de corresponder às mudanças tecnológicas e de participação da sociedade, o que nossos políticos fazem é repetir mais do pior.

Agora somos brindados com a aproximação de João Arruda – MDB/PR do candidato ao governo do Estado pelo PDT, Osmar Dias, na consolidação do que parece ser uma aliança entre Roberto Requião – MDB, candidato ao Senado com o pedetista.

Em 2008 quando da crise do capitalismo central e, das políticas anticíclicas propostas pelo governo Lula, Requião, então governador e desde sempre aliado do PT na esfera federal, baixou normas regulamentares no estado reduzindo a carga tributária sobre 95 mil produtos conforme a propaganda oficial e concentrando a arrecadação do governo sobre energia e combustíveis, elevando as alíquotas sobre estes produtos essenciais para 29%.

Quando o país entrou em crise em 2014, os governos estaduais e logicamente o paranaense, voltaram a onerar a economia com a elevação da carga sobre todos os produtos desonerados anteriormente, elevando novamente a alíquota de milhares de produtos de 12% para 18% revertendo a falsa “reforma tributária” promovida em 2008 por Requião.

Tais manobras reduziram o poder de compra dos paranaenses em mais de R$ 800 milhões em 2015, sem que se retornasse a alíquotas mais justas sobre bens de consumo fundamental, aumentando brutalmente a carga tributária no Estado.

No momento em que vemos a receita do Estado encolher em 7% no primeiro quadrimestre de 2018 e em que o governo, movido por interesses eleitorais, encaminha projeto de retirar a proibição de aumento dos servidores em 2019 é hora de entender o que está acontecendo no plano político.

Daí um Cérbero, o cão guardião dos infernos, ser articulado para ludibriar do povo paranaense na hora da escolha de seus governantes em outubro de 2018.

Requião que já afirmou que subiria no palanque com o diabo para vencer uma eleição, nesta campanha recria um monstro mitológico que lhe cai bem. Uma aliança com Osmar Dias para o governo, Requião para o Senado e Álvaro, Ciro, Meirelles e Lula para a presidência é a imagem perfeita de Cérbero.

Durante toda a crise política e econômica causada pelo governo do PT, Requião esteve alinhado aos petistas. Seus discursos de esquerda festiva, seus delírios de Puebla, só o fazem mais semelhantes ao Mussolini de 1922. Assim, uma aliança entre o eterno indeciso, que não sabe o que quer e tem no partido como candidato a presidente o boquirroto Ciro Gomes, junto com um dever de apoio o irmão, candidato pelo nanico e risível Podemos ou Pode (sabe-se lá), aliados aos restos do PT em torno de seu guru preso e ainda com um MDB desnorteado com Henrique Meirelles, só pode ser um monstro mitológico despido de coerência e seriedade.

A Coligação do Atraso, que é como deve coerentemente se chamar a reunião de PDT, PT, MDB e Pode no Paraná, é um exemplo que não exige muitas explicações da completa falência do sistema político partidário. É o som das trombetas do inferno, liberando um Cérbero com múltiplas cabeças. Todas elas muito ensandecidas. Todas elas querendo o sangue e a vontade dos paranaenses. Vade Retro!

 

E agora José?

Na noite de ontem assistimos à patética coletiva de imprensa dos ministros de Michel Temer para anunciar o acordo entre o (des)Governo Federal e os líderes do locaute das transportadoras que se juntou à greve de motoristas autônomos.

Eliseu Padilha reuniu a coletiva e começou a falar sobre vitória. Quando há vitoriosos, sempre há perdedores. Não há vitória sem que haja derrotado. Derrotados foram o povo brasileiro e o Estado. Um governo fraco e que perdeu toda a sua legitimidade.

Pergunta que não quer calar: Alguém aí sabe para que serve a ABIN?

Agora, quem é o responsável por toda esta anarquia que vivemos, pelo descalabro econômico e político?

A revolta dos motoristas autônomos foi contra a política de reajuste diário dos combustíveis praticados pela Petrobrás desde que Pedro Parente assumiu a presidência da empresa. Sabidamente honesto, Parente passou a praticar nas refinarias o preço internacional dos derivados do petróleo e utiliza uma política de preços que é usada nos Estados Unidos. Ora, quem não recuperaria uma empresa falida aplicando aumentos diários e transferindo toda a variação de câmbio e preço de seu produto, em monopólio, para o consumidor?

A razão pela qual chegamos a esta situação pode ser mapeada e não deve ser esquecida.

 

  1. O discurso de que a Petrobrás é nossa é um engodo para manter o brasileiro preso numa credulidade espúria. Tanto não é, que fez acordo bilionário para ressarcir o bolso de acionistas estrangeiros nos Estados Unidos;
  2. Como a Petrobrás foi assaltada e falida durante os 13 anos de gestão petista agora, os brasileiros, temos de pagar pelo rombo, pagar a dívida da estatal com uma política de preços extorsivos;
  3. Que durante o governo de Lula da Silva os planos mirabolantes de construir refinarias no Maranhão e no Pernambuco e a compra de refinarias em Pasadena e no Japão, foram das maiores irresponsabilidades já praticadas com patrimônio público no Brasil!

 

Aspecto relevante ainda, o colapso do Estado brasileiro tem por origem do desgoverno o ex-presidente preso em Curitiba. Primeiro indicou um poste para governar o país, que nunca reuniu condição para administrar a coisa pública. Por duas vezes escolheu como vice o presidente mais impopular de nossa história e que agora se mostra incapaz de retirar o país do atoleiro.

Na noite de ontem (24) a coletiva que deu por acabado o movimento dos caminhoneiros foi um primor de incompetência e de surrealismo. O país ficou de joelhos, havia uma sequência de concessões que não eram para os motoristas autônomos mas para a indústria do transporte.

O governo mostrou-se fraco, tíbio, incapaz de resolver o problema e se comprometendo com a recriação de subsídios para o óleo diesel. Tal política, conhecida pelos grandes males que produz, e vivida na época dos estertores do regime civil-militar, quando a inflação chegou a 4 dígitos, não deu certo há 40 anos e com certeza não dará agora.

A Petrobrás resolveu pôr do bolso R$ 353 milhões nos primeiros 15 dias. Quem pagará a conta quando acionistas americanos forem ao judiciário para questionar a benesse? Com certeza o contribuinte brasileiro!

Não sabe o governo quanto prometeu, quanto vai custar, nem como vai pagar! Enfim, quando é que as velhinhas de Taubaté irão se convencer que Lula da Silva e seu exército de incompetentes e mal-intencionados são os criadores do caos que vivemos?

A greve continua! O país continua de joelhos! E agora José?

 

Laércio Lopes de Araujo

[email protected]

 

 

O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 28 anos, Mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.

Melhor, boca fechada!

O Brasil e seu festival de piadas prontas nunca se esgota. Esta semana tivemos alguns exemplos, mas um foi paradigmático!

A Família Real brasileira, de forma legítima, no seu ramo de Vassouras, manteve dignamente a pretensão à Restauração da Monarquia no Brasil desde o golpe militar que depôs o Imperador Pedro II em novembro de 1889.

No entanto, boa parte do que representou o civilismo do Império, foi sendo corrompido historicamente aliando-se correntes pela restauração com movimentos militares alheios ao espírito democrático e liberal da tradição monárquica brasileira.

No sábado (19) a monarquia britânica tornou o casamento do Príncipe Harry, 6º na linha de sucessão ao trono, uma festa simbólica da modernidade e da lucidez de uma dinastia que retém o trono britânico desde o século XVIII. Superou as crises de duas guerras mundiais, da guerra dos Bôeres e do esfacelamento do Império.

Os descendentes brasileiros de Pedro II não foram convidados para o casamento real. A imprensa considerou que era importante saber por que os nossos príncipes não foram convidados para a festa, que reforçou a mística e a magia do Estado monárquico.

Quando questionado porquê da ausência do convite, Dom Bertrand de Orléans e Bragança, segundo na linha sucessória legitimista acabou por declinar que jamais autorizaria o casamento de Harry de Windsor com Meghan Markle, ela divorciada, em função de ser católico e para esta Igreja o divórcio é inaceitável.

Ante a reprovação moral do casamento do príncipe, obviamente não seria prudente o convite a representantes da realeza brasileira que se dão o direito de reprovar as leis dinásticas de uma monarquia que sobrevive desde a sua fundação.

Daí que o prolóquio: “É melhor manter a boca fechada e parecer estúpido do que abri-la e remover a dúvida” deveria ser levado ao pé da letra pelos representantes e assessores da família real brasileira.

Sem sombra de dúvidas é melhor sustentar apenas um rei até a morte do que colecionar uma série de políticos aproveitadores que perpetuam privilégios, multiplicando a carga de obrigações do Estado brasileiro. Pagamos viagens de Dilma Rousseff pelo mundo para falar mal do Brasil e por quê?

O povo português tem se colocado a questão, pertinente, do porquê que a presidência da república portuguesa custa ao erário dez vezes mais do que a Casa Real de Espanha. Enquanto isso no Brasil, sustentamos sinecuras para José Sarney, Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva (mesmo preso) e Dilma Rousseff e o fará para Michel Temer a partir de janeiro de 2019.

Com tal realidade, nossa família real gostaria de ser levada a sério e que fosse considerada como alternativa ao descalabro, à completa oligarquização da política durante a república, que fosse vista como a herdeira do império pujante, liberal e estável que o Brasil já foi. Mas, como levar a sério uma alternativa que olha o passado com ar saudosista? Que não percebe a oportunidade que perdeu de se alinhar a uma monarquia atual, poderosa e que se moderniza e permite a identificação com seu povo?

O que falar de monarquistas que apoiam o Jair? O que dizer de monarquistas que apoiam uma solução militar? Nada mais estranho à democracia coroada que o apoio de quem, com perjúrio, legou ao Brasil a triste sina de repetir-se como República das Bananas!

Para arrematar, Elizabeth II não deve ter ficado preocupada com a opinião de nossos príncipes. Tristes trópicos!

 

Laércio Lopes de Araujo

[email protected]

 

 

O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 28 anos, Mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.