PENSAR SEM MEDO
A quem interessa

Vivemos dias de ocaso de mais um dos impérios construídos pela humanidade! Agora é o momento de vivermos a decadência do Império Americano!

Ao contrário do Brasil que nasceu grande, unido pela ideia de pátria e governado por uma dinastia europeia, cuja legitimidade da forma de Estado e sistema de governo herdamos de uma tradição cultural, os Estados Unidos nasceram da união de treze pequenos estados na costa leste da América do Norte.

A busca pela expansão e a luta inclemente contra as nações indígenas foram dando origem à ideia de um estado imperial que se estende de costa a costa do continente, com uma ampla fronteira marítima com o Pacífico e o Atlântico.

O Estado americano não nasce grande, mas antes, se desenvolve pela continuada ambição e destemor, pela guerra e pela aniquilação dos adversários, tornando-se um país territorialmente grande e formando uma nação com vocação imperial.

Já no final do século XIX travou uma guerra imperialista contra a Espanha e desapossou a nação europeia de seu império colonial, tornando dependências suas as Filipinas, Cuba, Porto Rico e ilhas no Pacífico e no Caribe.

Desde então sua expressão política e militar se estendeu por todo o mundo e nas duas guerras mundiais travadas principalmente em solo europeu, tornou-se a potência hegemônica, logo após ter soçobrado o império soviético.

No entanto, no mesmo momento em que Francis Fukuyama anunciava o fim da História e que o Império americano atingia o seu apogeu, os sinais de que começava o declínio inexorável de seu poder passaram a tisnar o horizonte geopolítico.

Donald Trump não é uma decisão amalucada do povo americano, mas antes, o sinal visível da decadência de sua força. O seu lema “Make America great again” pressupõe que a sociedade americana percebeu que deve se esforçar para ser grande novamente! Ora, só pode desejar ser novamente algo, quem já o deixou de ser!

Assim, podemos compreender os desafios que Kim Jong-un tem repetidamente feito ao gigante americano. Ele expõe de maneira chocante a impotência do império em proteger seus aliados, Japão e Coreia do Sul, disparando mísseis e construindo tecnologia nuclear sem que Trump possa fazer nada.

Trump disparou mísseis contra a Síria, numa base onde estava sediada uma parte da aeronáutica russa, mas curiosamente não se abateu qualquer avião ou soldado russo.

Agora, o presidente americano de maneira cinematográfica anuncia a transferência da Embaixada americana em Israel de Tel-aviv para Jerusalém.

A não ser para mostrar poder de afrontar o mundo, e de fazer crer que os EUA permanecem como os verdadeiros xerifes mundiais, a transferência da embaixada, para além de agradar judeus, traz problemas insolúveis para o império.

Em primeiro lugar, a embaixada irá se tornar o objetivo principal de todos os homens e mulheres bomba de todo o mundo árabe-muçulmano. Em segundo lugar, perderá o apoio geopolítico sobre os países do oriente próximo.

A primeira conclusão é que o petróleo já não é o motor da política americana para o mundo árabe. A segunda é que a indústria bélica americana está fazendo apostas extremamente elevadas em uma próxima conflagração que deverá envolver boa parte do que imaginamos ser o mundo civilizado.

A transferência da embaixada americana para Jerusalém é mais um dos sinais da decadência do império, e do quanto os salvadores da pátria só fazem demonstrar nosso fracasso!

 

Laércio Lopes de Araujo

[email protected]

 

 

O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 27 anos, Mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.