PENSAR SEM MEDO
Metas, que metas?

Dilma Rousseff foi impedida, entre outros motivos, porque era incapaz de governar, tanto do ponto de vista político, quanto do ponto de vista administrativo. Exemplo importante de sua proverbial ignorância foi a frase com que homenageou o Pronatec:

“Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta”

Mudou o governo e a imprensa, já acertadamente preocupada com a falta de um projeto de governo, questionou o General Augusto Heleno, guru do Palácio do Planalto e Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, sobre as metas para os 100 primeiros dias de governo.

O General simplesmente negou a existência de quaisquer metas a serem atingidas ou prioritárias para os primeiros 100 dias, bem como não confirmou qualquer nova reunião do ministério.

Mas não é apenas de metas que se ressente o atual governo. Falta-lhe coerência, falta compromisso com a tradição histórica do Brasil de acolher imigrantes, apesar de apenas 0,4 % da população brasileira encaixar-se neste perfil. Anunciou o presidente que o nosso país deixará o Pacto Global de Migração da ONU, como se esse fosse um problema para o Brasil.

Alegou que o Brasil é soberano para decidir e aceitar ou não migrantes, que não é qualquer um que entra em nossa casa, nem será qualquer um que entrará no Brasil via pacto adotado por terceiros.

Mas o Brasil é soberano quando o presidente anuncia que poderá ceder parte de seu território para a instalação de uma base militar norte-americana? Será soberano quando um terceiro país exercer poder militar dentro do território nacional?

O governo que não tem metas ou planos, tem discutido a portas fechadas reformas na previdência, na tributação, na legislação penal e trabalhista, sem qualquer discussão com a sociedade civil.

As notícias desencontradas não permitem à sociedade um debate sério sobre as condições com que se pretendem fazer as reformas, e não se estabelece um consenso político que permita o desenvolvimento da agenda do governo no Congresso.

Não obstante todos esses obstáculos que são fruto das próprias características das forças políticas que ocupam o Planalto, temos escândalos que começam a rondar o governo, sem que se dê a eles a mesma importância que se deu àqueles do governo do PT.

Onyx, envolvido em escândalos de caixa dois, os quais foram perdoados apenas com ato de contrição, agora tem questionado recibos de reembolso de verbas da Câmara. O assessor Queiroz e suas transações suspeitas não consegue ser alcançado pelo Ministério Público, e não só: ele se negou, de maneira desafiadora a comparecer a inquirição, apesar de apto a dar entrevistas à imprensa. Sua família também não compareceu, apesar de envolvida no escândalo que todos fazem esforço para varrer para debaixo do tapete.

Os empresários que fizeram uma aposta arriscada no capitão reformado veem agora um ataque ao Sistema S e um risco imenso à sobrevivência de pequenas empresas, sem que se promova de fato a discussão do perfil das mudanças e sua necessidade nesse momento!

O Brasil deixa de ser um país acolhedor, deixa de ser um player moderno no contexto mundial, para se tornar parceiro da Turquia, do Irã e de outros países párias na ordem mundial. Antes, não tínhamos metas, mas ao atingi-las as dobraríamos. Agora, não temos metas, nem planos, e muito menos a perspectiva de alcançar qualquer objetivo conhecido!

Metas, que metas?

 

Laércio Lopes de Araujo

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O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 28 anos, Mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.