PENSAR SEM MEDO
Um pesadelo que pode custar caro!

A eleição de um capitão do exército com carreira medíocre, sem experiência administrativa e que atuou mais como líder sindical dos militares do que como político a ser levado a sério para a maior magistratura da nação é um pesadelo que pode custar muito caro.

No momento em que o presidente faz uma vergonhosa passagem pelos Estados Unidos, mostrando-se subserviente e despido de ideias construtivas, temos de passar pelo vexame da homenagem ao guru do governo, o filósofo de internet Olavo de Carvalho. No discurso o capitão esclareceu que não é o momento de “construir coisas para o nosso povo”, mas sim de “desconstruir muita coisa”.

Arrematou que “o nosso Brasil caminhava para o socialismo, para o comunismo”. Ora, o atual governo está pelo menos 30 anos atrasado, a guerra fria acabou em 1989 com a queda do Muro de Berlim e teve seus últimos estertores em 1991 com a extinção da URSS.

Bolsonaro no discurso que fez quando da visita a Donald Trump enfatizou que os países estão irmanados contra a ideologia de gênero, o politicamente correto e as fake News. Não há qualquer menção a uma agenda positiva contra o desemprego (mais de 12,7 milhões de desempregados), a violência (mais de 64 mil homicídios anuais), a pobreza, a corrupção, a guerra e a falta de segurança.

Alguns apontam sucessos do governo para sair-lhe em defesa. Entendem que Jair ao assinar o decreto 9.723/2019 simplificou a apresentação de documentos para recorrer à administração federal tornando o CPF um número quase equivalente ao seguro social americano. Esquecem-se que tais medidas foram tomadas já na década de 70 por Hélio Beltrão, sem que houvesse qualquer sucesso (quem lembra do Ministério da Desburocratização?).

Que por decreto extinguiu 21.000 cargos comissionados e funções gratificadas o que em tese, pouparia R$ 195 milhões ao Tesouro. FHC também fez o mesmo, colocou em disponibilidade milhares de servidores e o resultado foi consumido pelos governos do PT.

Que o leilão dos aeroportos arrecadou R$ 2,377 bilhões, com ágio de 986%, esquecendo que tal leilão e sua regulação foram determinados ainda no Governo Michel Temer e que a iniciativa não deve nada ao atual governo.

Por fim, os apologistas da tragédia que se anuncia, invocam os recordes da Bovespa e a volátil “estabilidade” do dólar como comprovação das boas perspectivas econômicas, esquecendo que a indústria voltou a ficar estagnada, que a projeção de crescimento econômico para este ano não supera 2%, que o desemprego continua nas alturas e que, não aprovada a reforma da previdência, o país certamente embicará para o abismo.

Esquecem-se os defensores deste governo que o Senador Flávio Bolsonaro envolvido com o caso Queiroz, comprometido com homenagens a milicianos, está atuando no congresso e utilizando o partido de aluguel PSL para intimidar o Ministério Público sem dar qualquer satisfação dos fatos que estão sendo apurados.

Esquecem-se que de maneira leviana e perigosa o presidente do Brasil se compromete em apoiar a intervenção americana na Venezuela numa flagrante violação da tradição diplomática brasileira e provocando o grave risco de envolver o país num conflito militar espúrio e estúpido nas fronteiras da Amazônia.

Esquecem-se, ainda, que o presidente tem um domínio sofrível da língua pátria e acaba por se desculpar muitas vezes do que diz, sem que fiquemos sabendo o que de fato queria ter dito, como é o caso da diatribe violenta e gratuita contra os imigrantes durante a visita aos EUA.

Este governo é um pesadelo e pode nos custar muito caro!

 

Laércio Lopes de Araujo

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O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 29 anos, Mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.