PENSAR SEM MEDO
Venezuela ou Alemanha

Laércio Lopes de Araujo

 

 

Os brasileiros foram às urnas em 7 de outubro de 2018 e decidiram que no segundo turno farão a escolha entre dois futuros prováveis: o Brasil será uma Grande Venezuela ou uma Grande Alemanha?

O ministro Dias Toffoli, herança dos últimos minutos do lulismo, ao assumir a presidência do STF foi correndo visitar o General Villas Bôas, Comandante do Exército, pedir um assessor para o seu gabinete. Nada mais natural para quem acha que o Golpe Militar de 1º de abril de 1964 foi um “movimento” e não o ponta pé inicial de uma ditadura. Também é natural, na medida em que, não tendo nenhum dos pré-requisitos constitucionais para ocupar uma cadeira na mais alta Corte, que o dito ministro necessite de uma assessoria militar para auxiliar na chefia de um dos poderes da República.

De notar que Michel Temer, o vice-presidente escolhido duas vezes pelo PT e por Lula, tenha indicado um militar para Ministro da Defesa, rompendo com a tradição sadia inaugurada no Governo FHC de manter tal pasta com os civis.

Bolsonaro e Haddad estão estendendo tapetes vermelhos às altas patentes militares. Haddad depois do beija-mão a Lula em Curitiba, após ter passado para o segundo turno, foi pedir a benção aos militares.

Assim, os militares que deveriam estar zelando pela sua imagem e se distanciando das disputas políticas, estão sendo arrastados para o proscênio e passam a ser os mediadores, os moderadores do processo político numa demonstração estapafúrdia da fragilidade e da debilidade das instituições no Brasil. E isso quando se comemora apenas 30 anos da constituição.

Com a escolha que o povo fez nas urnas no primeiro turno, coloca-se então, uma opção clara aos brasileiros. Desejamos ser no futuro uma Grande Venezuela de 2016, com miséria, inflação, caos econômico, social e político, controle da liberdade de expressão e faremos uma constituinte fake, instituindo um socialismo bolivariano ou seremos uma Grande Alemanha de 1933, com um sujeito incapaz, governando com amparo na elite econômica e militar, produzindo miséria, inflação, falta de liberdade de expressão, com um nacionalismo xenofóbico, controle do judiciário e uma constituição ditada pelos mandarins de plantão?

Não há alternativa saudável para o país com as escolhas que se apresentam. O desalento, o desespero, a angústia de viver num Estado cujo futuro é sombrio, qualquer que seja a alternativa para governá-lo, não permite ao cidadão de bem fazer uma seleção consciente e segura.

Bolsonaro só existe porque o período lulo-petista produziu esta grotesca imagem da parcela mais reacionária da sociedade brasileira. Haddad é meramente uma criatura, um poste, um boneco de ventríloquo de um líder sem grandeza, de um político carismático que pouco está preocupado com a felicidade do povo. Que só pensa em sua projeção e poder sobre a triste história de um país desalentado.

Os militares nunca foram solução para o Brasil. Desde que por um golpe perjuro derrubaram a Monarquia têm ocupado sub-repticiamente o poder e nos legam sempre um sistema político pior do que aquele que encontraram ao assumir inconstitucionalmente o poder.

Os militares não são os salvadores da pátria. São aqueles que comprometem nosso futuro, que obscurecem nossa história sob o manto da violência, da desonra, do perjúrio e da falta do dever cumprido.

Uma escolha. Duas perspectivas mais que sombrias. Nenhuma chance de acertar!

 

Laércio Lopes de Araujo

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O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 28 anos, Mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.