Psicologia em pauta
“Maio Amarelo”

 

 

“O Movimento Maio Amarelo nasce com uma só proposta: chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo”.

Foi “criado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária para conscientizar aos motoristas, pedestres e ciclistas sobre a segurança no trânsito.

A cor amarela foi escolhida pois, no semáforo, ela significa “atenção”. E, no movimento que acontece durante Maio, o pedido é para que todos se atentem pela vida – as suas e as dos próximos.

“Assim como o “Outubro Rosa” e o “Novembro Azul”, o símbolo do “Maio Amarelo” é também um laço. O objetivo é que as pessoas promovam ações, debates e avaliações sobre os riscos de determinados comportamentos no trânsito durante os deslocamentos diários. Importante que todos repensem sobre o que é necessário para que a segurança nas vias seja constante e possam conviver pacificamente o ano todo.

Mais de 19,3 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito em 6 meses, segundo a Agência Brasil in Estatísticas de Mortes no Brasil de 12/09/18.

Sempre me questiono: será que essas vidas não seriam poupadas se a Educação tivesse maior atenção tanto das famílias como do poder público?

Em minha prática cotidiana, me deparo com a “ponta do iceberg”, quando a queixa familiar, ao trazerem seus filhos para a psicoterapia é: “não consigo controlar meu filho(a)”!

Como? E de que forma educá-los, se o convívio é impessoal, pois cada um vive no seu mundo individual em que muitas vezes não se encontram, pois os horários são incompatíveis (o pai e ou a mãe saem e voltam e seus filhos, ou já foram para a escola ou dela já voltaram e já estão dormindo) ! E o pior, quando estão juntos, cada um está no mundo virtual... E, quando saem, quem os conduz, não respeita as Leis de Trânsito!

Se tivéssemos a consciência que vivemos em “sociedade” não precisaríamos de Campanhas, as mais diversas, pois esses comportamentos teriam de ser habituais, fazer parte do nosso cotidiano.

Sei que sou enfática e até redundante, quando coloco, ser “desnecessário” a cada tempo ter “Campanha disso ou de aquilo”, pois tais hábitos e comportamentos, já deveriam fazer parte e ser “natural” em nossas vidas. Porém, como estamos longe dessa evolução, que venham os Maios Amarelos, os Outubros Rosas e os Novembros Azuis, para que pelo menos nesses períodos fiquemos mais alertas como cidadãos responsáveis pelo futuro das novas gerações. 

Lílian Yara de Oliveira Gomes

                          CRP  08/17889

DIA DAS MÃES

Já manifestei que não sou muito afeita a datas especiais para se realizar “certas comemorações”, porém é neste contexto que vivemos e nele temos que encarar seu processo, pois também entendo que se é nele que estamos, é nele que temos que conviver, aceitando as convenções que a própria sociedade  instituiu.

Quando “nasce um filho, nasce uma MÃE”. E com isso uma série de compromissos que nem sempre são executados de maneira a propiciar a esse novo Ser, todas as possibilidades de se constituir como um Ser Integral, fazendo todas as fases naturais de seu desenvolvimento.

O desenvolvimento de uma criança não acontece de forma linear.
As mudanças que vão se produzindo de forma gradual, são períodos contínuos que vão se sucedendo e se sobrepondo.
Durante a evolução a criança experimenta avanços e retrocessos, vivendo seu desenvolvimento de modo  particular. Acompanhamos a construção de sua personalidade respeitando que em cada idade há um jeito próprio de se manifestar.
Tanto antecipar etapas, como não estimular a criança, podem  ser geradores de futuros conflitos. Cabe a família e à escola conhecer e respeitar os passos do desenvolvimento infantil.

O processo de fortalecimento gradual dos músculos e do sistema nervoso, os movimentos bruscos e descontrolados iniciais vão dando lugar a um controle progressivo da cabeça, dos membros e do tronco.
Por volta das 8 semanas é capaz de levantar a cabeça sozinho durante poucos segundos, deitado de barriga para baixo. Controle completo da cabeça por volta dos 4 meses: deitado de costas, levanta a cabeça durante vários segundos; deitado de barriga para baixo começa a elevar-se com apoio das mãos e dos braços e virando a cabeça.
Por volta dos 4 meses o controle das mãos é mais fino, sendo capaz de segurar num brinquedo.
 Entre os 4 e os 6 meses utiliza os membros para se movimentar, rolando para trás e para frente; apresenta também maior eficácia em alcançar e agarrar o que quer ou a posicionar-se no chão para brincar .Desenvolve o seu próprio ritmo de alimentação, sono e eliminação. Ocorre o desenvolvimento progressivo da visão.
Com 1 mês, é capaz de focar objetos a 90 cm de distância.
 Progressivamente será capaz de utilizar os dois olhos para focar um objeto próximo ou afastado, bem como de seguir a deslocação dos objetos ou pessoas.
Entre os 4 e os 6 meses a visão e a coordenação  olho-mão encontram-se próximas da do adulto.
O Desenvolvimento da função auditiva dar-se-á,  entre os 2 e os 4 meses; o bebê reage aos sons e às alterações do tom de voz das pessoas que o rodeiam.
E por volta dos 4-6 meses, possui já uma grande sensibilidade às modulações nos tons de voz que ouve., reconhecendo com discriminação as vozes materna e paternas. Fonte: http://www.mundodoabc.com.br/blog/143-fases-do-desenvolvimento-infantil-0-a-6-anos

Portanto, que todos os Dias sejam Dia das Mães, pois a condição da maternidade nos propicia a oportunidade de acompanhar a riqueza do desenvolvimento de um ser, que poderá fazer toda a diferença na humanidade!

 

Lílian Yara de Oliveira Gomes

                                                                                      CRP 08/17889

O valor da vida

 

 

No dia 25/04/19, assisti a entrevista de Mário Sérgio Conti com Jean-Claude Bernardet (82 anos) teórico e crítico de cinema, cineasta e escritor, nascido na Bélgica, de família francesa, que veio para o Brasil com sua família aos 13 anos de idade, naturalizando-se brasileiro em 1964, à qual me fez pensar no valor da vida.

 O entrevistado, reincidente de câncer, pois foi acometido de C.A de próstata, há alguns anos atrás, realizou na época todos os tratamentos indicados e agora está novamente com essa moléstia devastadora. Ainda lúcido, porém com cegueira parcial, deu uma entrevista elucidatória e instigante.

Sabemos que as doenças fazem parte das nossas vidas e querer se curar é o desejo de todos. “A cura depende das características da doença e das condições físicas do paciente”. E, conforme a situação, o tratamento nem sempre é resolutivo, havendo a possibilidade de apenas melhorar as manifestações da doença, e, em algumas situações, nem mesmo isso.

Sempre será importante que o paciente, entenda o que pode ser feito e os possíveis resultados de cada tratamento específico. E, sabemos também, que a crença de que o tratamento vai funcionar é importante, colocando psiquicamente a possibilidade de se correlacionar a ciência, com a fé e a esperança!

Situações como essa, já ocorreram e são de nosso conhecimento: o caso Steve Jobs, do jornalista Marcelo Resende, que declinaram dos tratamentos tradicionais que a medicina oferece e optaram por outros, que não tem o aval da ciência.

Porém, o risco é grande. A procura /intenção creio, é “sempre pelo melhor”: ouvir uma segunda opinião, após um diagnóstico, até submeter-se ao tratamento que considere mais adequado. E aí, que muitas vezes nos chocamos, porque somos bombardeados por uma série de exames, cirurgias, medicamentos, sofrimentos... E isso torna-se perigoso.

No caso, relatado, para essa decisão com a ajuda da filha e de um amigo, Jean-Claude, optou em não  mais se tratar. Disse, que “está cansado de ser uma doença e quer ser uma pessoa, apesar das limitações que a enfermidade, possa vir a lhe causar, no futuro”.

Todos temos o “livre arbítrio”, porém a vida é maior do que tudo! Sabemos da evolução da medicina, das pesquisas incessantes e que fé e esperança ajudam, mas não resolvem quando embasadas em “decisões equivocadas” ou até egoístas.

Cabe-nos refletir... pois viver sempre valerá a pena!

Terapia Focada na Emoção

Hoje aproveito a oportunidade de compartilhar um resumo do artigo, de Marco Aurélio Mendes (2015), onde vamos encontrar que “a terapia focada na emoção, TFE, é um modelo de psicoterapia neo-humanista e experiencial. Ela se baseia na aplicação da empatia no contexto terapêutico e na utilização de procedimentos vivenciais deflagrados por marcadores específicos observados durante as sessões”. Esse modelo “tem como objetivo central a reestruturação dos esquemas emocionais apresentados pelo cliente, possibilitando, assim, a formação de um novo sentido do self e do sistema de significados pessoais”. Essa terapia está focada na emoção. Conforme colocado no próprio “abstrat”, do artigo, “apresenta uma revisão teórica dos principais autores e publicações, bem como a descrição de algumas intervenções ocorridas no atendimento de um caso clínico, a partir das concepções propostas pelo modelo. Mesmo sem aderir totalmente ao modelo da terapia focada na emoção, conhecer as intervenções específicas pode ser extremamente útil aos terapeutas cognitivos, sobretudo quando a intervenção tradicional não consegue beneficiar adequadamente o cliente”.

Aborda conceitos a respeito de Emoções, cuja interpretação sofre transformações no movimento da história, pois “além das reações fisiológicas, a emoção tem características motivacionais ou tendências para a ação, indicando que algo importante acontece e precisa ser observado, bem como que mudanças no organismo ou na sua relação com o ambiente podem ser necessárias para lidar melhor com a situação. O contexto ou avaliação é outro aspecto a ser destacado, pois podem ocorrer reações fisiológicas parecidas em situações diversas, com a análise do contexto permitindo a classificação da emoção com um determinado rótulo”.

Aponta também que, “além do processamento automático, as emoções humanas são impactadas pela capacidade de avaliação cognitiva por meio dos processos reflexivos e pela capacidade de inferir, de fazer previsões, de pensar e de racionalizar. De acordo com a história evolutiva, o organismo humano foi ganhando cada vez mais complexidade, com outros neurônios se interpondo entre o estímulo e a resposta, resultando na emaranhada e complexa rede neural atual. O que garante, porém, a possibilidade de pensar sobre algo, é a capacidade de transformar as representações neurais em imagens e linguagem, de forma que possamos interpretar e manipular, permitindo-nos fazer escolhas e previsões das consequências das situações e ações (Damasio, 2010). Podemos, portanto, sentir emoções quando pensamos sobre o passado e sobre o futuro, bem como quando fazemos críticas e elogios a nós mesmos e a terceiros. A vivência das experiências tem sempre algum colorido emocional. Diferentemente de outras espécies, não somos necessariamente dominados pelas emoções. Podemos experienciar, refletir e criar novos significados. Isso é o que nos faz humanos e não simplesmente máquinas programadas para a ação quando as emoções nos despertam, fazendo com que possamos até agir de forma contrária ao que estas nos indicam (Damasio, 2010)”.

Segundo o autor, “para a TFE, mais do que algo racional ou irracional, as emoções são o grande sistema de construção de significados das experiências, sendo, portanto, fundamentais para o sentido do self e da auto-organização. São elas que adicionam qualidades e promovem a sobrevivência e o bem-estar, informando que algo importante está acontecendo. O medo sinaliza sobre o perigo; a raiva ajuda na proteção, no estabelecimento de fronteiras e na remoção de obstáculos; a tristeza, a simbolizar perdas, a comunicar necessidades; e o prazer indica que existe algo que pode oferecer enorme recompensa, levando então à aproximação com o objeto/situação. Cada emoção define uma forma de relacionamento do organismo com o ambiente, com outro organismo e também com o próprio organismo (Elliot, Watson, Goldman, & Greenberg, 2004; Friedrickson, 2001).

 

Concluo, considerando esse conteúdo de grande valia para minha prática profissional, pois esse embasamento teórico contribuirá sobremaneira para o aprimoramento da relação terapeuta – paciente, no sentido de colaborar para a melhoria de sua qualidade de vida.

 

 

 

 

 

A importância do afeto familiar na recuperação de pacientes enfermos

Muitas vezes nos deparamos com a doença inesperada, que nos pega de surpresa e nos deixa chocados, sem ter muita noção de quais atitudes teremos que tomar frente ao desconhecido. Vamos encontrar as mais diversas reações e com elas teremos que saber “lidar”.

Para o Hospital Sírio-Libanês, a importância da família no cuidado é tão grande que até mesmo nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), a instituição incentiva a companhia de um familiar ou de outro acompanhante 24 horas por dia. “Apoiamos a presença da família porque observamos que a recuperação do paciente, muitas vezes, acaba sendo melhor e mais rápida quando ele tem alguém que ele gosta ali por perto”, comenta o Gerente Médico da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Sírio-Libanês, o Dr. José Mauro Vieira Jr. Atualmente, conforme a enfermidade, até a utilização de animais de estimação  é  permitida, pois os mesmos transferem muita energia e afeto aos enfermos.

“A recuperação de pacientes é um momento delicado e que exige muita cautela. Afinal, o diagnóstico de uma doença quase sempre vem acompanhado por uma série de sentimentos, que envolve medo e insegurança. Na realidade, isso é normal e acontece por diversos fatores, seja por conta do tratamento severo, seja devido às alterações que o organismo pode sofrer. Nesse momento, o apoio da família é essencial não somente para deixar o paciente mais confortável, mas também para estimular uma visão otimista da situação vivida. Assim, a pessoa se sente mais segura e determinada a seguir todas as recomendações médicas”.

“Outro ponto positivo de ter os familiares   durante a recuperação de pacientes, é poder contar com um ombro amigo, pois vai se sentir muito melhor por saber que pode desabafar sobre medos e inseguranças com alguém”. In Telimagem-2019.

Apoio é fundamental, presença, disponibilidade, são fatores imprescindíveis na colaboração da recuperação do paciente. O acompanhamento psicológico, seja para o próprio paciente como para seus familiares, se faz necessário, pois poderão colocar suas angústias, dúvidas, medos e inseguranças por meio da Psicoterapia, para que percebam com mais clareza a situação que estão vivenciando e possam tomar as melhores atitudes, frente à realidade a ser enfrentada.

Transtorno  Obsessivo  Compulsivo

Considerando que o Transtorno Obsessivo Compulsivo é um Distúrbio Psiquiátrico, percebemos quando ocorre a obsessão contínua, pensamentos, ideias e imagens que são automáticas, invasivas e perseguem o indivíduo sem que ele queira e “obrigam” o indivíduo a tomar certas atitudes, essas repetitivas, que se não a executarem poderão ser castigados ou algo de ruim poderá acontecer a eles. Em geral, os rituais se desenvolvem nas áreas da limpeza, checagem ou conferência, contagem, organização, simetria, colecionismo, escovar os dentes diversas vezes, subir e/ou descer escadas usando o mesmo pé, andar sempre pulando “pedras brancas”, por exemplo, e podem variar ao longo da evolução da doença. O ponto que une todos os relatos é a frustração com o preconceito que existe sobre o TOC. Muitos ainda se incomodam com o senso comum, que encara o assunto como piada ou uma coisa fácil de ser superada. Não é, não. Trata-se de um quadro de difícil manejo, marcado por pensamentos inconvenientes que invadem a cabeça sem aviso prévio. Eles são seguidos por um rito ou um comportamento repetido, que serve de escape para acalmar a mente. “É o caso do sujeito com um pavor irracional de bactérias que deixa de tocar em maçanetas e lava as mãos compulsivamente para não se contaminar”, exemplifica o médico Antônio Geraldo da Silva, da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Para que as pessoas tenham mais conhecimento sobre o TOC, no meu ponto de vista, é oportunizar e divulgar mais acerca desse Transtorno, por meio de palestras, troca de ideias, e de se esclarecer as famílias  para que fiquem mais atentas no sentido de perceber no seu meio, “se os rituais começam a tomar tempo, interferem na qualidade de vida, atrapalham a capacidade de estudar e trabalhar ou geram angústia e solidão, em quem está ao seu lado ou convívio. Nesse caso é preciso buscar ajuda”, responde a psiquiatra Albina Rodrigues Torres, da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista. A preocupação se inicia quando eles ocupam mais de uma hora por dia e fazem o indivíduo se atrasar ou até desistir de seus compromissos.

A psicoterapia associada ao tratamento psiquiátrico, se constituem em valiosos caminhos para o alívio dos sintomas como também para que o indivíduo acometido desse transtorno, possa encontrar dentro de si  mesmo,  alternativas para minimizar seu sofrimento.

Alerta aos pais e/ou responsáveis

 

 

Constantemente temos nos deparado com situações muito importantes e perigosas, no que se trata dos limites e do acesso ao mundo virtual. Muitos pais e/ou responsáveis têm muitas dúvidas a respeito dos limites que devem colocar aos seus filhos.

Primeiramente, faz-se necessário que os pais acompanhem mais de perto a vida de seus filhos, pois a individualidade está muito exacerbada, cada um vivendo seu “mundo”. Hoje está sendo veiculado o vídeo “Momo”, que aparece em alguns programas em que as crianças têm acesso, onde esse personagem ensina, a quem assiste, a se mutilar e até pode levar ao suicídio. Acontece uma grande e forte indução a atitudes que possam levar a comportamentos radicais e até à morte.

Importante é conhecer os filhos e o mundo do seu filho, pensar como a criança pensa, acompanhar a vida deles, saber quem são seus amigos, o que estão fazendo quando estão sozinhos em seus quartos, com quem se relacionam na escola, no grupo social, nas festinhas.

Sabemos que a informação é muito rápida, e também certos pais, dão “os cala a boca”, para não serem incomodados... “A internet é uma terra sem lei...” O diálogo nem sempre é estabelecido, e quando o é, são para se realizar cobranças, chamadas de atenção que nem sempre são as adequadas. A castração é importante, porém devem ser transparentes e verdadeiras para que os filhos entendam “o porquê”, a mesma é necessária.

Hoje já percebemos que as crianças trazem para a vida real, os personagens que veem nos joguinhos, e entendem que o que assistem é real e querem e/ou fazem igual, que os heróis são sempre felizes e sempre “ganham no final”!

 Há   pouco tivemos a tragédia que aconteceu numa escola na cidade de Suzano-SP. Os pais devem fazer a análise antecipada do que os filhos irão ter contato, analisar e experimentar o que o filho vai “jogar e/ou ver”, o que pode induzir ao Transtorno de Dependência da Internet e as crianças entram no jogo e elas esquecem o mundo real ou transformam seus atos, vistos no mundo virtual para o mundo real.

            Pais, alertem-se, acompanhem o que seus filhos estão fazendo! Os jogos exercem um grande fascínio, são indutores de comportamento para o bem , porque podem estimular cognitivamente, mas em sua maioria, induzem para o mal, para  a agressividade, para o comportamento automático, para o isolamento. E, também pode aparecer outros transtornos, como o Transtorno Opositivo Desafiador, que aparece tanto em família como na vida escolar.

            Portanto, estar presente na vida de nossos filhos é obrigação familiar e institucional. Temos que ser responsáveis e darmos limites, obrigações, presença e afetos. Assim, estaremos evitando prejuízos maiores.

Mundo frenético

 

Vivemos nosso dia a dia, como o “Coelho” da história de Alice no País das Maravilhas, que foi criada por Charles Lutwidge Dodgson no dia 4 de julho de 1862, durante um passeio de barco pelo rio Tâmisa. Charles inventou a narrativa para entreter as filhas do amigo Henry George Liddel, chamadas Loriny, Edith e Alice. Sempre temos pressa...

Muitas vezes, amigos e pessoas se aproximam de nós e iniciam uma conversa e nós “parecendo” que os estamos ouvindo, logo falamos de nós mesmos e/ou fazemos o possível para dar continuidade ao que estávamos fazendo ou apressamos o passo.

E essa pressa, pode nos desencadear muitas sensações e até sofrimentos, que por sua vez, poderão se tornar, ansiedade e/ou depressões.

Muitas pessoas acham que “ansiedade é ser impaciente, ter desejos que algo aconteça o mais rápido possível”. Esta é muito mais que isto. É “preocupação excessiva, causa insônia, provoca tensão muscular, ocorrem medos irracionais, a respiração se torna curta e ofegante, pode causar dor no peito, tremores e até ataques de pânico”.

“Alice é uma menina inteligente e observadora que embarca em uma viagem para o País das Maravilhas, um mundo onde tudo parece ser diferente daquilo que ela conhece. A protagonista simboliza a curiosidade e a imaginação que todos temos na infância. O Coelho Branco que passa pelo jardim é o elemento que desperta a atenção da menina. Vestindo um colete e usando um relógio de bolso, corre porque está atrasado. Alice decide ir atrás dele, sem pensar nas consequências. O Coelho, sempre aflito e correndo, representa a passagem inevitável do tempo”.

E, esse tempo, tão precioso, é que necessitamos vivê-lo da melhor forma, tendo consciência da nossa respiração, pois ela é essencial para a diminuição da Ansiedade: “levamos a vida do tamanho de nossa Respiração”. “Aliando a respiração ao movimento, por isso a importância do exercício físico, como uma caminhada, por exemplo, é possível reduzir e até eliminar as tensões musculares, melhorando o contato sensorial e emocional com o mundo externo”, nos aponta Minasi, 2017, in minasi.com.br.

Segundo o Psiquiatra Dr Persio Ribeiro Gomes de Deus, “a ansiedade é uma emoção normal do ser humano, comum ao se enfrentar algum problema no trabalho, antes de uma prova ou diante de decisões difíceis do dia a dia. No entanto, a ansiedade excessiva pode se tornar uma doença, ou melhor, um distúrbio de ansiedade.

Pessoas que sofrem de distúrbios de ansiedade sentem uma preocupação e medo extremos em situações simples da rotina, além de alguns sintomas físicos, o que atrapalha suas atividades cotidianas, já que eles são difíceis de controlar”.

Os distúrbios de ansiedade podem ser tratados. E aqui, tanto o tratamento medicamentoso, como a Psicoterapia, se fazem necessários e importantes.

            E, o primeiro passo é diminuir o “frenesi” dos dias de hoje, sentir mais o mundo e o outro, tomar consciência de si mesmo, escutar a si e ao outro... e também, como não poderia deixar de abordar, viver mais no mundo real, pois estamos nos “impessoalizando” na frenética utilização do mundo virtual! 

Tragédias inesperadas e a ressignificação da vida

As tragédias são sempre causadoras de grandes impactos emocionais, sociais e comunitários. Umas, nos atingem menos e outras, às vezes indiretamente, pois nem sempre acontecem conosco mesmos, porém nos atingem de forma a sentirmos a dor dos que nela foram envolvidos.

“As grandes tragédias, provindas de fenômenos naturais ou de eventos sociais, costumam ter um grande impacto psicológico nas pessoas direta e indiretamente envolvidas. A queda de um avião, um ataque terrorista, um furacão, uma grande enchente… São acontecimentos que abalam de forma abrupta, chocam e surpreendem a todos. A ordem e a estabilidade do ambiente, os vínculos afetivos e emocionais seguros se evaporam em questão de minutos, criando uma sensação imediata de confusão e desamparo”. Eventos como esses, traumáticos e de grande magnitude, são dotados de tamanha intensidade e violência que se tornam muito difíceis para que a pessoa que o experimenta possa processá-lo de imediato. Mesmo não conhecendo as pessoas envolvidas ou estando a quilômetros de distância da tragédia, as pessoas se confrontam com uma realidade que é inimaginável, sofrida. Presenciamos, então, um sentimento coletivo e amoroso na busca de conforto da dor diante da morte e do desamparo. São situações que nos fazem pensar na nossa própria fragilidade, impotência e, muitas vezes, em nossos próprios lutos pessoais. Nos fazem pensar no que deixamos de fazer, nos sonhos que não realizamos, nas pessoas das quais estamos distantes.

Avaliando e estabelecendo uma relação empática, ou seja, nos colocando no lugar das pessoas atingidas pela tragédia de Brumadinho, do incêndio nas instalações inadequadas dos “jogadores aprendizes” do Flamengo,  sentimos que não temos os “alcance” de imaginar o que realmente cada morador daquele lugar pode estar passando. Não foram só bens materiais que lhes foram tirados ou empregos, lugar de subsistência... foram vidas ceifadas, sonhos frustrados, expectativas anuladas. Toda uma vida interrompida, seja humana, animal, da fauna, da flora...E, com a iminência de atingir outros espaços vitais para muitas pessoas que habitam a região atingida.

Como ressignificar a vida? Para essas pessoas, a vida acabou? Ficaram sem teto, sem trabalho, sem familiares... O quê pode dar sentido à vida?

O homem tem o privilégio de poder, com o passar do tempo, encontrar novas alternativas de sobrevivência, de resiliência... 

Os atingidos pela tragédia de Brumadinho, viverão por algum tempo sob o efeito desse estresse pós traumático. A dor, a saudade, a revolta estará instalada na mente de muitas pessoas. Isso jamais será apagado, esquecido. Porém, a vida segue e cada um a seu modo, poderá com o passar do tempo, perceber que tem potencial de enfrentamento, fazendo seus lutos e com isso buscando suportes afetivos e também utilizar a rede de profissionais como  médicos, psicólogos, assistentes sociais, que deem apoio e sustentação que possam  contribuir para a ressignificação da vida.

Não será fácil. Porém compartilhar a dor e a perda é uma das grandes armas para encontrar uma saída criativa e saudável para a elaboração do luto. Assim como dar “tempo ao tempo…”

 

Compartilhando  experiências II

Dando continuidade ao compartilhamento de experiências, trago aqui mais um relato. “Paciente adulto,45 anos, do sexo feminino, com dificuldades cognitivas severas, em terapia há 03 anos”. Seu processo terapêutico se realiza semanalmente e já consegue escrever seu nome, contar até dez, realiza exercícios físicos e frequenta escola para adultos.

Quanto progresso para quem chegou ao consultório sem nem nos cumprimentar e nem dirigir o olhar para mim. Como superar as barreiras da comunicação? Nessa hora, a família e/ou cuidadores tem papel importante para nos dar os dados necessários para que realizemos uma anamnese a mais elucidativa possível, para que possamos conhecer a “história de vida” da mesma. E, na sequencia realizar um processo terapêutico dentro das possibilidades e potencialidades apresentadas pelo paciente.

A dificuldade de concentração ou atenção, a agilidade mental, é estimulada por meios concretos, com atividades lúdicas e o incentivo a caminhadas, natação, fazer yoga, ou jardinagem. Usar um calendário ou agenda diária para não esquecer atividades e datas importantes. Orientar a família para repetir as informações e anotar as novas informações, apesar de que no caso relatado, a paciente não lê, devendo ser “lembrada” por quem com ela convive. Exercitar seu cérebro com atividades mentais, como quebra-cabeças, pintura, etc.

Nesse caso nos utilizamos da Terapia Cognitiva, conforme RANGÉ (2001a), é uma abordagem ativa, diretiva e estruturada, de prazo limitado, orientada para o problema, caracterizada pela aplicação de uma variedade de procedimentos clínicos como introspecção, insight, teste de realidade e aprendizagem visando aperfeiçoar discriminações e corrigir concepções equivocadas que se supõe basearem comportamentos, sentimentos e atitudes.

Na terapia cognitiva, terapeuta e paciente, em conjunto, estabelecem os objetivos da terapia, os sintomas-alvo a serem atacados, etc. Ainda para GREENBERGER & PADESKY (1999), o terapeuta cognitivo deve fazer perguntas a respeito de cinco aspectos da vida do paciente: pensamentos (crenças, imagens, lembranças), estados de humor, comportamentos, reações físicas e ambiente (passado e presente), visto que as cinco áreas estão interligadas, onde cada aspecto diferente da vida de uma pessoa influencia todos os outros. Pequenas mudanças em qualquer área podem acarretar mudanças nas demais”.

“Quando falamos de Psicoterapia, implícito está a referência a uma preparação técnica e uma assimilação de conhecimentos teóricos e pessoais, específicos de cada terapeuta e de cada cliente. A partir de tal preparação, terapeuta e cliente estão prontos para, juntos, reconstituírem as vivências do último, bem como reconstruírem cognitiva e emocionalmente a sua história pessoal. Já no que diz respeito aos seus objetivos, esses podem ser organizados da seguinte maneira: 1) ajudar a pessoa que busca psicoterapia a desenvolver um conhecimento abrangente e realista de si mesmo; 2) ajudar o paciente a desenvolver uma congruência ou coerência entre seus sentimentos, crenças e comportamentos; 3) ajudar e incentivar o  a enfrentar suas dificuldades, estimulando-o a persistir em seus esforços de enfrentamento; 4) ajudar a perceber suas alternativas de funcionamento, as quais dependem de uma escolha pessoal”. Lorine Tavares In http://newpsi.bvs-psi.org.br/tcc/83.pdf

            Dessa forma, vejo resultados positivos no sentido da melhoria da qualidade de vida dessa paciente.