Psicologia em pauta
Filhos

Lílian Yara de Oliveira Gomes

 

Nessa semana fui questionada por uma paciente: “por que as crianças ao nascer são tão bonitinhas, queridinhas e depois se tornam tão difíceis de se lidar?”

 Quase todos nós chegamos a esse mundo como fruto de um amor, de um desejo, de um sentimento. Digo, “quase”, porque temos os filhos indesejados, resultado de relacionamentos abusivos, por exemplo. Porém, quantas expectativas, projetos e sonhos são colocadas ao se fazer a escolha por ter filhos.

“Ter filhos ajuda a aperfeiçoar-se principalmente no sentido em ser coerente entre  nossas  palavras e nossos comportamentos. Ser mãe é atingir o apogeu de nossa condição de mulher. Ser pai é mais que apenas acompanhar, mas ensinar e proteger. Dá trabalho, sim, porém tem junto o amor incondicional, o afeto espontâneo, o companheirismo.

Porém, a paternidade tem que ser responsável, atenta, presente, acompanhada. Nossos filhos passarão por fases que deverão ser percebidas por nós pais/mães para que os mesmos façam o desenvolvimento adequado a cada uma delas, no sentido tanto biológico como emocional.

“O desejo de ter filhos deve estar acompanhado da consciência de que serão muitos anos de dedicação total, muito amor e paciência, dificuldades financeiras e do esquecer-se de si mesmo. Filhos precisam de pais de verdade”.

“Quando uma criança é verdadeiramente amada por ambos os pais ela se torna um adulto firme, bom e amável e, provavelmente, quando ela tiver seus próprios filhos, os criará de uma maneira clara e ciente do desafio, segura de que é capaz de trazer mais uma pessoa importante para o mundo”.

A psicóloga Patrícia Spada, pós-doutoranda da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explica que, muitas vezes, os parceiros acham que não vão conseguir dar o seu melhor para uma criança. "Muitos casais julgam que não terão tempo suficiente para garantir a qualidade da relação com o filho e seu desenvolvimento ou acham que não darão conta do recado”, explica.

 Para a psicóloga Sueli Castillo, ainda há o fator de que as mulheres da atualidade não se sentem mais obrigadas a ter filhos, como antigamente. “O ser humano apresenta condições de escolha, e nem sempre cumprirá os papéis que foram estabelecidos. A emancipação feminina acarretou liberdade e autonomia à mulher”.

E, devolvendo à minha paciente o seu questionamento, chegamos à conclusão de que nem sempre estamos preparadas(os) para dar conta das exigências que a nova geração traz consigo ao atingir uma certa idade, depois de “crescidos”. Vale atentar acerca da forma como impusemos os limites necessários à formação da personalidade de nossos filhos, como agimos e pela nossa ação, os mesmos, hoje estão fazendo modelo/espelho e pelos seus comportamentos, tornando-se “difíceis” para nós.

Alguns autores até apontam 10 motivos para ter e 10 para não termos filhos: 1) Realização pessoal; 2) Adorar crianças;3) Religião 4) Medo do futuro; 5) Vaidade ou orgulho; 6) Valores morais e éticos; 7) Realizar-se por meio dos sucessores; 8) Projeto de vida; 9) Amor incondicional; 10) Simplesmente quer.

E para não ter: 1) Crianças custam caro; 2) Parto é uma tortura; 3) Medo de não ser um bom pai ou mãe; 4) Priorizar a carreira; 5) Fim da vida sexual; 6) Evitar erros do passado; 7) Fim da vida social; 8) Pressão da família e dos amigos; 9) Ter atenção exclusiva do companheiro; 10) Simplesmente não quer.

 

Considero que todos esses “motivos” devem ser avaliados pelos casais.  “Quando o filho é demasiadamente protegido pelos pais, não aprende a lidar com desafios. Levando-se em conta a idade e a maturidade da criança, ela precisa aprender a agir por conta própria - só tem de ser orientada sobre como os conflitos podem ser resolvidos. Pais que fazem tudo pelos filhos não permitem que eles desenvolvam esse lado. Ao contrário, leva as crianças a sentirem receio diante de tudo e não terem iniciativa no futuro, nem desenvolvem autonomia, nem emancipação. E, ainda o diálogo apresenta-se como a ferramenta importante para sanar as dificuldades que poderão se apresentar nessa relação, tendo como “pano de fundo” o amparo essencial do amor, do afeto e do respeito.

2.0.2.0

Lílian Yara de Oliveira Gomes

CRP  08/17889

 

 

Enfim já estamos em 2020.

A chegada de um novo ano, nos proporciona uma diversidade de sentimentos: avaliamos o que fizemos, ou o que deixamos de fazer no ano anterior, estabelecemos metas, criamos expectativas, ou muitas vezes, “deixamos a vida nos levar”. 

Realizar esse “balanço”, é tomar conhecimento do que fizemos ou não, para poder projetar o que estabeleceremos de objetivos para o novo tempo.

Desta forma, aqueles que tiveram sucesso, projetam que assim continuem, e para os que atravessaram momentos difíceis, com muitas dificuldades, a esperança se renova numa nova chance de um futuro mais positivo.

E, a Psicologia Positiva nos orienta, acerca da “importância de praticar o exercício da gratidão”. “Tais exercícios, abrem portas para que possamos olhar para o novo com mais esperança e motivação, para que possamos nos abrir para um futuro próximo: um novo ano”.

Nesse sentido, repensar no que realmente tem valor, para cada um de nós? Não somente se deixar levar pelo que todos fazem ou querem? Perceber o que realmente nos deixa felizes, tranquilos e em paz?

Será possível, viver mais simplesmente, porém mais próximo e presente na vida do outro? Poderemos sentir alegria e prazer nas coisas simples da vida? E estabelecer metas e desafios mais adequados e passíveis de realizarmos?

A passagem de ano implica num recomeço, na renovação, na mudança, na perspectiva futura. E, para que o novo se faça, importante se faz, estabelecer metas claras, com base em compromissos com o que concretamente queremos realizar, sem ficar no imaginário e sim colocando em prática, concretizando. “Algo que ocorre tanto em nível intelectual como emocional”. E, ser plenamente verdadeiro em razão de avaliar “os porquês” das metas estabelecidas no sentido de perceber o que realmente queremos ser.

Segundo a Psicóloga Ângela Fabbri, in vittude.com, “quando visualizamos uma meta ou realização, pensamos no resultado final e para tal, temos que ter consistência no dia a dia, para que nossos objetivos sejam alcançados”. Por isso, fica mais fácil, dividirmos em pequenas realizações para de passo em passo, chegarmos à meta maior. “O ato de dividir as metas em etapas menores, facilita o processo e nos ajuda emocionalmente”, porque se algo não se realizar a frustração não nos desanima.

“Ao comemorar as pequenas realizações, nosso cérebro produz dopamina e serotonina, entre outros neurotransmissores, responsáveis pela sensação de prazer e recompensa”. E, de pequenos sucessos vamos nos auto-estimulando a enfrentar os desafios no sentido do que projetamos.

Também importante é trabalharmos visualmente, “escrevendo” as metas, isto é, tendo uma “visualização criativa” e voltando a elas para checagem e reavaliação constante, observando caminhos e/ou obstáculos, prazos e possibilidades, dando um passo de cada vez.

E, de acordo com a Terapia Cognitiva Comportamental, podemos estabelecer um cronograma: 1- estabelecer metas; 2-ser realista; 3- fracionar as metas; 4- escolher as resoluções com critérios; 5- acreditar em nós mesmos; 6- fazer anotações; 7-celebrar as conquistas; 8- receber suporte (aqui a Psicoterapia se faz importante); 9- não desistir no primeiro fracasso; 10- seja protagonista (as metas são de nós mesmos).

Portanto, bem-vindo 2.0.2.0!

 

Ano Novo-Feliz 2020

Lílian Yara de Oliveira Gomes

CRP  08/17889

Tempo de reavaliações. Nessa época tudo nos leva a repensar a vida, o tempo, os sonhos, as realizações. Muitos questionamentos e abertura para o novo, para a esperança de que com o ano que se aproxima, situações melhorem, sonhos se realizem, desejos se concretizem.

Segundo o Blog Psicoterapia, Psicanálise, Saúde Mental e Humanidades: http://www.reneschubert.blogspot.com/, algumas das falas de pacientes de consultório, foram transcritas às quais também me deparo em meu consultório, podem ilustrar o que ocorre psicologicamente neste período de final de ano: "Não é minha época preferida não – na verdade odeio É um período em que muitos pacientes tem crises depressivas ou surtos psicóticos. Outros abusam excessivamente do álcool ou de outras substancias, tornando-se inconsequentes e denunciando desta forma que algo não está muito bem internamente. "Não consigo ficar sorrindo e achando tudo lindo, acho muito hipócrita"; "Me sinto muito sozinha e triste esta época"; "Sinto um aperto no coração, acabo ficando isolada"; "Não suporto as reuniões da família – eu por mim ia para um lugar mais afastado"; "Tem muito barulho, as pessoas ficam estranhas"; "Tudo fica parado, e triste, você não acha?".

“Como explicar este fenômeno, de uma parcela da sociedade sentir-se alheia, afastada, triste, desgostosa, numa época marcada por festejos, renovação de votos e reuniões com colegas, amigos e família. Do ponto de vista psicológico pode-se apontar que este fenômeno encontra sua explicação em dois fatores principalmente: a comunhão com a família, amigos, colegas e naquilo que o final de ano marca, ou seja fechamento de ciclo, realização de metas e estabelecimento de novas metas, projetos”.

“Para muitos, o final de ano é marcado pelo fracasso e frustração em diversas metas estabelecidas, por exemplo: não se conseguiu a promoção desejada, não parou de beber ou fumar, não está satisfeito com o relacionamento, não consegue desenvolver relacionamentos com amigos ou amorosos, o ano foi marcado por cisões e desentendimentos, há muitas dívidas financeiras, não se alcançou o peso ou imagem corporal desejada”.

“No final de ano fazemos geralmente, consciente ou inconscientemente uma revisão de como foi o ano e o que ficou marcado. E se para a pessoa ficaram marcados insucessos e dificuldades, seja na vida relacional, na vida profissional ou em relação à ambição pessoal, o final de ano torna-se um fardo pesado e indigesto”. Sabemos que a capacidade em lidar com frustrações e dificuldades conta muito nesta situação. E percebemos que muitas pessoas se fragilizam e adoecem neste período exatamente por não suportar a pressão, interna e externa, que aponta para felicidade, sucesso e realizações.

“Por vezes apenas algumas crenças e imagens internas que a pessoa tem em relação a si e em relação ao mundo precisam ser revistas, trabalhadas e resignificadas. Em outros casos é preciso fazer um trabalho mais profundo com a pessoa e talvez com os familiares. Algumas feridas psíquicas são superficiais e outras são muito antigas e profundas. O tratamento precisa ver o indivíduo como um ser total, com seus desejos, expectativas, capacidades e dificuldades e como um ser inserido e em relação a um sistema maior: sua família, sua profissão, seus relacionamentos, seu meio cultural”.

“A angústia, frustração e sentimento de inadequação e incapacidade podem ser trabalhados e elaborados, à medida em que o indivíduo busque novas soluções e se disponibilize a enfrentar seus medos e sombras. É um tratamento que encontra dificuldades e barreiras, mas é possível e pode possibilitar uma nova perspectiva e outro olhar para essa época do ano, do fechamento de um ciclo, para o início do novo!” Fonte: http://www.redepsi.com.br/2011/12/13/refletindo-acerca-do-fim-de-ano/

 

 

Nosso mundo

Lílian Yara de Oliveira Gomes 

CRP  08/17889

 

 

Estamos em plena semana natalina, em que preparativos são providenciados, esperanças são renovadas, encontros são marcados. Familiares se procuram, amigos se reencontram, luzes aparecem, cidades são enfeitadas, corações se enternecem.

            Por que só nesse tempo? Será tão difícil, abrandar nossos corações e viver com mais empatia, fraternidade, paz e harmonia ao longo de nossas vidas? Podem me chamar de “utópica”, porém se a humanidade não se conscientizar que estamos vivendo num mundo “doentio”, sucumbiremos todos!

A todo o momento tomamos conhecimento de atos praticados, por razões que não nos cabe julgar, porém, que nos assustam e nos fazem refletir, que não podemos “tirar a vida do outro” só porque discordamos de seus atos, porque ingerimos bebida alcoólica e saímos “todos poderosos” em nossos “possantes” pelas estradas, para chegar antes dos outros.

Avalio que o nosso mundo está doente!

            “Olhando sob a ótica emocional, vemos um mundo doente, pois a capacidade de se colocar no lugar do outro, faz toda a diferença. Entender que a sua necessidade não é menos importante que a do outro dá abertura para muitas respostas à uma mesma pergunta e/ou situação e nos faz reconhecer que não há verdade absoluta”.

Os fatos atuais, têm demonstrado que isso não vêm acontecendo: “maridos esfaqueando ex-esposas, mulheres abusadas, outras mandando exterminar ex-esposos, crianças morrendo de fome, refugiados sendo rejeitados.

“Sem empatia há corruptos, traidores, violência, assassinos, charlatões, abusadores, perversos, impacientes, intolerantes, presunçosos, indiferentes”, diz Lucy Rocha no site ContiOutra. E aqui acrescento, sem respeito, verdade e dignidade não há caráter, nem princípios norteadores para um mundo melhor.

Porém, sempre haverá a esperança! Mais humanização, mais tolerância, mais escuta, companheirismo, diálogo, amor, empatia e gratidão.

E, que todos os dias sejam de Natal, de renascimento, de renovação, de respeito!

 

“Da adversidade à oportunidade”

Lílian Yara de Oliveira Gomes

CRP  08/17889

 

Na escuta terapêutica, nos deparamos com as queixas recorrentes sobre problemáticas existenciais, com muito sofrimento e com dificuldades em compreender fatos e fazer o enfrentamento. Realmente não é tarefa fácil e nem sempre somos capazes de realizar a “resiliência” frente a determinadas situações e estamos tão envolvidos que nem sempre conseguimos, sem ajuda externa, enxergar saídas e/ou soluções.

Porém, temos a capacidade de mesmo nas adversidades, enxergar as possibilidades e por meio da “tomada de consciência”, no aqui e no agora, abrir janelas para novas oportunidades. Ter consciência do que “não queremos e não permitiremos” que aconteça em nossa vida.

Importante se questionar, explorar o máximo, ser curioso, identificar o que é realmente provocado por nós ou pelo “outro” e como administrar a nossa vida para alavancar os objetivos que traçamos, por nós mesmos.

“Toda adversidade é ou pode se transformar numa oportunidade?”

De repente o medo se instala, experimentar o novo, como a troca de um emprego, iniciar um novo relacionamento, mudar de cidade ou país, sair da zona de conforto (mesmo que insatisfeitos), nos dá “aquele frio na barriga”, porém, para crescermos, necessário se faz optar por evoluir, e para isso teremos que desafiar a nós mesmos, passar por situações de insegurança e olhar para frente, confiante, com fé e foco nos objetivos que queremos atingir.

E, outro fator que se apresenta constantemente é “viver do passado”. Essa atitude pode ser prejudicial, porque ao recordar o passado de forma obsessiva, deixamos de viver o presente. Pensar sobre o passado não é o problema, o que não podemos é ficar “aprisionado” a ele. O passado deve ser considerado e nos propiciar alavancas para novas oportunidades. E esses momentos são sempre impregnados de afetos e devemos perceber que as experiências devem ser avaliadas, para que possamos sentir que tipo de experiências queremos repetir e quais as que queremos evitar.

“Se eu não fui capaz de fazer algo, devemos nos perdoar e continuar a vida!”  A vida acontece no aqui e no agora e considerar que o passado fica no passado e fazer um novo começo, considerar o “aqui e o agora”.

O que nos ajuda para que possamos nos conectar é “a respiração”. Sempre estamos respirando, porém aqui me refiro à “respiração consciente”. Temos que concentrarmo-nos na respiração e aí oxigenar nosso cérebro e voltar ao nosso momento atual, viver o nosso presente. E, dessa forma fazer das adversidades novas oportunidades.

Certa vez, ouvi de uma professora: “cada recuo nosso deve ser um ponto de partida para novas investidas”.

Portanto, mesmo nas piores situações, quando nada nos parece ser possível, sempre haverá uma saída e novos horizontes e objetivos poderão ser vislumbrados.

           
 

“Ouvir”

Lílian Yara de Oliveira Gomes

CRP  08/17889

 

 

Na prática da Psicologia “ouvir” é um dos principais procedimentos, onde desde o primeiro contato com o paciente, poderemos identificar os motivos pela busca do atendimento psicológico, bem como iniciar uma relação de confiança, “a relação transferencial”, em que o profissional e o paciente estabelecem um plano terapêutico. A oitiva dá tanto para o terapeuta como para o paciente, a percepção de que esse último estará tendo a oportunidade de se conhecer melhor, abordar seus sofrimentos, repensar suas crenças, atitudes, maneiras de realizar enfrentamentos, perceber seus sentimentos e analisar comportamentos.

E, como em nosso dia a dia, estamos “carentes” em sermos ouvidos! Em certas ocasiões, iniciamos falando acerca de nós, querendo compartilhar algo importante, e nosso interlocutor, já nos interrompe e fala sobre si, deixando-nos sem poder continuar e sem a possibilidade de pelo menos compartilhar nossos sentimentos e/ou ouvir a opinião desse outro.

“Nos comunicamos o tempo inteiro, mas poucas pessoas sabem, de fato, escutar. Isso porque nem sempre é uma tarefa fácil; vai muito além de parar de falar e receber as palavras que estão sendo ditas pela outra pessoa”.

“O ser humano tende a gostar muito mais de dar opiniões do que de escutá-las. E um dos erros mais habituais é aproveitar o relato de uma pessoa para complementar com uma experiência própria, algo muito distante da definição de "saber escutar".

“Quando você se disponibiliza a escutar alguém é importante que esteja disposto a dedicar toda a sua atenção àquela pessoa durante alguns minutos. Sem isso, você estará apenas ouvindo o que ela tem a dizer, de forma mecânica. Não estará atento ao significado das palavras, não notará as mudanças no tom de voz utilizado, nem será capaz de identificar sinais da linguagem não verbal.

São esses detalhes que tornam a comunicação mais efetiva. Além do mais, o interlocutor é capaz de notar a falta de interesse de quem escuta, e isso é o que debilita as relações, afasta as pessoas e a relação de confiança enfraquece”.

            O respeito à subjetividade se faz necessário, pois fatores que para nós “parecem tão simples” para o outro tem uma grande força e importância e aí entra a empatia, que nos habilita a nos colocarmos no “lugar do outro”. E dessa forma o “outro” sentir-se-á acolhido e escutado realmente.

            E, dessa forma que a Psicologia tem papel fundamental, pois entre seus objetivos está a “Escuta Terapêutica”, que é “a escuta clínica, onde o papel na intervenção do paciente se dará no sentido de ouvir a queixa e mediar com a solução para o problema. O sofrimento psíquico deve ser notado desde o primeiro momento. Cabe ao psicólogo direcionar e mediar um tratamento adequado para determinados tipos de sintomas que o paciente passa a demandar”.

“Quando uma pessoa procura um psicólogo, existe uma demanda psíquica que deve ser colocada em uma análise posterior, isto é, uma pessoa somente procura um psicólogo quando existe algo que há incomoda, machuca, mesmo que ela não tenha conhecimento total disso”. Fonte:brmundodospsicologos.com

“Nesse sentido, o psicólogo irá direcionar um tratamento adequado específico para aquele paciente, sob as circunstancias daquele determinado sintoma. A escuta clínica pode não acontecer em primeiro momento, visto que o nível de resistência do paciente pode ser elevado. O silêncio revela muito mais do que aparenta revelar”. Por isso, também  pode-se  “ouvir” a voz do silêncio!

O impacto da notícia

Lílian Yara de Oliveira Gomes

CRP  08/17889

 

Em nossas vidas somos constantemente impactados com notícias, informes que muitas vezes nos dizem respeito diretamente, outras nem tanto, porém não menos impactantes.  Em ambas as circunstâncias, irão gerar maior ou menor impacto, seja nos fazendo refletir acerca do noticiado, seja no sentido de que o fato anunciado está bem perto de nós e nos afeta direta e afetivamente.

            Como lidar com isso? No momento em que nos deparamos com o comunicado, seja acerca de um diagnóstico médico, que nos envolva ou envolva alguém que amamos ou conhecemos, o choque é inevitável.

O que fazer? Como reagir ou ajudar? Como tal situação poderá afetar toda uma vida, os sonhos, planos, desejos.

            Notícias ruins, prejudicam nosso equilíbrio emocional? Ou por meio delas é que constatamos o quanto estamos equilibrados para enfrentá-las?

“Importante que se saiba é que, quando nosso cérebro percebe uma situação como ameaçadora, o sistema nervoso simpático aumenta a produção de cortisol e adrenalina, fazendo com que os batimentos cardíacos e a respiração acelerem. O perigo faz também com que nossa pressão suba e os músculos se contraiam. Até aqui, obviamente, nada de anormal, pois fomos preparados ao longo de toda nossa evolução para lidar com as adversidades da vida. Entretanto, quando esse processo deixa de ser ocasional e se torna crônico e repetitivo, as reações sentidas pelo corpo são potencializadas e podem, dessa forma, dar início a uma série de efeitos prejudiciais como, por exemplo, reduzir o calibre dos  vasos  que, com o passar do tempo, aumentam o risco de hipertensão, de arritmias cardíacas, dos problemas de pele, distúrbios digestivos e, finalmente, tem o poder de reduzir nossa capacidade mental...”

            Nesse sentido também cabe ressaltar a importância da rede de apoio, principalmente, a familiar. Nossos “eus afetivos” que nos ajudam no enfrentamento da situação, seja por perda de familiares, por doenças crônicas, por acidentes...

            Nos alerta Dr. Cristiano Nabuco, “será, que à medida que o contato com as notícias desfavoráveis volta a acontecer, nosso cérebro começa a criar uma espécie de "barreira de proteção" emocional – um tipo de anestesia psicológica, fazendo com que nos acostumemos de maneira progressiva aos fatos ruins, ou seja, nos fazendo ficar mais tolerantes e insensíveis aos fatos? NÃO, mesmo que os fatos desfavoráveis não aconteçam diretamente conosco, os efeitos nocivos ocorrerão”.

“A exposição às temáticas mais carregadas das mídias, pode exacerbar e contribuir para o desenvolvimento do estresse, ansiedade, depressão ou ainda o conhecido transtorno de estresse pós-traumático, descrito pelos soldados que retornam de uma guerra, pela perda de um emprego, pelo assédio moral, por comportamentos opositores de alunos na escola, por ambientes ostensivos e escravizantes, etc”.

            “A esse respeito, um estudo realizado com americanos, após os ataques terroristas nas torres gêmeas, no fatídico 11 de setembro de 2001, revelou que apenas assistir às cenas transmitidas desse evento traumático, já era suficiente para desencadear os sintomas de medo e tensão em algumas pessoas e, o mais importante, a gravidade dos sintomas registrados esteve diretamente correlacionada com a quantidade de tempo que as pessoas passavam revendo tais acontecimentos”. Fonte: https://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/

            Dessa maneira, teremos que encontrar em nós, muita capacidade de “resiliência” frente aos acontecimentos, fazendo o enfrentamento, aceitando os fatos tais como se apresentam. E, quando nos sentirmos incapazes de enfrentar sozinhos, buscar ajuda, realizar Psicoterapia, onde teremos uma escuta atenta e profissional, capaz de nos ajudar a perceber as consequências do “impacto da notícia”!

Violência contra a mulher

Lílian Yara de Oliveira Gomes

CRP  08/17889

 

Por quê todo ano temos que alertar acerca desse tema? Consequência da educação precária, da cultura machista, das relações desumanas, do império da intolerância, da falta de diálogo e do respeito?

Violência, ato impulsivo, repugnante, covarde...

“A violência contra a mulher tornou-se assunto recorrente nas páginas dos jornais, nos sites de notícias, nas redes sociais e em outros meios de comunicação. Apenas no Distrito Federal, 30 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2019 e mais de 13 mil sofreram agressão dentro do ambiente familiar até outubro deste ano, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública”.

Mesmo depois da Lei “Maria da Penha”, que foi mais uma entre as milhares de vítimas da violência contra mulher, tendo resistido e sobreviveu a duas tentativas de homicídio promovidas por seu companheiro e depois das  diversas lutas na justiça brasileira, conseguiu em instância internacional, a partir da intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA), instalar um novo paradigma no trato da justiça brasileira junto às vítimas e autores da violência, ainda temos muita impunidade. Casos são relatados e acontecem cotidianamente e a violência contra a mulher são crescentes e alarmantes.

Ainda impera a superioridade masculina? A força bruta, trazida pela história dos homens das cavernas?  

“O fenômeno da violência é complexo e por isso necessita ser tratado não apenas na perspectiva repressiva e punitiva, onde muitas vezes a abordagem maniqueísta de vilão e mocinha pode ser muito simplista para compreender e abordar de maneira eficiente o fenômeno. É na prevenção da violência; no trabalho de conscientização via educação doméstica, escolar e social; na efetiva afirmação dos direitos e deveres dos quais não pode estar excluído nenhum sujeito a fim de garantir o pleno estado de direito e exercício de cidadania que os esforços devem se concentrar. Há muito que caminhar, os passos serão lentos ou largos a depender de quem os dá, e esses passos precisam ser dados por todos nós”. Fonte: Feminicídio: “A expressão máxima da violência contra a mulher”.

            Homens e mulheres têm que conviver harmonicamente, com respeito e dignidade. Somos seres de direito, de liberdade, de escolhas individuais e de convívio coletivo, em que a liberdade, o afeto e principalmente o respeito impere. Diferenças sempre existirão, somos seres em complementaridade, que podemos traçar objetivos comuns, sem que nenhum anule o outro. E, que quando as divergências superarem as convergências, cada qual busque o seu caminho de realização individual, sem agressões tanto físicas como psicológicas.

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” — Simone de Beauvoir

 

 

 

 

Amizade

Lílian Yara de Oliveira Gomes

 

Hoje abordo esse tema, por sentir o quanto é importante a presença de amigos verdadeiros em nossas vidas. São eles que fazem a rede de apoio da nossa existência e nos ajudam a encontrar o significado da vida.

Amigos que estão na nossa vida, mesmo longe fisicamente, nos proporcionam compartilhar, em pensamento, momentos vividos, felizes ou não, nos fazem rir e chorar, passar vergonha e apoiar, dividir vitórias e fracassos. Os verdadeiros choram conosco e se alegram, com a nossa felicidade.

“Ao homem, está fadada a felicidade”, já apontavam alguns filósofos há muitos séculos! E onde está a tal felicidade?

“A amizade é terapêutica. Quem tem amigos, está comprovado pela medicina, vive melhor. Pesquisas científicas apontam que os que possuem amigos de verdade, tendem a ser mais felizes, saudáveis e a viver mais do que aqueles que não os têm.

A amizade é uma relação que se estabelece entre pessoas que se aceitam incondicionalmente, com suas qualidades e defeitos. Amigos se honram e respeitam a individualidade do outro.

Compartilhar experiências, e seguir pela estrada da vida ao lado de um amigo é uma das faces da felicidade.

Um amigo é alguém ao lado de quem você pode relaxar e mostrar suas vulnerabilidades, pois ele o (a) aceita como você é, sem críticas ou julgamentos. A um amigo você pode revelar seus segredos e seus medos. Conversar sobre tudo e sobre nada”. Fonte: vilamulher.com.br

“Nosso corpo é afetado quando estamos próximos daqueles que gostamos. Frequentar festas, visitar os outros, ter relações positivas, tudo isso estimula beneficamente o sistema nervoso simpático (que reage a situações de estresse). Além disso, o sistema nervoso parassimpático (responsável por responder a momentos de calma) é impulsionado através do processamento de expressões, da voz e do tom verbal”.

“Até onde sabemos, esse conjunto de nervos não é instigado por conversas virtuais. De um modo geral, você é projetado para responder ao que vê e escuta no mundo real. Somos fisiologicamente construídos para interação pessoal”, afirma o professor Paul Gilbert, psicólogo e fundador de um método de terapia focado em compaixão entrevistado pelo jornal The Guardian(2019).Fonte: metacurioso.com.br.ciencia.

Portanto...

“É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias”. Fernando Pessoa

Apoio

Lílian Yara de Oliveira Gomes

 

Palavra tão pequena, porém tão importante! Quem nunca precisou? Seja numa decisão a ser tomada, numa escolha, numa situação em que nem sempre é fácil encarar uma realidade, uma notícia, um fato.

“O Apoio Psicológico é uma forma de terapia em que o paciente procura, com o auxílio e orientação do Psicólogo, expressar os seus problemas e ansiedades, tentando investigar as causas e encontrar soluções para o seu mal-estar e sofrimento”.

“Também designado Apoio Psicológico, é uma modalidade de intervenção psicológica de particular relevância para pessoas que estejam a passar por um momento mais complexo na sua vida”.

O suporte afetivo, o companheirismo, o ouvir, são pilares para que possamos atravessar os desafios que a vida nos impõem e seguir na esperança de que passaremos, ao longo da vida, por diferentes e diversas etapas e nem sempre teremos forças para enfrentá-las sozinhos.

O apoio familiar, a rede de amigos, de colegas de trabalho, se faz importante, no sentido do acompanhamento e suporte para que não nos sintamos sós.

“A terapia de apoio é um tipo de terapia semelhante à terapia individual, porém mais indicada para pessoas que estejam passando por momentos transitórios difíceis ou crises temporárias. O objetivo dessa terapia é dar reforço para o restabelecimento das capacidades que foram prejudicadas por algum tipo de evento repentino ou inesperado”. Fonte: http://siriusterapia.com.br

“Esta terapia pode ter duração curta ou longa, vai depender de cada indivíduo, da forma como irá lidar com a terapia e do quanto ele assimilou todos seus acontecimentos”.

“AS PESSOAS PROCURAM ESSA TERAPIA, PRINCIPALMENTE QUANDO:
· PASSARAM POR LUTO OU TRAUMAS RECENTES
· RECEBERAM RESULTADO DE ALGUM PROBLEMA DE SAÚDE GRAVE
· ENTRE UMA SÉRIE DE INTERCORRÊNCIAS QUE ENVOLVEM RISCO DE VIDA, MUDANÇA NOS PADRÕES DE VIDA OU QUE IMPLICAM EM DÉFICITS DE SAÚDE”.

“Nossa função como terapeuta nesse tipo de terapia é escutar atentamente cada detalhe sobre o acontecimento, dar suporte e apoio ao indivíduo, traçar metas que estimulem sua melhora, promover por meio de técnicas condições emocionais para que o processo de terapia alcance seus objetivos, ou seja a recuperação da sua autoimagem e sua independência”.

Portanto, conforme os objetivos da Psicoterapia, o autoconhecimento e a melhoria da qualidade de vida do paciente, a terapia de Apoio, sempre fará parte da nossa intervenção. Ouvir, apontar alternativas, apoiar decisões serão funções fundamentais para a auxiliar no aumento da autoestima e da autonomia de nossos pacientes.

“Nem sempre conseguimos controlar todos os eventos que acontecem conosco, porém temos a força de não nos deixar reduzir a eles.”