Psicologia em pauta
Férias  Escolares

Em Julho a maioria das crianças e adolescentes e também os universitários, entram em férias. Me refiro especialmente às crianças e adolescentes, porque os mesmos nem sempre são bem orientados em como passar esse período. Hora de acordar tarde, de não fazer nada ou de fazer tudo que não pode ser feito no período escolar. Como lidar com isso, se as férias escolares nem sempre coincidem com as férias dos pais?

Com mais energia e disposição as crianças também querem diversão, então os pais ou quem vai cuidar das crianças nesse período, precisam de criatividade e animação para proporcionar um período agradável e divertido! Mas nem sempre é assim: as crianças muitas vezes são colocadas a viver na passividade dos brinquedos virtuais ou no entediante dia a dia em frente à televisão.

O psicólogo Marcos Augusto da Silva Bento, especialista em Psicopedagogia, dá algumas dicas construtivas para as crianças e para os adultos:- devemos ficar atentos aos perigos que a própria casa pode oferecer; para os pais que trabalham, escolher um dia da semana para dedicar-se exclusivamente aos seus filhos, proporcionando brincadeiras lúdicas e em que seus próprios filhos participem da construção, não só interagindo passivamente; criar situações novas, com contatos com a natureza, como um passeio ao ar livre, um piquenique; usar o mínimo dos recursos virtuais e estabelecer relações de interação e diálogos. Reforço também a importância da leitura em conjunto, com trocas e diálogos divertidos acerca do que se leu, sem que isso se transforme em algo “obrigatório”, mas lúdico.

Perguntar às crianças há quanto tempo não pisam na terra? E tenho a certeza, que muitos não fazem isso há muito tempo!

Confeccionar seus próprios brinquedos, visitar espaços ao ar livre, conhecer zoológicos, tomar chuva (sem o perigo de adoecer, é claro), são formas de diversificar as atividades no período de férias. Voltar à infância, pois nessa fase é que temos a maior necessidade de atenção, de estímulos, fatores imprescindíveis para o desenvolvimento cognitivo.

Férias também é tempo de aprender: não com aquela “obrigação” que os conteúdos, prazos e calendários nos oprimem, mas “apreender” de forma prazerosa, gostosa e lúdica. Vivenciar, saborear, ajudando os pais na cozinha por exemplo, na confecção de algum alimento. Explorar coisas novas, perceber e sentir os afetos em família, visitando um familiar que não convive há algum tempo. E, “aprender a ler o mundo”!

Essas memórias afetivas é que darão sustentação à nossa vida adulta. O cheiro do “pão fresquinho” da vovó, o colher uma fruta no pomar, o cheiro de terra molhada, o abraço carinhoso do primo e até o joelho “ralado” no bate-bola com os vizinhos. Substituir o shopping pelos museus, por caminhos no campo, pelo jogo de varetas, da memória, do mico, sair de casa e ir às praças, andar de ônibus, etc.

Que as férias de todos sejam reais e não virtuais!

Momento de Reflexão e Avaliação

Queridos leitores, esse é sempre um momento em que nunca sei o que vou escrever, mas já se foram 120 semanas em que ao pensar no que vocês lerão, no Blog Psicologia em Pauta, se isso poderá ser útil ou não e se os fará refletir a partir da minha experiência em Psicologia, de fatos do cotidiano, que envolve, enfim, a vida de cada um de nós.

Muitos me indagam, se tenho tema ou assuntos pré pensados, refletidos, escolhidos. Na maioria das vezes, não. Chego ao computador, passeio em algumas páginas, vejo as notícias, penso na minha semana de trabalho e... a temática chega.

Tenham a certeza que é um privilégio poder receber feedbacks, as curtidas, pois algumas vezes, compartilho no facebook, bem como as críticas e sugestões enviadas.

Por isso, hoje vou compartilhar, a importância da “Entrevista da Acolhida” ou da “Ajuda”, que todos buscamos ao procurar o Psicólogo. De acordo com Alfred Benjamin, (2015), “quando alguém pede para vê-lo, o mais sensato a fazer, é deixá-lo dizer o que o trouxe até você. Simples, mas nem sempre fácil de fazer”.

Comungando com o autor, também sou contra a todas as “fórmulas para a realização desse primeiro contato, entre o terapeuta e o paciente”. Trata-se de um momento muito subjetivo, pois “sempre o paciente, mesmo de forma inconsciente, sabe, que tipo de ajuda, poderemos dar”. Muitas vezes é a única oportunidade, que o paciente tem de “ser ouvido” e ao fazê-lo, as questões e/ou queixas que o trouxeram à terapia, já começam a ser elaboradas em sua mente.

E, “também conforme, o autor, não simpatizo com a palavra “problema”, porque, pode ser que o entrevistado não tenha um problema, mas ao comunicarmos dessa forma, poderemos levar o paciente a “querer procurar um problema” e isso poderá mais “embaraçar do que o ajudar”.

Em minha atuação, utilizo um inventário de Anamnese, em que em primeiro lugar, levanto os dados pessoais do paciente, explorando um pouco acerca de sua identificação, medicamentos que toma, doenças que teve na infância, histórico de doenças familiares, sua profissão e por último explico acerca dos objetivos da Psicoterapia, deixando o/a paciente livre para externar “quais motivos que os trouxeram à busca pela Psicoterapia”. Tenho a atenção para sempre me questionar, principalmente, se necessária a intervenção, se, “o que penso é meu ou do meu paciente”, para não influenciá-lo.

“Cooperar com o paciente, se faz necessário, significa escutar e responder àquilo que ele está dizendo e sentindo”. É usar da Empatia, sem ser invasivo e dar respostas prontas. É apontar alternativas, sem intenção e obrigação de determinar “o melhor” para o paciente.

E, o mais importante, é realizar o controle de não colocar “as experiências pessoais ao paciente”. Essas têm significado para mim, não para o paciente. Às vezes, isso se torna difícil, mas temos que perceber, se “realmente fazem parte do contexto e poderão contribuir para a reflexão e para o encaminhamento das questões apresentadas”. E, também, o que “funciona para nós, nem sempre funcionará para o paciente” e é ele o centro e o objeto da nossa atuação.

Portanto, podemos dar exemplos generalistas e despersonalizados e questionar ao paciente, qual é a sua opinião a respeito... E, sem exageros, propiciar ao paciente o encorajamento de se expressar sem medo de julgamentos e que possa no decorrer das terapias perceber suas capacidades de enfrentamento. Com isso não corremos o risco que o paciente, equivocadamente nos considere como “Sujeito Suposto Saber”, o que terá “as respostas” e ele, o paciente, que dará os “seus significados”, para todas as situações que terá que enfrentar na vida e abriremos a possibilidade de que cada situação terá seu tempo e momento de ser abordada em outras sessões, se assim for de seu interesse.

E que venham, muito mais avaliações e reflexões!

Uma experiência pessoal

Nessa semana, por conta de exames de rotina, observei que ao ficar sem me alimentar por 06(seis) horas, percebi que ao atender meus pacientes, estava com a mente mais ágil e clara. Concluo e fui pesquisar que, “jejum melhora a função cognitiva”. E que “neurocientistas mostram que esse estado, faz bem ao nosso cérebro, que acontecem mudanças neuroquímicas benéficas que aumentam a produção e o crescimento de neurônios e estabelecem uma melhor conexão entre eles, fortalecendo as sinapses”.

Porém, alerto: “jejuar incorretamente pode ser perigoso. É necessário o acompanhamento profissional e sempre ter um motivo para tal prática”. Mas isso me chamou atenção, por isso compartilho agora para que, se algum de vocês, queridos leitores, passarem por isso, possam “se observar” e tirar proveito de tal momento.

Nem sempre realizar exames, mesmo os preventivos nos são agradáveis. E, também, sabemos que para manter um cérebro mais ativo, o exercício físico, colabora muito, bem como o exercício cerebral.

Em DoutorCesar.com, Psiquiatra, Palestrante, Escritor e Avô, “nossa mente funciona bem ou mal, dependendo da saúde de nosso cérebro. A alimentação tem que ver com nosso humor e comportamento, porque ela afeta o cérebro devido aos nutrientes, saudáveis ou não, que vêm do alimento que ingerimos”.

É claro e importante saber, que jejuar, é um ato de muita responsabilidade e que devemos saber o “porquê e quando” fazê-lo. Indivíduos com enfermidades crônicas, diabetes, hiper ou hipotensão, cardíacos, etc, devem tomar todo o cuidado, e não fazê-lo sem a devida prescrição médica.

Alguns autores, colocam que “o jejum aumenta o processo de autofagia nas células do sistema nervoso em nosso corpo e as células, reciclam o “lixo” ( radicais  livres, toxinas) e fazem a reparação delas”. Apontam também, que “há uma proteína chamada BNDF, (que parece nome de Banco) mas é Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro, que interage com neurônios em áreas cerebrais como o hipocampo, córtex, lobo frontal e pré-frontal (áreas essas importantes, onde funcionam as funções de raciocínio, memória, aprendizagem, inteligência, etc, chamadas de “funções executivas)”.

E, por essa experiência, senti que minha mente estava mais clara, meu raciocínio mais ágil e meu cérebro mais aberto, proporcionando-me mais sensibilidade, atenção concentrada, foco...

Portanto, passar restrição alimentar em alguns momentos, também faz bem à saúde !

“A força do grupo”

Tenho me deparado com muitas queixas de pais, que seus filhos em idade escolar vêm modificando de forma às vezes até radical, seus comportamentos. Muitos relatam que seus filhos estão ficando, mais agressivos, desobedientes, relaxados, desorganizados e opositores. E, que muitas vezes, não sabem como lidar com isso. Já abordei aqui também, que o comportamento de alunos, tem causado, muito “estresse funcional” a professores.

Sabemos que em grupo, nos modificamos. É o que alguns autores, nominam de “moral da horda”, ou seja que em grupo nos fortalecemos, seja para atitudes positivas ou negativas. Em Freud, vamos encontrar na sua obra “Totem e Tabu”, referências acerca dessa moral.

E, nossos filhos, muitas vezes, percebem, que quando em grupo, suas identidades se diluem e as sanções se tornam mais leves do que individualmente. Por isso, importante se faz, conhecer com quem nossos filhos estão se relacionando, que atitudes estão se modificando no relacionamento familiar e escolar.

A cada momento, surge uma nova onda! Hoje está muito comum, os jovens, ao sair de seus colégios, se encontrarem para participar “das rodas de narguilé”. Muitos pais nem sabem disso... E com ele, “o narguilé”, por muitos considerado “inofensivo”, outras substâncias poderão ser introduzidas.

De acordo com Kurt Lewin, o comportamento humano não depende somente do passado, ou do futuro, mas do campo dinâmico atual e presente. Esse campo dinâmico é "o espaço de vida que contém a pessoa e o seu ambiente psicológico”. O resultado da interação entre a pessoa (P) e o meio ambiente (M) que a rodeia. O homem é na Teoria do Campo produto do meio (campo) presente e da energia que possui em determinado momento. O ambiente psicológico (ou ambiente comportamental) é o ambiente tal como é percebido e interpretado pela pessoa. Mais do que isso, é o ambiente relacionado com as atuais necessidades do indivíduo. Alguns objetos, pessoas ou situações podem adquirir valência no ambiente psicológico, determinado um campo dinâmico de forças psicológicas. Os objetos, pessoas ou situações adquirem para o indivíduo uma valência positiva (quando podem ou prometem satisfazer necessidades presentes do indivíduo) ou valência negativa (quando podem ou prometem ocasionar algum prejuízo).

A força grupal é forte e os pais devem estar muito alertas. Acompanhar a vida escolar, supervisionar suas tarefas, conhecer os professores, colegas, enfim ao lado do afeto, dar limites, serem companheiros e participar da vida de seus filhos. A participação grupal, também é positiva, pois proporciona o desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Acontece a interação social, desenvolve a socialização, a empatia, a divisão de tarefas, o trabalho em equipes.

Quando em grupo, transformamos os nossos objetivos do “eu” para os objetivos do “nós” e a nossa individualidade é absorvida, na força grupal. Portanto, o fundamental é termos uma base familiar sólida, alicerçada em valores morais, de respeito, consideração e afeto que propiciarão às crianças e jovens a lucidez na tomada de decisões quando em influência negativa, que possam sofrer ao estarem participando da vida grupal!

Externar sentimentos

Nesses tempos em que a comunicação e o mundo virtual toma quase que a maioria do nosso “tempo”, bem como o convívio tem sido cada vez mais raro, hoje, quero refletir sobre a “importância de externar nossos sentimentos”.

Quanto é importante o estabelecimento de vínculos e que muitas vezes num fim de semana, sentimentos, os mais diversos, afloram em nosso ser! Uma pequena viagem, um momento de lazer, um encontro familiar, um passeio com amigos, contatar com a natureza, nos faz sentir o quanto essas atitudes podem nos aproximar de quem amamos e ressignificar  vidas.

Muitas pessoas tem dificuldade em expressar seus sentimentos e “ao não verbalizar suas emoções, alegrias e dores acabam sofrendo em silêncio”. Segundo, Patrícia Costa, Psicóloga, esse sentimento, chama-se “alexitimia”, distúrbio afetivo “atribuído a pessoas que possuem personalidade caracterizada pela incapacidade em reconhecer e expressar adequadamente as emoções e sentimentos através da linguagem”.

E, essa dificuldade, pode desencadear “doenças psicossomáticas”, que são formas inconscientes dos sentimentos se manifestarem por meio de sintomas, como ansiedade, alergias, úlcera, obesidade, emagrecimento, depressão, estresse, isolamento e “expressões simbólicas que revelam situações emocionais mal resolvidas e/ou não enfrentadas e que se externadas, pela Psicoterapia, permitirão que as pessoas possam reorganizar suas vidas.

Nem sempre falar de nossos sentimentos é tarefa fácil. São situações complexas, que passam muitas vezes, por critérios, como, “o que o outro vai pensar sobre mim”! Pode causar sensação de desconforto, vulnerabilidade, medo de se machucar e machucar o outro. Entretanto, a Psicologia, que tem como objeto “a linguagem”, nos propicia e estimula “a troca, favorece a construção de diálogos e relações mais espontâneas por meio do autoconhecimento e da autotransformação”.

De acordo com Denise Diniz, Psicóloga e coordenadora do Setor de Gerenciamento de Qualidade de Vida da Unifesp, (Universidade Federal de São Paulo), “nosso organismo não foi feito para guardar mágoas e sentimentos ruins. Tanto o corpo quanto a mente vão pesando na medida em que sentimentos se acumulam e como uma panela de pressão, um momento explodem”. Diz também, que “todos nós criamos expectativas sobre a vida e toleramos até certo limite algumas frustrações”. Hoje aceitamos uma palavra mal colocada, amanhã uma grosseria, outro dia, a falta de consideração, o desrespeito... e aí inicia o nosso desequilíbrio.

“Sentimentos reprimidos podem causar dores emocionais e doenças físicas”. E, entender o que está nos fazendo mal, e porquê “certas” situações ganharam tamanha dimensão, se faz importante.

Portanto, “não externar sentimentos, pode fazer mal à saúde”!

“Síndrome do Imperador”

Até hoje não havia ouvido essa expressão!

Estive contato, essa semana com uma entrevista no programa do Roni Von, cantor e apresentador, com o Psicólogo Leo Fraiman, acerca de um assunto e situação que sempre encontro na minha prática profissional e em nosso cotidiano. “Loucura doentia, que os pais tem que fazer seus filhos felizes a qualquer custo!” E que protegem seus filhos para “não se frustrarem”. O psicólogo, aborda a questão da “ditadura infantil” e nas posturas dos pais em não frustrar seus filhos.

Ele aborda a postura dos pais numa postura “neuro-ótica”, para facilitar a vida de seus filhos, que “gostam tanto de fazer seus filhos felizes” e pensam que “podem fazer seus filhos felizes” e fazem de seus filhos “uns idiotas”, que não sabem fazer nada sozinhos! Filhos dependentes, que não sabem esperar e não deixam seus filhos crescerem. Não permitem que seus filhos “pensem, não tenham autonomia”. “Se uma criança não é frustrada não cria e não descobre as relações de causa e efeito, suas potencialidades e dificuldades”.  Segundo Fraiman, se uma criança não é treinada a esperar, a criar, a negociar, ceder, a se frustrar, estaremos aleijando a criança: aí essa criança pode ficar chata, birrenta, gastona, depressiva e provavelmente drogada”, o que poderá fazê-la buscar algo de “fora”, pois está tão insatisfeita na vida em família. E dessa forma estaremos “criando Imperadores e Ditadores!”

E, nas redes sociais, se observarmos atentamente, crianças e jovens, são os mais presentes. E esse meio é que mais “aliena” nossos filhos. Em vez de ter felicidade, cria-se a “des-graça”, pois nada satisfaz essa criança. Eu mesma já me deparei com relatos de mães que compartilham, que seus filhos de 14 anos ainda dormem no quarto com seus pais. E, essa situação é muito grave, pois afeta o casamento, a sexualidade, a intimidade do casal e a capacidade de seus filhos desenvolverem sua confiança e autonomia.

A neurociência, nos ensina pelos estudos da área córtex órbito frontal, atrás da área ocular, que é a sede da “força de vontade”, que se não estimularmos a criança a ter autonomia, criaremos crianças sem a capacidade de agir, de tomar decisões... A criança necessita ser frustrada, e os pais tem que enfrentar esses filhos “birrentos, chatos e teimosos, enfrentando com serenidade, com estabelecimento de limites e organização.

“Os pais não querem que seus filhos fiquem birrentos, enfernizadores e teimosos”. “Pais de hoje transferem a educação de seus filhos para a escola”. Se em uma família encontramos 02 filhos e os pais, não tem tempo para educá-los, como uma professora com 40 alunos, poderá fazer isso, se além do conteúdo, tem ainda que corrigir “a educação de seus alunos?”. São os pais que educam! E ficar chateado, frustrado, faz parte da vida, portanto, mesmo que “esperneiem”, nossos filhos necessitam ser frustrados, não receberem superproteção e quando manifestarem que não querem dormir em seus quartos, porque “têm medo”, pegar em suas mãos e perguntar “por quê”? Onde está o monstro? O fantasma?

E sentimos que as relações humanas estão muito enfraquecidas e hoje é só suprir as necessidades materiais, que nos tornam seres mais felizes?

Pensemos nisso...

Terapia de Casal

Creio que desde que iniciei meus “escritos” para esse Blog , nunca abordei acerca da Terapia de Casais, prática que utilizo desde que iniciei minha atuação como Psicóloga.

Todos os casais colecionam conflitos, de várias espécies. No entanto, alguns casos são tão intensos que é necessário o auxílio profissional, na tentativa de encontrar uma saída para os problemas do relacionamento. E quando um casal precisa de terapia? Em que momento chega-se a essa conclusão?

Pensando de forma preventiva, seria interessante que o casal procurasse ajuda quando identificasse divergências importantes e repetitivas, sobre as quais não consegue chegar a bons acordos, o que é comum, por exemplo, com a educação de filhos e também com questões financeiras. Porém, a predominância é pela procura profissional, quando há, depois de várias e desgastantes tentativas, com conflito já deflagrado, com adoecimentos e aparecimento de graves sintomas em um dos parceiros ou nos filhos. Encontramos ainda muitas dificuldades culturais e sociais para o reconhecimento e procura desse tipo de terapia, sendo mais constante a ida de um ou outro para uma terapia individual, quando vão, ou o encaminhamento de filhos para tratamento. Os casais de mais baixa renda e nível de formação, embora reconheçam e procurem por ajuda, têm quase nenhum acesso a esse tipo de terapia, a terapia alguma, principalmente se moram nas periferias. Quando chegam a ser atendidos, aderem com empenho e persistência ao processo terapêutico, o que nos deixa a todos, terapeuta e casal, muito gratificados.

A especialista no tema, Cristina Villaça, Psicóloga,  afirma que é muito difícil definir especificamente quais os problemas que levam um casal à terapia. “Se enumerar questões mais comuns, ficam na superficialidade e em generalizações, que ignoram o contexto e características absolutamente particulares de cada casal, de cada pessoa que forma esse casal. Ficando isso claro, podemos falar de situações que envolvem uma rotina “pesada” e desigual, questões do ciclo vital (nascimento e educação dos filhos em diferentes idades, por exemplo), questões financeiras, sexuais, de projetos de vida divergentes, para citar alguns. Nada disso, porém, é fator único, mas aparece como motivo para pedir ajuda”, esclarece.

Muitas vezes os casais chegam com a seguinte queixa: “ Drª  nós não nos entendemos mais, não dá mais para ficarmos juntos, nós só brigamos, não temos mais nada em comum, precisamos nos separar”. Aí eu questiono e coloco que em um dos aspectos eu discordo: que é “não ter mais nada em comum”. De comum eles tem a “própria briga”, porque um casal realmente estará em vias de separação quando a “indiferença” se instala. Nenhum dos cônjuges se “incomoda” com o outro, cada um vive a sua vida sem incluir o outro.

“A terapia de casal, funciona como um lugar de acolhimento, de oferecimento de um ambiente protegido e cuidadoso, em que o casal pode desabafar, colocar suas questões e caminhar na construção de saídas para seus impasses, dificuldades e sofrimentos. O terapeuta é um facilitador dessas conversas, usualmente bem difíceis, que colabora com seu conhecimento e experiência, principalmente através de perguntas, para clarear as situações, focar nas questões, e não nas acusações mútuas, para diminuir o conflito aproximando o diálogo construtivo, colaborando para que o casal saia do circuito fechado dos problemas e caminhe para suas soluções. A terapia acontece com o casal, mas quando há enorme conflito ou algumas necessidades pontuais, cada um dos parceiros pode ser atendido individualmente”.

E, o diálogo, constituí um dos mais importantes instrumentos de entendimento para as decisões a serem tomadas: sejam para a continuidade ou não da vida em comum. Pois, muitas vezes o melhor é que cada um siga o seu caminho, realizando seus próprios projetos. Também importante ponderar, no caso de casais com filhos, que não utilizem os mesmos para “barganhar” e servirem de “párachoque” das lamentações e críticas entre os cônjuges, situação que acontece muito, podendo trazer traumas nesses filhos.

Assim, feitos os “combinados” a família terá a chance de diminuir as mágoas, as atitudes revanchistas e estabelecer novos caminhos para todos os envolvidos.

“Extinção”

Hoje vou compartilhar, um momento que me fez refletir acerca do mundo e da vida. Estive em Curitiba, assistindo DENISE STOKLOS, nossa paranaense, da cidade de Irati, que é conhecida e aplaudida no mundo inteiro, com a peça, “Extinção”, baseada no livro de Thomas Bernhard, em que trata sobre “valores conservadores de nossa sociedade que a mantém negativa, limitando os espaços de liberdade e de amor”.

Denise se reinventa e se autocritica, pois sempre exerceu sua arte através da mímica, mas nessa peça em especial, apresenta e lê seus próprios escritos e sobre eles, também faz a crítica. Nos remete à capacidade de avaliar o que significa “extinguir” e como essa atitude nos liberta!

E aí encontramos o Vértice da Dramarturgia com a Psicologia: o corpo fala!  As palavras nem sempre são suficientes para traduzir o que queremos e sentimos. E, a atriz, utiliza “o máximo do corpo em cena, com o mínimo de recursos em busca da plena teatralidade”.

Sábato Magaldi, crítico de arte, falecido em 2016, já a “chamou de perfeito domínio da gramática da mímica, mas sem converter-se em exibicionismo de técnica”. A atriz apresentou a mesma peça em Porto Alegre, nesse ano, e foi altamente vaiada, por trazer o espetáculo ao Paraná e da vaia fez numa grande oportunidade, regendo a vaia ajoelhada, como maestrina de uma grande orquestra.

Quem de nós resistiria a uma situação dessa? Aí nos questionaríamos: não somos atores/atrizes, mas por bem menos a nossa capacidade de resiliência, nos apavora, nos faz fugir de alguns desafios, por receio ou medo do conceito ou da reação das outras pessoas. Em alguns momentos, decisórios, muitas vezes, deixamos de realizar nossos desejos para satisfazer os desejos dos outros e também nos preocupamos “com o que o outro vai pensar”.

É importante extinguir o “velho” para que o novo, mesmo que ainda não tenhamos certeza de que novo é esse que estamos pensando...  É dar novas chances e formas para os nossos desejos, realizando atitudes mais lúcidas, atitudes mais críticas, saindo do artificialismo, vivendo mais no mundo real, diminuindo a força do mundo virtual nas nossas vidas.

Portanto, agradeço por compartilhar minha visão a partir dessa experiência, e que a mesma possa contribuir com a experiência de todos meus leitores.

A Teoria Humanista

Dando continuidade às Teorias que embasam a prática em Psicologia, hoje abordarei a Teoria Humanista. Grande teórico da Psicologia Humanista Carl Rogers (1902-1987), americano,  baseou seu trabalho no indivíduo. Sua visão humanista surgiu através do tratamento de pessoas emocionalmente perturbadas. Ele trabalhou com um conceito semelhante ao de Maslow, a que deu o nome de tendência atualizante, que é a tendência inata de cada pessoa atualizar suas capacidades e potenciais.

Defendeu, também, a idéia de autoconceito como um padrão organizado e consciente das características de cada um desde a infância que, à medida que novas experiências surgem, esses conceitos podem ser substituídos ou reforçados. Para ele, a capacidade do indivíduo de modificar consciente e racionalmente seus pensamentos e comportamentos, fornece a base para a formação de sua personalidade. Tem como fundamentos a consideração positiva incondicional, a empatia e a congruência.

Ter consideração positiva incondicional, é receber e aceitar a pessoa como ela é e expressar um afeto positivo por ela, simplesmente por ela existir, não sendo necessário que ela faça ou seja isto ou aquilo.

A empatia, por sua vez, consiste na capacidade de se colocar no lugar do paciente, ver o mundo pelos olhos deles e sentir como ele sente, comunicando tal situação para ele, que receberá esta manifestação como uma profunda e reconfortante experiência de estar sendo compreendido, não julgado.

A congruência , condição que permitirá ao profissional, embora nutra um afeto positivo e incondicional por seu paciente e tenha a capacidade de “estar no lugar” dele, a habilidade de expressar de modo objetivo seus sentimentos e percepções, de modo a permitir ao paciente as experiências de reflexão e conclusão sobre si mesmo.

O interessante na abordagem rogeriana é que a aplicação do seu método na psicoterapia, passa por um processo de amadurecimento do próprio psicoterapeuta, já que ele não pode simplesmente apropriar-se da “técnica”, antes que lhe seja próprio e natural agir conforme as condições desenhadas por Rogers. Percebe-se então, por exemplo, que a expressão de uma afetividade incondicional só ocorre devidamente se brotar com sinceridade do psicólogo; não há como simular tal afetividade. O mesmo ocorre com a empatia e com a congruência. Por isso se diz que não existe uma “técnica rogeriana”, mas sim psicólogos cuja conduta pessoal e profissional mais se aproximam da perspectiva de Carl Rogers.

Outro ponto a considerar é que após longos estudos, Carl Rogers, chegou à “conclusão de que as três condições que descobriu são eficazes como instrumento de aperfeiçoamento da condição humana em qualquer tipo de relacionamento interpessoal, tais como: na educação entre professor e aluno; no trabalho entre chefes e subordinados; na família entre pais e filhos ou entre marido e mulher”.

A partir dessa Teoria, à qual muito me identifico e aplico, a atenção é centrada na pessoa, no paciente, e a Escuta e o Aconselhamento participam do “setting” terapêutico, bem como se estabelece uma relação contínua de troca entre o paciente e o terapeuta.

Para Rogers, “os indivíduos bem ajustados psicologicamente têm autoconceitos realistas e a angústia psicológica é advinda da desarmonia entre o autoconceito real (o que se é de fato) e o ideal para si (o que se deseja ser). Ele acreditava que o sujeito deveria dar a direção e o conteúdo do tratamento psicológico, por ter ele suficientes recursos de autoentendimento para mudar seus conceitos. A terapia centrada na pessoa e não em teorias, nasceu dessa ideia”.

“As críticas a essa abordagem centrada na pessoa, residem no fato de que indivíduos com distúrbios mais graves, não teriam suporte emocional suficiente para um autoconhecimento e modificação de conceitos. Porém, mesmo com essa deficiência, a abordagem centrada na pessoa, possui muitos adeptos, por valorizar as pessoas, adaptando as teorias a elas e não elas à teoria”. Nessa situação nos referimos às Psicopatologias, às Psicoses, que muitas vezes só são encaminhadas para tratamento medicamentoso, embora possam em algumas fases da psicopatologia, realizar concomitantemente a psicoterapia, onde poderão amenizar seus sofrimentos e também realizar o autoconhecimento, tendo em vista a capacidade regeneradora cerebral e a capacidade “volitiva” do paciente.

Portanto, em cada uma das Teorias que orientam a prática do Psicólogo, importante se faz, a constante retomada dos estudos, da supervisão e da própria terapia do profissional psicólogo. A escolha da vertente teórica é importante, mas o mais importante é como “fazemos uso” da mesma e a responsabilidade que assumimos perante o nosso paciente. Estamos trabalhando com vidas, decisões e destinos. Por isso, muito cuidado, empatia e responsabilidade.

Áreas de atuação da Psicologia( parte III)

Hoje vou me referir à Psicanálise. “Psicanálise é um ramo clínicoteórico que se ocupa em explicar o funcionamento da mente humana, ajudando a tratar distúrbios mentais e neuroses. O objeto de estudo da psicanálise concentra-se na relação entre os desejos inconscientes e os comportamentos e sentimentos vividos pelas pessoas.

A teoria da psicanálise, também conhecida por “teoria da alma”, foi criada pelo neurologista austríaco Sigmund Freud (1856 – 1939). De acordo com Freud, grande parte dos processos psíquicos da mente humana estão em estado de inconsciência, sendo estes dominados pelos desejos sexuais.

Todos os desejos, lembranças e instintos reprimidos estariam “armazenados” no inconsciente das pessoas e, através de métodos de associações, o psicanalista – profissional que pratica a psicanálise – conseguiria analisar e encontrar os motivos de determinadas neuroses ou a explicação de certos comportamentos peculiares dos seus pacientes, por exemplo.

Etimologicamente, o termo psicanálise é uma referência ao grego psyche, que literalmente significa “respiração” ou “sopro”, mas que possui um conceito mais complexo, relacionado com as ideias modernas do que seria o espírito, o ego e a alma das pessoas.

Teoria da Psicanálise

Os princípios básicos desta teoria desenvolvida por Freud estariam sintetizados nas três principais obras publicadas pelo neurologista: “Interpretação dos Sonhos” (1899), “Psicopatologia da Vida Cotidiana” (1904), e “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” (1905).

Em suma, o estudo de Freud representa a chamada “teoria geral da personalidade”, que consiste num método de psicoterapia. Para que haja o correto entendimento dos processos mentais a partir da ótica da psicanálise, é necessário distinguir os três níveis de consciência do ser humano:

Consciente: é o estado em que sabemos (temos consciência) daquilo que pensamos, sentimentos, falamos e fazemos. São todas as ideias que os indivíduos estão cientes de existir / pensar.

Pré-consciente: é o estado das ideias que estão inconscientes, mas que podem voltar a ser conscientes, caso haja o correto direcionamento da atenção dos indivíduos para elas. Os pensamentos que se encontram neste estado, por exemplo, podem ser percebidos a partir dos sonhos.

Inconsciente: onde ficam guardados todos os desejos e ideias reprimidas, censuradas e inacessíveis ao estado consciente, mas que acabam por afetar os comportamentos e sentimentos dos indivíduos.

Assim, a partir da observação, o psicanalista consegue identificar vestígios de traumas, desejos ou ideias que tenham sido reprimidas para o inconsciente do paciente e que, como consequência, provoquem distúrbios comportamentais e neuroses. A psicanálise atua de modo totalmente independente na psicologia, sendo esta última uma ciência responsável por estudar os processos mentais e o comportamento humano. A psicanálise, por outro lado, consiste num método de estudo terapêutico (psicoterapia) específico, que se foca na interpretação dos processos da psique no nível do inconsciente humano, com a intenção de tratar distúrbios mentais ou neuroses, por exemplo”. In www.significados.com.br/psicanálise.

            O paciente ao realizar sua psicanálise, com um profissional capacitado para tal, receberá as orientações necessárias acerca do processo psicanalítico, que consiste em realizar a escuta terapêutica através da associação livre das ideias e poderá propiciar ao mesmo, o acesso ao mais profundo de sua mente, podendo explicar, que fatos do passado, poderão estar interferindo no seu presente. Não significa tarefa fácil e resolutiva imediata de todo e qualquer queixa e/ou sofrimento existencial. Mas é um importante instrumento de análise e dos primeiros passos para se diminuir o “sofrimento humano”. Olhar para dentro, verificar o que nos causa mal estar, angústias, depressões, neuroses, se faz necessário, pois propicia melhoria de qualidade de vida. E, esse processo muitas vezes, leva uma vida inteira, mas o que importa é que a linguagem, o falar, tanto pode nos libertar, como nos aprisionar. Porém, “a psicanálise oferece um lugar para que se descubram o que fazemos e como respondemos às mazelas da vida”.

            Será que as doenças da alma, saram com medicamentos somente? “A psicanálise oferece um lugar para que se desvelem o que fazemos e à qual discurso respondemos”. Isso corresponde ao assumir a imagem que temos de nós mesmos e a enfrentarmos as nossas condutas. “A análise é árdua e faz sofrer”!

Porém desse sofrimento nasce a liberdade, de se ser como é, e não sentir vergonha de si mesmo.