Psicologia em pauta
Meu trabalho de “homecare”

Creio que ainda, poucas pessoas sabem do meu trabalho de atendimento domiciliar, “homecare”. Desde que iniciei minha prática em Psicologia, realizo esse atendimento, devido à demanda de pacientes que muitas vezes não conseguem se deslocar até o consultório, por motivos mais diversos: geralmente são idosos, pessoas sozinhas, pessoas acometidas de enfermidades incapacitantes, póscirúrgicos, com politraumatismos e que muitas vezes os familiares não dão conta de acompanhá-los ou dar o suporte emocional necessário. Já constatei também, em algumas famílias, o preconceito em levar ou acompanhar seus familiares a um Psicólogo! Pasmem, isso ainda existe, atualmente.

As enfermidades, são as mais diversas: Alzheimer, Parkinson, Depressão, Uso de Substâncias Psico-ativas, Póscirúrgicos, Obesidade Mórbida, Transtorno Bipolar, Borderline, C.A., Depressão Pós Parto, Traumas por acidente com Morte, etc.

Mas, o que mais encontro é ainda a dificuldade, das famílias, em lidar com seu ente querido acometido pela doença de Alzheimer. As queixas, são no sentido do “inconformismo” de que a pessoa tão ativa não “é mais a mesma”. Essa enfermidade silenciosa, “evolui aos poucos e vai desligando as funções cognitivas - da memória ao simples ato de mastigar”. “Pode se prolongar até por 20 anos e inicia com esquecimentos bem ocasionais, que não chegam a atrapalhar a rotina ou o trabalho de maneira a ser percebido”. Familiares começam a notar os “brancos” de memória, mais ainda a pessoa é capaz de executar suas atividades do cotidiano. Passado algum tempo, de 01 a 03 anos, ocorre um “comprometimento cognitivo leve”, que pode causar “certa ansiedade”. De 02 a 03 anos aparece uma “demência leve ou moderada”, e a pessoa pode ficar mais isolada e agressiva. O processo vai evoluindo, aparecendo uma confusão mental mais acentuada, limitando a tomada de decisões, de acompanhar as finanças, bem como dirigir. Na sequencia, “o paciente não reconhece o próprio lugar onde está, nem a sua família, tem dificuldades para comer, andar, falar ou executar tarefas”. “Sai da realidade”.

Nessa situação, realizo mais uma abordagem, com a família, no sentido de como saber “lidar” com o familiar acometido de tal enfermidade, pois torna-se muito difícil, trabalhoso e doloroso, fazer esse enfrentamento. “Os familiares se veem num misto de sentimentos de culpa e esgotamento emocional.  Tem-se que avaliar também, a necessidade de cuidados profissionais: para dar banho, trocar fraldas, administrar medicações, o que impacta sobremaneira nas possibilidades financeiras da família. E, muitas vezes percebe-se “o quanto o parente doente está impactando no equilíbrio de todos que estão à sua volta”, aponta o médico Carlos André Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Portanto, minha prática em “homecare, tem o objetivo de dar todo o apoio emocional e psicológico, tanto para o paciente como para seus familiares.

“Zumbido e a vida social”

Tenho tido algumas queixas acerca dos prejuízos causados pelo “zumbido”, que vem acometendo algumas pessoas, que de repente percebem que “algo está incomodando” e que não encontram causas diretas e motivos que possam ter desencadeado tal sensação.

“O zumbido, também conhecido como tinnitus ou acúfeno, é caracterizado como um ruído incômodo que não provém de nenhuma fonte de som externa e pode ser percebido pelo ouvido. Na maioria das vezes, não é sinal de doenças graves, mas pode ser sintoma de condições que exigem acompanhamento médico.

Segundo a American Tinnitus Association (“Associação Americana de Zumbido no Ouvido”, em tradução livre), pelo menos 20% das pessoas apresentam algum quadro do fenômeno ao longo da vida. Na população com mais de 60 anos, esse índice sobe para 25%. Na maior parte dos casos, o zumbido no ouvido não caracteriza nenhuma doença grave. Entretanto, pode ser um sintoma de condições que exigem cuidados especiais e acompanhamento médico. Apesar do nome, sabe-se que poucas vezes lembra um “zzzzz”, como o de um enxame de abelhas. Pelos relatos, supõe-se que o som não seja sempre o mesmo. “Pacientes comparam com barulho de cigarra, apito, concha, panela de pressão, chiado, cachoeira”, diz o Dr. Cassio Antonini, otorrinolaringologista pela Santa Casa de São Paulo. As referências à cigarra e apito são as mais comuns.

“Em um quadro normal, as vias auditivas captam a vibração dos sons gerados no ambiente e os enviam na forma de impulsos elétricos para o cérebro. O distúrbio se instala quando as vias auditivas passam a enviar impulsos mesmo sem haver uma fonte gerando o som. O grande obstáculo para o tratamento do zumbido é descobrir o que leva a essa emissão indiscriminada de impulsos, já que o zumbido em si não é uma doença, e sim, um sintoma. Excesso de cera, infecções e lesões do ouvido são causas possíveis do problema. No entanto, muitos outros fatores que aparentemente não têm nada a ver com o sistema auditivo podem dar origem a esse sintoma. Desvios de coluna, alterações cardiovasculares, diabetes, disfunções da articulação da mandíbula e consumo excessivo de cafeína, álcool e tabaco são alguns deles”.

“A impressão de que o zumbido atinge mais os idosos é falsa, mas tem uma explicação: cerca de 90% dos casos têm como causa principal a perda auditiva. Como esse problema atinge mais a terceira idade, há mais ocorrências de zumbido nessa faixa etária. O som incômodo, entretanto, pode aparecer em qualquer idade, em pessoas com audição normal ou não. Há, porém, relação com o gênero: ainda sem explicação, o problema acomete mais o sexo feminino”.

“O tratamento é longo, estende-se por 18 a 24 meses, e durante todo esse tempo é feito um aconselhamento psicológico. “Quem tem o estresse como gatilho, por exemplo, não vai conseguir escapar de um eventual retorno de zumbido mais intenso. É preciso orientá-lo sobre como lidar com recaídas e como administrar sua convivência com o som de forma a não se abater”, diz Andrea Eichner”.(fonoaudióloga do Centro de Estudos e Reabilitação em Audiologia).

A respiração, junto ao relaxamento bem conduzido, poderão ser ferramentas imprescindíveis ao controle e aceitação do zumbido. Esses recursos poderão auxiliar no controle da ansiedade, na melhoria da qualidade de vida e na aceitação dessa condição que muitas vezes pode levar a estados depressivos, sendo gatilho para o isolamento e a perda da vida social.

O acompanhamento psicológico se faz necessário para que o “acometido pelo zumbido”, possa colocar suas angústias, seus medos, suas impossibilidades sentidas após a instalação de tal sintoma.

Ouço muito: “eu não era assim”! ; “quero tirar isso de dentro de mim”!; “estou enlouquecendo”!; “não aguento mais”!

O importante é procurar ajuda terapêutica, realizar a habituação, embora seja um processo que pode não ser suficiente para “eliminar o temor e a angústia”.

           Sentir que a vida pode continuar, mesmo com as dificuldades, na adversidade e nas deficiências. Realizar a resiliência, a aceitação e buscar alternativas que dão sentido à nossa vida, como a convivência com nossos familiares, amigos, que são o suporte e o significado do nosso existir.

Escolha  Profissional

Sempre me questionei acerca da precocidade em que os jovens, têm em fazer suas escolhas profissionais. “Os jovens, que mal saíram da adolescência, precisam tomar uma decisão que pode definir seu futuro. Além disso, são bombardeados por informações sobre as melhores profissões para trabalhar e ainda sofrem com a pressão dos pais e as influências de seus grupos de amizades. Em alguns casos a escolha da profissão ocorre ainda na infância. Brincadeiras e sonhos infantis acabam se tornando um objetivo na vida dos adolescentes. A pergunta “o que você deseja ser quando crescer?” continua sendo comum na vida das crianças e já vem repleta de expectativas dos adultos. Elas podem optar pela profissão dos pais ou, conforme crescem, vão alternando as preferências de acordo com o que aprendem sobre cada uma. É positivo para os jovens receberem incentivos dos pais para seguirem seus próprios desejos. Contudo, este desprendimento não é tarefa fácil para os pais que pensam em um futuro próspero para seus filhos, visto que a prosperidade está muitas vezes relacionada a profissões reconhecidas e valorizadas socialmente. Assim, alguns jovens adultos terminam por assumir um desejo que não lhes pertence e logo se frustram no inicio do curso superior.”(In www.personare.com.br/os-jovens-e-o-dilema-da-escolha-profissional-2-m3361)

“Geralmente, esta escolha se faz na adolescência, fase marcada pela transição entre a infância e a vida adulta. Se pudéssemos usar uma imagem para simbolizá-la seria a de um “Portal”. Dentro dele, o espaço é intermediário, sem muitas seguranças, e o ego vai flutuando hora para lá e hora para cá, e por isso as influências ganham tanto espaço. As demandas são muitas: modificações na personalidade; experiências de autoconhecimento; mudanças corporais e hormonais; ampliação da visão de mundo; novas definições de identidade e papéis sociais; mudanças nas relações familiares; identificações com pessoas, ideais ou grupos; novas responsabilidades e a definição de uma profissão!

Tantas transformações simultâneas podem ser exigentes o bastante para gerar angústia e ansiedade. E, por isso, é comum que muitos adolescentes e suas famílias recorram à uma Psicoterapia ou à ajuda de um Orientador Profissional que lhes auxilie a “organizar a própria casa” para então se posicionar diante de um menu recheado de profissões.

A escolha profissional é mais um momento difícil, sofrido e sentido da vida do adolescente que progressivamente, interna e externamente, vem optando por algumas coisas e tendo que abrir mão de tantas outras. Ela não é um fato isolado, mas algo que se insere no todo da vida, intrinsecamente ligada à individualidade, à realização, aos sonhos, esperanças, fantasias, medos e amor. Neste conflito heróico em que se busca a confirmação da autonomia e a autoafirmação, o adolescente mergulha dentro de si mesmo, se confronta com suas questões pessoais, e então avança para uma escolha que lhe seja capaz de satisfazer a alma e não apenas o bolso”.( In https://www.contioutra.com/o-que-voce-quer-ser-quando-crescer-sobre-vocacao-e-escolha-profissional)

Portanto, a busca de um profissional capacitado que poderá orientar, por meio de testes, sessões de acompanhamento psicológico se faz necessário para essa fase tão importante e decisória da vida de todos.

“Na pele do outro”

Nos dias atuais, é fácil perceber que cada vez mais as pessoas estão se isolando, reforçando sua individualidade. Mesmo com toda a tecnologia, o contato pelos meios virtuais instantâneos, há um vazio. E, nesse, muitas situações se instalam, como a solidão, a depressão, o medo.

Importante se faz, voltarmos a estabelecer as relações sociais, mais próximas e com elas desenvolvermos a “Empatia”.

“Empatia é a capacidade que temos de nos colocar no lugar dos outros. O termo empatia foi usado pela primeira vez pelo filósofo alemão Theodor Lipps, para tentar explicar a relação entre o artista e o espectador que projeta a si mesmo na obra de arte. É quando nos vemos naquela situação, passando pelas mesmas experiências”.

“Nos campos da psicologia e neurociência, a empatia é considerada uma inteligência emocional. Sendo inteligência, pode ser aprendida. Basta se dispor a olhar com abertura e curiosidade atenta para o mundo dos outros, entendê-los por dentro. É possível entrar em contato com este seu lado mais conectivo através da arte, com filmes, livros e no contato com “o outro”.

Pode se constituir numa ferramenta eficiente para tornar os relacionamentos mais plenos de compreensão, até abrandar agressividades, derrubar preconceitos, nos fazer refletir acerca de nossas ambições e até melhorar o nosso “pequeno mundo”.

O filósofo e historiador da cultura Roman Krznaric sustenta que, “ao contrário do que pensamos, não somos eminentemente autocentrados, pois nosso cérebro é equipado para a conexão social. O autor expõe hábitos das pessoas extremamente empáticas, cujas habilidades lhes permitem conectar-se com outras de maneira extraordinária e, assim, fazer a diferença e transformar as relações. Quer sejam médicos, cientistas, banqueiros, policiais, moradores de rua ou abastados fazendeiros, todos têm uma história para contar. Ao longo do caminho, Krznaric relembra também a trajetória de personagens de destaque da história (Gandhi, Mandela, Che Guevara, entre outros) e exemplos marcantes de "empatistas" reais e fictícios no cinema e na literatura”. O autor defende que a empatia combina elementos afetivos e cognitivos, ou seja, extrapola o mero sentimento, sendo diferente da compaixão, que é uma “reação emocional não compartilhada”.

Isso posto, convido a todos a repensarmos nossos atos, refletirmos acerca das nossas reações e dessa forma, praticar a “empatia”, nos colocando na pele do outro.

Retorno às aulas

Como tudo na vida é cíclico, nessa semana, acontece o retorno às aulas. No início das férias escolares, fui convocada a abordar acerca da relação familiar e àquele período. Agora outro se inicia. E, com isso novas atitudes, o assumir novas rotinas e compromissos. O ritmo muda, o dormir tarde “acaba”, tarefas são colocadas, estudar se faz necessário.

Mas tudo isso, pode e deve ser prazeroso, sem cobranças excessivas e tendo o acompanhamento dos pais e/ou familiares. É a oportunidade de se “recuperar” conteúdos não bem assimilados e apreender, para realmente saber.

Muitos pais, ficam preocupados com “as notas” de seus filhos. Isso é natural, porém o mais importante é saber “em que eles tem mais dificuldades” e sempre acompanhar também a vida escolar de seus filhos. O Guia de Ensino- Manual de Educação, Canal do Ensino, nos orienta:

1. Mantenha um canal de comunicação com a escola, buscando se informar sobre as tarefas de casa, a periodicidade das reuniões com pais e do boletim escolar.

2. Troque ideias com o seu filho sobre a tarefas, mas não a corrija e dê a resposta certa. Isso é função do professor.

3. Ele errou na tarefa? Incentive-o a tentar de novo!

4. Não é o fim do mundo não saber responder as dúvidas do seu filho. Assuma que não sabe e peça que ele procure o professor.

5. Não faça a tarefa pelos seus filhos.

6. Estabeleça um período fixo para que seu filho faça as lições (de manhã ou à tarde) e tente manter a casa tranquila nesses horários.

7. Tente estar presente pelo menos em parte das lições de casa.

8. Separe um cantinho da casa para o seu filho estudar.

9. Se o livro ainda é o principal material didático do seu filho, concentre-se nele (complemento: tablets e computadores podem ajudar, por exemplo, em pesquisas, desde que feitas em sites de confiabilidade e sem que o estudante se disperse na internet!).

10. Encoraje seu filho a melhorar, mas evite comparações entre crianças.

Considero, o item 10, de muita importância! Cada um é um sujeito singular, tem seu ritmo próprio, seu tempo.

Portanto, a escola, como integrante do contexto da vida de nossos filhos, deve ser articulada com tudo que faz parte desse contexto, ou seja, do estudar, do realizar exercícios físicos, do lazer, do convívio com os colegas e o processo “ensino-aprendizagem requer o acompanhamento e o envolvimento familiar de forma a torná-lo mais agradável”.

“Sono e Sonhos”

 

 

 

Meus pacientes sempre me indagam acerca de “sono e sonhos”. “Sono (do latim somnus, com o mesmo significado) é um estado ordinário de consciência, complementar ao da vigília (ou estado desperto), em que há repouso normal e periódico, caracterizado, tanto no ser humano como nos outros vertebrados, pela suspensão temporária da atividade perceptivo-sensorial e motora voluntária. Ao dizer-se complementar, em conjugação com ordinário, quer significar tão somente que, na maioria dos indivíduos (com destaque, aqui, para os humanos), tais estados de consciência alternam-se, complementando-se ordinária, periódica e regularmente. O estado de sono é caracterizado por um padrão de ondas cerebrais típico, essencialmente diferente do padrão do estado de vigília, bem como do verificado nos demais estados de consciência. Dormir, nesta acepção, significa passar do estado de vigília para o estado de sono”.

Segundo Phipps (1995) o sono é uma das muitas ocorrências biológicas que tem lugar à mesma hora, cada 24 horas. A necessidade diária de sono varia, não só de indivíduo para indivíduo (variação interindividual), como também no mesmo indivíduo (variação intraindividual) de dia para dia.

“Sonhar é uma forma de comunicação com nosso inconsciente e também com o inconsciente coletivo. Eles começaram a ser objetos de estudo da psicologia com Freud – e um marco importante dessa inserção no campo científico é sua obra “Interpretação dos sonhos”, de 1899.

            Dormir é terapêutico e vital. Se não dormimos, não propiciamos ao cérebro a condição de repouso, para colocar “todos os arquivos” em seus devidos lugares, não damos a ele (o cérebro), a oportunidade de relaxamento, de deixá-lo menos alerta e portanto, não descansamos. Todos nós, com certeza, já percebemos, que ao acordar, algumas vezes, “parece que nem dormimos”. Isso porque, não aprofundamos nosso sono, seja por preocupações, por termos estímulos excitatórios, como a TV no quarto, uma leitura instigante ou mesmo o contato permanente nas redes sociais.  

“Dormir bem é muito mais do que descansar e renovar as energias para o dia seguinte. Estudos comprovam que a qualidade do sono está diretamente ligada à qualidade de vida do indivíduo, e, por isso, a privação de uma boa noite de sono pode causar problemas, como irritabilidade, cansaço e sonolência”.

E, ter sonhos ruins, que chamamos de “pesadelos”, não é necessariamente ruim, faz parte do nosso cotidiano, é caracterizado por um certo “simbolismo”, mas se é frequente e causa forte componente emocional, causando sofrimento, pode indicar “transtorno”, afirma o neurologista Luciano Ribeiro, do Instituto do Sono, em São Paulo.

            Uma noite mal dormida, pode gerar cansaço, afeta a memória e a concentração, dificulta as relações sociais e o desempenho tanto escolar como no trabalho.

            Importante se faz, diagnosticar as causas que estão afetando a nossa qualidade do sono e após, indicar as terapias comportamentais e/ou medicamentosas que possam ajudar na regulação do sono.

            Diversas podem ser as causas de “noites difíceis”: quadros depressivos, apneia do sono (queda de oxigênio, que causa interrupção do sono), ansiedade, estresse pós-traumático, baixa de açúcar no sangue, doença de Parkinson, entre outras.

            Temática muito abrangente e importante. Quanto aos sonhos, esses “o caminho para o inconsciente”, os sonhos se tratavam de conteúdos ou desejos que foram reprimidos pelo sujeito, ficando subjugados ao inconsciente, que os realizavam por meio dos sonhos. Em outras palavras, na ótica psicanalítica, tudo o que era sonhado, em algum momento tinha sido conteúdo da consciência, que reaparece metaforizado nos sonhos, segundo Freud. “O viés de Freud era pela energia sexual, portanto, suas interpretações sempre tinham essa temática: realização, pulsão, sexualidade e outros”.

Os sonhos são o autorretrato do inconsciente, de acordo com Jung.

“Foi constatado que o cérebro possui atividade noturna intensa, e que os sonhos são combinações estratificadas de emoções, memórias, cognições, etc., que de alguma forma são reorganizadas e/ou sedimentadas durante o sono, na fase REM (Rapid Eye Movement). Nós estamos dormindo, mas o cérebro está amplamente ativado. Logo, sonhar é uma atividade normal, fisiológica, e de certa forma, observável no que tange sua atividade, mas não em seus conteúdos. Estes são conhecidos somente pelos relatos do sonhador”.

Portanto, sono é “dormir” e sonho “faz parte do sono”!

 

 

 

 

 

 

 

Férias  Escolares

Em Julho a maioria das crianças e adolescentes e também os universitários, entram em férias. Me refiro especialmente às crianças e adolescentes, porque os mesmos nem sempre são bem orientados em como passar esse período. Hora de acordar tarde, de não fazer nada ou de fazer tudo que não pode ser feito no período escolar. Como lidar com isso, se as férias escolares nem sempre coincidem com as férias dos pais?

Com mais energia e disposição as crianças também querem diversão, então os pais ou quem vai cuidar das crianças nesse período, precisam de criatividade e animação para proporcionar um período agradável e divertido! Mas nem sempre é assim: as crianças muitas vezes são colocadas a viver na passividade dos brinquedos virtuais ou no entediante dia a dia em frente à televisão.

O psicólogo Marcos Augusto da Silva Bento, especialista em Psicopedagogia, dá algumas dicas construtivas para as crianças e para os adultos:- devemos ficar atentos aos perigos que a própria casa pode oferecer; para os pais que trabalham, escolher um dia da semana para dedicar-se exclusivamente aos seus filhos, proporcionando brincadeiras lúdicas e em que seus próprios filhos participem da construção, não só interagindo passivamente; criar situações novas, com contatos com a natureza, como um passeio ao ar livre, um piquenique; usar o mínimo dos recursos virtuais e estabelecer relações de interação e diálogos. Reforço também a importância da leitura em conjunto, com trocas e diálogos divertidos acerca do que se leu, sem que isso se transforme em algo “obrigatório”, mas lúdico.

Perguntar às crianças há quanto tempo não pisam na terra? E tenho a certeza, que muitos não fazem isso há muito tempo!

Confeccionar seus próprios brinquedos, visitar espaços ao ar livre, conhecer zoológicos, tomar chuva (sem o perigo de adoecer, é claro), são formas de diversificar as atividades no período de férias. Voltar à infância, pois nessa fase é que temos a maior necessidade de atenção, de estímulos, fatores imprescindíveis para o desenvolvimento cognitivo.

Férias também é tempo de aprender: não com aquela “obrigação” que os conteúdos, prazos e calendários nos oprimem, mas “apreender” de forma prazerosa, gostosa e lúdica. Vivenciar, saborear, ajudando os pais na cozinha por exemplo, na confecção de algum alimento. Explorar coisas novas, perceber e sentir os afetos em família, visitando um familiar que não convive há algum tempo. E, “aprender a ler o mundo”!

Essas memórias afetivas é que darão sustentação à nossa vida adulta. O cheiro do “pão fresquinho” da vovó, o colher uma fruta no pomar, o cheiro de terra molhada, o abraço carinhoso do primo e até o joelho “ralado” no bate-bola com os vizinhos. Substituir o shopping pelos museus, por caminhos no campo, pelo jogo de varetas, da memória, do mico, sair de casa e ir às praças, andar de ônibus, etc.

Que as férias de todos sejam reais e não virtuais!

Momento de Reflexão e Avaliação

Queridos leitores, esse é sempre um momento em que nunca sei o que vou escrever, mas já se foram 120 semanas em que ao pensar no que vocês lerão, no Blog Psicologia em Pauta, se isso poderá ser útil ou não e se os fará refletir a partir da minha experiência em Psicologia, de fatos do cotidiano, que envolve, enfim, a vida de cada um de nós.

Muitos me indagam, se tenho tema ou assuntos pré pensados, refletidos, escolhidos. Na maioria das vezes, não. Chego ao computador, passeio em algumas páginas, vejo as notícias, penso na minha semana de trabalho e... a temática chega.

Tenham a certeza que é um privilégio poder receber feedbacks, as curtidas, pois algumas vezes, compartilho no facebook, bem como as críticas e sugestões enviadas.

Por isso, hoje vou compartilhar, a importância da “Entrevista da Acolhida” ou da “Ajuda”, que todos buscamos ao procurar o Psicólogo. De acordo com Alfred Benjamin, (2015), “quando alguém pede para vê-lo, o mais sensato a fazer, é deixá-lo dizer o que o trouxe até você. Simples, mas nem sempre fácil de fazer”.

Comungando com o autor, também sou contra a todas as “fórmulas para a realização desse primeiro contato, entre o terapeuta e o paciente”. Trata-se de um momento muito subjetivo, pois “sempre o paciente, mesmo de forma inconsciente, sabe, que tipo de ajuda, poderemos dar”. Muitas vezes é a única oportunidade, que o paciente tem de “ser ouvido” e ao fazê-lo, as questões e/ou queixas que o trouxeram à terapia, já começam a ser elaboradas em sua mente.

E, “também conforme, o autor, não simpatizo com a palavra “problema”, porque, pode ser que o entrevistado não tenha um problema, mas ao comunicarmos dessa forma, poderemos levar o paciente a “querer procurar um problema” e isso poderá mais “embaraçar do que o ajudar”.

Em minha atuação, utilizo um inventário de Anamnese, em que em primeiro lugar, levanto os dados pessoais do paciente, explorando um pouco acerca de sua identificação, medicamentos que toma, doenças que teve na infância, histórico de doenças familiares, sua profissão e por último explico acerca dos objetivos da Psicoterapia, deixando o/a paciente livre para externar “quais motivos que os trouxeram à busca pela Psicoterapia”. Tenho a atenção para sempre me questionar, principalmente, se necessária a intervenção, se, “o que penso é meu ou do meu paciente”, para não influenciá-lo.

“Cooperar com o paciente, se faz necessário, significa escutar e responder àquilo que ele está dizendo e sentindo”. É usar da Empatia, sem ser invasivo e dar respostas prontas. É apontar alternativas, sem intenção e obrigação de determinar “o melhor” para o paciente.

E, o mais importante, é realizar o controle de não colocar “as experiências pessoais ao paciente”. Essas têm significado para mim, não para o paciente. Às vezes, isso se torna difícil, mas temos que perceber, se “realmente fazem parte do contexto e poderão contribuir para a reflexão e para o encaminhamento das questões apresentadas”. E, também, o que “funciona para nós, nem sempre funcionará para o paciente” e é ele o centro e o objeto da nossa atuação.

Portanto, podemos dar exemplos generalistas e despersonalizados e questionar ao paciente, qual é a sua opinião a respeito... E, sem exageros, propiciar ao paciente o encorajamento de se expressar sem medo de julgamentos e que possa no decorrer das terapias perceber suas capacidades de enfrentamento. Com isso não corremos o risco que o paciente, equivocadamente nos considere como “Sujeito Suposto Saber”, o que terá “as respostas” e ele, o paciente, que dará os “seus significados”, para todas as situações que terá que enfrentar na vida e abriremos a possibilidade de que cada situação terá seu tempo e momento de ser abordada em outras sessões, se assim for de seu interesse.

E que venham, muito mais avaliações e reflexões!

Uma experiência pessoal

Nessa semana, por conta de exames de rotina, observei que ao ficar sem me alimentar por 06(seis) horas, percebi que ao atender meus pacientes, estava com a mente mais ágil e clara. Concluo e fui pesquisar que, “jejum melhora a função cognitiva”. E que “neurocientistas mostram que esse estado, faz bem ao nosso cérebro, que acontecem mudanças neuroquímicas benéficas que aumentam a produção e o crescimento de neurônios e estabelecem uma melhor conexão entre eles, fortalecendo as sinapses”.

Porém, alerto: “jejuar incorretamente pode ser perigoso. É necessário o acompanhamento profissional e sempre ter um motivo para tal prática”. Mas isso me chamou atenção, por isso compartilho agora para que, se algum de vocês, queridos leitores, passarem por isso, possam “se observar” e tirar proveito de tal momento.

Nem sempre realizar exames, mesmo os preventivos nos são agradáveis. E, também, sabemos que para manter um cérebro mais ativo, o exercício físico, colabora muito, bem como o exercício cerebral.

Em DoutorCesar.com, Psiquiatra, Palestrante, Escritor e Avô, “nossa mente funciona bem ou mal, dependendo da saúde de nosso cérebro. A alimentação tem que ver com nosso humor e comportamento, porque ela afeta o cérebro devido aos nutrientes, saudáveis ou não, que vêm do alimento que ingerimos”.

É claro e importante saber, que jejuar, é um ato de muita responsabilidade e que devemos saber o “porquê e quando” fazê-lo. Indivíduos com enfermidades crônicas, diabetes, hiper ou hipotensão, cardíacos, etc, devem tomar todo o cuidado, e não fazê-lo sem a devida prescrição médica.

Alguns autores, colocam que “o jejum aumenta o processo de autofagia nas células do sistema nervoso em nosso corpo e as células, reciclam o “lixo” ( radicais  livres, toxinas) e fazem a reparação delas”. Apontam também, que “há uma proteína chamada BNDF, (que parece nome de Banco) mas é Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro, que interage com neurônios em áreas cerebrais como o hipocampo, córtex, lobo frontal e pré-frontal (áreas essas importantes, onde funcionam as funções de raciocínio, memória, aprendizagem, inteligência, etc, chamadas de “funções executivas)”.

E, por essa experiência, senti que minha mente estava mais clara, meu raciocínio mais ágil e meu cérebro mais aberto, proporcionando-me mais sensibilidade, atenção concentrada, foco...

Portanto, passar restrição alimentar em alguns momentos, também faz bem à saúde !

“A força do grupo”

Tenho me deparado com muitas queixas de pais, que seus filhos em idade escolar vêm modificando de forma às vezes até radical, seus comportamentos. Muitos relatam que seus filhos estão ficando, mais agressivos, desobedientes, relaxados, desorganizados e opositores. E, que muitas vezes, não sabem como lidar com isso. Já abordei aqui também, que o comportamento de alunos, tem causado, muito “estresse funcional” a professores.

Sabemos que em grupo, nos modificamos. É o que alguns autores, nominam de “moral da horda”, ou seja que em grupo nos fortalecemos, seja para atitudes positivas ou negativas. Em Freud, vamos encontrar na sua obra “Totem e Tabu”, referências acerca dessa moral.

E, nossos filhos, muitas vezes, percebem, que quando em grupo, suas identidades se diluem e as sanções se tornam mais leves do que individualmente. Por isso, importante se faz, conhecer com quem nossos filhos estão se relacionando, que atitudes estão se modificando no relacionamento familiar e escolar.

A cada momento, surge uma nova onda! Hoje está muito comum, os jovens, ao sair de seus colégios, se encontrarem para participar “das rodas de narguilé”. Muitos pais nem sabem disso... E com ele, “o narguilé”, por muitos considerado “inofensivo”, outras substâncias poderão ser introduzidas.

De acordo com Kurt Lewin, o comportamento humano não depende somente do passado, ou do futuro, mas do campo dinâmico atual e presente. Esse campo dinâmico é "o espaço de vida que contém a pessoa e o seu ambiente psicológico”. O resultado da interação entre a pessoa (P) e o meio ambiente (M) que a rodeia. O homem é na Teoria do Campo produto do meio (campo) presente e da energia que possui em determinado momento. O ambiente psicológico (ou ambiente comportamental) é o ambiente tal como é percebido e interpretado pela pessoa. Mais do que isso, é o ambiente relacionado com as atuais necessidades do indivíduo. Alguns objetos, pessoas ou situações podem adquirir valência no ambiente psicológico, determinado um campo dinâmico de forças psicológicas. Os objetos, pessoas ou situações adquirem para o indivíduo uma valência positiva (quando podem ou prometem satisfazer necessidades presentes do indivíduo) ou valência negativa (quando podem ou prometem ocasionar algum prejuízo).

A força grupal é forte e os pais devem estar muito alertas. Acompanhar a vida escolar, supervisionar suas tarefas, conhecer os professores, colegas, enfim ao lado do afeto, dar limites, serem companheiros e participar da vida de seus filhos. A participação grupal, também é positiva, pois proporciona o desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Acontece a interação social, desenvolve a socialização, a empatia, a divisão de tarefas, o trabalho em equipes.

Quando em grupo, transformamos os nossos objetivos do “eu” para os objetivos do “nós” e a nossa individualidade é absorvida, na força grupal. Portanto, o fundamental é termos uma base familiar sólida, alicerçada em valores morais, de respeito, consideração e afeto que propiciarão às crianças e jovens a lucidez na tomada de decisões quando em influência negativa, que possam sofrer ao estarem participando da vida grupal!