Psicologia em pauta
A Pandemia e o relacionamento dos casais

A Pandemia e o relacionamento dos casais

Muitas famílias têm sentido as mudanças em seus relacionamentos, considerando a necessidade do isolamento social e com isso, seus efeitos. As queixas são de que "muitas vezes, não estão sabendo como lidar", pois o convívio à toda hora tem trazido alguns conflitos: são horários que não combinam, hábitos que os estressam, comportamentos que não aceitam, implicâncias entre pais e filhos, desobediência, irritabilidade, ansiedade, oscilações de humor. 

As mudanças na rotina durante a Pandemia, pode gerar estresse e ansiedade, manifestando-se na forma de conflitos conjugais. Os casais estão no mesmo ambiente, porém muitas vezesb "sem estarem juntos". Cada um se não estão em home office, ficam no seu mundo virtual individual ou nas tarefas domésticas ou com seus filhos e não fazem dessa situação uma oportunidade, de dividir afeto, avaliar a vida da família, conviver mais de perto com seus filhos e dessa maneira acabam estabelecendo relações conflituosas entre si. 

"Especialistas avaliam que cenário de incertezas aliado ao convívio intenso são gatilhos para o confronto conjugal, porém há como transformar esse período em fase de amadurecimento". "Vivemos um momento de luto social", a nossa rotina foi abruptamente modificada e essas mudanças fazem com que muitos casais tenham dificuldade de administrar essa nova realidade.  Resgatar o romantismo, a afetividade, o respeito, o companheirismo, a paciência, olhar as relações de uma maneira diferente, valorizando o que havia se tornado tão banal pelo cotidiano, pois até situações e/ou coisas que nunca incomodaram, neste momento tem se tornado aversivo, motivo de estresse. 

Importante estar atento, que o confinamento pode ser uma oportunidade para se conscientizar que quem está ao nosso lado é realmente a nossa melhor escolha e com isso "entender que a crise poderá estreitar as relações, redescobrir a si e ao outro, tudo que há algum tempo os levou a formar uma família e ser a ponte para mudanças que poderão fortalecê-los a longo prazo". Não é tarefa simples e fácil, exige vontade, resiliência, companheirismo e muito amor!

A Pandemia e os cuidados com as crianças

A Pandemia e os cuidados com as crianças

Já abordei acerca desse tema, em blogs anteriores, porém hoje o faço sob outros aspectos. Muitos pais não estão sabendo como lidar com a presença de seus filhos em casa em tempo integral. No início da quarentena, muitas situações foram recebidas de forma de contentamento, pois as crianças "acharam" que estavam em férias escolares. Porém, com o passar do tempo e a obrigatoriedade e a manutenção do isolamento social, foram trazendo sensações, comportamentos que nem todos sabemos como administrar e a partir daí, ansiedades e conflitos se estabeleceram.

O importante é acompanhar as necessidades das crianças, perceber como as mesmas estão se sentindo, suas preocupações, medos, trocar ideias, participar das atividades escolares, que hoje vêm de forma virtual e até aprender com elas, como fazer isso. 

Sabemos, as plataformas virtuais, nem  sempre são de acesso e domínio de todos, e dessa forma muitas crianças podem não ter condições de acompanhar as aulas, bem como realizar as atividades escolares nos prazos estabelecidos. Nessa hora, a rede de solidariedade entre escola e pais deve ser propiciadora de outras alternativas para o cumprimento da aprendizagem. 

Outro aspecto importante, é estabelecer com as crianças, uma rotina de atividades além das escolares, essa com relação à vida da casa, nas tarefas domésticas, culinárias, de organização, de brincadeiras em que toda a família participe. Dessa forma, os laços afetivos se estreitarão, a comunicação poderá ficar mais clara e novas descobertas surgirão. Aí nos questionaremos: será que realmente conhecemos nossas crianças/adolescentes? 

Lílian Yara de Oliveira Gomes - CRP 08/17889

Pandemia e os cuidados aos idosos

Pandemia e os cuidados aos Idosos

Tenho recebido em terapia, muitas queixas de pacientes idosos, que fazem parte do grupo de risco, acerca de estarem se sentindo abandonados pelos seus familiares, que não recebem atenção, cuidados e nem são ouvidos. Esses merecem toda a nossa atenção,pois são sujeitos de direitos, que nos antecederam, trabalharam de alguma forma para que pudéssemos existir, nos deram a vida, nos propuseram oportunidades de crescimento pessoal e profissional. O distanciamento afetivo, pode causar ansiedade, depressão e até complicações nas enfermidades pré-existentes. 

A recomendação é que os familiares estejam atentos ao comportamento dos seus idosos, neste período de Pandemia e estabeleçam formas de comunicação, que demonstrem interesse, presença (mesmo virtual) e afeto. Sabemos que eles devem evitar o máximo a exposição ao ambiente externo, porém, não devemos isolá-los completamente. Esse é o momento de marcarmos presença por telefone, por videochamada, pelo  envio de um "pedaço de bolo", por um portador. Quanto um gesto simples, poderá fazer toda a diferença!

Tendo o isolamento social como amigo

Tendo o isolamento social como amigo
Nem sempre estar em isolamento social, nos causa bem estar. Porém, na época em que estamos vivendo, isso é da maior importância. Sei que já abordei acerca dessa necessidade, e o faço novamente porque essa consciência tem que nortear os nossos comportamentos individuais, os quais irão diretamente influenciar o coletivo. 
Certas pessoas nem sempre conseguem estar "em sua própria companhia". Sentem-se estranhas, não sabem administrar seus tempos, sentem-se solitárias, abandonadas. 
O importante é fazer desses momentos, oportunidades de aprendizado, de descoberta de si mesmo, de silenciar a mente. Parar com a "correria do dia-a dia", se faz necessário para nos situarmos no "aqui e agora" e perceber quantas habilidades temos, que esse isolamento poderá nos proporcionar  a oportunidade para colocá-las em prática. 
Tenho recebido relatos de pacientes que descobriram suas habilidades como cozinheiras, artesãs, recreadoras, decoradoras, apreciadoras de bons filmes e livros, interessadas em estudar outro idioma, desenhistas, pintoras etc; perceberam que a casa é um lugar de convivência que há tempos não era utilizada para esse fim. É também um espaço de troca afetiva, que nem sempre se realizava, porque cada integrante dela, estava em seu mundo individual e egoísta. 
Sabemos que estamos vivendo um tempo de exceção, mas poderemos fazer desse tempo e espaço um espaço fraterno, participativo, empático, colaborativo e mais humano. 
Portanto, o isolamento social, poderá nos proporcionar muitas descobertas e nos aproximar, mesmo virtualmente de tantas pessoas, que poderão colaborar, nas trocas tanto das "receitas culinárias" como do mais simples gesto, de querer saber como estamos. E, dessa forma, o isolamento social, poderá nos surpreender e nos ajudar a vencer nossa própria solidão e aplacar as saudades, que sei ... são grandes! 

 

A Pandemia no imaginário infantil

A Pandemia no imaginário infantil

Para muitos de nós, estarmos vivenciando esse momento tão inusitado, muitas vezes se torna tão difícil e abstrato!  Como isso está repercutindo no imaginário e na vida das nossas crianças. Eis, que de repente tivemos que mudar posturas, comportamentos, atitudes. O isolamento social se fez indispensável, o conviver ficou distante, a escola foi fechada, os amiguinhos ficaram longe. E, o que é esse tal de "corona vírus", que assola o mundo todo? Que cor ele tem? Qual a sua forma e tamanho? Porém , ele mata!

"Ele pode ser verde, colorido, ter duas cabeças, cara de mau, bonachão: o fato é que o corona vírus está presente com força no imaginário das crianças". E como enfrentar com elas as questões e as ansiedades que isso produz.

Será que a partir de filmes, desenhos, elas poderão compreender melhor essa realidade? Será que os pais e/ou cuidadores, já sabem o que seus filhos estão achando e sentindo acerca da Pandemia? Será que estão angustiados, ansiosos, tanto como os adultos? 

Importante ouví-los, para conhecermos como estão enxergando essa realidade. Alguns até podem ter achado ótimo não ir à escola: "oba estou em férias"! Outros demonstraram medo, se angustiaram, porém nem sempre foram notados pelos seus familiares, que continuaram suas vidas, um pouco diferente de antes, porém sem a devida atenção e cuidado aos seus filhos.

Sabemos, que nem todos vivem a quarentena da mesma maneira, mas o que elas têm em comum, é estar privadas da companhia e da socialização que se faz no ambiente escolar. Aulas on-line são interessantes e necessárias, porém o contato é muito importante e indispensável para o desenvolvimento infantil.

Acolher, perceber e trocar ideias acerca desse momento se faz necessário, para ouvir e sentir quais as dores possam estar vivenciando. Os adultos devem estar alertas para perceber,mudanças de humor, de comportamento, de interação de seus filhos e não esquecer que são seres em formação, em desenvolvimento e que muitas vezes ainda não sabem como externar como e porquê sofrem e/ou se angustiam. Necessário se faz, ser o mais transparente e verdadeiro possível, quanto às informações, dentro da linguagem do entendimento de cada faixa etária, propiciando um espaço amoroso onde os sentimentos possam ser compartilhados. E, desta forma, atravessarmos juntos esse grande desafio.

"Quando a Ansiedade é um problema"

"Quando a Ansiedade é um problema"

Em algumas situações nos preocupamos, nos sentimos ansiosos.

É por algo que desejamos, por um projeto que idealizamos, por uma situação que não conseguimos controlar. "A ansiedade é uma reação humana normal a situações desconhecidas e muitas vezes estressantes". E, na época em que estamos vivendo, essa pode ser mais persistente e forte, em que a todo momento temos  "a sensação de que só coisas e/ou situações ruins,vão acontecer". Aparecem sintomas, às vezes incontroláveis, de inquietação, irritabilidade, tensão muscular, dificuldade de concentração, alteração de sono e algumas vezes até tontura, até psicossomatizamos. 

E, dessa forma a Ansiedade, caracteriza-se como Transtorno de Ansiedade, onde alguns sintomas são identificados: - as crises de ansiedade são fortes e mais prolongados; nossos medos ou preocupações são desproporcionais à situação; o sentimento de angústia aumenta e são mais difíceis de controlar; pode trazer picos altos, que se tornam crises de pânico; nossa vida parece que paraliza, ficando difícil executar até as coisas mais simples do dia-a-dia. 

Por isso, no momento da Pandemia que estamos passando, importante se faz, se perceber e verificar em que  níveis de ansiedade nos encontramos, para pedir ajuda, para compartilhar e para verificar se o mesmo não está interferindo de forma a prejudicar a nossa capacidade de estudar, trabalhar, realizar as mais simples das atividades cotidianas. E, a possibilidade de lidar com ela, está ao nosso alcance, por meio do tratamento medicamentoso aliado à Psicoterapia, pois pela psicoterapia, estratégias poderão ser traçadas no sentido de sabermos "como lidar" com ela, melhorando a nossa qualidade de vida e principalmente com as causas que as limitações nos impuseram nessa época de Pandemia. 

Viver um dia de cada vez, nos re-inventarmos, nos esperançarmos no sentido de que faremos essa travessia e sairemos vencedores!

"Fique em casa"

“Fique em casa”

Essa expressão nunca teve tanto sentido e nunca foi  tão necessária, como nos dias atuais.

Nem sempre isso é possível e nem sempre concordamos, porém essa atitude, em tempos de Pandemia, fará para que estejamos contribuindo para a nossa vida e a saúde de outras pessoas.

Hoje não existe somente, grupos de risco, porém, comportamentos de risco, na proliferação ou no controle da contaminação do novo corona vírus, pois todos, em qualquer idade, poderemos ser veículo desse inimigo, que se propagou por todo o mundo.

Que atitudes individuais poderão impactar no coletivo? Como está o nosso aparato estatal, a nossa capacidade hospitalar, o acesso aos equipamentos de proteção aos profissionais da saúde e aos pacientes?

Temos sabido, que o óbito por Covid 19, cresce de maneira incontrolável, causando muitas dores, pois é “um óbito solitário”, muitas vezes, sem despedidas. E não são números, são seres! Seres do afeto, do amor, da família, dos amigos, do trabalho, da comunidade.

Já abordei, mas sempre vale reforçar: estar em isolamento social, não significa, “estar só”, significa se re-inventar, fazer diferente, ser criativo, utilizar novas estratégias, estar consigo mesmo. E, esse último, tem sido o mais difícil de se realizar...

Por quê temos dificuldades em ficar conosco mesmos? Será pela dificuldade de nos “encararmos” de frente? De não querer saber quem realmente somos? Ou não “gostamos” do que somos e não queremos fazer o auto-enfrentamento? O tédio e/ou a solidão nos dominam?

“O medo de ficar sozinho é comum a muita gente e transmite receio, insegurança e tristeza. Mas porque é que a solidão tem um peso tão grande ao ponto de, várias pessoas, ficarem deprimidas e ansiosas?” Cada pessoa atribui o seu próprio significado à solidão, de acordo as suas características pessoais e com o ambiente que a rodeia. No entanto, também é importante perceber que todos os seres humanos sentem solidão em algum momento da vida.

As pessoas podem estar sós e não sentirem solidão, mas também podem estar acompanhadas e sentirem-se sós. Portanto, a solidão é apenas um sentimento e não um estado definitivo; ou seja, pode sentir-se sozinho e muito triste hoje, no entanto, não quer dizer que também sinta isso amanhã.

Os sentimentos aparecem e cada pessoa tem a sua forma de lidar com eles: pode deixar que o vençam e fiquem para sempre consigo ou pode fazê-los desaparecer.  Algumas formas para conseguir vencer a solidão, podem ser indicadas, porém o primeiro grande passo é assumir, para si próprio, que quer mudar para que sentir mais feliz.

Segundo, Mafalda Leitão, psicóloga  clínica: “não se isole de tudo e de todos; sinta-se bem consigo próprio; tenha hábitos saudáveis; faça atividades sociais, mesmo de forma virtual, convocando uma rede de solidariedade para ajudar os mais necessitados, dando atendimento tanto material como emocional; pratique atividades em grupo; procure velhos amigos e hábitos; pratique exercícios físicos, pratique jogos on-line, encontre seu hobbie (esquecido e abandonado) e principalmente, viva o presente”.

Esse último, para mim, o mais importante, para os nossos dias. O estar no “aqui e no agora”! O que posso fazer para perceber os meus valores, como otimizar o meu tempo, como avaliar as minhas emoções e/ou sofrimentos, e sentir que como estamos tolhidos em nossa liberdade, fazer desses momentos uma oportunidade de nos tornarmos mais humanos, mais amorosos e solidários.

Lílian Yara de Oliveira Gomes - CRP 08/17889

Oscilações do humor em tempos de Quarentena e Ansiedade

Oscilações de  humor em tempos de Quarentena e Ansiedade

Sabemos que nosso funcionamento emocional, varia de acordo com o ambiente em que estamos, com as nossas raízes genéticas e com os acontecimentos aos quais somos submetidos. E, com a fase em que estamos vivendo nosso humor sofre inúmeras variações.

Quanto o nosso ser teve que se adaptar, não alimentando as frustrações, as tristezas, a solidão, a obrigatoriedade do isolamento social, que a quarentena  nos impôs.

Como gostaríamos de poder abraçar, beijar, estar próximo de quem amamos. Porém, vamos festejar a vida, os desafios que ela nos proporciona, pois poderemos tirar dessa situação lições e avaliações importantes para o amanhã.

Avaliar que “solitude”, não é estado de total privação, de isolamento total, de reclusão total. Hoje temos muitos meios de diminuir as distâncias e sentir que estamos separados, porém mais perto do que nunca, no amor, nas lembranças, no afeto. E, perceber o quanto somos vulneráveis, nos faz sentir que é importante sair do automático e viver o aqui e o agora. Nos distanciamos do mundo da selvageria, da agressividade física, porém ainda somos tão pequenos e vulneráveis a uma realidade que caminha ao nosso lado, com autonomia, com liberdade, ditando o nosso hoje.

Importante ressaltar, o estabelecimento do contato, mesmo que virtual aos que nos são próximos, com nossos amigos e familiares, sabendo como estão se sentindo e também compartilhando como nós estamos nos sentindo; não esquecer da alimentação sadia, dos exercícios físicos, mesmo num espaço limitado; pedir ajuda quando com restrição de sair de casa; planejar o dia, com atividades que dê conta, sem exageros, para não se frustrar (porque por hora, temos todo o tempo do mundo); domine o estresse para não se deprimir e nem se tornar ansioso frente ao que não possa realizar.

Porque, esse é realmente o tempo do mundo, não o nosso, no sentido da posse.

E, que como na vida tudo passa, isso também passará, porém se faz necessário perceber, que em alguns momentos o nosso humor sofre variações. As pessoas ficam com medo do futuro, se questionam quando "isso vais passar?", será que o meu emprego está garantido? meus familiares não serão atingidos? São muitas perguntas, ainda sem respostas...

E dessa forma que a Ansiedade, se instala e passa a interferir e impactar negativamente em nossas vidas e em nossa saúde. Ocorre  a sensação de enxergarmos "perigo em tudo"; nosso sono pode sofrer alterações; a tensão muscular pode aparecer; a concentração pode ser prejudicada e até podemos psicossomatizar, fazendo falta de ar, problemas gástricos, suar excessivamente e até ficar como que paralizado e/ou impedido de tomar decisões e de agir.

Porém, temos que acreditar que, apesar de tudo, sempre haverá um novo dia e com ele a esperança de que superaremos mais esse desafio. E, venceremos !

Lílian Yara de Oliveira Gomes - CRP  08/17889

Oscilações do humor em tempos de Quarentena

Oscilando nosso humor

Sabemos que nosso funcionamento emocional, varia de acordo com o ambiente em que estamos, com as nossas raízes genéticas e com os acontecimentos aos quais somos submetidos. E, com a fase em que estamos vivendo nosso humor sofre inúmeras variações. 
Quanto o nosso ser teve que se adaptar, não alimentando as frustrações, as tristezas, a solidão, a obrigatoriedade do isolamento social, que a quarentena nos impôs.
Como gostaríamos de poder abraçar, beijar, estar próximo de quem amamos. Porém, vamos festejar a vida, os desafios que ela nos proporciona, pois poderemos tirar dessa situação lições e avaliações importantes para o amanhã. 
Avaliar que “solitude”, não é estado de total privação, de isolamento total, de reclusão total. Hoje temos muitos meios de diminuir as distâncias e sentir que estamos separados, porém mais perto do que nunca, no amor, nas lembranças, no afeto. E, perceber o quanto somos vulneráveis, nos faz sentir que é importante sair do automático e viver o aqui e o agora. Nos distanciamos do mundo da selvageria, da agressividade física, porém ainda somos tão pequenos e vulneráveis a uma realidade que caminha ao nosso lado, com autonomia, com liberdade, ditando o nosso hoje.
Importante ressaltar, o estabelecimento do contato,mesmo que virtual aos que nos são próximos, com nossos amigos e familiares, sabendo como estão se sentindo e também compartilhando como nós estamos nos sentindo; não esquecer da alimentação sadia, dos exercícios físicos, mesmo num espaço limitado; pedir ajuda quando com restrição de sair de casa; planejar o dia, com atividades que dê conta, sem exageros, para não se frustrar ( porque por hora, temos todo o tempo do mundo); domine o estresse para não se deprimir e nem se tornar ansioso frente ao que não possa realizar. 
Porque, esse é realmente o tempo do mundo, não o nosso, no sentido da posse.
E, que como na vida tudo passa, isso também passará. 
Lílian Yara de Oliveira Gomes
CRP  08/17889 
 

Em tempos de Pandemia e Quarentena

Estamos passando por uma fase que jamais em momento algum, tivemos a capacidade de imaginar. Talvez em algumas situações, por tomar conhecimento das rivalidades sócioeconômicas, viéssemos a pensar em uma 3ª Guerra Mundial, porém numa forma imaginária, pois as grandes potências parecem estar distantes de nós brasileiros. Porém, uma batalha, chegou silenciosa, a partir de uma realidade inimaginável de um vírus, o Corona Vírus, que se propaga de maneira exponencial, que não faz separação, distinção e atinge a todos, ricos e pobres, onde quer que estejam, correndo risco de vida!

E, como viver esse tempo, em que a nossa liberdade está restrita? Nossas relações estão controladas, nosso contato físico está proibido... Que consequências psicológicas já estamos tendo e quais se instalarão em nossa mente, após tudo isso passar? E quanto tempo essa situação vai perdurar? 

Importante se faz, incentivar o contato com nossos eus-afetivos, organizar o tempo em que estamos em confinamento, estabelecer uma rotina, ter metas diárias e organizar atividades prazerosas como, fazer exercícios, arrumar gavetas, ler aquele livro que está nos esperando há algum tempo, assistir aquele filme, que nos foi indicado. Outros, poderão trabalhar em regime de home-office, como eu, que estou atendendo meus pacientes via on-line e está sendo uma experiência muito rica.

Ficar atento ao nosso nível de estresse, também se faz necessário, pois não estamos “acostumados” a conviver o tempo todo com nossos familiares. As crianças estão sem aula, outras pessoas não podem sair de casa, pois pertencem ao grupo de risco (com 60 anos ou mais), e nem sempre temos tolerância e aceitação de seus comportamentos. E, nessa hora é que temos que colocar em prática a nossa resiliência, a nossa serenidade, cuidar com o excesso de informações, cuidar do nosso corpo e da nossa mente, fazer coisas que gostamos, se conectar com as pessoas, não parar qualquer tipo de tratamento que estejamos fazendo, pedir ajuda quando necessário, ser mais solidário e saber que estamos separados fisicamente, porém não em isolamento afetivo.

Fazer deste momento, como ouvi de uma Psicóloga, num programa de TV: “uma oportunidade de nos voltarmos para a casa interna. O que estávamos fazendo até a Pandemia se instalar? E ela mesma nos alerta: até a Pandemia, estávamos olhando só para fora e esse momento poderá ser muito rico para que tenhamos a oportunidade de todos voltarem a olhar para dentro de si mesmos, voltar para a casa interna”. E, complemento, no sentido de nos percebermos como finitos que somos, que não fazemos controle total das situações, que nos fazemos nas relações com o outro e que esse outro é sujeito de respeito, afeto e amor.

Também não temos remédios para essa Pandemia e nem vacinas... e quando isso poderá ser resolvido e por quanto tempo? 

Porém, jamais percamos a esperança, que, como tudo na vida, isso também vai passar e que possamos perceber que mesmo na dor as lições poderão ser positivas para que nos tornemos melhores como seres humanos!