Psicologia em pauta
Fim do Ano Escolar

Venho me deparando com as angústias de determinadas famílias, com respeito ao “fim do ano escolar” de seus filhos, devido aos mesmos não estarem com notas suficientes para a devida aprovação para o ano seguinte. Recomendação do MEC para que as escolas não retenham os alunos dos três primeiros anos do ensino fundamental passa a valer em 2011.

A adoção do regime de progressão continuada, de acordo com a LDB, “contribui para viabilizar a universalização da educação básica, que é o impulso para as nações se projetarem e competirem mundialmente, e também é um meio de garantir o acesso e principalmente a permanência do aluno na escola.” Dessa forma, o objetivo da progressão continuada, além de aumentar a qualidade de ensino, é eliminar a defasagem idade/série, combater a evasão e evitar múltiplas repetências.

De acordo com a progressão continuada o aluno passa automaticamente pelas séries, mas é avaliado ao longo e ao final de um ciclo. Quem não aprende adequadamente deve passar pelos processos de “aceleração”, também conhecido como recuperação.

A progressão continuada, apesar de ser considerada uma ideia avançada, é alvo de polêmica por alguns considerarem que ela configura a “aprovação automática” dos alunos. Essa ideia leva em conta que a progressão foi adotada, no Brasil, sem se mudar as condições estruturais, pedagógicas, salariais, de formação dos professores e outras necessárias ao desenvolvimento de um verdadeiro projeto de progressão continuada. Outros, no entanto, consideram um importante projeto para solucionar o problema da reprovação e evasão dos alunos, segundo, Ebenezer Takuno de Menezes In Dicionário Interativo da Educação. Acesso em: 04 de nov. 2018.

“A reprovação não é uma situação fácil nem para a escola, nem para os pais e nem para os alunos. O fracasso não é só do aluno, é de todos os envolvidos.” É assim que Nevinka Tomasich, Diretora no Colégio Jardim Anália Franco – SP, que lecionou por treze anos na educação infantil e no ensino fundamental, define a retenção de alunos. “O ideal é que não tivéssemos reprovações, que tivéssemos planos individuais de acompanhamento e desenvolvimento de habilidades de acordo com as necessidades dos alunos”, afirma. “Entretanto, não podemos ignorar que há uma cobrança social e uma política de ingresso às universidades que exige resultados”.

E é sob esse olhar, que faço um questionamento: de que adianta passar de ano, sem a devida “apreensão” mínima de conteúdos básicos para poder acompanhar os anos subsequentes?  

Muitas vezes, os pais trazem os cadernos de seus filhos para que eu tome conhecimento do que estão tendo na escola: no caderno tudo está “perfeito”, porém numa sessão de Ludoterapia, em que utilizo um simples jogo de dominó com as (04) operações, aparecerem deficiências cognitivas significativas, bem como incapacidades de interpretação de enunciados simples e abstrações. Outra situação que tomei conhecimento recentemente, é que em algumas escolas, os professores não corrigem as tarefas e o aluno fica sem saber se acertou ou errou, se assimilou o conteúdo ou não! Aí inicia o processo dos “analfabetos funcionais”.

“A taxa de analfabetismo no Brasil caiu em 2017 em comparação com o ano anterior, mas não saber ler ou escrever ainda atinge 11,5 milhões de pessoas com 15 anos ou mais. Já as diferenças regionais e raciais seguem em patamares praticamente idênticos: os índices são bem maiores no Nordeste e entre negros e pardos. Os dados constam da PNAD (Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílio)”.

Portanto, acompanhar o desempenho escolar de seus filhos se faz imperativo e necessário ao longo do período, para que ao final do ano, não ocorra o desespero pela “nota” que falta, mas principalmente pelo que não se “apreendeu” ao longo do mesmo.

A importância do Saneamento Básico no desenvolvimento neurológico e cognitivo das crianças

Creio que desde que iniciei minhas reflexões nesse Blog, não havia colocado um título tão extenso. Ele por si só, já nos dá a oportunidade de refletir acerca do tema. Como admitir que ainda temos em nosso contexto, espaços sem o mínimo de infraestrutura, seja de saneamento básico, acesso a bens e serviços como água e esgoto, postos de saúde, escolas adequadas e de fácil acesso, etc. A falta de saneamento básico e de acesso a água potável de qualidade podem estar na origem de problemas como déficit de estatura, incapacidade de memorização, déficit de atenção, incapacidade de abstração e concretização, dificuldades de interpretações e conceituações, bem como de outras condições associadas à desnutrição.

"As crianças estão sobrevivendo mais, tanto nos países desenvolvidos como nas nações em desenvolvimento. Porém, boa parte delas não está prosperando como poderia e não consegue atingir seu potencial de desenvolvimento cognitivo e físico. Sabe-se que há uma relação entre a ocorrência frequente de diarreia e a mortalidade infantil, mas "estudos recentes têm mostrado que infecções bacterianas repetidas também podem afetar as vilosidades intestinais e o perfil da microbiota - prejudicando a absorção de nutrientes para o resto da vida."

Quando o problema ocorre em períodos de alta vulnerabilidade, como os primeiros dois anos de vida, os danos podem ser definitivos. “Três áreas são particularmente comprometidas: o desenvolvimento cognitivo, a estatura e o microbioma intestinal [fortemente relacionado com a saúde metabólica e a imunidade]. Isso cria grandes disparidades no desenvolvimento de crianças de diferentes contextos socioeconômicos e causa perda de potencial humano".

 “A neurociência tem mostrado que as experiências que um indivíduo vivencia nos primeiros anos de vida são incorporadas no organismo e constroem as bases para as experiências futuras - um período de desenvolvimento é construído com base no anterior. Reduzir as taxas de mortalidade infantil foi uma das metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano 2000, por meio dos Objetivos do Milênio. Contudo, embora muitos avanços nesse sentido venham sendo alcançados nas duas últimas décadas em todo o mundo, há regiões que parecem não ter-se beneficiado.

Um desses casos, que mostra a importância dos primeiros mil dias de vida para o desenvolvimento infantil, foi abordado durante um evento pela professora Marly Augusto Cardoso, da USP. Ela apresentou resultados de uma pesquisa feita ao longo de 10 anos no município de Acrelândia (AC) com cerca de mil crianças menores de 10 anos.

"O que chama atenção nessa região, em relação ao cenário nacional, é que a desnutrição infantil - e consequentemente o déficit de estatura e a prevalência de anemia - não diminuiu tão fortemente como em outros estados brasileiros. O Acre ainda apresenta indicadores de saúde infantil bem precários. A ocorrência de diarreia em crianças pequenas, por exemplo, é bem mais frequente do que em outras regiões," disse Marly.

Ao mesmo tempo, é possível observar um ganho de peso excessivo nas crianças em fase escolar - possivelmente causado pela substituição do padrão alimentar tradicional pelo moderno, composto principalmente de produtos industrializados.

"Isso configura um cenário de carga dupla de doenças relacionadas ao estado nutricional: ainda há deficiências não completamente sanadas e, ao mesmo tempo, risco de ganho excessivo de peso que predispõe a doenças cardiovasculares e metabólicas na vida adulta", comentou a pesquisadora e também já abordado por mim, no texto anterior.

            Importante se faz, a constante observação e notificação que se transformem em ações junto aos organismos responsáveis pela infraestrutura das nossas cidades, para contribuímos com o “direito à qualidade de vida e de desenvolvimento físico e mental de todos os cidadãos”.  Texto base em : https://www.diariodasaude.com.br

Alimentação e a Obesidade Infantil

Estamos vivendo num ritmo frenético, que nem sempre nos concentramos no que temos consumido em nossas refeições. Horários são incompatíveis, os locais das refeições não são compartilhados, a comida nem sempre é selecionada e muitas vezes não é saudável. Fica mais fácil, o “fast food”, impera...

Sabemos que diferentes fatores influenciam o sobrepeso, como a questão genética e ambiental, mas a prevalência hoje está intimamente relacionada à vida sedentária, ao permanente apego ao mundo virtual e consideravelmente importante, ao “tipo de alimentação”.

De acordo com o IBGE, atualmente uma em cada três crianças no Brasil está pesando mais do que o recomendado. As faixas de Índice de Massa Corporal (IMC) determinadas para crianças são diferentes dos adultos e variam de acordo com gênero e idade.

“Diversos fatores podem causar obesidade infantil. Entre as mais comuns estão fatores genéticos, má alimentação, sedentarismo ou uma combinação desses fatores. Além disso, a obesidade em crianças também pode ser decorrente de alguma condição médica, como doenças hormonais ou uso de medicamentos a base de corticoides.

Apesar de ser uma condição com influência genética, nem todos os pais e mães com obesidade também terão filhos com o problema, assim como aqueles pais e mães com peso recomendado podem gerar filhos com obesidade. Isso porque a obesidade infantil também tem ligação com os hábitos alimentares da criança e da família, bem como a realização de atividades físicas”.

Dessa forma, a alimentação da criança e a quantidade de exercícios físicos que ela pratica são fatores determinantes para o aparecimento da obesidade infantil, ainda que exista histórico familiar do problema. Ficar atento a esses hábitos pode ajudar a prevenir a condição pela vida toda.

“Alguns fatores podem aumentar o risco de obesidade em crianças e adolescentes:

  • Dieta desequilibrada, rica em fast foods, alimentos industrializados e congelados, refrigerantes, doces e frituras
  • Sedentarismo, uma vez que a atividade física ajuda a queimar as calorias ingeridas
  • Histórico familiar de obesidade, uma vez que a doença tem influência genética e os maus hábitos alimentares podem ser ensinados de pai para filho.
  • Fatores psicológicos, como estresse ou tédio, podem fazer as crianças comerem mais do que o normal”.(In https://www.minhavida.com.br/saude/temas/obesidade-infantil).

Atentar também para a importância da família realizar as refeições em conjunto, para que se propicie oportunidades de diálogo, de troca de ideias, de estreitamento das relações e troca de afetos. Muitas vezes, come-se vendo TV, jogando no celular, enviando mensagens e não se alimentando, somente “engolindo”, sem perceber “o quê e quanto” se está ingerindo.

          Pensemos nisso e avaliemos constantemente o que estamos fazendo conosco mesmos e com nossos filhos.

 

Um fim de semana

Nesse fim de semana que se encerra hoje, 30/09/18, tive a oportunidade de assistir a uma palestra, que não teve, na verdade, esse formato e sim uma forma de diálogo, entre a Monja Coen  e Leandro Karnal. Um privilégio!

Tão diferentes, mas tão sintonizados e elucidativos, que saímos com o gostinho do “quero mais”. De comum só “a careca”! (como eles mesmo dizem).

Ambos abordaram acerca dos dias em que estamos vivendo e principalmente enfatizaram a obra que construíram juntos: “O Inferno somos nós: do ódio à cultura da paz”, livro que todos deveriam ler. Numa forma dialogada, demonstraram a importância da meditação para nos levar a estarmos mais conosco mesmos, a ouvir a nossa voz interior e a encontrarmos o nosso “eu verdadeiro ou nosso eu menor”.

A Monja lamenta que “quando falamos sobre cultura de paz, a história da humanidade pouco conta ou trata das pessoas ou civilizações que tiveram uma maneira de viver menos violenta”. Coloca que “discriminações, preconceitos, guerras, escravização, tortura, raiva sempre existiram entre nós, humanos”. E se pergunta, “qual a necessidade de manter a população amedrontada? Quais as vantagens disso? A quem interessa uma população que pensa?”

E, Karnal, também afirma, que “os massacres e assassinatos sempre foram muito frequentes, em todas as épocas da história, porém hoje a informação chega mais rápida e as armas são outras”.

E entre vários assuntos, chegam à questão da liberdade e que o medo é um dos “gigantes da alma”.(Karnal, 2018). E, esse, “é fundamental e está na base de quase todos os grandes preconceitos e ódios que cultivamos”.

Já a Monja Coen, coloca que “se diz no zen-budismo que o maior presente que se pode dar a alguém é o não medo”. E como se faz isso, pergunta ela: não tendo medo. Afirma também: “é algo difícil”, pois desde que nascemos, já somos alertados: “cuidado com isto, cuidado com aquilo”. E afirma, que “no budismo, se trabalha muito com a ideia de libertação – libertar-se das ideias e dos conceitos que foram colocados em nós desde o útero materno, desde antes do nascimento, pela maneira como a mãe se portou durante a gravidez; libertar-se não só da parte genética que vem conosco, mas da parte que vai sendo adquirida dos relacionamentos na infância, na adolescência, de escolhas e não escolhas”.

E ainda tendo muito a refletir, coloco, que a nossa mente tem a capacidade infinita, incessante e aberta para se reinventar, no sentido de nos tornarmos seres humanos mais pacientes, empáticos, libertos! Mesmo quando fazemos algo que não “queríamos fazer”, ou que “não gostaríamos de fazer”, também estamos escolhendo, portanto, tendo liberdade, segundo Santo Agostinho.

Portanto, vivamos a liberdade e com ela “a cultura da paz”!

 

 

Pais-Filhos-Avós- Netos

 

Creio que ao longo das minhas publicações, já tenha abordado acerca da relação acima colocada, porém constantemente venho me deparando com situações aflitivas em relação à educação e à formação que tal relação desencadeia. “Os avós NÃO devem interferir na educação dos netos! A responsabilidade pela educação de uma criança é dos pais, e não dos avós!” nos diz Cris Polli. Aponta também que os avós não podem “desautorizar” os pais na frente dos netos, em hipótese nenhuma”.

Muitos pais estão “terceirizando” a educação de seus filhos, deixando-os sob os cuidados de “babás”, da própria escola, dos avós.  A vida hoje nos convoca muito ao trabalho, às atividades colaborativas com as finanças e o papel dos pais está ficando enfraquecido: alguns pais nem mesmo conhecem o desenvolvimento escolar de seus filhos, das inquietações acerca da vida,  quem são seus amigos. Em algumas situações, a criança solicita, faz “manha”  por um “doce” e os avós dizem: “deixa, assim ele pára de chorar!” Não deve, pois quem tem a autoridade sobre os filhos são os pais e essa deve ser feita pelos mesmos, de forma firme e responsável. Não podemos abrir mão dessa autoridade, para que seus filhos se constituam em seres seguros, desenvolvam sua personalidade, passem as fases de desenvolvimento de forma a se “constituírem como sujeitos” integrais, sem ambivalência, inseguranças, etc.  

A criança reconhece pais que tenham autoridade: que não significa ser arrogante, soberba, que impõem a autoridade pela força, aquele que bate, que  põe de castigo, mas sim aquele que conquista pela “autoridade, firmeza e amor e mesmo que a criança resista vai perceber que a sua autoridade é segura, porque o que os pais disserem será uma autoridade com convicção e com legitimidade: um Não é o Não, um Sim é um Sim, um Depois é Depois, o Agora é o Agora! “A autoridade é conquistada com atitudes firmes e não desautorizadas”. (Cris Polli)

Importante manter a ordem dada, e a criança não terá dificuldade em obedecer, quando os pais exercem a autoridade com convicção e ela aprenderá a obedecer quando sempre os pais são “seguros”, e não berram, não são agressivos  e não mudam a “ordem dada”, senão sua decisão e autoridade ficarão comprometidas. (Cris Polli). E, o papel dos avós é de não “desautorizar” esses pais, porque as crianças muitas vezes querem impor seus desejos.

A autoridade, a convicção devem vir com o Amor que os pais devem demonstrar aos seus filhos. E, avós devem respeitar o “jeito de educar” que seus filhos usam na educação de seus netos.

Muitas vezes vamos ouvir: “no meu tempo não era assim!” Porém, temos novos tempos, novos desafios! E, avós amem seus netos, respeitando esses novos tempos!

Meu trabalho de “homecare”

Creio que ainda, poucas pessoas sabem do meu trabalho de atendimento domiciliar, “homecare”. Desde que iniciei minha prática em Psicologia, realizo esse atendimento, devido à demanda de pacientes que muitas vezes não conseguem se deslocar até o consultório, por motivos mais diversos: geralmente são idosos, pessoas sozinhas, pessoas acometidas de enfermidades incapacitantes, póscirúrgicos, com politraumatismos e que muitas vezes os familiares não dão conta de acompanhá-los ou dar o suporte emocional necessário. Já constatei também, em algumas famílias, o preconceito em levar ou acompanhar seus familiares a um Psicólogo! Pasmem, isso ainda existe, atualmente.

As enfermidades, são as mais diversas: Alzheimer, Parkinson, Depressão, Uso de Substâncias Psico-ativas, Póscirúrgicos, Obesidade Mórbida, Transtorno Bipolar, Borderline, C.A., Depressão Pós Parto, Traumas por acidente com Morte, etc.

Mas, o que mais encontro é ainda a dificuldade, das famílias, em lidar com seu ente querido acometido pela doença de Alzheimer. As queixas, são no sentido do “inconformismo” de que a pessoa tão ativa não “é mais a mesma”. Essa enfermidade silenciosa, “evolui aos poucos e vai desligando as funções cognitivas - da memória ao simples ato de mastigar”. “Pode se prolongar até por 20 anos e inicia com esquecimentos bem ocasionais, que não chegam a atrapalhar a rotina ou o trabalho de maneira a ser percebido”. Familiares começam a notar os “brancos” de memória, mais ainda a pessoa é capaz de executar suas atividades do cotidiano. Passado algum tempo, de 01 a 03 anos, ocorre um “comprometimento cognitivo leve”, que pode causar “certa ansiedade”. De 02 a 03 anos aparece uma “demência leve ou moderada”, e a pessoa pode ficar mais isolada e agressiva. O processo vai evoluindo, aparecendo uma confusão mental mais acentuada, limitando a tomada de decisões, de acompanhar as finanças, bem como dirigir. Na sequencia, “o paciente não reconhece o próprio lugar onde está, nem a sua família, tem dificuldades para comer, andar, falar ou executar tarefas”. “Sai da realidade”.

Nessa situação, realizo mais uma abordagem, com a família, no sentido de como saber “lidar” com o familiar acometido de tal enfermidade, pois torna-se muito difícil, trabalhoso e doloroso, fazer esse enfrentamento. “Os familiares se veem num misto de sentimentos de culpa e esgotamento emocional.  Tem-se que avaliar também, a necessidade de cuidados profissionais: para dar banho, trocar fraldas, administrar medicações, o que impacta sobremaneira nas possibilidades financeiras da família. E, muitas vezes percebe-se “o quanto o parente doente está impactando no equilíbrio de todos que estão à sua volta”, aponta o médico Carlos André Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Portanto, minha prática em “homecare, tem o objetivo de dar todo o apoio emocional e psicológico, tanto para o paciente como para seus familiares.

“Zumbido e a vida social”

Tenho tido algumas queixas acerca dos prejuízos causados pelo “zumbido”, que vem acometendo algumas pessoas, que de repente percebem que “algo está incomodando” e que não encontram causas diretas e motivos que possam ter desencadeado tal sensação.

“O zumbido, também conhecido como tinnitus ou acúfeno, é caracterizado como um ruído incômodo que não provém de nenhuma fonte de som externa e pode ser percebido pelo ouvido. Na maioria das vezes, não é sinal de doenças graves, mas pode ser sintoma de condições que exigem acompanhamento médico.

Segundo a American Tinnitus Association (“Associação Americana de Zumbido no Ouvido”, em tradução livre), pelo menos 20% das pessoas apresentam algum quadro do fenômeno ao longo da vida. Na população com mais de 60 anos, esse índice sobe para 25%. Na maior parte dos casos, o zumbido no ouvido não caracteriza nenhuma doença grave. Entretanto, pode ser um sintoma de condições que exigem cuidados especiais e acompanhamento médico. Apesar do nome, sabe-se que poucas vezes lembra um “zzzzz”, como o de um enxame de abelhas. Pelos relatos, supõe-se que o som não seja sempre o mesmo. “Pacientes comparam com barulho de cigarra, apito, concha, panela de pressão, chiado, cachoeira”, diz o Dr. Cassio Antonini, otorrinolaringologista pela Santa Casa de São Paulo. As referências à cigarra e apito são as mais comuns.

“Em um quadro normal, as vias auditivas captam a vibração dos sons gerados no ambiente e os enviam na forma de impulsos elétricos para o cérebro. O distúrbio se instala quando as vias auditivas passam a enviar impulsos mesmo sem haver uma fonte gerando o som. O grande obstáculo para o tratamento do zumbido é descobrir o que leva a essa emissão indiscriminada de impulsos, já que o zumbido em si não é uma doença, e sim, um sintoma. Excesso de cera, infecções e lesões do ouvido são causas possíveis do problema. No entanto, muitos outros fatores que aparentemente não têm nada a ver com o sistema auditivo podem dar origem a esse sintoma. Desvios de coluna, alterações cardiovasculares, diabetes, disfunções da articulação da mandíbula e consumo excessivo de cafeína, álcool e tabaco são alguns deles”.

“A impressão de que o zumbido atinge mais os idosos é falsa, mas tem uma explicação: cerca de 90% dos casos têm como causa principal a perda auditiva. Como esse problema atinge mais a terceira idade, há mais ocorrências de zumbido nessa faixa etária. O som incômodo, entretanto, pode aparecer em qualquer idade, em pessoas com audição normal ou não. Há, porém, relação com o gênero: ainda sem explicação, o problema acomete mais o sexo feminino”.

“O tratamento é longo, estende-se por 18 a 24 meses, e durante todo esse tempo é feito um aconselhamento psicológico. “Quem tem o estresse como gatilho, por exemplo, não vai conseguir escapar de um eventual retorno de zumbido mais intenso. É preciso orientá-lo sobre como lidar com recaídas e como administrar sua convivência com o som de forma a não se abater”, diz Andrea Eichner”.(fonoaudióloga do Centro de Estudos e Reabilitação em Audiologia).

A respiração, junto ao relaxamento bem conduzido, poderão ser ferramentas imprescindíveis ao controle e aceitação do zumbido. Esses recursos poderão auxiliar no controle da ansiedade, na melhoria da qualidade de vida e na aceitação dessa condição que muitas vezes pode levar a estados depressivos, sendo gatilho para o isolamento e a perda da vida social.

O acompanhamento psicológico se faz necessário para que o “acometido pelo zumbido”, possa colocar suas angústias, seus medos, suas impossibilidades sentidas após a instalação de tal sintoma.

Ouço muito: “eu não era assim”! ; “quero tirar isso de dentro de mim”!; “estou enlouquecendo”!; “não aguento mais”!

O importante é procurar ajuda terapêutica, realizar a habituação, embora seja um processo que pode não ser suficiente para “eliminar o temor e a angústia”.

           Sentir que a vida pode continuar, mesmo com as dificuldades, na adversidade e nas deficiências. Realizar a resiliência, a aceitação e buscar alternativas que dão sentido à nossa vida, como a convivência com nossos familiares, amigos, que são o suporte e o significado do nosso existir.

Escolha  Profissional

Sempre me questionei acerca da precocidade em que os jovens, têm em fazer suas escolhas profissionais. “Os jovens, que mal saíram da adolescência, precisam tomar uma decisão que pode definir seu futuro. Além disso, são bombardeados por informações sobre as melhores profissões para trabalhar e ainda sofrem com a pressão dos pais e as influências de seus grupos de amizades. Em alguns casos a escolha da profissão ocorre ainda na infância. Brincadeiras e sonhos infantis acabam se tornando um objetivo na vida dos adolescentes. A pergunta “o que você deseja ser quando crescer?” continua sendo comum na vida das crianças e já vem repleta de expectativas dos adultos. Elas podem optar pela profissão dos pais ou, conforme crescem, vão alternando as preferências de acordo com o que aprendem sobre cada uma. É positivo para os jovens receberem incentivos dos pais para seguirem seus próprios desejos. Contudo, este desprendimento não é tarefa fácil para os pais que pensam em um futuro próspero para seus filhos, visto que a prosperidade está muitas vezes relacionada a profissões reconhecidas e valorizadas socialmente. Assim, alguns jovens adultos terminam por assumir um desejo que não lhes pertence e logo se frustram no inicio do curso superior.”(In www.personare.com.br/os-jovens-e-o-dilema-da-escolha-profissional-2-m3361)

“Geralmente, esta escolha se faz na adolescência, fase marcada pela transição entre a infância e a vida adulta. Se pudéssemos usar uma imagem para simbolizá-la seria a de um “Portal”. Dentro dele, o espaço é intermediário, sem muitas seguranças, e o ego vai flutuando hora para lá e hora para cá, e por isso as influências ganham tanto espaço. As demandas são muitas: modificações na personalidade; experiências de autoconhecimento; mudanças corporais e hormonais; ampliação da visão de mundo; novas definições de identidade e papéis sociais; mudanças nas relações familiares; identificações com pessoas, ideais ou grupos; novas responsabilidades e a definição de uma profissão!

Tantas transformações simultâneas podem ser exigentes o bastante para gerar angústia e ansiedade. E, por isso, é comum que muitos adolescentes e suas famílias recorram à uma Psicoterapia ou à ajuda de um Orientador Profissional que lhes auxilie a “organizar a própria casa” para então se posicionar diante de um menu recheado de profissões.

A escolha profissional é mais um momento difícil, sofrido e sentido da vida do adolescente que progressivamente, interna e externamente, vem optando por algumas coisas e tendo que abrir mão de tantas outras. Ela não é um fato isolado, mas algo que se insere no todo da vida, intrinsecamente ligada à individualidade, à realização, aos sonhos, esperanças, fantasias, medos e amor. Neste conflito heróico em que se busca a confirmação da autonomia e a autoafirmação, o adolescente mergulha dentro de si mesmo, se confronta com suas questões pessoais, e então avança para uma escolha que lhe seja capaz de satisfazer a alma e não apenas o bolso”.( In https://www.contioutra.com/o-que-voce-quer-ser-quando-crescer-sobre-vocacao-e-escolha-profissional)

Portanto, a busca de um profissional capacitado que poderá orientar, por meio de testes, sessões de acompanhamento psicológico se faz necessário para essa fase tão importante e decisória da vida de todos.

“Na pele do outro”

Nos dias atuais, é fácil perceber que cada vez mais as pessoas estão se isolando, reforçando sua individualidade. Mesmo com toda a tecnologia, o contato pelos meios virtuais instantâneos, há um vazio. E, nesse, muitas situações se instalam, como a solidão, a depressão, o medo.

Importante se faz, voltarmos a estabelecer as relações sociais, mais próximas e com elas desenvolvermos a “Empatia”.

“Empatia é a capacidade que temos de nos colocar no lugar dos outros. O termo empatia foi usado pela primeira vez pelo filósofo alemão Theodor Lipps, para tentar explicar a relação entre o artista e o espectador que projeta a si mesmo na obra de arte. É quando nos vemos naquela situação, passando pelas mesmas experiências”.

“Nos campos da psicologia e neurociência, a empatia é considerada uma inteligência emocional. Sendo inteligência, pode ser aprendida. Basta se dispor a olhar com abertura e curiosidade atenta para o mundo dos outros, entendê-los por dentro. É possível entrar em contato com este seu lado mais conectivo através da arte, com filmes, livros e no contato com “o outro”.

Pode se constituir numa ferramenta eficiente para tornar os relacionamentos mais plenos de compreensão, até abrandar agressividades, derrubar preconceitos, nos fazer refletir acerca de nossas ambições e até melhorar o nosso “pequeno mundo”.

O filósofo e historiador da cultura Roman Krznaric sustenta que, “ao contrário do que pensamos, não somos eminentemente autocentrados, pois nosso cérebro é equipado para a conexão social. O autor expõe hábitos das pessoas extremamente empáticas, cujas habilidades lhes permitem conectar-se com outras de maneira extraordinária e, assim, fazer a diferença e transformar as relações. Quer sejam médicos, cientistas, banqueiros, policiais, moradores de rua ou abastados fazendeiros, todos têm uma história para contar. Ao longo do caminho, Krznaric relembra também a trajetória de personagens de destaque da história (Gandhi, Mandela, Che Guevara, entre outros) e exemplos marcantes de "empatistas" reais e fictícios no cinema e na literatura”. O autor defende que a empatia combina elementos afetivos e cognitivos, ou seja, extrapola o mero sentimento, sendo diferente da compaixão, que é uma “reação emocional não compartilhada”.

Isso posto, convido a todos a repensarmos nossos atos, refletirmos acerca das nossas reações e dessa forma, praticar a “empatia”, nos colocando na pele do outro.

Retorno às aulas

Como tudo na vida é cíclico, nessa semana, acontece o retorno às aulas. No início das férias escolares, fui convocada a abordar acerca da relação familiar e àquele período. Agora outro se inicia. E, com isso novas atitudes, o assumir novas rotinas e compromissos. O ritmo muda, o dormir tarde “acaba”, tarefas são colocadas, estudar se faz necessário.

Mas tudo isso, pode e deve ser prazeroso, sem cobranças excessivas e tendo o acompanhamento dos pais e/ou familiares. É a oportunidade de se “recuperar” conteúdos não bem assimilados e apreender, para realmente saber.

Muitos pais, ficam preocupados com “as notas” de seus filhos. Isso é natural, porém o mais importante é saber “em que eles tem mais dificuldades” e sempre acompanhar também a vida escolar de seus filhos. O Guia de Ensino- Manual de Educação, Canal do Ensino, nos orienta:

1. Mantenha um canal de comunicação com a escola, buscando se informar sobre as tarefas de casa, a periodicidade das reuniões com pais e do boletim escolar.

2. Troque ideias com o seu filho sobre a tarefas, mas não a corrija e dê a resposta certa. Isso é função do professor.

3. Ele errou na tarefa? Incentive-o a tentar de novo!

4. Não é o fim do mundo não saber responder as dúvidas do seu filho. Assuma que não sabe e peça que ele procure o professor.

5. Não faça a tarefa pelos seus filhos.

6. Estabeleça um período fixo para que seu filho faça as lições (de manhã ou à tarde) e tente manter a casa tranquila nesses horários.

7. Tente estar presente pelo menos em parte das lições de casa.

8. Separe um cantinho da casa para o seu filho estudar.

9. Se o livro ainda é o principal material didático do seu filho, concentre-se nele (complemento: tablets e computadores podem ajudar, por exemplo, em pesquisas, desde que feitas em sites de confiabilidade e sem que o estudante se disperse na internet!).

10. Encoraje seu filho a melhorar, mas evite comparações entre crianças.

Considero, o item 10, de muita importância! Cada um é um sujeito singular, tem seu ritmo próprio, seu tempo.

Portanto, a escola, como integrante do contexto da vida de nossos filhos, deve ser articulada com tudo que faz parte desse contexto, ou seja, do estudar, do realizar exercícios físicos, do lazer, do convívio com os colegas e o processo “ensino-aprendizagem requer o acompanhamento e o envolvimento familiar de forma a torná-lo mais agradável”.