Psicologia em pauta
Mundo frenético

 

Vivemos nosso dia a dia, como o “Coelho” da história de Alice no País das Maravilhas, que foi criada por Charles Lutwidge Dodgson no dia 4 de julho de 1862, durante um passeio de barco pelo rio Tâmisa. Charles inventou a narrativa para entreter as filhas do amigo Henry George Liddel, chamadas Loriny, Edith e Alice. Sempre temos pressa...

Muitas vezes, amigos e pessoas se aproximam de nós e iniciam uma conversa e nós “parecendo” que os estamos ouvindo, logo falamos de nós mesmos e/ou fazemos o possível para dar continuidade ao que estávamos fazendo ou apressamos o passo.

E essa pressa, pode nos desencadear muitas sensações e até sofrimentos, que por sua vez, poderão se tornar, ansiedade e/ou depressões.

Muitas pessoas acham que “ansiedade é ser impaciente, ter desejos que algo aconteça o mais rápido possível”. Esta é muito mais que isto. É “preocupação excessiva, causa insônia, provoca tensão muscular, ocorrem medos irracionais, a respiração se torna curta e ofegante, pode causar dor no peito, tremores e até ataques de pânico”.

“Alice é uma menina inteligente e observadora que embarca em uma viagem para o País das Maravilhas, um mundo onde tudo parece ser diferente daquilo que ela conhece. A protagonista simboliza a curiosidade e a imaginação que todos temos na infância. O Coelho Branco que passa pelo jardim é o elemento que desperta a atenção da menina. Vestindo um colete e usando um relógio de bolso, corre porque está atrasado. Alice decide ir atrás dele, sem pensar nas consequências. O Coelho, sempre aflito e correndo, representa a passagem inevitável do tempo”.

E, esse tempo, tão precioso, é que necessitamos vivê-lo da melhor forma, tendo consciência da nossa respiração, pois ela é essencial para a diminuição da Ansiedade: “levamos a vida do tamanho de nossa Respiração”. “Aliando a respiração ao movimento, por isso a importância do exercício físico, como uma caminhada, por exemplo, é possível reduzir e até eliminar as tensões musculares, melhorando o contato sensorial e emocional com o mundo externo”, nos aponta Minasi, 2017, in minasi.com.br.

Segundo o Psiquiatra Dr Persio Ribeiro Gomes de Deus, “a ansiedade é uma emoção normal do ser humano, comum ao se enfrentar algum problema no trabalho, antes de uma prova ou diante de decisões difíceis do dia a dia. No entanto, a ansiedade excessiva pode se tornar uma doença, ou melhor, um distúrbio de ansiedade.

Pessoas que sofrem de distúrbios de ansiedade sentem uma preocupação e medo extremos em situações simples da rotina, além de alguns sintomas físicos, o que atrapalha suas atividades cotidianas, já que eles são difíceis de controlar”.

Os distúrbios de ansiedade podem ser tratados. E aqui, tanto o tratamento medicamentoso, como a Psicoterapia, se fazem necessários e importantes.

            E, o primeiro passo é diminuir o “frenesi” dos dias de hoje, sentir mais o mundo e o outro, tomar consciência de si mesmo, escutar a si e ao outro... e também, como não poderia deixar de abordar, viver mais no mundo real, pois estamos nos “impessoalizando” na frenética utilização do mundo virtual! 

Tragédias inesperadas e a ressignificação da vida

As tragédias são sempre causadoras de grandes impactos emocionais, sociais e comunitários. Umas, nos atingem menos e outras, às vezes indiretamente, pois nem sempre acontecem conosco mesmos, porém nos atingem de forma a sentirmos a dor dos que nela foram envolvidos.

“As grandes tragédias, provindas de fenômenos naturais ou de eventos sociais, costumam ter um grande impacto psicológico nas pessoas direta e indiretamente envolvidas. A queda de um avião, um ataque terrorista, um furacão, uma grande enchente… São acontecimentos que abalam de forma abrupta, chocam e surpreendem a todos. A ordem e a estabilidade do ambiente, os vínculos afetivos e emocionais seguros se evaporam em questão de minutos, criando uma sensação imediata de confusão e desamparo”. Eventos como esses, traumáticos e de grande magnitude, são dotados de tamanha intensidade e violência que se tornam muito difíceis para que a pessoa que o experimenta possa processá-lo de imediato. Mesmo não conhecendo as pessoas envolvidas ou estando a quilômetros de distância da tragédia, as pessoas se confrontam com uma realidade que é inimaginável, sofrida. Presenciamos, então, um sentimento coletivo e amoroso na busca de conforto da dor diante da morte e do desamparo. São situações que nos fazem pensar na nossa própria fragilidade, impotência e, muitas vezes, em nossos próprios lutos pessoais. Nos fazem pensar no que deixamos de fazer, nos sonhos que não realizamos, nas pessoas das quais estamos distantes.

Avaliando e estabelecendo uma relação empática, ou seja, nos colocando no lugar das pessoas atingidas pela tragédia de Brumadinho, do incêndio nas instalações inadequadas dos “jogadores aprendizes” do Flamengo,  sentimos que não temos os “alcance” de imaginar o que realmente cada morador daquele lugar pode estar passando. Não foram só bens materiais que lhes foram tirados ou empregos, lugar de subsistência... foram vidas ceifadas, sonhos frustrados, expectativas anuladas. Toda uma vida interrompida, seja humana, animal, da fauna, da flora...E, com a iminência de atingir outros espaços vitais para muitas pessoas que habitam a região atingida.

Como ressignificar a vida? Para essas pessoas, a vida acabou? Ficaram sem teto, sem trabalho, sem familiares... O quê pode dar sentido à vida?

O homem tem o privilégio de poder, com o passar do tempo, encontrar novas alternativas de sobrevivência, de resiliência... 

Os atingidos pela tragédia de Brumadinho, viverão por algum tempo sob o efeito desse estresse pós traumático. A dor, a saudade, a revolta estará instalada na mente de muitas pessoas. Isso jamais será apagado, esquecido. Porém, a vida segue e cada um a seu modo, poderá com o passar do tempo, perceber que tem potencial de enfrentamento, fazendo seus lutos e com isso buscando suportes afetivos e também utilizar a rede de profissionais como  médicos, psicólogos, assistentes sociais, que deem apoio e sustentação que possam  contribuir para a ressignificação da vida.

Não será fácil. Porém compartilhar a dor e a perda é uma das grandes armas para encontrar uma saída criativa e saudável para a elaboração do luto. Assim como dar “tempo ao tempo…”

 

Compartilhando  experiências II

Dando continuidade ao compartilhamento de experiências, trago aqui mais um relato. “Paciente adulto,45 anos, do sexo feminino, com dificuldades cognitivas severas, em terapia há 03 anos”. Seu processo terapêutico se realiza semanalmente e já consegue escrever seu nome, contar até dez, realiza exercícios físicos e frequenta escola para adultos.

Quanto progresso para quem chegou ao consultório sem nem nos cumprimentar e nem dirigir o olhar para mim. Como superar as barreiras da comunicação? Nessa hora, a família e/ou cuidadores tem papel importante para nos dar os dados necessários para que realizemos uma anamnese a mais elucidativa possível, para que possamos conhecer a “história de vida” da mesma. E, na sequencia realizar um processo terapêutico dentro das possibilidades e potencialidades apresentadas pelo paciente.

A dificuldade de concentração ou atenção, a agilidade mental, é estimulada por meios concretos, com atividades lúdicas e o incentivo a caminhadas, natação, fazer yoga, ou jardinagem. Usar um calendário ou agenda diária para não esquecer atividades e datas importantes. Orientar a família para repetir as informações e anotar as novas informações, apesar de que no caso relatado, a paciente não lê, devendo ser “lembrada” por quem com ela convive. Exercitar seu cérebro com atividades mentais, como quebra-cabeças, pintura, etc.

Nesse caso nos utilizamos da Terapia Cognitiva, conforme RANGÉ (2001a), é uma abordagem ativa, diretiva e estruturada, de prazo limitado, orientada para o problema, caracterizada pela aplicação de uma variedade de procedimentos clínicos como introspecção, insight, teste de realidade e aprendizagem visando aperfeiçoar discriminações e corrigir concepções equivocadas que se supõe basearem comportamentos, sentimentos e atitudes.

Na terapia cognitiva, terapeuta e paciente, em conjunto, estabelecem os objetivos da terapia, os sintomas-alvo a serem atacados, etc. Ainda para GREENBERGER & PADESKY (1999), o terapeuta cognitivo deve fazer perguntas a respeito de cinco aspectos da vida do paciente: pensamentos (crenças, imagens, lembranças), estados de humor, comportamentos, reações físicas e ambiente (passado e presente), visto que as cinco áreas estão interligadas, onde cada aspecto diferente da vida de uma pessoa influencia todos os outros. Pequenas mudanças em qualquer área podem acarretar mudanças nas demais”.

“Quando falamos de Psicoterapia, implícito está a referência a uma preparação técnica e uma assimilação de conhecimentos teóricos e pessoais, específicos de cada terapeuta e de cada cliente. A partir de tal preparação, terapeuta e cliente estão prontos para, juntos, reconstituírem as vivências do último, bem como reconstruírem cognitiva e emocionalmente a sua história pessoal. Já no que diz respeito aos seus objetivos, esses podem ser organizados da seguinte maneira: 1) ajudar a pessoa que busca psicoterapia a desenvolver um conhecimento abrangente e realista de si mesmo; 2) ajudar o paciente a desenvolver uma congruência ou coerência entre seus sentimentos, crenças e comportamentos; 3) ajudar e incentivar o  a enfrentar suas dificuldades, estimulando-o a persistir em seus esforços de enfrentamento; 4) ajudar a perceber suas alternativas de funcionamento, as quais dependem de uma escolha pessoal”. Lorine Tavares In http://newpsi.bvs-psi.org.br/tcc/83.pdf

            Dessa forma, vejo resultados positivos no sentido da melhoria da qualidade de vida dessa paciente.

Compartilhando uma experiência

Na minha prática profissional, a riqueza de experiências e de resultados muitas vezes nos surpreendem. A Psicologia nos proporciona oportunidades de troca de experiências ricas em “vida”, afetivas e de ajuda mútua.

Nessa semana, me deparei com resultados do processo terapêutico que me deixaram feliz e ao mesmo tempo com muito mais responsabilidade, inerentes à profissão, pois ao ouvir o relato de um paciente, percebi o quanto a escuta terapêutica, tem proporcionado a ele, autoconhecimento e melhoria de qualidade de vida.

Esse paciente ao qual me refiro, é especial, frequentou a APAE, desde criança com diagnóstico de “retardo mental leve” e hoje aos 48 anos tem autonomia, raciocínio lógico, externa afeto e relacionamento social. Em terapia, desde 2016, realizando concomitantemente tratamento medicamentoso e neurológico, consegue levar a vida de uma forma a não se sentir “discriminado”.

Tem suas limitações, porém tem o suporte familiar adequado para colocar as suas potencialidades a serviço do cotidiano. Nesse aspecto, o apoio familiar é imprescindível para dar oportunidades a esse sujeito de perceber que pode ter limitações, porém não tão incapacitantes assim. O processo de adaptação e desenvolvimento tanto para o paciente como para seus familiares e/cuidadores nem sempre é fácil, pois envolve atenção, desgastes, influência no processo de vida destes últimos, pois muitas vezes têm que abdicar de suas próprias vidas, para atender a “vida desse outro”, para que o mesmo sinta-se “aceito, contido socialmente e seguro”.

Sabemos que “nem sempre é fácil a adaptação da família em relação ao novo cotidiano para com os cuidados da pessoa com deficiência”, pois há uma série de mudanças, de afetos contraditórios em relação à expectativa e a ideias frustradas, “gerando até um processo de luto e desafiando a família a lidar da melhor forma possível com as dificuldades”. Sabemos que em alguns momentos, “até a revolta se instala”: “deixei a minha vida para cuidar de você”...“você não entende nada”... e nesse processo há também grandes momentos de afeto, devido às conquistas( que para muitas famílias até passam despercebidas, mas em outras são verdadeiras vitórias: como saber o caminho até a padaria, fazer a barba, aprender a cozinhar, a fazer pão!) e também momentos de tristeza e raiva.

 Os familiares/cuidadores são parte essencial no processo de desenvolvimento e adaptação das pessoas com deficiência. São peça chave no  processo terapêutico psicológico das pessoas com deficiência, possibilitando a

estimulação adequada, percebendo como “lidam emocionalmente com as dificuldades, para evitar o sentimento de inadequação, exclusão social, excessiva dependência, a falta de consciência sobre as reais dificuldades e possibilidades”.  (SÓLCIA,2004).

            Importante se faz, ter relações interpessoais positivas, acolhedoras, oferecer oportunidades de incluir as pessoas com deficiência nas atividades do cotidiano, estimulando-as e proporcionando um espaço afetivo e emocional positivo, que leve à autonomia e à regularidade que garanta o bem estar de seus membros.

            Portanto, sendo a família, “a unidade básica do indivíduo, a primeira integradora e responsável pelo desenvolvimento da criança em todos os sentidos: social, emocional, sensório-motora, cognitiva, etc”, esse é o espaço em que as deficiências poderão ser minimizadas e a realização do ser, mesmo com limitações, poderá ser realizada.

2.0.1.9

 

 

Inicio lembrando as informações e/ou especulações acerca da chegada do ano 2000. “O mundo vai acabar”, diziam... E cá estamos, em 2019, como é de praxe, com muitas esperanças, desejos a realizar, sonhos e promessas para o ano que se inicia. E isso é bom! Renova nossas vidas, faz com que realizemos os balanços necessários acerca do que realizamos ou não e nos impulsiona a ir em frente.

A ciência explica porque damos sentido especial à virada e insistimos em resoluções que (geralmente) não cumprimos. Nosso cérebro é apegado a ciclos naturais e programado para o presente, que simbolicamente dá o poder da passagem do 31 de Dezembro ao 01 de Janeiro, de apagar erros e projetar acertos como “perder peso, ler mais, estar com amigos e familiares, fazer terapia para conhecer-se melhor e/ou gastar menos”, por exemplo. Reforço, e isso é positivo. Temos, ao passar dos anos, que ir ressignificando nossas vidas, dando novos rumos, novo sentido.

Muitas vezes, as “promessas” nem sempre são tão racionais, pois aparecem num momento emocional, da simbologia do momento, porém se avaliadas, poderão ser colocadas em prática.

Cristiano Nabuco, psicólogo da USP e autor de “Psicologia do cotidiano”, explica que, durante milênios, nosso cérebro foi programado para começar e encerrar tarefas. Se em 2017 você prometeu fazer exercícios, mas em 2018 passou longe da academia, seus neurônios vão “enviar notificações” lembrando você disso. O importante é se planejar para mudar pequenas coisas, um pouco a cada dia. Somos muito ruins para lidar com crises: quanto menos desgaste emocional, mais chance do plano dar certo.

Marie Hennecke, socióloga da Universidade de Zurique, na Suíça, é coautora, com o médico americano Benjamin Converse, da pesquisa “Next week, next month, next year” (“Próxima semana, próximo mês, próximo ano”), que analisa como marcos temporais alteram expectativas. Observando o comportamento de voluntários por um longo período, o estudo mostra, como era de se esperar, que a virada do ano não é a única culpada: segundas-feiras e o primeiro dia do mês também ocupam no imaginário o símbolo de “começar de novo”.

Pode ser um dia, uma semana ou um mês como outro qualquer. Mas o fato é que, se você se deixou embalar pelo espírito otimista no ano novo, não deixe esse entusiasmo se perder. Essa é a dica de John Norcross, psicólogo que estuda o assunto desde os anos 1990 e é autor do best-seller “Changeology” (“Mudançalogia”, em tradução livre).

Portanto, feliz 2.0.1.9!

Escolha profissional

Com certeza já abordei esse tema, porém tem sido recorrente a presença das dúvidas que envolvem tal ato, bem como o aparecimento do abandono da profissão escolhida, até com algum tempo de exercício profissional.

Nosso sistema de ensino, obriga os jovens a escolher muito cedo o ofício que irão exercer pelo resto de suas vidas. Quantas coisas estão envolvidas nessa escolha: o número de profissões é grande; o mercado de trabalho é cada vez mais seletivo e competitivo; a identidade do jovem, nessa fase ainda está sendo definida; nem sempre têm o real conhecimento de suas capacidades, de seus interesses e motivações. E aí vem a família e quase que obriga... “seu avô foi médico, bem sucedido, você tem tudo para ser também!”.

“É aí que a Orientação Profissional pode ser de grande ajuda, aplicada por profissionais habilitados, facilitando esse momento de escolha, auxiliando o jovem a compreender os vários fatores que deverão ser considerados: aspectos pessoais, familiares e sociais”.

Interesses, aptidões, a opinião externa, a motivação são fatores decisivos e importantes na escolha. Pesquisar sobre as diferentes áreas do conhecimento se faz necessário para “compreender os caminhos para onde cada profissão pode levar”.

 Conhecer o que cada profissão envolve, ter contato com profissionais para que os mesmos relatem suas experiências da carreira que abraçaram, tendo em vista seus sucessos e fracassos, facilidades e dificuldades, poderão auxiliar para esclarecer melhor, quando da escolha a ser feita.

Outro entrave no caminho da escolha profissional, é a “influência externa”. Muitas vezes, “o real desejo do jovem fica em segundo plano e a sua escolha fica baseada na “opinião de amigos e familiares”. Ah, médico ganha bem, advogado é bem reconhecido, na engenharia seu pai é bem sucedido...

Quanto à desistência na metade do caminho ou até depois de abraçada uma profissão, não quer dizer que a escolha inicial foi errada. Muitos já demonstram a tendência e o desejo de “querer ter determinada profissão”. Porém, isso pode acontecer, porque interesses mudam à medida que se entra mais profundamente em contato com o dia a dia profissional. Frustrações aparecem nas mais diversas formas: o meio não favorece, os traços de personalidade, a hereditariedade, a cultura e o retorno financeiro, devem ser levados em conta nesse processo.

Sempre se questionar: de quem é o projeto? Meu? Dos meus pais?

Carlos Eduardo Pereira, (Psicólogo Top Quality), com relação ao processo de escolha, aponta, que, o medo de escolher errado; ter que mudar de carreira; crença de que quem muda não é bem sucedido; é difícil mudar; e a escolha é para a toda a vida, são fatores que demonstram como a pessoa “lida” com a situação.

Afinal, quem nunca disse ou ouviu um pai dizer: “farei tudo para que meu filho tenha tudo na vida”! Desejar o melhor para nossos filhos, não é nenhum problema, o que é nocivo será “determinar, os valores e objetivos de vida que nossos filhos “deverão seguir”.

Atentar para essas reflexões serão fatores decisórios para a escolha profissional e as opções poderão ficar mais claras e a decisão será tomada com autoconsciência, com suporte emocional para enfrentar os medos do fracasso, da escolha errada para o momento e estimulando-os a seguir em frente! 

Fim do Ano Escolar

Venho me deparando com as angústias de determinadas famílias, com respeito ao “fim do ano escolar” de seus filhos, devido aos mesmos não estarem com notas suficientes para a devida aprovação para o ano seguinte. Recomendação do MEC para que as escolas não retenham os alunos dos três primeiros anos do ensino fundamental passa a valer em 2011.

A adoção do regime de progressão continuada, de acordo com a LDB, “contribui para viabilizar a universalização da educação básica, que é o impulso para as nações se projetarem e competirem mundialmente, e também é um meio de garantir o acesso e principalmente a permanência do aluno na escola.” Dessa forma, o objetivo da progressão continuada, além de aumentar a qualidade de ensino, é eliminar a defasagem idade/série, combater a evasão e evitar múltiplas repetências.

De acordo com a progressão continuada o aluno passa automaticamente pelas séries, mas é avaliado ao longo e ao final de um ciclo. Quem não aprende adequadamente deve passar pelos processos de “aceleração”, também conhecido como recuperação.

A progressão continuada, apesar de ser considerada uma ideia avançada, é alvo de polêmica por alguns considerarem que ela configura a “aprovação automática” dos alunos. Essa ideia leva em conta que a progressão foi adotada, no Brasil, sem se mudar as condições estruturais, pedagógicas, salariais, de formação dos professores e outras necessárias ao desenvolvimento de um verdadeiro projeto de progressão continuada. Outros, no entanto, consideram um importante projeto para solucionar o problema da reprovação e evasão dos alunos, segundo, Ebenezer Takuno de Menezes In Dicionário Interativo da Educação. Acesso em: 04 de nov. 2018.

“A reprovação não é uma situação fácil nem para a escola, nem para os pais e nem para os alunos. O fracasso não é só do aluno, é de todos os envolvidos.” É assim que Nevinka Tomasich, Diretora no Colégio Jardim Anália Franco – SP, que lecionou por treze anos na educação infantil e no ensino fundamental, define a retenção de alunos. “O ideal é que não tivéssemos reprovações, que tivéssemos planos individuais de acompanhamento e desenvolvimento de habilidades de acordo com as necessidades dos alunos”, afirma. “Entretanto, não podemos ignorar que há uma cobrança social e uma política de ingresso às universidades que exige resultados”.

E é sob esse olhar, que faço um questionamento: de que adianta passar de ano, sem a devida “apreensão” mínima de conteúdos básicos para poder acompanhar os anos subsequentes?  

Muitas vezes, os pais trazem os cadernos de seus filhos para que eu tome conhecimento do que estão tendo na escola: no caderno tudo está “perfeito”, porém numa sessão de Ludoterapia, em que utilizo um simples jogo de dominó com as (04) operações, aparecerem deficiências cognitivas significativas, bem como incapacidades de interpretação de enunciados simples e abstrações. Outra situação que tomei conhecimento recentemente, é que em algumas escolas, os professores não corrigem as tarefas e o aluno fica sem saber se acertou ou errou, se assimilou o conteúdo ou não! Aí inicia o processo dos “analfabetos funcionais”.

“A taxa de analfabetismo no Brasil caiu em 2017 em comparação com o ano anterior, mas não saber ler ou escrever ainda atinge 11,5 milhões de pessoas com 15 anos ou mais. Já as diferenças regionais e raciais seguem em patamares praticamente idênticos: os índices são bem maiores no Nordeste e entre negros e pardos. Os dados constam da PNAD (Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílio)”.

Portanto, acompanhar o desempenho escolar de seus filhos se faz imperativo e necessário ao longo do período, para que ao final do ano, não ocorra o desespero pela “nota” que falta, mas principalmente pelo que não se “apreendeu” ao longo do mesmo.

A importância do Saneamento Básico no desenvolvimento neurológico e cognitivo das crianças

Creio que desde que iniciei minhas reflexões nesse Blog, não havia colocado um título tão extenso. Ele por si só, já nos dá a oportunidade de refletir acerca do tema. Como admitir que ainda temos em nosso contexto, espaços sem o mínimo de infraestrutura, seja de saneamento básico, acesso a bens e serviços como água e esgoto, postos de saúde, escolas adequadas e de fácil acesso, etc. A falta de saneamento básico e de acesso a água potável de qualidade podem estar na origem de problemas como déficit de estatura, incapacidade de memorização, déficit de atenção, incapacidade de abstração e concretização, dificuldades de interpretações e conceituações, bem como de outras condições associadas à desnutrição.

"As crianças estão sobrevivendo mais, tanto nos países desenvolvidos como nas nações em desenvolvimento. Porém, boa parte delas não está prosperando como poderia e não consegue atingir seu potencial de desenvolvimento cognitivo e físico. Sabe-se que há uma relação entre a ocorrência frequente de diarreia e a mortalidade infantil, mas "estudos recentes têm mostrado que infecções bacterianas repetidas também podem afetar as vilosidades intestinais e o perfil da microbiota - prejudicando a absorção de nutrientes para o resto da vida."

Quando o problema ocorre em períodos de alta vulnerabilidade, como os primeiros dois anos de vida, os danos podem ser definitivos. “Três áreas são particularmente comprometidas: o desenvolvimento cognitivo, a estatura e o microbioma intestinal [fortemente relacionado com a saúde metabólica e a imunidade]. Isso cria grandes disparidades no desenvolvimento de crianças de diferentes contextos socioeconômicos e causa perda de potencial humano".

 “A neurociência tem mostrado que as experiências que um indivíduo vivencia nos primeiros anos de vida são incorporadas no organismo e constroem as bases para as experiências futuras - um período de desenvolvimento é construído com base no anterior. Reduzir as taxas de mortalidade infantil foi uma das metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano 2000, por meio dos Objetivos do Milênio. Contudo, embora muitos avanços nesse sentido venham sendo alcançados nas duas últimas décadas em todo o mundo, há regiões que parecem não ter-se beneficiado.

Um desses casos, que mostra a importância dos primeiros mil dias de vida para o desenvolvimento infantil, foi abordado durante um evento pela professora Marly Augusto Cardoso, da USP. Ela apresentou resultados de uma pesquisa feita ao longo de 10 anos no município de Acrelândia (AC) com cerca de mil crianças menores de 10 anos.

"O que chama atenção nessa região, em relação ao cenário nacional, é que a desnutrição infantil - e consequentemente o déficit de estatura e a prevalência de anemia - não diminuiu tão fortemente como em outros estados brasileiros. O Acre ainda apresenta indicadores de saúde infantil bem precários. A ocorrência de diarreia em crianças pequenas, por exemplo, é bem mais frequente do que em outras regiões," disse Marly.

Ao mesmo tempo, é possível observar um ganho de peso excessivo nas crianças em fase escolar - possivelmente causado pela substituição do padrão alimentar tradicional pelo moderno, composto principalmente de produtos industrializados.

"Isso configura um cenário de carga dupla de doenças relacionadas ao estado nutricional: ainda há deficiências não completamente sanadas e, ao mesmo tempo, risco de ganho excessivo de peso que predispõe a doenças cardiovasculares e metabólicas na vida adulta", comentou a pesquisadora e também já abordado por mim, no texto anterior.

            Importante se faz, a constante observação e notificação que se transformem em ações junto aos organismos responsáveis pela infraestrutura das nossas cidades, para contribuímos com o “direito à qualidade de vida e de desenvolvimento físico e mental de todos os cidadãos”.  Texto base em : https://www.diariodasaude.com.br

Alimentação e a Obesidade Infantil

Estamos vivendo num ritmo frenético, que nem sempre nos concentramos no que temos consumido em nossas refeições. Horários são incompatíveis, os locais das refeições não são compartilhados, a comida nem sempre é selecionada e muitas vezes não é saudável. Fica mais fácil, o “fast food”, impera...

Sabemos que diferentes fatores influenciam o sobrepeso, como a questão genética e ambiental, mas a prevalência hoje está intimamente relacionada à vida sedentária, ao permanente apego ao mundo virtual e consideravelmente importante, ao “tipo de alimentação”.

De acordo com o IBGE, atualmente uma em cada três crianças no Brasil está pesando mais do que o recomendado. As faixas de Índice de Massa Corporal (IMC) determinadas para crianças são diferentes dos adultos e variam de acordo com gênero e idade.

“Diversos fatores podem causar obesidade infantil. Entre as mais comuns estão fatores genéticos, má alimentação, sedentarismo ou uma combinação desses fatores. Além disso, a obesidade em crianças também pode ser decorrente de alguma condição médica, como doenças hormonais ou uso de medicamentos a base de corticoides.

Apesar de ser uma condição com influência genética, nem todos os pais e mães com obesidade também terão filhos com o problema, assim como aqueles pais e mães com peso recomendado podem gerar filhos com obesidade. Isso porque a obesidade infantil também tem ligação com os hábitos alimentares da criança e da família, bem como a realização de atividades físicas”.

Dessa forma, a alimentação da criança e a quantidade de exercícios físicos que ela pratica são fatores determinantes para o aparecimento da obesidade infantil, ainda que exista histórico familiar do problema. Ficar atento a esses hábitos pode ajudar a prevenir a condição pela vida toda.

“Alguns fatores podem aumentar o risco de obesidade em crianças e adolescentes:

  • Dieta desequilibrada, rica em fast foods, alimentos industrializados e congelados, refrigerantes, doces e frituras
  • Sedentarismo, uma vez que a atividade física ajuda a queimar as calorias ingeridas
  • Histórico familiar de obesidade, uma vez que a doença tem influência genética e os maus hábitos alimentares podem ser ensinados de pai para filho.
  • Fatores psicológicos, como estresse ou tédio, podem fazer as crianças comerem mais do que o normal”.(In https://www.minhavida.com.br/saude/temas/obesidade-infantil).

Atentar também para a importância da família realizar as refeições em conjunto, para que se propicie oportunidades de diálogo, de troca de ideias, de estreitamento das relações e troca de afetos. Muitas vezes, come-se vendo TV, jogando no celular, enviando mensagens e não se alimentando, somente “engolindo”, sem perceber “o quê e quanto” se está ingerindo.

          Pensemos nisso e avaliemos constantemente o que estamos fazendo conosco mesmos e com nossos filhos.

 

Um fim de semana

Nesse fim de semana que se encerra hoje, 30/09/18, tive a oportunidade de assistir a uma palestra, que não teve, na verdade, esse formato e sim uma forma de diálogo, entre a Monja Coen  e Leandro Karnal. Um privilégio!

Tão diferentes, mas tão sintonizados e elucidativos, que saímos com o gostinho do “quero mais”. De comum só “a careca”! (como eles mesmo dizem).

Ambos abordaram acerca dos dias em que estamos vivendo e principalmente enfatizaram a obra que construíram juntos: “O Inferno somos nós: do ódio à cultura da paz”, livro que todos deveriam ler. Numa forma dialogada, demonstraram a importância da meditação para nos levar a estarmos mais conosco mesmos, a ouvir a nossa voz interior e a encontrarmos o nosso “eu verdadeiro ou nosso eu menor”.

A Monja lamenta que “quando falamos sobre cultura de paz, a história da humanidade pouco conta ou trata das pessoas ou civilizações que tiveram uma maneira de viver menos violenta”. Coloca que “discriminações, preconceitos, guerras, escravização, tortura, raiva sempre existiram entre nós, humanos”. E se pergunta, “qual a necessidade de manter a população amedrontada? Quais as vantagens disso? A quem interessa uma população que pensa?”

E, Karnal, também afirma, que “os massacres e assassinatos sempre foram muito frequentes, em todas as épocas da história, porém hoje a informação chega mais rápida e as armas são outras”.

E entre vários assuntos, chegam à questão da liberdade e que o medo é um dos “gigantes da alma”.(Karnal, 2018). E, esse, “é fundamental e está na base de quase todos os grandes preconceitos e ódios que cultivamos”.

Já a Monja Coen, coloca que “se diz no zen-budismo que o maior presente que se pode dar a alguém é o não medo”. E como se faz isso, pergunta ela: não tendo medo. Afirma também: “é algo difícil”, pois desde que nascemos, já somos alertados: “cuidado com isto, cuidado com aquilo”. E afirma, que “no budismo, se trabalha muito com a ideia de libertação – libertar-se das ideias e dos conceitos que foram colocados em nós desde o útero materno, desde antes do nascimento, pela maneira como a mãe se portou durante a gravidez; libertar-se não só da parte genética que vem conosco, mas da parte que vai sendo adquirida dos relacionamentos na infância, na adolescência, de escolhas e não escolhas”.

E ainda tendo muito a refletir, coloco, que a nossa mente tem a capacidade infinita, incessante e aberta para se reinventar, no sentido de nos tornarmos seres humanos mais pacientes, empáticos, libertos! Mesmo quando fazemos algo que não “queríamos fazer”, ou que “não gostaríamos de fazer”, também estamos escolhendo, portanto, tendo liberdade, segundo Santo Agostinho.

Portanto, vivamos a liberdade e com ela “a cultura da paz”!