Saúde em Pauta
QUEDA DE CABELO

A cura vem da Amazônia

YABORÃ-DI! É o nome dado pelos tupis-guaranis para uma planta que esses indígenas descobriram na floresta amazônica, que na sua língua quer dizer “planta que faz babar” e conhecida mais tarde como jaborandi. O Pilocarpus    jaborandi, é uma das espécies medicinais mais utilizadas pela indústria de fitocosméticos para tratamento de queda de cabelo, pela sua capacidade de revitalização.

Porque yaborâ-di?

Porque essa espécie possui em sua composição química um alcalóide chamado pilocarpina que é um poderoso sudorífero. Antes de provocar a sudorese, ele ativa a produção de saliva, daí o nome “faz babar”.

Como age o jaborandi na queda de cabelo?

A queda de cabelo é multifatorial. Mas pode ser amenizada por fitocosméticos que contenham em sua formulação a tintura de jaborandi ou a pilocarpina, seu principal composto bioativo que age junto ao bulbo capilar estimulando o seu crescimento e fortalecimento.

O jaborandi tem outras aplicações terapêuticas?

Sim! A pilocarpina por ser um agente parassimpaticomimético pode estimular as glândulas salivares, lacrimais e intestinais. É utilizada no tratamento de glaucomas, uma vez que possui ação miótica, ou seja, diminui a pressão intra-ocular.

Como usar o jaborandi como tônico capilar?

Pode ser usado de três formas:

  • Em shampoos encontradas em loja de cosméticos, onde na hora do banho deve-se massagear suavemente somente o couro cabeludo 
  • Infusão (chá) das folhas para se enxaguar os cabelos (nunca ferver as folhas, porque a pilocarpina se volatiliza com a temperatura)
  •  Loções capilares na concentração de 2-5%.de extrato glicólico, as quais devem ser aplicadas no couro cabeludo com fricções locais (5 a 10 minutos) para estimular o crescimento e revitalizar o bulbo capilar.  Pelo menos duas vezes na semana   

 

Existe contraindicações?

O jaborandi deve ser usado preferencialmente, só topicamente

Superdosagens de uso oral pode provocar insuficiência cardíaca.

 

Babosa

Um pouco de história

            Muitos não sabem, mas a babosa (Aloe vera)  é uma planta citada no Evangelho,  como espécie utilizada para embalsamar o corpo de Jesus Cristo (citação São João 19:39). É uma planta de uso milenar, uma vez que, manuscritos citam a babosa como um dos componentes secretos de Cléopatra que a usava em suas preparações para enaltecer sua beleza. Nas ilhas Socotorá, no Oceano Índico cresce um tipo de babosa que produz uma linda tinta violeta, motivo que levou Alexandre, o Grande, no século quarto a. C. a conquistar essa ilha.

Já foi comprovada a sua efetividade como protetora epitelial regenerando peles agredidas por queimaduras. Por este motivo, o governo dos EUA têm se preocupado em cultivá-la e estocá-la para um eventual desastre nuclear.

Composição química

É riquíssima a sua composição química, como derivados antracênicos, aminoácidos, enzimas, vitaminas e sais minerais

Quais as propriedades da babosa?

São muitas! A indústria de cosméticos a cada ano que passa reforça as prateleiras de mercados e farmácias com cremes faciais, loções bronzeadores, cremes para as mãos, shampoos e condicionadores.

•           Como fitocosmético é muito apreciado como fortalecedor do couro cabeludo, tratamento de alopecia seborreica (queda de cabelo) caspas, cabelos secos

•           Ainda como fitocosmético, é muito utilizado em loções após barba, pela capacidade que tem de provocar vasoconstrição e cicatrização nos poros da pele agredidos pelo barbear

•           O  sumo fresco  e viscoso das folhas da babosa serve como importante ingrediente emoliente, ou seja, amacia a pele áspera ou agredida por agentes físicos os químicos

•           O gel de Aloe vera demonstrou possuir um efeito inibitório dependente da dose sobre a produção de metabólitos reativos de oxigênio, ou seja, possuindo ação anti-inflamatória e evitando a formação de radicais livres que aceleram o envelhecimento das células.

Pode-se ingerir a babosa?

Cuidado!

Muitas preparações de uso popular são encontradas, principalmente o famoso suco de babosa, como purificador, nas afecções biliares, purgativo e algumas receitas contra o câncer. No entanto, pesquisas mostram que as antraquinonas, um dos seus princípios ativos podem causar agressões gástricas, irritações dérmicas e intoxicação aguda.

Relatos da literatura,  do Programa Nacional de Toxicologia (NTP), dos Estados Unidos, ao realizar um experimento em ratos, observaram que os mesmos  desenvolveram tumores após receber água fortificada com extrato da planta. Atualmente , o que se sugere, é que se utilize a babosa apenas em produtos de uso dermatológicos, evitando  a sua ingestão.

 E a Aloe vera contra o câncer?

Apesar da recomendação sobre o cuidado de não se usar a babosa em forma de prescrições de uso oral, alguns estudos tiveram êxitos em experimentos para combater tumores e também para atenuar as reações cutâneas causadas pela radioterapia. Alguns estudos aponta o extrato de Aloe, como vetor útil para estimular o sistema imunológico. Um estudo publicado no Immunopharmacology (1995) demonstrou que os polissacarídeos da babosa potencializam a atividade dos macrófagos e desencadeiam a produção de óxido nítrico, que tem um potencial antitumoral. Outro composto da babosa, 2-etil-hexilo (DEHP), foi experimentado para bloquear o desenvolvimento da leucemia. Outros ensaios in vitro apontam  a aloemodine como um componente ativo contra duas linhas celulares de câncer de cólon humano, levando à morte das células tumorais.

Melhor mesmo é seu uso tópico

Enquanto a ciência não chega a decisão final sobre o uso interno da babosa, seu uso tópico já foi muito estudado e comprovado como excelente reparador tecidual. O seu gel, muito conhecido e utilizado,   têm suas propriedades curativas   relacionadas a um composto chamado glucomanano, que estimula o crescimento, a atividade e a produção de fibroblastos, melhorando a produção e a secreção de colágeno. A mucilagem da babosa além de aumentar a quantidade de colágeno no local agredido,  estimula também a produção de novas células epiteliais provocando dessa forma  a regeneração dérmica.

Como usar a babosa do quintal?

Muito fácil! Colha as folhas de babosa de preferencia antes das 10 horas da manhã, e com uma faca corte sua casca retirando a mucilagem do seu interior. Essa mucilagem pode ser passada em cima de ferimentos ou queimaduras, sendo muito efetiva em queimaduras de sol.

Essa mesma mucilagem pode ser também “esfregada” sobre o couro cabeludo com a intenção de ativar o bulbo capilar e fortalecer a raiz de cabelo, em casos de queda de cabelo frequentes. Deixe por alguns minutos e depois lave o cabelo normalmente.

 

 

VIEIRA FILHO... VIEIRA NETO - Semeadores de emoções

Palavras também curam! Palavras acalmam, renovam esperanças, ajudam a cicatrizar feridas da alma. Ponta Grossa através de pai e filho teve a felicidade de possuir curadores que sempre usaram suas crônicas como bálsamos.

O que é uma crônica? Palavras esparramando emoções? Ou uma poesia querendo ser prosa?

Foi esta sensação que tive ao conhecer a trajetória do cronista Vieira Neto.

Um homem que escreveu sua história de vida permeada por outras vidas, onde apenas o olhar de um poeta poderia captar a emoção mais sutil e transformá-la em deleite. Deleite suave para um mundo que busca tanto restaurar sonhos, acreditar em outros valores, sentir a poesia a provocar leveza em suas almas.

Se a vida foi generosa e lhe deu como pai, um semeador de emoções que encantou os ponta-grossenses por tantas décadas, ele seguiu os rastros de seu pai. Permitiu que o tesouro das crônicas diárias não se perdessem e continuassem sendo o bálsamo para tantas almas em conflito.   

Neste palco de versos a bailar, voltei ao passado, quando jovem, rabiscava algumas linhas que rapidamente se tornavam papéis amassados por entender que eram simples demais. Mas ouvindo Vieira Neto percebi que é na simplicidade do cotidiano que resgatamos as mais lindas histórias. Seu olhar para o corriqueiro que passaria desapercebido pela maioria se torna uma obra de arte nas suas palavras, onde a moldura mais bonita será sempre a emoção que brota de sua alma.

Na vida, existem seres escolhidos por Deus para serem catalizadores. Como ele, como seu pai. Que transformam a paisagem! Transformam vidas através de suas palavras, repletas de vida!

 Quando suas palavras brotam de seus lábios, os sons do mundo se aquietam para que a metamorfose aconteça. Metamorfose dos alquimistas, onde a rotina do dia a dia, sob seu olhar vira arte. Arte de viver! Arte do contemplar! Arte do entender que um simples brotar de uma flor no galho do pessegueiro pode ser um milagre que acontece todos os dias e tão poucos a observar! Cem anos sem Vieira Filho, mas um rastro de continuidade através de Vieira Neto. E os Campos Gerais agradecem! 

 

 

CANELA DE VELHO - O que é? Funciona?

Por Dione Navarro*

A internet tem trazido com frequência o uso de uma planta medicinal  chamada Canela de Velho com indicações para inúmeras doenças, sendo a principal ação como anti-inflamatória e de grande efetividade nos inchaços de joelhos, artrose, hérnia de coluna entre outros.

O nome científico da canela de velho é Miconia albicans, sendo uma planta bastante encontrada na região nordeste do Brasil.

Qual seu principal benefício?

O uso popular desta planta é bastante relatado como anti-inflamatória  principalmente para a artrose, também chamada de osteoartrite. A artrose é uma enfermidade que agride as articulações promovendo, principalmente, o desgaste da cartilagem que recobre as extremidades dos ossos. Pelas suas propriedades anti-inflamatórias, a Canela de velho pode auxiliar na recuperação das cartilagens e ossos afetados. Ainda é usada popularmente para aliviar dores e doenças articulares, eliminando o inchaço e a inflamação localizada.

Tem outros benefícios?

Ainda na medicina popular, a Canela de velho  é usada  na artrite reumatóide, fibromialgia, dores e inflamação das articulações, dores na coluna, bursite, desintoxicante sanguineo, reumatismo, tendinite, como tônico digestivo, por agir contra doenças estomacais, intestinais como diarreia, gastrite ou hepatoprotetora.

Existem estudos científicos que comprovem a sua efetividade ?

Alguns estudos são citados na literatura. No entanto, os maiores relatos são de uso da população que aclama essa planta como um potente redutor dos processos dolorosos e inflamações. Na sua composição química foram encontrados  os ácidos triterpênicosursólico e oleanólico,  duas substâncias naturais com potencial biológico da Miconiaalbicans em experimentos realizados por pesquisadores do Departamento de Ciências Biológicas da UNESP de Bauru.

Outro grupo de pesquisadores do Instituto de Química de Araraquara comprovou que a Canela de velho possui propriedades antimutagênicas, ou seja, a planta é capaz de proteger as células contra danos no DNA, o que previne doenças como o câncer e má formação no desenvolvimento do organismo.

Portanto, dentre as inúmeras atividades biológicas atribuídas a esses triterpenosisolados da Canela de velho ressalta as suas ações analgésica, anti-inflamatória e antioxidante, atribuindo sua aplicabilidade principalmente nos casos de artrite, artrose e dores musculares.

Como usar ?

Esta espécie medicinal é usada com mais frequência em forma de chá.

Planta in natura usada como chá

•             15 folhas de Canela de Velho;

•             1 litro de água.

Modo de preparar:

•             Colocar a água para esquentar. Assim que ela começar a ferver, adicionar as folhas da planta e deixar a mistura fervendo por exatamente 30 segundos;

•             Desligar o fogo, abafar o chá e deixá-lo descansando por 10 minutos;

•             Coar e bebê-lo ao longo do dia.

 

Planta desidratada usada como chá

No caso de se usar a planta desidratada adquirida em farmácias indica-se:

•             2 colheres de sopa de planta seca

•             1 xícara de água

O modo de preparo é semelhante ao da planta fresca

Observação : os relatos de uso popular  apontam que os resultados são mais efetivos desde que o chá seja utilizado no mínimo por 30 dias podendo se estender até 90 dias. Não foram encontrados relatos de contra-indicações.

 

*Dione Navarro é farmacêutica-bioquímica com Doutorado em Química de Produtos Naturais, Pós Graduação em Fitoterapia, Homeopatia e Florais de Bach. Presidente da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes (APLA).

 

XAROPES NATURAIS CONTRA TOSSE

A tosse, assim como o espirro são atos reflexos naturais do aparelho respiratório que surge num mecanismo de defesa, quando algo estranho invade o organismo.Apesar de incômoda, a tosse ajuda a expulsar corpos invasores e secreções, sendo um benefício.

 TRATAMENTODA TOSSE

Existem xaropes alopáticos para tratar a tosse, e também algumas espécies medicinais como o agrião, poejo, guaco, copaíba, alho, abacaxi, gengibre, possuem compostos bioativos que promovem a fluidificação das secreções traqueobrônquicas que sobrecarregam as vias respiratórias. Essas plantas têm o poder de relaxar a musculatura lisa das vias aéreas, facilitando a expectoração. Para preparação de xaropes caseiros, alguns cuidados devem ser respeitados:

  1. Um xarope caseiro é uma preparação extemporânea, ou seja, deve ter consumo rápido, uma vez que não possui conservantes que a estabilizem
  1. Jamais coloque o mel para ferver junto com o xarope, porque o mel  desnatura e  perde todas as suas proteínas
  2. Manter a panela tampada para não volatilizar princípios ativos

 

XAROPE ANTITUSSÍGENO E EXPECTORANTE

Agrião (talos e folhas picados)  ...1 xícara  (fluidifica as secreções)

Folhas de guaco ..........................1 xícara (rico em cumarina ajuda na expectoração)

Abacaxi  em cubos.............. .....1 fruta  (possui bromelina  que desobstrui os brônquios)

Dente de alho amassado ............ 1 bulbo (aliina e alicina são potentes antibacterianos)

Mel .............................................. 200-300g (rico em proteínas)

Água filtrada ............................... 1 xícara

Preparação: numa panela tampada coloque os cubos do abacaxi para ferver em fogo baixo com a água por uns 20 minutos. A seguir acrescente o guaco, agrião e o dente de alho e deixe ferver por mais uns 10 minutos. Retire do fogo, coe e acrescente o mel. Acondicione em recipiente fechado na geladeira.

Posologia – 1 colher de sopa 3 a vezes ao dia

Importante – Se a febre e sintomas persistirem procure seu médico. 

CUIDADOS COM A TOSSE

As estações frias trazem consigo gripes e resfriados, na maioria das vezes acompanhada por tosses, que causam grande desconforto.

O QUE É A TOSSE?

A tosse  é um ato reflexo natural do aparelho respiratório que surge num mecanismo de defesa, quando algo produz irritação. Na maioria das vezes, a tosse ajuda a expulsar corpos estranhos e secreções, sendoportanto, um benefício. No entanto, o seu sintoma é desagradável e tira muitas noites de sono. Existem 2 tipos de tosse: a seca e a tosse produtiva, que neste caso vem acompanhada de secreções(catarro).

QUAIS AS CAUSAS DA TOSSE?

Existem muitos fatores que induzemà tosse além da provocada pelos estados gripais.  A tosse pode ser causada também pela bronquite, asma, fumo, refluxo gastroesofágico, sinusite.O aspecto da secreção da tosse se revela um importante indicativo para que o clínico estabeleça o tratamento adequado.  A secreção das tosses ditas produtivas pode ser aquosa e clara, e neste caso está geralmente associada à asma, a alergias, infecções virais das vias respiratórias superiores ou irritações provocadas pelo fumo. Quando a secreção se apresenta com aspecto mais espesso, de coloração amarelada ou esverdeada, poderá  indicar infecções brônquicas, pneumonia ou  sinusite. Quando o muco expelido apresentar cor avermelhada ou marrom significa que existe presença de sangue, e o prognóstico sugere estados mais graves como pneumonia, tuberculose ou processos tumorais a nível pulmonar.

COMO SE TRATA A TOSSE?

Como a tosse pode ser  resultado de enfermidades diferentes, o seu  tratamento dependerá diretamente da conclusão do diagnóstico onde as causas foram previamente estabelecidas e a partir daí, poderão ser ministrados xaropes antialérgicos, antivirais, antibacterianos, expectorantes ou mucolíticos ( dissolvem o muco).

Para alguns estados gripais com tosse que não tenham comprometimento grave, um grande número de simpatizantes da medicina natural se utilizam do poder curativo de algumas espécies medicinais que já são consagradas pelo uso popular e também através de ensaios clínicos que mostraram a sua efetividade terapêutica. Atualmente experimentos científicos têm validado inúmeras plantas com atividade antitussígena e expectorante, o que tem resultado em medicamentos fitoterápicos e um ótimo arsenal dentro da clínica médica.

QUE PLANTAS USAR EM XAROPES NATURAIS?

Inúmeras espécies vegetais, como o agrião, poejo, guaco, copaíba, alho, abacaxi, gengibre, possuem em sua composição química compostos bioativos que promovem a fluidificação das secreções traqueobrônquicas que sobrecarregam as vias respiratórias, provocado os sintomas da tosse. Essas plantas medicinais têm o poder de relaxar a musculatura lisa das vias aérea, facilitando a expectoração.

Poejo ( Mentha pulegium)
Guaco  (Mikania glomerata)
Agrião
Alho
Copaíba  (Copaifera langsdorffii)
Extração do óleo de copaíba

Na medicina popular se preparam xaropes de diversas formas, de acordo com o que foi passado de geração a geração. Mas o IMPORTANTE é lembrar  que um xarope caseiro é uma preparação extemporânea, ou seja, deve ter consumo rápido, uma vez que não possui conservantes que a estabilizem. Apesar do açúcar ser considerado um conservante natural, o seu tempo de vida é pequeno e se guardado por muito tempo poderá ser um ótimo meio de cultura para fungos e outros microorganismos.

RECOMENDAÇÕES

A fim de fluidificar as secreções que aparecem nos estados gripais com tosse e que possam ser mais rapidamente eliminadas, algumas recomendações são importantes, como:

* Beber bastante água -  O fluxo da água nas vias respiratórias é o melhor antitussígeno que existe, uma vez que promove  a movimentação do muco sobre a camada de cílios, facilitando a sua expulsão

* Manter os ambientes bem ventilados – A renovação do ar ajuda na limpeza do ambiente, deve-se  cuidar no entanto, com correntes de ar que possam provocar choque térmico ao paciente

* Tomar  banhos quentes– De preferência prolongados, respirando bastante vapor, que vai agir como fluidificante de secreções brônquicas

* Aumentar o teor de umidade do ar -  Os umidificadores ou vaporizadores são ótimos aliados para os locais onde ficam ou dormem os enfermos

* Preferir líquidos quentes – Os chás caseiros quentes sempre costumam trazer um alívio para os sintomas da tose proporcionando uma noite mais restauradora. Devido ao alto teor de cafeína encontrado no chimarrão, café ou chá preto, essas bebidas devem ser evitadas, uma vez que interferem no sono.

* Usar travesseiros mais altos- Uma posição um pouco mais elevada da cabeça durante o sono vai proporcionar uma respiração mais facilitada

* Não se automedicar por conta própria. Às vezes o desconhecimento da gravidade do problema poderá levar a consequências desastrosas. Na dúvida procure sempre o seu médico.

 

*Dione Navarro é farmacêutica-bioquímica com Doutorado em Química de Produtos Naturais, Pós Graduação em Fitoterapia, Homeopatia e Florais de Bach. Presidente da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes (APLA).

 

CUIDADOS COM A ALIMENTAÇÃO DO SEU ANIMAL DE ESTIMAÇÃO

Autora: Priscila Ferreira

 

Todos os apaixonados por pets adoram mimar seus mascotes, não é mesmo? E muitas vezes, na intenção de agradar nossos animais de estimação, acabamos oferecendo alimentos que não nos fazem mal, mas que podem será muito prejudiciais à saúde deles. Confira uma lista com os principais alimentos que não devem ser dados aos seus cães:

 

· UVA: A ingestão de uvas pode causar vômito, diarréia, falta de apetite, apatia e levar até a uma insuficiência renal. A toxina envolvida na formação destes sintomas ainda não foi identificada, porém  se recomenda que não haja a ingestão da fruta, nem de produtos que a contenham.

· ABACATE: O abacate possui uma toxina denominada persina, responsável por causar sintomas como dificuldade respiratória, vômito e diarréia. Além dos cães, outros pets como gatos e coelhos também são sensíveis a intoxicação pelo fruto.

· CHOCOLATE: Aqui a grande vilã é uma substância denominada teobromina, de lenta metabolização pelos cães. Alguns dos sinais associados à ingestão de chocolate são náuseas, vômito, diarréia, aumento da ingestão de água e arritmias cardíacas, podendo evoluir para sintomas mais severos como tremores, convulsões, coma e morte.

· CEBOLA e ALHO: Os compostos tóxicos presentes nestes alimentos são os sulfóxidos e sulfetos alifáticos. Estas substâncias podem levar a danos nas células vermelhas do sangue, responsáveis por levar oxigênio para todo o organismo. Os sinais mais comuns de intoxicação são vômito, diarréia e dor abdominal. Intoxicações mais severas podem levar a sintomas como frequência respiratória aumentada, mucosas pálidas, aumento da frequência cardíaca e sangue na urina.

É muito importante ficar atento ao que seu pet come e como ele reage à ingestão de cada alimento. Alguns produtos, apesar de não possuírem toxinas, podem causar problemas digestivos como estufamento, diarréia, gases e cólicas e outros problemas mais graves devido a sua difícil digestão ou grande quantidade de gorduras e açúcares. Portanto, muito cuidado com o que seu animal ingere! Faça de sua alimentação um ato saudável!

 

*Priscila Ferreira é Médica Veterinária e trabalha atualmente na Secretaria de Estado da Saúde do Paraná – SESA/PR na secção de Vigilância Sanitária- Ponta Grossa -PR

TAMIFLU NATURAL? NÃO!

Por Dione Navarro

 

Intitulado como “Tamiflu natural ou caseiro” algumas especulações tem circulado pelo mundo virtual tentando convencer que o uso do anis estrelado e da erva doce podem ser utilizados como medicação natural na prevenção e bloqueador da reprodução do vírus da gripe H1N1. Não é verdade! O Tamiflu, durante a sua síntese, inclui em sua composição química uma molécula,  derivada do anis,   mas que atualmente é sintetizada em laboratório. Essa biomolécula,o ácido siquínico é apenas um dos muitos componentes do Tamiflu. Utilizar a planta in natura é colocar em risco a saúde, já quenão existem estudos de bioequivalência que comprovem que no anis retirado do quintal possamos encontrar a mesma quantidade do composto antiviral.

 

MUITA CONFUSÃO

O que tem produzido muita confusão neste meio é o desconhecimento de que nem o anis estrelado, nem a erva doce são cultivados no Brasil. Os dois só conseguem se propagar na Europa. O que costuma-se cultivar no Brasil é o funcho, chamado pela população brasileira erroneamente de erva doce, O funcho tem  sua composição química parecida com a erva doce ou anis. Mas também não possui certos princípios ativos que os dois detém. Portanto NÃO PODE ser substituído. Como esclarecimento vamos nomimar:

Erva doce –  é a Pimpilellaanisum ou Anisumvulgare

Anis estrelado –  é aIliciumverum

Funcho – é a Foeniculumvulgare

São 3 plantas diferentes! E segundo a assessoria da Roche,  não existem  informações comprovadas de que os chás de funcho ingerido em qualquer quantidade, possam ser  eficiente para substituir o Tamiflu.

Mas, isso não quer dizer que “a nossa erva doce” não possui efeitos terapêuticos! Possui sim! No caso do funcho sua ação é no âmbito digestivo, diminuindo a flatulência (gases) e combatendo cólicas intestinais dos bebês. Seu óleo essencial, o anetol, é  muito útil como  antisséptico e expectorante no tratamento das tosses,  bastante utilizado como aromatizante de produtos cosméticos ou na culinária como tempero requintado.
 

O consumo natural do anis estrelado, por exemplo, não substitui o Tamiflu

 

*Dione Navarro é farmacêutica-bioquímica com Doutorado em Química de Produtos Naturais, Pós Graduação em Fitoterapia, Homeopatia e Florais de Bach. Presidente da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes (APLA).

 

ALHO - Muito mais que um alimento

Por Dione Navarro*

Nada como um bom feijão temperado com alho. Este é seu uso como aromático na culinária. No entanto, gravações antiquíssimas citam o alho, usado como medicamento pelos chineses, gregos e romanos antes de Cristo. Para os egípcios, era um símbolo divino tanto que Queóps fez gravar um dente de alho no alto de uma pirâmide. Durante a Primeira Guerra Mundial usavam o alho nos campos de batalha para impedir infecções. No Brasil é usado para tratar resfriados e problemas respiratórios. Em 1858 Pasteur comprovou as suas propriedades antissépticas. Seu nome científico é Alliumsativum.

Quais as indicações terapêuticas para o alho?  Muitas!!!

  • Ação bactericida e bacteriostática sobre inúmeras bactérias
  • Previne placas nas artérias ao reduzir níveis plasmáticos de colesterol
  • Hipotensor – devido sua ação vasodilatadora faz cair a pressão arterial
  • O óleo de alho ajuda a desobstruir as viasaéreas, ajudando a expectoração das tosses dos estados gripais,bronquite, rouquidão
  • Usado nas verminoses intestinais – anti-helmíntico contra Ascaris (lombriga) e Oxiurus.

 

Saiba a maneira correta de usar o alho

 

NUNCA deixe de amassar o alho, quando desejar obter todos seus efeitos terapêuticos! Porquê? Porque os compostos bioativos do alho se encontram guardados dentro de bolsas no seu bulbo. Se apenas cortarmos o alho, nem todas as bolsas são rompidas para libertar seus princípios ativos que são aliina, alicina e alinase. Então, ao amassarmos o alho estes fitoconstituintes poderão ser liberados aproveitando-se dessa forma suas propriedades curativas.

 

Qual a dose correta ?

Chás – 2 a 3 dentes amassados para uma xícara de água fria. Não ferve.

Oléo de alho (em cápsulas) – 1 a 3 cápsulas ao dia

Alho fresco -  3-4 g ao dia (baixa o colesterol)

 

Cuidados – em altas doses pode provocar irritação gástrica e enjôos.

 

Como disfarçar o gosto nos chás? Adicionando-se mel depois de retirado do fogo, senão a temperatura degrada as proteínas do mel.

 

Na dúvida, consulte seu médico.

 

*Dione Navarro é farmacêutica-bioquímica com Doutorado em Química de Produtos Naturais, Pós Graduação em Fitoterapia, Homeopatia e Florais de Bach. Presidente da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes (APLA).

SANTA ESPINHEIRA SANTA

Comer é um dos grandes prazeres da vida. Principalmente aqueles desfrutados em família ou com amigos. No entanto, esse grande momento de prazer pode ser abalado quando existe alguns problemas de ordem estomacais ou digestivos. Entre essas afecções as mais comuns são a gastrite e as úlceras.

 

QUAL A DIFERENÇA ENTRE GASTRITE OU ÚLCERAS?

Gastrites – é uma inflamação do revestimento (mucosa) do estômago devido a algum agente agressor. Entre esses agentes agressores podemos citar os medicamentos (anti-inflamatórios,corticoides, AAS), álcool, cigarro, substâncias corrosivas, alimentos contaminados. O refluxo da bile pode vir a causar gastrites crônicas.

Úlcera péptica – é constituída por uma área da mucosa gástrica ou intestinal onde se forma uma lesão (ferida). As úlceras são causadas pela ação do suco gástrico na parede do duodeno, estômago ou esôfago sendo chamadas portanto de úlceras gástricas ou duodenais. A bactéria Helicobacterpylori pode também a vir causar úlceras no estômago.

Sintomas -  dor, azia (queimação), dor na boca do estômago, empazinamento, eructações (arrotos), mal estar gástrico.

Tratamentos – Normalmente os tratamentos são feitos à base de medicamentos alopáticos chamados de antagonistas do receptor H2 (ranitidina) e Inibidores da bomba de próton (omeprazol, pantoprazol, lanzoprazol) que são medicamentos detentores de inúmeros efeitos colaterais e reações adversas.

Na busca de um tratamento alternativo e menos agressivo para úlceras e gastrites, algumas plantas medicinais têm sido comprovadas em laboratórios, de uma efetividade tão grande ou similar à esses medicamentos convencionais, que devem ser sempre ingeridos com acompanhamento médico e por tempo restrito, uma vez que a grande maioria deles provocam reações adversas no organismo. E um resultado bastante promissor tem sido a utilização da planta conhecida como espinheira santa para tratar gastrites e úlceras.

 

 

              ESPINHEIRA SANTA – uma opção natural

 O nome científico da espinheira santa é Maytenusilicifolia, mas conhecida também como erva cancerosa, uma vez que foi utilizada pelos índios brasileiros contra tumores. Esta atividade antitumoral veio a ser comprovada cientificamente em alguns ensaios de algumas universidades, graças aos seus triterpenos aromáticos que são constituintes químicos que reduziram  tumoresquando se utilizou extratos da espinheira santa.

Quais as indicações da espinheira santa ?

Além desta significativa ação anticancerígena, a espinheira santa possui em sua composição química, substâncias bioativas conhecidas como TANINOS, que são substâncias que fazem uma camada de proteção na mucosa gástrica contra esses agressores citados acima. Esses taninos reduzem e protegem as mucosas do estômago e intestino da secreção basal do ácido clorídrico que como um ácido que é, quando produzido em excesso provoca lesões nas mucosas do estômago e duodeno. Daí vem a sensação de “queimação” e dor no estômago. Na verdade, é um ácido queimando uma mucosa sensível.

Então podemos dizer que a espinheira santa, graças aos seus taninos possui um efeito cicatrizante.

Podemos confiar na espinheira santa como cicatrizante da mucosa estomacal?

Uma planta para ser considerada medicinal,  após inúmeros estudos precisa comprovar que têm o mesmo efeito que os medicamentos disponibilizados no mercado farmacêutico para aquela determinada enfermidade.

E a espinheira santa comprovou isso!

            Alguns experimentos realizados com animais que sofriam de úlceras e gastrites foram submetidos ao tratamento com espinheira santa e cimetidina, que é um excelente protetor gástrico, mas sintetizado quimicamente.

Esses estudos mostraram que aefetividade protetora  da espinheira santa na mucosa gástrica é tão grande quanto à cimetidina.

Como usar a espinheira santa para gastrites e úlceras?

A maneira correta é uso em forma de decocção ou seja, cozimento das folhas por 10-15 minutos em panela tampada.

Dose : 20 g de folha seca para 1 litro de água ou

     40 g de folha in natura (retirada verde do quintal) para um litro de água

Ingestão : 2 a 3 xícaras ao dia

Contra indicações :a espinheira santa não deve ser administrada  para crianças, nem a mulheres em fase de amamentação porque pode ocasionar redução da secreção láctea.

Considerada uma planta medicinal anti-úlcera desde 1922, podemos dizer que a Maytenus é uma santa espinheira santa, de fácil acesso porque pode ser cultivada no seu quintal.

 

***Dione Navarro é farmacêutica-bioquímica com Doutorado em Química de Produtos Naturais, Pós Graduação em Fitoterapia, Homeopatia e Florais de Bach. Presidente da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes (APLA).