Saúde em Pauta
Babosa

Um pouco de história

            Muitos não sabem, mas a babosa (Aloe vera)  é uma planta citada no Evangelho,  como espécie utilizada para embalsamar o corpo de Jesus Cristo (citação São João 19:39). É uma planta de uso milenar, uma vez que, manuscritos citam a babosa como um dos componentes secretos de Cléopatra que a usava em suas preparações para enaltecer sua beleza. Nas ilhas Socotorá, no Oceano Índico cresce um tipo de babosa que produz uma linda tinta violeta, motivo que levou Alexandre, o Grande, no século quarto a. C. a conquistar essa ilha.

Já foi comprovada a sua efetividade como protetora epitelial regenerando peles agredidas por queimaduras. Por este motivo, o governo dos EUA têm se preocupado em cultivá-la e estocá-la para um eventual desastre nuclear.

Composição química

É riquíssima a sua composição química, como derivados antracênicos, aminoácidos, enzimas, vitaminas e sais minerais

Quais as propriedades da babosa?

São muitas! A indústria de cosméticos a cada ano que passa reforça as prateleiras de mercados e farmácias com cremes faciais, loções bronzeadores, cremes para as mãos, shampoos e condicionadores.

•           Como fitocosmético é muito apreciado como fortalecedor do couro cabeludo, tratamento de alopecia seborreica (queda de cabelo) caspas, cabelos secos

•           Ainda como fitocosmético, é muito utilizado em loções após barba, pela capacidade que tem de provocar vasoconstrição e cicatrização nos poros da pele agredidos pelo barbear

•           O  sumo fresco  e viscoso das folhas da babosa serve como importante ingrediente emoliente, ou seja, amacia a pele áspera ou agredida por agentes físicos os químicos

•           O gel de Aloe vera demonstrou possuir um efeito inibitório dependente da dose sobre a produção de metabólitos reativos de oxigênio, ou seja, possuindo ação anti-inflamatória e evitando a formação de radicais livres que aceleram o envelhecimento das células.

Pode-se ingerir a babosa?

Cuidado!

Muitas preparações de uso popular são encontradas, principalmente o famoso suco de babosa, como purificador, nas afecções biliares, purgativo e algumas receitas contra o câncer. No entanto, pesquisas mostram que as antraquinonas, um dos seus princípios ativos podem causar agressões gástricas, irritações dérmicas e intoxicação aguda.

Relatos da literatura,  do Programa Nacional de Toxicologia (NTP), dos Estados Unidos, ao realizar um experimento em ratos, observaram que os mesmos  desenvolveram tumores após receber água fortificada com extrato da planta. Atualmente , o que se sugere, é que se utilize a babosa apenas em produtos de uso dermatológicos, evitando  a sua ingestão.

 E a Aloe vera contra o câncer?

Apesar da recomendação sobre o cuidado de não se usar a babosa em forma de prescrições de uso oral, alguns estudos tiveram êxitos em experimentos para combater tumores e também para atenuar as reações cutâneas causadas pela radioterapia. Alguns estudos aponta o extrato de Aloe, como vetor útil para estimular o sistema imunológico. Um estudo publicado no Immunopharmacology (1995) demonstrou que os polissacarídeos da babosa potencializam a atividade dos macrófagos e desencadeiam a produção de óxido nítrico, que tem um potencial antitumoral. Outro composto da babosa, 2-etil-hexilo (DEHP), foi experimentado para bloquear o desenvolvimento da leucemia. Outros ensaios in vitro apontam  a aloemodine como um componente ativo contra duas linhas celulares de câncer de cólon humano, levando à morte das células tumorais.

Melhor mesmo é seu uso tópico

Enquanto a ciência não chega a decisão final sobre o uso interno da babosa, seu uso tópico já foi muito estudado e comprovado como excelente reparador tecidual. O seu gel, muito conhecido e utilizado,   têm suas propriedades curativas   relacionadas a um composto chamado glucomanano, que estimula o crescimento, a atividade e a produção de fibroblastos, melhorando a produção e a secreção de colágeno. A mucilagem da babosa além de aumentar a quantidade de colágeno no local agredido,  estimula também a produção de novas células epiteliais provocando dessa forma  a regeneração dérmica.

Como usar a babosa do quintal?

Muito fácil! Colha as folhas de babosa de preferencia antes das 10 horas da manhã, e com uma faca corte sua casca retirando a mucilagem do seu interior. Essa mucilagem pode ser passada em cima de ferimentos ou queimaduras, sendo muito efetiva em queimaduras de sol.

Essa mesma mucilagem pode ser também “esfregada” sobre o couro cabeludo com a intenção de ativar o bulbo capilar e fortalecer a raiz de cabelo, em casos de queda de cabelo frequentes. Deixe por alguns minutos e depois lave o cabelo normalmente.