Sherlock Holmes Cultura
A quantos passos do Paço da Liberdade?

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Paço da Liberdade, exemplo de conservação e uso

 

 

História e beleza que se impõem, sobrepõem na paisagem? No poder de transformar, o encalço por preservar? Um pouco de todos nós como alicerce da memória? Só sei que os olhos de encheram de encantamento e estupefatos contemplaram o Paço. Sim, o Paço da Liberdade, estrutura suntuosa, ares de palacete, no centro de Curitiba, coração que bate em ritmo paranaense. A edificação singular comemora seus cem anos de existência. Inaugurado em 24 de fevereiro de 1916, foi construído para ser a sede da administração pública da capital do Estado. A riqueza arquitetônica forma par com o esmero nos detalhes, estilo eclético com predominância em Art Nouveau, facilmente reconhecido nas formas sinuosas nos ornamentos em portas, colunas e espaços internos. A grandeza se revela ainda pela escadaria em peroba rosa, que circunda os quatro andares do edifício. A histórica construção, tombada pelo patrimônio municipal, estadual e nacional, recebeu o primeiro elevador instalado em Curitiba. Depois que o local deixou de ser o endereço do Palácio da Liberdade, passou por diversos usos, sofrendo deteriorações e reformas, culminando num grande projeto de revitalização e ocupação através de um convênio entre a Prefeitura de Curitiba e o Sistema Fecomércio SESC SENAC Paraná, abrangendo também a área comercial no entorno. Reinaugurado em 2009, passou a abrigar um centro cultural, SESC Paço da Liberdade, promovendo farta agenda de atividades. Inda hoje a arte expressa nos "Hercules", em colunas que sustentam a entrada do prédio e graciosa figura feminina que aludem aos poderes Legislativo, Executivo e a própria cidade, fazem refletir sobre a força necessária para suster e preservar o que nos pertence. A quantos destes passos estaria nossa Rua da Estação Saudade, em Ponta Grossa? Passos sem descompasso, ouso esperar.

Turista imaginário

 

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A beleza pitoresca das construções antigas

 


Andaria pelo centro da cidade. Ansiaria ver e conhecer prédios antigos, histórias contadas de tantas vidas, memórias que remontassem às passagens não esquecidas. Pelas calçadas o fio de tudo o que já existiu, de encontros e de partidas. Imaginaria quem nunca por aqui andou, se visse praças, monumentos, casas centenárias, o que pensaria? Nas fotos antigas um mesmo local, por vezes revisitado, registrado, fotografado. Em cada instante, formas e contornos que se alteram, um mundo a se metamorfosear. Não queria que tudo fosse novo outra vez, do anterior removido sem deixar vestígios. O mundo é como nossas vidas, como causos que se contam com o passar dos anos. De construções que marcam nas cidades a passagem do tempo. Imaginaria que os momentos aceleram e o que hoje existe se congela, capturado e integrado à linha do tempo. Quisera se preservar e registrar em si o que se anseia conservar. No senso comum uma ideia do pôr abaixo tudo o que pertence a um passado que já se foi. E o que dizer da possibilidade de evolução sem destruição? Os ambientes podem ganhar vida, alcançar diferentes usos, que ocupem a chance da transformação requerida. O ser humano também se recicla, assume atribuições que lhe desafia e propicia alçar em sabedoria, em aprendizagem e primazia. As cidades nos espelham como mirantes, nos revelam que somos como elas. Belas ou abandonadas, bem mantidas ou desmanteladas, todo o gosto que se aplica ou no desgosto que fustiga. Transformar o que estava largado à própria sorte requer trabalho, mais moroso e crasso ainda é ver não vingar a identidade, nas edificações urbanas, a vida sempre soberana quando erige do que se reintegrou. Se eu fosse turista em nossa cidade, além da paisagem, geografia exuberante na vegetação e nos capões reinantes, de enlevo me enterneceriam os prédios antigos, bem mantidos, no cenário a nos elevar.

 

Libertem o homem forte

Cássio Murilo
Os pais são homenageados no mês de agosto

"Ensinei meus filhos a andarem de bicicleta do mesmo jeito: fixe num ponto, olhe para frente e vá! Deu certo" - conta Miguel entusiasmado. "Tive febre e fiquei doente de vontade de ter uma bicicleta. Quando meu pai chegou, com uma nas costas, sarei na hora" - narrou Elizeu, com lágrimas nos olhos. "Tatiana tirou 1º lugar no concurso de redação do colégio" - Adilson afirma, feliz. Jaime, pai recente, não falta às consultas do filho Benício, um ano. Na obra "Libertem a mulher forte", Clarissa Pinkola Estes narra histórias do feminino sagrado, corajoso e destemido, em episódios de fé e compaixão. E quem libertará o homem forte? Com tamanha dinâmica nas relações, papéis sociais e contextos culturais mesclando hábitos antigos com demandas atuais, o homem vem desempenhando igualmente novas atribuições, sem deixar de ser referência moral e de conduta para aqueles que vêm. Túlio confessou que do primeiro filho nunca trocou uma fralda sequer; do segundo, vinte anos mais tarde, perdeu as contas de tanto limpar, perfumar e cuidar. Quando as gêmeas eram pequenas, Álvaro punha nos ombros, uma de cada vez, apagava as luzes e brincava de "túnel escuro" pelos cômodos da singela habitação. Décadas mais tarde, as moças não têm medo de escuridão. Rogério liga para os filhos, no retorno previsto de cada viagem deles, insiste em velar pelas idas e vindas, guardião que conta e reza por quilômetros infindos. Marlon pública fotos da filhinha nas redes sociais, nunca sem mostrar abraços e afagos, carinhos, na pele marcados. Depois que o câncer do Jorge se alastrou, vieram-lhe feridas pelas pernas; Hélio, o genro, meticulosamente, remédios e curativos aplicou. E quem ousaria libertar o homem forte? Ele mesmo, cada vez que aprende a viver e a sentir o amor que conduz, cultura viva que irradia luz.

 

Casa agropecuária

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O charme pitoresco das casas agropecuárias

No cenário urbano, no centro e nos bairros mais populosos, integrando-se graciosamente ao ambiente, as casas agropecuárias emprestam seu charme pitoresco. Inda hoje, convivendo com comércio de eletrônicos e outras modernices, esses estabelecimentos, em seus produtos a granel e imensa variedade dos mais diversificados itens, por vezes, parecem saltar do passado para o presente, alheios à passagem do tempo. Desde criança, lembro-me de adentrar tais locais, movida pela atração incontrolável em conferir de perto os simpáticos gatos e cachorros, quase sempre filhotes, à venda ou aguardando adoção. Também as exuberantes mudas de plantas a colorir, em seus matizes de verde, estes empórios. Generosa quantidade de sementes de hortaliças e de flores em pacotes sortidos miúdos. Impossível resistir ao apelo de levar para casa os pacotinhos, semear e ver crescerem até alçarem a forma da foto ilustrativa na capa. Desta feita, uma conquista! A seção dos fumos de corda um capítulo à parte em aromas e texturas curiosas a despertar os respectivos sentidos. Insisto que o transcorrer do tempo, nas dinâmicas de modificação nos estilos, prioridades e anseios de vida, costuma ser implacável e põe abaixo prédios e hábitos. Não sem mérito, uma nesga de satisfação e felicidade invade quando costumes antigos resistem à modernidade quase sempre sufocante. Qual percentual da população compra ração para coelho? Nem ouso responder, mas é um encanto que esses animais e outros lá estejam, enlouquecendo de alegria as crianças transeuntes. Nesta semana mesmo, andando pelas ruas do bairro Nova Rússia, caixas com minúsculas espécimes vegetais, pujantes em vitalidade, junto a cachorros tom caramelo e um bando de pintinhos cor de canário, expostos à entrada da loja, brincaram de provocar meus sentidos e memórias.

 

 


 

Moringa

- A tampa da moringa!

Esta foi a resposta da Olga. No dia anterior ela havia chegado de viagem. De ônibus do Rio de Janeiro até o interior paranaense, há sessenta anos, levava muito mais tempo do que hoje. Contudo, a Olga fez questão que seu filho Jaime, o mais novo, depois da Rose e do Antônio, nascesse na sua cidade de origem. O tio Emílio a esperava com alegria, afinal se tratava da afilhada, além da sobrinha preferida. Encheu-a de cuidados e carinhos, a barriga despontando significativamente. Reuniu a família para um almoço farto, comida da roça, de coisas cultivadas no quintal de casa. De galinhas e porcos colocados na engorda para saciarem as mesas em momentos festivos. Aliás, o tio Emílio separara umas galináceas para as tradicionais canjas que seriam vastamente servidas por quarenta dias seguidos, após o nascimento do Jaime. Tudo pronto para o conforto da mãe e seu filhote. Depois das risadas gostosas servidas junto ao almoço vieram as sobremesas, doces e compotas de frutas da estação servidas em cumbucas. O tio não tinha mais por onde se desdobrar em dengos para com a gestante estimada.

- Olga querida, o que mais você gostaria? Peça o que quiser que eu farei vir até você!

A mulher, com os olhos aguçados e lábios desejosos, quase vertendo as palavras pelos cantos da boca, exclamou:

- A tampa da moringa! Desde que a vi na mesa me encheu a boca d'água.

Sem hesitar, Emílio apanhou a tampa da moringa, um martelo de cozinha e a espicaçou, recolhendo cuidadosamente os caquinhos e colocando-os num delicado prato de sobremesa. A Olga saboreou qual iguaria refinada o que fora uma tampa de barro. Falta de nutrientes? Compensação emocional frente às alterações hormonais recorrentes? Talvez e pouco importa. A graça está nos nuances e expressões daquelas que carregam e portam quem vem pela frente.

Cássio Murilo
O mês de maio remonta às mães, nossas homenageadas

 

Coleção literária

Arquivo DC
Biblioteca Bruno Enei, a casa guardadora de livros em Ponta Grossa

Colecionava livros, na esperança de encontrar, entre eles, uma forma de abrigo. Quem lê inculca perguntas a si. Respostas, nunca prontas, às vezes fugidias, vêm à mente. Melhor seria fugir do tormento, de tanto pensar, de tanto imaginar sobre as possibilidades. O livro aberto é sempre uma questão também em alerta. Justiça seja feita, alguns temas espargem para muitas ideias indagativas, ainda assim a curiosidade sobre o contexto e as circunstâncias, por vezes, predomina. E quanto ao local? Onde se possam abrigar tais vivências. O espaço físico é cúmplice e consorte de tudo o que nele se desenrola. As páginas viradas, em conteúdo aquilatadas, transbordam para o prédio que se impregna da condição culta. Em Ponta Grossa, incrustada na paisagem, a Biblioteca Pública Bruno Enei assume a missão da casa guardadora de livros, disponibilizando-os em empréstimos para os leitores. Que se faça referência num endereço, que se encontre em logradouro o espaço aberto ao público. Os vidros azuis, que se refletem desde longe, não poderiam ser mais felizes na cor. A nostalgia, no fundo, acalenta e conforta, permitindo, contudo, reflexão e disposição sensorial para o mergulho nas páginas. Há que se fixar, insistir no hábito da leitura, gosto sanador dos males das almas. No passado, os perigos eram combatidos com espadas, a força física vencendo e sobrepujando as ameaças. Sempre uma parcela erudita e finamente educada tinha acesso às leituras. Na modernidade, com a escolarização maciça da população, também estas portas do saber intelectual e literário foram abertas. Na fluidez das narrativas, há um pano de fundo em atribuições reais de vivências conhecidas, experiências de vida. Os novos tempos clamam por compreensão, quem sabe não possamos construir afluindo nossa porção, na contribuição das obras literárias erigidas.
Colônia Cecília

Odenir Follador
Casa construída pelo anarquista "Pimpão"

O que se preserva também nos preserva? A vida que se cultiva, amplia e ressignifica a própria vida? Do passado, os atos cultuados, no presente, perpetuam em extrato irretocado? No interior da Paraná, mesclada à paisagem dos Campos Gerais, a maior experiência prática dos conceitos anarquistas, em todo o mundo, se fez presente. De 1890 a 1894, um grupo viveu à luz do anarquismo, em oposição aos estilos sociais e políticos que imperavam no planeta. A Itália de Umberto I, em polvorosa nos processos de unificação e recursos incapazes de atender às demandas da população, fomentou anarquistas que se espalharam pelos continentes. Giovanni Rossi trouxe para o Brasil a vivência do anarquismo comunitário campesino. Vinte pequenas casas foram construídas e, entre elas, um salão para as refeições e reuniões acaloradas nos conceitos da utopia. Não havia leis, não havia governo, homens e mulheres livres experienciavam uma relação interpessoal igualitária. Seria possível vivenciar a utopia? A história mostrou que sim, por quatro anos, até a dissolução da comunidade. Outras experiências, como a colônia agrícola Cittadella, na Europa, duraram menos. Os anarquistas, afeitos à prática do amor livre e se considerando ateus, não eram bem vistos no interior paranaense, pujante em culturas predominantemente religiosas. Se, no século XXI, tais ideias podem provocar desaprovação, imagine-se em pleno século XIX. A piedade e a compaixão como atos curiosos, pois muitos que os pregavam não os compactuavam quando do gesto ao próximo, sendo um dos locais atuais de referência da colônia o cemitério dos "Renegados", visto que os anarquistas, mesmo mortos, não eram aceitos junto aos demais. Almas que segregam ainda depois que se findam. O legado não se encerra: na linda Palmeira, inda hoje, na paisagem, a passagem dos anarquistas se revela.

Divas, deusas, deidades

 

Arte em giz de Verônica Calandra Martins
As virtudes femininas, na forma de deusas, compõem as mais diversas culturas

 

No mundo atual, cosmopolita por excelência, nada se cria, tudo se recria, se repagina à luz dos novos tempos, inéditos momentos, quando em cenário atualizado, as capacidades são colocadas à prova. No rol da miscelânea de terminologias, a palavra "Diva", sinônimo de deusa, encontra espaço para destacar mulheres cujos feitos, atitudes ou valores se deseja homenagear. Por vezes em versões mais glamorosas também, como as grandes cantoras, amadas e alçadas à esfera de "Divas" pelo poder de encantamento despertado. Justiça seja feita, as intérpretes assim nominadas, independentemente do perfil pessoal comportamental, impressionam pela beleza e técnica refinadíssimas na voz. As primeiras imagens descobertas, que retratam as antigas deusas, remontam ao período Paleolítico superior, entre 35.000 e 10.000 a.C. Esculturas femininas chamadas "Vênus", compostas de seios e genitália destacados e fartos. Antigos mitos e crenças associados aos aspectos psicológicos, geofísicos e econômicos da cultura matriarcal. O feminino, desde os primórdios, inerente aos períodos da terra, às estações do ano, aos ciclos de plantio e colheita, surgindo das mulheres a familiaridade para contar o tempo, nos primeiros calendários, lunares como as próprias em suas dinâmicas corporais mensais de fertilidade e menstruação. Ao longo da história, culturas politeístas e monoteístas integraram divindades femininas e masculinas, em panteões separados ou como aspectos complementares de uma única entidade superior. Na contextualização atual, remontam as deusas aos arquétipos das virtudes a serem cultivadas, que se expressem e se multipliquem formando mulheres dadivosas. O potencial individual, tanto quanto as peculiaridades, enquanto atributos pessoais, quando somados, podem exerceu seu papel de contribuição em cultivar cultura humana.

Céu de giz

Alberta acordava de madrugada, arrumava o almoço numa marmita e seguia até o ponto de ônibus. Uma hora depois descia no município vizinho, em frente à escola isolada. Uma única sala com alunos de idades, personalidades e interesses diferentes. Turmas que reuniam do primeiro ao quarto ano do antigo primário. O que passava na cabeça dos alunos? O que ia pela mente da professora? Sem dúvida, algo que perpassava as ideias, seguia pelas terminações nervosas dos braços e das mãos e culminava no giz. Um pedaço cilíndrico e uniforme de material processado que a tudo comportava. Por vezes coloridos em tonalidades tímidas, em outras, nas vibrantes e surpreendentes cores. Se uvas têm cor vinho, hão de serem tingidas, em sua representação, no mais profundo tom. Se o céu é azul, há que se desenhar no radiante celeste. Contas de matemática básica, regras gramaticais, verbos e suas conjugações. A pedra lisa, ardósia trabalhada e pintada, transformava-se na lousa. Temor de alguns, glória para outros, trunfo na mão, literalmente, dos professores mais hábeis. A letra cursiva não permitia ocultar a capacidade adquirida, quem trabalhava à frente do quadro-negro, fazia burilar de si uma grafia bela e harmoniosa, indisfarçável graciosidade. Alberta foi professora primária há 40 anos. Encanta descobrir hoje, em centros de treinamentos empresariais sofisticados e repletos de recursos tecnológicos, ele, o velho quadro-negro ocupando paredes de salas vastas, com seu inseparável giz, anunciando o recanto da oficina de criatividade. Na Pedagogia Waldorf, ramo educacional da Antroposofia, lousas inteiras são desenhadas com esmero artístico, representando temas como as grandes épocas culturais da humanidade. Um pedaço de giz, pequeno que seja, guarda um universo em potencial, não é nanotecnologia, é a magia da capacidade humana.

 

 

Ilustração: Andressa Ivan
Lousa e giz usados para ensinar, criar e aprimorar habilidades artísticas

 

Quantas mulheres cabem numa mulher?

Cássio Murilo
O feminino abarca hoje muitos papéis sociais

As águas de março, cantadas por Tom Jobim, anunciam o fim do verão. Torrente emocional que assusta em vitalidade e força. Mas são apenas fluidos! Sem adesão suficiente entre moléculas capaz de manter a coesão, desprovidas de ingrediente combustível consumindo outras matérias. É a fluidez, a forma adaptável que a tudo preenche e abarca. Na mesma época, às torrentes se soma o potencial feminino expresso na celebração do Dia da Mulher. Curiosa propensão aos líquidos, ainda da física, dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Então o que dizer do corpo feminino? Capaz de encerrar a pluralidade de tantas personagens em seus variados arquétipos. Mãe, menina, anciã, profissional, amante, aquelas que permeiam por searas, outrora, exclusivamente masculinas, as que proveem o sustento da casa na postura economicamente ativa. Em tempos outros, a mulher sequer era vista como cidadã, sem direito a voto e considerada dependente. Estranhas lembranças distantes da geração atual, em pé de igualdade na carreira profissional e na vida. A Jussara Salgado Bittencourt alarmou dum texto antigo a afirmação de que a mulher saía de casa três vezes na vida: para ser batizada, casada e enterrada. Ufa! Felizmente, tais palavras são a lembrança de tempos remotos. Na dinâmica da ética moderna, não cabe discriminação, tampouco desqualificação. Nos espaços que se abrem mediante esforços, o papel social agrega, soma e adiciona funções como roupas que se vestem sobrepostas. Tal mulher veste as atribuições atuais, nos papéis profissionais e permanece, também, revestida dos anteriores. Resultado desta matemática: habilidade e capacidades novas, competência a toda prova nunca dantes demonstrada. Contudo, não se iludam, ela é composta da fluidez das águas, também verte, vez em quando, copiosamente, em lágrimas.