Sherlock Holmes Cultura
Colônia Cecília

Odenir Follador
Casa construída pelo anarquista "Pimpão"

O que se preserva também nos preserva? A vida que se cultiva, amplia e ressignifica a própria vida? Do passado, os atos cultuados, no presente, perpetuam em extrato irretocado? No interior da Paraná, mesclada à paisagem dos Campos Gerais, a maior experiência prática dos conceitos anarquistas, em todo o mundo, se fez presente. De 1890 a 1894, um grupo viveu à luz do anarquismo, em oposição aos estilos sociais e políticos que imperavam no planeta. A Itália de Umberto I, em polvorosa nos processos de unificação e recursos incapazes de atender às demandas da população, fomentou anarquistas que se espalharam pelos continentes. Giovanni Rossi trouxe para o Brasil a vivência do anarquismo comunitário campesino. Vinte pequenas casas foram construídas e, entre elas, um salão para as refeições e reuniões acaloradas nos conceitos da utopia. Não havia leis, não havia governo, homens e mulheres livres experienciavam uma relação interpessoal igualitária. Seria possível vivenciar a utopia? A história mostrou que sim, por quatro anos, até a dissolução da comunidade. Outras experiências, como a colônia agrícola Cittadella, na Europa, duraram menos. Os anarquistas, afeitos à prática do amor livre e se considerando ateus, não eram bem vistos no interior paranaense, pujante em culturas predominantemente religiosas. Se, no século XXI, tais ideias podem provocar desaprovação, imagine-se em pleno século XIX. A piedade e a compaixão como atos curiosos, pois muitos que os pregavam não os compactuavam quando do gesto ao próximo, sendo um dos locais atuais de referência da colônia o cemitério dos "Renegados", visto que os anarquistas, mesmo mortos, não eram aceitos junto aos demais. Almas que segregam ainda depois que se findam. O legado não se encerra: na linda Palmeira, inda hoje, na paisagem, a passagem dos anarquistas se revela.

Divas, deusas, deidades

 

Arte em giz de Verônica Calandra Martins
As virtudes femininas, na forma de deusas, compõem as mais diversas culturas

 

No mundo atual, cosmopolita por excelência, nada se cria, tudo se recria, se repagina à luz dos novos tempos, inéditos momentos, quando em cenário atualizado, as capacidades são colocadas à prova. No rol da miscelânea de terminologias, a palavra "Diva", sinônimo de deusa, encontra espaço para destacar mulheres cujos feitos, atitudes ou valores se deseja homenagear. Por vezes em versões mais glamorosas também, como as grandes cantoras, amadas e alçadas à esfera de "Divas" pelo poder de encantamento despertado. Justiça seja feita, as intérpretes assim nominadas, independentemente do perfil pessoal comportamental, impressionam pela beleza e técnica refinadíssimas na voz. As primeiras imagens descobertas, que retratam as antigas deusas, remontam ao período Paleolítico superior, entre 35.000 e 10.000 a.C. Esculturas femininas chamadas "Vênus", compostas de seios e genitália destacados e fartos. Antigos mitos e crenças associados aos aspectos psicológicos, geofísicos e econômicos da cultura matriarcal. O feminino, desde os primórdios, inerente aos períodos da terra, às estações do ano, aos ciclos de plantio e colheita, surgindo das mulheres a familiaridade para contar o tempo, nos primeiros calendários, lunares como as próprias em suas dinâmicas corporais mensais de fertilidade e menstruação. Ao longo da história, culturas politeístas e monoteístas integraram divindades femininas e masculinas, em panteões separados ou como aspectos complementares de uma única entidade superior. Na contextualização atual, remontam as deusas aos arquétipos das virtudes a serem cultivadas, que se expressem e se multipliquem formando mulheres dadivosas. O potencial individual, tanto quanto as peculiaridades, enquanto atributos pessoais, quando somados, podem exerceu seu papel de contribuição em cultivar cultura humana.

Céu de giz

Alberta acordava de madrugada, arrumava o almoço numa marmita e seguia até o ponto de ônibus. Uma hora depois descia no município vizinho, em frente à escola isolada. Uma única sala com alunos de idades, personalidades e interesses diferentes. Turmas que reuniam do primeiro ao quarto ano do antigo primário. O que passava na cabeça dos alunos? O que ia pela mente da professora? Sem dúvida, algo que perpassava as ideias, seguia pelas terminações nervosas dos braços e das mãos e culminava no giz. Um pedaço cilíndrico e uniforme de material processado que a tudo comportava. Por vezes coloridos em tonalidades tímidas, em outras, nas vibrantes e surpreendentes cores. Se uvas têm cor vinho, hão de serem tingidas, em sua representação, no mais profundo tom. Se o céu é azul, há que se desenhar no radiante celeste. Contas de matemática básica, regras gramaticais, verbos e suas conjugações. A pedra lisa, ardósia trabalhada e pintada, transformava-se na lousa. Temor de alguns, glória para outros, trunfo na mão, literalmente, dos professores mais hábeis. A letra cursiva não permitia ocultar a capacidade adquirida, quem trabalhava à frente do quadro-negro, fazia burilar de si uma grafia bela e harmoniosa, indisfarçável graciosidade. Alberta foi professora primária há 40 anos. Encanta descobrir hoje, em centros de treinamentos empresariais sofisticados e repletos de recursos tecnológicos, ele, o velho quadro-negro ocupando paredes de salas vastas, com seu inseparável giz, anunciando o recanto da oficina de criatividade. Na Pedagogia Waldorf, ramo educacional da Antroposofia, lousas inteiras são desenhadas com esmero artístico, representando temas como as grandes épocas culturais da humanidade. Um pedaço de giz, pequeno que seja, guarda um universo em potencial, não é nanotecnologia, é a magia da capacidade humana.

 

 

Ilustração: Andressa Ivan
Lousa e giz usados para ensinar, criar e aprimorar habilidades artísticas

 

Quantas mulheres cabem numa mulher?

Cássio Murilo
O feminino abarca hoje muitos papéis sociais

As águas de março, cantadas por Tom Jobim, anunciam o fim do verão. Torrente emocional que assusta em vitalidade e força. Mas são apenas fluidos! Sem adesão suficiente entre moléculas capaz de manter a coesão, desprovidas de ingrediente combustível consumindo outras matérias. É a fluidez, a forma adaptável que a tudo preenche e abarca. Na mesma época, às torrentes se soma o potencial feminino expresso na celebração do Dia da Mulher. Curiosa propensão aos líquidos, ainda da física, dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Então o que dizer do corpo feminino? Capaz de encerrar a pluralidade de tantas personagens em seus variados arquétipos. Mãe, menina, anciã, profissional, amante, aquelas que permeiam por searas, outrora, exclusivamente masculinas, as que proveem o sustento da casa na postura economicamente ativa. Em tempos outros, a mulher sequer era vista como cidadã, sem direito a voto e considerada dependente. Estranhas lembranças distantes da geração atual, em pé de igualdade na carreira profissional e na vida. A Jussara Salgado Bittencourt alarmou dum texto antigo a afirmação de que a mulher saía de casa três vezes na vida: para ser batizada, casada e enterrada. Ufa! Felizmente, tais palavras são a lembrança de tempos remotos. Na dinâmica da ética moderna, não cabe discriminação, tampouco desqualificação. Nos espaços que se abrem mediante esforços, o papel social agrega, soma e adiciona funções como roupas que se vestem sobrepostas. Tal mulher veste as atribuições atuais, nos papéis profissionais e permanece, também, revestida dos anteriores. Resultado desta matemática: habilidade e capacidades novas, competência a toda prova nunca dantes demonstrada. Contudo, não se iludam, ela é composta da fluidez das águas, também verte, vez em quando, copiosamente, em lágrimas.

 

Rua XV de Novembro

Poderia o transeunte absorver da história enquanto simples passante? Carrega o ar de outrora o que instiga a vida fulgurante? Conhecer e transitar traz do passado o que foi relevante? Para os desavisados que circulam pela Rua XV de Novembro, na inocência do desconhecimento, a pujança das edificações não permite ignorar a história a se contar. O início do século XX marcou o desenvolvimento de Ponta Grossa, que crescia e moldava a vida urbana, quando fazendeiros e tropeiros abastados fundavam lojas e estabelecimentos comerciais. Riqueza que esculpiu fachadas de beleza inata, tais como os prédios da Relojoaria Gravina e do Botequim. Felizmente, certas construções, sendo arquétipo e referência da prosperidade de tal fase, foram salvas da demolição iminente. Em épocas de efervescência política, social e cultural, foi a Rua XV de Novembro palco, cenário e um pouco personagem dos acontecimentos. Ignorar os fatos e matar o que nos caracteriza como povo e gente? A pesquisadora Isolde Maria Waldmann destaca que, além da memória arquitetônica, a rua conserva a memória emocional dos fatos. Como abarcar o que nos identifica se destruímos a construção que preconiza? Inda hoje, com os antigos pontos comerciais, bares e cafés, quase todos demolidos, pequenos grupos se reúnem em bate-papo ocasional que remonta aos hábitos já vividos. Na década de 30, após as 18 horas, era a agitada rua local de encontros e conversas. A remodelação ocorrida nos anos 90 perfilou a configuração da rua, estreitando-a, em contrapartida, adicionou bancos que favorecem a atitude contemplativa diante do que restou da arquitetura nobre e requintada. Agora entendo a maldição das múmias do Antigo Egito, quem ousa violar e profanar o que foi tão refinadamente concebido, amarga em morte e decadência o peso da vil interferência.

 

Estado de dormência

Dormente, dormitante ou desperto? Acordado ou dormindo, o que faz seguir adiante? Diz-se do dormente aquele adormecido, entorpecido, também estagnado, qual águas paradas. Como antagonismo repousa na calmaria que se põe a serviço nos fiéis sustentáculos das ferrovias. É sobre os dormentes que os trilhos se apoiam, leito para os trens. Neste raro caso, a dormência salva e propicia afluxo sobre seu dorso. Uma estagnação que não é infértil, potencial ativo de sustentação. Quase uma ironia, em repouso, a vida propicia. Na condição humana, a inércia reflete na falta de vontade e na indiferença, na apatia que deixar subjugar em demasia. Praga inerente cujo combate faz irromper a si em atitude consciente. Olhar para o mundo com interesse nos fatos, passagens e no que preserva a história. Na temida biologia recente, um mosquito atormenta a calma coletiva, os líquidos estáticos propiciam sua sobrevida, mesmo quando antes, em simples ovos, era contida. O principal meio do combate, não se deixe enganar na agitação improdutiva, é acabar com os focos de água parada. O que dizer quando os fluidos imóveis refletem em nós a falta de expectativa? Passando por ruas, avenidas, as cabeças aturdidas nem se deixam atentar para as mudanças na paisagem. Casas antigas, de repente, surgem demolidas. Cada vez maior nossa latência sem ação e sem resposta, alguns sequer lamentam ou ousam reivindicar preservação e congruência. Na esquina da Rua Francisco Burzio com a Bonifácio Viela, a construção vem sendo irrompida ante nossos olhos que sequer manifestam a face inquisitiva. O que será de nossa memória? Para sempre esquecida? Vêm abaixo, de forma repetida, prédios e casas que pertenciam a nossa vida, qual pacientes, em leitos, que caem em epidemia. Tão inerte quanto as águas estagnadas onde cresce o mosquito que nos aterroriza.

Memória de antigamente

Acervo de Cássio Murilo
Imagens antigas são compartilhadas na internet

Nostalgia inconsciente? Ousa adentrar tecnologias e se infiltrar em imagem incidente? Do baú deslembrado, no canto do cômodo, incômodo? Quando aberto, um tesouro na forma de fotos olvidadas. Curioso fenômeno atual, o interesse por imagens antigas criando grupos nas redes sociais que as compartilhem. Retratos de família, nos eventos que permeavam suas vidas, acervo pessoal guardado, quase enclausurado, a poucos revelado. Muitos, agora, visualizam e incorporam ao patrimônio mental, que também lhe pertença em ideias, em imaginação, em possibilidade de reconstrução da história. Como o trabalho do restaurador que decifra a forma e a apresentação original, abstraindo de seus olhos treinados, a concepção do momento de outrora. Não somente em Ponta Grossa, em diversas cidades, pipocam nas páginas virtuais as mais instigantes e raras fotografias do passado. Avenidas importantes quando ainda contidas em chão batido, prédios históricos em suas fundações e inaugurações, personagens anônimos trazidos à notoriedade, operários em edificações relevantes, professores em classes eruditas, cidadãos comuns, revestidos do que já se foi, que lhe conferem os ares de personalidade. A intimidade dos registros exposta, compreendendo hábitos e modos de viver, neste instante, não mais esquecidos. Soma-se a beleza do antagonismo, no ápice da disponibilidade de recursos tecnológicos, colocando-os a favor dos fragmentos já vividos. Convites, cartazes, documentos que espelham porções de comportamentos e costumes perdidos. Por sorte e boa vontade, ressurgem e convidam a conhecer o que não mais nos habita. Nas gavetas perderiam o viço, amarelariam no descaso do recinto, no mofo, no pó e nas traças a romper a carne das relíquias. Remete à nostalgia, à alegria em testemunhar, virtualmente, o que a vida não nos permitira.

 

Parque Histórico de Carambeí

Michelle Pavoni
Esperada reprodução dos ambientes à época dos pioneiros

Diques, eclusas, quebra-mares, na construção nada se recusa, quando amplia da criação, nas águas associadas à vida humana. Não bastasse sermos constituídos de fluidos e em seus meios virmos ao mundo, são algumas regiões do planeta abundantemente banhadas pelos líquidos. O que dos campos gerais com o mar sintonizam? Pedaço da Holanda contida? Na charmosa Carambeí, a beleza geográfica abarca da cultura dos países baixos. Terras abaixo do nível do mar que contrastam com o platô no segundo planalto. Os mais de cem anos da imigração holandesa conferem uma mescla generosa em fusão de hábitos, costumes, aspectos religiosos, sociais e econômicos. A honra que se presta engrandece, fortalece e produz pujança de ideias. Assim como o Parque Histórico de Carambeí, iniciativa carreada dos férteis ventos centenários de contato entre os povos. Reproduzindo uma vila completa, no estilo à época dos imigrantes, casas, igreja, escola, ferraria e leiteria, além do impressionante museu de implementos agrícolas. Nos equipamentos preservados, a habilidade e a perícia dos profissionais que recuperavam e consertavam máquinas imensamente compostas de peças de madeira em relação às atuais. A fundação do empreendimento faz par com a tendência moderna de aliar o conceito de informação dos museus com a experiência de lazer e entretenimento. História pode brincar de diversão? Sim, ainda mais com o capricho visual vivificado pelos detalhes reais. Móveis, utensílios, monjolos e bonecas que pertenceram aos antigos emprestam dos toques que lhes foram aplicados. A sala de aula reservou carteira, lousa e giz, para quem queira experimentar a escrita esquecida. Emociona e encanta sentir as gerações findas em memória que justifica e eterniza. Quem valoriza, preserva e cultiva, salva para si a qualidade erudita. A vida antiga que se recicla e repagina, cada dia mais atrativa.

 

Cultura Cativa

Cássio Murilo
Na cultura humana tudo se adiciona

Pescador que se preze tece sua própria rede, conhece os nós, trança os fios. Não concebe as ferramentas pela obscuridade, sabe delas, da praticidade de se fazerem compreender em plena necessidade. Desde pequeno, escutou do pai, dos mais velhos, intuiu pelos peixes que se deixavam capturar, cativos na sedução das mãos, do ritmo do homem tecelão, hipnotizador dos servidores da fome humana. Poderia a grande trama misturar os costumes, as crenças, as práticas aprendidas na cultura cotidiana? Dança cabocla no piso de chão batido, piano clássico no conservatório aprendido. Quem é mais popular, quem trouxe do erudito? A pergunta que engasga na epiglote de quem a recita: o mau hábito também soma no cultural compassivo? Como erva daninha que igualmente compila suas sementes no chão? Temo que sim. Ouso preconizar que tudo se adiciona no redemoinho da lida. Onde antes havia beleza artística, pode carecer quando a arte se vulgariza. Então a arte não é a perfeita medida? Espelho servil do ser humano, imita, inspira e instiga. As notas afinadas nas oitavas da soprano deram lugar ao destempero no ritmo dissonante? Tantas vozes, por vezes, errantes. Tudo que se acrescenta à biologia nativa e se valoriza vira sistema social, herança permissiva. As palavras depois de tão alaridas, porquanto repetidas, mesmo não corrigidas, somam no glossário não escrito. Alguém poderia reclamar aludindo em gesto que recrimina? Nem a religião e as convenções sociais escapam do olhar investigativo, o mito e o rito descem do místico à rotina redimidos. Portanto, da cultura se conclui, para o bem ou para o mal, por tudo o que se cultiva. E como se reconhece ser benéfico ou malsão? O que da dor não desconhece, ainda assim, arrefece e na nobreza de alma enternece. E o pescador? À beira da praia, ainda tece.

Lente aturdida

 

Arquivo DC
Em janeiro é comemorado o dia nacional do fotógrafo

 

A noiva sorriu, cabelos impecáveis, vestido de uma vez na vida, coração em despedida pela vida remissiva. A partir de agora nada mais permaneceria. Crianças em datas festivas, crescimento que assombra qual fábula incontida. As notícias se espalham feito rastro de pólvora, fatos quentes, informações que atormentam e assombram a alma congruente. Temem o que na mente se acende. Um espectador, um agente e ao mesmo tempo ator, faz as imagens se impregnarem da admiração, mirando tudo que se apresente. Os olhos não podem ser lentes orgânicas quaisquer, têm que ter vida própria, astúcia que desenforma em novos ângulos de se ver. A vista profissional tem faro treinado, apuro refinado para o encantamento com cada cena vivida. Os amadores também sabem fazer afluir do aparentemente descompromissado para registrar e revelar em modo contundente. Sorte de principiante ou intuição latente? O que não pode ficar de fora é o gosto, a vontade na prática revelada, no pitoresco e no trivial a reconhecer. Flagrantes são as cenas ou o olhar arguto, do momento, não se deixa escapar? Descoberta muito além do que as combinações químicas poderiam ponderar. De elementos a se impregnar em cores e formas, a vida humana que não mais saiu da memória. Do papel nas antigas câmaras escuras, banhos subsequentes nos líquidos reveladores. Penduradas, pura magia quando fragmentos nubilosos se desvanecem em primazia. Quem fotografa captura o que da alma anima? Alegrias ou dores que a textura eterniza? O que encanta é abusar da física, convertendo-a em poesia. Como os arqueiros na modalidade antiga, emprestam da precisão, da simetria, sem jamais excluir a porção intuitiva. O alvo nunca é fácil, a espera, num flagrante, torna-se tardia. Arco e flecha são o conjunto da câmera e suas objetivas, num tiro, a foto, imortaliza e irradia.