Ruas da História
Cyro Martins

 

O Distrito Industrial de Ponta Grossa tem o nome de seu idealizador, o ex-prefeito Cyro Martins, responsável pela retomada do desenvolvimento de Ponta Grossa nos anos 1970. Cyro nasceu em 1928. Foi aluno do Colégio Regente Feijó e cursou Engenharia Civil na Universidade Federal do Paraná. Era engenheiro do Departamento de Estradas de Rodagem. Em 1969 tomou posse como prefeito de Ponta Grossa. A grande realização de seu governo foi a criação do PLADEI, Plano de Desenvolvimento Industrial, que mudou o ritmo de desenvolvimento da cidade. O objetivo do plano era trazer novas indústrias para Ponta Grossa. Uma área de 100 alqueires pertencente à Rede Ferroviária Federal, foi adquirida pela prefeitura para a instalação do Distrito Industrial. Para aumentar a produção, a cidade precisava de mais energia elétrica. Um contrato assinado em 1930 dava exclusividade por 50 anos à Companhia Prada, que não demostrava qualquer interesse em fazer investimentos por aqui. Cyro Martins conseguiu junto ao governo estadual que a Prada fosse encampada. A Copel assumiu a distribuição da eletricidade. Grandes empresas nacionais e multinacionais se instalaram em Ponta Grossa: Sanbra, Cargill, Mak Bros, Anderson Clayton, Kurashiki, Sagro, Quimbrasil e outras. Além do desenvolvimento econômico, na gestão de Cyro a cidade ganhou qualidade de vida com a criação de áreas verdes em cinco praças, playgrounds e canchas de esporte para os adolescentes. No seu governo foi inaugurada a estação rodoviária (demolida em 2007) e o Mercado Municipal. Cyro Martins foi deputado estadual de 1979 a 1983. Por duas vezes candidatou-se novamente à prefeitura mas foi derrotado. Afastado da vida pública viveu até 1986. Sua administração foi um marco na história de Ponta Grossa.   

Juca Hoffmann

 

No Jardim Los Angeles tem uma rua com o nome de um ex-prefeito, deputado e homem de imprensa que ficou marcado na história de Ponta Grossa. Seu nome de batismo era José, mas todos o conheciam como Juca Hoffmann.

Juca nasceu em Ponta Grossa em 1904. Era filho de um comerciante de origem russo-alemã. Teve formação em colégios católicos como o Santana, o São Luiz e a Escola Coração de Jesus em São Paulo. Como jornalista era autodidata. Por três décadas dirigiu o jornal Diário dos Campos, que ele fez de tribuna, engajado em questões sociais e políticas. Era obcecado pela crítica, sem receio de expor suas opiniões. Por isso era popular entre as pessoas mais simples da comunidade e temido pelos inimigos pessoais. Juca Hoffmann começou sua carreira política como vereador em 1947 . Três anos depois foi eleito deputado estadual. Em 1955 assumiu a prefeitura de Ponta Grossa e em 1959 voltou à Assembleia Legislativa. Nessa época foi assessor de imprensa do governo Paulo Pimentel. Em 1962 ganhou mais um mandato à frente da prefeitura de Ponta Grossa. Como prefeito, Juca preocupou-se em remodelar a cidade. As ruas principais eram calçadas com poliedro, tinham canteiros com árvores separando as pistas e trânsito já congestionado. Durante sua administração foram remodeladas as principais praças da cidade e construída a Pça. Getúlio Vargas, que ganhou um jardim zoológico. Por muito tempo ela foi chamada de “Pça. dos Bichos”. Durante seu governo, Ponta Grossa ganhou as faculdades de Filosofia Ciências e Letras, Direito, Odontologia e Farmácia e Bioquímica. Eram os primeiros cursos da futura Universidade Estadual.

Em 1964 os militares assumem o governo federal e invadem todos os setores da vida pública, com perseguições e prisões arbitrárias. Um grupo deles se instalou na prefeitura de Ponta Grossa, interrogando diretores e chefes de departamento. Juca foi obrigado a assinar sua renúncia em 1966. Para justificar seu ato, sem levantar suspeitas, os militares o obrigaram a se candidatar novamente a deputado. Juca nem fez campanha. Tinha desistido da política. Nos seus últimos anos trabalhou na Rede Ferroviária Federal. Com medo dos militares, os amigos se afastaram. Juca nunca juntou riqueza. A herança que recebeu do pai foi gasta em investimentos na política e no jornalismo. Vencido pela depressão e sentindo-se exilado em sua própria cidade, Juca Hoffmann morreu de infarto em 1969. Amigos da família ajudaram a pagar o funeral.


João Vargas de Oliveira

 

O Hospital da Criança de Ponta Grossa tem o nome de um ex-prefeito, parlamentar e secretário de estado que marcou época com grandes realizações na cidade.

João Vargas de Oliveira nasceu em Ponta Grossa em 1908. Estudou no Colégio Regente Feijó e formou-se em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito de Curitiba. Foi proprietário de dois grandes empreendimentos comerciais: as Lojas João Vargas e a Companhia Pontagrossense de Automóveis. Foi deputado estadual por vários mandatos, deputado federal e secretário estadual da agricultura. Elegeu-se prefeito de Ponta Grossa em 1947. Graças à sua iniciativa, a Companhia Aérea Real incluiu Ponta Grossa em suas rotas. Até 1960 outras três empresas aéreas serviram a cidade: Vasp, Varig e Cruzeiro do Sul. Também na administração de João Vargas foi construída a estrada Ponta Grossa – Ortigueira – Apucarana. A prefeitura construiu o Cemitério São João em Uvaranas. Duas importantes empresas se instalaram na cidade: a Metalúrgica Schiffer e o Frigorífico Wilson, hoje Sadia. Uma disputa secular teve seu fim no governo de João Vargas. A prefeitura reconheceu os direitos da Diocese de Ponta Grossa sobre as terras do bairro da Ronda , doadas à Igreja por Domingos Ferreira Pinto nos anos 1800. Foi acertada a quantia de um milhão e oitocentos mil cruzeiros, que a prefeitura pagaria à Diocese em várias prestações anuais. João Vargas de Oliveira governou Ponta Grossa até 1951, quando se licenciou para concorrer à Assembleia Legislativa. Foi substituído pelo presidente da Câmara Municipal , o Prof. Heitor Ditzel.   


Albary Guimarães

 

O nome de uma rua da Vila Ricci é uma homenagem a um dos administradores mais importantes da história de Ponta Grossa.

Albary Guimarães era funcionário da Rede Ferroviária Federal. Em 1934 foi nomeado prefeito pelo interventor do estado Manuel Ribas. Dois anos depois era eleito pelo voto popular quando Ponta Grossa vivia uma nova fase de desenvolvimento. Surgiam as cooperativas imobiliárias, com o loteamento de chácaras e fazendas, aumentando o perímetro urbano da cidade. Seu governo foi um dos períodos de maior investimento em obras que a cidade já viu, como a construção de escolas municipais , entre elas a Julio Theodorico, a Gal. Ozorio, Prof. Colares, Dr. Meneleu de Almeida Torres, Becker e Silva e Prof. Elias da Rocha. Durante sua gestão, foram inaugurados o Aeroporto Santana e o quartel do Corpo de Bombeiros. O terreno da esquina da Av. Vicente Machado com Rua Augusto Ribas foi doado aos Correios para a construção da sua agência. Também nessa época foi instalada a primeira agência da Caixa Econômica Federal em Ponta Grossa. Além do progresso, a cidade ganhou um novo aspecto com melhorias realizadas nas praças e ruas. Na Pça. Barão do Rio Branco foi construida a concha acústica, uma fonte luminosa e o parque infantil. Avenidas importantes ganharam calçamento, como a Carlos Cavalcante, a Ernesto Vilela e a Visconde de Mauá. Na administração de Albary Guimarães foi aberta a Rua Dr. Paula Xavier, onde antes havia apenas uma trilha que passava entre as chácaras do local. Em 1939 o Colégio Regente Feijó muda-se da Rua Dr. Colares para o seu endereço atual, na Pça. Barão do Rio Branco. Albary Guimarães governou Ponta Grossa até 1945. Eram tempos de turbulência política. No espaço de dois anos, Ponta Grossa teve cinco prefeitos nomeados interinamente: Peregrino Dias da Rosa, Claudio Mascarenhas, Joanino Carlos Gravina, Theodoro Pinheiro Machado e Gabriel Mena Barreto.  


Manuel Ribas

 

O Complexo Ambiental Manuel Ribas, mais conhecido como Parque Ambiental, tem o nome de um pontagrossense ilustre, o homem que ocupou por mais tempo o governo do Paraná.

Manuel Ferreira Ribas nasceu em 1873. Estudou e casou-se em Castro. Sua carreira política começou longe daqui, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Ele foi para lá convidado para organizar a Cooperativa dos Trabalhadores da Via Férrea do Rio Grande do Sul. Graças à sua competência como administrador, ganhou notoriedade que o levou a se eleger prefeito daquela cidade. Depois da Revolução de 1930, o Brasil vivia um período de exceção, o regime de ditadura de Getúlio Vargas. Escolhido por Getúlio, Manuel Ribas voltou ao Paraná para ser interventor federal de 1932 a 1935. Continuou no posto , desta vez eleito pela Assembleia Legislativa, até 1937. E novamente como interventor até 1945. Foi o homem que ficou mais tempo na direção do executivo paranaense: 13 anos. Ribas encontrou o estado financeiramente abalado e ficou conhecido como o restaurador das finanças do Paraná. Foi obrigado a realizar cortes no quadro do funcionalismo estadual, o que teria sido a origem do apelido de “Maneco Facão”. Apesar dos poucos recursos disponíveis, realizou importantes obras como a Estrada do Cerne, com 700 km, ligando Curitiba ao Porto Alvorada, com bifurcação para Londrina e Jacarezinho. Iniciou as obras das rodovias ligando Curitiba a União da Vitória e Ponta Grossa a Apucarana. Estimulou a agricultura com a construção de estradas rurais e a distribuição de sementes selecionadas. Durante seus mandatos foram construídas escolas importantes em Curitiba, litoral e Campos Gerais. Priorizou a saúde pública com a implantação de centros de assistência sanitária, ambulatórios e dispensários. Os historiadores o descrevem como autodidata, simples, severo, rude mas generoso e honesto. Manuel Ribas fiscalizava pessoalmente as repartições públicas, surpreendendo os funcionários relapsos, que eram sumariamente demitidos. Com isso juntou muitos inimigos mas ganhou também o respeito e a confiança da maioria da população. Em 1945 Getúlio Vargas foi deposto. E com ele caiu também o Interventor do Paraná. Manuel Ribas morreu um ano depois.

 

José Kalinoski

 

Da trilha dos tropeiros até o encontro das ferrovias e estradas, o transporte foi o fator principal no desenvolvimento de Ponta Grossa. Mas por muito tempo, chegar ou sair daqui era uma aventura. Muita gente nasceu e viveu em Ponta Grossa sem nunca ter visto outras paisagens. Até a segunda metade dos anos 1800 o transporte de pessoas e de mercadorias era feito a cavalo ou em lombo de mulas. Depois de 1878 as tropas foram substituídas pelos carroções utilizados pelos imigrantes. Nessa época foi alargada a ponte sobre o Rio Tibagi, no caminho para Curitiba. Julio Eduardo Gineste, um ex cocheiro de Paris, implantou a linha de diligências entre Curitiba e Ponta Grossa. Cada diligência levava seis pessoas. O tempo de viagem era de três dias. Só 11 anos depois as diligências passaram a fazer a ligação com Castro e Imbituva. Em 1929 foi construída uma nova estrada para Imbituva, que agora tem o nome de José Kalinoski.

Kalinoski nasceu em Ponta Grossa em 1900. Era casado com Dna. Brunislava e teve 9 filhos . Morava em Porteira Grande , às margens do Rio Tibagi. Sua função: balseiro. Não havia ponte sobre o rio no caminho de Imbituva. Todos que iam e vinham de lá atravessavam o Tibagi na balsa do “Seu” Kalinoski, que além de fazer seu trabalho de timoneiro, conquistou a estima de muita gente nos Campos Gerais. Sua casa virou ponto turístico . Era procurada por famílias em busca de uma boa pescaria nos fins de semana. Jose Kalinoski morreu em 1955, na véspera de completar 56 anos. Ironicamente, ele que fazia das águas do Tibagi seu local de trabalho, morreu afogado.


Dom Antonio Mazzarotto

 

O nome do primeiro bispo de Ponta Grossa está preservado na praça da Igreja de Santo Antonio, no Jardim Carvalho. É a praça Dom Antonio Mazzarotto.

A história de Ponta Grossa se confunde com a presença da Igreja Católica, desde o primeiro passo para se tornar independente de Castro. A elevação à condição de freguesia dependia da aprovação da Igreja. Entre outras formalidades, o povoado deveria ter uma capela paramentada, isto é, com as vestes rituais. Mas não havia nenhuma. Nem vigário permanente. Então um altar em honra de Sant’Ana foi transferido da casa de Domingos Ferreira Pinto para a Casa de Telha, ponto de parada dos tropeiros. Em 15 de setembro de 1823, por decreto imperial, o distrito de Ponta Grossa passou a ser a Freguesia de Sant’Ana de Ponta Grossa. No alto da colina mais bonita do lugar havia uma cruz de madeira no caminho das tropas. Foi o local escolhido para a construção da primeira capela, erguida com tábuas de pinho. A Freguesia recebeu seu primeiro vigário residente, o Pe. Joaquim Pereira da Fonseca. Em 1830 começa a construção da nova igreja, com paredes de pedra e cal, coberta com telhas trazidas de São Paulo (não havia olarias por aqui). A Igreja Matriz foi totalmente construída e equipada com donativos dos fiéis. Em 1852, depois de 22 anos, a Matriz estava pronta. No início dos anos 1900 foi construída uma nova igreja no mesmo local. O projeto era de Nicolau Ferigotti, arquiteto italiano. A Diocese de Ponta Grossa foi criada em 1926, abrangendo um enorme território que incluia Palmas e Guarapuava. Mas só em 1930, com o término da construção da Catedral, Dom Antonio Mazzarotto assumiu a Diocese como seu primeiro bispo.

Dom Antonio nasceu em Curitiba, onde estudou e foi ordenado padre. Recebido pelo Papa Pio XI, pediu reforço humano para a nova diocese. A resposta do Papa teria sido: “Funde seu seminário e terá sacerdotes”. Então Dom Antonio fundou o Seminário São José. Visitou todas as paróquias e comunidades do território da diocese, andando de carroça ou a pé, onde não havia estrada. Dom Antonio Mazzarotto morreu em 1980. A Catedral que ele conheceu recém-construida em 1930 já não existia. Foi demolida em 1979, quando a diocese era dirigida por seu sucessor, o bispo Dom Geraldo Pellanda. O primeiro bispo de Ponta Grossa foi sepultado na Igreja do Sagrado Coração (a Igreja dos Polacos). 


Getúlio Vargas

 

Getúlio Vargas, um dos maiores mitos do Brasil, dá nome a várias cidades, uma refinaria de petróleo, faculdades, ruas e praças por todo o país. Em Ponta Grossa, uma praça no bairro da Nova Rússia homenageia o estadista que viveu aqui momentos decisivos para sua carreira política e para a história da República.

Getúlio Dorneles Vargas nasceu em São Borja (RS). Foi deputado estadual, deputado federal e presidente do Rio Grande do Sul (cargo equivalente ao de governador). Em 1929 , o presidente Washington Luis indicou o paulista JulioPrestes como seu sucessor. Apenas três estados negaram apoio a Prestes : Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraiba, que formaram a Aliança Liberal. Seu candidato era Getúlio Vargas. O vice era João Pessoa, que governava a Paraiba. A eleição aconteceu em março de 1930 e deu a vitória a Julio Prestes. A Aliança Liberal recusou-se a aceitar a derrota, alegando que a eleição foi fraudada. O assassinato de João Pessoa foi o estopim para a revolta armada. A Revolução de 1930 começou em outubro e se espalhou por vários estados brasileiros. Getúlio partiu de trem de Porto Alegre rumo à capital federal. Mas no caminho estavam as tropas federais , decididas a evitar a passagem dos gaúchos por São Paulo. Então Vargas e sua comitiva pararam em Ponta Grossa `a espera do resultado de encontros políticos que aconteciam no Rio de Janeiro. Por cerca de dez dias, ele ficou hospedado em seu próprio trem, estacionado perto da estação ferroviária. Almoçava e jantava com autoridades locais e participava de encontros políticos no Cine Teatro Renascença e no Clube Pontagrossense. No clube, durante uma festa em sua homenagem, Getúlio recebeu um telegrama informando que o presidente Washington Luis tinha renunciado ao cargo. Uma junta militar assumiu temporariamente o poder e declarou Vargas como novo presidente. Era o dia 24 de outubro. Com o exército garantindo sua passagem por São Paulo, Vargas seguiu viagem rumo ao Rio de Janeiro, rumo à história. Ele iria governar o país por 15 anos, até ser deposto por um golpe militar em 1945. Voltou à presidência pelo voto do povo em 1951. Seu governo deixou um grande legado para os trabalhadores do Brasil: a Consolidação das Leis do Trabalho, a carteira profissional, o salário mínimo, as férias remuneradas e a carga horária de trabalho semanal. Também são heranças de seus mandatos a Petrobrás, a Cia Siderúrgica Nacional e a Cia Vale do Rio Doce. Em agosto de 1954, Getúlio Vargas suicidou-se no Palácio do Catete.

  

Brasílio Ribas

 

No bairro das Órfãs um nome de rua lembra um dos prefeitos e parlamentares que marcaram época em Ponta Grossa. Brasílio Ribas nasceu em Ponta Grossa em 1870. Foi vereador e deputado estadual. Seu primeiro mandato como prefeito começou com um fato inusitado. Ele concorreu à prefeitura com João Bach Jr. e foi derrotado. Alegando fraude nas eleições, Ribas assumiu o cargo. João Bach também tomou posse na Câmara Municipal. Ponta Grossa tinha dois prefeitos. O governador Affonso Alves de Camargo resolveu a questão indicando Brasílio Ribas como interino até novas eleições no ano seguinte. Mais tarde, em 1920, foi eleito para um segundo mandato em que foram realizadas obras importantes, como a construção de escolas públicas nos bairros de Oficinas e Uvaranas. Dois fatos históricos foram comemorados na sua gestão: em 1922 o centenário da Proclamação da Independência e em 1923 o centenário de Ponta Grossa. Na ocasião foi criado o Hino da Cidade , com letra do advogado Dr. Augusto Faria Rocha e música do maestro Jose Rispoli. Segundo senso realizado pelo governo federal, Ponta Grossa tinha 20.170 habitantes. A cidade firmava-se como a maior do interior do Paraná, com forte desenvolvimento industrial e comercial. Em 18 de junho de 1922, empresários reunidos na Câmara Municipal fundaram o Centro Comercio e Industria . Nascia então a futura Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa, a ACIPG, a mais antiga associação empresarial do interior do estado. Em 1923 era inaugurada a sede do 13º Regimento de Infantaria no bairro de Uvaranas. Brasílio Ribas governou Ponta Grossa até 1924, quando passou o poder a Vitor Antonio Batista.


Theodoro Rosas

 

Um nome de rua lembra mais um personagem comum na nossa história: os coronéis, gente rica e influente que formava a elite de Ponta Grossa no início dos anos 1900. Theodoro Rosas era um deles. Foi tropeiro e tornou-se pecuarista e agricultor. Sua história tem muito em comum com as de outros personagens lembrados nesta série. Mas ele estava fora de alguns padrões da época. Alem do curso primário em São Paulo, estudou música e era um exímio pianista. Foi educado na Europa, tendo passado um bom tempo morando na França. Gostava de ler e tinha uma grande coleção de livros. Theodoro Rosas nunca se casou. Morava na esquina da Rua XV de Novembro com Rua Eng. Schamber, onde gostava de reunir os amigos para ouvir música. Por insistência dos amigos, entrou para a política e em 1912 foi eleito prefeito de Ponta Grossa. Mandou buscar na Europa o material para instalação da primeira rede de água e esgotos. O projeto foi elaborado pelos engenheiros Alvaro Souza Martins e Jacob Schamber. Em 1914 foi inaugurada a caixa d'água. Finalmente Ponta Grossa, já com cerca de 15 mil habitantes, teria água encanada. Também no seu governo foi melhorado o fornecimento de energia elétrica na cidade, com a substituição de usinas tocadas a lenha e carvão por unidades hidrelétricas. Um fato importante marcou o ano de 1912. Depois de 5 anos de construção, era inaugurada a Santa Casa de Misericórdia, iniciativa da Associação das Damas de Caridade, um grupo de senhoras da sociedade de Ponta Grossa. O terreno foi doado pela prefeitura. Os recursos para a construção vieram de doações particulares, da venda de bordados, leilões e quermesses. O Cel. Theodoro Rosas governou Ponta Grossa até 1916.