Especial

A cidade e a região

Roque Sponholz*

 Com área urbanizada de cento e noventa e um quilômetros quadrados, Ponta Grossa tem hoje aproximadamente  dezesseis habitantes por hectare. Aquém, portanto, do ideal de trinta habitantes por hectare, ou seja; na mesma área poderíamos ter o dobro da população atual.

Óbvio que não devemos mais crescer em termos de extensão territorial e sim em termos de adensamento populacional e conseqüente qualidade de vida. O adensamento diminui a circulação e torna a cidade mais humana e solidária. Ocupando os vazios urbanos existentes, normalmente já dotados de infra-estrutura; vias pavimentadas, linhas de transporte coletivo, escolas, postos de saúde, redes de água e esgoto, coleta de lixo etc., estaremos economizando recursos a serem aplicados nas áreas culturais, de lazer, parques arborizados, seguros e bem cuidados, praças de esportes, melhoria do espaço físico e de equipamentos de nossas escolas de ensino básico e principalmente estaremos reduzindo o tráfego urbano. Uma cidade melhor para se viver é aquela que prioriza um transporte coletivo com eficácia, conforto, baixo custo impulsionado pela utilização de energia alternativa não poluente.

Devemos flexibilizar o uso do solo, permitindo seu uso misto, desde que sem prejuízo ao meio ambiente e ao conforto e bem-estar da população. A inserção de pequenas indústrias não poluidoras e do pequeno comércio em áreas habitacionais favorece o trabalhar e o morar mais próximos, diminuindo o uso de veículos automotores e consequentemente minorando problemas do tráfego diário.

Outra questão a ser resolvida num futuro não tão distante, diz respeito a ligações inter-bairros, trajetos que hoje necessariamente nos obriga a cruzar o centro da cidade, ocasionando transtornos já conhecidos.

O Contorno Leste foi o primeiro passo, formando um anel periférico, unindo bairros distantes e densamente povoados, mas, ainda assim carecemos de ligações em linha entre bairros próximos.

Em termos de planejamento regional, fundamental será a criação da Região Metropolitana de Ponta Grossa. A busca por recursos e soluções aos problemas comuns entre os municípios seria enormemente facilitada. Não devemos mais tratar de meio ambiente, transporte, educação, saúde, segurança, saneamento, recursos hídricos e principalmente localização de novas indústrias, de forma isolada.

Importante deixar claro, que nada disto será feito sem vontade política, sem que se reative o Instituto de Planejamento (IPLAN), orgão fundamental para se pensar Ponta Grossa todos os dias no presente e no futuro, sem que se ponha em prática o contido no Plano Diretor e no Estatuto das Cidades e principalmente sem a preocupação em contentar minorias privilegiadas em detrimento da maioria necessitada.

 * O autor é arquiteto e urbanista e professor