Editorial

A consciência no bolso

A consciência do brasileiro está no bolso, como comprovam acontecimentos históricos recentes do Brasil. O primeiro deles o Plano Cruzado, cujos necessários ajustes foram retardados para o PMDB sair como grande vitorioso nas eleições de 1986. Naquele ano, o PMDB velo de guerra fez 22 governadores, de 23 candidaturas, conquistando ainda 53,4% das cadeira da Câmara Federal. Depois feio o Plano Real, que garantiu a eleição de Fernando Henrique Cardoso, mandato no qual foi criado o instituo da reeleição para os cargos do Executivo (presidente, governadores e prefeitos), sendo ele o primeiro presidente reeleito na história do país. Nas duas oportunidades, os brasileiros haviam feito às pazes com a inflação. Verdade que no caso de Sarney, no pós-eleição, a economia do país voltou à instabilidade, havendo uma correção de rumos com o Plano Real, cuja filosofia impera até hoje no governo do Presidente Lula, um dos seu mais radicais opositores.
O momento que o pais vive não difere desses períodos recentes da história política do país. A estabilidade da economia brasileira, que sobreviveu a uma das maiores crises econômicas mundiais da história, que derrubou bolsas de valores nos principais mercados financeiros do planeta, fechou milhares de postos de emprego nos Estados Unidos e nas principais economia européias, certamente tem grande peso na campanha eleitoral em curso. Os índices de popularidade do presidente Lula cresceram ainda mais após ele ter sido apontado como o personagem mundial, pela sua visão da crise e seus efeitos na economia brasileira. Enquanto todos (sobretudo a oposição) apostam num ‘tsunami’, Lula dizia que tudo não passaria de uma ‘marolinha’. Com medidas de estímulo ao consumo e renúncias fiscais, o país conseguiu manter postos de trabalhos e saiu da dita crise muito antes do que o Estados Unidos e os países da União Européia.
Para comprovar este cenário amplamente favorável ao governo Lula, ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou um estudo denominado “A Nova Classe Média – O Lado Brilhante dos Pobres”. A publicação mostra que, de 2003 a 2009, um total de 29.062545 brasileiros ascenderam para a classe C, chamada de nova classe média. Somente entre 2008 e 2009, período da crise financeira internacional, 3.172.653 pessoas passaram a fazer parte da classe C. Conforme a pesquisa da FGV, essa classe já representa mais da metade da população e detém grande poder político e econômico, devido ao seu poder de compra. A renda salarial da nova classe média varia de R$ 1.126 a R$ 4.854. O levantamento ainda apurou que de julho de 2009 a julho de 2010, a renda média dos brasileiros cresceu 7,7%. A desigualdade social recuou 1,4%, no mesmo período. Mais, para 2016, se prevê o fim da pobreza extrema e da miséria no país.
Contra índices econômicos positivos e dinheiro no bolso não há argumentos.  Este brasileiros que ascenderam de classe social por certo que não desejam mexer no time que está ganhando. E isso explica, como no passado, a liderança da candidata do Palácio do Planalto nas Pesquisas, em que pese ela não ter uma história política eleitoral e ser desconhecida, até pouco tempo, da maioria dos brasileiros. Isso, aliás, conta ponto a seu favor, diante da imagem que os brasileiros têm dos políticos ‘carreiristas’ que gravitam na órbita do poder. Neste cenário, é incontestável o fato que de o brasileiro costuma mesmo ser guiado pelo bolso, muito mais do que pela consciência de uma necessária e saudável alternância de poder.