Agribusiness

Cerca de 1,2 mil quilos de mel são envasados mensalmente na Unidade Municipal de Beneficiamento do Mel em Ponta Grossa

A UBMel funciona há 14 anos em um espaço cedido pela Prefeitura e atende os apicultores da cidade com a filtragem e o envase do produto
Eberhard é o presidente da Associação de Apicultores dos Campos Gerais (Foto: Prefeitura de Ponta Grossa/divulgação)

Funcionando em um espaço cedido pela Prefeitura de Ponta Grossa desde 2006, a Unidade Municipal de Beneficiamento do Mel (UBMel) tem sido um importante instrumento para os apicultores da região realizarem o envase e a rotulação do líquido doce produzido pelas abelhas. Atualmente, cerca de 20 apicultores são atendidos mensalmente na localidade e mais de 1,2 mil quilos de mel passam pelo processo de cristalização, filtragem, decantação, e envasamento, que podem ser feitos em potes plásticos ou em sachês, de acordo com os dados da Associação de Apicultores dos Campos Gerais. O produto final gerado com as operações é vendido no município, seja nas feiras do produtor ou também em comércios de mel, e gera renda para os produtores e comerciantes.

Hoje, mesmo após 14 anos da outorga de permissão de uso do espaço, a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SMAPA) continua realizando os serviços para fomentar as atividades na Unidade e apoiar as ações da Associação de Apicultores dos Campos Gerais, que coordena o serviço realizado na UBMel. "Para o controle da qualidade, nós da associação contratamos um médico veterinário para atestar as condições do mel. Acredito que se não fosse essa parceria com a Prefeitura e o Governo do Estado, que também liberou recursos para as nossas atividades, o trabalho seria bem mais complicado", diz o presidente da Associação, Eberhard Husch.

O apicultor Fernando Haura é um dos que é atendido na UBMel. De acordo com o produtor, uma média de 100 a 200 quilos do líquido produzido pela abelha são levados na Unidade por mês para que sejam embalados. Posteriormente, o produto é vendido na feira do produtor da Benjamin Constant, aos sábados. "Vejo muitas vantagens em ter um local próprio para que possamos fazer o envase dos nossos produtos. O espaço é acessível e temos o benefício de ter a certeza de que o mel que produzimos está legalizado, pois passa pelos processos de retirada de impurezas. Se não tivéssemos um local próprio na cidade para realizar o envase, teríamos que ir para Curitiba receber a autorização para a comercialização", garante Fernando.

Ernesto Kindl também é um dos beneficiários da UBMel. Neste caso, ele comercializa o produto envasado dos apicultores em uma loja de apicultura. Para ele, a facilidade do processo é útil para o seu negócio. "Eu compro o mel e o revendo na minha loja. Essa atividade é uma das minhas formas da renda e se não houvesse um local próprio na cidade para realizar o envase, o processo de compra de produtos confiáveis ficaria bem mais complicado", destaca o comerciante.

O associativismo que deu certo

A Associação de Apicultores dos Campos Gerais surgiu em 1986. Desde então, uma das principais reivindicações dos integrantes era a liberação de um espaço para realizar a filtragem e o envase de forma legal. Após negociações, o Governo do Estado subsidiou os equipamentos para o trabalho de purificação do mel e o Governo Municipal cedeu um espaço no antigo Centro de Treinamento Rural. "Esse espaço que temos foi uma conquista coletiva, que foi possível graças ao apoio dos associados, que se uniram para lutar pelo objetivo; e também dos governos estadual e municipal que se sensibilizaram com a causa e nos ajudaram com o desenvolvimento do projeto", conta Eberhard.

Os apicultores que quiserem obter a certificação de legalidade do mel produzido em suas propriedades podem ir até a UBMel e solicitar o serviço. A Unidade localiza-se nos fundos do câmpus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), próxima ao Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR). O quilo de mel envasado custa R$ 1,68. Dinheiro esse que, segundo Eberhard, serve principalmente para pagar o serviço do médico veterinário ao fim do mês. Após o envase e a rotulagem, os apicultores podem vender seus produtos de forma individual, sem precisar dividir a renda com os associados.

O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SMAPA), Bruno Costa afirma contentamento em saber que um projeto apoiado pela secretaria está obtendo resultados e ressalta estar à disposição para auxiliar outras categorias do ramo da agricultura. "O exemplo da Associação de Apicultores é bom para ilustrar a força que a união entre os produtores e a iniciativa do governo pode resultar. Esse é um dos modelos que acreditamos. A UBMel funciona há 14 anos e vamos continuar auxiliando os associados para que o projeto seja otimizado cada vez mais. Uma das visões que temos na secretaria é a de fomentar o associativismo na nossa região, pois sabemos que quanto mais pessoas unidas por uma causa, mais resultados e mais forças para negociações terão", destaca Bruno.

Com os 14 anos de funcionamento da Unidade, Eberhard, hoje com 93 anos, comemora o fato de poder trabalhar com o que gosta e ter o subsídio necessário para suas atividades, mesmo sabendo que algumas conquistas ainda são necessárias. "Desde criança eu gostava de abelhas. Nos finais de semana eu via elas nas caixas e adorava ficar observando. Não perdi esse vício, hoje consigo ganhar dinheiro com aquilo que gosto de trabalhar e de realizar no meu dia a dia", completa o presidente da associação.