Economia

Cervejarias geram um PIB de R$ 1,3 bilhão em PG

Cidade se destaca em produtividade através de multinacionais e micro produtoras
(Foto: Fábio Matavelli)

Através de sete empresas ativas cadastradas no Município, Ponta Grossa se destaca no cenário nacional cervejeiro com opções que vão desde produções em larga escala até produtos artesanais. Segundo estimativas da Secretaria da Fazenda, o nicho deve ser responsável por 15% de todas as riquezas geradas no ano passado, o correspondente a R$ 1,3 bilhão de valor adicionado.

Além das duas multinacionais – Ambev e Heineken, que se destacam, respectivamente, como segunda e terceira maiores indústrias de Ponta Grossa em geração de valor adicionado – a cidade também conta com micro fábricas, que produzem aproximadamente duzentos mil litros por mês.

O dado é da Associação das Microcervejarias dos Campos Gerais, que conta com seis empresas em Ponta Grossa: Oak Bier, Koch, Schultz, Palais, Strasburger e Trem Fantasma. Considerando que o valor do litro varia, em média, entre R$ 9 e R$ 15, a capacidade produtiva do setor vai de R$ 1,8 bilhão a R$ 3 bilhões.

“Nós somos um dos maiores polos cervejeiros do Brasil, e destaque na América Latina em relação à produção por habitante quando somadas as grandes e as pequenas fábricas. O potencial é muito grande, e como é um ciclo de giro de economia e geração de empregos todo mundo ganha”, avalia Ricardo Carvalho, presidente da Associação local.

Segundo ele, no ano passado o consumo de cervejas artesanais cresceu 40%, e o setor das microcervejeiras tem gerado na cidade aproximadamente cem vagas de trabalho, entre diretas e indiretas, como as contratações feitas para eventos.

Eventos de fomento

Além da tradicional festa nacional do chopp escuro (Munchen Fest, que em novembro deste ano chega à sua trigésima edição) e do Encontro Mestres Cervejeiros de Ponta Grossa (promovido regularmente pela Associação das Microcervejarias dos Campos Gerais) deve ser lançada oficialmente ainda neste mês a “Rota da Cerveja”, projeto divulgado no 25º Salão Paranaense de Turismo e assinado por uma parceria entre a Associação, a Prefeitura Municipal e o Sebrae.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Turismo, estão sendo estudadas ações para ampliar os eventos voltados à área, e a Rota da Cerveja é uma dessas iniciativas. “A população vai poder conhecer os nossos produtos, fábricas e degustar as cervejas produzidas na cidade”, adianta Ricardo Carvalho.

A Câmara dos Vereadores também aprovou em primeira discussão nessa semana criação da “Semana da Cerveja Artesanal”, que deve ser realizada anualmente em abril. O autor da proposta é o vereador Florenal Silva, que destaca que como o interesse pela fabricação e pelo consumo do da bebida têm crescido e permitido a expansão da cadeia produtiva, gerando receita para os empreendedores e para o município, ter evento oficial no calendário da cidade fomenta o lazer e a vida cultural.

 

Produção é destaque no Sul do país

Hoje 479 municípios possuem cervejarias, chegando perto de 10% do total de municípios existentes no país. O Anuário da Cerveja no Brasil, estudo feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), aponta que, entre os cinco estados que mais possuem cervejarias, três deles são os que compõem a região Sul do país.

Enquanto o Rio Grande do Sul lidera com 186 estabelecimentos, Santa Catarina ocupa a terceira posição com 105, logo atrás de São Paulo (165) e Minas Gerais (115). O Paraná fica na quinta colocação, registrando 93 cervejarias – 38,8% a mais do que em 2017. Os dados são de 2018.

Estes cinco estados, junto ao Rio de Janeiro, possuem mais de 90% dos registros de produtos de cerveja e chope segundo o Mapa. No ano passado 210 novas fábricas foram abertas no Brasil, totalizando 889 cervejarias no final de 2018 que ofertam 16.968 produtos.

Perfil paranaense

O Sebrae produziu um Mapeamento das Cervejarias Artesanais do Paraná, que apontou que a região de Leste possui 41,02% das cervejarias artesanais do Paraná, seguida pela região Norte (23,08%), região Centro (20,51%) e região Oeste (8,97%). As regiões Sul e Sudoeste abrigam 3,85% e 2,57% dos empreendimentos, respectivamente. A maioria dos entrevistados (39,06%) iniciou na atividade como hobby e virou um negócio, 9,37% viram o setor como uma oportunidade e 35,95% queriam investir em um empreendimento.

Dentre os estilos mais produzidos estão a Pilsen (23,07%), IPA (19,23%), APA (16,92%), Lager e Weiss (13,07%), Porter (4,61%), Witbier (3,07%), Stout e Red Ale, ambas com 2,30%, e Red Lager, Golden Strong Ale, Abadia e outras com 2,36%.
 

 

Qualificação

O Grupo Heineken no Brasil e o Instituto da Cerveja Brasil (ICB) fecharam uma parceria para aumentar a oferta de cursos sobre cervejas artesanais em todo o país; o ICB aumentará seu potencial de promover conteúdos e sua estrutura para capacitar novos profissionais em diferentes regiões do país.

“Essa parceria traduz o nosso compromisso com a qualidade em toda a experiência do consumidor com as nossas marcas, desde a democratização do conhecimento sobre cerveja artesanal, que contribui para a melhor decisão de compra a partir do amplo portfólio que oferecemos, até a degustação e harmonização dos estilos”, afirma Nelcina Tropardi, Vice-presidente de Assuntos Corporativos do Grupo Heineken no Brasil.

Mais informações sobre os treinamentos e os locais disponíveis para a realização dos cursos oferecidos pela Heineken e pelo ICB estão dispostas no site http://www.institutodacerveja.com.br.