Cidades

Como ajudar mulheres vítimas de violência

Hoje são vários mecanismos encontrados e que estão à disposição da sociedade para ajudar mulheres que sofrem violência. A começar pela denúncia
(Foto: Fábio Matavelli)

A cada dois segundos, uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil. E a cada 22,5 segundos, uma mulher é vítima de espancamento ou tentativa de estrangulamento no país. As informações são do Instituto Maria da Penha, criado para mostrar a realidade da violência doméstica no Brasil, através de um relógio da violência que atualiza o número de agressões a cada dois segundos.

A violência doméstica e familiar contra a mulher passou a ser considerada crime graças a aprovação da Lei 11.340, criada em agosto de 2006, conhecida hoje como Maria da Penha. Nestes 12 anos, desde a sua criação, a legislação cria mecanismos para coibir e prevenir a agressão.

Hoje são vários mecanismos encontrados e que estão à disposição da sociedade para ajudar mulheres que sofrem violência. A começar pela denúncia, que protege a vítima e mostra que a violência não deve mais ser silenciada.

Oferecer proteção e assistência também são passos importantes e fundamentais para a reintegração e empoderamento das vítimas. Hoje existem centros de referência voltados à mulher, além de delegacias especializadas, casas-abrigo e políticas públicas.

Patrulha Maria da Penha

Patrulha Maria da Penha foi criada em Ponta Grossa para proteger vítimas de agressão. (Foto: Fábio Matavelli)

 

Ponta Grossa é um município que se destaca com ações de proteção à mulher. Além de contar com uma delegacia especializada, a cidade conta com a Patrulha Maria da Penha, criada em outubro de 2017 pela Secretaria Municipal de Cidadania e Segurança Pública, voltada para proteger mulheres em situação de violência, que possuem Medidas Protetivas de Urgência emitidas pela Justiça.

A Patrulha é um serviço integrado da Secretaria e Guarda Municipal, que visa prevenir e inibir a violência doméstica e familiar contra a mulher em Ponta Grossa. Ela também conta com uma parceria com o Tribunal de Justiça do Paraná, através da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, com o objetivo de orientar, fazer visitas periódicas e acompanhar de perto as mulheres em situação de violência na cidade de Ponta Grossa.

Somente de outubro a dezembro, a Patrulha prestou 143 atendimentos entre visitas às mulheres e prisões de homens por descumprimento da medida judicial. Neste ano, de janeiro a outubro, foram registrados 1384 atendimentos.

"Iniciamos com números mais tímidos por se tratar de um projeto novo. Até mesmo para o Juizado de Violência, entretanto, com a percepção dos agentes envolvidos nesta rede de proteção, o próprio Juizado encaminhou cada vez mais novos casos para fiscalização do cumprimento", disse Liliane Chociai, coordenadora da Patrulha Maria da Penha.

Segundo ela, a divulgação do projeto foi importante para que o número de denúncias fosse cada vez maior. "Foi fundamental a divulgação nos órgãos de imprensa das nossas ações específicas da Patrulha, bem como da Guarda Municipal no combate à violência, através do nosso canal 153. A união deste fatores ecoou de forma positiva nas comunidades, fazendo com que as chamadas fossem mais recorrentes", comentou.

 

A Patrulha é um serviço integrado da Secretaria e Guarda Municipal. (Imagens: Fábio Matavelli)

 

Tipos de violência contra mulher

Um levantamento realizado pelo Núcleo Maria da Penha (Numape), órgão vinculado à Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e que atende mulheres em situação de perigo na cidade, mostrou que 75% das vítimas que são atendidas sofreram mais de um tipo de agressão. Já 16,7% relataram sofrer violência psicológica e 8,3% somente violência física.

"Além das agressões físicas, elas disseram que foram xingadas, ameaçadas, forçadas a fazer sexo, entre outras. São violências interligadas", disse a assistente social do Numape, Bruna Maria de Lara Ribeiro.

Os dados do órgão mostraram ainda que 50% dos casos de agressões atendidos revelaram que foram motivados por uso de álcool e drogas e outros 50% o agressor estava sóbrio. "Uma das vítimas disse que 'ele faz isso de ruim, mesmo sem beber', referindo-se ao companheiro", comentou a assistente social.

Denuncie a violência contra mulher. Telefones Úteis:

Patrulha Maria da Penha – 153
Central de Atendimento à Mulher – 180 (Governo Federal)
Emergência da Polícia Militar – 190
Delegacia da Mulher – 3309-1300
Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher – 3309-1774 e 3309-1686 *
(* Horário de atendimento das 12:00 às 17:00 horas)